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Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação

Print version ISSN 1809-5844On-line version ISSN 1980-3508

Intercom, Rev. Bras. Ciênc. Comun. vol.40 no.3 São Paulo Sept./Dec. 2017

https://doi.org/10.1590/1809-5844201736 

MÍDIA SONORA E PRÁTICAS DE ESCUTA

A consolidação dos estudos de rádio e mídia sonora no século XXI – Chaves conceituais e objetos de pesquisa1

La consolidación de los estudios de radio y medios de comunicación de sonido en el siglo XXI – Claves conceptuales y objetos de investigación

Marcelo Kischinhevsky1 

Lena Benzecry1 

Izani Mustafá1 

Leonardo De Marchi1 

Luãn Chagas1 

Gustavo Ferreira1 

Renata Victor1 

Luana Viana1 

1Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas. Rio de Janeiro – RJ, Brasil


Resumo

O artigo sistematiza os resultados de uma cartografia dos objetos de pesquisa e perspectivas teóricas que nortearam a elaboração dos papers apresentados nos congressos nacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), no Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora, de 2001 a 2015. Busca-se caracterizar o estado da arte das pesquisas no campo, que dá sinais de consolidação após 25 anos de criação do GP e caminha para a internacionalização.

Palavras-chave Comunicação; Rádio; Mídia Sonora; Cartografia; Intercom

Resumen

El artículo sintetiza los resultados de una cartografía de los temas de investigación y perspectivas teóricas que orientaron la preparación de los trabajos presentados en el Congreso Nacional de la Sociedad Brasileña de Estudios Interdisciplinarios de la Comunicación (Intercom), en el ámbito del Grupo de Investigación Radio y Medios de Sonido, de 2001 a 2015. El objetivo es caracterizar el estado del arte actual de la investigación en el campo, que muestra señales de consolidación después de 25 años de creación del grupo y se mueve hacia la internacionalización.

Palabras clave Comunicación; Radio; Medios de Sonido; Cartografía; Intercom

Abstract

This article synthesizes the results of a cartography of research objects and theoretical perspectives that guided the papers presented at the Radio and Sound Media Research Group, in the national congresses of the Brazilian Society of Interdisciplinary Studies of Communication (Intercom), from 2001 to 2015. It seeks to characterize the research state-of-art in the field, which shows signs of consolidation after 25 years of the group’s creation and moves towards internationalization.

Keywords Communication; Radio; Sound Media; Cartography; Intercom

Introdução

O Brasil tornou-se reconhecido internacionalmente como um dos países que mais produzem conhecimento qualificado sobre a radiodifusão sonora. Para os pesquisadores espanhóis Fernández Sande e Gallego Pérez (2016, p.12), “nos últimos anos, o Brasil está na dianteira em termos de produção científica sobre rádio”2. É sintomático que o primeiro número da revista Radio, Sound & Society, recém-criada pela seção de rádio da European Communication Research and Education Association (ECREA), tenha trazido o dossiê Latin Radio. Diversity, Innovation and Policies com a participação de oito pesquisadores brasileiros assinando quatro dos sete artigos.

De acordo com a pesquisadora portuguesa Madalena Oliveira, ex-presidente da ECREA Radio Research Section e uma das editoras da revista, esta proeminência do Brasil deve muito ao Grupo de Pesquisa (GP) Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que completou 25 anos de existência em 2016, construindo “um sólido repertório bibliográfico de referência obrigatória para inúmeros trabalhos de pós-graduação e muitos autores de língua portuguesa e espanhola” (OLIVEIRA, 2016, p.15). O GP inspirou a criação, em 2013, do Grupo de Trabalho de Rádio e Meios Sonoros da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) e avança agora rumo à internacionalização, investindo em diversas frentes.

Nesse contexto, é importante, mais do que comemorar uma simples efeméride, debruçarmo-nos sobre o que foi produzido ao longo dos 25 anos do GP e compreendermos, com mais clareza, em que medida o grupo representa um marco na consolidação das pesquisas sobre radiofonia, música e som no Brasil. Para isso, os anais dos Congressos Brasileiros de Ciências da Comunicação promovidos pela Intercom oferecem rico material de consulta, não apenas para pesquisadores em formação, mas também para amparar investigações de caráter epistemológico, que possibilitem identificar o estado da arte em termos de pesquisa científica no campo.

Com o objetivo de cartografar a produção do GP e identificar tendências, o Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), listado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e liderado pelo primeiro autor deste artigo, realizou levantamento exploratório nos anais dos congressos nacionais da Intercom. O corpus delimitado totaliza 570 artigos publicados no período de 2001 a 2015. Essa escolha se deveu à dificuldade de recuperar os papers dos anos 1990, que representariam uma amostra consideravelmente menor – 125 artigos. Os 18 textos apresentados entre 1991 e 1993 estão indisponíveis e os que compreendem o período entre 1994 e 2000 podem ser consultados no portal da associação, na seção Portcom, mas de forma dispersa3. Daí a decisão de circunscrever o corpus ao século XXI.

