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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.24  Botucatu  2020  Epub 09-Abr-2020

https://doi.org/10.1590/interface.190603 

Criação

Geografias corporais: dança, corpo e deficiência

Corporeal Geographies: dance, body, and disability

Geografías corporales: danza, cuerpo y deficiencia

Ana Cristina Bohrer Gilbert(a) 
http://orcid.org/0000-0001-9695-3946

Paulo Kellerman(b) 
http://orcid.org/0000-0003-4714-1735

(a)Psicóloga e psicoterapeuta. Rua Voluntários da Pátria, 190, sala 305, Botafogo. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 22270-012. <ana.cbgilbert@yahoo.com>

(b)Escritor. Leiria, Portugal. <paulo.kellerman@gmail.com>


RESUMO

O projeto Geografias Corporais resulta de uma parceria entre dança, fotografia e literatura, entre artistas do Brasil e de Portugal, entre academia e arte. São narrativas imagéticas e literárias em torno do diálogo entre múltiplas corporeidades, com o intuito de desestabilizar a ideia de corpo normal como universal. Surge do interesse em analisar como corpos normativos e não normativos experienciam a dança como forma de habitar suas geografias corporais e de definir seus contornos físicos, psíquicos e discursivos na relação entre movimento e imobilidade. O trabalho foi realizado com participantes do grupo Te Encontro Lá no Cacilda, em 2018, configurando uma pesquisa artística. As narrativas de corporeidade produzidas ao dançar foram captadas e traduzidas em fotografias, configurando textos visuais que, posteriormente, somados a conversas entre fotógrafa e escritor, serviram de base para a criação de textos ficcionais.

Palavras-Chave: Deficiência; Corpo; Dança; Narrativas; Imagem

ABSTRACT

The Corporeal Geographies project is a result of a partnership among dance, photography, and literature; Brazilian and Portuguese artists; and academia and art. It comprises imagetic and literary narratives of dialogs among multiple corporeities aimed at destabilizing the universal idea of a normal body. It derives from the interest of analyzing how normative and non-normative bodies experience dance as an attempt to inhabit their corporeal geographies and delineate their physical, psychic, and discursive shape in the relationship between movement and immobility. The work was conducted with participants of the Te Encontro Lá no Cacilda group in 2018, being characterized as an artistic research. The corporeity narratives produced in dancing were captured and translated into photography. These visual texts were subsequently discussed by the photographer and the writer, and based the creation of fictional texts.

Key words: Disability; Body; Dance; Narratives; Image

RESUMEN

El proyecto Geografías Corporales es resultado de una alianza entre danza, fotografía y literatura, entre artistas de Brasil y de Portugal, entre academia y artes. Son narrativas imagéticas y literarias alrededor del diálogo entre múltiples corporeidades, con el objetivo de desestabilizar la idea de cuerpo normal como universal. Surge del interés de analizar cómo cuerpos-normativos y no-normativos experimentan la danza como forma de habitar sus geografías corporales y de definir sus contornos físicos, psíquicos y discursivos en la relación entre movimiento e inmovilidad. El trabajo se realizó con participantes del grupo “Te Encontro Lá no Cacilda” en 2018, configurando una investigación artística. Las narrativas de corporeidad producidas al danzar fueron captadas y traducidas en fotografías, configurando textos visuales que, posteriormente, sumados a conversaciones entre fotógrafa y escritor, sirvieron de base para la creación de textos de ficción.

Palabras-clave: Deficiencia; Cuerpo; Danza; Narrativas; Imagen

O projeto Geografias Corporais resulta de uma parceria entre diferentes linguagens – dança, fotografia e literatura –, entre artistas de dois países – Brasil e Portugal – e entre academia e arte. São textos imagéticos e literários ficcionais em torno do diálogo entre múltiplas corporeidades, isto é, entre corpos normativos e não normativos, com o intuito de questionar e desestabilizar a ideia de corpo normal como universal. Esse diálogo acontece entre pessoas com e sem deficiência que participam do grupo Te Encontro lá no Cacilda, coordenado por Maria Teresa Taquechel, um grupo de pesquisa sobre movimento com base na dança, que é uma extensão da Pulsar Companhia de Dança e que acontece semanalmente, desde 2003, no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro. Os integrantes do grupo têm deficiências diversas, tais como paralisia cerebral, síndrome de Down, baixa visão e doenças neurológicas; e apresentam diferentes situações socioeconômicas.

