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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.21 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2018

https://doi.org/10.1590/1981-22562018021.180043 

ARTIGOS ORIGINAIS

Prevalência e fatores associados à fragilidade em idosos usuários da Estratégia Saúde da Família

Ádila de Queiroz Neves1 

Ageo Mário Cândido da Silva2 

Juliana Fernandes Cabral3 

Inês Echenique Mattos4 

Lívia Maria Santiago5 

1 Universidade Federal de Mato Grosso, Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva.

2 Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Saúde Coletiva, Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Cuiabá, Mato Grosso.

3 Universidade do Estado de Mato Grosso, Departamento de Enfermagem. Tangará da Serra, Mato Grosso, Brasil.

4 Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública. Departamento de Epidemiologia. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

5 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina, Departamento de Fonoaudiologia, Programa de Pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.


Resumo

Objetivo

: analisar a prevalência e fatores associados à fragilidade em idosos usuários da Estratégia Saúde da Família.

Método

: estudo epidemiológico de corte transversal com 377 idosos. A variável dependente, a fragilidade, foi investigada através do Tilburg Frailty Indicator (TFI). As variáveis independentes foram as sociodemográficas e as condições de saúde (avaliadas através dos instrumentos validados: Escala de Katz, Escala de Lawton, Escala de Depressão Geriátrica - GDS-15, Miniavaliação Nutricional - MAN, CIRS-G e polifarmácia). Foi realizada análise descritiva das variáveis categóricas e numéricas. Na análise bivariada calculou-se as razões de prevalência através do teste qui-quadrado de Mantel Haenszel e, na análise múltipla, utilizou-se a regressão de Poisson.

Resultados

: a prevalência estimada de fragilidade para a amostra foi de 65,25%. Na análise múltipla as variáveis estado civil (divorciado ou separado, viúvo ou solteiro), presença de sintomas depressivos, dependência em atividades instrumentais de vida diária, estado nutricional (desnutrição/risco de desnutrição) e presença de comorbidades se mantiveram associadas, com significância estatística, à fragilidade.

Conclusão

: o presente estudo apontou elevada prevalência de fragilidade, ressaltando a importância no conhecimento dessa temática a fim de estimular ações preventivas para minimizar desfechos adversos na população idosa, como hospitalização, quedas, fraturas e morte.

Palavras-chave: Fragilidade; Saúde do Idoso; Fatores de Risco

Resumo

Objetivo

: analisar a prevalência e fatores associados à fragilidade em idosos usuários da Estratégia Saúde da Família.

Método

: estudo epidemiológico de corte transversal com 377 idosos. A variável dependente, a fragilidade, foi investigada através do Tilburg Frailty Indicator (TFI). As variáveis independentes foram as sociodemográficas e as condições de saúde (avaliadas através dos instrumentos validados: Escala de Katz, Escala de Lawton, Escala de Depressão Geriátrica - GDS-15, Miniavaliação Nutricional - MAN, CIRS-G e polifarmácia). Foi realizada análise descritiva das variáveis categóricas e numéricas. Na análise bivariada calculou-se as razões de prevalência através do teste qui-quadrado de Mantel Haenszel e, na análise múltipla, utilizou-se a regressão de Poisson.

Resultados

: a prevalência estimada de fragilidade para a amostra foi de 65,25%. Na análise múltipla as variáveis estado civil (divorciado ou separado, viúvo ou solteiro), presença de sintomas depressivos, dependência em atividades instrumentais de vida diária, estado nutricional (desnutrição/risco de desnutrição) e presença de comorbidades se mantiveram associadas, com significância estatística, à fragilidade.

Conclusão

: o presente estudo apontou elevada prevalência de fragilidade, ressaltando a importância no conhecimento dessa temática a fim de estimular ações preventivas para minimizar desfechos adversos na população idosa, como hospitalização, quedas, fraturas e morte.

Keywords: Frailty; Health of the Elderly; Risk Factors

INTRODUÇÃO

O termo envelhecimento tem sido usualmente utilizado para descrever diferentes alterações que ocorrem ao longo da vida. No nível biológico o envelhecimento é associado ao acúmulo de uma variedade de danos moleculares e celulares. Neste contexto, ocorre perda gradual nas reservas fisiológicas, aumento do risco de desenvolver diversas doenças e declínio geral da capacidade intrínseca do indivíduo. Esse processo não ocorre de forma linear, mas de maneira dinâmica e progressiva1.

