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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

Print version ISSN 1414-3283On-line version ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.23  Botucatu  2019  Epub May 30, 2019

https://doi.org/10.1590/interface.170705 

Espaço aberto

Diário dos diários: o cotidiano da escrita sensível na formação compartilhada em saúde

Diario de los diarios: el cotidiano de la escritura sensible en la formación compartida en salud

(a, h)Departamento de Saúde, Clínica e Instituições, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Rua Silva Jardim, 136, Vila Matias. Santos, SP, Brasil. 11015-020. <marinaguzzo2@gmail.com> <toflavia.liberman@gmail.com>

(b)Departamento de Ciências do Movimento Humano, Unifesp. Santos, SP, Brasil. <conradofederici@gmail.com>

(c)Pós-Graduanda do Programa de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (Doutorado), Departamento de Saúde Coletiva, Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil. <ellenricci@gmail.com >

(d)Pós-Graduanda do Programa de Psicologia e Saúde Mental (Doutorado), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Assis, SP, Brasil. <aleixojuliana95@gmail.com>

(e, f)Graduanda do curso de Psicologia, Unifesp. Santos, SP, Brasil. <beavenancia@gmail.com> <maryskruz@gmail.com>

(g)Graduanda do curso de Terapia Ocupacional, Unifesp. Santos, SP, Brasil. <galves09@outlook.com>


RESUMO

Neste relato de experiência apontamos a polifonia produzida com a escrita de diários de campo na formação do profissional da saúde. Com base no trabalho de campo vivido por professores e estudantes da Universidade Federal de São Paulo, no campus Baixada Santista (Unifesp-BS), São Paulo - Brasil, destacamos a importância da escrita sensível na elaboração das experiências vividas e as possibilidades que esta assume na formação. Os encontros aconteceram semanalmente durante um semestre no módulo - Eixo de Trabalho em Saúde, que integra o projeto político-pedagógico do campus na experiência interdisciplinar. A partir do método cartográfico e uma escrita a muitas mãos, o relato mistura reflexões teóricas e trechos de diários, criando um mapa de afetos sobre a experiência vivida, dando visibilidade a pontos de intensidades que se desdobram em reflexões para as áreas da saúde, artes e educação.

Palavras-Chave: Saúde; Arte; Educação Superior; Práticas interdisciplinares; Diários

RESUMEN

En este relato de experiencia señalamos la polifonía producida con la escritura de diarios de campo en la formación del profesional de la salud. A partir del trabajo de campo vivido por profesores y estudiantes de la Universidad Federal de São Paulo, en el campus Baixada Santista (Unifesp-BS), São Paulo - Brasil, subrayamos la importancia de la escritura sensible en la elaboración de las experiencias vividas y las posibilidades que ella asume en la formación. Los encuentros se realizaron semanalmente durante un semestre en el módulo Eje del Trabajo en Salud que integra el proyecto político-pedagógico del campus en la experiencia interdisciplinaria. A partir del método cartográfico y de una escritura a muchas manos, el relato mezcla reflexiones teóricas y trechos de diarios, creando un mapa de afectos sobre la experiencia vivida, dando visibilidad a puntos de intensidades que se desdoblan en reflexiones para las áreas de salud, artes y educación.

Palabras-clave: Salud; Arte; Educación superior; Prácticas interdisciplinarias; Diarios

ABSTRACT

In this experience report, we pointed out the polyphony produced with the writing of field diaries in the health professional education. Based on the fieldwork of professors and students of the Federal University of São Paulo, at campus Baixada Santista (Unifesp-BS), we highlight the importance of a sensitive writing in the lived experiences elaboration process and the possibilities that it assumes in the formation process. The meetings took place weekly during one semester in the module – Axis: Work in Health, which integrates the campus’s pedagogical political project in the interdisciplinary experience. Using the cartographic method and a writing from very hands, the experience report mixes theoretical reflections and excerpts from diaries, creating a map of affections about the experience, giving visibility to points of intensity that unfold in reflections for health, arts and, education.

Key words: Health; Art; Higher education; Interdisciplinary placement; Diaries

[...] de vez em quando percebo que a pena desliza pela folha como se estivesse sozinha, e eu correndo atrás dela. É na direção da verdade que corremos, a pena e eu, a verdade que espero vir ao meu encontro, do fundo de uma página branca, e que poderei alcançar somente quando a golpes de pena conseguir sepultar todas as preguiças, as insatisfações, o fastio que vim aqui pagar1. (p. 83)

Introdução

Nosso cenário de formação se inscreve no território periférico de Santos, onde há uma situação de vulnerabilidade social que apresenta diferentes problemáticas de ordem física, psíquica e social. Estamos com o grupo de mulheres no Instituto Arte no Dique, na Zona Noroeste.