Busca-se aqui iniciar uma cartografia do campo, mais no sentido lírico de Martín-Barbero (2002), de tentar organizar um mapa noturno para nos orientarmos e balizarmos futuros levantamentos, do que na acepção trazida por Deleuze e Guattari (1995). Reconhecemos, como Rosário (2016), que há uma diversidade muito grande de usos da cartografia na área da Comunicação, algumas mais, outras menos consistentes do ponto de vista teórico-metodológico.

Assim, cartografia aparece como sinônimo de mapeamento, levantamento de dados ou pesquisa exploratória. Ao que parece, apenas configurando-se como um outro termo para procedimentos já existentes e que tornam superficial a utilização desse conceito. Outros autores a empregam como compilação de dados, ou seja, um modo de apresentar as informações coletadas ao final do trabalho, após o desenvolvimento de um conjunto de procedimentos metodológicos. Por fim, há um grupo que prefere usá-la para a análise de um corpus e tem aqueles que entendem ser conveniente aplicá-la para coletar dados de coletivos humanos.

(ROSÁRIO, 2016, p.178).

Nesse sentido, montou-se uma estrutura de pesquisa característica da cartografia, buscando-se a construção de categorias e subcategorias abrangentes que pudessem auxiliar a organização do trabalho empírico, a partir das diversas correntes epistêmicas no pensamento comunicacional. A partir daí, essas categorias e subcategorias foram sendo tensionadas, rediscutidas e, ocasionalmente, alteradas e subdivididas, para dar conta dos novos caminhos que se apresentavam para a análise.

Os 570 papers do GP Rádio e Mídia Sonora foram analisados a partir de três grandes categorias: Perspectivas Teóricas, Objetos e Perspectivas Metodológicas. Os dados sobre metodologia foram apresentados em caráter preliminar no congresso nacional da Intercom em 2015 e, posteriormente, revistos e ampliados para publicação no livro eletrônico que comemora os 25 anos do GP (KISCHINHEVSKY et al, 2016). O presente artigo tem como foco, complementarmente, o detalhamento dos resultados da análise das chaves conceituais e dos objetos eleitos pelos pesquisadores de rádio e mídia sonora no período.

Foram considerados, na categorização das perspectivas teóricas e objetos, esforços anteriores de análise sobre a produção científica radiofônica no país (HAUSSEN, 2016, 2004; MOREIRA, 2008; MOREIRA; DEL BIANCO, 1999; PRATA, 2015; PRATA; MUSTAFÁ; PESSOA, 2014; LOPEZ; MUSTAFÁ, 2012, entre outros), tanto em termos de defesa de teses e dissertações quanto de publicação de artigos e livros e apresentação de trabalhos relacionados ao campo do rádio e da mídia sonora nos principais eventos da área de Comunicação no país.

Para a categorização, foram levados em consideração inicialmente os títulos, resumos e palavras-chave dos artigos, mas, em muitos casos, estas informações não estavam claras e foi necessário ler a íntegra dos papers. Cabe ressaltar que vários textos foram alocados em mais de uma categoria e, por isso, as somas resultam, em geral, superiores a 100%.

Em relação às perspectivas teóricas, foram elencadas previamente as principais correntes epistêmicas nas áreas de Ciências Sociais Aplicadas e Humanidades, bem como chaves conceituais. Entendemos que tais categorias não são dadas e que até mesmo sua nomeação pode ser controvertida e arbitrária. Quando falamos de semiótica ou economia política da comunicação, por exemplo, estamos, em realidade, falando de uma grande diversidade de correntes de estudos que guardam entre si maior ou menor identidade. Cada campo apresenta, internamente, várias vertentes, vinculadas a teóricos (semiótica peirceana ou greimasiana, por exemplo) ou escolas, definidas de forma a construir artificialmente certa homogeneidade entre trabalhos bastante díspares. Ainda assim, mesmo sob o risco de incorrer em certas reduções, defendemos a necessidade de se construir estas categorias.

Após sucessivos ajustes, como parte da abordagem cartográfica, chegamos à seguinte listagem:

  • História/Memória;

  • Ensino-Aprendizagem/Educomunicação;

  • Economia Política da Comunicação/Políticas de Comunicação;

  • Estudos de Recepção;

  • Semiótica;

  • Análise de Discurso;

  • Linguagens;

  • Cibercultura;

  • Estudos de Jornalismo;

  • Comunicação Comunitária;

  • Comunicação Organizacional;

  • Gêneros;

  • Mediações/Estudos Culturais;

  • Mediatização;

  • Interações/Interacionismo Simbólico;

  • Estética;

  • Imaginário;

  • Identidade;

  • Representações;

  • Cartografia/Panorama/Mapeamento;

  • Oralidade;

  • Cultura do Ouvir/Escuta/Audição; e

  • Performance de Corpo/Voz.

