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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.26 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2021  Epub Feb 12, 2021

https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40762020 

ARTIGO

A experiência contada pela criança que vive em abrigo por meio do brinquedo terapêutico

Fabiane de Amorim Almeida1 
http://orcid.org/0000-0002-8062-3579

Deborah Ferreira Souza1 
http://orcid.org/0000-0002-9399-2058

Carolline Billett Miranda1 
http://orcid.org/0000-0002-6467-2944

1Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Av. Professor Francisco Morato 4293, Vila Sônia. 05521-200. São Paulo SP Brasil. fabiane.almeida@einstein.br


Resumo

O objetivo deste artigo é compreender o significado da experiência vivenciada por crianças institucionalizadas em abrigo, por meio do brinquedo terapêutico. Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizada em uma instituição de abrigo não governamental, filantrópica, situada no município de Santos, São Paulo, Brasil. Para a amostra, selecionaram-se cinco crianças de quatro a 11 anos de idade, que concordaram em participar da pesquisa, com autorização do seu responsável legal. A observação durante uma sessão de brinquedo terapêutico dramático foi a estratégia usada para a coleta dos dados, que foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin. Seis categorias emergiram dos dados, evidenciando aspectos do cotidiano da criança no abrigo e na escola, bem como a falta que sente de sua família e a maneira como lida com o medo no abrigo. Ressalta-se, ainda, a tentativa constante de obter a aprovação do adulto e o prazer que sente em brincar com ele. O brinquedo terapêutico possibilitou à criança refletir sobre suas vivências, além de momentos de catarse. Para o adulto, foi possível compreender como é para ela viver em um abrigo e os desafios que tem que enfrentar neste contexto.

Palavras-chave: Orfanato; Jogos e brinquedos; Criança; Enfermagem pediátrica

Abstract

Objective:

To understand the meaning of the experiences of children living in a shelter through therapeutic play.

Method:

Descriptive, qualitative study, carried out in a non-governmental philanthropic shelter located in the city of Santos (SP) - Brazil. The sample was composed of five children between four and 11 years old, who agreed to participate in the study and were also authorized by their legal guardian. Observation during a dramatic therapeutic play session was the strategy used for data collection. Data were analyzed using Bardin’s content analysis technique.

Results:

Six categories emerged from the data, highlighting aspects of the child’s daily life in the shelter and at school, as well as the nostalgia for family and the way they deal with fear in the shelter. It is also worth mentioning the constant attempt to obtain the approval of the adult and the contentment experience while playing with this adult.

Final considerations:

The therapeutic play allowed the children to reflect on their experiences and have moments of catharsis. For the adult, it was possible to understand how it is to live in a shelter and the challenges faced by the children in this context.

Key words: Orphanages; Play and playthings; Child; Pediatric nursing

Introdução

O desenvolvimento infantil é fortemente influenciado pelos aspectos social, cognitivo e afetivo, que devem estar em equilíbrio para que a criança se desenvolva1. Assim, a família desempenha papel fundamental neste processo de desenvolvimento, alicerçando a formação de pessoas adultas com boa autoestima, preparadas para assumir responsabilidades e enfrentar desafios2.

Algumas crianças, contudo, não têm oportunidade de usufruir de um sistema familiar estruturado e, por diversos fatores, são obrigadas a viver em abrigos ou lares substitutos. A história familiar de violência doméstica e dependência química dos genitores, abandono ou morte dos pais, vivência nas ruas e pobreza são algumas das situações que levam crianças a serem encaminhadas para instituições de apoio que, na maioria dos casos, não ocorrem de maneira isolada3,4.

Entretanto, mesmo com o intento de proteger e resguardar a integridade dos direitos infantis, a institucionalização interfere de maneira significativa na trajetória de vida da criança, comprometendo sua capacidade de se relacionar, sua organização interna e de estabelecer vínculos socioafetivos1.

A experiência de uma das autoras deste estudo como colaboradora em uma instituição de abrigo, participando de campanhas de visitas e adoções, motivou-a a conhecer mais a respeito da experiência de crianças abrigadas. Surgiram, então, os seguintes questionamentos: Como é para a criança viver em um abrigo? Como se estabelece a convivência com as outras crianças e com os profissionais da equipe? Quais são seus sonhos e expectativas?

Buscando compreender o significado da experiência vivida por estas crianças, as autoras realizaram esta pesquisa no sentido de investigar como elas percebem a situação de abrigamento e quais os seus sentimentos neste contexto de vida.

