SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.10 issue4Epidemiologic profile and assessment of response to surgery in patients with spondylodiscitis in the department of spine surgery at Hospital Getulio Vargas in Recife/PEC1 C2 arthrodesis with transarticular screws in rheumatoid arthritis: experience and literature review author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Coluna/Columna

Print version ISSN 1808-1851

Coluna/Columna vol.10 no.4 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-18512011000400006 

ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE ARTÍCULO ORIGINAL

 

Prevalência da escoliose lombar em adultos

 

Prevalence of lumbar scoliosis in adults

 

Prevalencia de la escoliosis lumbar en adultos

 

 

Djalma Castro de Amorim JuniorI; Carlos Fernando P. S. HerreroII; Marcello Nogueira-BarbosaIII; Helton L. A. DefinoIV

IEstagiário do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP - Ribeirão Preto (SP), Brasil
IIMédico Assistente do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP - Ribeirão Preto (SP), Brasil
IIIProf Dr da Divisão de Radiologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade Medicina de Ribeirão Preto - USP - Ribeirão Preto (SP), Brasil
IVProf. Titular do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP - Ribeirão Preto (SP), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a prevalência da escoliose degenerativa do adulto (tipo de novo) em uma amostra da população brasileira.
MÉTODOS: foram estudados 1149 exames radiográficos simples de abdome na incidência anteroposterior, realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no período de julho de 2008 a fevereiro de 2009.
RESULTADOS: a prevalência da escoliose do adulto na amostra da população estudada foi de 1,74%, sendo maior na faixa etária entre 60 e 69 anos. Não foi observada diferença estatisticamente significativa (p = 0,41) entre os sexos, e a medida média do ângulo da escoliose foi de 19,1º.
CONCLUSÃO: A PREVAlência da escoliose do adulto na amostra da população estudada está dentro dos resultados já apresentados na literatura.

Descritores: Coluna vertebral; Dor lombar; Escoliose.


ABSTRACT

OBJECTIVE: to evaluate the prevalence of adult degenerative scoliosis (de novo) in a sample of the population.
METHODS: We studied 1149 plain anteroposterior abdominal radiographs in achieved in the Hospital das Clínicas of the Faculty of Medicine of Ribeirão Preto from July 2008 to February 2009.
RESULTS: The prevalence of scoliosis in the adult population sample studied was 1.74%, being higher in the group aged between 60 and 69 years. There was no statistic significant difference (p=0.41) between the sexes, and the average length of the angle of scoliosis was 19.1º.
CONCLUSION: The prevalence of scoliosis in the sample of the adult population studied is consistent with the presented results in the literature.

Keywords: Spine; Low back pain ; Scoliosis.


RESUMEN

OBJETIVO: Evaluar la prevalenciade la escoliosis degenerativa del adulto (tipo de 'novo') en una muestra de la población.
MÉTODOS: Se estudiaron 1149 radiografías de abdomen simple en proyección anteroposterior; esto se realizó en el Hospital de la Facultad de Medicina de Ribeirão Preto de julio de 2008 a febrero de 2009.
RESULTADOS: La preponderanciade la escoliosis en la población de la muestra de adultos estudiados fue de 1,74%, siendo mayor en el grupo entre 60 y 69 años. No hubo diferencias significativas (p = 0,41) entre los sexos, y la medida promediodel ángulo de la escoliosis fue de 19,1º.
CONCLUSIÓN: La prevalencia de la escoliosis en la muestra de adultos de la población estudiada está de acuerdo con los resultados presentados en la literatura.

Descriptores: Columna vertebral; Dolor en la región lumbar; Escoliosis.


 

 

INTRODUÇÃO

A escoliose do adulto pode ser definida como uma deformidade na coluna vertebral em pacientes esqueleticamente maduros com um ângulo de Cobb maior que 10º. Dentre as muitas causas de escoliose do adulto duas se destacam: a primeira inclui as deformidades decorrentes da escoliose idiopática juvenil e do adolescente, e a segunda inclui os pacientes que desenvolveram a deformidade vertebral após a maturidade esquelética. Este grupo envolve a escoliose secundaria à doença degenerativa e é denominada escoliose degenerativa de novo.