O Instituto Arte no Dique é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que desenvolve atualmente um trabalho sociocultural com a população do Dique da Vila Gilda, uma das regiões com maiores índices de vulnerabilidade social da cidade, com uma população de 22 mil habitantes vivendo em condições precárias, em palafitas à beira do mangue, sobre o Rio Bugre.

O Dique inteiro se mostrava como resistência, como obra que nasce longe das mãos dos vereadores e prefeitos, como movimento de solidificação de um espaço da periferia para a periferia. Um rapaz se apresenta e coloca um vídeo para passar. Mostra os arredores, as palafitas [...]. O papel social do Dique estava claro: um lugar para as pessoas do território se sentirem cuidadas e cuidarem dos seus pares. Pessoas do território trabalham Dique, cuidam do Dique. As crianças que há pouco estavam tocando com Jorge, provavelmente dividem o mesmo endereço, o mesmo CEP, a mesma vivência. Estava certa: um lugar construído pela periferia para a periferia. (trecho de diário de campo)

O campus Baixada Santista buscou suprir a demanda pela instalação de cursos que atendessem aos interesses da região, aliando a formação de recursos humanos à pesquisa, inovação e extensão. O Instituto Arte no Dique tem atualmente seis cursos de graduação em saúde: Fisioterapia, Psicologia, Educação Física, Nutrição, Terapia Ocupacional, Serviço Social.

No âmbito da educação, uma série de reformas educacionais em esfera mundial apontam a necessidade de integração entre os saberes e fazeres da cultura científica e aqueles das culturas artísticas, corporais e humanísticas, criando campo aberto, criativo e plural, colaborando para a construção da autonomia e liberdade dos sujeitos2,3. Trazer o corpo e a arte, por meio de exercícios de presença do profissional para a discussão da formação em Saúde é um tema importante no debate interdisciplinar. O corpo nos exige um olhar múltiplo, um sentido diverso e uma interação de saberes. Construir e reconstruir suas materialidades por meio de intervenções tecnocientíficas, exibi-lo ininterruptamente e tomá-lo como assunto central converteu-se numa condição da sua própria existência4.

O corpo atravessa os enunciados e é atravessado por eles; vive em contínua transformação pelos discursos construídos sobre ele, uma diversidade de certezas que parece mudar todos os dias, que tem a preocupação central de construir um corpo ideal, virtual, moderno e, acima de tudo, um corpo saudável. Esse tem sido o foco da busca da formação em saúde, que traz como ideal um corpo distante e objetificado. Mas é também no corpo que podemos resgatar ou ativar um território de preservação do humano, pois, mesmo com os pedaços desvendados nas aulas de anatomia, o profissional da saúde nem sempre conhece, experimenta e expressa o seu próprio corpo. Essa proposta entende que a presença (por meio do corpo e da arte) pode potencializar a escrita de si, do outro e do grupo, com sensibilidade.

Neste ínterim, admite-se como escrita sensível aquela desengatilhada do automatismo presente no cumprimento da tarefa burocrática inerente aos vícios dos processos de formação. A escrita sensível é, portanto, mais aberta e arriscada a todo estudante, na medida em que admite um fazer subjetivo da linguagem, tão próprio das anteriormente mencionadas culturas artísticas, corporais e humanísticas, com um grau de exposição e “intimidade” afetivo-intelectual ainda pouco experimentado no ambiente universitário.

No âmbito da saúde, entendemos a clínica como um espaço de acolhimento, de diálogo, de compartilhamento de emoções, situações inesperadas, escuta da história e do sujeito como coparticipante de seu tratamento, não negando as doenças, mas considerando os problemas de saúde (situações que ampliam o risco ou vulnerabilidade das pessoas) como encarnados em sujeitos, em pessoas. A finalidade da clínica passa a ser a produção de saúde contribuindo para a ampliação da autonomia dos sujeitos ao lidar com sua própria rede e contexto sociocultural5.

Nesse sentido, a formação interdisciplinar que busca a interprofissionalidade se justifica como processo em que se criam condições para que os diferentes profissionais sejam deslocados de suas áreas e se encontrem num espaço de partilha, contaminação, decomposição e reconstrução que só acontece a partir das experiências vividas. Neste espaço, a experiência é o objeto comum para o florescimento de uma proposta de aproximação e reflexão que fortaleça o diálogo pautado nas facetas da pluralidade de cada uma das áreas envolvidas na situação vivida6-8.