Para alcançar este intento, torna-se necessário o uso de estratégias que favoreçam a comunicação com a criança, uma vez que, até a fase escolar, ela tem dificuldade de expressar verbalmente seus sentimentos. Dessa forma, o brinquedo, especialmente o brinquedo terapêutico (BT), mostra-se efetivo na tarefa de auxiliar a criança a expressar o que sente e pensa sobre a situação vivenciada por ela5.

Conceituado como um tipo de brincadeira estruturada, conduzido por um profissional capacitado, o BT é uma técnica que se fundamenta nos princípios da ludoterapia, sendo empregado para aliviar tensões e ansiedades causadas pela vivência de situações incomuns à criança5.

Identificam-se três modalidades de BT: dramático ou catártico, que permite à criança reviver na brincadeira uma situação estressante, expressando o que sente e pensa e aliviando sua tensão; instrucional, utilizado quando é preciso explicar para a criança sobre uma situação ou procedimento a ser realizado; e capacitador de funções, que auxilia a criança a desenvolver e fortalecer suas potencialidades no uso de funções fisiológicas de acordo com sua condição5.

O uso do BT é amplamente divulgado na literatura, em diferentes contextos, com destaque para situações relacionadas à saúde, doença e hospitalização6-14, contemplando, também, seu emprego com crianças que vivem em abrigos15.

Assim, este estudo propõe-se a compreender o significado da experiência vivenciada por crianças institucionalizadas em abrigo, por meio do brinquedo terapêutico.

Método

Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido em uma instituição de abrigo não governamental com característica filantrópica, situada no município de Santos (SP), Brasil, que por ocasião da realização da pesquisa, atendia aproximadamente 15 crianças, de zero a 18 anos.

Esta instituição recebe crianças e adolescentes encaminhados pelo Juiz da Infância e da Juventude, sendo que aí permanecem até serem adotadas ou retornarem ao lar de origem, seguindo sempre determinação judicial.

A amostra, selecionada intencionalmente, foi constituída por três meninas e dois meninos, de quatro a 11 anos de idade, que concordaram em colaborar com a pesquisa, sendo que os responsáveis legais autorizaram as respectivas participações no estudo. Esta faixa etária é a que mais se beneficia do brinquedo terapêutico, especialmente no período pré-escolar, de três a cinco anos, quando se evidencia o auge da brincadeira simbólica16.

Por se tratar de um estudo qualitativo, o número de participantes foi definido no decorrer da coleta de dados. Segundo a literatura, a inclusão de novos participantes em uma pesquisa deve ser encerrada quando os dados foram suficientes para a compreensão do fenômeno ou situação estudada17.

Para que o leitor conheça um pouco mais das crianças do estudo, será apresentado, a seguir, uma breve descrição das principais características de cada uma delas.

Cinderela tem dez anos, mora no abrigo com três irmãos, dois meninos e uma menina, com 12, 14 e 17 anos. O irmão, de 17 anos, voltou para casa dos pais por ordem do juizado e os outros dois permanecem no mesmo abrigo. Encaminhada três vezes para esta instituição, da última vez, retornou após os vizinhos presenciarem brigas entre seus pais. Sua mãe foi internada em uma clínica de reabilitação, devido ao uso constante de drogas. É comunicativa e bastante ativa, no entanto tem dificuldades para ler e escrever, havendo suspeita de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Mulher Maravilha tem 11 anos, foi transferida de outro abrigo, onde viveu desde os quatro anos de idade junto com a irmã de 13 anos. Está na nova instituição por ordem judicial. É uma menina tímida, fala baixo e pouco comunicativa.

Hulk tem quatro anos e vivia em situação de rua com seus pais e três irmãos, com dois, sete e dez anos. Passou a morar na instituição após ser encaminhado pelo juiz da vara da infância e juventude. É um menino muito alegre, gosta de brincar, porém tem dificuldades em obedecer a ordens, mostrando-se agressivo.

Princesa Elsa tem seis anos, morava em uma casa de apoio que abriga famílias carentes que não tem condições de estabelecer uma moradia. Foi trazida ao abrigo pela assistente social, pois a mãe dela estava prestes a dar à luz um outro filho. É uma menina amável, carinhosa, tímida e muito apegada à mãe e ao irmão. Durante a sessão de BT, preocupava-se a todo o momento, com a ausência do irmão na brincadeira.