Algumas foram agrupadas devido às afinidades e interfaces evidentes, embora guardem certa diversidade entre si. História e memória, por exemplo, já foram tidos como conceitos distintos, mas cada vez mais são reconhecidos como profundamente imbricados (NORA, 1993; RICOEUR, 2010). Igualmente, nos vimos compelidos a reunir na categoria Ensino-Aprendizagem/Educomunicação trabalhos muito variados entre si, que abordam desde relatos de experiências de ensino-aprendizagem de rádio em cursos de Comunicação até os trabalhos filiados ao campo interdisciplinar que faz a ponte entre Comunicação e Educação. O mesmo ocorreu com os estudos críticos filiados à Economia Política da Comunicação e suas várias vertentes e com os estudos de políticas públicas, regulação dos mercados de radiodifusão e economia da mídia.

Quanto aos objetos, estes foram sendo listados ano a ano e, posteriormente, categorizados. A relação de categorias foi crescendo à medida que o levantamento avançava, exigindo maior delimitação. Ao fim, chegou-se à seguinte listagem:

  • História/Memória de Emissoras, Programas e Personagens;

  • Rádio-Arte;

  • Rádio Público/Educativo;

  • Rádios Comunitárias;

  • Rádio Local/Regional/Rural;

  • Radiojornalismo;

  • Publicidade/Propaganda Radiofônica;

  • Rádio e Política;

  • Teorias do Rádio;

  • Mercado Radiofônico/Gestão;

  • Rádio Religioso;

  • Rádio Esportivo;

  • Rádio Musical;

  • Indústria Fonográfica/Música;

  • Estudos de Som;

  • Rádio-drama/Radionovela;

  • Humor;

  • Radialismo;

  • Convergência Midiática;

  • Web Rádio;

  • Podcasting;

  • Rádio Digital;

  • Interatividade; e

  • Outros.

Assim como nas perspectivas teóricas, foi necessário agrupar alguns dos objetos (Rádio Público e Educativo; Rádio Local, Regional e/ou Rural, por exemplo), devido a clara afinidade entre estes, mas optou-se por conservar algumas categorias independentes, como Web Rádio, Podcasting e Rádio Digital, embora os três estejam inseridos na lógica da Convergência Midiática. Isso ocorreu para que pudesse ser captada a variação de interesse que cada uma dessas modalidades radiofônicas suscitou nos pesquisadores ao longo dos anos.

Perspectivas teóricas

A exemplo do que foi detectado por Haussen (2004) nas pesquisas radiofônicas nos anos 1990, também há um predomínio dos estudos de história e memória no corpus aqui analisado. A participação oscilou ao longo do tempo, mas permaneceu sempre alta, colocando-os em primeiro lugar absoluto, com 201 dos 570 trabalhos publicados nos anais do GP nos congressos nacionais da Intercom no período – o equivalente a 35% do total. A maior presença foi em 2003, quando 22 dos 38 papers aceitos (57,9%) foram listados nesta categoria. A menor, com 11 dos 50 artigos (22%), ocorreu em 2010, época em que o GP, prestes a completar 20 anos, se mobilizava para traçar um panorama do rádio no Brasil, depois sistematizado em coletânea (PRATA, 2011). Efemérides que motivaram livros organizados por integrantes do GP, como os 50 anos de suicídio de Getulio Vargas (BAUMWORCEL, 2004), ajudaram a manter essa participação elevada. Em 2015, a categoria representou 21 dos 56 trabalhos, ou 37,5% do total.

Essa prevalência dos estudos de história e memória ocorre apesar da consolidação da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Rede Alfredo de Carvalho - Alcar), criada em junho de 2001 e que, entre 2003 e 2009, promoveu encontros anuais – a partir daí, os eventos nacionais passaram a ocorrer em caráter bienal, intercalados com os regionais. Embora só em 2011 a Rede Alcar tenha passado a operar com Grupos de Trabalho, incluindo um sobre História da Mídia Sonora, trabalhos sobre rádio podem ser encontrados desde a primeira edição de seus encontros.

Para Ferraretto (2002), a busca pelo aporte teórico da História ajuda a “oferecer uma contribuição não para estabelecer certezas absolutas a respeito do desenvolvimento do veículo [...], mas sim para diminuir as incertezas existentes” (p.21). O pesquisador supõe que, do “testemunho do passado surja alguma luz sobre o presente da radiodifusão sonora” (p.21). Olhamos no retrovisor, mas sempre com a perspectiva do presente, o que suscita uma série de questões de ordem epistemológica.