Essa experiência busca romper com uma visão que fragmenta, hegemoniza, compartimentaliza e segmentariza a formação em saúde, uma vez que coloca seus esforços em construir o aprendizado por meio do vivido, respeitando as particularidades de cada profissional em formação. Nesta perspectiva, os estudantes são convidados a uma postura ativa de problematização do vivido e de construção do conhecimento, e o docente como mediador do processo ensino-aprendizagem9.

Buscamos incorporar conceitualmente os preceitos de uma educação interprofissional, conforme preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em seu Marco para Ação em Educação Interprofissional e Prática6, em que a educação interprofissional ocorre quando estudantes de duas ou mais profissões aprendem sobre e com os outros, mas, também, entre si, possibilitando a colaboração e melhorando os resultados na saúde6-8.

Lidamos com a composição entre as áreas da Saúde, da Educação e da Arte. Na primeira, a reunião do conjunto de saberes decorrentes das pesquisas científicas mais recentes e relevantes, e sua aplicação prática na clínica – medicina ou prática baseada em evidências – tem sido preponderante e fundamenta-se em métodos científicos de trabalho. Os processos coletivos que envolvem as áreas da Educação e, sobretudo, da Arte, não se restringem a exatamente os mesmos procedimentos e rigores em que as chamadas evidências se sustentam, mas a inúmeros outros. Ainda que haja momentos de tangência, dispositivos e estratégias eventualmente comuns, os objetivos conceituais das três áreas em questão sempre se defrontam com a grande complexidade presente na formação dos grupos de estudantes e participantes, e nos deslocamentos de ordens diversas na ida a campo. Prevalece, portanto, o pensamento de podermos refletir sobre as diferentes interfaces que áreas possibilitam, mais do que privilegiar um ou outro modo de agir e viver6-8.

A partir destes pressupostos, todo semestre, docentes e estudantes encontram-se com um grupo de mulheres do território semanalmente, neste espaço, para falar criativamente da vida, olhar fotografias, produzir textos, experimentar o corpo em movimento e meditação, enfim, dentre tantas outras formas diversas e possíveis, ampliar o conceito de saúde.

Buscamos, neste módulo interdisciplinar, aproximar as estudantes da sua potência artística conjuntamente com as mulheres, compreendendo as proposições como possibilitadoras de experiências estéticas de expressão, cuidado e conhecimento de si3. Os docentes participantes nesta formação de profissionais da saúde buscam integrar elementos da subjetividade e da complexidade humana com afetividade por compreenderem que o coletivo, o encontro entre corpos,10 produz marcas e acontecimentos na vida11.

Nesta experiência formativa coletiva, a participação das estudantes e docentes da universidade junto com as mulheres tem produzido, no campo da interface corpo, saúde e arte, uma série de desafios conceituais e procedimentais que buscam visibilidade a partir da reflexão, sistematização e imersão nas experiências. O trabalho investe: na heterogeneidade do grupo de estudantes, nas diferentes formações, na produção da diferença e na singularidade de cada história, desejos e necessidades de cada uma das participantes que elaboram o plano de ações conjuntamente12.

A cada semestre, nosso trabalho se inicia por meio de uma imersão no território com ações junto às mulheres, cartografando os ambientes geográficos, econômicos, políticos, arquitetônicos e afetivos. Além de conhecerem o equipamento e os profissionais do Instituto Arte no Dique, as estudantes realizam visitas domiciliares, leitura de registros e diários produzidos pelos estudantes que já vivenciaram anteriormente algumas experiências correlatas, buscando o conhecimento e aproximação com a população de mulheres que são acompanhadas12.

A partir da imersão e início da aproximação com a população atendida, o grupo inicia o planejamento das ações de forma conjunta, envolvendo estudantes, docentes, usuárias do grupo e profissionais do equipamento, buscando um coletivo para pensar e organizar as ações do semestre. A cada encontro, são propostas experimentações por uma dupla de estudantes, acompanhadas pelos docentes, em práticas corporais e estéticas elaboradas a partir do encontro do grupo, dos desejos expressados pelas mulheres atendidas, apostando em modos de fazer, pensar, sentir e agir menos mecanizados ou com pouca conexão com o próprio corpo e com o ambiente.

