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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.38 no.6 Viçosa June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982009000600021 

RUMINANTES

 

Fontes de energia em suplementos múltiplos para recria de novilhos mestiços em pastejo durante o período de transição seca/águas: desempenho produtivo e características nutricionais1

 

Energy sources in multiple supplements for growing crossbred steers on pastureduring the dry to rainy seasons: performance and nutritional characteristics

 

 

Michele Lopes do NascimentoI; Mário Fonseca PaulinoII; Edenio DetmannII; Sebastião de Campos Valadares FilhoII; Marlos Oliveira PortoI; Maykel Franklin Lima SalesI

IPrograma de Pós-graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, CEP: 36571-000
IIDepartamanto de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, CEP: 36571-000. Pesquisador do INCT-CA

 

 


RESUMO

Avaliaram-se os efeitos da utilização de fontes amiláceas e fibrosas de energia em suplementos múltiplos sobre o desempenho e as características nutricionais de novilhos mestiços em recria em pastagem de Brachiaria decumbens durante o período de transição seca/águas. A área experimental constituiu-se de 5 piquetes de 2,0 ha, com disponibilidade média de matéria seca (MS) de 4.309,4 kg/ha. Utilizaram-se 24 novilhos mestiços (Holandês × Zebu), castrados, com aproximadamente 24 meses de idade e peso vivo inicial de 314,46 kg. A cada animal destinou-se, casualmente, um dos cinco tratamentos: mistura mineral à vontade, grão de milheto ou grão de milho como fontes amiláceas de energia; polpa cítrica ou farelo de trigo como fontes fibrosas. Às fontes de energia foram adicionados mistura mineral, farelo de algodão e uréia para comporem suplementos com 30% de PB, com base na matéria natural, fornecidos em 1,5 kg/animal/dia. No grupo controle, não houve efeito da suplementação sobre o ganho médio diário. O ganho médio diário obtido com as fontes fibrosas foi 17,43% superior ao obtido com as fontes amiláceas. Os consumos de matéria seca e orgânica (kg/animal/dia e g/kg de peso vivo) pelos animais do grupo controle foram inferiores, assim como os consumos (kg/animal/dia) de PB, CNF, EE, FDNi e NDT. As digestibilidades aparentes totais de PB e CNF foram mais baixas nos animais que receberam somente mistura mineral. Animais do grupo controle apresentaram menores teores de nitrogênio uréico sérico e urinário. Suplementos com fontes fibrosas de alta digestibilidade em associação a uréia promovem ganhos de peso superiores àqueles formulados com fontes amiláceas e uréia. A suplementação múltipla no período de transição seca/águas, fornecida no nível de 0,4% do peso vivo, não afeta a digestibilidade da FDNcp, independentemente da fonte de energia.

Palavras-chave: capim-braquiária, consumo, digestibilidade, suplementação


ABSTRACT

This study was conduced to evaluate the energy sources, rich in starch or fiber in multiples supplements on performance and nutritional characteristics of finishing crossbred steers in the dry/rainy transition season, grazing Brachiaria decumbens Stapf. The experimental area was divided into 5 paddocks with 2.0 ha each, with dry matter availability of 4.309,4 kg/ha. Twenty-four castrated crossbred steers were used, initially 24 month old and 314.46 kg. For each animal, one of the five treatments was randomly applied: mineral mixture ad libitum, pearl millet grain or corn grain, as starchy energy sources, citrus pulp or wheat bran, as fibrous energy sources. To the different energy sources, the following were added: mineral mixture, cotton seed meal and urea, so that they composed supplements with 30% of crude protein based on the natural matter, supplied at the level of 1.5 kg/animal/day. In relation to control group, significant effect of the supplementation on the diary gain was not verified. The average daily gain obtained with the fibrous sources was 17.43% higher than that obtained with the starchy sources. The dry matter (DM), organic matter, non-fibrous carbohydrates (NFC), crude protein (CP), ether extract, digestible DM, total digestible nutrients and neutral detergent fiber (NDF) indigestible intakes (kg/animal/day) was higher for supplemented animals in relation to the control group. CP and NFC total apparent digestibility were lower for animals that received only MM. Excretion of urea by urine, and the urea plasmatic level were lower for animals fed MM only. Multiple supplements with high digestible fiber sources in association with urea promoted better performance to the animals than that formulated with starchy sources and urea. The supplementation in the dry/rainy season, in 0.4% of the BW do not affect the NDF digestibility, regardless of the energy source.

