SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 número25“O DONATÁRIO DA PROVÍNCIA DE PERNAMBUCO”: A ELITE IMPERIAL A PARTIR DA TRAJETÓRIA DE VIDA E LIDERANÇA PARTIDÁRIA DE PEDRO FRANCISCO DE PAULA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE (1840-1875)COMPOSIÇÃO INTELECTUAL COMO FRUTO DE REPERTÓRIOS MOBILIZADOS: O CASO TOBIAS BARRETO índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Almanack

versão On-line ISSN 2236-4633

Almanack  no.25 Guarulhos  2020  Epub 07-Set-2020

https://doi.org/10.1590/2236-463325ea05018 

ARTIGO

DOIS MESTRES DE OFÍCIO ALEMÃES NO RECIFE OITOCENTISTA: MUNDO DO TRABALHO ARTESANAL E SOCIABILIDADES COTIDIANAS

TWO GERMAN CRAFT MASTERS IN 19TH CENTURY RECIFE: WORLD OF ARTISANAL WORK AND EVERYDAY SOCIABILITY

1Universidade Federal Fluminense. Niterói - Rio de Janeiro - Brasil.


Resumo

No Recife oitocentista, artífices brasileiros (pernambucanos e de outras províncias) disputaram mercados com os artesãos europeus. Conflitos entre trabalhadores estrangeiros e nacionais foram uma tônica no referido tempo-espaço. O artigo que entrego ao leitor conta a história de dois mestres de ofícios alemães que experimentaram as referidas conjunturas e construíram estratégias para conquistar serviços (públicos e particulares) e aliados (brasileiros e estrangeiros) para além da pequena comunidade germânica que viveu no Recife oitocentista. Portanto, nesse texto, por meio de significativas evidências empíricas, travaremos contato com as existências do mestre de obras Theodoro Rampk e do mestre marceneiro Remigio Kneip, o que permitirá que conheçamos suas agências e os limites sociais que lhes foram impostas.

Palavras-chave: artífices; alemães; imigração

Abstract

In the nineteenth-century Recife, Brazilian craftsmen (from Pernambuco and other provinces) competed in markets with European artisans. Conflicts between national and foreign workers were a tonic in that time-space. The article that I give to the reader tells the story of two German masters of crafts who have experienced such conjunctures and built strategies to conquer services (public and private) and allies (Brazilians and foreigners) beyond the small German community that lived in the nineteenth-century Recife. Therefore, in this text, through significant empirical evidence, we will be in touch with the existences of the foreman Theodoro Rampk and the master carpenter Remigio Kneip, which will allow us to know his agencies and the social limits imposed on them.

Keywords: craftsmen; Germans; immigration

Baseados nos dados demográficos disponíveis, mesmo conscientes de suas imprecisões, observamos que a população da cidade do Recife cresceu 248% entre os anos 1828 e 1872.3 Esse aumento pode ser atribuído ao movimento migratório vindo do hinterland, basicamente composto por gente livre e liberta de pele escura - pretos, cabras, mulatos, pardos etc. Todos em busca de melhores condições de vida e de trabalho na capital pernambucana. Ao mesmo tempo em que esses grupos de trabalhadores pobres chegavam, existem indícios de que muitos cativos dos bairros centrais e de seus arredores mais rurais foram vendidos para as províncias do sul.4 Por causa dessas dinâmicas, em 1872, apenas 10,7% dos moradores da cidade nortista eram escravos.5 Para este último ano, as fontes ainda indicam que os estrangeiros radicados em Pernambuco contabilizavam apenas 1,6% de sua população geral.6 Em relação aos principais centros das províncias do sul, a congênere do norte recebeu poucos imigrantes europeus no transcorrer do século XIX - existem muitas interpretações sobre o fato, mas não tenho por objetivo descrevê-las ou analisá-las nesse texto.7

O artigo que agora entrego ao leitor lança alguns olhares e faz algumas análises sobre determinadas experiências que envolveram alguns membros da pequena comunidade alemã que se formou no Recife oitocentista. De maneira mais precisa, realizei esse esforço de pesquisa por meio da observação de aspectos da vida cotidiana de dois artífices muito atuantes na cidade: o mestre de obras Theodoro Rampk e o mestre marceneiro Remigio Kneip. Nas fontes disponíveis, portanto, destrinchei suas atividades profissionais e suas múltiplas formas de sociabilidades. Para realizar meu intento, utilizei documentação cartorial, registros de obras em repartições públicas, livros de atas de uma sociedade mutualista, jornais, almanaques etc. Ainda atento às questões metodológicas, apesar de o título de meu texto fazer menção a um genérico século XIX, a investigação possui marcos temporais bem mais delimitados: os últimos anos da década de 1830, momento em que 195 trabalhadores vindos de Hamburgo desembarcaram na capital pernambucana, e meados da década de 1870, período em que foi registrado o falecimento daqueles dois peritos alemães.

Comparativamente à chegada dos 195 artífices alemães em 1839, um dado introdutório muito importante precisa ser revelado. Segundo o censo brasileiro realizado no ano de 1872, 111 alemães moravam no Recife. A maioria esmagadora, 66 deles, estava instalada na próspera freguesia da Boa Vista. Ela compunha a região central da cidade com São Frei Pedro Gonçalves, Santo Antônio e São José - respectivamente com 4, 22 e 4 alemães. Os outros germânicos se espalhavam por Afogados, Graça, Poço da Panela e Jaboatão - da mesma forma, com 3, 4, 7 e 1.8 Em 11 de janeiro de 1873, o Diário de Pernambuco afirmou que toda esta região, mais Várzea, São Lourenço da Mata e Muribeca, que formavam o perímetro da capital da província, somavam 118.478 almas.9 Como podemos facilmente concluir, os alemães representavam apenas 0,09% do censo recifense. Não há dados que permitam afirmar a relação direta entre os números de 1839 e 1872, mas é possível sugerir que a primeira leva de imigrantes europeus incentivou novas chegadas e abriu caminho para a formação de uma pequena comunidade alemã sob os influxos tropicais.

Os primeiros artífices alemães no Recife oitocentista: a Companhia de Operários

Na primeira metade do século XIX, as elites letradas e proprietárias pernambucanas planejaram a revitalização do Recife. As obras haviam sido iniciadas em 1830 sob a chefia do engenheiro alemão J. Bloem.10 Em 1837, o governo conservador do barão da Boa Vista acelerou e deu maior visibilidade àquelas “modernizações”. Nesse momento, segundo a bibliografia especializada, se iniciava a política de “reorganização e do futuro” da província. É dessa época a montagem da Repartição de Obras Públicas. No bojo desse processo, o governo local tomou duas decisões pontuais. A primeira delas foi arregimentar uma Companhia de Operários na Europa. Ela desembarcou no porto do Recife em 1839, contando com 195 alemães. Entre eles, encontramos mestres, contramestres e oficiais - pedreiros, carpinteiros, marceneiros etc. Além de labutarem nos “melhoramentos materiais” da capital pernambucana, os estrangeiros deveriam treinar e “moralizar” a mão de obra local.11 A outra decisão do presidente da província, tomada em 1840, foi contratar o engenheiro francês Louis-Léger Vauthier para dirigir as obras.12

A política do barão da Boa Vista também atraiu para Pernambuco muitos outros agentes do “progresso” e diversas concepções sobre o que seria “modernidade”, “civilização” e “futuro”. Devemos sublinhar que o Recife era uma cidade que se pretendia cosmopolita e referencial com as reformas urbanas dos anos 1830. Por exemplo, os desejos de reforma e ampliação do porto e o projeto de uma “constituição médica” queriam fazer da capital da província um lugar aprazível aos capitais e empreendedores estrangeiros. Por causa dessas preocupações de cunho burguês, aquela década registrou a chegada de muitos franceses e ingleses a Pernambuco. Eles estavam dispostos a se dedicar aos mais variados ramos de negócios.13 Apesar de pertencerem à outra classe social e profissional, os artífices alemães, como vimos, também aportaram no Recife em mesma conjuntura. Cada um desses imigrantes trouxe consigo experiências de vida e diferentes perspectivas sociais. Novas ideias foram “apresentadas” à população local naqueles anos e, provavelmente, colaboraram com significativas mudanças culturais e comportamentais.

Alguns artífices e engenheiros estrangeiros que labutaram na Repartição de Obras Públicas, por exemplo, fizeram circular concepções do chamado “primeiro socialismo” no Recife. É o caso dos artistas mecânicos alemães, que chegaram à cidade em 1839. O pesquisador Alvin W. Goldner afirma que, desde a década de 1830, o mercado alemão se fechava à tradição corporativa por causa da expansão do capitalismo. Por causa do processo de proletarização da mão de obra, muitos bons artífices eram preteridos em diversas empreitadas, pois sua remuneração era considerada alta demais. Sem aceitarem passivamente esta pressão dos empreiteiros, os artífices alemães criaram diálogos mais intensos com alguns intelectuais, como professores, advogados, médicos e jornalistas. A partir destas trocas de ideias, a Alemanha passou a contar com o que o autor chamou de “proletariado intelectualizado”. Na própria década de 1830, este grupo teria iniciado a montagem de associações para reunir e auxiliar seus pares. Para tanto, eles coordenaram o tradicional legado corporativo com princípios cooperativos do chamado “primeiro socialismo”.14

As fontes disponíveis indicam que o arregimentador do barão da Boa Vista, Luiz de Carvalho Paes de Andrade, quando de sua viagem à Europa, esteve atento à crise corporativa alemã dos anos de 1830. Em correspondência trocada com presidente da província de Pernambuco, o emissário especial afirmava que muitos pedreiros e carpinteiros estavam desesperados com suas dívidas, diante da falta de serviços na estação fria. Aproveitando-se de uma oportunidade encontrada em Hamburgo, Paes de Andrade contratou bons mestres e oficiais fazendo alguns adiantamentos para que pudessem honrar alguns compromissos com seus credores. As conjunturas eram tão favoráveis às pretensões do arregimentador pernambucano que ele chegou a dispensar do processo seletivo alguns “indivíduos de culto israelita”.15 Paes de Andrade relatava ao barão da Boa Vista que fez isto não somente pela diferença de culto entre judeus e católicos, mas também porque os primeiros tinham muitos dias santificados em seu calendário. Por esse motivo, segundo a documentação analisada, eles “mal poderiam ser obrigados a trabalhar” nas obras públicas.16