Essas duplas de estudantes vão se rodiziando, planejando os encontros e o momento do lanche. Onde abre-se uma pausa para: saborear as trocas de receitas, a experimentação de novos sabores, o compartilhar de alimentos, sucos e bolos que acolhem o movimento do grupo.

Nos momentos dos encontros, o grupo se posiciona em roda, trabalhando diversas possibilidades de olhar: olhar o espaço, olhar as pessoas do grupo, olhar o outro, olhar a si mesmo. Ouvir os silêncios, as vozes, os cantos, as palmas que marcam os ritmos das músicas escolhidas no dia do encontro. O toque ao dar as mãos, as massagens e a busca por contato também compõem o trabalho com o grupo. Conversas temáticas também são disparadas, onde as mulheres falam de si, de seus sofrimentos e suas experiências de superação.

Dessa forma, com os estudantes, buscam-se instaurar, por meio da experiência, estados de sensibilidade para se repensar o conceito de saúde, corpo, práticas corporais, trabalho junto a comunidades, produção de vida, entre outros9. Estados que acessam os sentidos do grupo no encontro, deslocando modos hegemônicos de pensar o cuidado em saúde.

O que vamos destacar neste artigo/diário cartografado a muitas mãos é a relação do registro dos encontros na forma de diários de campo. No âmbito metodológico da formação, o ato de registrar é imprescindível para a articulação teórico-prática. Todos os estudantes envolvidos no projeto registram os acontecimentos em diários de campo, contendo o que denominamos de notas descritivas (organização e sistematização mais objetiva do que foi realizado) e de notas intensivas (afetações mais subjetivas, memórias provocadas pelos acontecimentos), e este material é lido e comentado pelos docentes e pelos participantes12-14.

Para o relato de experiência aqui registrado, foram selecionados diários de três estudantes do 5º semestre; sendo duas graduandas em Psicologia e uma em Terapia Ocupacional, durante o ano de 2017. A interprofissionalidade emergia — além do trabalho em duplas de diferentes cursos — nos diários a partir das reflexões de atuação, da proposta de atividades, considerando os saberes presentes e da compreensão de acontecimentos a partir do compartilhamento entre estudantes e docentes de suas escritas e impressões, que ampliaram as perspectivas e construíram um espaço de troca de conhecimentos e informações.

No percurso de formação em campo no módulo do Trabalho em Saúde, a produção de uma escrita sensível anseia coletivizar a produção de encontros de um serviço-dispositivo (Arte no Dique) que instiga e mostra ser possível produzir transformações no processo de formação daqueles que percorrem esse trajeto. Falar das experiências, compartilhar, dar visibilidade ao vivido.

Esta experiência interdisciplinar, que busca uma formação interprofissional6, se mostra alinhada com os princípios norteadores dos projetos político-pedagógicos do Campus Baixada Santista, que consistem: na interlocução entre as diferentes áreas da saúde, a prática profissional como base do processo de ensino-aprendizagem, a problematização constante do ensino a partir da experiência e da pesquisa, e a postura ativa do estudante frente à construção de conhecimento14.

Objetivo

Temos como objetivo, neste relato de experiência, amplificar a polifonia produzida com a escrita de diários de campo na formação do profissional da saúde a partir da experiência de algumas estudantes, que tecem este artigo conjuntamente com os docentes, destacando a importância de uma escrita sensível nos diários de campo para a elaboração das experiências vividas e das possibilidades que esta assume no processo formativo dessas futuras profissionais de saúde.

Métodos

Para atingir nosso objetivo, utilizamos o método cartográfico para a leitura e escolhas de trechos dos diários produzidos pelas estudantes durante nossas intervenções pedagógicas e experimentações corporais em saúde com o grupo de mulheres no Arte no Dique.

Com uma escrita a muitas mãos, o artigo mistura reflexões teóricas, relatos e trechos de diários das alunas e professores participantes do projeto, para criar um mapa de afetos sobre a experiência vivida, criando pontos de intensidades que se desdobram em reflexões para a área da saúde, das artes e da educação.

Na pesquisa acadêmica, a cartografia é admitida como uma forma de acompanhar processos: "nesta medida, a cartografia se aproxima da pesquisa etnográfica e lança mão da observação participante. O pesquisador mantém-se no campo em contato direto com as pessoas e seu território existencial"15 (p. 56).

Todos os diários foram produzidos a partir da orientação metodológica proposta no campus da UNIFESP-BS no Eixo Trabalho em Saúde (Eixo TS), em que devem ser feitos após a realização de cada atividade e encontro com o grupo, o mais brevemente possível, buscando uma narrativa sobre experiência que traduza o contexto e a experiência em formato de textos e entregues para os supervisores11. No nosso caso, criamos um grupo fechado em uma rede social para que todos os integrantes do grupo pudessem ter acesso aos diários, possibilitando comentários e reflexões conjuntas.