Homem Aranha tem oito anos, é irmão da Princesa Elsa e veio com ela para o abrigo. É um menino muito alegre, carinhoso, extrovertido e adora brincar, porém tem dificuldades para se concentrar e dividir os brinquedos com as crianças.

Os dados foram coletados em 2017, após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein e autorização do responsável pela instituição onde foi realizada a coleta.

Foi obtido o assentimento das crianças para a participação da pesquisa, utilizando-se o Termo de Assentimento do Menor, elaborado conforme a capacidade de compreensão da criança, como preconiza a Resolução 466, de 2012, do Conselho Nacional de Saúde18.

A coleta de dados realizou-se durante uma sessão de BT dramático, que inicialmente, seriam conduzidas individualmente. Entretanto, algumas crianças cujos irmãos se encontravam na mesma instituição resistiram em brincar sozinhas com a pesquisadora, concordando em participar da brincadeira junto com o irmão/irmã.

Registrou-se, em um diário de campo, as observações ocorridas antes e após a sessão de BT, a fim de auxiliarem na análise posterior dos dados. O material utilizado nas sessões de BT incluiu: bonecos para representar familiares, profissionais e outras crianças do abrigo; objetos do cotidiano da casa e do abrigo, como telefones, panelas, comida, banheira; massinha de modelar, jogos de montar, lápis e papel para desenho5,19.

A sessão de BT durou 30 minutos em média, variando de 15 a 45 minutos, como recomenda a literatura5,19, sendo registrada em vídeo para possibilitar a transcrição das observações na íntegra. Foi conduzida pela primeira pesquisadora, que permaneceu algum tempo interagindo com as crianças, antes de iniciar a brincadeira, a fim de estabelecer vínculo de confiança com elas. A criança era convidada a brincar com a seguinte pergunta: “Vamos brincar de uma criança que mora em abrigo”?

Os brinquedos foram oferecidos em uma sacola à criança, após ser explicado que ela poderia brincar como desejasse e que seria avisada um tempo antes de terminar a sessão. Todas as crianças encerraram a brincadeira antes do tempo máximo previsto.

Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin, que se caracteriza por um conjunto de estratégias de análise de comunicação, utilizadas para identificar o que é dito acerca de um determinado tema, por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos20.

Realizou-se, primeiramente, uma leitura mais abrangente das transcrições das sessões de BT, buscando obter uma percepção inicial do conteúdo. Leituras sucessivas foram feitas em seguida, buscando destacar as frases significativas, que foram destacadas no texto20.

Cada trecho selecionado recebeu um código na etapa de categorização. Estes trechos foram agrupados inicialmente pelas diferenças temáticas que emergiram e, posteriormente, por similaridade de conteúdo. Elaborou-se, então, a síntese dos discursos, a partir da aproximação dos pressupostos teóricos aos dados empíricos da realidade20.

Resultados

Seis categorias emergiram da análise dos dados, que serão apresentadas em seguida, acompanhadas de trechos da transcrição das sessões de BT. Destaca-se que a letra “C” identifica as verbalizações da criança e a letra “P”, as da pesquisadora.

Refletindo sobre o seu cotidiano no abrigo

As crianças dramatizaram várias situações relacionadas ao seu dia-a-dia no abrigo, como o preparo das refeições, os cuidados com a higiene e a aparência e o momento de dormir.

Pegou a massinha e colocou dentro da panela, começou a dar comida na boca da sua boneca. C: Nhac, nhac - imitou o som com a boca, simulando que a boneca estava comendo. C: Tia ela gosta bastante dessa comida que eu fiz...A sua [boneca] também quer. Dá pra ela - falou, enquanto oferecia comida para as outras bonecas. (Cinderela) C: Tia, que é isso aqui, hein? - perguntou-me, ao pegar a bucha de banho. P: É uma bucha para dar banho nas bonecas. C: Nem parece uma bucha - disse ao colocar a bucha dentro da banheira. C: Elas vão tomar banho. (Princesa Elsa)

C: Este vai ser o monstro que vai ficar de estátua, cuidando do quarto das barbies - disse ao pegar um dinossauro de plástico. C: Não gosto nada, nada de bagunça - disse enquanto arrumava os brinquedos, C: Ninguém consegue brincar com bagunça. (Mulher Maravilha)

C: Eu preciso de muita coisa pra colocar aqui [no fogãozinho] pra ficar cheio de comida… Igual o armário aqui do abrigo - falou, enquanto mexia no fogãozinho. (Homem Aranha)

Algumas crianças disseram, durante a brincadeira, que gostavam do abrigo. Uma delas verbalizou, inclusive, que preferia viver nesta instituição, uma vez que viera de outro abrigo. Outra criança, contudo, permaneceu calada quando a pesquisadora perguntou-lhe se gostava do abrigo.