O fato é que a presença sistemática dos trabalhos de história e memória no GP Rádio e Mídia Sonora da Intercom traz indícios da própria constituição do campo, relegado a segundo plano em nível acadêmico por uma série de fatores4. Entendemos que parte significativa dos artigos analisados envolve mera revisão bibliográfica e hemerográfica, empreendida muitas vezes de forma acrítica. A proliferação de fontes de informação online facilitou significativamente as atividades de pesquisa, mas, também, pressupõe riscos – como a reprodução de informações de origem duvidosa – e tentações – como a mitificação de instituições e personagens pesquisados.

Escrever um artigo acadêmico sobre rádio não pressupõe contar a história de uma emissora ou de um comunicador, de forma linear, sem historicidade, ou de modo memorialístico. Um breve histórico copiado e colado a partir de fontes on-line cada vez mais numerosas e acessíveis não nos traz mais contexto sobre o objeto escolhido, nem qualifica nossas pesquisas. Assim, apenas reproduzimos o que já foi escrito, acriticamente, muitas vezes por gente sem formação acadêmica, contaminada por narrativas enviesadas.

(KISCHINHEVSKY et al, 2016, p.153).

Em segundo lugar, após História/Memória, vem a categoria Cartografia/Panorama/Mapeamento (91, ou 15,9% – desse universo, 15 somente em 2010 e mais oito em 2011, devido à produção de coletânea mencionada anteriormente). Em terceiro, temos quase um empate técnico entre diversas categorias de Perspectivas Teóricas, com destaque para Linguagens (71 artigos, ou 12,5% do total), Estudos de Recepção (70, ou 12,3%) e Ensino-Aprendizagem/Educomunicação (66, ou 11,5%). Os papers relativos a ensino-aprendizagem de rádio e de comunicação e educação se distribuem de forma equilibrada ao longo dos anos. Já os trabalhos sobre linguagens se concentram em 2006, ano em que representaram 44,8% do total, devido às discussões sobre os limites da radiofonia diante das plataformas digitais (sobre o tema, KISCHINHEVSKY; MODESTO, 2014, entre outros).

Em seguida, vêm Cibercultura (47, ou 8,3%), Cultura do Ouvir/Escuta/Audição (41, ou 7,2%), Economia Política da Comunicação/Políticas de Comunicação (39, ou 6,8%), Estética (36, ou 6,3%), Comunicação Comunitária (35, ou 6,1%), Mediações/Estudos Culturais, Análise de Discurso (ambas com 30 artigos, ou 5,2%), Identidade (29, ou 5%), Gêneros (22, ou 3,8%), Oralidade (21, ou 3,6%), Imaginário e Interações (ambos com 20, ou 3,5%).

Quase a totalidade (19) dos papers que têm como chave conceitual as práticas interacionais entre ouvintes e emissoras foi registrada a partir de 2008. Essa expressiva ocorrência talvez seja explicada pela retomada dos estudos identificados com o chamado interacionismo simbólico – corrente que tem o cientista social Erving Goffman entre seus expoentes – e sua aplicação aos estudos radiofônicos.

Na sequência, vêm Representações (19 trabalhos, ou 3,3%), Performance de Corpo/Voz (17, ou 2,9%), Mediatização (14, ou 2,4%) e Estudos de Jornalismo (13, ou 2,2%). Chama a atenção o número exíguo de artigos classificados nas categorias Semiótica (7, ou 1,2%) e Comunicação Organizacional (5, ou 0,8%) – não foi verificada participação significativa de estudos que abordassem o rádio, o som ou a música nos GPs Semiótica da Comunicação e Relações Públicas e Comunicação Organizacional, no período do levantamento, o que poderia justificar o reduzido número de trabalhos com estas perspectivas teóricas no GP Rádio e Mídia Sonora.

O que se pesquisa

A escolha dos objetos guarda estreita correlação com os referenciais teóricos, mas há nuances que indicam claramente as vertentes de pesquisa em rádio e mídia sonora num país de proporções continentais como o Brasil.

O maior número de ocorrências, compatível com as Perspectivas Teóricas, é de trabalhos que buscam delinear a história ou recuperar memórias de emissoras, programas e/ou personagens do rádio (190 artigos, exatamente um terço do total). A diferença em relação aos 201 artigos listados na categoria relativa às chaves conceituais se deve a um pequeno número de papers focados na historiografia do campo, propostas de periodização da história do rádio e da indústria fonográfica no Brasil e/ou ensaios teóricos.

