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Cadernos Saúde Coletiva

Print version ISSN 1414-462X

Cad. saúde colet. vol.21 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2013

https://doi.org/10.1590/S1414-462X2013000300013 

ARTIGO ORIGINAL

 

Inquérito domiciliar de prevalência de tracoma em crianças do Distrito Federal, Brasil, julho/2010

 

Survey of prevalence trachoma of children in Distrito Federal, Brazil, july/2010

 

 

Hiane Santos de JesusI; Andrea de Paula LoboII; Fernanda Santos BordaloIII; Gabriela Baruque VillarIV; João Carlos Guedes de OliveiraV; Juliana Alves DiasVI; Priscila Leal LeiteVII; Veruska Maia CostaVIII; Viviane Gomes Parreira DutraIX; Maria de Fátima Costa LopesX; Ivoneide Duarte Cordeiro GiovanettiXI; Joana da Felicidade Ribeiro FavachoXII; Aglaêr Alves da NóbregaXIII

IEspecialista em Saúde da Família pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Salvador (BA), Brasil; Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVEP), SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
IIMestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife (PE), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
IIIEspecialista em Vigilância Sanitária de Medicamentos pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
IVMestre em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo (SP), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
VEspecialista em Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva pelo Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães da Fiocruz - Recife (PE), Brasil; Treinando do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
VIDoutora em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) - Londrina (PR), Brasil Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
VIIEspecialista em Saúde Pública e Programa de Saúde da Família pela Universidade de Pernambuco (UPE) - Recife (PE), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
VIIMestre em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) - Araraquara (SP), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
IXMestre em Saúde Pública e Meio Ambiente pela ENSP/Fiocruz - Rio de Janeiro (RJ), Brasil; Treinanda do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
XMestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA - Salvador (BA), Brasil; Programa Nacional de Vigilância e Controle do Tracoma, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
XIEspecialista em Saúde Coletiva com ênfase em Saúde da Família pela Universidade Castelo Branco (UCB) - Santa Cruz (RJ), Brasil; Gerente do Centro de Saúde nº 1407 - Brasília (DF), Brasil
XIIMestre em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários pela Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém (PA), Brasil; Pesquisadora responsável pelo laboratório de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Tracoma no Instituto Evandro Chagas, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil
XIIIDoutoranda em Epidemiologia pela Universidade de Brasília (UnB); Supervisora do EPISUS, CGVR, DEVEP, SVS, MS - Brasília (DF), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Realizamos um estudo de corte transversal na Vila Estrutural (DF), utilizando amostragem por conglomerados. Os objetivos do estudo foram estimar a prevalência de tracoma em crianças de um a nove anos, descrever o perfil sociodemográfico dos casos e identificar possíveis fatores de risco associados à doença. A medida de associação foi razão de prevalência estimada pela odds ratio e o intervalo de confiança 95% (IC95%). Foram amostradas 766 crianças de 1 a 9 anos e encontrada prevalência de tracoma ativo de 12,5%. A alta prevalência observada reforça que a doença permanece como um problema de saúde pública, sendo necessária a adoção de medidas de controle, com vistas à eliminação da doença, enquanto causa de cegueira. Recomendamos capacitar profissionais da área para detecção e monitoramento de situação epidemiológica e adotar atividades de educação em saúde com enfoque em medidas de controle e prevenção.

Palavras-chave: tracoma; chlamydia trachomatis; prevalência; análise por conglomerados.


ABSTRACT

We conducted a cross-sectional study in Vila Estrutural (DF) using cluster sampling. This study aimed to estimate prevalence of trachoma in children aged one to nine years, to describe the socio-demographic profile of cases, and to identify possible risk factors associated with the disease. The association measure was prevalence ratio estimated by odds ratio and 95% confidence interval (CI95%). We sampled 766 children aged 1 to 9 years and found a prevalence of active trachoma of 12.5%. The high prevalence reinforces that the disease remains a public health problem, being necessary to adopt control measures, in order to eliminate the disease as a cause of blindness. We recommend enabling professionals to detect and to monitor the epidemiological situation and adopt health education activities focusing on prevention and control measures.

Keywords: trachoma; chlamydia trachomatis; prevalence; cluster analysis.


 

 

INTRODUÇÃO

O tracoma é uma doença inflamatória ocular causada pela bactéria gram-negativa Chlamydia trachomatis1,2. É a mais importante causa de cegueira infecciosa evitável no mundo3. Trata-se de um agravo negligenciado e de impacto na saúde pública4. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima a existência de 41 milhões de pessoas com tracoma ativo no mundo e 1,3 milhão de pessoas com sérios prejuízos visuais e cegueira5. A doença acomete as populações mais pobres dos países e, por recomendação da OMS, encontra-se em processo de eliminação enquanto causa de cegueira até o ano 20203,6.

