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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273On-line version ISSN 1678-9865

Rev. Nutr. vol.15 no.1 Campinas Jan. 2002

https://doi.org/10.1590/S1415-52732002000100010 

REVISÃO | REVIEW


 

Alergia látex-fruta

Latex-fruit allergy

 

Flávia Andréia MARIN1
Suely Prieto de Barros Almeida PERES1
Antônio ZULIANI
2

 

 

RESUMO

O látex está sendo considerado o alergênico do ano 2000, tendo em vista que inúmeros indivíduos, principalmente profissionais da área de saúde e pacientes submetidos a várias intervenções diagnósticas e terapêuticas, estão freqüentemente expostos aos alérgenos do látex, presentes em produtos de borracha natural. As manifestações clínicas conseqüentes às reações alérgicas de hipersensibilidade imediata vão desde rinite, urticária, conjuntivite, angioedema, asma, até anafilaxia. Estudos recentes estão demonstrando que pacientes alérgicos ao látex desenvolvem concomitantemente sensibilização a certos alimentos de origem vegetal, especialmente frutas como papaia, figo, banana, abacate, kiwi, pêssego, abacaxi, melão e castanha, acreditando-se numa provável ocorrência de reações cruzadas entre os alérgenos do látex e destas frutas. Faz-se, então, uma revisão sobre a alergia ao látex, em particular sobre os grupos de risco, incluindo a presença de reatividade cruzada entre o látex e as frutas.

Termos de indexação: hipersensibilidade alimentar, látex, reatividade cruzada, frutas.

 

ABSTRACT

The latex is being considered the allergenic agent of the year 2000, taking into account that several individuals, mainly health care professionals, and patients who had undergone many diagnostic and therapeutic interventions, are frequently exposed to latex allergens, which are present in natural rubber latex products. The clinical manifestations, derived from allergic reactions of immediate hypersensitivity vary from since rhinitis, conjunctivitis, urticaria, angioedema, asthma, to anaphylaxis. Recent researches are demonstrating that patients allergic to latex develop concomitantly sensitization to certain vegetable foods, especially fruits like papaya, fig, banana, avocado, kiwi, peach, pineapple, melon and chestnut, and a probable occurrence of cross reaction between allergens of latex and of these fruits is believed. A review is made about latex allergy, in particular about risk groups, including the presence of cross-reactivity between latex and fruit.

Index terms: food hypersensitivity, latex, cross-reactivity, fruit.

 

 

INTRODUÇÃO

A alergia ao látex representa uma importante ameaça à saúde em países industrializados, devido ao uso freqüente de produtos de borracha natural (Fuchs et al., 1997).

Durante os últimos anos, descobriu-se que o látex tem estado freqüentemente envolvido nas reações de hipersensibilidade imediata (Latasa et al., 1995). Estas reações alérgicas são mediadas por imunoglobulinas E (IgE) específicas para os antígenos do látex. Há portanto, um risco potencial crescente para os indivíduos constantemente expostos a produtos elaborados com este componente (Rueff et al., 1998; Yagami et al., 1998), principalmente para os profissionais da área de saúde (Alemohammad et al., 1995; Palczynski et al., 1997; Mace et al., 1998), podendo-se assim, caracterizar a alergia ao látex como uma doença ocupacional (Taylor & Praditsuwam, 1996).

Tal fato pode ser atribuído ao surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), a qual ocasionou aumento da paramentação nos profissionais da saúde, proporcionando uma maior exposição aos alérgenos do látex (Weesner Junior, 1997), principalmente o contato com luvas de borracha (Aichane et al., 1997).

A primeira reação de hipersensibilidade imediata ao látex foi descrita por Stem em 1997, na Alemanha (Ebo et al., 1997). Desde então, esta substância tem sido relacionada com urticária generalizada, rinite, conjuntivite, asma e choque anafilático (Latasa et al., 1995). No Brasil, a prevalência de hipersensibilidade a este material não é ainda conhecida (Geller et al., 1997).

Relatos apontam a crescente incidência das reações alérgicas tipo I aos alérgenos do látex, os quais são de origem protéica e estão contidos nos componentes protéicos da seiva natural extraída da seringueira Hevea brasiliensis (Alemohammad et al., 1995). O látex ou seiva leitosa sofre um processamento, cujo produto final, contém um polímero de isopreno, CIS - 1, 4 - Poliisopreno, com 2% a 3% de proteínas (Mourão & Rosário Filho, 1995).

