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Revista CEFAC

Print version ISSN 1516-1846On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.10 no.3 São Paulo  2008

https://doi.org/10.1590/S1516-18462008000300017 

AUDIOLOGIA
ARTIGO ORIGINAL

 

Utilização de uma manobra específica para evitar alterações dos limiares auditivos causadas pelo colabamento do meato acústico externo

 

The use of a specific maneuver to avoid alterations of the auditory thresholds caused by the collapse of the external acoustic meatus

 

 

Luciana Karla Moreira AmaralI; Flávia Helena Vasconcelos FerreiraII; Fernanda Abalen Martins DiasIII

IFonoaudióloga clínica responsável pelo Núcleo de Atendimento Fonoaudiológico de Itaúna e da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira na cidade de Itaúna - MG; Especialista em Motricidade Orofacial
IIFonoaudióloga clínica responsável pela Audiometria e Medicina do Trabalho; Fonoaudióloga integrante da equipe interdisciplinar da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais em Itaúna - MG
IIIFonoaudióloga; Professora Assistente III do Curso de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Professora convidada do Curso de Especialização em Audiologia do CEFAC - Saúde e Educação de Belo Horizonte; Mestre em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: verificar se a utilização de uma manobra de reposicionamento dos fones em caso de suspeita de colabamento pode alterar os limiares auditivos nas freqüências altas, melhorando-os.
MÉTODOS: participaram do estudo 89 indivíduos com idades entre 18 e 35 anos, e que apresentavam diferença maior ou igual a 10 dB NA nos limiares das freqüências de 6000 e 8000 Hz em relação à freqüência de 4000 Hz. Foi realizado o re-teste dos limiares auditivos nas freqüências de 4000, 6000 e 8000 Hz, a partir do reposicionamento dos fones e utilização de manobra específica, que consistiu em orientar o paciente, pedindo ao mesmo que segurasse o fone bem próximo à orelha, sem pressionála, evitando, desta forma, o colabamento do meato acústico externo.
RESULTADOS: de acordo com os dados obtidos por meio deste estudo, pôde ser verificada melhora significativa dos limiares auditivos com a utilização da manobra descrita neste estudo em 60,7% dos indivíduos avaliados.
CONCLUSÃO: a partir dos resultados, foi possível verificar que o colabamento do meato acústico externo, causado pela pressão dos fones pode interferir nos resultados das audiometrias tonais, bem como foi possível observar a eficácia da manobra descrita neste estudo para minimizar interferência deste fenômeno.

Descritores: Meato Acústico Externo; Audiometria; Limiar Auditivo; Técnicas de Diagnóstico Otológico


ABSTRACT

PURPOSE: to check the use of a maneuver of reposition of the earphones in case of collapse suspicion can alter the hearing thresholds for high frequencies, improving the same ones.
METHODS: 89 individuals participated in the study, with age between 18 and 35 years, wich presented larger difference or same to 10 dBNA in the thresholds of the frequencies of 6000 and 8000 Hz in relation to frequency of 4000Hz. Retest of the hearing thresholds was accomplished in the frequencies of 4000, 6000 and 8000 Hz, starting from the reposition of the earphones and use of specific maneuver, that consisted of guiding the patient, asking him to held the earphone very close to the ear, without excessive pressure, avoiding, in this way, the collapse of the external acoustic meatus.
RESULTS: in agreement with the data obtained through this study, significant improvement of the hearing thresholds can be verified with the use of the maneuver described in this study in 60.7% of the appraised individuals.
CONCLUSION: from the results, it was possible to verify that the collapse of the external acoustic meatus caused by the pressure of the earphones can interfere in the results of the pure tone audiometry, as well as it was possible to observe the effectiveness of the maneuver described in this study to minimize the interference of this fenomenal.