A segunda posição na categoria Objetos é dos papers que abordam o rádio em nível local ou regional ou ainda o rádio rural (127, ou 22,2% do total) – não por coincidência, na maioria dos casos, abordados numa perspectiva histórica. Logo atrás, em terceiro lugar, vêm os artigos que tratam de radiojornalismo (121, ou 21,2%) e, na sequência, aqueles voltados para a convergência midiática em seus mais diversos aspectos (98, ou 17,1%).

Radiojornalismo e Convergência Midiática, aliás, são objetos de pesquisa em franca ascensão. Em 2015, ambas categorias contabilizam número inédito de trabalhos, com 24 (43% do total) e 15 (27%) dos 56 aprovados no GP, respectivamente – a menor participação de papers sobre radiojornalismo havia sido registrada em 2012, com três dos 41 apresentados (7% do total); já no caso de convergência, só em 2002 não houve apresentação de artigos sobre o tema. Apenas 25 (ou 20,6%) dos 121 artigos sobre radiojornalismo, no entanto, recorrem a aportes teóricos relacionados às Teorias do Jornalismo, como as noções de construção social da realidade (TRAQUINA, 2005) e newsmaking (WOLF, 2009). Não seria necessariamente um dever do pesquisador escolher um paradigma específico que conduza os objetos escolhidos do ponto de vista teórico, mas a reflexão sobre questões específicas ligadas às rotinas de produção, à circulação e à recepção pode ser trabalhada de forma coerente quando a natureza da bibliografia converge com seus objetos.

Depois das categorias Radiojornalismo e Convergência Midiática, em quinto lugar vêm os trabalhos que enfocam o rádio público e/ou educativo (53, ou 9,2%), incluindo discussões sobre rádio na escola, educação para as mídias e programas radiofônicos voltados para o público infanto-juvenil; as relações entre rádio e política (38, ou 6,6%, com nítido declínio após 2004, ano em que foi apresentado um recorde de 10 artigos sobre o tema); indústria fonográfica/música (também com 38, ou 6,6%); teorias do rádio (36, ou 6,3%); radiodifusão comunitária (35, ou 6,1%); radioarte (33, ou 5,7%); estudos de som (26, ou 4,5%); e rádio musical (24, ou 4,2%).

Chama a atenção a regularidade dos trabalhos sobre música e/ou indústria fonográfica. Seria possível supor que, como o GP Rádio e Mídia Sonora representava um espaço único no âmbito da Intercom para artigos relacionados a esses temas, o número de papers sobre música e/ou indústria fonográfica declinasse sistematicamente a partir de 2013, com a criação do GP de Comunicação, Música e Entretenimento da Intercom. Este GP reuniu naquele ano 17 apresentações de trabalhos, número que subiu para 26 no ano seguinte e para 44 em 2015 – um sinal inequívoco de uma demanda reprimida, sobretudo de pesquisas relativas a gêneros musicais, consumo midiático e discussões estéticas.

A análise dos dados indica, ainda assim, que a apresentação de trabalhos dedicados ao tema música e/ou indústria fonográfica no GP Rádio e Mídia Sonora se manteve com alguma regularidade ao longo de todo o período analisado (2001-2015). Só em 2003 não houve registro de artigos relacionados à temática. A maior participação se deu em 2007, quando um sexto dos trabalhos (cinco dos 30 apresentados) abordava estes temas. Uma explicação possível para essa persistência da música e da indústria fonográfica no GP Rádio e Mídia Sonora é a abertura de espaço para discussão de temas como: a) direitos autorais; b) critérios para formulação de grades de programação de emissoras musicais; c) distribuição e circulação de fonogramas, de modo articulado com o rádio e com outras plataformas digitais, como os serviços de streaming; entre outros. O resultado do levantamento aponta para uma complementaridade entre os GPs, mas só o tempo dirá como essa participação vai evoluir. O gráfico a seguir exibe os dez objetos mais pesquisados dentro do período pesquisado.

Fonte: Elaboração própria do Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas.

Gráfico 1 Representação gráfica dos dez objetos mais pesquisados nos artigos do GP de Rádio e Mídia Sonora da Intercom, entre 2001 e 2015. Dados em números absolutos. 

Complementando a análise dos dados, certos objetos denotam a variação do interesse dos pesquisadores ao longo dos anos, apresentando expressiva oscilação. Convergência, por exemplo, é objeto de 98 artigos (ou 17,1% do total). Mas se observarmos apenas os anos de 2011 a 2015, veremos que o período conta com 60 desses artigos, ou 61,2% do total classificado nesta categoria. Interatividade, por sua vez, é o foco de 21 artigos, ou 3,68% do total, dos quais 18 foram apresentados a partir de 2009.