Os manuscritos até aqui compulsados ainda apontam para outro fato curioso. Alguns alemães que foram contratados por Paes de Andrade falavam bem a língua portuguesa. O arregimentador chegou a informar ao presidente da província, barão da Boa Vista, que esses artífices haviam tido alguma experiência pregressa no Império e diziam gostar do Brasil. Além de facilitar o diálogo entre emissários pernambucanos e trabalhadores europeus em solo alemão, eles ainda foram utilizados para encorajar aqueles que se sentiram inseguros para fazer a travessia atlântica.17 As fontes disponíveis não permitem saber em que locais e em que períodos esses artesãos contratados por Paes de Andrade estiveram em nosso país, mas é bastante interessante perceber que o trânsito atlântico era extremamente complexo não somente para aqueles que trabalhavam diretamente com o comércio e com a marinhagem, mas também para certa mão de obra qualificada que labutava com edificações, dependiam da sazonalidade do clima e possuíam uma expertise técnico-estética cobiçada em qualquer canto do mundo que se pretendesse, urbanisticamente, “moderno” e “civilizado”.18

Ao chegarem à cidade do Recife, os trabalhadores alemães qualificados, que conheciam a língua portuguesa e estiveram no Brasil em algum momento de suas vidas, também teriam como tarefa cotidiana viabilizar a comunicação mais imediata entre seus compatriotas e os artífices locais. Lembremos que, além da realização de obras públicas demandas pelo governo pernambucano, a Companhia de Operários alemães deveria treinar e aperfeiçoar a mão de obra nativa. O Artigo 8º do contrato obrigava seus mestres de obras a receber os trabalhadores brasileiros como aprendizes de seus ofícios. Segundo as pesquisas historiográficas disponíveis, os “mapas diários” das atividades da Companhia de Operários alemães, produzidos por fiscais, confirmam que aquele dispositivo contratual foi relativamente respeitado pelos sujeitos envolvidos com as empreitadas.19 Sendo assim, por tudo o que analisamos até aqui, parece evidente que a troca de ideias, ideais, conhecimentos técnicos e experiências sócio-profissionais, que ocorreu entre diferentes trabalhadores europeus e brasileiros, foi uma realidade nos canteiros de obras públicas recifenses.

As insatisfações também fizeram parte das vivências dos estrangeiros, contudo. Pouco tempo depois do desembarque, muitos alemães romperam seus contratos unilateralmente. Ainda em 1839, a Companhia de Operários alemães registrou dezenas de deserções. Essa foi uma constante até 1842, quando findou o contrato. Podemos compreender a reincidência desta atitude. Paes de Andrade havia mentido aos artífices ainda em Hamburgo. Em carta ao barão da Boa Vista, ele informou que como “um bom marceneiro ou outro dificilmente se submeteria a pegar em picaretas numa estrada”, precisou omitir-lhes tal item do contrato20. Além desse vilipêndio, muitos outros destratos devem ter ocorrido cotidianamente. Considerando as análises de Alvin W. Goldner sobre o forte sentimento de dignidade dos artífices alemães, a deserção era a alternativa mais imediata contra o trabalho considerado “indigno”. De fato, aqueles estrangeiros especializados dificilmente aceitariam qualquer trabalho. O abandono do trabalho indica que o governo não conseguiu obter o sucesso desejado com suas falcatruas, frustrando as pretensões do representante pernambucano na Europa.

Theodoro Rampk e Remigio Kneip: mestres de ofício alemães no Recife oitocentista

Atentos às fontes disponíveis, observamos que os nomes de Theodoro Rampk e Remigio Kneip não constam nas listagens de artistas mecânicos que compuseram a Companhia de Operários alemães.21 Contudo, na época da arregimentação feita pelo barão da Boa Vista, ambos os trabalhadores europeus tinham idade suficiente para serem contratados e seguirem viagem para o Brasil. O primeiro deles, com 20 anos, nasceu em 1819.22 O outro, com 21 anos, em 1818.23 Pode ser que tenham viajado para o Recife por própria conta e risco, como aventureiros movidos pela busca da riqueza, logo após a partida dos seus compatriotas. Poderiam também ser parentes ou amigos de algum artífice contratado por Paes de Andrade. Já estabelecidos em terras pernambucanas, os pioneiros talvez tenham convidado aqueles dois artífices para labutar nos trópicos. Apesar da verossimilhança dessas hipóteses, podemos fazer muitas outras especulações sobre o caso. Independentemente do que motivou os dois estrangeiros, parece evidente que a arregimentação da Companhia de Operários alemães foi fundamental para despertar o seu interesse pela travessia atlântica.

A escolha de Theodoro Rampk e Remigio Kneip como norteadores desse artigo deveu-se a alguns fatores muito significativos: os dois artífices alemães começaram sua aprendizagem em um país com forte e consolidada cultura artesanal, enfrentaram a crise europeia das corporações de ofício apostando em uma arriscada mudança continental, lapidaram seu aperfeiçoamento profissional na cidade do Recife, conquistaram profunda penetração no mercado de trabalho pernambucano, teceram sólidas redes sociais em um espaço historicamente avesso ao artesão estrangeiro, adaptaram seus modos de vida (dentro dos limites possíveis) a uma localidade que lhes era absolutamente estranha (do ponto de vista étnico, social, político, cultural e econômico), acumularam cabedais com seus empreendimentos artísticos e continuaram vivendo em sua terra adotiva até o fim de seus dias - falecimentos ocorridos na primeira metade da década de 1870. Não por acaso, a penetração profissional e a visibilidade pública dos dois artistas mecânicos ficaram evidentes por meio da farta documentação que recolhi à época da feitura de minha tese de doutorado.24

Em meados do século XIX, tendo em vista as fontes disponíveis nos arquivos pernambucanos, encontramos os “primeiros” registros oficiais da presença de Theodoro Rampk e Remigio Kneip na cidade do Recife. Em 19 de julho de 1853, aquele primeiro artífice surgiu como mestre pedreiro dos canteiros de obras da Casa de Detenção. Segundo o historiador Flávio de Sá Cavalcanti de Albuquerque Neto, no ano de 1850 observamos o início da construção do suntuoso prédio ligado à ordem pública. A inauguração ocorreu em 1855.25 Mesmo que o governo do barão da Boa Vista tenha terminado no final dos anos 1840, a nova prisão também foi um importante símbolo da “modernização” da capital da província, que utilizou seus equipamentos públicos como uma espécie de “texto civilizatório” até o final do período imperial.26 Em relatório enviado pelo diretor da Repartição de Obras Públicas, engenheiro José Mamede Alves Ferreira, para o presidente da província, José Bento da Cunha Figueiredo, Theodoro Rampk era referido como “mestre de risco tanto de carpina como de pedreiro e [demonstrava] conhecimentos não muito vulgares de sua profissão”.27

Por sua vez, segundo as pesquisas documentais que realizei, podemos afirmar que a “primeira” aparição pública de Remigio Kneip ocorreu em um importante periódico publicado no ano de 1849. Na Folinha de algibeira ou diário ecclesiastico e civil para as Províncias de Pernambuco, Parahiba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagôas para o anno de 1850, o artífice alemão surgiu em suas páginas como proprietário de uma loja de marcenaria no Aterro da Boa Vista.28 A freguesia homônima se desenvolveu consideravelmente (quer do ponto de vista social, quer espacial) a partir das reformas urbanas promovidas pelo barão da Boa Vista, consolidando-se assim como uma importante área residencial (e de recreio) das camadas médias urbanas - tradicionais ou emergentes. Especificamente sobre o Aterro, sabemos que, no transcorrer do século XIX, o logradouro se transformou em destacado ponto do comércio a retalho da cidade do Recife. Com a visita da família imperial à capital pernambucana, ocorrida em 1859, o local passou a se chamar Rua da Imperatriz d. Tereza Cristina - uma homenagem dos vereadores recifenses à esposa de d. Pedro II.29

Como podemos facilmente deduzir, Theodoro Rampk e Remigio Kneip exerciam diferentes artes mecânicas, mas que eram absolutamente complementares. O primeiro artífice estava ligado ao mercado de edificações. O outro produzia o mais variado tipo de mobiliário. Em meados do século XIX, as “primeiras” aparições de ambos os trabalhadores alemães nos deixam dois recados muito claros. Primeiramente, o mestre de obras esteve envolvido com a construção de um prédio público que deveria ser uma espécie de símbolo da “modernidade” pernambucana. Nesse sentido, podemos afirmar que há uma clara conexão entre a presença de Theodoro Rampk nos canteiros de obras da Casa de Detenção e o “espírito” que moveu a arregimentação da Companhia de Operários alemães no final da década de 1830. Em segundo lugar, no caso de Remigio Kneip, a progressiva valorização econômica e social de um logradouro como o Aterro da Boa Vista permite deduzir que a clientela de sua loja de marcenaria era formada pela gente mais bem aquinhoada da cidade do Recife, todos ávidos por belos produtos que decorassem suas casas de residência e de recreio.

Apesar do sucesso profissional aparentemente tranquilo em meados do oitocentos, não podemos afirmar que, no período, a vida cotidiana de pessoas como Theodoro Rampk e Remigio Kneip tenha sido fácil. Direta ou indiretamente, os mais variados tipos de ameaças pairavam sobre suas cabeças - assassinato, roubo, saques, pressões etc. No final da década de 1840, a cidade do Recife foi varrida por movimentos nativistas, sempre pautados pela nacionalização do comércio a retalho e pelo emprego de artífices pernambucanos em oficinas e canteiros de obras - fossem eles particulares ou públicos. A insurreição Praieira foi o ponto alto desse processo histórico rebelde, com seus “mata-marinheiros” e suas escaramuças nas principais ruas recifenses.30 Por outro lado, grupos de trabalhadores pernambucanos, composto por pretos e pardos (livres e libertos), também se organizavam em sociedades mutualistas. Elas pressionavam autoridades governamentais, contratantes particulares e empresários no sentido de empregarem seus membros. Por meio da instrução e da ética corporativa, insistiam que o trabalho dos seus sócios era tão qualificado quanto o dos estrangeiros.31

No tempo, as demandas pela mão de obra de Theodoro Rampk e Remigio Kneip

Na capital pernambucana, durante pouco mais de duas décadas dedicadas às suas artes mecânicas, Theodoro Rampk e Remigio Kneip foram absolutamente fieis aos seus ofícios - e conquistaram o respeito de seus consumidores e contratantes. A natureza do trabalho de Theodoro Rampk permite que encontremos mais registros governamentais sobre seus serviços. Os canteiros de obras (públicas e privadas) eram supervisionados pelos órgãos correspondentes, fossem eles das esferas central, provincial ou municipal. Por seu turno, os vestígios que nos remetem às atividades profissionais de Remigio Kneip são mais difíceis de serem encontrados na documentação produzida pelas autoridades públicas. Genericamente, a maior parte dos móveis produzidos pelo mestre marceneiro deve ter sido comprada por particulares. Perdida a documentação de sua manufatura, ficam perdidos, por exemplo, os recibos e as notas de compra e venda. De qualquer forma, nessa seção, não será possível dar conta de tudo o que compulsei. Apresentarei ao leitor uma pequena amostragem da penetração dos dois artífices alemães em seus respectivos mercados pernambucanos.