Os polipeptídeos são conhecidos como a principal causa de reações de hipersensibilidade imediata (Chen et al., 1997), demonstradas através de testes cutâneos por puntura (Skin Prick Test), testes de liberação de histamina do basófilo, e, ainda, testes in vitro. Estes procedimentos objetivam identificar anticorpos IgE específicos, e os principais são: Radio Allergo Sorbent Test (RAST), Eczyme Linked Imuno Sorbent Assay (ELISA) e IgE immunoblots (Kelly et al., 1994; Ebo et al., 1997; Diez-Gomez et al., 1998; Groot et al., 1998).

O principal alérgeno do látex é a Heveína (Hev b 1), fator de alongamento da borracha, que é um polipeptídeo com peso molecular correspondente a 14,6 Kd (Chen et al., 1996; Yeang et al., 1996). Outro importante alérgeno é a Hev b 3, proteína com peso molecular de 24 Kd. Estes polipeptídeos são responsáveis pela produção de IgE específicos para o látex (Alenius et al., 1996; Yeang et al., 1996) .

Mecanismos Imunológicos

Segundo Mourão & Rosário Filho (1995), as reações ao látex ocorrem por mecanismos de hipersensibilidade do tipo I e IV de Gell e Coombs.

As reações alérgicas do tipo I ou de hipersensibilidade imediata, como já citado anteriormente, são mediadas por anticorpos da classe IgE. Tais reações ocorrem devido à estimulação dos mastócitos teciduais e seus análogos na circulação, os basófilos. A ativação de mastócitos e basófilos é iniciada mais caracteristicamente quando o antígeno específico aglutina as moléculas IgE na superfície pré-fixada destas células. Desta forma, a seqüência típica de eventos na hipersensibilidade imediata é a seguinte: produção de IgE pelos linfócitos B em resposta à primeira exposição a um antígeno, chamada sensibilização, ligação da IgE a receptores específicos nas superfícies de mastócitos e basófilos e interação do antígeno reintroduzido com a IgE ligada, levando à ativação das células e liberação de mediadores (Abbas et al., 1998).

As manifestações clínicas e patológicas de hipersensibilidade do tipo I, podendo ser cutâneas, pulmonares ou sistêmicas, são conseqüentes às ações de mediadores liberados, os quais causam patologias como: rinite, conjuntivite, urticária, asma bronquial, angioedema e anafilaxia sendo esta última a forma mais extrema de manifestações sistêmicas, cujos mediadores podem restringir as vias respiratórias ao ponto de asfixia e produzir um colapso cardiovascular, levando ao óbito (Rojido, 1993; Abbas et al., 1998).

As reações alérgicas do tipo IV ou de fase tardia ocasionam manifestações cutâneas como: eczema de contato (por luvas), dermatites de contato (por roupas ou preservativos), estomatite de contato (por utensílios odontológicos). Elas também têm sido freqüentemente divulgadas na literatura e têm sido atribuídas à sensibilização por aditivos químicos utilizados no processamento do látex natural, com destaque para o mercaptobenzotiazol e o tetrametiltiuram. A possibilidade de polipeptídeos serem responsáveis por estas reações não foi criteriosamente investigada (Rojido, 1993; Mourão & Rosário Filho, 1995).

Quanto à prevalência de reações alérgicas do tipo I e IV em uma população de risco, Groot et al. (1998) relataram que 36,9% dos indivíduos de uma amostra tiveram dermatite nas mãos, mas o patch test, específico para aditivos, foi positivo para apenas 6,6% destes, e reações alérgicas do tipo I, mediadas por IgE e demonstradas por testes cutâneos, estiveram presentes em 24,6% deles.

Fatores que predispõem a hipersensibilidade ao látex

A sensibilização pelo látex ocorre quando há um contato repetitivo, estimando-se ser necessário uma exposição de 6 meses a 15 anos para o seu desenvolvimento (López et al., 1995).