Key words: intake, digestibility, signal grass, supplementation


 

 

Introdução

No final do período seco e início da estação das chuvas, observa-se intensa rebrota dos pastos, onde, segundo Poppi & McLennan (1995), obter-se-ia proteína de alta degradabilidade, a qual pode acarretar perdas de nitrogênio pelo animal, na forma de uréia.

Em concordância, Detmann et al. (2005a,b) afirmaram que pastagens de Brachiaria decumbens, durante o período de transição seca/águas, não são deficientes quantitativamente em compostos nitrogenados.

Contudo, em função de níveis elevados de compostos nitrogenados não-protéicos e/ou nível reduzido de energia de rápida disponibilidade ruminal, observa-se nessas pastagens menor aproveitamento dos compostos nitrogenados, em decorrência de sua baixa fixação em proteína microbiana. Os animais em pastejo, nestas condições, podem responder satisfatoriamente ao aumento no fornecimento de proteína verdadeira degradável (Moraes, 2006b). Isso se justifica porque, embora as pastagens possam apresentar teores adequados de proteína bruta, boa parte dos compostos nitrogenados estão na forma de NNP e NIDN (degradabilidade lenta), portanto, a adição de proteína verdadeira degradável no rúmen poderia suprir a demanda de microrganismos por esta fonte, além disso, também deve ser acrescentada energia para aumentar a utilização da amônia em excesso no rúmen advinda do NNP.

O consumo de energia e proteína deve ser adequado para melhorar a fermentação ruminal e a produção de proteína microbiana, que é o elemento-chave na eficiência de conversão de forragem em produto animal (Caton & Dhuyvetter, 1997). Assim, o fornecimento de suplementos protéicos/energéticos pode ampliar a disponibilidade de proteína metabolizável e a relação proteína:energia absorvida, e promover melhorias no desempenho de animais criados em pastejo (Poppi & McLennan, 1995).

Por outro lado, o efeito da adição de carboidratos de alta degradabilidade em dietas à base de forragem, pode ser benéfico ou indesejável de acordo com a fonte utilizada. As fontes mais utilizadas para o suprimento de energia são grãos com alto nível de amido. Esses grãos geralmente provocam redução no consumo de forragem e na degradação da fibra (Caton & Dhuyvetter, 1997; Bodine & Purvis, 2003; Costa, 2006). Subprodutos da indústria alimentícia, como casca de soja, polpa cítrica e farelo de trigo, têm sido estudados como fontes alternativas de energia para ruminantes. Essas fontes possuem alta concentração de fibra solúvel e/ou fibra insolúvel altamente digestível e baixa concentração de amido, o que resulta em menor efeito negativo sobre a digestão da forragem (Carey et al., 1993; Kim et al., 2007).

Desta forma, objetivou-se neste estudo avaliar os efeitos de fontes de energia amiláceas (milho e milheto) ou fibrosas (polpa cítrica e farelo de trigo) em suplementos múltiplos sobre o desempenho e as características nutricionais de bovinos mestiços em pastejo durante o período de transição seca-águas.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em três períodos experimentais de 28 dias, entre os meses de setembro e dezembro de 2006, período de transição seca-águas (Figura 1), no setor de Bovinocultura de Corte da Universidade Federal de Viçosa.

 

 

Utilizaram-se 24 novilhos mestiços Holandês × Zebu, castrados, com peso vivo inicial médio de 314,46 kg e idade média de 24 meses, distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com cinco tratamentos, um deles com quatro repetições e os demais com cinco. A área experimental foi constituída de cinco piquetes de 2,0 ha cada, formados com Brachiaria decumbens Stapf., providos de cochos cobertos. Os lotes de animais divididos de acordo com o tratamento, foram submetidos a rodízio nos piquetes, a cada sete dias, visando reduzir as diferenças na disponibilidade de forragem.