C: Eu vim de outro abrigo com minha irmã. Eu contei [os dias] e estou aqui há 13 dias, mas já converso com um monte de meninas... As tias daqui também são bem legais. C: Ah, eu prefiro este abrigo aqui - disse baixinho. (Mulher Maravilha)

P: Você gosta daqui onde você mora? - a criança manteve-se calada, sem responder à pergunta, mostrando-se novamente desconfiada e apresentando certo rubor facial. (Cinderela)

As crianças contavam, também, como chegaram ao abrigo enquanto brincavam e sobre as saídas da instituição para visitar seus familiares ou para ficar na casa de outras famílias durante o período de férias.

C: Hoje, a tia me levou para eu visitar minha mãe! C: Eu já estou de férias e nós, aqui do abrigo, saímos pra casa de alguém [famílias voluntárias]. Eu gosto muito de sair [...]. Eu morei aqui já duas vezes. P: Sério? C: Sim... mas aquela vizinha que mora do lado da minha casa, que fez eu vim pra cá. P: Como ela fez isso? C: Ela viu meu pai e minha mãe brigando, aí ligou para a tia daqui [do abrigo] e ela foi me buscar... eu e meus irmãos - disse enquanto jogava com força a panelinha no chão [...]. C: Eu tenho muita raiva daquela vizinha, mas meus pais brigavam muito e eu não gostava. (Cinderela)

Dramatizando a rotina da escola na brincadeira

O momento da ida para a escola pareceu ser um evento prazeroso, segundo a dramatização apresentada por algumas crianças na brincadeira.

C: Estou levando um monte de carrinhos pra passear - disse cantarolando, enquanto arrastava o caminhão para o outro lado da sala. C: Agora eu sou o tio da perua... Estou levando meus carrinhos para a escola [...]. Subiu em cima de uma motoca, colocou os carrinhos na cesta e carregou consigo. C: Agora eu sou o tio da perua. (Hulk)

Uma delas comparava sua atual escola, que era pública, com a escola particular, que havia frequentado anteriormente, graças à uma bolsa de estudos.

Virou para o lado e pegou várias bonecas. C: Elas vão para a escola, mas falta cadeiras. [...] Explorou os brinquedos e pegou uma caixa com peças para montar... C: Agora sim, vou fazer cadeiras... para ser a escola, tá? - verbalizava enquanto manuseava as peças de montar. Sentou a boneca na cadeira feita com as peças de montar e continuou montando outras cadeiras de cores diferentes. C: Tia, as escolas particulares têm cadeiras coloridas, né? A minha é pública e não tem - falou enquanto colocava as cadeiras já montadas do seu lado. Depois, construiu mesas com as peças. C: Biiiiii. Olha o sinal! A escola acabou! - fez barulho com a boca simulando o sinal sonoro que indica o término das aulas. Então, colocou as bonecas na cama novamente para descansar e pegou uma outra boneca [...]. C: Eu gosto muito de piscina, algumas escolas têm, mas a minha não. (Mulher Maravilha)

Sentindo falta da família e da rotina de casa

Como era de se esperar, a perda do contato com sua família é muito significativa para a criança, sendo que, às vezes, sequer compreendem o motivo pelo qual foi encaminhada a um abrigo. Verbaliza sobre a saudade que sente dos pais e dos animais de estimação.

C: Tia, posso contar um segredo? Minha mãe não pode me visitar... Ela está na clínica. P: Porque ela está lá? C: Porque eu via ela usar droga. Aí, todo mundo falava que não podia... Depois, ela foi para a clínica... quando eu vim de novo morar aqui. (Cinderela)

C: Eu tô com saudade da minha mãe - falou baixinho, abotoando a roupa da boneca. [] Vou fazer comida como minha mãe. A comida dela é mais gostosa do que a daqui [do abrigo] - disse, mexendo tudo na panelinha com uma colher. (Princesa Elsa)

C: Essa [cadela] latindo é a Xuxa, a cachorrinha daqui do abrigo - diz ao ouvir o latido vindo da área externa do abrigo. [...] Ela lembra o Baby, meu cachorro... Ele se perdeu na praia, um dia, e eu nunca mais achei. - começou a guardar os brinquedos na sacola. C: Tia, eu quero pará de brincar. - então, pegou papeis e lápis para desenhar (Cinderela)

Outra criança também parou de brincar, ficando irritada quando a pesquisadora se referiu às pessoas do abrigo como sendo sua família atual.