Este trabalho surge do interesse em analisar como corpos não normativos e normativos experienciam a dança, não como inclusão ou adequação a um padrão, mas como forma de habitar suas geografias corporais específicas e definir seus contornos físicos, psíquicos e discursivos na relação entre movimento e imobilidade. E, ainda, como tais experiências resultam de processos criativos que refletem um ativismo estético que, para além de uma resistência a concepções e significados sobre deficiência cristalizados no imaginário social, oferecem novos entendimentos sobre a variabilidade dos corpos humanos fora da moldura hegemônica de normalidade e contribuem para a construção de novos discursos de verdade sobre pessoas com algum tipo de deficiência1.

As narrativas de corporeidade2produzidas ao dançar pelos participantes do grupo foram captadas pelas lentes fotográficas, pelo olhar por detrás da câmera que concilia perspectivas artísticas, estéticas e acadêmicas, configurando o que Arlander3 discute como pesquisa artística. Esta se refere a uma prática especulativa que envolve imaginação e abertura ao inesperado; dito de outra forma, o que acontece nos encontros entre os bailarinos e a fotógrafa, com mediação da câmera, é da ordem do imprevisível e vai além de um mero exercício analítico ou mental. A partir do que foi captado, traduzido e transmitido pelas fotografias e das inúmeras conversas escritas e por videoconferência entre a fotógrafa e o escritor, foram criados textos literários ficcionais que dialogam livremente com as imagens sem, contudo, haver a intenção de uma correspondência específica entre texto e imagem. Os textos oferecem novas leituras e sentidos às imagens, ao mesmo tempo em que comportam e insinuam outros enredos possíveisc. Os encontros foram acompanhados e fotografados durante o período de junho a dezembro de 2018, com produção de centenas de fotos que resultaram no presente ensaio.

No âmbito da deficiência, as narrativas de corporeidade consideram e reforçam a materialidade dos diferentes corpos como fenômeno não dissociado de seu estar-no-mundo4. Desse modo, tanto as narrativas criadas pelos bailarinos quanto as que resultaram da materialização das imagens em fotografias e dos desdobramentos em textos literários são construções que produzem presença, no sentido dado por Gumbrecht5; presença que interpela e afeta os sentidos e os corpos dos espectadores, desestabilizando uma separação rígida entre o padrão de corpo normal, considerado como mesmo, e os corpos atípicos6, considerados como outros, estimulando uma reflexão sobre as asperezas das interações entre corpos com deficiências, tecnologia e cultura.

O foco do trabalho do grupo está na descoberta de si como corpo, em se relacionar com o próprio corpo e com o corpo do outro, em explorar o espaço que é construído no “entre”. Um entre que envolve o questionamento sobre determinadas coreografias relacionais que se estabelecem na presença de geografias corporais específicas, diferentes do modelo de normalidade. O chão do teatro é o lugar onde o limite material é experienciado e onde novas configurações e propostas estéticas relativas aos corpos podem surgir.

As lentes fotográficas buscaram captar o entre do contato físico, da tomada de consciência da fisicalidade de cada um, das “camadas de limites”7 (p. 27), tais como espasmos, hipotonia, dificuldades de fala e de movimentos, e do espaço compartilhado: as sutilezas do toque, a intimidade, a textura corporal, a respiração e os afetos que se estabelecem entre os corpos dos bailarinos (e o da fotógrafa). Pouco a pouco, são construídos elos feitos de luz, contornos, movimento, enquadramentos, ideias, palavras e textos. O resultado são representações materiais de um olhar relacional, intersubjetivo, que apresenta afinidades com uma visualidade háptica8-10, a qual valoriza a materialidade dos sentidos, o engajamento, a proximidade e uma não separação entre sujeito e objeto, elementos reafirmados no tratamento das imagens digitais por meio das opções de enquadramento e recorte (maior proximidade como participante ativa dos encontros; foco difuso), edição (uso de grão, sugerindo uma percepção tátil) e nas construções literárias ficcionais, cujos enredos acontecem no entre das relações humanas, sob a forma de diálogos externos e internos, ora harmoniosos, ora conflitantes, ou mesmo dicotômicos.