Keywords: Ear Canal; Audiometry; Auditory Threshold; Diagnostic Techniques Otological


 

 

INTRODUÇÃO

O colabamento do meato acústico externo (MAE) é o estreitamento ou fechamento desta região, como resultado da compressão atípica do pavilhão auricular sobre o canal auditivo 1-7, sendo comum em um teste audiométrico, quando os fones são colocados na orelha de forma inadequada. Pode ser unilateral ou bilateral, sendo encontrado em indivíduos de todas as idades, principalmente em idosos devido ao processo natural de envelhecimento e a conseqüente falta de elasticidade da porção cartilaginosa do meato acústico externo 8.

A ocorrência de colabamento do meato acústico externo pode alterar os resultados da avaliação audiométrica por indicar uma falsa perda auditiva condutiva (por via aérea) de 10 a 15 dB, ou aumentar o grau de uma perda já existente, variando de 5 a 50 dB 4,7,9,10 ou ainda, provocando uma perda auditiva maior nas freqüências altas, principalmente nas freqüências acima de 2000 Hz 4,11.

Outro fator que pode alterar os resultados da avaliação audiométrica é a presença de ondas estacionárias 12 , que podem ocorrer quando um quarto do comprimento de onda da onda sonora é equivalente ao comprimento do meato acústico externo. O fenômeno produzido altera as características do estímulo utilizado para avaliação, interferindo na obtenção precisa dos limiares auditivos por via aérea, o que habitualmente acontece com sons de freqüência acima de 3000 Hz e, especificamente na freqüência de 6000 Hz. Variações de aproximadamente 15 a 20 dB não são raras nesses casos e podem ser resultantes de modificações mínimas no posicionamento dos fones ao ouvido. Em um trabalho realizado com 100 indivíduos sem queixa auditiva, 36% dos que apresentaram perdas auditivas em freqüência alta, após o reposicionamento do fone supra-aural, estas não foram confirmadas 13 .

A literatura aponta várias maneiras de se evitar o colabamento do meato acústico externo (MAE) durante o teste audiométrico: colocação de tubos de polietileno no interior do MAE 4,7,10,14; utilização de enchimento de gaze fortemente enrolado atrás do pavilhão auricular antes da colocação do fone 4,7; manutenção dos fones supra-aurais em leve contato com o pavilhão auricular; utilização de audio-metria em campo livre; utilização de molde de orelha e utilização de fone de inserção 15,16.

Um erro no diagnóstico devido à falha na identificação da real natureza e/ou grau de perda auditiva pode levar os profissionais a adotarem condutas equivocadas, como o afastamento de trabalhadores de suas funções, indicação de próteses auditivas não adequadas, ou, até mesmo, uma intervenção cirúrgica 10 .

Em audiologia ocupacional, é fundamental que os limiares tonais nas freqüências altas sejam obtidos com precisão, uma vez que a perda auditiva ocasionada devido à exposição a níveis de pressão sonora elevados se instala inicialmente nestas freqüências. Dessa forma, a presença de limiares auditivos dentro dos limites da normalidade nesta faixa de freqüências é, muitas vezes, determinante na contratação de funcionários nas empresas ruidosas, dependendo da função que irá exercer na mesma. Sendo assim, o colabamento do meato acústico externo, quando não percebido durante o exame de audiometria, pode prejudicar a vida profissional de algumas pessoas que trabalham em ambientes ruidosos 17 .

O fone supra-aural exerce uma pressão no pavilhão auricular, podendo ocasionar a oclusão do MAE, proporcionando uma falsa perda auditiva condutiva. Apesar desta desvantagem, o fone supra-aural 18,19 ainda é amplamente utilizado, principalmente no Brasil 7.

O objetivo deste trabalho foi verificar se a utilização de uma manobra específica para o reposicionamento dos fones em caso de suspeita de colabamento do meato acústico externo provoca melhora dos limiares auditivos nas freqüências altas.

 

MÉTODOS

O presente estudo prospectivo descritivo foi realizado no município de Itaúna, Minas Gerais, em duas clínicas fonoaudiológicas privadas, especializadas na realização de audiometria ocupacional.

Participaram deste estudo indivíduos que realizaram audiometria ocupacional admissional, no período de fevereiro a outubro de 2006, perfazendo um total de 1053 indivíduos de ambos os sexos.