Dados do inquérito nacional de tracoma ativo, realizado no Brasil no período de 2002 a 2007, revelaram uma prevalência de 4,9% entre escolares, com distribuição do agravo em todas as regiões do país7. No Distrito Federal, a prevalência variou entre 2,1 e 5,4% em Planaltina e entre 15,2 e 22,3% em Brazlândia8.

Para a eliminação do tracoma, a OMS recomenda a mensuração da carga da doença por meio de estudos para diagnóstico da situação epidemiológica do tracoma em comunidades sob risco3,6. Com esse intuito, a Secretaria de Saúde do DF solicitou apoio ao Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EPISUS) para conhecer a situação epidemiológica do tracoma na Vila Estrutural, uma comunidade com indicadores de baixa qualidade de vida.

Este estudo objetivou estimar a prevalência de tracoma em crianças de um a nove anos, residentes na Vila Estrutural (DF), através de um inquérito epidemiológico de base populacional domiciliar, além de descrever o perfil sociodemográfico dos casos positivos de tracoma, identificar possíveis fatores associados à doença e propor medidas de prevenção e controle com vista à eliminação da doença no local.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

A população da Vila Estrutural é de aproximadamente 35.000 habitantes, sendo 6.300 (18%) crianças de 1 a 9 anos de idade9. Considerada segunda maior área de invasão do DF, formou-se na década de 90, quando a aglomeração urbana se deu em torno do Aterro Controlado do Jóquei9,10. Estima-se que cerca de 15% dos moradores da região sobrevivam da coleta de resíduos sólidos9,10.

As condições de infraestrutura e saneamento caracterizam-se por ruas estreitas e sem asfalto, presença de ratos, moscas e outros insetos além de esgoto a céu aberto. No período do estudo, o sistema público de esgoto, recentemente instalado, ainda não estava em funcionamento. O abastecimento de água potável é feito pela rede pública9,10. A atenção à saúde da população se dá pela Estratégia de Sáude da Família (ESF), com cobertura de 75% da população residente11.

Realizamos um estudo de corte transversal, utilizando amostragem por conglomerados, cuja população alvo foi crianças de um a nove anos. Os parâmetros utilizados para o cálculo foram: estimativa do efeito de desenho (e) de 2; risco alfa (d) 5%, expresso como escore Z de 1,96; prevalência esperada de tracoma ativo em crianças de um a nove anos (b) de 10%; e precisão desejada (c) estabelecida em 0,03. Assim, a partir da Fórmula 1 abaixo, calculamos o tamanho da amostra (n) em 768 crianças, distribuídas em 30 conglomerados12,13.

A amostragem foi realizada em três etapas. A primeira foi a seleção sistemática dos conglomerados, definidos como as microáreas de atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Foram excluídas do sorteio dos conglomerados três microáreas, por serem consideradas áreas inseguras. Para a seleção dos conglomerados, calculamos o intervalo amostral definido pelo número total de crianças dividido pelo número de conglomerados a serem amostrados. O primeiro conglomerado foi selecionado aleatoriamente através de sorteio e para os demais utilizamos o intervalo amostral a partir da coluna somatória cumulativa12.

Na segunda etapa, foram selecionados os domicílios, sendo considerados critérios de inclusão ter criança na faixa etária de 1 a 9 anos de idade, a presença de responsável com 18 anos ou mais que concordasse em participar da pesquisa e que permitisse a realização de exame clínico na criança selecionada. A partir desses critérios, iniciávamos cada conglomerado selecionado a partir da casa da esquina mais próxima ao Centro de Saúde da Vila Estrutural e seguíamos sempre pelo sentido horário, respeitando o intervalo de duas casas após o registro do domicílio. Quando o domicílio selecionado encontrava-se fechado e/ou abandonado, ou naqueles em que ocorreram recusa, bem como nos estabelecimentos comerciais, dirigíamo-nos para o domicílio vizinho e verificávamos se o mesmo atendia os critérios de inclusão.

Na terceira etapa, selecionamos a criança participante do estudo. Nas residências com mais de uma criança na faixa etária estabelecida, as ordenávamos em ordem crescente de idade e sorteávamos aquela que seria incluída, utilizando uma tabela de números aleatórios. A seguir, realizávamos o exame clínico e aplicávamos o questionário ao responsável.