A cada animal destinou-se, casualmente, um dos cinco tratamentos: mistura mineral à vontade (MM), grão de milheto (MLT) ou grão de milho (GM), como fontes amiláceas de energia e polpa cítrica (PC) ou farelo de trigo (FT), como fontes energéticas fibrosas (Tabela 1). Às fontes de energia foram adicionados: mistura mineral, farelo de algodão e uréia para comporem suplementos com 30% de PB, com base na matéria natural.

A quantidade diária de suplemento múltiplo fornecida aos animais foi de 1,5 kg/animal/dia, o que correspondeu ao fornecimento médio de 0,4% do peso vivo (PV), e ao suprimento de aproximadamente 50% das exigências de proteína bruta de um novilho castrado com 350 kg de PV e ganho esperado de 1 kg/dia, segundo recomendações do NRC (2000). Os suplementos foram ofertados diariamente às 10 h, em cocho conjunto dentro de cada piquete, o que permitiu o acesso simultâneo dos animais do mesmo grupo.

Os animais foram pesados no início do experimento e ao final de cada período. As pesagens intermediárias serviram apenas para monitorar o desenvolvimento dos animais, uma vez que o ganho de peso total foi estimado pela diferença entre o peso final e o peso dos animais ao início do experimento.

Para estimativa da disponibilidade total da forragem, fizeram-se coletas do pasto na metade de cada período. Para isso, cortou-se a forrageira a 5 cm do solo em quatro áreas, aleatoriamente dentro de cada piquete, segundo recomendações de McMeniman (1997), com auxílio de um quadrado metálico de 0,25 m2 (0,5 × 0,5 m). As amostras obtidas foram pesadas e homogeneizadas por período, de onde foram retiradas duas amostras compostas: uma destinada à avaliação da disponibilidade total de matéria seca (MS) e outra submetida à avaliação objetivando determinar a composição do pasto, sendo dividida nas frações colmo seco, colmo verde, folha seca e folha verde. Para avaliação da composição química da forragem consumida pelos animais, realizaram-se coletas via simulação manual de pastejo, na metade de cada período experimental.

Das amostras destinadas à estimativa da disponibilidade total de MS, foi calculado o percentual de MS potencialmente digestível (MSpD) ofertada aos animais, por meio do resíduo insolúvel em detergente neutro avaliado após incubação in situ das amostras por 264 horas, segundo a equação descrita por Paulino et al. (2006):

MSpD = 0,98 X (100 - FDN) + (FDN - FDNi),

em que: 0,98 = coeficiente de digestibilidade verdadeiro do conteúdo celular; FDNi = FDN indigestível.

Para avaliação das características nutricionais, foi realizado um ensaio de 10 dias, utilizando-se os mesmos animais da avaliação de desempenho produtivo, realizado durante o segundo período experimental.

Na estimativa da excreção fecal, utilizou-se como indicador externo o óxido crômico, fornecido na quantidade de 10 g/animal/dia, durante os nove primeiros dias do ensaio. O indicador foi acondicionado em cartuchos de papel e introduzido no esôfago, com o auxílio de um aplicador de PVC.

As amostras de fezes foram coletadas entre o oitavo e o décimo dias após o início do fornecimento do indicador, seguindo os horários de coleta: 8º dia - 16 h; 9º dia - 12 h; e 10º dia - 8 h. Depois de secas e moídas (1 mm), as amostras referentes aos diferentes horários de coleta foram compostas, com base no peso seco ao ar.

A excreção de matéria seca fecal estimada foi obtida pela relação entre a quantidade fornecida do indicador e sua concentração nas fezes, segundo Burns et al. (1994):

No 10º dia do ensaio, cerca de 4 horas após a oferta do suplemento, foram realizadas coletas de sangue e amostras spot de urina em micção espontânea dos animais. Após a coleta, as amostras de urina foram diluídas em 40 mL de H2SO4 (0,036N) e congeladas a -20ºC para posterior quantificação dos teores de creatinina, uréia e derivados de purina. As amostras de sangue foram coletadas em tubos a vácuo contendo gel acelerador da coagulação e imediatamente centrifugadas (20 minutos a 2700 x g) e o soro foi congelado (-20ºC) para posteriores quantificações dos teores de uréia.