As pesquisas demográficas mais recentes apontam que o Brasil, assim como muitos países em desenvolvimento, enfrenta rápido processo de envelhecimento populacional levando a um grande aumento na demanda pelos serviços de atenção à saúde2.

No Brasil, a porta de entrada e atendimento da demanda espontânea da saúde do idoso é realizada pela Estratégia Saúde da Família (ESF), através de ações programáticas específicas, definidas pelo Ministério da Saúde3. Contudo, o serviço de saúde, por vezes, tem dificuldade em identificar e interferir em todos os fatores complicadores do processo de envelhecimento.

Neste contexto, a fragilidade vem ganhando importância como mais uma condição de saúde para a identificação de problemas de saúde do idoso4,5. Existem vários conceitos de fragilidade, porém, um dos mais atuais é o definido por Gobbens4, onde esta é considerada uma síndrome multidimensional envolvendo uma interação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais no curso de vida individual, que culmina com um estado de maior vulnerabilidade, associado a maior risco de ocorrência de desfechos adversos, como declínio funcional, quedas, hospitalização, institucionalização e morte.

O Tilburg Frailty Indicator (TFI)6,7, instrumento adaptado transculturalmente e validado para avaliação de fragilidade no Brasil se demonstrou adequado para as condições socioeconômicas e culturais da população brasileira. A literatura tem demonstrado a importância da síndrome da fragilidade entre os idosos e sua relação com os efeitos adversos como quedas, incapacidade, hospitalização e morte. Portanto, a identificação de idosos frágeis na atenção primária à saúde pelo TFI possibilita a elaboração de políticas de saúde adequadas para a prevenção desses eventos adversos e tratamento das incapacidades já instaladas, como instrumento de triagem.

O presente estudo utilizou-se de um instrumento simples, que pode ser aplicado por qualquer profissional de saúde treinado, que abarca não somente características biológicas, mas também dimensões psicológicas e sociais. O estudo vem ao encontro dos objetivos do campo da geriatria e gerontologia, quando busca estudar aspectos biológicos, psicológicos e sociais conjuntamente para melhorar a assistência prestada ao idoso.

Assim, o objetivo do presente estudo foi analisar a prevalência e fatores associados à fragilidade em idosos usuários da Estratégia Saúde da Família.

MÉTODO

Estudo epidemiológico de corte transversal, com indivíduos idosos residentes em Várzea Grande, Mato Grosso, segunda cidade mais populosa do Estado e com fronteira junto à capital do estado, Cuiabá. Sua população é estimada em 282.009 habitantes, sendo 18.030 indivíduos com 60 anos ou mais8.

A amostra foi determinada a partir do cálculo para populações finitas, considerando intervalo de confiança de 95%, erro de amostragem de 5% e prevalência assumida de fragilidade de 50%. Optou-se pela adição de 10% do total da amostra para a realização dos testes de associação. Utilizando-se do modelo de amostragem por conglomerados, foram selecionadas nove ESF das 15 existentes no município à época da coleta de dados. O tamanho da amostra foi dividido proporcionalmente pelas mesmas, de acordo com a população dos 4364 idosos cadastrados nas 15 ESF de Várzea Grande9, 43 idosos na ESF Água Vermelha, 36 idosos na ESF Capão Grande, 52 idosos na ESF Jardim Glória I, 18 idosos na ESF Jardim União, 27 idosos na ESF Manaíra, 29 idosos na ESF Manga, 93 idosos na ESF São Matheus, 55 idosos na ESF Unipark e 24 idosos na ESF Vila Arthur, perfazendo um total de 377 idosos. Caso o idoso apresentasse deficit cognitivo, se recusasse ou estivesse ausente no domicílio no momento da entrevista este era substituído pelo idoso que morava na residência mais próxima. As entrevistas ocorreram no período de março a junho de 2016 no próprio domicílio do idoso e foram aplicadas por três estudantes de medicina e duas enfermeiras, após treinamento e padronização da coleta de dados entre os entrevistadores.