O exame ocular externo foi executado por examinadores de referência nacional, que foram repadronizados pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico clínico, sendo realizado primeiramente na criança selecionada, seguido de todos os moradores presentes no domicílio que concordassem com o procedimento. Para tal, utilizamos lupa binocular de aumento de 2,5X e lanterna1,14. Os indivíduos com resultado positivo ao exame clínico eram encaminhados para tratamento no Centro de Saúde da Vila Estrutural.

Para constatar a circulação do agente etiológico na comunidade, realizamos diagnóstico laboratorial em amostras, coletadas por conveniência, de raspado de conjuntiva tarsal superior nos casos positivos e contatos negativos12. A técnica utilizada foi reação de imunofluorescência direta (IFD) com anticorpos monoclonais do kit de diagnóstico Chlamydia trachomatis Pathfinder (BIO-RAD LABORATORIES, 2003®)15-17. O critério de positividade foi definido como 5 ou mais corpúsculos elementares (CE) nas lâminas contendo no mínimo 100 células epiteliais14.

A coleta de dados foi realizada por meio de questionário estruturado pelo qual o responsável presente respondia questões sociodemográficas, ambientais, clínicas e de hábitos de higiene da criança amostrada e do domicílio. Observávamos a higiene da face da criança, definindo-a como limpa na ausência de secreção nasal e ocular.

A análise dos dados foi realizada no módulo de estatísticas avançadas para amostras complexas (complex samples) do Epi Info para Windows versão 3.5.1. A medida de associação utilizada foi razão de prevalência estimada pela odds ratio, intervalo de confiança de 95% (IC95%) e nível de significância de 0,0518,19.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal sob o nº 44/2010 de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Os pais ou responsáveis, que permitiram a participação da criança no estudo, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS

Dos 30 conglomerados percorridos, 28 ficaram completos com 26 crianças em cada um deles; um conglomerado teve 22 crianças e o outro, 16. Nos dois últimos, atribuímos respectivamente os pesos de 1,154 e 1,385, assegurando a representatividade nas análises.

Foram examinadas 776 crianças e diagnosticados 96 casos positivos, com uma prevalência de tracoma ativo na Vila Estrutural de 12,5% (Tabela 1). Destas, 54 (57%) foram do sexo feminino, 59 (62%) tinham entre 6 e 9 anos e 64 (67%) frequentavam escola.

 

 

Em relação ao cuidador das crianças, 61 (63%) eram as mães, que apresentaram uma média de 6,3 anos de estudo (DP=0,4). Encontramos uma média de 5,1 (DP=0,2) pessoas por domicílio, e de 1,8 (DP=0,1) crianças de 1 a 9 anos. A média da renda familiar foi de R$ 804,40 (DP=37,2), ressalta-se que nesse valor estão inclusos auxílios governamentais. A média de tempo de moradia na localidade foi de 5,2 (DP=0,4) anos.

A higiene facial dos casos foi classificada como limpa em 85 (88%) casos e 94 (98%) referiram lavar o rosto, sendo que 52 (54%) revelaram uma frequência de uma a duas lavagens ao dia. Em 87 (92%) casos foi relatado o hábito de enxugar o rosto, sendo que 85 (99%) referiam utilizar uma toalha para isso. Dentre os casos, 94 (98%) dormiam em cama e, destes, 51 (54%) dormiam acompanhados. Foi relatada uma frequência de troca de lençóis de pelo menos uma vez por semana em 88 (92%) casos. Entre os sinais e sintomas referidos, obteve-se maior frequência de olhos vermelhos, prurido e fotofobia e a menor frequência relatada foi de secreção ocular (Tabela 2).

 

 

Em relação às condições de saneamento dos domicílios dos casos, 94 (98%) possuíam água encanada, 49 (52%) relataram a falta da água e 81 (84%) tinham torneira dentro de casa. O esgotamento sanitário em 94 (98%) casos é realizado por meio de fossa séptica. A coleta de lixo é realizada em 95 (99%) domicílios, sendo informada uma frequência superior a três vezes por semana em 66 (70%) deles. Foi relatada presença de moscas em 58 (60%) domicílios.

As variáveis que se mostraram associadas ao tracoma foram: idade, frequentar escola/creche e dormir em cama ou colchão (Tabela 3).

As variáveis não associadas ao tracoma estão apresentadas na Tabela 4.

Dos 2.759 indivíduos examinados, 324 (12%) foram positivos clinicamente para o tracoma ativo. Das 22 amostras coletadas para o diagnóstico laboratorial de Chlamydia trachomatis, 18 (82%) foram positivas.