Nos canteiros de obras espalhados pelo Recife, notamos que Theodoro Rampk e Rufino Manoel da Cruz Cousseiro foram parceiros de empreitada em alguns serviços contratados pelo poder público. Este último trabalhador qualificado foi um dos mais requisitados mestres carpinas do mercado de edificações, sendo inclusive pernambucano de nascimento. Tudo leva a crer que ele não fosse um homem branco, tendo em vista sua participação em determinadas irmandades e sociedades mutualistas recifenses32 - o que indica a preocupação de Theodoro Rampk em diversificar sua rede de relações. Na Diretoria das Obras Militares, em agosto de 1861, por exemplo, ambos os artífices venceram uma licitação para executarem os consertos da Fortaleza do Brum. Os registros indicam que a empreitada foi concluída com correção e dentro dos prazos previstos. Poucos anos depois, mais precisamente em 1864, ainda encontramos o perito estrangeiro como fiador de Cousseiro nas obras do Quartel do 4º Batalhão de Artilharia a Pé de Olinda. Segundo as fontes, assim como na Fortaleza do Brum, este último serviço também foi realizado com excelência.33

Individualmente, Theodoro Rampk também garantiu para seus contramestres, oficiais e aprendizes uma expressiva parcela dos serviços contratados pela Diretoria das Obras Militares. Em maio de 1861, o mestre pedreiro alemão conseguiu arrematar a construção do chafariz e de oito banheiros que eram demandados pelo Hospital Militar e pelo Quartel do 10º Batalhão de Infantaria. Os respectivos serviços foram acertados pela pequena fortuna de 5:030$000rs, valor um pouco mais baixo do que havia sido orçado pelo departamento responsável. No relatório da mesma repartição pública, expedido em 14 de fevereiro de 1862, confirmamos que o estrangeiro respeitou o valor do contrato e entregou o serviço dentro do prazo às autoridades competentes. O europeu também abocanhou trabalhos de menor aporte financeiro na Diretoria das Obras Militares. De forma quase simultânea, em julho de 1861, suas equipes de trabalho fizeram pequenos reparos nos equipamentos do Hospital Militar e do Quartel do 9º Batalhão de Infantaria. Por fim, nos meses de abril e setembro de 1862, o mestre de obras retornou àquele centro médico para trabalhar em sua caixa d’água e encanamento.34

No ano seguinte, 1863, o mestre de obras Theodoro Rampk venceu uma concorrência para fazer consertos e obras novas na Fortaleza das Cinco Pontas. O estrangeiro também fez o empedramento do Quartel de Cavalaria e a reedificação de parte do muro do 2º Batalhão no Hospício. Em 1864, encontramo-lo executando um imponente sistema de esgotamento sanitário nos Quartel da Soledade, 9º Batalhão de Artilharia, Hospício e Hospital Militar. A empreitada foi contratada junto ao governo central pelo valor total de 7:940$000rs. Apesar do significativo aporte financeiro da arrematação, o perito europeu tinha uma rede social que lhe proporcionava voos bem mais altos - fruto de seus bons serviços e de suas relações com gente pernambucana poderosa. Afiançado pelo barão do Livramento, o alemão ainda deu um lance astronômico (no valor de 30:000$000rs) na licitação que previa a construção dos paióis de pólvora nos subúrbios da Torre - serviço também orçado pela Diretoria das Obras Militares.35 Certamente, o volume de trabalho destes dois serviços proporcionaria longa e abundante ocupação para seus contramestres, oficiais, aprendizes e serventes.

Do ponto de vista legal, é reveladora a disputa que foi travada pela construção dos depósitos de pólvora e de munições nos subúrbios do Recife. Segundo as autoridades competentes, um concorrente chamado Francisco Botelho de Andrade chegou a fazer proposta mais baixa que o mestre alemão Theodoro Rampk - o que garantiria sua vitória na licitação, onde vence o menor orçamento. Contudo, o coronel diretor das Obras Militares fez considerações muito significativas, que ratificam a qualificação e a respeitabilidade profissional do perito europeu. O militar Manoel Ignácio Brito afirmou que a diferença de 200$000rs entre os lances não corresponderia “ao lucro que colherá a Fazenda Nacional dando-se a obra a Theodoro Rampk”. Afinal, o outro empreiteiro “não está nas circunstâncias” do artífice estrangeiro, que era “pessoa mui reconhecida por todos os engenheiros desta província, capaz de bem executar a obra que se projeta fazer”36. Não consegui encontrar o desfecho do caso, mas, caso Theodoro Rampk tenha feito a obra, para além de critérios técnicos, precisamos cogitar também a possibilidade de algum favorecimento político.

Observemos, por fim, as contratações de outro poder público. Em 17 de janeiro de 1866, os vereadores recifenses discutiram um requerimento que havia sido enviado por Theodoro Ramph ao engenheiro cordeador. O peticionário solicitava à autoridade competente que fosse vistoriado o oitão da casa vizinha a que estava construindo na Rua da Conceição, localizada na próspera freguesia da Boa Vista. O artífice estrangeiro construía um imóvel que foi encomendado pelo conselheiro José Bento da Cunha Figueiredo. Como vimos mais acima, o político pernambucano havia sido presidente da província na década de 1850, quando da construção da Casa de Detenção. Recordemos que Theodoro Rampk foi mestre de obras desse importante prédio ligado à ordem pública, o que permite sugerir uma antiga relação pessoal (direta ou indireta) entre as partes. Alguns anos depois, ainda vinculado com a municipalidade, o perito estrangeiro prestou serviços para o fiscal da tradicional freguesia de Santo Antônio. Sob sua fiscalização, o artista mecânico utilizou seus sólidos conhecimentos para vistoriar um prédio incendiado na Rua do Barão da Vitória.37

No transcorrer de sua vida na cidade do Recife, Remigio Kneip manteve sua oficina em mesmo endereço, na Rua da Imperatriz n. 25 - antigo Aterro da Boa Vista.38 Na época em que o artífice alemão faleceu, podemos afirmar que o imóvel térreo não sediava uma manufatura singela. Provas de minha afirmação surgem no inventário dos bens deixados pela artista mecânico estrangeiro, quando de sua morte em 1875. No documento, a imensa casa com três portas de frente havia sido avaliada em 10:000$000rs. A quantidade e a variedade de móveis prontos e estocados na manufatura eram impressionantes, somando o total de 8:945$000rs. Caso tomemos isoladamente os móveis inacabados, madeiras, vidros, espelhos e fechaduras, entre outros materiais de acabamento, o montante chegava aos 12:300$570rs. Os instrumentos de trabalho foram avaliados em 1:390$900rs. Ao considerarmos todos os números arrolados, temos a dimensão do volume de negócios e do tamanho da empresa. No inventário, outra casa na Rua da Imperatriz, n. 27, avaliada em 7:000$000rs, também era de Remigio Rampk. Acredito que ela fosse seu principal depósito de materiais.39

Como comentei oportunamente, seria muito interessante conhecer os documentos contábeis, fiscais e administrativos da manufatura de Remigio Rampk. Assim, poderíamos melhor destrinchar os números do inventário, revelando, entre outros, suas listas de clientes e de fornecedores. Contudo, na falta desse material empírico, os jornais permitem que rastreemos alguns serviços prestados pelo artífice alemão aos poderes públicos. Ao serem impressos, os dados sobre os negócios estatais surgiam na seção “Parte oficial” do Diário de Pernambuco - espaço onde o governo provincial fazia seus informes mais gerais. Nas décadas de 1850 e 1860, por exemplo, há registros de que o artista mecânico estrangeiro foi contratado para confeccionar 18 cadeiras para a Faculdade de Direito do Recife, quatro caixas para uso dos médicos públicos e quatro armários para o arquivo da Secretaria de Polícia.40 Em 1874, observamos que a Assembleia Legislativa encomendou ao mestre marceneiro uma balaustrada e algumas gavetas de jacarandá, que deveriam ser instaladas em sua suntuosa sede. O valor do serviço custou ao erário o valor de 1:200$000rs.41

O sucesso profissional de Remigio Kneip não pode ser medido apenas pelo volume de serviços executados por sua manufatura. Os prêmios que eram oferecidos pelas exposições (provinciais, gerais e universais) permitiam que os artífices agregassem mais prestígio social à sua perícia técnica. Tal peculiaridade criava um círculo virtuoso na vida do trabalhador qualificado, no tocante aos seus ganhos de capital financeiro e simbólico.42 No evento pernambucano que ocorreu no ano de 1872, o mestre marceneiro expôs dois consoles e um toucador de jacarandá. Além de receber uma menção honrosa por seu artesanato, o alemão foi descrito pelos organizadores da festa como “um dos mais hábeis fabricantes de móveis desta cidade [do Recife], proprietário de grandes oficinas regularmente montadas”.43 Alguns anos depois, na exposição provincial de 1875, época de sua morte, o estrangeiro recebeu uma medalha de prata por seu trabalho.44 Ao consultarmos o relatório da exposição de 1866, não encontramos Remigio Rampk entre os participantes.45 Infelizmente, as fontes disponíveis silenciam sobre os motivos de sua ausência.

Theodoro Rampk e Remigio Kneip em torno de uma comunidade alemã

Na seção anterior, quando demonstrei a presença e a representatividade de Theodoro Rampk e Remigio Kneip no mundo do trabalho artesanal recifense, tivemos, colateralmente, uma pequena amostra das redes sociais que envolveram suas vidas cotidianas e profissionais. Nesse sentido, recordemos que os dois mestres alemães construíram relações diretas e/ou indiretas com gente muito importante ligada ao establishment pernambucano, como nobres, deputados provinciais, conselheiros, vereadores, presidentes de província, engenheiros, organizadores de exposições e capitalistas. De uma forma ou de outra, todos esses sujeitos eram representantes das elites políticas, técnicas e econômicas. Por isso, eles circulavam pelos espaços mais privilegiados do Recife. Nessa cidade extremamente excludente, patriarcal e patrimonialista, contar com redes sociais que garantissem uma sólida economia do favor era condição sine qua non para que, por exemplo, os artistas mecânicos pudessem contratar serviços públicos, oferecer produtos mais sofisticados para clientes endinheirados e garantir a circulação de seus nomes no seio da “boa sociedade”.46

Não podemos desconsiderar, contudo, a importância de outras redes sociais construídas por Theodoro Rampk e Remigio Kneip. Especialmente aquelas que foram tecidas com seus compatriotas - por mais que os regionalismos ainda fossem demasiadamente fortes entre os alemães, mesmo após a unificação política e administrativa ocorrida em 1871.47 Como vimos mais acima, no transcorrer do século XIX, a pequena comunidade alemã que viveu no Recife não contava com mais de 200 indivíduos. Ainda que esses estrangeiros experimentassem estranhamentos entre si (por causa das peculiaridades históricas da formação de sua nacionalidade), eles precisavam acionar/construir um sentimento de “origem comum” em uma terra “estranha” e com costumes “exóticos”. Essa atitude de caráter protetor e acolhedor lhes conferiria um senso de solidariedade, de originalidade e de pertencimento frente às ameaças vindas do “outro”.48 Em certa medida, caso consideremos as necessidades mais cotidianas da vida prática, podemos imaginar que pessoas como Theodoro Rampk e Remigio Kneip se sentissem mais alemães em Pernambuco do que em sua própria terra natal.