Foram elegíveis para este estudo todos os indivíduos de 60 anos ou mais, tendo como critério de inclusão ser residente permanente no domicílio, foram excluídos indivíduos que apresentavam deficit cognitivo, condições como demência, distúrbios psiquiátricos, deficiência mental, sequela de AVC com comprometimento da linguagem, cegueira e surdez. O deficit cognitivo foi avaliado pelo Miniexame do Estado Mental (MEEM), sendo utilizada a versão adaptada para a população brasileira que considera dois pontos de corte diferentes de acordo com o nível de escolaridade10.

A variável dependente do estudo foi a presença de fragilidade, avaliada por meio do Instrumento Tilburg Frailty Indicator (TFI)6,7. Esse instrumento é constituído por 15 questões objetivas, autorreferidas, distribuídas em três domínios: físico, psicológico e social. A maioria das questões é respondida com sim ou não, excetuando-se quatro questões que incluem a opção às vezes. O resultado final é um escore que varia de zero a 15 pontos. Maior pontuação significa maior nível de fragilidade ou, alternativamente, escores ≥ cinco pontos indicam que o indivíduo é frágil6.

Como variáveis independentes, foram avaliadas características sociodemográficas: idade; sexo; raça/cor autorreferida; estado conjugal; escolaridade; número de moradores ou arranjo familiar (vive sozinho ou acompanhado); e renda per capita (calculada pela divisão da renda familiar total em reais pelo número de pessoas residentes no domicílio). A dependência funcional nas atividades de vida diária (AVD) e nas atividades instrumentais de vida diária (AIVD) foram avaliadas, respectivamente, pelas escalas de Katz e Lawton11,12. Os sintomas depressivos foram investigados pela Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15)13; o risco nutricional foi avaliado pela Mini Avaliação Nutricional (MAN)14; a classificação de comorbidade foi realizada através do instrumento Cumulative Illness Rating Scale (CIRS-G)15, onde neste estudo foram contempladas as catorze morbidades de maior prevalência entre os idosos, sendo posteriormente reagrupadas em até duas e três ou mais morbidades. A polifarmácia foi incluída utilizando-se, como referência, o uso de cinco ou mais medicações regulares16.

Os dados coletados foram digitados duplamente para a comparação entre os bancos, detecção e correção dos erros de digitação.

As variáveis foram descritas em frequências absoluta (n) e relativa (%). Na análise bivariada, foram identificadas as associações entre a variável resposta (fragilidade) e as demais variáveis de exposição. Para o cálculo de significância estatística da associação, utilizou-se o Teste de Qui-Quadrado pelo método de Mantel-Haenszel (IC 95%). Ainda na análise bivariada utilizou-se o Teste Exato de Fisher para as análises onde a frequência esperada era menor do que cinco. As variáveis que apresentaram p ≤ 0,20 foram selecionadas para análise múltipla através da Regressão de Poisson. Após a retirada progressiva das variáveis (stepwise backward), foram mantidas no modelo final aquelas cujo nível de significância manteve-se menor ou igual a 0,05. Optou-se pela Regressão de Poisson como modelo múltiplo em vez da Regressão Logística devido ao fato de que o odds ratio, medida utilizada neste último método, hiperestimar a magnitude da associação quando o evento estudado for comum (não raro). Outro motivo é que na Regressão de Poisson reporta como medida de associação a própria Razão de Prevalência, mesma medida utilizada na análise bivariada.

Este estudo é parte da pesquisa “Vulnerabilidade e fragilidade: proposta de indicadores epidemiológicos para o monitoramento em saúde do idoso na atenção básica de saúde” do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM) sob número do parecer 1.243.299. A estruturação e o planejamento deste projeto seguem as normas dispostas na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

A média de idade da população de estudo foi de 69,6 anos, com mediana de 68,0 anos (±7,48). A maioria dos indivíduos era do sexo feminino (60,21%), cor parda (58,89%); possuíam companheiro (56,24%) e alfabetizados (71,62%) (Tabela 1).

Tabela 1 Aspectos sociodemográficos dos idosos de Várzea Grande, MT, 2016. 

Variáveis n (%)
Sexo
Feminino 227 (60,21)
Masculino 150 (39,79)
Cor
Pardo (a) 222 (58,89)
Branco (a) 73 (19,36)
Preto (a) 71 (18,83)
Amarelo (a) 8 (2,12)
Indígena 1 (0,80)
Estado civil
Casado 186 (49,34)
Vive com companheiro (a) 26 (6,90)
Divorciado ou separado 47 (12,47)
Viúvo 95 (25,20)
Solteiro 23 (6,09)
Escolaridade
Alfabetizado 270 (71,62)
Não alfabetizado 107 (28,38)

Na distribuição dos idosos de acordo com a fragilidade, segundo o ponto de corte proposto pelo TFI, a prevalência estimada para amostra foi de 65,25%. A média do score total deste instrumento na população avaliada foi de 5,93 pontos (valores não descritos em tabela).