Amostras de alimentos e fezes pré-secas em estufa de ventilação forçada (60ºC por 72 horas) e processadas em moinho de facas (1 mm) foram incubadas em duplicata (20 mg MS/cm2) em sacos de tecido-não-tecido (TNT - 100 g/m2) no rúmen de duas novilhas mestiças durante 264 horas. Após esse período, o material remanescente da incubação foi submetido à extração com detergente neutro para quantificação dos teores de FDNi e posteriormente à extração com detergente ácido para quantificação dos teores de FDA indigestível.

Para estimação do consumo voluntário de forragem, foi utilizado como indicador interno a FDAi utilizando-se a equação proposta por Detmann et al. (2001):

em que: EF = excreção fecal (kg/dia); CIF = concentração do indicador nas fezes (kg/kg); IS = indicador presente no suplemento (kg/dia); CIFO = concentração do indicador na forragem (kg/kg) e CMSS = consumo de matéria seca de suplemento (kg/dia).

As análises laboratoriais foram realizadas de acordo com as técnicas descritas por Silva & Queiroz (2002) com exceção das avaliações de FDA e FDN, que seguiram os métodos propostos por Van Soest & Robertson (1985) e Mertens (2002), respectivamente. As correções referentes aos teores de cinzas e proteína residuais na FDN e FDA foram realizadas conforme recomendações de Mertens (2002) e Licitra et al. (1996), respectivamente.

Para quantificação dos carboidratos não-fibrosos (CNF) dos suplementos, utilizou-se a equação proposta por Hall (2000) para alimentos que contém uréia:

CNF = 100 - [(%PB - %PBuréia + %uréia) + %FDNcp + %EE + %cinzas]

em que: PB = proteína bruta; PBuréia = proteína bruta da uréia; FDNcp = fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteína; EE = extrato etéreo.

As concentrações de creatinina e ácido úrico na urina e de uréia na urina e no soro foram estimadas pelos métodos de Jaffé modificado (Bioclin K016-1), colorimétrico (UOD-PAP, Bioclin K052) e enzimático colorimétrico (Bioclin K047), respectivamente. Os teores urinários de alantoína foram estimados pelo método colorimétrico, conforme Chen & Gomes (1992). A conversão dos valores de uréia em nitrogênio uréico foi realizada pela multiplicação dos valores obtidos pelo fator 0,466.

O volume urinário diário foi calculado com base na relação entre a excreção diária de creatinina (EC) e o peso vivo (PV), e sua concentração nas amostras spot, adotando como referência a equação proposta por Chizzotti (2004):

EC(mg/kgPV) = 32,27 - 0,01093 x PV

Desta forma, a excreção urinária diária de compostos nitrogenados foi o produto entre sua concentração nas amostras spot e o valor estimado de volume urinário. A excreção total de derivados de purina foi calculada pela soma das quantidades de alantoína e ácido úrico excretados na urina. As purinas absorvidas (Y, mmol/dia) foram calculadas a partir da excreção de derivados de purinas (X, mmol/dia), por meio da equação:

Y = (X - 0,385 x PV0,75)/ 0,85

em que: 0,85 é a recuperação de purinas absorvidas como derivados de purinas e 0,385PV0,75, a contribuição endógena para a excreção de purinas (Verbic et al.,1990).

A síntese ruminal de compostos nitrogenados (Y, g Nmic/dia) foi calculada em relação às purinas absorvidas (X, mmol/dia), utilizando-se a equação descrita por Chen & Gomes (1992), com exceção da relação N purinas:N total das bactérias, na qual foi utilizado o valor de 0,134, conforme Valadares et al. (1999):

Y = 70X /(0,83*0,134*1000)

em que: 70 é o conteúdo de N nas purinas microbianas (mgN/mol); 0,134, a relação N purinas:N total nas bactérias; e 0,83, a digestibilidade das purinas bacterianas.