Em um momento em que crescem sinais evidentes de que indivíduos, sociedades, países e continentes se fecham mais sobre si próprios e se cristalizam em torno de visões e perspectivas dogmáticas, este ensaio pretende questionar e desassossegar olhares e certezas individuais sobre a deficiência que, muitas vezes, manifestam-se sob a forma de narrativas de superação como o único enredo possível. Tendo como ponto de partida o próprio corpo humano como presença, elemento primordial de interação com o outro, em sua variabilidade, multiplicidade e criatividade, busca-se explicitar novas práticas de olhar fora da moldura de normalidade, autonomia e produtividade e dos discursos de inclusão-exclusão, bem como novas “paisagens corporais”11 (p. 137), isto é, formas relacionais entre corpos normativos e não normativos que se estabeleçam a partir de múltiplas perspectivas psicológicas, espaciais e discursivas.

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Diz: Por vezes, sinto-me presa no meu corpo. E é por isso que danço. Para acreditar numa possibilidade de liberdade.

Sorri. Um sorriso que é um convite. Repete o convite, verbalizando-o: Queres dançar comigo?

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Caminha na minha direcção, mas não me vê; agita a mão, mexe os dedos como se tentasse agarrar o ar. Apesar do seu comportamento ser peculiar, a expressão é pacífica, a postura é tranquila.

Pergunto: Tentas pegar o ar com a mão?

Sorri. Responde: Não, tento agarrar o amor.

Passa por mim e afasta-se, conduzido pelo seu sorriso; e assim desapareço da sua vida. Nem memória serei.

Vejo como se afasta, vejo como desaparece; e enquanto vejo, pergunto: Será que já não existe amor em mim?

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Ele estende-lhe a mão. Diz: Dou-te o que me é mais precioso.

Ela pega a mão com cuidado, sente a suavidade e a textura da pele. Percorre-a lentamente com a ponta dos dedos. Parece-lhe bonita. Diz: Aquilo que te é mais precioso? Uma mão vazia?

Ele sorri. Um sorriso feliz porque sabe que quando acabar de falar também ela estará a sorrir.

Diz: Está cheia. Não vês como transborda? Está cheia com o meu tempo. É isso que te dou, todo o meu tempo.

E ela sorri, enquanto pega a mão com força. Como se fosse o que lhe é mais precioso.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

A discussão está feia.

Ele diz: Pára de dizer isso, o que pedes é impossível. Não consigo colocar-me no teu lugar, entendes? É impossível alguém colocar-se no lugar do outro, porque é impossível pensar como o outro, sentir como o outro, sonhar como o outro. Impossível.

Ela suspira, e sabe que esse suspiro representa um fim. Ainda diz: Não é nada impossível, basta imaginar. Basta imaginares-me. Porque não tentas imaginar-me? Porque nunca tentaste? Mas sabe que é o fim. Foi o fim.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

A expressão do seu rosto está apática, desemocionada.

Diz: Olha-me nos olhos. E eu assim faço.

Diz: Vês como sorriem? Sim, vejo como sorriem. Sorriem mesmo. Sorriem tanto. Apesar da sua boca permanecer apática, desemocionada. Os olhos sorriem.

Pergunto-me com quantas partes do corpo já me terá sorriso. Pergunto-me quantos sorrisos seus terei perdido.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Entro na sala e sorrio. Digo: Oi. Depois digo: Tudo bem? E continuo a sorrir.

(Penso: Sorrir será a melhor forma de espera, de adiamento, de suspensão?)

Olha-me e sorri. Levanta-se, aproxima-se lentamente. Depois, abraça-me.

Sinto estranheza. Não é fácil receber o abraço de uma pessoa desconhecida. Não é fácil abraçar uma pessoa desconhecida. Mas correspondo.

Foi assim que nos conhecemos. Apenas mais tarde percebi que abraçar é uma forma de comunicar; como se o abraço fosse voz, e cada abraço tivesse uma tonalidade específica. Tal como cada palavra pode ser dita com um timbre diferente.

Não o ouvi falar. Mas conheço a sua voz.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Está imóvel há tanto tempo que ela começa a preocupar-se. É por isso que ganha coragem e se aproxima lentamente, com timidez; em silêncio; aproxima-se porque a imobilidade dele a preocupa. Mas quando chega perto dele, não sabe o que fazer, a timidez impede-a de agir. Olha-o e espera, pensando: gostava de o tocar. Um desejo que nasce algures no seu corpo e aí fica, aprisionado. Inconfessável.

É então que ele a olha; e sorri. Diz: Bem sei, parece que estou parado há horas. Mas não é verdade. Estou a pensar, e pensar é uma forma de movimento. O pensamento é acção, não achas? E continua a sorrir.

Ela também sorri. Agora sabe onde nasceu o desejo que teve de lhe tocar. No pensamento.