Na análise bivariada as variáveis sociodemográficas que se mostraram associadas à fragilidade nesta população foram: ausência de união estável (RP= 1,20 IC 95% 1,04-1,39) e, em relação à escolaridade, não ser alfabetizado (RP= 1,21 IC95% 1,05-1,40) (Tabela 2). As variáveis referentes às condições de saúde com associação à fragilidade foram apresentar dependência para as atividades básicas de vida diária (AVD) (RP= 1,35 IC95% 1,18-1,55); dependência nas AIVD (RP= 1,83 IC95% 1,49-2,24); presença de sintomas depressivos (RP= 1,59 IC95% 1,38-1,82) ou de depressão severa (RP= 1,83 IC95% 1,64-2,05); presença de condição nutricional em risco de desnutrição (RP= 1,44 IC95% 1,23-1,70); ser classificado como desnutrido (RP= 1,91 IC95% 1,68-2,18); ter três ou mais comorbidades (RP= 1,18 IC95% 1,02-1,36) e uso de cinco ou mais medicamentos (RP= 1,23 IC95% 1,05-1,44) (Tabela 3).

Tabela 2 Prevalência e Razão de prevalência de fragilidade segundo características sociodemográficas. Várzea Grande, MT, 2016. 

Prevalência de Fragilidade
Variáveis n (377) Frágil (%) RP* bruta (IC95%) p valor
Sexo
Masculino 150 91 (60,67) 1 0,129
Feminino 227 155 (68,28) 1,12 (0,96-1,31)
Arranjo familiar
Mora acompanhado 319 198 (62,07) 1 0,002
Mora sozinho 58 48 (82,76) 1,33 (1,15-1,54)
Faixa etária
60 a 69 anos 214 141 (65,89) 1
70 a 79 anos 117 79 (59,83) 0,91 (0,76-1,08) 0,274
80 anos ou mais 46 35 (76,09) 1,15 (0,96-1,39) 0,180
Raça/cor
Branco 73 43 (58,90) 1 0,198
Demais 302 202 (66,89) 1,13 (0,92-1,39)
Estado civil
Vive com companheiro 212 127 (58,91) 1 0,013
Vive sem companheiro 165 119 (72,12) 1,20 (1,04-1,39)
Renda per capita
Até 1 SM** 333 219(65,77) 1 0,564
Acima de 1SM 44 27 (61,33) 1,07 (0,84-1,37)
Escolaridade
Alfabetizado 270 166 (61,48) 1 0,014
Não alfabetizado 107 80 (74,77) 1,21 (1,05-1,40)

*Razão de Prevalência; **Salário mínimo vigente no período (R$ 880,00).

Tabela 3 Prevalência e Razão de prevalência de fragilidade segundo, dimensões da saúde global dos idosos de Várzea Grande, MT, 2016. 

Variáveis Prevalência de Fragilidade
n (377) Frágil (%) RP bruta (IC95%) p valor
Atividades básicas de vida diária
Independente 274 163 (59,49) 1 <0,001
Dependente 103 83 (80,58) 1,35 (1,18-1,55)
Atividades Instrumentais de vida diária
Independente 142 61 (42,96) 1 <0,001
Dependente 235 185 (78,72) 1,83 (1,49-2,24)
Condição emocional
Sem depressão 259 141 (54,44) 1
Sintomas de Depressão 97 84 (86,60) 1,59 (1,38-1,82) <0,001
Sintomas de Depressão severa 21 21 (100,00) 1,83 (1,64-2,05) <0,001
Avaliação nutricional
Sem risco 205 107 (52,20) 1
Em risco nutricional 135 102 (75,56) 1,44 (1,23-1,70) <0,001
Desnutrição 37 37 (100,00) 1,91 (1,68-2,18) <0,001
Comorbidades
Até duas 315 198 (62,86) 1 0,030
Três ou mais 62 48 (77,42) 1,18 (1,02-1,36)
Polifarmácia
Não 295 187 (63,39) 1 0,027
Sim 82 59 (71,95) 1,23 (1,05-1,44)

RP: Razão de Prevalência; IC2 95%: intervalo de confiança para a proporção de 95%.