P: Você gosta da família do abrigo? C: As pessoas daqui não são minha família, tá? Só minha mãe, que está no médico pra tirar o bebê da barriga [a mãe estava grávida e estava internada para o parto] e o Homem Aranha [seu irmão]... C: Tia, vou desenhar minha família pra você - falou, enquanto colocava os brinquedos de lado. P: Você vai parar de brincar? C: É… eu vou desenhar agora (Princesa Elsa)

Tendo que enfrentar o medo no abrigo

Situações de violência física vivenciada pela criança em relação a outras mais agressivas, é um dos fatores que causam medo pela possibilidade de lesão física.

C: Às vezes, estes meninos novos me dão medo - disse baixinho, referindo-se a algumas crianças recém-admitidas na instituição. P: Porque você sente medo deles? C: Hum.... Eles brigam muito e se eu falar, vai que eles batem em mim também. (Mulher Maravilha)

C: Deixa eu falar! Os meninos novos são muito chatos. Eles brigam o tempo todo e eu não gosto de brigas. Eles quebram tudo... pac, pac, pac... [reproduz o som de algo quebrando com a boca]. Assim, viu? - bate uma panelinha na outra, mostrando para a pesquisadora. (Cinderela)

Uma criança demonstrava estar constantemente preocupada, mostrando-se reservada e interagindo pouco. Também se mostrava receosa em relação à presença de outras crianças, retraindo-se a todo momento que alguma delas entrava no local ou interferia na brincadeira, pedindo para encerrar a sessão de BT.

C: Tia, pode mexer em todos os brinquedos? - disse, olhando fixamente para a sacola de brinquedos. P: Sim. Após alguns minutos, olhou dentro das sacolas, parecendo desconfiada, e tirou devagar os brinquedos, um a um, colocando-os no chão e organizando-os para começar a brincar [...]. A todo o momento, falava em tom baixo, sendo difícil entender algumas palavras. Ao entrar outra criança na sala, retraiu-se, parando de brincar e ficou olhando para ela C: Tia, podemos guardar os brinquedos? Você não fica chateada? - e começa a guardar os brinquedos na sacola. (Mulher Maravilha)

As crianças também parecem temer serem esquecidas e, por vezes, pedem para tirar fotos ou serem filmadas, além de pedir para o adulto vir visitá-las em outras ocasiões.

Volta outro dia para brincar comigo - falou, enquanto guardava os brinquedos dentro das sacolas. C: Tia, pode tirar uma foto de mim com sua câmera? É para você não esquecer de mim. (Mulher Maravilha)

Uma das crianças relatou que sentia medo por ter que dormir longe da irmã que estava no mesmo abrigo. Em casa, elas dormiam juntas, mas no abrigo, tinham que dormir em alojamentos separados, em função da diferença de idade entre elas.

C: Tenho uma irmã bem grande, que mora aqui [no abrigo] comigo - falou, enquanto manuseava a massinha de modelar. C: Sabe, eu tenho medo, porque as tias não deixam eu dormir na cama com minha irmã. (Cinderela)

Algumas crianças também não queriam ficar distantes dos irmãos, demonstrando preocupação constante com o irmão enquanto brincavam, como se temessem serem separados a qualquer momento. Ressalta-se, ainda, o fato de que nos abrigos, os objetos são compartilhados entre as crianças, de modo que estavam sempre atentas para que outras crianças não pegassem os brinquedos da sessão de BT.

C: Tia, eu vou chamar o Homem Aranha [irmão]. Eles [os outros meninos] vão mexer [nos brinquedos]... Vem logo brincar! E não é para sair de novo - falou para o irmão, irritada. [...]. Sentou ao lado dos brinquedos que o irmão tinha separado antes de sair do quarto. C: Tia [pesquisadora], nós duas vamos olhar, porque alguém pode pegar (Princesa Elsa)

C: Vou ligar para eles dois, meus irmãos - pega o telefone e aperta as teclas. Eles estão na escola, sabia? (Hulk)

Algumas vezes, as crianças pareciam receosas em conversar sobre determinados assuntos, como se guardassem segredos.