O experimento foi analisado segundo delineamento inteiramente casualizado, adotando-se como covariável o peso vivo inicial para as variáveis peso vivo final e ganho médio diário. A comparação entre tratamentos foi realizada pela decomposição da soma de quadrados, relacionada a esta fonte por meio de contrastes ortogonais (Tabela 2).

O primeiro contraste (A) foi realizado para avaliar o efeito da suplementação concentrada em relação à mistura mineral. Os contrastes designados pelas letras B, C e D possibilitaram avaliar os efeitos do tipo de fonte de energia (amilácea versus fibrosa), do tipo de fonte amilácea (grão de milheto versus grão de milho) e do tipo de fonte fibrosa (polpa cítrica versus farelo de trigo), respectivamente.

Todos os procedimentos estatísticos foram conduzidos pelo programa SAS (Statistical Analysis System), adotando-se 0,10 como nível crítico de probabilidade para o erro tipo I.

 

Resultados e Discussão

As médias de disponibilidade observadas durante o experimento foram 4,311; 3,026; 1,188; 0,5109; 1,433 e 1,180 t/ha (Figura 2), respectivamente, para matéria seca total (MST), matéria seca potencialmente digestível (MSpD), matéria seca de folha verde (MSFV), matéria seca de folha seca (MSFS), matéria seca de colmo verde (MSCV), matéria seca de colmo seco (MSCS).

Segundo Paulino et al. (2004), a evolução natural de conceitos é a condução do manejo de pastagem com base na oferta de MSpD, uma vez que esse conceito integra quantidade e qualidade do pasto, indepentemente da época do ano. Neste estudo, a disponibilidade média de MSpD, em virtude da alta participação de folhas verdes, colmos verdes imaturos e folhas secas em detrimento à MS de colmos maduros e secos, foi de 69,24% da MST.

No primeiro período experimental, observou-se maior proporção de material senescente, 63% da MST, em razão do período de diferimento que antecedeu o início do experimento. Nos períodos subseqüentes, o aumento da participação de folhas verdes e colmos verdes jovens foram reflexos do crescimento da planta, com maior taxa de renovação em relação à senescência. O alongamento de colmos, expressivo no último período experimental, cuja proporção foi de 50% da MST, é uma conseqüência do aumento de acúmulo de matéria seca, principalmente em plantas tropicais (Sbrissia & Da Silva, 2001). Esta característica é mais expressiva em condições de baixa lotação, como neste estudo, e propiciaria, na maioria das vezes, efeitos negativos sobre o aproveitamento e a qualidade da forragem (Trindade et al., 2007; Sarmento, 2007). Entretanto, de acordo com Hodgson (1990), no início do desenvolvimento, colmos são tão digestíveis quanto tecidos foliares, e não afetam, portanto, o consumo pelos animais.

O valor médio de PB observado (12,01%) na amostra de pastejo simulado (Figura 3; Tabela 3) foi superior ao valor de 9,97% relatado por Moraes et al. (2006a). Os níveis de FDN foram similares aos relatados por Villela (2004); Porto (2005) e Moraes et al. (2006a), cujos valores variaram de 56-65%. Além disso, o teor de FDNi, ao qual tem-se atribuído alta parcela do efeito de repleção ruminal de forrageiras tropicais (Vieira et al., 1997), foi em média 17,04%, valor próximo ao de 17,66% encontrado por Porto (2005).

A fração de compostos nitrogenados não-protéicos (NNP) correspondeu a 34,52% do N total. Em contrapartida, 55,68% da proteína verdadeira apresentou-se na forma de PIDN, fração lentamente degrável e parcialmente indisponível ao animal e aos microrganismos.