Foram considerados como critérios de inclusão: idades entre 18 e 35 anos, e diferença maior ou igual a 10 dB NA nas freqüências de 6000 e 8000 Hz em relação à freqüência anterior. Após aplicação destes critérios, a amostra deste estudo foi reduzida para 89 indivíduos, sendo 7% do sexo feminino e 93% do sexo masculino. Para o cálculo de média e desvio padrão para dados agregados, a média de idade da amostra foi de 30 anos, com desvio padrão de 5,23 anos, mínimo de 19 anos e máximo de 35 anos.

Os equipamentos utilizados para a coleta dos dados foram dois audiômetros da marca Interacoustics, modelo AD 28, com fones supra-aurais TDH-39, com coxim MX-41 e vibrador ósseo Radio-ear, calibrados de acordo com as normas ISO-389, IEC-NBR 60645 e ISO-8253-1, 1989. Os exames audiométricos foram realizados em cabina acústica, sendo os executores, os autores do presente estudo.

Inicialmente, os pacientes responderam a uma anamnese específica para audiometria ocupacional (Figura 1); depois, foram submetidos à avaliação audiométrica completa (audiometria tonal por via aérea e por via óssea e audiometria vocal).

Foram re-testados os limiares auditivos por via aérea, que apresentaram queda nas freqüências de 6000 e 8000 Hz maior ou igual a 10 dB NA em relação à freqüência anterior. Foi, então, realizada a manobra de reposicionamento do fone na orelha testada. A manobra consistiu na orientação ao paciente, pedindo ao mesmo que segurasse o fone bem próximo ao pavilhão auricular sem pressionar o mesmo, evitando desta forma o colabamento. No re-teste, foram reavaliados os limiares tonais de via aérea nas freqüências de 3000, 4000, 6000 e 8000Hz para verificação da melhora dos limiares auditivos com o uso desta manobra.

Antes do uso da manobra específica, foi feito o reposicionamento do fone e o re-teste das freqüências alteradas para descartar a possível ocorrência de ondas estacionárias.

Foi considerada como uma melhora significativa dos limiares tonais por via aérea, quando a diferença obtida entre as duas condições (com utilização do fone de maneira convencional e utilização da manobra de reposicionamento do fone) foi maior ou igual a 10 dB 13 .

Para critérios de comparação de limiares auditivos normais e alterados considerou-se limiares auditivos normais até 25 dB NA e alterados acima de 25dB NA 13 .

A realização desta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CEFAC - Saúde e Educação com o número 21/6 e considerada como sem risco e com necessidadede Consentimento Livre e Esclarecido. Os indivíduos que satisfaziam aos critérios para inclusão definidos foram informados sobre o tema do presente estudo e seus procedimentos, sendo convidados a participar. Não houve recusa de nenhum paciente.

Para a análise estatística utilizou-se o software EpiInfo 2000, versão 3.3.2. Foram calculadas médias e percentuais, e utilizados os testes do Qui-Quadrado de Yates (X2(Yates)) e Exato de Fisher, na aferição das diferenças observadas entre os diversos grupos comparados neste estudo. Todas as conclusões foram obtidas para um nível de significância de no máximo 5% (p<0,05), ou seja, com pelo menos 95% de confiança nos resultados.

 

RESULTADOS

Foram analisados os resultados da audiometria tonal de 89 indivíduos que apresentaram queda abrupta dos limiares tonais de via aérea, nas freqüências de 6000 e 8000 Hz maior que 10 dB NA em relação à freqüência anterior.

Durante a realização do exame, 22 indivíduos (24,7%) apresentaram queda do limiar auditivo na freqüência de 6000 Hz, com melhora do mesmo após o reposicionamento dos fones, não necessitando do uso da manobra descrita no presente trabalho, sugerindo presença de ondas estacionárias.