Como mencionado, propõe-se, aos estudantes, uma divisão pedagógica dos diários em notas descritivas e intensivas. As notas descritivas devem dar conta de características do local, das pessoas e das atividades propostas. Já as intensivas devem alcançar sensações, sentimentos, dificuldades e pensamentos provocados por cada encontro, em que se percebe o outro e a si mesmo na experiência, e, nesse sentido, trazer citações de texto que podem colaborar nas experiências vividas13.

Os diários de campo abarcam: textos, poesias, encontros, cenas do cotidiano, fotografias, músicas, imagens dos afetos em circulação, autores em formação na complexa tarefa de pensar com as experiências, dar passagem para que as mesmas possam se expressar. O desafio de construir a escrita sensível traz para análise: as implicações em curso, os sentimentos, percepções, sensações, ações, acontecimentos, seus efeitos e o que se coloca em funcionamento, com o que se agencia no vivido.

Segue nosso diário dos diários com as notas intensivas das estudantes, a fim de ilustrar como isso tem acontecido no dia a dia do processo formativo deste grupo.

Resultados

No primeiro semestre de 2017, o trabalho realizado no grupo de mulheres do Instituto Arte no Dique permitiu o cuidado, a transformação e o aprendizado. Leem-se estas três palavras de forma horizontal, uma vez que os encontros não foram embasados exclusivamente em saberes, mas, sim, em contato, em proximidade: cuidamos e fomos cuidados, transformamos e fomos transformados, aprendemos e ensinamos.

Para compreender as dimensões da proposta do grupo, procuramos articular por meio de supervisão e leituras: a teoria, a prática e seus atravessamentos. No Arte no Dique, trabalhamos com o propósito de tirarmos o foco do diagnóstico, possibilitando a visão de pessoa como ser íntegro, e não como portador de sua doença.

Conversamos em roda mesmo. Falamos nome, idade, curso, signo. Outras senhoras apareceram: Dona Carmen, contida, fala baixo, olhar cabisbaixo – o que há dentro desse olhar? Dona Nina, a mais velha delas, fala forte e firme, cobrou presença e cuidado – que vínculos fazem falta para ela a ponto da necessidade do contato ser tão emergente? Dona Antônia, enérgica, vivaz, sagaz, driblando a diabetes com o seu humor e com o seu jeito expansivo. (trecho de um diário de campo)

A relação com o humano, de forma geral, nos atravessa e desencadeia: sentimentos, vivências, temores, ansiedades, inseguranças e felicidades que fazem parte do processo de formação. Neste trabalho, foram exteriorizadas por meio de diários de campo que nos permitiam, ao exporem nossas angústias e alegrias, formar uma rede de compartilhamento que atingia a todos que participavam dos encontros em comum.

Um dos efeitos principais da escrita sensível é a possibilidade de elaboração daquilo que foi vivenciado: ao expressar o pensado, o refletido e o sentido, consegue-se também compreender, a partir de outra perspectiva, quais foram as implicações da experiência.

Confesso que não consegui entender de imediato a força daquele encontro, tampouco sua potência, mas enquanto voltávamos e consegui esfacelar esse momento e compreender que aquela ansiedade toda tinha a ver com o gozo que estávamos procurando no grupo, o orgasmo da realização, da completude, a ansiedade em provocar no outro aquilo que queríamos que fosse provocado em nós, mas antes desse gozo, devemos chegar, estar, conhecer, estabelecer laços e vínculos. (trecho de um diário de campo)

O processo de escrever é uma ação que parte de uma consideração individual para o coletivo, ao se concretizar em formato de diário de campo, e, logo em seguida, retorna para o individual ao provocar no autor, enquanto leitor, reflexões que propiciem uma perspectiva ampliada do aprendizado tal qual a experiência que descreveu fora capaz de lhe causar. O diário de campo é um dos recursos apresentados na metodologia empregada nos módulos do Eixo Trabalho em Saúde.

O recurso dos diários de campo na formação em saúde tem a potência não apenas de compor anotações sobre entrevistas e observações com a finalidade de amparar as reflexões que a experiência descrita produziu, como citado por Weber16, mas também de promover compreensão abrangente acerca do cuidado.