C: Às vezes, não tem nada para fazer aqui. A gente não pode ir para a rua, mas.... Não era para eu ter falado... É segredo, tá? - disse, enquanto olhava de um lado para outro, como se estivesse procurando alguém, mudando rapidamente de assunto. (Mulher Maravilha)

Buscando obter a aprovação do adulto

Durante a brincadeira, torna-se clara a necessidade de obter aprovação do adulto, perguntando repetidamente sobre o que achava em relação à forma como brincava, dizendo gostar de brincar com ela. Era comum, também, a criança pedir para a pesquisadora voltar para visitá-la no abrigo e trazer um presente.

C: Tia, você gosta de brincar comigo? P: Sim, eu gosto de brincar com você. C: Eu também gosto de brincar com você, tia. (Homem Aranha)

Tia, eu sei brinca direitinho, né? P: Sabe sim, você sabe brincar. C: Hum, minha mãe me ensinou. (Princesa Elsa)

C: Hum, eu gosto de brincar com você, tia. (Hulk)

C: Tia, você pode trazer um presente pra mim da próxima vez? Um spray rosa, de pintar o cabelo. (Mulher Maravilha)

As crianças também demonstraram interesse em conhecer mais sobre a pesquisadora e sobre o que fazia no abrigo.

C: Tia, você só brinca com meninas? P: Não, brinco com meninos também. C: Porque, você grava? P: Porque eu estou fazendo uma pesquisa. (Cinderela)

C: Tia, esse monte de brinquedos são da sua filha? P: Eu não tenho filha. (Princesa Elsa)

Demonstrando grande satisfação em brincar com o adulto

Várias vezes, a criança mostrou-se satisfeita em brincar. Tomava a decisão na brincadeira, dando ordens ao adulto e dominando a situação na brincadeira.

C: Nossa, que legal! - falou entusiasmada ao encontrar uma toalhinha entre os brinquedos. (Princesa Elsa)

C: Adivinha o que eu estou fazendo? P: Acho que é bife. C: Sim, isso mesmo. Você é inteligente - falou para pesquisadora (Cinderela)

C: Faz um penteado na sua filha também. Quando eu crescer e sair daqui, vou ser cabelereira. (Mulher Maravilha)

Discussão

A análise dos discursos das crianças durante a brincadeira possibilitou compreender as experiências vivenciadas no abrigo, no que se refere à sua rotina de vida diária, como o momento do banho, das refeições e de dormir.

Destaca-se, ainda, as atividades na escola, que representam um momento prazeroso no dia, sendo uma oportunidade para sair da instituição e passear pela cidade. Uma das crianças (Hulk) dramatizou este momento, utilizando os carrinhos para simbolizar as crianças, identificando-se como o motorista do veículo de transporte escolar. Era a criança mais nova do grupo, estando ainda no estágio pré-escolar de desenvolvimento, o que justifica a presença forte do simbolismo em suas brincadeiras de faz-de-conta.

Um estudo desenvolvido com crianças abrigadas também aponta os detalhes do cotidiano na instituição em seus relatos. Elas comentavam sobre as normas e rotinas do abrigo, o motivo de estarem abrigadas e como se relacionavam com as outras crianças e os adultos da instituição, aos quais denominavam tios e tias15.

A organização do ambiente também se evidenciou como algo rotineiro no abrigo. Uma das crianças (Mulher Maravilha) dramatizava a supervisão das crianças pelos cuidadores, utilizando um dinossauro de plástico para cuidar do quarto das bonecas.

O abrigo é um novo lar para as crianças, onde exercem as atividades rotineiras e estabelecem novas relações com os funcionários da instituição e as demais crianças abrigadas. A instituição passa representar, então, uma nova rede de apoio social e afetivo1.

Um aspecto significativo que emergiu dos dados do presente estudo refere-se ao fato de que no abrigo, a criança tem que lidar com a ausência da família e a saudade da rotina de sua casa, sendo que um dos temas mais evidentes nas brincadeiras foi o preparo das refeições.

No estudo desenvolvido com crianças abrigadas vítimas de violência, já citado anteriormente, também se verificou que elas brincaram muitas vezes de casinha nas sessões de BT, com verbalizações e gestos relacionados aos afazeres domésticos15.

Embora se reconheça como inegável a importância do abrigamento para crianças em situação de vulnerabilidade, o afastamento do contexto familiar, o rompimento dos laços afetivos com a família de origem e a escassez de vínculos afetivos alternativos na instituição impactam significativamente no desenvolvimento socioafetivo1.