Na análise múltipla através da Regressão de Poisson, permaneceram no modelo as variáveis estado civil (ausência de união estável); apresentar sintomas depressivos ou sintomas de depressão severa, apresentar condição nutricional em risco ou desnutrição propriamente dita, dependência em AIVD e presença de comorbidades que mantiveram associação estatisticamente significativa com fragilidade (Tabela 4).

Tabela 4 Análise do modelo final da regressão de Poisson para variáveis associadas à fragilidade dos idosos do município de Várzea Grande, MT, 2016. 

Variáveis RP* (IC 95%) p valor
Estado civil
Divorciado ou separado/viúvo/solteiro 1,17 (1,033-1,336) 0,014
Estado de depressão
Sintomas de depressão 1,17 (1,001-1,363) 0,050
Depressão severa 1,19 (1,034-1,355) 0,014
Atividades instrumentais de vida diária
Dependente 1,54 (1,261-1,885) <0,001
Avaliação nutricional
Em risco nutricional 1,18 (1,071-1,307) 0,001
Desnutrido 1,72(1,400-2,100) <0,001
Comorbidades
3 ou mais 1,23 (1,055-1,434) 0,008

* Razão de Prevalência.

DISCUSSÃO

A prevalência de fragilidade encontrada neste estudo foi de 65,25%, corroborando com a literatura nacional que tem encontrado grandes prevalências de fragilidade em idosos. Em estudo desenvolvido na Bahia, com 139 idosos residentes na comunidade, cujo método de avaliação para fragilidade utilizado foi o de Fried17, 61,8% eram pré-frágeis e 18,6% eram frágeis. Estudo longitudinal sobre as condições de vida e saúde em países da América Latina e Caribe, que no Brasil envolve os idosos no município de São Paulo, apontou que 40,6% dos idosos eram frágeis18. Contudo, trata-se também de estudo com conceitos de fragilidade e instrumento diferentes, sendo que o TFI contempla além do domínio físico, o psicológico e social. Em estudo com idosos holandeses de 75 anos ou mais que residiam em comunidades, utilizando o instrumento TFI, foi detectado menor prevalência de fragilidade (47%)19.

Importante considerar que instrumentos que avaliam apenas o domínio físico para fragilidade tendem a estimar prevalências de fragilidade menores em populações semelhantes, comparados aos instrumentos que incluem a avaliação de outros domínios, como o psicológico e social. Além disso, existe certa complexidade na padronização do significado de fragilidade. Diferentes instrumentos têm sido experimentados com o objetivo de melhor operacionalizar a identificação da fragilidade com base em julgamento clínico, avaliação geriátrica e acúmulo de déficits20. Entre estes, o TFI parece ser o mais apropriado ao conceito atual da fragilidade7e um dos mais adequados para utilização na avaliação de saúde do idoso na atenção básica21.

No presente estudo, o TFI apresentou forte correlação com a qualidade de vida, em particular os componentes psicológicos e sociais da fragilidade, fortalecendo a definição integral da fragilidade22. Em estudo de revisão para verificar a eficiência do indicador de fragilidade pelo Tilburg Frailty Indicator verificaram-se evidências de sua confiabilidade e validade, além da facilidade e rapidez em sua aplicação. Contudo o próprio autor sugere haver necessidade de outros estudos para grupos específicos, tais como pacientes hospitalizados23.

Desta maneira, existe uma necessidade de avaliação periódica por equipe multidisciplinar para detecção precoce dos sinais de fragilidade24.

A associação encontrada neste estudo entre ausência de união estável e fragilidade não difere de muitos estudos que discutem essa relação. Em estudo que se utilizaram instrumentos unidimensionais, com 958 idosos da zona urbana do município de Uberaba, Minas Gerais, observou-se maior proporção de idosos em situação de fragilidade vivendo sem companheiro25. Estudo que também utilizou instrumento que avaliava apenas o domínio físico identificou que a fragilidade está associada com ser mais idoso, sexo feminino, viver só, baixo peso, ser insuficientemente ativo e com o número de quedas18. Em estudo realizado no México, os autores também encontraram maiores prevalências de fragilidade entre idosos que viviam sozinhos26. A presença de um companheiro pode favorecer a diminuição da instabilidade econômica, fonte de apoio e melhoria nos hábitos de saúde e a ausência de companheiro pode ser um fator estressante, com prejuízo à longevidade, exigindo mudanças e adaptações27. Contudo, tem-se que grande parte dos idosos por vezes opta por morar sozinho, e, nessa condição, estes idosos podem ser menos frágeis.