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Os indicadores epidemiológicos para obter o certificado de eliminação do tracoma como causa de cegueira junto à OMS são: menos de um caso de triquíase tracomatosa por 1.000 habitantes e menos de 5% de tracoma ativo em crianças menores de 10 anos, em todas as comunidades ou bairros de um município6. Dessa forma, a partir da prevalência de tracoma ativo encontrada, acima do indicador proposto pela OMS para controle da doença, concluímos que o tracoma é um problema de saúde pública nessa comunidade e, portanto, devem-se seguir a recomendação de tratamento em massa e outras medidas de controle1,12. Destaca-se que o referido tratamento deve ser à base de Azitromicina, cujo uso vem sendo ampliado para o controle da endemia no mundo20,21.

Em nosso estudo, o tracoma não foi associado à falta de higiene facial ou de condições de infraestrutura dos domicílios, como abastecimento público de água, uso de fossa séptica, coleta regular de lixo, presença de moscas, entre outros1,5,22-25. Esse achado pode ser explicado pela semelhança entre as condições de vida e saneamento em toda região estudada.

Não encontramos associação entre o compartilhamento da cama e o desenvolvimento do tracoma, uma vez que os lençóis e fronhas usados poderiam funcionar como fômites26. Objetos utilizados para enxugar o rosto, como toalhas, também poderiam funcionar como meios de transmissão da Chlamydia trachomatis, porém não mensuramos essa condição27. Contudo, nem sempre é possível verificar essas associações25,28.

O prurido foi relatado como sintoma mais frequente e, apesar de não ser uma manifestação clínica clássica, pode atuar como facilitador da transmissão do agente28-30. Entretanto, olhos vermelhos e prurido também podem ser causados pela precária infraestrutura da região, principalmente a falta de calçamento das ruas que favorece a formação de poeira e o desenvolvimento de alergias, bem como pela aridez da região31.

A probabilidade de ter tracoma foi maior em crianças que frequentavam escola ou creche quando comparadas com aqueles que ficavam em casa. Isso pode estar relacionado ao fato dessas crianças estarem expostas à aglomeração do ambiente escolar, tornando-as importantes fontes de infecção ativa28.

São necessárias medidas de prevenção e controle para impedir o aumento da taxa de prevalência do tracoma ou a possibilidade de evolução dos casos ativos para as formas sequelares na Vila Estrutural e atender às metas finais de eliminação recomendadas pela OMS, que instituiu a Aliança Global para Eliminação do Tracoma até o ano de 2020, da qual o Brasil é signatário3,6,12.

A exclusão do estudo de três microáreas, consideradas pela equipe local como menos favorecidas em relação às condições socioeconômicas, pode ter subestimado a prevalência do tracoma na região estudada.

Recomendamos capacitar profissionais da área para detecção do tracoma e monitoramento de sua situação epidemiológica na Vila Estrutural, além de implantar atividades de educação em saúde com enfoque em medidas de controle e prevenção. Além disso, recomendamos instituir medidas assistenciais, como tratamento em massa e busca ativa de casos, com intuito de diminuir a circulação da clamídia na comunidade.

Todos os casos e seus contatos intradomiciliares foram encaminhados ao Centro de Saúde da Vila Estrutural para tratamento com Azitromicina de uso sistêmico e seguimento de cura1,21.

 

AGRADECIMENTOS

Aos Agentes Comunitários de Saúde da Vila Estrutural e aos examinadores Afonso Alves de Oliveira, Aguinaldo Alves de Melo, Helen Selma de Abreu Freitas, Lúcia Costa Vieira, Márcia Aparecida Ferreira Caetano, Maria Nazaré Correia de Menezes, Marluce Ferreira Marques, Neuza Aparecida Alves Bernardes e Pedro Gonçalves de Andrade, que contribuíram para a realização desse inquérito. Este estudo foi financiado pela Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal e Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

 

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Endereço para correspondência:
Hiane Santos de Jesus
Avenida Adélia Franco, 2750, Condomínio Portucale, Edifício Porto, apto. 1004
CEP: 49048-010 - Aracaju (SE), Brasil
E-mail: hianesj@hotmail.com

Recebido em: 20/07/2013
Aprovado em: 27/08/2013
Fonte de financiamento: Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal e Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Conflito de interesses: nada a declarar.

 

 

Trabalho realizado na Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Ministério da Saúde (MS) e SVS da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal - Brasília (DF), Brasil.

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