Com o envelhecimento da população e a melhora da qualidade de vida, a escoliose do adulto está se tornando cada vez mais um importante problema de saúde. Relatos da prevalência da escoliose do adulto na população geral apresentam uma variação de 1,4% a 32%1-4. Os problemas relacionados com a escoliose do adulto incluem, além do problema estético, dor e disfunção importante.

Apesar da progressão da deformidade vertebral e as técnicas cirúrgicas para a escoliose do adulto já terem sido relatadas na literatura5,6, poucos estudos de prevalência da escoliose do adulto foram conduzidos2,4. O objetivo deste estudo é estudar a prevalência da escoliose degenerativa de novo em uma amostra da população brasileira.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. A partir de um banco de dados prospectivo, foram avaliados os exames radiográficos realizados no período de julho de 2008 a fevereiro de 2009 no Hospital das Clínicas.

As imagens estudadas compreenderam os exames radiográficos simples do abdome na incidência anteroposterior de pacientes que não tinham o diagnostico prévio de escoliose. Os exames foram solicitados por propósitos outros que não a avaliação da coluna vertebral. O estudo incluiu um total de 1149 imagens, sendo que 526 eram do sexo masculino e 623 eram do sexo feminino.

Os critérios de inclusão foram: pacientes entre 20 e 90 anos de idade, escoliose excedendo 10º medido pelo método de Cobb, análise radiográfica e clínica completa. Os critérios de exclusão foram: cirurgia prévia na coluna vertebral, evidência de fraturas, tumor ou infecção na coluna vertebral, doença osteometabólica e pacientes com menos de 20 anos e pacientes com mais de 90 anos.

A avaliação clínica compreendeu o sexo e a idade dos pacientes. Enquanto a avaliação radiográfica abrangeu a presença ou não de escoliose, a medida da escoliose pelo método de Cobb e a vértebra apical.

Uma vez que todos os dados foram coletados, a população do estudo foi divida em faixas etárias de 10 anos (Tabela 1). A análise estatística para estudo da prevalência da escoliose do adulto foi feita por meio do teste exato de Fischer com o p>0,99.

 

 

RESULTADOS

A população do estudo incluiu 1149 pacientes, sendo que 526 eram do sexo masculino e 623 do sexo feminino (Tabela 1). A média de idade foi de 63,9 anos, variando de 20 a 89 anos.

A escoliose do adulto (ângulo de Cobb maior que 10º) foi observada em 20 pacientes, sendo que 8 pacientes eram do sexo masculino e 12 do sexo feminino (Tabela 2). Assim, a prevalência da escoliose do adulto na população estudada foi de 1,74%.

 

 

Ainda no estudo radiográfico a vértebra apical foi L2 em sete pacientes (35%) e L3 em 13 pacientes (65%). No sexo masculino a idade dos pacientes com escoliose do adulto variou de 53 a 77 (média de 63,9 ± anos) e a vértebra apical foi L2 em três pacientes (37,5%) e L3 em cinco pacientes (62,5%) (Tabela 3). No sexo feminino a idade dos pacientes com deformidade variou de 58 a 75 (66,6 ± anos) e a vértebra apical foi L2 em quatro pacientes (33,33%) e L3 em oito pacientes (66,67%) (Tabela 3).

 

 

Os números de pacientes do sexo masculino e feminino eram estatisticamente iguais. Não houve diferença estatística ao compararmos o número de pacientes do sexo feminino que apresentaram escoliose do adulto com o número de pacientes do sexo masculino com o mesmo diagnóstico (p=0,41). Assim como não houve diferença estatística na média de idade dos pacientes com o diagnóstico de escoliose do adulto ao compararmos os dois sexos.

 

DISCUSSÃO

O aumento evidente da expectativa de vida, assim como uma melhor qualidade de vida mudou a atenção para as doenças degenerativas, pois as pessoas na faixa etária avançada não apenas querem envelhecer, mas também fazê-lo com independência nas atividades diárias.

A escoliose no adulto é uma doença relativamente pouco estudada na literatura, quando comparada às deformidades infantis e do adolescente. Acredita-se que este fato ocorra devido à maior preocupação com as complicações da escoliose no adulto como a estenose, a espondilolistese e a degeneração do disco intervertebral, do que com a escoliose propriamente dita. As doenças associadas e o risco inerente aos procedimentos cirúrgicos também contribuem para essa limitação.