No presente estudo tanto a dependência para atividades básicas quanto as atividades instrumentais de vida diária foram associadas à presença de fragilidade na análise bivariada, semelhante ao encontrado em estudo28 que utilizou o TFI e avaliou indivíduos com idade de 75 anos ou mais residentes em Roosendaal, Holanda, encontrando fortes associações entre estas variáveis. A incapacidade ou dependência na realização de atividades de vida diária, tanto as básicas quanto as instrumentais, são frequentemente descritas como representativas do processo de incapacidade em estudos de fragilidade25. A detecção precoce da fragilidade é importante no sentido de se prevenir o declínio da capacidade funcional, apontando para certa bidirecionalidade entre incapacidade funcional e fragilidade29.

Estudo brasileiro realizado em Belo Horizonte utilizando instrumento unidimensional encontrou associação entre incapacidade em atividades instrumentais de vida diária em ordem crescente de gravidade aos estágios de fragilidade, assim como com uma maior chance de redução na realização de atividades avançadas de vida diária30. Destaca-se a inexistência de estudos brasileiros até o momento que avaliaram AIVD e fragilidade através do instrumento TFI.

Em relação ao modelo final, apenas a AIVD permaneceu associada à fragilidade, muito provavelmente devido à colinearidade existente entre os instrumentos AVD e AIVD. As incapacidades das atividades instrumentais são as que primeiro ocorrem, fazendo que as demais atividades, incluindo as básicas, não se mantenham associadas quando ambas são inclusas como variáveis explicativas no modelo múltiplo.

No presente estudo foi encontrada associação positiva entre presença de sintomas de depressão e fragilidade. Em estudo que avaliou a relação entre fragilidade, depressão e qualidade de vida em 100 pacientes idosos com insuficiência cardíaca hospitalizados em Wrocław, Polônia, também encontraram essa mesma associação29. Também em estudo já referido anteriormente, utilizando os mesmos instrumentos para classificação de sintomas depressivos, encontrou uma proporção de sintomas depressivos em idosos frágeis significativamente maior quando comparados aos não frágeis25.

Mesmo utilizando diferentes instrumentos para avaliação de sintomas depressivos e fragilidade, outros estudos também sugerem esta associação. Pesquisa encontrou for te associação entre sintomatologia depressiva e fragilidade, sugerindo que estas associações podem estar vinculadas à sobreposição de características coexistentes em tais condições de saúde, como exemplo, a inatividade, a perda de peso, a exaustão e nível reduzido de atividade física31.

A presente pesquisa identificou associação entre risco nutricional e desnutrição associadas à fragilidade. Em estudos que utilizaram instrumentos diferentes para avaliação de fragilidade e estado nutricional, avaliando 143 idosos em hospitais de Viena, Áustria, encontraram prevalência 3 vezes maior em idosos com risco nutricional e 12 vezes maior naqueles com desnutrição já instalada32. Parece que a concomitância destas duas condições de saúde são fatores complicadores para outros desfechos. Em um estudo longitudinal de 143 pacientes com câncer colorretal na Holanda, avaliados antes da quimioterapia através de um instrumento multidimensional GFI (Groningen Frailty Indicator) para classificação da fragilidade e a Mini Avaliação Nutricional encontraram que a desnutrição junto com a fragilidade foi fortemente associada a um aumento do risco de mortalidade desses pacientes33.