A exposição ao antígeno pode acontecer por diferentes vias, como cutânea, percutânea, mucosa e parenteral, e sua transferência ocorre pelo contato direto. No entanto, ultimamente, tem-se sugerido também a transferência por um contato indireto, como pela via aerossol (Mourão & Rosário Filho, 1995; Castro & López, 1996). Palczynski et al. (1997) relataram três casos de reações alérgicas severas ao látex em profissionais que trabalhavam na área de saúde. Um deles foi causado por um alérgeno inalatório, o outro aconteceu durante a realização de um exame profilático ginecológico e o último ocorreu ao encher um balão de borracha em casa.

Na literatura médica têm sido relatados, muitos casos inéditos de reações aos alérgenos do látex por contato direto, como o descrito por Mitxelena et al. (1998), no qual um paciente traqueostomizado apresentou dermatite de contato devido ao disco de borracha presente na cânula. Na Alemanha, Baur et al. (1998) reportaram dois casos de reações de hiper-sensibilidade local causada por balão de látex de um catéter esofagiano. Reações cutâneas e da mucosa oral, mediadas por mecanismos do sistema imunológico, foram associadas a materiais dentários por Hensten-Pettersen (1998).

A origem deste problema é multifatorial (Castro Cué & Cuanalo Dorantes, 1996), e entre os fatores de risco para ocorrência de reações alérgicas mediadas por IgE encontram-se: história clínica de sensibilidade ao látex, como a existência de dermatite de contato ou eczema nas mãos, ou, ainda, edema ou prurido após contato com produtos de borracha (Mourão & Rosário Filho, 1995; Geller et al.,1997); quadro de alergia alimentar, principalmente a frutas (Beezhold et al., 1996; Brehler et al., 1997); atopia (Field, 1998).

Aichane et al. (1997) observaram uma prevalência de 81% de atopia em indivíduos alérgicos ao látex. Embora esta manifestação seja um fator de risco significante, sujeitos não atópicos também podem desenvolver sensibilidade a esta substância, como o caso de um menino caucasiano com 6 anos de idade, sem atopia conhecida, com reações de hipersensibilidade imediata para produtos de látex e frutas, relatado por Freeman (1997).

Grupos de risco

Estudos demonstram a existência de um vasto grupo de risco para desenvolver reações de hipersensibilidade ao látex, compreendido por indivíduos intensamente expostos aos alérgenos do látex, principalmente profissionais da área de saúde (Beezhold et al., 1996b; Rueff et al., 1998) e pacientes submetidos freqüentemente a meios diagnósticos e terapêuticos (Burrow et al.,1998).

Pacientes com meningomielocele (espinha bífida) são de alto risco, assim como aqueles com anomalias urogenitais congênitas, pois sofrem várias intervenções cirúrgicas que os expõem ao contato com o látex, sendo as manifestações alérgicas proporcionais ao número de intervenções cirúrgicas e à presença de atopia (Leonard et al., 1996; Ylitalo et al., 1997; Cremer et al., 1998).

Cremer et al. (1998), estudando a prevalência de alergia ao látex em população com espinha bífida, demonstraram desenvolvimento de anticorpos IgE em 40,5% dos pacientes, valor maior do que o encontrado no grupo de crianças atópicas (11,4%) e no grupo controle (1,9%).

Lebenbom-Mansour et al. (1997) detectaram, em um ambulatório cirúrgico de Michigan (USA), uma incidência de 6,7% de anticorpos para o látex nos seus pacientes e concluíram ser um problema potencial significante nesta população.

Segundo Leonard et al. (1996), devido ao aumento de reações alérgicas para o látex, é necessário propor, primeiramente, uma estratégia para identificar o grupo de risco e, em seguida, submeter os indivíduos ao teste para diagnóstico. Avaliando vinte pacientes, 17 com meningomielocele e 3 com anomalia cerebral, foi confirmada a alergia ao látex em 11, concluindo-se que estas crianças apresentaram um risco elevado para hipersensibilidade ao látex.

Relatos recentes têm mostrado um crescente aumento na prevalência de reações alérgicas em trabalhadores com exposição ocupacional ao látex (Charous et al., 1994). A sensibilização ocorre mediante o contato com luvas cirúrgicas e outros produtos fabricados com a borracha natural de látex (Alenius et al., 1996).