Uma rápida passagem de olhos nos principais jornais pernambucanos permite que reforcemos tais hipóteses. Em suas páginas, observamos que os alemães radicados no Recife tinham acesso direto às informações sobre o que acontecia em sua terra natal, o que provavelmente motivava encontros e conversas entre eles e fortalecia seus laços culturais mais originais. A famosa Librairie Française, estabelecimento comercial especializado na venda de publicações nacionais e estrangeiras, localizada na Rua do Crespo n. 9, oferecia aos seus clientes, em inícios da década de 1870, diversos periódicos publicados na Alemanha - e em outros países europeus. Dentre os jornais que podiam ser comprados e lidos pelos germânicos na capital pernambucana, podemos listar os seguintes: Deutsche Kriegszeitung, Watch am Rhein, Vom Kriegsschauplatz e Fliegende Kriegsblatter-Daheim.49 Diversos almanaques alemães, com as mais variadas curiosidades e efemérides locais, também eram vendidos naquela badalada livraria recifense. Dentre eles, estava disponível ao público uma série de títulos: Steffens, Travendt, Daheim, Nieritz e Payne.50

Ainda não localizei, nas fontes disponíveis, a existência de associações de caráter nacional e/ou étnico que tenham sido criadas por membros da comunidade alemã que viveu no Recife oitocentista. Isso poderia reforçar seus mais diversos laços. Contudo, apesar do desconhecimento momentâneo, é bastante provável que os germânicos tenham se organizado em grupos com tais características, mesmo que, quantitativamente, fossem demograficamente pouco representativos naquela cidade nortista. Comparativamente, o caso de Juiz de Fora anima essa busca nos arquivos pernambucanos, já que, na década de 1870, apesar de poucos imigrantes alemães terem vivido no município mineiro, há registros do funcionamento da Sociedade Alemã de Beneficência.51 Outro importante indício que fortalece a hipótese proposta é a existência de um ambiente favorável à criação de associações nacionais e/ou étnicas na capital pernambucana. No Recife de meados do século retrasado, por exemplo, os lusitanos se organizaram em entidades muito autorrepresentativas como o Monte Pio Português, o Gabinete Português de Leitura e o Hospital Português de Beneficência.52

Talvez agora o leitor queira saber das possíveis relações (profissionais e pessoais) que foram construídas entre Theodoro Rampk e Remigio Kneip, na medida em que mestres de obras e mestres marceneiros realizavam trabalhos complementares. Pode até ser que os peritos alemães tenham se cruzado em algum serviço, mas, nas fontes disponíveis, não encontrei indícios que permitissem confirmar tal encontro. Contudo, indiretamente, a documentação cartorial sugere que, entre eles, possa ter existido algum tipo de relacionamento mais íntimo e pessoal. No inventário de Theodoro Rampk, observamos que Guilherme Spieler foi um dos avaliadores dos bens que o perito estrangeiro legou aos seus herdeiros - basicamente três imóveis (duas casas e um armazém em mesma rua, localizada na freguesia da Boa Vista), no significativo valor total de 5:800$000.53 Por sua vez, no testamento e no inventário de Remigio Kneip, Guilherme Spieler apareceu como um dos principais beneficiários do mestre marceneiro, pois era casado legitimamente com uma de suas filhas. No documento pesquisado, ela surge como “d. Carolina Luiza Spieler”.54

Guilherme Spieler também era alemão e exercia o mesmo ofício de seu sogro. Nascido em 1832, ele talvez faça parte de uma segunda geração de artífices germânicos que chegou ao Recife atraída por parentes e amigos.55 Carolina Luiza Spieler herdou a manufatura de seu pai. Em seu testamento, Remigio Kneip declarou que deixava para ela “toda a ferramenta e todos os bancos e utensílios de minha fábrica de marcenaria que lhe deve ser de utilidade por ser marceneiro seu marido”.56 Esses dados são muito importantes, considerando que o patriarca teve apenas duas filhas. No mundo do trabalho artesanal, na falta de um filho homem que mantivesse a tradição do ofício, casar uma herdeira com um artista mecânico confiável era uma ótima tática. Segundo o historiador Eric J. Hobsbawm, esse tipo de atitude era muito comum entre os membros da chamada “aristocracia do trabalho”, que nutriam fortes noções de direito familiar. A hereditariedade era algo extremamente importante na cultura corporativa, assim como a continuidade do negócio artístico e a conservação dos segredos que envolviam as práticas do tirocínio artesanal.57

A outra filha de Remigio Kneip era Anna Sander - esse era seu nome de casada, segundo a documentação cartorial. No momento em que o testamento e o inventário do mestre marceneiro alemão foram lidos para seus parentes, ela surgiu como viúva de Gustavo Sander.58 Ao consultarmos os “Avisos diversos” do Diário de Pernambuco de 16 de janeiro de 1861, ficamos sabendo que o esposo de Anna foi um ourives alemão instalado na cidade do Recife. Naquela edição do jornal conservador, o artífice estrangeiro avisava aos seus clientes e ao público em geral que deixava sua antiga loja no Aterro da Boa Vista e passaria a atendê-los na Rua Cabugá n. 9.59 Vimos que, desde 1859, o Aterro da Boa Vista passou a se chamar Rua da Imperatriz. Talvez, no anúncio, o costume tenha feito Gustavo Sander usar o velho nome do logradouro. Os principais periódicos da província fazem crer que o artesão tentou suicidar-se pelo menos duas vezes, tendo alcançado seu intento no final do ano de 1868.60 Dessa forma, compreendemos a viuvez de Anna no testamento e no inventário de seu pai, que faleceu na primeira metade dos anos 1870.

Theodoro Rampk teve um filho homem, para quem foi transmitido o conhecimento artesanal da família. Não temos muitos dados sobre André Rampk, mas sabemos que era filho do mestre de obras, casou com Amélia Augusta de Souza Magalhães em 1872 (a esposa adotou o nome Amélia Rampk) e estava morto no final de 1890.61 Há lacunas sobre o seu local de nascimento. Contudo, as fontes permitem rastrear suas atividades profissionais em alguns canteiros de obras pernambucanos. No ano de 1871, o mestre de obras havia firmado alguns contratos com governo geral para fazer reparos na Faculdade de Direito do Recife, nas rampas dos cais da Rua da Aurora e do Forte do Matos e no cais junto à ponte de Santa Isabel. Para realizar todos esses serviços, o erário pagou ao artífice a quantia de 2:429$000rs.62 Em meados da década de 1870, na “Parte oficial” do Diário de Pernambuco, o governo provincial publicou que havia contratado André Rampk para fazer “os reparos precisos no torreão do relógio do Arsenal de Marinha” e “na sapata da ponte Pedro II” - por esta última empreitada, o artífice recebeu o montante de 1:900$000rs.63

A família de Theodoro Rampk também construiu laços de parentesco com um artífice alemão que vivia e trabalhava no Recife, assim como fez Remigio Kneip quando promoveu o casamento de suas duas únicas filhas. No inventário daquele primeiro patriarca e mestre de obras estrangeiro, percebemos que uma de suas descendentes, chamada Luiza, era casada legitimamente com Herman Walter.64 O cruzamento da fonte cartorial com outras de natureza diversa permite saber que este último indivíduo era um relojoeiro germânico nascido em 1845. É bastante provável que o genro de Theodoro Rampk fosse um irmão mais novo de Carlos Walter, relojoeiro alemão nascido em 1835. Fundamenta minha afirmativa o sobrenome, a nacionalidade, o ofício e os espaços de sociabilidade comuns aos dois artesãos.65 Segundo um importante periódico pernambucano, Carlos Walter exercia sua arte mecânica em uma loja localizada na badalada Rua da Imperatriz n. 18.66 Talvez isso indique que o negócio do relojoeiro desfrutasse de alguma prosperidade material e simbólica, fator que abria portas, por exemplo, no mercado matrimonial.

As relações de Theodoro Rampk e Remigio Kneip com os artífices pernambucanos

Os dados analisados até aqui dão indícios de que existiu uma pequena comunidade de artífices alemães reunida na Rua da Imperatriz, que era um importante logradouro comercial da burguesa freguesia da Boa Vista. Trabalho artesanal, vizinhança, status social positivo, raízes germânicas, costumes comuns e laços familiares constituam seus alicerces. Para além da pretensa competência técnica nas artes mecânicas, tais elementos enriquecem nossa compreensão da proximidade desses estrangeiros com membros das elites letradas e proprietárias pernambucanas - como presidentes de província, nobres, burocratas e engenheiros, sempre ávidos por parecerem europeus. De uma forma geral, nas instâncias mais cotidianas da vida, o zelo da comunidade de artífices alemães com sua identidade não se desdobrou em uma genérica aversão ao português ou ao brasileiro. Vimos que André Rampk se casou com uma Souza Magalhães. As outras três filhas de Theodoro Rampk se uniram com Alfredo Vieira, João Augusto da Fonseca e Miguel Fontoura.67 Infelizmente, não encontrei mais detalhes sobre essa gente nos documentos.

Obviamente, aos estudarmos alguns aspectos das vidas de Theodoro Rampk e Remigio Kneip, não tenho a pretensão de fazer generalizações totalizantes sobre a pequena comunidade alemã que viveu no Recife oitocentista. Contudo, até aqui, apresentei pistas bastante interessantes para realizarmos boas ilações. Ao retomarmos os dados do censo de 1872, por exemplo, relembraremos que o número de germânicos residentes nas principais freguesias recifenses (e em seus arredores) era demograficamente insignificante em relação ao total de habitantes. Sendo assim, ao tomarmos como referência o caso do mestre marceneiro, parecerá ao leitor que os alemães eram fechados, pois, fundamentalmente, construíram laços de parentesco com seus compatriotas. Em contrapartida, não temos a mesma impressão quando observamos a vida cotidiana do mestre de obras. Uma coisa parece evidente nisso tudo: caso os alemães pretendessem construir uma comunidade mais autocentrada e endógena na capital pernambucana, sem contatos mais íntimos com outros grupos étnicos, encontraram muitas dificuldades para alcançar seu intento.