Havia muitas histórias de todos os presentes, afinal de contas, e lá estávamos nós reunidos no mesmo espaço provocando a tal da experiência estética uns nos outros. A experiência estética, um conceito que dentre tantos aspectos que o explicaria o que sempre me ficou gravado foi o fato de ser uma experiência. Simples assim. Uma experiência sentida, e sentida porque naquele instante em que você a sente é o instante em que está consciente do que está acontecendo ao seu redor e de como isso é capaz de afetar você. (trecho de um diário de campo)

A produção semanal de diários de campo no trabalho em saúde permitia a identificação de demandas do processo, necessidade de matriciamento e diálogos com equipamentos de saúde – como Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atendimento Psicossocial –, e oferecia a potência da troca de experiências, olhares e perspectivas das situações vivenciadas e elaboradas por meio do compartilhamento de elaborações individuais.

Além do aliviamento e compartilhamento subjetivo, as supervisões realizadas, a partir da leitura dos diários, pelos professores permitiram avanço essencial à formação: ao discutirmos não apenas o objetivo, mas também o intangível, favorecemos o desenvolvimento de questões que, possivelmente, não poderiam emergir sem a utilização do espaço da escrita. Ao dividirmos nossas bagagens de vivências, identificamos as questões que nos causam angústia e impossibilitam a ampliação das atividades e, a partir dessa identificação, trabalhamos as dificuldades como grupo a fim de propiciarmos o cuidado em saúde objetivado.

Perguntei a Dona Eunice o que ela mais gostava de fazer. Ela respondeu que nada, e depois me perguntou como se mudava a vida. Calei por alguns segundos. Me enxerguei em Eunice – eu também não sabia a resposta. Disse que poderíamos mudar a vida procurando novas habilidades, e citei nossas pequenas conquistas diárias no grupo, como a capacidade de fazermos algo juntas. Ela escutou, se encolheu e começou a chorar. Perguntei se poderia tocá-la, e ela disse que sim. Fiz carinho em suas costas, a abracei e disse que esperava que o grupo a fizesse bem. O tempo acabou – mas espero que tenha recomeçado. (trecho de um diário de campo)

A partir da leitura e releitura dos diários, o manejo dos professores acompanhou o referido cuidado, ao favorecer a criação de um espaço que implicava o cuidado de nós, alunos, àqueles que são alvos de intervenção da proposta de trabalho em saúde em questão. Despertava-nos sobre a importância da escuta sensível e da presença no momento de estar com o outro.

Transbordava o Rio Dique, Rio este que acolhia mulheres, crianças, adultos, idosos e meninos e meninas, e homens e mulheres, e estudantes e mestres e pessoas. Pessoas. O Rio do Dique que nascia do encontro de tantas nascentes. (...) Ali estava a presença que tanto falamos, que tanto lemos, que tanto procuramos entender. Ali estava o estar. O real ‘estar’. (trecho de um diário de campo)

Deste mesmo modo, o cuidado apresentava-se no acolhimento ofertado por eles, professores, a nós estudantes durante situações inusitadas, descritas em nossos textos, com as quais não saberíamos lidar sem o devido suporte. Este cuidado viabilizado e sustentado pela escrita dos diários fomenta transformações em âmbitos de aquisição de conhecimento teórico, mas também coexiste com o desenvolvimento do conhecimento voltado à prática dos profissionais da área da saúde que nasce a partir da experiência vivida e descrita por ele.

Na proposta inserida pelo módulo Trabalho em Saúde, os alunos produzem diários de campo que auxiliam docentes e colegas a entenderem melhor o processo pelo qual estão passando, as questões que emergem nesse momento formativo; e a semente do profissional que está pronto para lidar com afeto começa a germinar e se mostra frutífera por meio das: palavras, indagações, indignações, resistências, lamentações, insights e catarses que acompanham as escritas.

O percurso entre a experiência vivida, a escrita do diário, a leitura do mesmo por mais de um professor, os comentários realizados por professores e colegas, a releitura do diário pelo próprio autor com um outro olhar e o retorno a campo na semana seguinte foi sempre essencial. A partir daí, analisamos a experiência vivida e tentamos compreender como a mesma foi edificadora da formação dos profissionais da saúde de psicologia, terapia ocupacional e educação física que se dispuseram a participar da escrita deste artigo.