Diz: Sim, o pensamento é acção. O princípio da acção.

E toca-o.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Escuto o suave sussurro da respiração do meu corpo. Mas será que a minha alma também está a respirar? Como perceber se está viva, se não ouço nem sinto a sua respiração? Se não a sinto pulsar, se não sinto o bater do seu coração?

Como saber o que faz respirar a alma?

...

Estamos deitados a olhar o céu. O mar, ali mesmo à beira, murmura-nos a sua sinfonia intemporal; e não sei o que mais me emociona, o que mais me toca: se o som das ondas ou o cheiro da maresia.

Dizes: Quando olhas as nuvens e te encantas com a diversidade das suas formas e formatos, com a imensidão e imprevisibilidade das suas diferenças, alguma vez pensaste: olha, aquela parece deficiente? Será que as nuvens, quando olham os humanos percepcionam as diferenças que vêem como defeitos e deficiências? Ou apenas como possibilidades?

Continuamos deitados a olhar o céu. E as nuvens passam, vagarosas; talvez alguma tenha escutado a nossa conversa, talvez alguma tenha sorrido. Ou será que nem nos olharam?

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Lembras da primeira vez que nos vimos? Lembras como os nossos corpos reagiram quando nos cumprimentámos naquela festa? Acho que se apaixonaram de imediato, ao primeiro toque. Fascina-me, isso. A forma como os corpos podem sentir e compreender algo profundo e decisivo, algo que a própria mente ainda não consciencializou. Parece-me que os corpos são muito mais inteligentes do que a mente, não achas?

Ele não acha. Mas acena com a cabeça. Deixa que o seu corpo minta por si.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Olho as minhas próprias mãos; por um momento, sinto que as desconheço. Como se não fossem minhas, como se afinal tivessem vida própria. Como se fossem independentes de mim. E pergunto-me (ouço a minha voz interior ecoar dentro do meu espírito): que pensamentos terão as minhas mãos?

Mas então chegas tu. Finalmente.

Sorrio e, levadas pelo sorriso, as perguntas desaparecem-me imediatamente do espírito, deixam de ecoar. Percebo que te estou a tocar, que os meus dedos acariciam o teu rosto; e é então que percebo em que pensavam as minhas mãos. Em ti.

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Sim, claro que somos todos diferentes. Os nossos corpos podem ser tão diferentes, não existem no mundo inteiro dois que sejam iguais. Cada um é único, a possibilidade de diferença é infinita. Contudo, todos os corpos sonham. Não é? Todos. É o sonho que os aproxima, é o sonho que os une.

Ela escuta-o com um sorriso, mas de olhar distante (sonhará?). Suspira, e é como se esse suspiro fosse um sorriso feito de ar.

Diz: Sim, é o sonho que nos aproxima, é o sonho que nos une. E beija-o.

Foto: Ana Gilbert, 2018

Foto: Ana Gilbert, 2018

Estende-me a mão. E diz: Não a agarres. Diz: Sente-a, apenas.

Aproximo a minha mão. As duas palmas tocam-se, e assim ficam: juntas.

Diz: Agarrar significa prender, não achas? Para sentir o outro basta tocar-lhe. Talvez

tocar seja uma forma de agarrar com liberdade.

E sorri. Também sorrio. Enquanto as nossas mãos se tocam. Livres e sorridentes.

...

Foto: Ana Gilbert, 2018

Referências

1. Foucault M. Truth and power. In: Rabinow P, Rose N, editors. The essential Foucault: selection from the essential works of Foucault, 1954-1984. New York: The New Press; 2003. p. 300-17. [ Links ]

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10. Marks LU. Touch: sensuous theory and multisensory media. Minneapolis, London: University of Minnesota Press; 2002. [ Links ]

11. Matos L. Dança e diferença: cartografia de múltiplos corpos. Salvador: EDUFBA; 2012. [ Links ]

cNos textos literários ficcionais, os autores optaram por manter a grafia original, em português de Portugal, não seguindo o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa.

Recebido: 04 de Setembro de 2019; Aceito: 03 de Fevereiro de 2020

Contribuições dos autores

Ana Cristina Bohrer Gilbert participou da concepção e delineamento do trabalho; da revisão bibliográfica; da redação, discussão, revisão e aprovação da versão final do manuscrito; e da criação artística (fotografias).

Paulo Kellerman participou da redação, discussão, revisão e aprovação da versão final do manuscrito; e da criação artística (textos literários).

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