Além do mais, apesar do conforto, bem-estar e possibilidades de desenvolvimento que um abrigo proporciona para a criança, as características deste ambiente diferem de um lar1. Sobre este fato, destaca-se o relato de uma das crianças (Princesa Elsa), que se mostrou irritada, parando de brincar, no momento em que a pesquisadora se referiu às pessoas do abrigo como sendo sua família.

A instituição onde foi realizado o estudo, por sua vez, busca favorecer o contato da criança com sua família de origem, promovendo visitas a seus familiares. Uma das crianças (Cinderela) relatou durante a brincadeira que foi levada por uma das cuidadoras do abrigo para visitar sua mãe. Ela também contou sobre o período de férias, quando era acolhida por outras famílias, tendo a oportunidade de receber um cuidado mais individualizado, diferente da instituição de abrigamento.

Instituições de abrigamento trabalham no sentido de promover a reinserção da criança em sua família biológica ou extensa. Entretanto, se isso não é possível, ela é encaminhada a uma família substituta, de modo que durante a permanência no abrigo, a criança é preparada e incentivada a fortalecer novos laços familiares21.

Outro aspecto que se evidenciou na brincadeira relaciona-se ao sentimento de medo associado à ausência de uma pessoa significativa para ela e, também, à possibilidade de ser agredida por outras crianças. Uma menina (Cinderela) dizia não poder dormir junto com a irmã mais velha, como era costumeiro em sua casa, e do medo que sentia por não ter a companhia dela. As irmãs não podiam dormir juntas, pois eram de faixas etárias diferentes, sendo acomodadas em quartos separados.

Constata-se, portanto, que da mesma maneira que as crianças abrigadas têm que aprender a conviver com a falta de vínculo no abrigo, elas também precisam aprender a lidar com as regras e rotinas institucionais15.

Na maioria das vezes, os abrigos enfrentam dificuldades e não conseguem atender a criança em sua individualidade, seja devido à quantidade reduzida de cuidadores em relação ao número de crianças, ao despreparo destes cuidadores para lidar com elas, ou, ainda, em função do rodízio entre os funcionários, dificultando a formação de um vínculo afetivo1.

O medo gerado pela violência sofrida dentro e fora do abrigo também se evidenciou na brincadeira, quando as crianças relatavam que outras eram agressivas. Uma delas (Mulher maravilha), inclusive, pediu para encerrar a brincadeira logo que outra criança se aproximou. Desconfiada e muito tímida, ela viera recentemente de outra instituição, parecendo não estar ainda adaptada.

A esse respeito, considerando o comportamento da criança de encerrar prontamente a brincadeira, ressalta-se que diante de situações que geram ansiedade, a criança fica tensa e não se concentra, não conseguindo brincar.

O encaminhamento de crianças e adolescentes a instituições de abrigamento tem aumentado a cada dia, em função a maior ocorrência de situações de maus-tratos a menores. Embora esta seja uma importante medida de proteção, também se constitui em fator de vulnerabilidade para elas, uma vez que as situações de violência podem se repetir nesse cenário22.

O brincar também evidenciou sua função catártica, quando a criança (cinderela) contou sobre como havia chegado ao abrigo, depois que uma vizinha denunciou a briga de seus pais. Apesar de viver em situação de violência, não queria se afastar deles, expressando raiva ao atirar os brinquedos no chão.

Um estudo desenvolvido em Vila Velha (ES), com crianças e adolescentes abrigados após viverem em situação de rua, também aponta que, mesmo reconhecendo o abrigo com um lugar que oferece moradia e alimentação, garantindo a continuidade dos estudos, a maioria desejava retornar para sua família de origem23

Estes mesmos achados também foram encontrados em outro estudo anteriormente citado, em que crianças vítimas de violência abrigadas manifestam o desejo de voltar para sua casa, junto de sua família, mesmo que sofram violência15.

A família tem grande peso na vida da criança e, mesmo não sendo estruturada, é reconhecida por ela como um sistema de apoio, dando suporte afetivo e social22,23.

Refletindo, agora, sobre a tentativa de obter a aprovação do adulto durante a brincadeira, percebe-se uma preocupação da criança de corresponder às expectativas do adulto, como se buscasse constantemente atenção e afeto. Parece ansiar por relacionamentos mais duradouros ao desejar que ele retorne para visita-lo.

Independente do desejo de obter a aprovação do adulto, a oportunidade de brincar livremente tornou o momento da sessão de BT muito prazeroso, dando-lhe a oportunidade de assumir o domínio da situação, sentindo-se fortalecido para decidir e tomar a iniciativa.