Em suma, o grupo de mulheres que acompanhamos carrega em si uma força e um potencial que não podem ser descritos em duas páginas: é preciso vivenciar. Ao se escutarem, ao colocarem seus corpos em atividades diferentes das cotidianas, ao compreenderem seus próprios silêncios, lágrimas e sorrisos, cada uma dessas mulheres promovem bem-estar e saúde. E nós, alunos, ao participarmos destes movimentos de atenção, cuidado e trabalho, nos formamos não apenas profissionais com visões amplas e aprimoradas – mas seres humanos capazes de enxergar no outro a beleza do ser. (trecho de um diário de campo)

É importante destacar que todo este processo de ensino-aprendizagem no qual se inserem os diários caminha em sentido oposto a outros tantos métodos já obsoletos, que se sustentam em estruturas hierarquizantes e na desigualdade das inteligências dos participantes: usuários, estudantes e professores. Aloja-se aqui, portanto, a crítica a lógicas formativas que, por meio da pretensiosa ideia de adiar e multiplicar explicações, sempre infinitas, distanciam continuamente os saberes a serem alcançados, monopólio eterno daquele professor ou mestre “com mais experiência” e/ou titulação.

No trabalho em saúde em questão, o encontro não admite ser cindido entre aqueles que sabem e os demais, que são ignorantes. O filósofo francês Jacques Ranciére17 chama a atenção para os processos de ensino-aprendizagem embrutecedores já no início do século XIX.

[...] é preciso inverter a lógica do sistema explicador. A explicação não é necessária para socorrer uma incapacidade de compreender. É, ao contrário, essa incapacidade, a ficção estruturante da concepção explicadora de mundo. [...] Explicar alguma coisa a alguém é, antes de mais nada, demonstrar-lhe que não pode compreendê-la por si só. Antes de ser o ato do pedagogo, a explicação é o mito da pedagogia, a parábola de um mundo dividido em espíritos sábios e espíritos ignorantes, espíritos maduros e imaturos, capazes e incapazes, inteligentes e bobos17. (p. 23-4)

Segundo a inversão realçada, a experiência vivida coletivamente é sempre a antecessora de toda reflexão possível. A oportunidade de escrita dos diários reafirma a viabilidade de acompanhamento do funcionamento da inteligência de cada um que escreve, em pé de igualdade, em sua própria capacidade singular de pensamento e percepção da realidade.

Durante a formação em saúde, referencia-se uma das principais movimentações que o ser profissional – e humano – deve realizar: a escuta. A movimentação de permitir-se escutar e compreender acolhe a possibilidade de que vínculos se formem e que o acompanhamento da saúde se transforme em atividade de promoção, prevenção e cuidado. O cuidar aqui descrito necessita de interpretação singular: um cuidar próximo, afetuoso, desvencilhado de caridades e composto de alteridade. Um cuidar que transforma: o espaço, as pessoas, as relações, a vida e a saúde.

Uma casinha pequena, humilde, numa viela da Zona Noroeste. Dona Nina estava deitada, seus olhos brilharam quando ela nos viu, abracei-a e disse que se ela não vai até o Dique, o Dique vai até ela. Tiramos uma foto com ela e deixamos um chapeuzinho de festa junina como recordação de nossa visita. Suas últimas palavras para o grupo foram: “Vocês me dão muita saúde, minhas filhas”. (trecho de um diário de campo)

Segundo Bondia3, a informação não é experiência e não deixa lugar para a experiência, quase uma antiexperiência. Ao focarmos em viver a experiência do trabalho em grupo com as mulheres, sem nos prendermos aos seus prontuários, pudemos ter acesso a informações cotidianas, profundas e singulares que não teríamos ao não enaltecermos o essencial no trabalho em saúde: o humano.

Conclusões

O sentido construído a partir da proposta de produção semanal destes diários de campo na formação em saúde gira em torno do contato provocado pela experiência vivenciada e o reaprender com a mesma. A partir da elaboração dos diários, o aluno revisita a sua experiência, rememorando diálogos, situações e sentimentos proporcionados por ela. O que nos permite, como alunos, reaver a oportunidade de aprendizagem. De maneira sucinta, é como aprender novamente. O contato com a experiência nos provoca anseio pela busca de materiais acadêmicos e conversas com os professores que nos levem a compreender melhor aquilo que nos transpassou durante o processo de atividade em campo.