No mundo do trabalho artesanal propriamente dito e em seus espaços de sociabilidades, Theodoro Rampk e Remigio Kneip construíram relações mais ou menos próximas com alguns artífices pernambucanos. Vimos que o primeiro deles possuía certos negócios com o artesão Rufino Manoel da Cruz Cousseiro. As fontes ainda revelam que o mestre de obras desfrutava de alguma intimidade com Feliciano Primo de Souza, um mestre carpina pardo, casado e proprietário de uma oficina na Travessa da Madre de Deus n. 1.68 Este último perito das artes mecânicas também era um destacado membro da Irmandade de São José do Ribamar.69 Localizada na freguesia recifense de São José, o grupo religioso leigo reunia em seus quadros pedreiros, carpinteiros, tanoeiros e calafates.70 Por sua vez, encontramos Remigio Kneip compartilhando experiências cotidianas com o desenhista Joaquim Ildefonso da Motta Silveira.71 Podemos inferir, entre outros aspectos, a conveniência profissional dessas relações pessoais e profissionais. Da mesma forma que pedreiros e carpinas associavam-se em canteiros de obras, desenhistas podiam projetar móveis nas oficinas de marcenaria.

Na época em que compartilhavam momentos da vida cotidiana com Theodoro Rampk e Remigio Kneip, Feliciano Primo de Souza e Joaquim Ildefonso da Motta Silveira eram membros da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais.72 O grupo foi idealizado no final da década de 1830 e oficializado no ano de 1841. Ele foi criado para que os artífices nacionais (especialmente os que fossem pretos e pardos, livres e libertos) encontrassem um espaço para a proteção de seus interesses profissionais, promovessem práticas de auxílio mutuo e fossem escolarizados por meio de aulas noturnas. Não foi por acaso que a entidade surgiu no período da chegada da Companhia de Operários alemães. Por meio de sua nova iniciativa organizacional, os trabalhadores pernambucanos de pele escura queriam afirmar que eram tão qualificados quanto os artífices brancos e europeus. Junto disso, alinhados com os valores da “civilização” e do “progresso”, os membros da sociedade mutualista queriam demonstrar que poderiam contribuir com as obras de “modernização” do Recife, participando, assim, da política de “reorganização e do futuro” promovida pelo barão da Boa Vista.73

Em inícios da década de 1860, Feliciano Primo de Souza e Joaquim Ildefonso da Motta Silveira indicaram os nomes de seus companheiros alemães para comporem os quadros da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais.74 Naquela época, segundo os estatutos da associação recifense, o grupo estava menos refratário à matrícula de mestres estrangeiros. A medida era bastante pragmática, pois era preciso aumentar as redes de empregabilidade do trabalhador nacional associado - fossem eles contramestres, oficiais ou aprendizes. Devidamente sindicado pela comissão responsável e aprovado pelo corpo social, Theodoro Rampk ganhou o título de sócio provecto na sessão magna de 1862.75 Remigio Kneip passou pelo mesmo processo administrativo e recebeu as mesmas honrarias na data festiva do ano seguinte.76 Para receber o grau de sócio provecto, o membro da associação precisava ser mestre habilitado na prática de seu ofício e devidamente estabelecido em sua arte. Como vimos no transcorrer do texto, ambos os mestres alemães preenchiam os pré-requisitos necessários para conquistarem a referida titulação.

Remigio Kneip pouco se interessou pelas rotinas sociais, políticas e administrativas da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Entretanto, Theodoro Rampk foi um sócio bastante ativo. Em 1863, o mestre de obras compôs uma importante comissão para a entrega de diplomas e outros documentos para os sócios honorários.77 Para conquistar este último título, o indivíduo deveria possuir reconhecido talento literário, indubitável prestígio social ou histórico de serviços prestados à entidade artística.78 No ano de 1869, o estrangeiro foi eleito por seus colegas para exercer o cargo de hospitaleiro, que não possuía nenhuma competência deliberativa junto à Mesa Diretora - principal instância de poder da associação.79 Dois anos depois, em 1871, Theodoro Rampk participou da comissão que escolheu o tesoureiro da obra do palacete do Liceu de Artes e Ofícios.80 Naquele mesmo ano, após receber o título de Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, o grupo conquistou junto ao governo provincial a incumbência de criar e gerir o estabelecimento de ensino. A escola ocupou um endereço provisório até 1880, quando a sede ficou pronta.81

Theodoro Rampk não se limitou aos trabalhos burocráticos e administrativos da entidade artística. Ele também atuou junto com outros sócios (mestres de ofício forjados no tirocínio das oficinas) na luta contra os artífices e construtores sem formação tradicional. Rufino Manoel da Cruz Cousseiro foi um dos que cerrou fileiras com o alemão.82 Na década de 1860, os governos municipal, provincial e geral tomaram uma série de decisões no sentido de liberar ainda mais os canteiros de obras para todo aquele que quisesse empreitar - mesmo que não tivesse experiência anterior ou fosse um artista mecânico sem diploma. Por mais que as corporações de ofício tenham sido extintas com a outorga da Constituição de 1824, os artesãos que desfrutaram de suas benesses e/ou foram formados sob a influência de seus costumes comuns sempre tentavam proteger seus interesses profissionais contra o empreiteiro/mestre de obra “ilegítimo”.83 Envolvida nesse combate, em 1863, a Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais chegou a ventilar a hipótese de apoiar algum candidato que defendesse seus interesses na Assembleia Legislativa de Pernambuco.84

Theodoro Rampk também empregou alguns membros da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais em suas empreitadas, satisfazendo assim uma das demandas que levou o grupo mutualista a matriculá-lo. Em certos momentos da década de 1860, essas relações de trabalho foram tensas e debatidas pelos sócios. Lourenço José de Santana, um pernambucano preto que era oficial de pedreiro, reclamou do mestre alemão por ter sido demitido de uma obra sem motivo aparente.85 Contudo, o caso não teve desdobramentos nas atas da entidade artística. Por sua vez, o caso do sócio Antônio Francisco de Santa Ana teve ampla repercussão, devido ao seu nível profissional e à sua importância extramuros. Ele era mestre pedreiro, pernambucano, pardo e membro destacado da Irmandade de São José do Ribamar. As pressões deste último artífice foram responsáveis pela formação de um Conselho de Justiça. Apesar disso, ao fim e ao cabo, a instância de poder foi favorável ao estrangeiro.86 Parece evidente que era muito mais interessante manter Theodoro Rampk na Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais do que repreendê-lo por uma exploração de mão de obra.

Ainda sobre as peculiaridades do mundo do trabalho artesanal, podemos finalizar essa seção fazendo algumas análises sobre o uso da mão de obra escrava pelos dois mestres estrangeiros. Não encontrei dados que façam de Theodoro Rampk um proprietário de cativos. De significativo, como vimos, ele apenas legou bens de raiz aos seus herdeiros.87 No conjunto de suas notáveis posses, Remigio Kneip deixou como herança somente “o escravo crioulo Joaquim”.88 O mestre marceneiro ainda possuiu outro, chamado Luiz. Em 1873, pouco antes de morrer, o artífice alemão mandou prendê-lo na Casa de Detenção do Recife.89 Logo após o fato, não podemos dizer se o encarcerado foi vendido ou trocou sua condição jurídica. Caso Theodoro Rampk e Remigio Kneip tenham tido poucos escravos em suas trajetórias de vida, nada impediria que os alugassem. O Recife tinha muitos cativos de ganho e de aluguel prontos para realizar serviços artesanais. Eles tiveram dois tipos de senhores: pequenos proprietários urbanos, que dispunham de poucas “peças”, e empreiteiros de médio e grande porte, que possuíam quantidades mais consideráveis.90

Considerações finais

O Recife oitocentista era uma cidade nativista. Em meados do século XIX, essa característica ganhou contornos mais dramáticos. Como vimos no transcorrer desse artigo, a política de “reorganização e do futuro” e o projeto de “modernização” urbana da capital pernambucana, idealizados pelo barão da Boa Vista, acirraram ainda mais os conflitos entre trabalhadores nacionais e estrangeiros. A chegada da Companhia de Artífices alemães foi um dos marcos desse processo, assim como os “mata-marinheiros” ocorridos na Rua da Praia. Em meio a essa conjuntura de intensa animosidade étnica e social, os alemães Theodoro Rampk e Remigio Kneip começaram a conquistar destaque e serviços em terras recifenses. Até meados dos anos 1870, quando faleceram, ambos os artífices europeus consolidaram seus nomes no mercado artesanal pernambucano e colheram os frutos dessa visibilidade. Ao mesmo tempo em que acumularam capitais e prestígio profissional, eles também constituíram famílias aparentemente sólidas, participaram de associações artesanais, contaram com a proteção de importantes patronos e teceram as mais amplas redes sociais.

Em uma terra que era “estranha e exótica” ao europeu e que contava com uma pequena comunidade alemã, Theodoro Rampk e Remigio Kneip sabiam dos limites impostos aos seus costumes natais e aos seus “purismos” étnico-raciais. Por mais que o mestre marceneiro buscasse reproduzi-los por meio de casamentos endógenos (suas filhas se casaram com artífices de sua nacionalidade), era impossível se isolar do meio social em que estavam inseridos. O Recife era muito maior que a Rua da Imperatriz. O mestre de obras sabia disso e permitiu que seus descendentes também se casassem com brasileiros e/ou portugueses - certamente indivíduos de seu nível social e profissional. No mundo do trabalho strictu senso, contudo, os dois peritos germânicos tiveram ainda menos opções de escolha e buscaram mão de obra local para executar seus serviços. Em busca do melhor para si mesmos, tal situação os aproximou da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Todos sabiam que a prestigiosa entidade mutualista e escolar reunia em seus quadros muito bons artífices pernambucanos em busca de ocupação, respeitabilidade pública, conhecimentos regulares e mobilidade social.

Ao atuar como patrão, por exemplo, vimos que Theodoro Rampk foi acusado de exploração e de desrespeito por seus empregados - que também eram seus colegas na Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Por mais que a entidade artesanal tenha escolhido colocar panos quentes nos casos que foram levados às suas instâncias deliberativas, pode ser que as acusações tenham acirrado ou avivado os velhos ódios aos artífices vindos da Europa. Nesse sentido, apesar de Theodoro Rampk e Remigio Kneip conquistarem prestígio e representatividade junto às elites políticas, técnicas e econômicas pernambucanas, e de certa forma serem considerados recifenses adotivos, para os artesãos brasileiros menos protegidos e menos aquinhoados eles foram apenas capitalistas estrangeiros em busca de lucros e de bons negócios. Como demonstrei em outros textos, Pernambuco, na segunda metade do século XIX, começava a testemunhar uma efetiva proletarização dos artífices e a dissolução da velha cultura corporativa vivenciada nas oficinas.91 Tudo em nome de um “espírito” mais liberal movido pela “racionalidade econômica” - obviamente sempre brancos e europeus.