A prevalência de 1,7% encontrada em nosso estudo está de acordo com os relatos prévios da literatura que mostraram uma variação de 1,4% a 32%1-4. Discordando destes valores, Schwab et al.7 avaliando um grupo de voluntários idosos assintomáticos com uma média de idade de 70,5 anos, encontraram uma prevalência de 68% para a escoliose do adulto. Esta discrepância pode estar relacionada com o fato de ser um estudo voluntário, direcionando assim os pacientes envolvidos no estudo para um atendimento especializado.

Robin et al.8 em um estudo sobre a prevalência da escoliose do adulto encontraram diferença estatística entre os sexos sendo mais prevalente no sexo feminino. Tais dados se contrapõem aos achados em nosso estudo e o estudo realizado por Schwab et al.9 que, como demonstrado, não apresentaram diferença estatística entre os sexos.

A avaliação radiográfica de nosso estudo com a medida do ângulo de Cobb e a localização da vértebra apical, está em contradição aos resultados valorizados no estudo de Schawb et al.9 que concluíram existir uma relação entre a sintomatologia dos pacientes com a olistese vertebral e a inclinação das vértebras lombares na escoliose do adulto, dado esse não avaliado em nosso trabalho. No entanto, deve ser considerado que o grupo de pacientes de nosso estudo não apresentavam queixa específica da deformidade, as radiografias não foram realizadas na posição ortostática, e representam uma pequena amostra de uma população submetida a exames radiográficos devido à queixa não relacionada com a deformidade vertebral.

 

CONCLUSÃO

A prevalência da escoliose do adulto foi de 1,7% na população avaliada em nosso estudo. Não foi observada diferença estatística na prevalência entre os sexos e na localização da vértebra apical.

 

REFERÊNCIAS

1. Bollini G, Jouve JL, Lecoq C, Garron E. [Idiopathic scoliosis: evaluation of the results]. Bull Acad Natl Med. 1999;183(4):757-67.         [ Links ]

2. Carter OD, Haynes SG. Prevalence rates for scoliosis in US adults: results from the first National Health and Nutrition Examination Survey. Int J Epidemiol. 1987;16(4):537-44.         [ Links ]

3. Francis RS. Scoliosis screening of 3,000 college-aged women. The Utah Study-phase 2. Phys Ther. 1988;68(10):1513-6.         [ Links ]

4. Grevitt M, Khazim R, Webb J, Mulholland R, Shepperd J. The short form-36 health survey questionnaire in spine surgery. J Bone Joint Surg Br. 1997;79(1):48-52.         [ Links ]

5. Albert TJ, Purtill J, Mesa J, McIntosh T, Balderston RA. Health outcome assessment before and after adult deformity surgery. A prospective study. Spine (Phila Pa 1976). 1995;20(18):2002-4.         [ Links ]

6. Bradford DS, Tay BK, Hu SS. Adult scoliosis: surgical indications, operative management, complications, and outcomes. Spine (Phila Pa 1976). 1999;24(24):2617-29.         [ Links ]

7. Schwab F, Dubey A, Gamez L, El Fegoun AB, Hwang K, Pagala M, et al. Adult scoliosis: prevalence, SF-36, and nutritional parameters in an elderly volunteer population. Spine (Phila Pa 1976).30(9):1082-5.         [ Links ]

8. Robin GC, Span Y, Steinberg R, Makin M, Menczel J. Scoliosis in the elderly: a follow-up study. Spine (Phila Pa 1976). 1982;7(4):355-9.         [ Links ]

9. Schwab FJ, Smith VA, Biserni M, Gamez L, Farcy JP, Pagala M. Adult scoliosis: a quantitative radiographic and clinical analysis. Spine (Phila Pa 1976). 2002;27(4):387-92.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Helton LA Defino, Av. Bandeirantes, 3900, 11º andar
14048-900 - Ribeirão Preto (SP), Brasil
E-mail: hladefin@fmrp.usp.br

Recebido em 22/03/2011, aceito em 11/08/2011.

 

 

Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP - Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor - Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License