Iniciar um diário de campo é repetição. Repetição. Re-pe-ti-ção. Substantivo feminino. 1. Ato ou efeito de repetir(-se); iteração, recorrência, reiteração, repeteco, repetência. 2. Enunciação das mesmas palavras ou ideias que já tenham sido enunciadas anteriormente. Escrever, embora também seja repetitivo, é sempre um processo novo. E escrever sobre um processo novo, ainda que uma outra TS (entretanto uma nova TS significa sempre diferença. (trecho de um diário de campo)

Pensando na formação em saúde, a elaboração dos diários de campo produz sensibilidade na relação com outro. Sensibilidade, substantivo feminino, aquele cujo significado está atribuído à qualidade de ser sensível, capaz de reagir imediatamente ao contato com o outro, captar o que existe no mundo e expressá-lo criativamente, capacidade de detectar aquilo que não é dito.

Essa ação sensível é responsável por tornar o aluno capaz, de fato, de ver e ouvir aquele de quem se aproxima. Para a construção deste trabalho escrito, o ato de estar presente é imprescindível. É a partir daquilo que se vê e que se ouve que se fundamenta a escrita dos diários, além da maneira como determinadas situações nos fazem sentir e qual a melhor forma de elaborarmos as vivências para coexistirmos com o outro em um espaço em que haja cuidado de ambas as partes.

A interferência que a escrita produz no mundo não escrito, no mundo vivenciado, está relacionada ao fato de que, a partir dela, nos educamos a escrever sobre o outro e sobre nós, tornando-nos mais perceptíveis tanto àquilo que o outro diz e faz, como também à linguagem não falada e de expressão daquele com quem compartilhamos a vivência. As necessidades em saúde não são, obrigatoriamente, expostas pelo outro em linguagem falada, e a identificação disso é de grande importância para o profissional da saúde. Diversificação e ampliação da comunicação e das linguagens.

A escrita dos diários de campo produz essa sensibilidade em nós, alunos, desde o primeiro ano nos módulos do Eixo Trabalho em Saúde, o que nos prepara para a escuta e olhar sensível em todas as situações.

A experiência relatada distancia-se da regra e da unanimidade entre a totalidade das estudantes participantes. Tampouco surgiu como exceção ou lance do acaso no fazer pedagógico cotidiano da formação em saúde – ainda que guarde certo grau de parentesco com as narrativas de vida18, a escrita de diários de campo se articula mais diretamente com o processo de formação em saúde, do que com a prática profissional de tratamento humanizado, com origens na medicina narrativa18.

Ambos, diários de campo e narrativas de vida, aproximam-se pelos métodos – estado de presença, escuta atenta, escrita intensiva e, portanto, a afirmação de um contraponto à medicina baseada em evidências. Distanciam-se das práticas da medicina narrativa por conta das finalidades: os diários trabalham mais com a ideia de verossimilhança em relação às experiências vividas pelos estudantes, admitindo que as histórias contadas serão sempre recriações, enquanto a fidedignidade em relação à realidade do paciente é almejada pelo médico que escuta sua narração com vistas à regulação mais precisa do melhor tratamento a ser realizado.

Debruçar-se para escrever sobre uma experiência passada, para muitas pessoas em etapa de formação, constitui não mais do que o cumprimento de uma tarefa burocrática, executada para o professor, reproduzindo irreflexivamente um modelo de organização do processo de ensino e aprendizagem já obsoleto, hierarquizado e “explicador”, porém frequente. Contemporaneamente, o ato da escrita segue ganhando novas e velozes camadas de sentido e compreensão, mas, certamente, perdendo tantas outras. Redigir em diários de campo alguns contornos do próprio pensamento é uma empreitada complexa, com a qual inúmeras resistências e diferenças precisam ser confrontadas.

Chamamos de escrita sensível aquela que aceitou com algum risco e coragem a partilha dos próprios medos e conquistas, comuns aos envolvidos no contínuo do processo. Fazê-la mais horizontal, dialogada e artesanal, sempre será propósito da formação emancipadora em saúde, por razões de coerência. Neste caso de uma formação interprofissional em saúde, arriscamos afirmar que o método não se diferencia do conteúdo: se é preciso sensibilidade apurada desde as primeiras etapas da escuta, em suas eloquentes situações, qualquer outra dimensão do trabalho, seja o registro, a expressão ou a produção de saúde em ato exigirão o mesmo. Sem restrições.

Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.

– A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco –, mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

– Por que falar em pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

– Sem pedras o arco não existe19. (p. 79)

Agradecimentos

Agradecemos a todas as pessoas que participaram e participam do Instituto Arte no Dique e à Unifesp – Baixada Santista, por apoiarem as atividades.

Referências

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Recebido: 7 de Novembro de 2018; Aceito: 18 de Novembro de 2018

Contribuições dos autores

Todos os autores participaram ativamente de todas as etapas de elaboração do manuscrito.

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