Já o podcasting é abordado em 16 papers (ou 3,15%), a partir de 2005, ano em que esta modalidade radiofônica passa a ser discutida na academia, mas cai no esquecimento após 2008, sendo retomado como objeto a partir de 2012 – período que coincide com a emergência de novos modelos de negócios de radiofonia sob demanda.

Outra categoria que mostra forte oscilação é a do rádio digital, objeto de 18 trabalhos (3,68%) no período pesquisado. O pico de interesse ocorre entre 2006 e 2007, quando são apresentados dez papers sobre o tema, isto é, 55,5%, do total de trabalhos dessa categoria. O ápice ocorreu em meio às discussões sobre qual o melhor padrão a ser adotado no Brasil – decisão que acabou sendo adiada por tempo indeterminado após posicionamento público do GP Rádio e Mídia Sonora em favor de critérios básicos para a escolha, como gratuidade no acesso, tecnologia não-proprietária (livre de pagamentos de royalties) e integração com outros meios digitais.

Chama a atenção o número relativamente baixo de trabalhos sobre publicidade/propaganda radiofônica, rádio-drama/radionovelas, web rádios (as três categorias com 19 registros cada, pouco mais de 3% do total, entre 2001 e 2015), mercado radiofônico/gestão de emissoras, com 17 cada, ou 2,9%) e rádio esportivo, com 16 (2,8%). Os artigos sobre rádio esportivo se concentram no ano em que foi publicada coletânea com integrantes do GP sobre o papel do rádio nas Copas do Mundo de Futebol entre 1938 e 2010 (RANGEL; GUERRA, 2012) – seis dos 16 artigos totais, ou seja, 37,5% do montante da categoria. Fechando o ciclo dos temas menos abordados, temos radialismo, com 14 registros (2,45%), rádio e religião, com 10 (1,75%) e humor, com apenas 5 (0,87%).

Panorama das emissoras nas capitais brasileiras (PRATA, 2011) revela o peso da programação de caráter religioso de Norte a Sul do país – no Rio de Janeiro, por exemplo, 17 das 44 emissoras pesquisadas por ocasião do levantamento tinham vínculos com denominações religiosas, na maioria absoluta (mais de 80%) neopentecostais. Um dos raros trabalhos apresentados no GP sobre rádio e religião (PRATA; LOPEZ; CAMPELO, 2014) é justamente um mapeamento que estima em 40% o percentual de estações com programação de cunho religioso em todo o país, um sinal claro de que o segmento está longe de receber a devida atenção na academia.

O mesmo ocorre com o rádio esportivo, considerando-se o peso das transmissões de futebol na grade e no bolo publicitário abocanhado pelas emissoras e pelos narradores. Não há dados atualizados sobre essa importância, mas levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por encomenda da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), abrangendo 917 estações de rádio de todo o país, mostrou que, em 2008, programas esportivos representavam 9,3% das grades de emissoras em Ondas Médias (AM), atrás de programas de variedades (24,2%), música nacional (21,1%), jornalismo (17,5%) e atrações religiosas (14,4%), de acordo com a “Análise do perfil sócio-econômico do setor de radiodifusão no Brasil”, divulgada em 2008. Ainda assim, praticamente inexistem trabalhos acadêmicos que busquem identificar a importância do segmento na radiodifusão e suas especificidades em termos de linguagem, rotinas produtivas e estabelecimento de vínculos com a audiência.

Por fim, surpreende o número igualmente baixo de trabalhos – um a dois por ano – que enfocam a publicidade e a propaganda radiofônicas, levando-se em conta a existência de 445 cursos de graduação presencial em Publicidade e Propaganda em atividade no Brasil5. E não se pode dizer que os trabalhos sobre esta temática estejam inseridos no GP Publicidade e Propaganda, da Intercom, que, entre 2004 e 2013, só registrou três artigos que tinham “rádio” entre as palavras-chave (COVALESKI, 2014). Uma busca nos anais deste GP referentes a 2014 e 2015, feita para a conclusão do presente artigo, não revela mais nenhum trabalho dedicado à publicidade radiofônica. Claramente, a produção publicitária calcada na sonoridade não suscita reflexões e, consequentemente, tem sua potencialidade ignorada pela academia. É possível que estejamos diante de um sintoma da aguda escassez de professores com experiência profissional na produção de spots, jingles e outras peças publicitárias radiofônicas, devido à grande atenção do mercado em torno da publicidade na TV e, mais recentemente, da Internet.