A comorbidade foi associada à fragilidade em nossa pesquisa. Estudo para avaliar fatores preditores de fragilidade em idosos vivendo em comunidade na cidade de Roosendaal, Holanda, utilizando o instrumento TFI, encontrou que a presença de comorbidade explicou um adicional de 2,4% na variância da fragilidade, concluindo que a inclusão da avaliação de comorbidades na análise de dados é importante para a completitude do modelo explicativo19. Estudo brasileiro avaliando o perfil de idosos frágeis assistidos em ambulatório de referência de Campinas, São Paulo, encontrou associação entre fragilidade e referência de doenças respiratórias, utilizando, este último, instrumento diferente de nosso estudo para avaliação de fragilidade. O envelhecimento traz maior carga de morbimortalidade, como causa ou consequência da fragilidade. Idosos apresentam um número maior de enfermidades crônicas, em especial as doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, doenças pulmonares, câncer e derrame cerebral, doenças essas referenciadas como sendo as que mais se associam às piores condições de saúde nessa população34.

A polifarmácia foi associada à maior prevalência de fragilidade apenas na análise bivariada. Sabe-se que há uma linha tênue entre o risco e o benefício do uso de polimedicação por idosos, onde uma elevada utilização de medicamentos pode afetar negativamente a qualidade de vida do idoso devido à maior ocorrência de efeitos adversos e interações medicamentosas e, por outro lado, estes mesmos medicamentos são os que ajudam a prolongar a vida, em sua maioria35. Não se deve também desconsiderar o efeito conjunto entre presença de comorbidades e polifarmácia, justificando assim a perda de significância da polifarmácia na análise final.

Apontam-se como limitações do estudo o fato desta pesquisa se caracterizar como sendo do tipo transversal, na qual não há possibilidade de se estabelecer relação de causa e efeito, bem como que alguns instrumentos utilizaram informações subjetivas ou de autorrelato, o que pode levar a viés de memória. Investigações longitudinais são necessárias para tornar robustas as inferências quanto aos indicadores preditivos da fragilidade. Entretanto, a utilização da razão de prevalência como medida de efeito tanto na análise bivariada quanto no modelo múltiplo de Poisson, permitem um bom ajuste das medidas de efeito e impedem a hiperestimação das medidas de associação.

Tem-se como alguns dos aspectos positivos do presente estudo o fato deste ser uns dos primeiros a utilizar o instrumento “Tilburg Frailty Indicator” (TFI) em população de idosos da comunidade no Brasil. O TFI possui uma configuração apropriada, tanto em relação ao conceito atual de fragilidade, como ao contexto sociocultural dos idosos brasileiros11. Além disso, entre os demais instrumentos multidimensionais que avaliam fragilidade, o TFI parece ser o que apresenta melhor acurácia e um dos mais adequados na avaliação conjunta dos domínios físico, psicológico e social dos idosos4.

A identificação de situações de fragilidade deve ser prioridade na atenção primária no sentido de propiciar intervenções precoces, e mitigação do dano através da prevenção primária e secundária em saúde. Assim, é importante conhecer os fatores associados à fragilidade em grupamentos de idosos na saúde pública.

Os resultados mostraram a diversidade de fatores que estão diretamente relacionados à fragilidade e que diferentes aspectos, tanto do cotidiano como do próprio processo fisiológico do envelhecimento, podem influenciar na autonomia e qualidade de vida do idoso.

CONCLUSÃO

A prevalência de fragilidade em idosos da comunidade neste estudo foi elevada. As principais variáveis associadas à fragilidade foram ser divorciado, separado, viúvo ou solteiro, apresentar sintomas de depressão, dependência em atividades de vida diária, estar em risco nutricional e apresentar comorbidades.

A compreensão dos fatores associados à fragilidade, considerando sua natureza multifatorial, são ferramentas primordiais para a elaboração e implementação de ações e de estratégias de prevenção, reabilitação e promoção da saúde.

O Tilburg Frailty Indicator, por avaliar os domínios físico, psicológico e social, tende a detectar idosos com fragilidade nessas dimensões, sendo um importante instrumento para orientar o planejamento do cuidado nas unidades básicas de saúde. Desta maneira, recomenda-se a inclusão deste instrumento para identificação e monitoramento dos idosos frágeis nas Estratégias de Saúde da Família a fim de aprimorar os benefícios à saúde da população idosa.

Além disso, sugere-se outros estudos longitudinais que avaliem a associação de fragilidade com outras condições de saúde em idosos da comunidade e possibilitem a diminuição da ocorrência de desfechos adversos nesta população.

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Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), edital universal 005/2015.

Recebido: 06 de Abril de 2018; Revisado: 05 de Outubro de 2018; Aceito: 17 de Outubro de 2018

Correspondência Juliana Fernandes Cabral julianacabral@unemat.br

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