Do restante da amostra avaliada, 54 indivíduos (75,4%) apresentaram melhora dos limiares auditivos nas freqüências de 4000, 6000 e 8000 Hz com o uso da manobra descrita neste estudo, e 13 indivíduos (14,6%) não apresentaram melhora significativa dos limiares auditivos, após a utilização da manobra para o presente trabalho, sugerindo presença de perda auditiva.

Analisando a melhora dos limiares auditivos por orelha obtidos com o uso da manobra específica para reposicionamento dos fones, será descrita, a seguir, a incidência de melhora dos limiares auditivos nas freqüências de 4000, 6000 e 8000 Hz.

Na freqüência de 4000 Hz, 69 orelhas (90,8%) não apresentaram alteração significativa do limiar com o uso da manobra descrita no presente estudo. Seis orelhas (7,9%) apresentaram melhora de 10 dB NA e uma orelha (1,3%) apresentou melhora de 15 dB NA (Figura 2).

 

 

Na freqüência de 6000 Hz, 30 orelhas (39,5%) não apresentaram alteração significativa do limiar com o uso da manobra descrita neste estudo, 23 orelhas (30,3%) apresentaram melhora de 10 dB NA, 16 orelhas (21%) apresentaram melhora de 15 dB NA e sete orelhas (9,2%) apresentaram melhora de 20dBNA (Figura 2).

Na freqüência de 8000 Hz, 49 orelhas (64,5%) não apresentaram alteração significativa do limiar, 11 orelhas (14,5%) apresentaram melhora de 10 dB NA, seis orelhas (7,9%) apresentaram melhora de 15 dB NA; 7 orelhas (9,2%) de 20 dB NA e três orelhas (3,9%) de 25 dB NA (Figura 2).

De acordo com a análise estatística, na freqüência de 4000 Hz, das 76 avaliações sem a manobra, 13 orelhas (17,1%) obtiveram limiar auditivo alterado e 63 orelhas (82,9%) apresentaram limiares auditivos normais. Após a manobra, houve uma mudança com relação a esta distribuição: nove orelhas (11,8%) permaneceram com o limiar alterado e 67 orelhas (88,2%) passaram a ter limiar normal. Houve uma melhora do limiar em quatro (5,3%) das orelhas testadas (Tabela 1). Entretanto, esta distribuição não se mostra estatisticamente significativa para a freqüência de 4000 Hz na amostra estudada (p=0,244 / Teste de Fisher; p=0,489 / Qui-Quadrado de Yates corrigido).

 

 

Na freqüência de 6000 Hz, das 76 avaliações sem a manobra, 46 orelhas (60,5%) obtiveram limiar auditivo alterado, e 30 orelhas (39,5%) apresentaram limiares auditivos normais. Após a manobra, houve uma mudança com relação a esta distribuição: 25 orelhas (32,9%) permaneceram com o limiar auditivo alterado e 51 (67,1%) passaram a ter limiar auditivo normal. Houve uma melhora do limiar auditivo em 21 (27,6%) das orelhas testadas (Tabela 2). A diferença obtida nos limiares auditivos após a aplicação da manobra se mostrou estatisticamente significativa para a freqüência de 6000 Hz (p=0,000539 / Teste de Fisher; p=0,0011 / Qui-Quadrado de Yates corrigido).

 

 

Na freqüência de 8000 Hz, das 76 avaliações sem a manobra, 34 orelhas (44,7%) obtiveram limiar auditivo alterado, e 42 orelhas (55,3%) apresentaram limiares auditivos normais. Após a manobra, houve uma mudança com relação a esta distribuição: 13 orelhas (17,1%) permaneceram com o limiar auditivo alterado e 63 (82,9%) passaram a ter limiar auditivo normal. Houve uma melhora do limiar auditivo em 21 (27,6%) das orelhas testadas (Tabela 3). A diferença obtida nos limiares auditivos após a aplicação da manobra foi estatisticamente significativa para a freqüência de 8000 Hz (p=0,000193 / teste de Fisher; p=0,0004 / Qui-Quadrado de Yates corrigido).

 

 

Na análise estatística em relação às respostas por orelhas e freqüências, em nenhuma freqüência houve diferença significativa (p<0,05) com relação aos limiares obtidos na orelha direita e na orelha esquerda quando comparados.