Allmers et al. (1997) descreveram uma ocorrência de 22% de sensibilização tipo I em profissionais da área de saúde, estando incluídos na amostra médicos, enfermeiras, dentistas e auxiliares odontológicos ou de laboratório (Safadi et al., 1996; Camacho Ibarra et al., 1997; Field, 1998). Já Mace et al. (1998) encontraram uma incidência de 6,9% nas reações alérgicas ao látex em enfermeiras de centro cirúrgico, enquanto Aichane et al. (1997) constataram uma freqüência de 5,3% em trabalhadores hospitalares.

Segundo Safadi et al. (1996), a prevalência de hipersensibilidade ao látex é semelhante tanto no grupo de odontologistas quanto nos demais profissionais da área de saúde. Estudando uma população de dentistas, verificou-se sensibilização aos antígenos do látex em 12% deles. Taylor & Praditsuwan (1996) acrescentaram que as manifestações alérgicas apresentadas por este grupo são, freqüentemente, sintomas sistêmicos, eczema nas mãos e dermatite de contato.

Os trabalhadores de indústrias que fabricam produtos de borracha ou utilizam equipamentos de látex diariamente, devido ao alto grau de exposição, também podem desenvolver reação de hipersensibilidade ao látex, como encontrado por Rojido (1993) e Freeman (1997), com uma incidência de 6,2 a 11,0% neste grupo.

Segundo Mourão & Rosário Filho (1995), "a incidência de reações ao látex mediadas por IgE na população geral é desconhecida". No entanto, indivíduos não pertencentes aos grupos de risco citados podem se sensibilizar aos antígenos do látex, como um caso de anafilaxia apresentado por Ferreira et al. (1997), sem prévia identificação de fatores de risco.

Reatividade cruzada entre látex e alimentos

Recentemente muitos estudos têm associado a alergia ao látex com a alergia a alimentos. A hipersensibilidade para alguns gêneros alimentícios em pacientes alérgicos ao látex tem sido confirmada na literatura pela descrição de casos de anafilaxia após ingestão, principalmente de frutas, que ocorreu devido a presença de reações cruzadas entre os antígenos do látex e os contidos nestes alimentos (Monreal et al., 1996; Weiss & Halsey, 1996).

Blanco et al. (1994b) sugeriram a existência da latex-fruit syndrome, antigenicidade cruzada do látex com as frutas, pelo fato de 52% dos pacientes avaliados, com alergia ao látex comprovada, apresentarem alergia a certas frutas, entre as quais as mais freqüentes foram abacate, castanha, banana, kiwi e papaia. As três primeiras demonstraram reatividade cruzada com o látex.

Provavelmente estas reações cruzadas entre o látex e algumas frutas sejam devidas à existência de antígenos comuns (Latasa et al., 1995), ou mesmo à presença no látex de uma lisozima, polipeptídeo que possui funções enzimáticas (peso molecular igual a 27 Kd) e tem similaridade com as lisozimas das frutas (Yagami et al., 1995).

Lavaud et al. (1995) investigaram os alérgenos do látex, do abacate e da banana, e encontraram um peso molecular semelhante nestes, aproximadamente 30 Kd, sendo confirmada, portanto, a ligação dos alérgenos a uma epítope comum presente em látex e frutas. Chen et al. (1997), pesquisando a reatividade cruzada do maior alérgeno do látex, a heveína, com proteínas do abacate, concluíram que a sensibilização depende exclusivamente das epítopes da Heveína. Sanchez-Monge et al. (1999) constataram em seus estudos que dois alérgenos (34 Kd e 32 Kd) são responsáveis por mais de 50% das reações alérgicas com a banana, enquando Delbourg et al. (1996) verificaram nesta fruta a presença de mais de dez componentes alergênicos comuns com o látex, sendo considerados seus principais alérgenos aqueles com peso molecular variando de 33 Kd a 37 Kd.

Segundo Beezhold et al. (1996a), a reatividade cruzada com alimentos é comum, ocorrendo em 33 dos 47 indivíduos alérgicos ao látex submetidos a testes immunoblots. Os testes cutâneos para alimentos foram positivos para abacate, batata, tomate, castanha e kiwi, e os pacientes tiveram diferentes manifestações clínicas, inclusive anafilaxia, como também observado nos estudos de Blanco et al. (1994a) e de Latasa et al. (1995). Blanco et al. (1994a) investigaram a sensibilização ao látex em 17 pacientes com hipersensibilidade ao abacate e outras frutas e concluíram que 10 eram alérgicos ao látex, 8 à castanha e à banana, 4 às nozes e ao kiwi. De acordo com Latasa et al. (1995), embora pacientes com alergia ao látex possam desenvolver múltipla sensibilização a frutas, as mais comuns foram ao abacate e à banana, seguidos da castanha e do melão.