O mesmo pode ser dito em relação ao radialismo, objeto de pouquísimas reflexões. Se excluirmos os quatro trabalhos apresentados em 2015 que abordam o pioneirismo da pesquisadora Zita de Andrade Lima (depois sistematizados em coletânea – MELO; PRATA, 2015), seriam apenas dez artigos em 15 anos. Os cursos de graduação presencial em Radialismo, Rádio e TV ou Rádio, TV e Internet em atividade no país somam 40 e a especialidade se encontra numa encruzilhada, que passa pela discussão de novas diretrizes curriculares6.

Considerações finais

Da análise, emergem percepções sobre os interesses de centenas de pesquisadores que ajudam a traçar um perfil mais claro do campo.

De um lado, percebe-se a qualificação do GP Rádio e Mídia Sonora, com um número crescente de doutores vinculados a Programas de Pós-Graduação em Comunicação e áreas afins (cerca de 20, segundo levantamento interno realizado pelo grupo), bem como de mestres com atuação na Graduação em faculdades particulares de Norte a Sul do país. Exemplar desse processo é o número expressivo de artigos apresentados por pesquisadores em formação.

Em 2001, apenas dois trabalhos (10%) eram declaradamente desdobramentos de dissertações de Mestrado e predominavam artigos apresentados por autores sem titulação informada7. Já em 2015, sete doutorandos e 18 mestrandos apresentaram um total de 23 (o equivalente a 41%) dos 56 trabalhos aprovados no GP. Muitos co-assinam com seus orientadores, pesquisadores com vinculação de muitos anos ao grupo – um sinal de maturidade acadêmica do campo (KISCHINHEVSKY et al, 2016).

Há, contudo, enormes desafios pela frente em relação à densidade das pesquisas em rádio e mídia sonora. Ao privilegiar a abordagem histórica e memorialística de personagens, programas e/ou emissoras de rádios locais, o campo perde de vista questões-chave contemporâneas, como as discussões regulatórias (migração do AM para o FM, políticas de concessões de radiofrequências, fiscalização de cumprimento de obrigações legais), a reconfiguração do mercado (avanço das grandes redes em detrimento de estações locais, incapacidade gerencial e de inovação dos radiodifusores em termos de linguagens e formatos, concorrência com novos atores como os serviços de streaming, precarização das atividades profissionais) e a limitada diversidade de vozes (representação de mulheres, negros, LGBT e minorias, pluralidade de fontes de informação, participação efetiva da audiência).

Ainda assim, entendemos que passos importantes foram dados nos últimos anos nessa direção, possibilitando o adensamento dos estudos de rádio e mídia sonora no Brasil, o que já angariou reconhecimento internacional para o GP. Resta intensificar os esforços de pesquisa nesse momento tão desafiador para a comunicação radiofônica e a mídia sonora em geral, participando não apenas por meio de reflexões desvinculadas de uma perspectiva empírica, mas sobretudo através da construção de conhecimento coletivo que possa ajudar a balizar políticas públicas e, assim, assegurar a sobrevivência de um dos meios de comunicação mais relevantes para a sociedade brasileira. Um meio em que ouvimos os sons da cidade, do país e do mundo e no qual temos que lutar para nos fazermos ouvir.

1Versão revista e ampliada de paper apresentado no XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado em setembro de 2016, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Os autores agradecem à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio dado às pesquisas que resultaram no presente trabalho.

2No original: “In the last years, Brazil is at the forefront in terms of scientific production on radio”.

3Com a reformulação do Portal da Intercom, em 2016, esta seção ficou temporariamente indisponível.

4Pesquisadores de rádio e mídia sonora vêm, em geral, do mercado radiofônico e/ou jornalístico, titulando-se tardiamente. O fazer radiofônico está associado a uma práxis profissional, não raro, vista com desdém pelos teóricos da Comunicação, detentores de postos-chave nas universidades e nas agências de fomento. Apenas na década atual, com a crescente inserção de pensadores do rádio e da mídia sonora na pós-graduação stricto sensu, esse preconceito começa a ser neutralizado, mas ainda há longo caminho pela frente em termos de legitimação acadêmica do campo.

5Consulta realizada no portal do Ministério da Educação: <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em: 5 jul. 2016.

6Consulta realizada no portal do Ministério da Educação. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em: 5 jul. 2016.

7Dados sobre titulação não eram, em geral, explicitados, pois não havia um documento-modelo que indicasse estas informações como relevantes. Vale lembrar que, historicamente, o Intercom é um evento inclusivo, que permite a apresentação de trabalhos por graduados e especialistas. Ainda assim, com a consolidação do GP Rádio e Mídia Sonora, há um predomínio de trabalhos apresentados por doutores ao longo dos últimos anos – em 2015, por exemplo, foram 33 artigos assinados por doutores (58,9% do total), individuais ou em parceria com pesquisadores em formação.