 

DISCUSSÃO

Na amostra, foi encontrado maior número de indivíduos do sexo masculino, devido ao fato da mesma ter sido obtida em duas clínicas que realizam audiometria ocupacional, para empresas, cujo perfil de funcionários é predominantemente masculino.

Os resultados mostram maior incidência de melhora dos limiares auditivos na freqüência de 6000 Hz quando o colabamento foi evitado, estando de acordo com outros estudos 9,11.

Na audiometria ocupacional, consideram-se normais os limiares auditivos até 25 dB NA. Portanto, com a realização da manobra específica para evitar o colabamento, foi possível observar que vários indivíduos que apresentaram queda dos limiares auditivos nas freqüências altas e que seriam incluídos como portadores de perda auditiva deixaram de o ser, em função da melhora dos limiares auditivos, após a manobra descrita, evitando assim condutas inadequadas e diagnósticos errôneos 10,17.

Outro aspecto importante a ser considerado é que os indivíduos que participaram deste estudo e apresentaram o colabamento do meato acústico externo não se encontram entre a população idosa, fato este citado, porém, não ressaltado pela literatura, que enfatiza a ocorrência deste fenômeno em grandes proporções, na população acima de 60 anos 7,8. O problema do colabamento do meato acústico externo pode acontecer em qualquer idade e deve ser levado em consideração em todos os casos em que há piora dos limiares das freqüências altas em relação às outras freqüências pesquisadas no audiograma tonal, sendo fundamental a aplicação de procedimentos apropriados para evitá-lo.

Conforme se observou, várias estratégias vêm sendo propostas para solucionar o problema do colabamento do meato acústico externo. Tais métodos são rápidos e simples; entretanto, alguns meatos acústicos tortuosos e pavilhões auriculares flácidos podem não responder positivamente a estes métodos, permanecendo o colabamento durante avaliação audiológica 11 .

A manobra específica de reposicionamento dos fones descrita e utilizada neste estudo se mostrou uma manobra simples, rápida, não invasiva e bastante eficaz. Nos exames re-testados, onde somente a freqüência de 6000 Hz estava alterada, questiona-se se a piora do limiar ocorreu devido ao fenômeno de colabamento ou pela presença de onda estacionária 12,13. Neste estudo, foram encontrados 22 indivíduos com alteração na freqüência de 6000 Hz, que obtiveram melhora dos limiares auditivos por meio do reposicionamento dos fones, o que pode estar relacionado à presença de ondas estacionárias. No entanto, para os demais indivíduos participantes da amostra, foi verificado que a alteração observada nas freqüências altas estava relacionada ao colabamento do meato acústico externo, uma vez que as modificações obtidas por meio da aplicação da manobra de re-posicionamento foram estatisticamente significativas para as freqüências de 6000 e 8000 Hz.

É importante ressaltar que dos 13 indivíduos que não apresentaram melhora significativa com o uso da manobra do presente estudo, oito (61,5%) indivíduos apresentaram melhora de pelo menos 5 dB, sendo importante, muitas vezes, na definição de perdas auditivas ocupacionais.

Os resultados obtidos neste estudo sinalizam para a necessidade de se estudar a modificação de limiares auditivos para as freqüências altas em indivíduos que apresentam limiares normais na avaliação audiométrica, uma vez que a utilização da manobra de reposicionamento dos fones pode ocasionar melhores respostas para os limiares de freqüências altas.

 

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados obtidos, foi possível verificar que o colabamento do meato acústico externo causado pela pressão dos fones interfere nos resultados das audiometrias tonais por via aérea, levando a uma falsa perda auditiva. Além disso, a utilização de uma manobra específica para o reposicionamento dos fones mostrou-se eficaz para reduzir as alterações nos limiares auditivos causadas pelo colabamento do meato acústico externo.

 

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E-mail: lucianaamaral@itamaster.com.br

Recebido em: 30/10/2007
Aceito em: 02/05/2008

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