Não se verificou efeito da suplementação (P>0,10) sobre o ganho médio diário (g/animal/dia) (Tabela 4). Assim, os animais sob suplementação com fontes energéticas apresentaram, em média, o mesmo desempenho daqueles que receberam apenas sal mineral como suplemento. Possivelmente em virtude da boa qualidade da forragem, os consumos de nutrientes e energia atenderam às exigências dos animais, incluindo o tratamento testemunha (MM), o que contribuiu para esses resultados.

Foi verificado efeito significativo (P<0,10) do tipo de fonte de energia sobre o ganho médio diário (GMD). Os animais que consumiram suplementos à base de fontes fibrosas tiveram ganho médio diário 17,43% (118 g/dia) superiores em relação àqueles que consumiram suplementos múltiplos à base de fontes amiláceas. As fontes dentro de cada categoria não diferiram entre si (P>0,10).

Paulino et al. (2005), em trabalho também realizado no período de transição (seca/águas), não encontraram diferenças significativas para ganho de peso dos animais sob suplementação em relação aos que consumiram apenas mistura mineral. Acedo (2007), ao avaliar diferentes fontes protéicas em suplementos múltiplos no período de transição seca/águas, não verificou ganho adicional de peso para animais que consumiram suplementos a 0,15% do peso vivo, constituídos de milho moído e farelo de soja e à base de farelo de algodão 38% em comparação aos que consumiram apenas mistura mineral. No entanto, quando fornecido suplemento constituído de milho, uréia e farelo de algodão, correspondente a 0,15% do peso vivo, o suplemento propiciou maior ganho de peso em relação à mistura mineral, representando adicional de 190 g/animal/dia.

Verificou-se efeito significativo (P<0,10) dos suplementos múltiplos sobre os consumos de matéria seca (MS) e matéria orgânica (MO) totais (Tabela 5). Os consumos pelos animais que receberam suplemento, expressos em kg/animal/dia ou g/kg de PV, foram superiores aos daqueles que consumiram apenas mistura mineral, no entanto, a oferta de suplemento aos animais não afetou o consumo de MS e MO de pasto (P>0,10). Resultados semelhantes foram observados em ovinos por Garcés-Yépez et al. (1997), que relataram que a suplementação com fontes de energia ricas em amido ou fibra, abaixo de 0,5% do peso vivo, não afetou o consumo de forragem.

O consumo voluntário de matéria seca por ruminantes consumindo forragem é limitado pelo fluxo da digesta pelo trato gastrointestinal, como efeito da repleção ruminal (Allen, 1996). Alta parcela deste efeito, em forrageiras tropicais, tem sido atribuída à fração FDNi (Vieira et al., 1997). O maior consumo de FDNi pelos animais que receberam suplemento (P<0,10) pode ser indicativo do aumento da taxa de passagem e do consumo de MS total por esses animais.

A presença do suplemento pode elevar a taxa de passagem (Souza, 2007), acelerando o processo de remoção dos compostos não-digeridos e indigestíveis da fibra e o turnover da massa residente no rúmen (Allen, 1996). Segundo McCollum & Galyean (1985), a elevação na taxa de passagem de partículas está fortemente relacionada ao aumento no consumo total de MS com a suplementação.

O aumento da taxa de passagem pode ser atribuído ao deslocamento do líquido ruminal (Stokes et al., 1988), uma vez que as partículas do alimento que passam pelo orifício omasal estão suspensas (Poppi et al., 1981, citado por Hess et al., 1994). Assim, alterações positivas no fluxo de líquidos podem levar a maior escape de partículas (Detmann et al., 2005a).

O tipo de fonte energética utilizada e as fontes dentro de cada categoria não diferiram entre si para os parâmetros de consumo avaliados neste trabalho (P<0,10), exceto para o consumo de carboidratos não-fibrosos (CNF), para o qual os animais que consumiram suplementos múltiplos com fontes amiláceas tiveram maior consumo em relação àqueles sob suplementação com fontes fibrosas de energia (P<0,10), em decorrência da menor proporção de CNF nestes suplementos (Tabela 3).