Referências

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Recebido: 10 de Novembro de 2016; Aceito: 28 de Agosto de 2017

Marcelo Kischinhevsky

Bacharel em Comunicação, habilitação em Jornalismo (1993), com Mestrado (1998) e Doutorado (2004) em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), é professor do Departamento de Jornalismo e dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Mestrado e Doutorado) e em Jornalismo Cultural (Especialização) da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ). Coordena desde 2009 o Laboratório de Áudio (AudioLab FCS/UERJ). Lidera o Grupo de Pesquisa (GP) Mediações e Interações Radiofônicas, listado no CNPq, atuando ainda como coordenador-adjunto do GP Rádio e Mídia Sonora, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). É autor dos livros “Rádio e mídias sociais: mediações e interações radiofônicas em plataformas digitais de comunicação” (Ed. Mauad X, 2016) e “O rádio sem onda – Convergência digital e novos desafios na radiodifusão” (E-Papers, 2007), além de co-organizador das coletâneas “Estudos radiofônicos no Brasil: 25 anos do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom” (Intercom, 2016), “Políticas públicas e pluralidade na comunicação e na cultura” (E-Papers, 2013) e “Horizontes do Jornalismo: Formação superior, perspectivas teóricas e novas práticas profissionais” (E-Papers, 2011). E-mail: marcelok@uerj.br.

Lena Benzecry

Bacharel em Comunicação, com habilitação em Produção Editorial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998) e em Jornalismo pelas Faculdades Hélio Alonso (2009), mestre em Memória Social pela Unirio (2008) e doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2015). Desde julho de 2015 é pesquisadora Qualitec na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vinculada ao Laboratório de Pesquisa em Comunicação, Inovação e Cultura (LAMPE/PPGCOM-UERJ). Na mesma instituição universitária, é editora assistente da Revista Logos. Também integra o GP Mediações e Interações Radiofônicas, do AudioLab FCS/UERJ. E-mail: lena.benzecry@gmail.com.

Izani Pibernat Mustafá

Doutora em Comunicação Social (PUCRS), com estágio doutoral na Universidade de Coimbra, em Portugal, mestre em História do Tempo Presente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e graduada em Comunicação Social, habilitação Jornalismo, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É bolsista Qualitec do AudioLab – Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (AudioLab FCS/UERJ), onde trabalha como coordenadora de jornalismo, pesquisadora e professora convidada da disciplina “Comunicação em Rádio”. Faz parte do Grupo de Pesquisa (GP) Mediações e Interações Radiofônicas, listado no CNPq, e do GP Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). É investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC), da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). Autora do livro “Alô, alô, Joinville! Está no ar a Rádio Difusora! A radiodifusão em Joinville/SC (1941-1961)”. E-mail: izani.mustafa@gmail.com.

Leonardo De Marchi

Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, com bolsa concedida pelo CNPq, doutor em Comunicação e Cultura pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ) (2007-2011), com bolsa concedida pela mesma agência. Entre 2009 e 2010, realizou estágio doutoral no Departamento de Jornalismo e Comunicação Audiovisual da Universidade Carlos III de Madri (Espanha), contando com auxílio da CAPES, através da bolsa de PDEE. Entre 2012 e 2015, realizou pesquisa de Pós-Doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com bolsa concedida pela FAPESP. Atualmente, é professor visitante na Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ) e integra o Grupo de Pesquisa (GP) Mediações e Interações Radiofônicas. Autor do livro “A destruição criadora da indústria fonográfica brasileira, 1999-2009: dos discos físicos ao comércio digital de música” (Folio Digital, 2016). E-mail: leonardodemarchi@gmail.com.

Luãn José Vaz Chagas

Jornalista graduado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJor) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), integra o Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas e é bolsista da Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa no Rio de Janeiro (FAPERJ). E-mail: luaanchagas@gmail.com.

Gustavo Ferreira

Doutorando em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO). Professor colaborador no curso de Comunicação e Multimeios da Universidade Estadual de Maringá (UEM), integra o Grupo de Pesquisa Mediações e Interações Radiofônicas. E-mail: guzferreira@gmail.com.

Renata Guimarães Victor de Oliveira

Mestranda em Comunicação na UERJ, é pós-graduada em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes (2004) e graduada em Comunicação Social pela UniCarioca (2001). Professora substituta de Jornalismo na FCS/UERJ e na ECO/UFRJ. Membro da equipe de professores da UNIRR, União e Inclusão em Redes de Rádio, desde 2005, atualmente integrando a equipe de coordenação da ONG. E-mail: renatavictoronline@gmail.com.

Luana Viana

Mestranda em Comunicação e Temporalidades na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e bacharel em Jornalismo pela mesma instituição, integra os Grupos de Pesquisa Convergência e Jornalismo (Conjor) e Mediações e Interações Radiofônicas. E-mail: lviana.s@hotmail.com.

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