O brinquedo terapêutico traz um bem-estar único às crianças institucionalizadas, pois propicia uma comunicação eficaz com o adulto à sua volta, dando-lhe oportunidade de expressar seus sentimentos, fantasias, desejos e experiências vividas, assim como as críticas ao meio onde vive e às relações familiares15.

O uso do lúdico na abordagem de crianças vítimas de violência constitui-se em uma importante estratégia, auxiliando-as a criar seus espaços, vínculos sociais e, consequentemente, a se sentirem autoconfiantes e capazes de buscar soluções para seus problemas22.

Embora a brincadeira parecesse ser prazerosa para as crianças, quase todas as crianças decidiram encerrar a sessão de BT, mostrando-se inquietas, tristes ou agressivas nesse momento. Por vezes, era como se o conteúdo dramatizado na brincadeira levasse a criança a reviver situações estressantes como lembrança da ausência dos pais e a perda de animais de estimação ou, ainda, pelo medo de sofrerem violência no abrigo, parando de brincar.

Crianças abrigadas vivenciam constantemente situações de perda ou frustração de expectativas, como o afastamento dos pais e irmãos, perda ou morte do animal de estimação e mudança no ambiente social, tanto em relação ao abandono da casa, como a mudança de escola24.

A perda é um dos processos mais desorganizadores da vida humana, não somente em relação a pessoas, mas a qualquer processo que envolve mudança de vida, denominado como pequenas mortes25. As perdas consideradas como “pequenas mortes” constituem-se em mortes simbólicas e são capazes de despertar angústia, medo e solidão, desencadeando sentimento de dor e tristeza26.

Embora os dados deste estudo tenham possibilitado compreender a experiência da criança que vive em um abrigo, a realização de pesquisas envolvendo outros tipos de instituição de abrigamento podem ampliar a visibilidade para este contexto de vida infantil. Ressalta-se que, por ser este estudo realizado em uma instituição filantrópica, o atendimento e os recursos disponibilizados no atendimento destas crianças difere da realidade da maioria das instituições de abrigamento público.

Vale citar, ainda, que uma das limitações do estudo foi o número reduzido de crianças que se encontravam abrigadas no período de coleta de dados, sendo que, na ocasião, algumas crianças que atendiam aos critérios de inclusão haviam sido encaminhadas para adoção ou retornado para suas casas.

Considerações finais

A possibilidade de usar o brinquedo como instrumento de comunicação mostrou-se, mais uma vez, efetiva no sentido de dar voz à criança abrigada para falar de si, além de uma estratégia valiosa para o desenvolvimento de pesquisas no contexto da institucionalização infantil, que ainda apresenta uma lacuna importante do conhecimento.

Os resultados do estudo permitiram desvendar peculiaridades da vivência destas crianças no abrigo, que de outra forma não seria possível conhecer, considerando a limitada capacidade que possuem para expressar o que sentem e pensam neste período do desenvolvimento.

O cotidiano do abrigo, as idas para a escola, a saudade da família e da rotina de casa, a insegurança de estar em um ambiente estranho para alguns, o medo de sofrer violência e, principalmente, de ser esquecido pelo adulto, emergiram claramente na brincadeira.

O brincar revelou-se uma experiência prazerosa para a criança e, mais do que isso, deu oportunidade a ela de se beneficiar de sua função catártica, na modalidade do BT dramático, levando-a a refletir sobre suas experiências e expressar livremente seus sentimentos.

O uso rotineiro do BT para crianças em vulnerabilidade social, como as que vivem em abrigo, pode ser significativamente útil. Cabe ao adulto que cuida dela promover condições para que esta prática ocorra, instrumentalizando-se e assumindo o papel de facilitador do brincar com finalidade terapêutica neste contexto social.

Acredita-se que os subsídios obtidos por meio deste estudo contribuirão para que os profissionais que atuam em instituições de abrigo, sensibilizem-se para as reais necessidades desta clientela, de modo a atendê-las de maneira mais efetiva e com melhor qualidade.

Referências

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Recebido: 28 de Abril de 2020; Aceito: 02 de Junho de 2020; Publicado: 04 de Junho de 2020

Colaboradores

FA Almeida: orientação na elaboração do projeto, coleta de dados e análise dos dados; envio do trabalho e apresentação no CIAIQ 2018; preparo do artigo para submissão a este periódico. DF Souza: elaboração do projeto, coleta de dados e análise dos dados. CB Miranda: preparo do artigo para submissão a este periódico.

Editores-chefes:

Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva

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