Os animais do grupo controle apresentaram menores consumos de PB, CNF, EE, MS digerida e NDT (kg/animal/dia) em relação àqueles sob suplementação com alimentos energéticos (P<0,10), o que está relacionado à adição direta desses componentes via suplementação, uma vez que não houve efeito substitutivo sobre o consumo de matéria seca de forragem. O consumo de NDT, expresso em relação ao peso vivo (g/kg de PV), não sofreu efeito da suplementação e do tipo de fonte utilizada (P>0,10).

Não houve efeito significativo da suplementação sobre as digestibilidades aparentes totais da MS, MO e FDNcp (P>0,10), o que comprova que, independentemente da fonte energética utilizada, a digestibilidade da FDNcp não foi afetada (P>0,10) (Tabela 6). Este fato torna-se importante, pois evidencia a ausência de efeito deletério sobre a utilização da fração fibrosa, independentemente da fonte, no nível de suplementação avaliado neste estudo.

Os suplementos à base de fontes amiláceas foram superiores àqueles de fontes fibrosas no que se refere à digestibilidade de CNF (P<0,10), devido à diferença de consumo apresentada para esta fração. O menor consumo resultou em digestibilidade aparente mais baixa, em decorrência da menor diluição da contribuição metabólica fecal (Van Soest, 1994).

A digestibilidade aparente da PB foi maior nos animais sob suplementação (P<0,10). Além do efeito de diluição da fração metabólica fecal, resultante do maior consumo desta fração (Tabela 5), a digestibilidade aparente da PB pode ter sido ampliada por maiores perdas de N ruminal.

O suplemento com grão de milheto moído apresentou maior digestibilidade da PB em relação ao suplemento grão de milho (P<0,10). Este fato pode ser explicado pela existência da fração protéica de baixa degradação ruminal do milho chamada α-zeína. Segundo Lanna et al. (1998), dietas ricas com energia à base de milho podem ocasionar redução no nível de amônia ruminal, uma vez que α-zeína reduz, portanto, a produção de proteína microbiana e o desempenho animal.

A digestibilidade da PB foi mais baixa quando os animais receberam suplementação com polpa cítrica em relação ao farelo de trigo (P<0,10). Resultados similares foram obtidos por outros autores (Bhattacharya & Harb, 1973; Chen et al., 1981; Wing et al., 1988), que observaram que níveis crescentes de subprodutos cítricos na dieta de ruminantes afetaram negativamente a digestibilidade da proteína. Lanza (1984), citado por Bampidis & Robinson (2006), reportou que a diminuição da digestibilidade da PB em dietas contendo polpa cítrica pode estar relacionada à alta temperatura de desidratação para a obtenção da polpa ( i.e., > 140ºC).

Os valores observados para a digestibilidade aparente total do EE foram variados, visto o elevado coeficiente de variação e os valores negativos que originaram médias muito inferiores às esperadas, provavelmente em virtude do baixo teor de extrato etéreo da dieta. Por este motivo, a digestibilidade aparente desta fração, para o cálculo do NDT, foi estimada segundo a equação proposta por Detmann et al. (2006a). Não foi verificado efeito significativo (P>0,10) da suplementação, do tipo de fonte energética e das fontes dentro de cada categoria sobre o NDT.

Houve efeito da suplementação (Tabela 7) sobre o nitrogênio sérico (NS) (P<0,10), pois os animais que não receberam suplemento apresentaram média de 12,25 mg/dL e aqueles que receberam suplemento, média de 16,52 mg/dL. A concentração de NS está correlacionada à ingestão de nitrogênio (Harmeyer & Martens, 1980). Assim, o padrão de comportamento dos teores de nitrogênio sérico foi similar ao do consumo de proteína nos suplementos (Tabela 5). Essa observação também foi relatada por Collins & Pritchard (1992).

Segundo Broderick (1995), a concentração elevada de uréia sérica está relacionada à redução no aproveitamento dietético do nitrogênio, uma vez que o excesso de amônia produzido no rúmen precisa ser transformado no fígado em uréia e este processo demanda custo energético, o que poderia afetar negativamente o desempenho dos animais.