Bibliografia

ALBUQUERQUE NETO, Flavio de Sa Cavalcanti de. “A reforma prisional no Recife oitocentista: da cadeia a Casa de Detencao (1830-1874)”. Dissertacao de mestrado. Recife: CFCH-UFPE, 2008. [ Links ]

ARAUJO, Rita de Cassia Barbosa de. “Carnaval do Recife: a alegria guerreira”. Estudos Avancados, vol. 11, n. 29, Sao Paulo, 1997, p. 203-216. [ Links ]

ARRAIS, Raimundo. O Pantano e o riacho: a formacao do espaco publico no Recife do seculo XIX. Sao Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2004. [ Links ]

AULER, Guilherme. A Companhia de Operarios, 1839-1843: subsidios para o estudo da emigracao germanica no Brasil. Recife: Arquivo Publico Estadual, 1959. [ Links ]

AZEVEDO, Celia Maria Marinho de. Onda negra, medo branco: o negro no imaginario das elites, seculo XIX. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. [ Links ]

BLACKBURN, David. The long 19th century: a history of Germany, 1780-1918. Oxford and New York: Oxford University Press, 1998. [ Links ]

CAMARA, Bruno Augusto Dornelas. O “retalho” do comercio: a politica partidaria, a comunidade portuguesa e a nacionalizacao do comercio a retalho, Pernambuco 1830/1870. Recife: Editora Universitaria UFPE, 2012. [ Links ]

CAMARA, Bruno Augusto Dornelas. “Trabalho livre no Brasil Imperial: o caso dos caixeiros de comercio na epoca da Insurreicao Praieira”. Dissertacao de mestrado. Recife: CFCH-UFPE, 2005. [ Links ]

CARVALHO, Marcus J. M. de. “Os nomes da Revolucao: liderancas populares na Insurreicao Praieira, Recife, 1848-1849”. Revista Brasileira de Historia, vol. 23, n. 45, 2003, p. 209-238. [ Links ]

CARVALHO, Marcus J. M. de. Liberdade: rotinas e rupturas do escravismo, Recife, 1822-1850. Recife: Editora Universitaria UFPE , 1998. [ Links ]

CAVALCANTI, Vanildo Bezerra. “O Recife e a origem dos seus bairros centrais”. In: ARQUIVO Publico Estadual de Pernambuco (org.). Um tempo do Recife. Recife: Editora Universitaria UFPE , 1978, p. 221-252. [ Links ]

COMMONS, John R. et al. History of labour in the United States. Nova York: Augustus M. Kelley Publishers, 1966, vol. 1. [ Links ]

DESROCHE, Henri. Solidarites ouvrières: societaires et compagnons dans les associations cooperatives (1831-1900). Paris: Les Editions Ouvrières, 1981, t. 1. [ Links ]

EISENBERG, Peter Louis. Modernizacao sem mudanca: a industria acucareira em Pernambuco, 1840-1910. Rio de Janeiro: Paz e Terra ; Campinas, Editora da Unicamp, 1977. [ Links ]

ELIAS, Norbert. Os alemaes: a luta pelo poder e a evolucao do habitus nos seculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1997. [ Links ]

FERNANDES, Florestan. A integracao do negro na sociedade de classes. Sao Paulo: Dominus/Editora da USP, 1965, 2volumes. [ Links ]

FREYRE, Gilberto. Um engenheiro frances no Brasil. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1940. [ Links ]

GALLO, Ivone Cecilia D’Avila. “A aurora do socialismo: fourierismo e o Falansterio do Sai (1839-1850)”. Tese de doutorado. Campinas: IFCH-Unicamp, 2002. [ Links ]

GASPARETTO, Antonio JUNIOR. Direitos sociais em perspectiva: seguridade, sociabilidade e identidade nas mutuais de imigrantes de Juiz de Fora (1872-1930). Belo Horizonte: Fino Traco/Funalta, 2014. [ Links ]

GEBARA, Ademir. O mercado de trabalho livre no Brasil (1871-1888). Sao Paulo: Brasiliense, 1986. [ Links ]

GOULDNER, Alvin W. “Artisans and intellectuals in the German Revolution of 1848”. Theory and Society, vol. 12, n. 4, 1983, p. 521-532. [ Links ]

GUERRA, Flavio. “O Recife e o conde da Boa Vista”. In: ARQUIVO Publico Estadual de Pernambuco (org.). Um tempo do Recife. Recife: Editora Universitaria UFPE , 1978, p. 265-288. [ Links ]

GUESLIN, Andre. L´invention de l´economie sociale: idees, pratiques et imaginaires cooperatifs et mutualistes dans la France du XIXe siecle. Paris: Economica, 1998, 2e ed. rev. et aug. [ Links ]

HOBSBAWM, Eric. Mundos do trabalho: novos estudos sobre historia operaria, 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra , 2000. [ Links ]

HOPKINS, Eric. Working-class self-help in Nineteenth-Century England. Londres: UCL Press, 1995. [ Links ]

LAMOUNIER, Maria Lucia. Da escravidao ao trabalho livre: a lei de locacao de servicos de 1879. Campinas: Papirus, 1988. [ Links ]

LIMA, Henrique Espada. “Sob o dominio da precariedade: escravidao e os significados da liberdade de trabalho no seculo XIX”. Topoi, vol. 6, n. 11, Rio de Janeiro, 2005, p. 289-326. [ Links ]

LINDEN, Marcel Van der.Trabalhadores do mundo: ensaios para uma historia global do trabalho. Campinas: Unicamp, 2013. [ Links ]

LINEBAUGH, Peter e REDIKER, Marcus.A hidra de muitas cabecas: marinheiros, escravos, plebeus e a historia oculta do Atlantico revolucionario. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2008. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. “Antonio Benvenuto Cellini: a trajetoria de um escultor da escravidao a liberdade. Recife/Rio de Janeiro, seculo XIX”. Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, n. 8, Rio de Janeiro, 2014, p. 399-413. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. “Francisco Jose Gomes de Santa Rosa: experiencias de um mestre pedreiro pardo e pernambucano no Oitocentos”. Afro-Asia, n. 49, Salvador, 2014, p. 199-227. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. Artifices da cidadania: mutualismo, educacao e trabalho no Recife oitocentista. Campinas: Editora da Unicamp, 2012. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. “Uma familia de artifices de cor: os Ferreira Barros e sua mobilidade social no Recife oitocentista”. Luso-Brazilian Review, vol. 47, n. 2, 2010, p. 26-48. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. “Andaimes, casacas, tijolos e livros: uma associacao de artifices no Recife, 1836-1880”. Tese de doutorado. Campinas: IFCH-Unicamp, 2009. [ Links ]

MAC CORD, Marcelo. O Rosario de d. Antônio: irmandades negras, aliancas e conflitos na historia social do Recife. Recife: Editora Universitaria UFPE , 2005. [ Links ]

MARSON, Izabel Andrade. “O Engenheiro Vauthier e a Modernizacao de Pernambuco no seculo XIX: as contradicoes do Progresso”. In: BRESCIANI, Maria Stella (org.). Imagens da cidade: seculos XIX e XX. Sao Paulo: ANPUH/Marco Zero/FAPESP, 1994, p. 35-59. [ Links ]

MARSON, Izabel Andrade. O Imperio do Progresso: a Revolucao Praieira em Pernambuco (1842-1855). Sao Paulo: Brasiliense, 1987. [ Links ]

MARSON, Izabel Andrade. Movimento Praieiro: imprensa, ideologia e poder politico. Sao Paulo: Moderna, 1980. [ Links ]

MELLO, Evaldo Cabral de. O Norte agrario e o Imperio: 1871-1889. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasilia/INL, 1984. [ Links ]

MENEZES, Jose Luiz Mota. “A presenca de negros e pardos na arte pernambucana”. Revista do Instituto Arqueologico, Historico e Geografico Pernambucano, n. 61, 2005, p. 305-338. [ Links ]

PARAHYM, Orlando. Tracos do Recife: ontem e hoje. Recife: Secretaria de Educacao do Estado de Pernambuco, 1978. [ Links ]

PONCIONI, Claudia. Pontes e ideias: Louis-Leger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil. Recife: CEPE Editora, 2010. [ Links ]

POUTIGNAT, Philippe e STREIFF-FENART, Jocelyne. Teorias da etnicidade. Sao Paulo: UNESP, 1998. [ Links ]

QUINTAS, Amaro. O sentido social da Revolucao Praieira. Rio de Janeiro: Atlantica, 2004. [ Links ]

SCHWARTZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos tropicos. Sao Paulo: Companhia das Letras, 1998. [ Links ]

SILVA, Leonardo Dantas da. Recife: uma historia de quatro seculos. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife/Secretaria de Educacao e Cultura, 1975. [ Links ]

SLENES, Robert W. “The demography and economics of brazilian slavery”. Tese de doutorado. Stanford: Stanford University, 1976, p. 214. [ Links ]

TOMICH, Dale W.Pelo prisma da escravidao: trabalho, capital e economia mundial. Sao Paulo: Edusp, 2011. [ Links ]

VAUTHIER, Louis-Leger. Diario intimo do engenheiro Vauthier, 1840-1846. Rio de Janeiro: Servico Grafico do Ministerio da Educacao e Saude, 1940. [ Links ]

WALLERSTEIN, Immanuel.The modern world-system III: the second era of great expansion of the capitalist world-economy, 1730-1840. New York: Academic Press, 1989. [ Links ]

3 MAC CORD, Marcelo. O Rosário de d. Antônio: irmandades negras, alianças e conflitos na história social do Recife. Recife: Editora Universitária UFPE, 2005, p. 29.

4 SLENES, Robert W. “The demography and economics of brazilian slavery”. Tese de doutorado. Stanford: Stanford University, 1976, p. 214.

5 MAC CORD, Marcelo. Op. cit., p. 30.

6 ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa de. “Carnaval do Recife: a alegria guerreira”. Estudos Avançados, vol. 11, n. 29, São Paulo, 1997, p. 209.