Brehler et al. (1997) avaliaram, através do RAST - testes de inibição, a ocorrência de reações cruzadas entre o látex e as seguintes frutas: papaia, abacate, banana, castanha, figo, melão, kiwi, abacaxi, pêssego e tomate. Encontrou-se, em 69,1% das amostras séricas de pacientes alérgicos ao látex, anticorpos IgE específicos para frutas, e 42,5% apresentaram manifestações clínicas após ingestão. Posteriormente, Moller et al. (1998) demonstraram, através de testes de inibição immunoblots, que quase todos os alérgenos do látex, abacate e banana, e dois alérgenos do kiwi (43 Kd e 47 Kd) compartilhavam epítopes IgE comuns.

Garcia et al. (1998), investigando a prevalência de alergia ao látex em pacientes alérgicos a frutas (melão, pêssego e banana) e com história precedente de reações com o látex, constataram sensibilização imunológica ao látex em 85,9% deles.

Já Diez-Gomez et al. (1998) estudaram pacientes portadores de asma persistente causada pelo contato com o látex de Ficus benjamina, os quais apresentaram também edemas de orofaringe e língua pela ingestão de figo e kiwi. Eles foram avaliados através dos seguintes testes: cutâneos, liberação de histamina, IgE específica e provocação brônquica. Observou-se uma associação positiva entre este tipo de látex e as frutas citadas, devido à existência de reações cruzadas entre os alérgenos.

Recentemente, Kim & Hussain (1999) verificaram em 29 pacientes, dos 137 estudados com alergia ao látex diagnosticada através de testes cutâneos e/ou testes in vitro, reações alérgicas a 15 diferentes tipos de alimentos sendo banana, abacate, kiwi e tomate os mais freqüentes.

De acordo com alguns estudos, a freqüência de hipersensibilidade a alimentos em alérgicos ao látex, nos diferentes grupos de risco, compreende: 28,1% em profissionais da área de saúde (Aichane et al., 1997); 29,4% especificamente no corpo de enfermagem de centro cirúrgico (Mace et al., 1998); e 35,0% em pacientes com história de várias cirurgias, principalmente com espinha bífida (Leonard et al., 1996).

 

CONCLUSÃO

Segundo Castro Cué & Cuanalo Dorantes (1996), a alergia ao látex tornou-se na atualidade uma nova problemática clínica, preocupando a comunidade médica internacional, pois estudos epidemiológicos feitos em estados membros da União Européia, assim como nos Estados Unidos, revelaram que 2% a 5% dos profissionais da área de saúde são alérgicos ao látex (Palczynski et al., 1997).

Considera-se como agravante desta questão a ocorrência de reações cruzadas entre os antígenos do látex e de certos alimentos, especialmente de frutas, como a síndrome látex-fruta ou a alergia látex-fruta, sugeridas na literatura, devido à reatividade de proteínas similares, com mesmo peso molecular.

É recomendável uma avaliação in vivo dos indivíduos pertencentes aos grupos de risco, através de testes cutâneos por puntura (prick test), com antígeno para o látex e bateria de antígenos alimentares, porque o tratamento mais eficaz é a prevenção destes tipos de reações alérgicas, que tornaram-se uma preocupação crescente, tanto pela variedade do grupo atingido quanto pela gravidade de suas manifestações clínicas, e particularmente porque muitos casos sem etiologia permanecem ignorados e atribuídos a outras causas.

 

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Recebido para publicação em 23 de maio de 2000 e aceito em 22 de março de 2001.

 

 

1 Setor de Nutrição e Dietética, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo (HRAC-USP). Setor de Nutrição do HRAC-USP. Av. Getúlio Vargas, 19-56, Jardim Europa, 17045-001, Bauru, SP, Brasil. Correspondência para/ Correspondence to: S.P.B.A. PERES.
2 Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista, Botucatu, SP.

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