De acordo com Valadares et al. (1997), os níveis de uréia plasmática entre 13,52 e 15,15 mg/dL correspondem à máxima eficiência microbiana e provavelmente seriam o limite no qual ocorre perda de proteína em novilhos zebuínos alimentados com 62,5% de NDT.

Os teores de nitrogênio uréico urinário nos animais que não receberam suplemento (P<0,10) foram menores que naqueles recebendo suplemento. Este fato ajuda explicar a menor digestibilidade aparente da PB nos animais sem suplementação (Tabela 6), o que evidencia menores perdas de N ruminal.

Essas evidências ajudam a esclarecer o fato de os animais que não receberam suplemento apresentarem o mesmo desempenho dos animais sob suplementação, em resposta ao melhor aproveitamento do N dietético.

Não houve efeito significativo da suplementação sobre a síntese de Nmic (P>0,10). O valores médios para eficiência microbiana, expressos em g de PB microbiana/ kg de NDT consumido, foram inferiores aos valores de 130 g PB microbiana/kg de NDT empregado pelo NRC (2000) e de 120 g PB microbiana/kg de NDT recomendado por Valadares Filho et al. (2006b) como referência para condições tropicais. Com base no NRC (2000), a produção microbiana pode variar de 53 a 140 g de PB microbiana/kg de NDT e a recomendação de 130 g PB microbiana/kg de NDT é uma generalização e nem sempre se aplica a todas as condições.

Apesar da ausência de efeito significativo (P>0,10), os animais que receberam suplementos múltiplos à base de fontes fibrosas tiveram eficiência microbiana (kg de PB microbiana/kg de NDT) numericamente superior em 20,47% à dos animais que consumiram suplementos múltiplos à base de fontes amiláceas. Além disso, tiveram produção de Nmic numericamente superior em 14,53% e 22,82%, o que significa maior eficiência em converter o nitrogênio ingerido em Nmic.

Os microrganismos responsáveis pela degradação de compostos fibrosos, tanto solúveis quanto insolúveis, crescem utilizando amônia como substrato para a síntese de compostos nitrogenados (Russell et al., 1992). Desta forma, os suplementos utilizados neste estudo, contendo 2,5% de uréia em sua constituição, podem ter favorecido a assimilação do nitrogênio no rúmen em comparação às fontes amiláceas, conforme os resultados obtidos.

A relação Nmic/Ningerido mais favorável ao suplemento com polpa cítrica indica que o menor coeficiente de digestibilidade da PB (Tabela 6) para este suplemento pode estar relacionado ao menor nível de perda ruminal, visto que o consumo de PB foi o mesmo para todos os suplementos. Este fato, aliado à superioridade numérica para a produção de Nmic, sugere a melhor fixação do N ingerido em PB microbiana para o suplemento com polpa cítrica moída e está de acordo com o comportamento numérico do GMD (Tabela 4).

Em estudos de fermentação microbiana em cultura de fluxo contínuo, Ariza et al. (2001) verificaram maior eficiência de produção microbiana expressa em g de Nmic/kg de matéria orgânica verdadeiramente digestível e g de Nmic/g de N digestível para o suplemento com polpa cítrica em detrimento ao uso de fonte energética com alto amido, o que sugere que polpa cítrica, rica em fibra, propicia ambiente ruminal mais favorável à utilização de outros carboidratos (celulose) no rúmen que à fermentação do amido (Ben-Ghedalia et al., 1989).

 

Conclusões

Suplementos múltiplos contendo fontes fibrosas de alta digestibilidade em associação a uréia proporcionam ganhos de peso superiores aos obtidos com suplementos formulados com fontes amiláceas e uréia em animais em pastejo na estação seca/águas, possível reflexo da melhor assimilação microbiana de compostos nitrogenados. A suplementação múltipla no período de transição seca/águas, fornecida a 0,4% do peso vivo, não afeta o desempenho produtivo dos animais, tampouco a digestibilidade da FDNcp, independentemente da fonte de energia utilizada.

 

Literatura Citada

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Este artigo foi recebido em 17/3/2008 e aprovado em 1/9/2008.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: mlnascime@gmail.com
1 Projeto financiado pela Fapemig e pelo CNPq.

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