7 Para conhecer alguns aspectos do debate, consultar, entre outros, ARRAIS, Raimundo. O Pântano e o riacho: a formação do espaço público no Recife do século XIX. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2004. AZEVEDO, Célia Maria Marinho de. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites, século XIX. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. EISENBERG, Peter Louis. Modernização sem mudança: a indústria açucareira em Pernambuco, 1840-1910. Rio de Janeiro: Paz e Terra; Campinas, Editora da Unicamp, 1977. FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Dominus/Editora da USP, 1965, 2 volumes. GEBARA, Ademir. O mercado de trabalho livre no Brasil (1871-1888). São Paulo: Brasiliense, 1986. LAMOUNIER, Maria Lúcia. Da escravidão ao trabalho livre: a lei de locação de serviços de 1879. Campinas: Papirus, 1988. MELLO, Evaldo Cabral de. O Norte agrário e o Império: 1871-1889. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasília/INL, 1984.

8 Até aqui, tudo em RECENSEAMENTO geral do império de 1872. Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger; Typographia Commercial, 1876. Volume 9: Pernambuco, disponível em <http://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=225477>, acesso em 1º de março de 2017.

9Diário de Pernambuco, 11 de janeiro de 1873, Fundação Biblioteca Nacional (doravante FBN), Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 1º de março de 2017.

10 MARSON, Izabel Andrade. “O Engenheiro Vauthier e a Modernização de Pernambuco no século XIX: as contradições do Progresso”. In: BRESCIANI, Maria Stella (org.). Imagens da cidade: séculos XIX e XX. São Paulo: ANPUH/Marco Zero/FAPESP, 1994, p. 36.

11 AULER, Guilherme. A Companhia de Operários, 1839-1843: subsídios para o estudo da emigração germânica no Brasil. Recife: Arquivo Público Estadual, 1959, p. 37, 77-78. A chegada dos trabalhadores alemães em Pernambuco esteve no bojo das discussões sobre o fim do tráfico de escravos e da aplicação dos projetos de “moralização” da mão de obra livre. Nesta conjuntura, as leis de locação de serviços foram importantes instrumentos para a arregimentação da Companhia de Operários. CÂMARA, Bruno Augusto Dornelas. “Trabalho livre no Brasil Imperial: o caso dos caixeiros de comércio na época da Insurreição Praieira”. Dissertação de mestrado. Recife: CFCH-UFPE, 2005. Para obter mais informações sobre as leis de locação de serviços, consultar GEBARA, Ademir. O mercado de trabalho livre no Brasil, 1871-1888. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 78-80. LAMOUNIER, Maria Lúcia. Da escravidão ao trabalho livre: a lei de locação de serviços de 1879. Campinas: Papirus, 1988, p. 64. LIMA, Henrique Espada. “Sob o domínio da precariedade: escravidão e os significados da liberdade de trabalho no século XIX”. Topoi, vol. 6, n. 11, Rio de Janeiro, 2005, p. 289-326.

12 Para maiores informações, consultar VAUTHIER, Louis-Léger. Diário íntimo do engenheiro Vauthier, 1840-1846. Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do Ministério da Educação e Saúde, 1940. FREYRE, Gilberto. Um engenheiro francês no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. PONCIONI, Claudia. Pontes e ideias: Louis-Léger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil. Recife: CEPE Editora, 2010.

13 Até aqui, tudo em ARRAIS, Raimundo. Op. cit., p. 179 e 364.

14 GOULDNER, Alvin W. “Artisans and intellectuals in the German Revolution of 1848”. Theory and Society, vol. 12, n. 4, 1983, p. 521-532. Na primeira metade do século XIX, os artífices criaram muitos canais de cooperação. Na Inglaterra, por exemplo, cresceram as filiações em grupos de self-help. HOPKINS, Eric. Working-class self-help in Nineteenth-Century England. Londres: UCL Press, 1995, p. 27, 33-35. Nos EUA, por sua vez, floresceram organizações inspiradas pelo cooperativismo fourierista. COMMONS, John R. et al. History of labour in the United States. Nova York: Augustus M. Kelley Publishers, 1966, vol. 1, p. 491-506. Em França, tradições corporativas e mutualismo forjaram as organizações de artesãos. GUESLIN, André. L´invention de l´économie sociale: idées, pratiques et imaginaires coopératifs et mutualistes dans la France du XIXe siécle. Paris, Economica, 1998, 2e éd. rév. et aug. DESROCHE, Henri. Solidarités ouvrières: sociétaires et compagnons dans les associations coopératives (1831-1900). Paris: Les Editions Ouvrières, 1981, t. 1. O dito “primeiro socialismo” abrange cooperativismo, associativismo, republicanismo, democracia e doutrina cristã. Apesar de imprecisa, a categoria não carrega em si perspectivas teleológicas suscitadas pela congênere “socialismo utópico”. GALLO, Ivone Cecília D’Ávila. “A aurora do socialismo: fourierismo e o Falanstério do Saí (1839-1850)”. Tese de doutorado. Campinas: IFCH-Unicamp, 2002.

15 Códice DII-15, fls. 4v, 5 e 6, Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (doravante APEJE), Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Diversos II.

16Idem, ibidem.

17Idem, ibidem.

18 Sobre a movimentação global de trabalhadores na expansão do capitalismo, consultar, entre outros LINDEN, Marcel Van der.Trabalhadores do mundo: ensaios para uma história global do trabalho. Campinas: Unicamp, 2013. LINEBAUGH, Peter e REDIKER, Marcus.A hidra de muitas cabeças: marinheiros, escravos, plebeus e a história oculta do Atlântico revolucionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. TOMICH, Dale W.Pelo prisma da escravidão: trabalho, capital e economia mundial. São Paulo: Edusp, 2011. WALLERSTEIN, Immanuel.The modern world-system III: the second era of great expansion of the capitalist world-economy, 1730-1840. New York: Academic Press, 1989.

19 Sobre o treinamento dos trabalhadores pernambucanos pelos alemães, consultar AULER, Guilherme. Op. cit., p. 69-73 e 77-78.

20 Códice DII-15, fls. 4v, 5 e 6, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Diversos II.

21 Para conhecer as listas, consultar AULER, Guilherme. Op. cit.

22 Sabemos que Theodoro Rampk nasceu em 1819 porque fez parte da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Em 1862, quando entrou no grupo, a sociedade mutualista registrou que ele era alemão, pedreiro, casado e tinha 43 anos. Todas essas informações constam nos seguintes documentos: Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fls. 61, 64 e 72, Universidade Católica de Pernambuco (doravante UNICAP), Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro de matrícula dos sócios da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1862-1871, fl. 1v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro de contas correntes dos sócios, 1862-1863, fl. 7, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. “Acta da sessão magna do dia 21 de 8bro de 1862”, Caixa Material de Pesquisa do Liceu 2 (documentos avulsos), UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

23 Sabemos que Remigio Kneip nasceu em 1818 porque fez parte da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Em 1863, quando entrou no grupo, a sociedade mutualista registrou que ele era alemão, marceneiro, casado e tinha 45 anos. Todas essas informações constam no seguinte documento: Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1860-1864, fls. 230 e 233, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

24 MAC CORD, Marcelo. “Andaimes, casacas, tijolos e livros: uma associação de artífices no Recife, 1836-1880”. Tese de doutorado. Campinas: IFCH-Unicamp, 2009. A tese foi posteriormente publicada como Artífices da cidadania: mutualismo, educação e trabalho no Recife oitocentista. Campinas: Editora da Unicamp, 2012. Desde a defesa da tese, venho publicando artigos sobre alguns destacados membros da associação que estudei. Para conhecê-los, consultar MAC CORD, Marcelo. “Uma família de artífices de cor: os Ferreira Barros e sua mobilidade social no Recife oitocentista”. Luso-Brazilian Review, vol. 47, n. 2, 2010, p. 26-48. MAC CORD, Marcelo. “Francisco José Gomes de Santa Rosa: experiências de um mestre pedreiro pardo e pernambucano no Oitocentos”. Afro-Ásia, n. 49, Salvador, 2014, p. 199-227. MAC CORD, Marcelo. “Antonio Benvenuto Cellini: a trajetória de um escultor da escravidão à liberdade. Recife/Rio de Janeiro, século XIX”. Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, n. 8, Rio de Janeiro, 2014, p. 399-413. O texto sobre Theodoro Rampk e Remigio Kneip faz parte desse meu prazeroso projeto editorial.

25 ALBUQUERQUE NETO, Flávio de Sá Cavalcanti de. “A reforma prisional no Recife oitocentista: da cadeia à Casa de Detenção (1830-1874)”. Dissertação de mestrado. Recife: CFCH-UFPE, 2008.

26 ARRAIS, Raimundo. Op. cit., p. 13, 175, 187, 200, 201 e 211.

27 Códice OP-33, fl. 63v, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Públicas.

28FOLHINHA de algibeira ou diário ecclesiastico e civil para as Províncias de Pernambuco, Parahiba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagôas para o anno de 1850. Pernambuco: Typographia de M. F. de Faria, 1849, p. 218, APEJE, Recife, Setor de Folhetos Raros.

29 Entre outros trabalhos que descrevem o Recife oitocentista de forma geral e o Aterro da Boa vista de forma particular, consultar SILVA, Leonardo Dantas da. Recife: uma história de quatro séculos. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife/Secretaria de Educação e Cultura, 1975. PARAHYM, Orlando. Traços do Recife: ontem e hoje. Recife: Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, 1978. GUERRA, Flávio. “O Recife e o conde da Boa Vista”. In: ARQUIVO Público Estadual de Pernambuco (org.). Um tempo do Recife. Recife: Editora Universitária UFPE, 1978. CAVALCANTI, Vanildo Bezerra. “O Recife e a origem dos seus bairros centrais”. In: ARQUIVO Público Estadual de Pernambuco (org.). Op. cit. ARRAIS, Raimundo. Op. cit.

30 Para saber mais sobre a Praieira e suas repercussões, entre outros, consultar QUINTAS, Amaro. O sentido social da Revolução Praieira. Rio de Janeiro: Atlântica, 2004. MARSON, Izabel Andrade. O Império do Progresso: a Revolução Praieira em Pernambuco (1842-1855). São Paulo: Brasiliense, 1987. MARSON, Izabel Andrade. Movimento Praieiro: imprensa, ideologia e poder político. São Paulo: Moderna, 1980. CARVALHO, Marcus J. M. de. “Os nomes da Revolução: lideranças populares na Insurreição Praieira, Recife, 1848-1849”. Revista Brasileira de História, vol. 23, n. 45, 2003, p. 209-238. CARVALHO, Marcus J. M. de. Liberdade: rotinas e rupturas do escravismo, Recife, 1822-1850. Recife: Editora Universitária UFPE, 1998. CÂMARA, Bruno Augusto Dornelas. Op. cit.

31 MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

32 Mais informações sobre Rufino Manoel da Cruz Cousseiro podem ser encontradas em MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

33 Até aqui, tudo em OM-3, fl. 161, 260, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares. OM-4, fl. 19v, 306, 308 e 391, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares. Caixa OR048, maço Palácio do Governo agosto de 1861, Assembleia Legislativa de Pernambuco (doravante ALEPE), Recife, Divisão de Arquivo, Série Ofícios Recebidos. A Diretoria das Obras Militares era uma repartição do Governo Central em Pernambuco.

34 Até aqui, tudo em OM-3, fl. 117, 133, 146 e 252v-253, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares. OM-4, fl. 19, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares. Caixa OR049, maço Palácio do Governo julho-dezembro de 1862, ALEPE, Recife, Divisão de Arquivo, Série Ofícios Recebidos.

35 Até aqui, tudo em OM-4, fls. 58, 76, 198, 254, 274, 295 e 394, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares.

36 OM-4, fl. 294, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Militares.

37 Atas da Câmara Municipal do Recife, 1870-1872, fl. 81, Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (doravante IAHGP), Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Atas da Câmara Municipal do Recife.

38ALMANAK Administrativo, mercantil, industrial e agrícola da província de Pernambuco para o anno de 1869. Recife: Typographia do Jornal do Recife, 1869, p. 227, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

39 Até aqui, tudo em “Inventariado: Remigio Kneip. Inventariante e testamenteiro: Guilherme Spieler”, fls. 2, 17-20v, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série 1ª Vara de Registros e Sucessões, VRS1-Caixa 244.

40Diário de Pernambuco, 13 de julho de 1855, 4 de julho de 1856 e 28 de outubro de 1861, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 6 de março de 2017.

41Diário de Pernambuco, 20 de junho, 27 de julho e 12 de dezembro de 1874, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 6 de março de 2017.

42 Para saber mais sobre as exposições pernambucanas e seus significados para os artistas mecânicos, consultar MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania. Genericamente, as exposições eram conhecidas como “festas da modernidade” e tinham o papel simbólico de representar e promover o desenvolvimento econômico e a expansão do mercado em contextos imperialistas. SCHWARTZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

43 Até aqui, tudo em RELATÓRIO da Commissão Directora da exposição provincial de Pernambuco em 1872. Pernambuco: Typographia do Jornal do Recife, 1873, p. 53 e 78, APEJE, Recife, Setor de Folhetos Raros, Caixa 28.

44EXPOSIÇÃO provincial de Pernambuco inaugurada em 4 de julho de 1875 na cidade do Recife. Recife: Typographia de Manoel Figueiroa & Filhos, 1878, p. 31-32, Instituto Brennand, Recife, Biblioteca, Obras Raras, OR-135.

45RELATÓRIO apresentado ao governo pela Comissão Directora da exposição de Pernambuco em 1866. Pernambuco: Typographia de M. Figuerôa de Faria & Filhos, 1866, APEJE, Recife, Setor de Folhetos Raros, Caixa 15, Livreto 17.

46 MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

47 Para saber mais, entre outros, consultar BLACKBURN, David. The long 19th century: a history of Germany, 1780-1918. Oxford and New York: Oxford University Press, 1998. ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1997.

48 POUTIGNAT, Philippe e STREIFF-FENART, Jocelyne. Teorias da etnicidade. São Paulo: UNESP, 1998, p. 79, 83 e 163.

49Jornal do Recife, 8 de outubro de 1870, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 23 de março de 2019.

50Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1872, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 23 de março de 2019.

51 GASPARETTO JÚNIOR, Antonio. Direitos sociais em perspectiva: seguridade, sociabilidade e identidade nas mutuais de imigrantes de Juiz de Fora (1872-1930). Belo Horizonte: Fino Traço/Funalta, 2014, p. 101.

52 CÂMARA, Bruno Augusto Dornelas. O “retalho” do comércio: a política partidária, a comunidade portuguesa e a nacionalização do comércio a retalho, Pernambuco 1830/1870. Recife: Editora Universitária UFPE, 2012, p. 118.

53 “Inventariado: Theodoro Rampk. Inventariante: Carolina Rampk (esposa)”, fls. 7v-8 e 10v-11, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Cartório de Órfãos do Recife, COR2-Caixa 348.

54 “Inventariado: Remigio Kneip. Inventariante e testamenteiro: Guilherme Spieler”, fls. 2 e 5, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série 1ª Vara de Registros e Sucessões, VRS1-Caixa 244.

55 Livro de matrícula da Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco, 1874-1901, fl. 17, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. No registro de Guilherme Spieler, lavrado em 1872, consta que era alemão, marceneiro, casado e tinha 40 anos.

56 “Inventariado: Remigio Kneip. Inventariante e testamenteiro: Guilherme Spieler”, fl. 5v, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série 1ª Vara de Registros e Sucessões, VRS1-Caixa 244.

57 HOBSBAWM, Eric. Mundos do trabalho: novos estudos sobre história operária, 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000, p. 372.

58 “Inventariado: Remigio Kneip. Inventariante e testamenteiro: Guilherme Spieler”, fl. 5, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série 1ª Vara de Registros e Sucessões, VRS1-Caixa 244.

59Diário de Pernambuco, 16 de janeiro de 1861, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 9 de março de 2017.

60Diário de Pernambuco, 22 de janeiro de 1868 e Jornal do Recife, 1º de dezembro de 1868, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 9 de março de 2017.

61 As informações sobre a filiação, o nome de casada da esposa e o fato de que estava morto em 1890 podem ser encontrados em “Inventariado: Theodoro Rampk. Inventariante: Carolina Rampk (esposa)”, fls. 4v e 5, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Cartório de Órfãos do Recife, COR2-Caixa 348. Os proclamas de casamento de André Rampk e o nome de solteira de Amélia estão no Jornal do Recife, 25 de novembro de 1872, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 9 de março de 2017.

62 Códice OP-47, fls. 180-180v e 227, APEJE, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Obras Públicas.

63Diário de Pernambuco, 29 de julho de 1875 e 18 de setembro de 1876, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 9 de março de 2017.

64 “Inventariado: Theodoro Rampk. Inventariante: Carolina Rampk (esposa)”, fls. 4v, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Cartório de Órfãos do Recife, COR2-Caixa 348.

65 Além da mesma nacionalidade e dos mesmos sobrenomes e profissões, especulo que Carlos e Herman Walter fossem irmãos porque seus nomes foram apresentados, sindicados e aprovados conjuntamente na Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais. Segundo a associação, ambos os relojoeiros assentaram como sócios em 4 de maio de 1871, quando tinham 38 e 28 anos respectivamente. Livro de matrícula da Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco, 1874-1901, fl. 17, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

66ALMANAK administrativo, mercantil, industrial e agrícola da província de Pernambuco para o anno de 1869. Recife: Typographia do Jornal do Recife, 1869, p. 217, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

67 “Inventariado: Theodoro Rampk. Inventariante: Carolina Rampk (esposa)”, fls. 4v, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Cartório de Órfãos do Recife, COR2-Caixa 348.

68 Livro de matrícula dos sócios, 1841-1859, fls. 44-45, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. ALMANAK administrativo, mercantil e industrial da província de Pernambuco. Pernambuco: Typographia de M. F. de Faria & Filho, 1863, p. 261, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais.

69 Livro dos termos da Irmandade de S. José do Riba Mar, 1777-1854, fls. 78v e 81v, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (doravante IPHAN), Recife, Arquivo, Série Irmandade de São José do Ribamar.

70 Para saber mais sobre a Irmandade de São José do Ribamar, consultar MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

71 Livro de matrícula dos sócios da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1862-1871, fl. 3v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios; Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 62, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

72 Livro de matrícula dos sócios, 1841-1859, fls. 44-45, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro de matrícula dos sócios da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1862-1871, fl. 3v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios; Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 62, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

73 Para saber mais sobre a sociedade mutualista, consultar MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

74 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fls. 60v-61, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1860-1864, fl. 211 e 230, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Na folha 230, observamos que Remigio Kneip foi indicado pelo primeiro secretário da associação. Na folha 211, sabemos que Joaquim Ildefonso da Motta Silveira possuía o respectivo cargo.

75 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 64, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro de matrícula dos sócios da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1862-1871, fl. 1v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

76 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1860-1864, fl. 232-233, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

77 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 83, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

78ESTATUTOS da Imperial Sociedade dos Artistas Mechanicos e Liberaes de Pernambuco instituída em 1836 e inaugurada nesta cidade do Recife aos 21 de novembro de 1851. Pernambuco: Typographia de Manoel Figueiroa de Faria & Filhos, 1882, p. 9, Gabinete Português de Leitura, Recife, Biblioteca/Obras Raras.

79 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1864-1871, fl. 48v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

80 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, 1864-1871, fl. 73, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

81 Para saber mais sobre o Liceu de Artes e Ofícios do Recife, consultar MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

82 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 51v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

83 Para saber mais, consultar MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

84 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1860-1864, fl. 223, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

85 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 72, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Os dados pessoais do artesão surgem no códice Livro de matrícula dos sócios, 1841-1859, fls. 84-85, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios.

86 Livro de atas do Conselho Administrativo da Sociedade das Artes Mecânicas e Liberais, 1855-1863, fl. 78-81v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Os dados pessoais do artesão surgem nos códices Livro de matrícula dos sócios, 1841-1859, fls. 1-5v, UNICAP, Recife, Biblioteca/Coleções Especiais, Série Liceu de Artes e Ofícios. Livro dos termos da Irmandade de S. José do Riba Mar, 1777-1854, fl. 81v, IPHAN, Recife, Arquivo, Série Irmandade de São José do Ribamar

87 “Inventariado: Theodoro Rampk. Inventariante: Carolina Rampk (esposa)”, fls. 4v e 10-11, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série Cartório de Órfãos do Recife, COR2-Caixa 348.

88 “Inventariado: Remigio Kneip. Inventariante e testamenteiro: Guilherme Spieler”, fl. 2, IAHGP, Recife, Setor de Documentos Manuscritos, Série 1ª Vara de Registros e Sucessões, VRS1-Caixa 244.

89Diário de Pernambuco, 6 de novembro de 1873, FBN, Hemeroteca Digital Brasileira, disponível em <http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx>, acesso em 13 de março de 2017.

90 CARVALHO, Marcus J. M. de. Liberdade, p. 53. MENEZES, José Luiz Mota. “A presença de negros e pardos na arte pernambucana”. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, n. 61, 2005, p. 311.

91 MAC CORD, Marcelo. Artífices da cidadania.

Recebido: 19 de Novembro de 2018; Aceito: 24 de Novembro de 2019

2

Doutor em História Social pela Unicamp. Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons