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Hoehnea

Print version ISSN 0073-2877On-line version ISSN 2236-8906

Hoehnea vol.43 no.2 São Paulo Apr./June 2016

https://doi.org/10.1590/2236-8906-74/2015 

ARTIGOS

Adição de registros de Cosmarium Corda ex Ralfs (Conjugatophyceae, Desmidiaceae) para a região Nordeste do Brasil1

Addition of Cosmarium Corda ex Ralfs (Conjugatophyceae, Desmidiaceae) records for the Northeast Region of Brazil

Ivania Batista de Oliveira2  4 

Carlos Eduardo de Mattos Bicudo3 

Carlos Wallace do Nascimento Moura2 

2Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Botânica, Laboratório de Ficologia, Av. Transnordestina, s/n, Novo Horizonte, 44036-900 Feira de Santana, Bahia, Brasil

3Instituto de Botânica, Núcleo de Pesquisa em Ecologia, Av. Miguel Estéfano, 3687, 04301-902 São Paulo, SP


RESUMO

A partir do estudo taxonômico de desmídias em ambientes lóticos e lênticos da Área de Proteção Ambiental Litoral Norte, Bahia, Brasil, foram catalogados 35 táxons pertencentes ao gênero Cosmarium Corda ex Ralfs, dos quais 33 estão sendo registrados pela primeira vez para a flora ficológica do Nordeste do Brasil, incluindo táxons pouco conhecidos e outros redescobertos após 100 anos da última citação, como C. trinodulum Nordst. var. brasiliense Borge e Cosmarium horridum Borge. Os materiais estudados provieram de amostras coletadas em dois períodos, no verão (janeiro-março de 2009) e no inverno (junho-agosto de 2009). São fornecidas descrições e comentários com táxons afins, bem como ampliada a distribuição geográfica destes no Brasil.

Palavras-chave: algas de água doce; biodiversidade; desmídias; taxonomia

ABSTRACT

From the taxonomic study of desmids occurring in lotic and lentic environments in the North Coast Environmental Protection Area, Bahia, Brazil, we cataloged 35 taxa belonging to the genus Cosmarium Corda ex Ralfs, of which 33 are being registered for the first time for the phycology flora of the Northeastern Brazil including little-known taxa and others rediscovered 100 years after the last citation, e.g., Cosmarium trinodulum Nordst. var. brasiliense Borge and Cosmarium horridum Borge. The materials studied were from samples collected in two periods, namely in the summer (January-March 2009) and winter (June-August 2009). Descriptions and comments with related taxa are provided, as well as the wide geographic distribution in Brazil.

Keywords: biodiversity; desmids; freshwater algae; taxonomy

Introdução

A família Desmidiaceae (Desmidiales) contribui com cerca de 70% do número total de espécies de Conjugatophyceae conhecidas, sendo Cosmarium Corda ex Ralfs o grupo mais diverso, com cerca de 1.500 espécies (Gontcharov & Melkonian 2005).

As desmídias do gênero Cosmarium são caracterizadas por apresentarem células em geral solitárias, de vida livre, com seno mediano variando desde uma depressão rasa e aberta até uma fenda linear e fechada, com vista apical elíptica, oblonga ou reniforme, e raramente circular; semicélula variando de esféricas a subpiramidais até cônicas; parede celular lisa, pontuada, granulada, escrobiculada, com dentículos mais ou menos cônicos ou combinações desses elementos, às vezes poros de mucilagem presentes; um ou dois cloroplastídios axiais por semicélula ou, em alguns casos, até oito deles, sendo estes parietais (Oliveira et al. 2010).

O conhecimento taxonômico sobre a desmidioflórula baiana ainda é incipiente, com poucos estudos sobre a biodiversidade de desmídias, o que não deixa de ser extensivo ao gênero Cosmarium. Informações sobre as algas deste gênero estão sintetizadas em apenas sete trabalhos: Förster (1964), Martins & Bicudo (1987), Bicudo & Martins (1989), Oliveira et al. (2010, 2011), Ramos et al. (2011) e Santos et al. (2013).

Este trabalho teve por objetivo documentar as espécies de Cosmarium da Área de Proteção Ambiental Litoral Norte, planície do Estado da Bahia, vizando minimizar a lacuna existente sobre o conhecimento do gênero no Estado e ampliando sua distribuição geográfica para o Brasil.

Material e métodos

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Litoral Norte, criada através do Decreto Estadual n.º 1.046, 17/03/1992, abrangendo 142.000 ha, com limites nos municípios de Mata de São João, Conde, Porto do Sauípe, Saubara e Esplanada. Os corpos d'água da APA são variáves, podendo ser encontrados poças, lagos, lagoas, córregos e rios, com vegetação emersa e submersa, ambiente favorável ao crescimento de desmídias (figura 1a-c).

Figura 1 Mapa de localização do Brasil e da Bahia. a. APA Litoral Norte, b. Lagoa azul, Esplanada. c. Alagados, Conde. 

Figure 1 Location map of Brazil and Bahia. a. EPA Litoral Norte, b. Blue lagoon, Esplanada. c. Swamp, Conde. 

O material foi coletado em dois períodos distintos: verão (janeiro-março de 2009) e inverno (junho-agosto de 2009). Todos os locais amostrados foram referenciados. A coleta do material foi realizada de acordo com os métodos usuais empregados nos estudos de taxonomia de microalgas continentais (Bicudo & Menezes 2006), onde foi utilizado rede de planctôn com abertura de malha de 20 µm para a coleta de material planctônico e espremido manual de parte de plantas emersas e submersas para o material perfítico. Foram analisadas quantas lâminas se fizeram necessárias até conseguir o esgotamento taxonômico, este foi considerado, ao analisar três lâminas sucessivas, sem nenhum novo registro taxonômico.

Os limites métricos das populações foram aferidos através de ocular micrométrica e as fotomicrografias obtidas com câmara fotográfica digital SONY, modelo Cyber-shot DSC-W7, ambos acoplados ao microscópio óptico, binocular de marca LEICA modelo DM LS2 e as identificações das espécies baseadas em literatura especializada. O sistema de classificação adotado seguiu Brook (1981).

A partir dos resultados obtidos, calculou-se os seguintes índices: Riqueza global dos táxons: corresponde ao número total de táxons encontrados (Rosso 1990); riqueza de táxons em cada estação de coleta: corresponde ao número total de táxons encontrados em cada estação de coleta, ainda calculou-se a frequência de ocorrência absoluta de cada táxon que corresponde ao total de vezes que cada táxon ocorreu; frequência de ocorrência relativa de cada táxon que foi calculada de acordo com a fórmula: F = n.100/N; onde, n = número de unidades amostrais em que uma espécie foi registrada; N = total de unidades amostrais analisadas.

Baseados em Matteucci & Colma (1982), foram determinadas as seguintes categorias de frequência: Muito Frequente - MF (> 70%), Frequente - F (≤ 70% e > 40%), Pouco Frequente - PF (≤ 40% e > 10%) e Rara - R (≤ 10%).

As amostras foram preservadas em solução de Transeau preparada conforme Bicudo & Menezes (2006) e tombadas na coleção líquida do Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS).

Resultados e Discussão

A partir da análise do material coletado, foram identificados 35 táxons pertencentes ao gênero Cosmarium, destes, 33 estão sendo registrados pela primeira vez para o Nordeste do Brasil. Todos os táxons são descritos e ilustrados, podem ser identificados a partir da chave abaixo, e estão apresentados a seguir em ordem alfabetica.

Chave para a identificação dos táxons de Cosmarium estudados

  • 1. Célula de parede lisa ou finamente pontuada

    • 2. Parede celular lisa

      • 3. Células menores que 20 μm compr.

        • 4. Margem apical levemente arredondada .......................................................................... Cosmarium majae

        • 4. Margem apical truncada

          • 5. Face da semicélula ornada com uma papila ............................................................ C. bireme var. huzelii

          • 5. Face da semicélula lisa .................................................................................. C. achondroides var. minus

      • 3. Células maiores que 20 μm compr.

        • 6. Margem laterais onduladas

          • 7. Semicélula subtrapeziforme ................................................................ C. impressulum var. impressulum

          • 7. Semicélula retangular ...................................................................................... C. regnellii var. minimum

        • 6. Margens laterais de outra forma

          • 8. Margens laterais retusas ........................................................................... C. sublobatum var. brasiliense

          • 8. Margens laterais côncavas ou convexas

            • 9. Constrição mediana rasa ........ C. arctoum var. arctoum f. arctoum

            • 9. Constrição mediana profunda

              • 10. Célula ca. 1,2 vezes mais longa que larga ............................................................. C. montrealense

              • 10. Célula ca. 1,5 vezes mais longa que larga ..................................... C. contractum var. ellipsoideum

    • 2. Parede celular finamente pontuada

      • 11. Célula maior que 100 μm compr. .................................................................................................. C. capense

      • 11. Célula menores que 100 μm compr.

        • 12. Parede celular com bainha de mucilagem abundante

          • 13. Célula ca. 1,7 vezes mais larga que longa ......................................... C. depressum var. planctonicum

          • 13. Célula quase tão longa quanto larga ................................................... C. bioculatum var. bioculatum

        • 12. Parede celular sem bainha de mucilagem

          • 14. Semicélula elíptica

            • 15. Margens laterais paralelas ................................... C. moniliforme var. moniliforme f. elongatum

            • 15. Margens laterais côncavas .................................................... C. contractum var. sparcipunctatum

          • 14. Semicélula de outra forma

            • 16. Seno mediano linear, fechado

              • 17. Semicélula semicircular .................................................... C. subgranatum var. subgranatum

              • 17. Semicélula piramidal-truncada

                • 18. Célula ca. 2 vezes mais longa que larga ...............................C. pyramidatum var. stephani

                • 18. Célula ca. 1,2 vezes mais larga que longa ..... C. candianum var. candianum f. candianum

            • 16. Seno mediano aberto ou angular

              • 19. Margens laterias convexas

                • 20. Parede celular hialina, uniformemente pontuada ....................................................... ................................................................. C. moniliforme var. moniliforme f. moniliforme

                • 20. Parede celular com 3 fileiras horizontais de pontuações maiores ou escrobículos ....................................................................... C. zonnatum var. subcirculare

              • 19. Margens laterais côncavas

                • 21. Ssemicélula hexagonal ........................................................... C. phaseolus var. elevatum

                • 21. Semicélula semicircular .................................................... C. depressum var. achondrum

    • 1. Célula de parede ornamentada com verrugas, grânulos, espinhos ou escrobículos

      • 22. Parede celular decorada com espinhos ou escrobículos

        • 23. Parede celular decorada com rosetas formada por espinhos curtos ....................................... C. horridum

        • 23. Parede celular delicadamente escrobiculada .............................................. C. variolatum var. rotundatum

      • 22. Parede celular decorada com verrugas ou grânulos

        • 24. Parede celular ornamentada por verrugas

          • 25. Parede celular decorada com verrugas nos ângulos ................................................... C. dimaziforme

          • 25. Parede celular decorada com verrugas em outras partes da célula

            • 26. Verrugas distribuídas uniformemente por toda a célula ................... C. brasiliense var. brasiliense

            • 26. Verrugas arranjadas em fileiras na célula

              • 27. Célula com 1 fileira formada por 4-5 verrugas abaixo da margem apical .......................... .............................................................................................. C. trinodulum var. brasiliense

              • 27. Célula com 3-4 séries transversais de pequenas verrugas arranjadas em 5-6 fileiras verticais .................................................................................. C. ordinatum var. borgei

        • 24. Parede celular ornamentada por grânulos

          • 28. Grânulos distribuídos por toda superfície celular .............................. C. punctulatum var. punctulatum

          • 28. Grânulos distribuídos em pontos específicos da célula

            • 29. Células com fileiras de grânulos duplos em séries radiais 30. Célula medindo 44-48,5 μm compr., 35-37,5 μm larg. ......................................................................................................................... C. subspeciosum var. subspeciosum f. subspeciosum

              • 30. Célula medindo 44-48,5 μm compr., 35-37,5 μm larg. ........................................................ ................................................................. C. subspeciosum var. subspeciosum f. subspeciosum

              • 30. Célula medindo 87,6-92,5 μm compr., 60-69 μm larg..................................................................................... C. subspeciosum. var. validus f. validus

            • 29. Célula com outra ornamentação de grânulos

              • 31. Células com 2 fileiras de grânulos ao redor da semicélula, 2 grânulos maiores no centro ............................................................................................. C. polymorphum var. groenbladii

              • 31. Células com grânulos em outros arranjos

                • 32. Semicélula oblonga ...................................................... C. subtriordinatum var. acervatum

                • 32. Semicélula de outros formatos

                  • 33. Margem apical arredondada .................................. C. ornatum var. ornatum f. ornatum

                  • 33. Margem apical côncava .......................................... C. pseudotaxichondrum var. longii

Cosmarium achondroides G.S. West var. minusPrescott, Syn. N. Amer. Desm. 3: 62, pl. 181, fig. 8-9. 1981.

Figura 2

Figuras 2-20 2. Cosmarium achondroides var. minus. 3. C. arctoum var. arctoum f. arctoum. 4-6. C. basituberculatum. 5. Detalhe da parede. 6. Detalhe dos tubérculos na base da semicélula. 7. C. bioculatum var. bioculatum. 8. C. bireme var. huzelii. 9, 10. C. brasiliense var. brasiliense. 10. Vista apical. 11, 12. C. candianum var. candianum f. candianum.12. Detalhe da parede. 13. C. capense var. nyassae. 14. C. contractum var. ellipsoideum. 15, 16. C. contractum var. sparcipunctatum. 16. Vista apical. 17. C. depressum var. achondrum. 18. C. depressum var. planctonicum. 19, 20. C. dimaziforme var. concavum. 20. Vista apical. Barras: Figuras 2, 4-10, 14, 17, 19, 20 = 10 μm; Figuras 3, 11-13, 15, 16, 18 = 20 μm. 

Figures 2-20 2. Cosmarium achondroides var. minus. 3. C. arctoum. var. arctoum f. arctoum. 4-6. C. basituberculatum. 5. Detail of the wall. 6. Detail of tubers at the base of the semi cell. 7. C. bioculatum var. bioculatum. 8. C. bireme var. huzelii. 9, 10. C. brasiliense var. brasiliense. 10. Apical view. 11, 12. C. candianum var. candianum f. candianum. 12. Detail of the wall. 13. C. capense var. nyassae. 14. C. contractum var. ellipsoideum. 15, 16. C. contractum var. sparcipunctatum. 16. Apical view. 17. C. depressum var. achondrum. 18. C. depressum var. planctonicum. 19, 20. C. dimaziforme var. concavum. 20. Apical view. Bars: Figures 2, 4-10, 14, 17, 19, 20 = 10 μm; Figures 3, 11-13, 15, 16, 18 = 20 μm. 

Célula tão longa quanto larga, 12,5 µm compr., 12,5 µm larg., istmo 5 µm larg.; constrição profunda, seno mediano linear, aberto; margens laterais e apical lisas, laterais ligeiramente divergentes, retas, formando ângulo no terço superior próximo ao ápice truncado; ângulos basais e apical sub-retangulares; parede celular hialina, lisa; cloroplastídios axiais com vários pirenoides.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155599), 14-II-2009, (HUEFS155622), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155782), Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155716); Esplanada, 12-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155739).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002).

Cosmarium achondroides var. minus difere da variedade típica da espécie por apresentar células relativamente menores e mais curtas, semicélulas aproximadamente oblongas e ângulos mais projetados e arredondados.

Cosmarium arctoum Nordst. var. arctoum f. arctoum, Öfv. Kongl. Vet.-Akad. Förhandl. 1875(6): 28, pl. 7, fig. 22. 1875.

Figura 3

Célula ca. 1,4 vezes mais longa que larga, 19-21 µm compr., 13-15 µm larg., istmo 10-11 µm larg., constrição mediana rasa, seno mediano aberto, côncavo; semicélula subquadrática, margens laterais côncavas, apical levemente truncada, parede celular lisa; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155599), 14-II-2009, (HUEFS155623), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155799), Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEF155826).

Distribuição geográfica no Brasil: São Paulo (Araújo & Bicudo 2006).

Cosmarium arctoum var. arctoum f. arctoum é, morfologicamente, próximo de C. asphaerosporum Nordst. var. asphaerosporum, porém este último é distinto por apresentar seno mediano sub-retangular, semicélula cuneada a elíptica e ângulos arredondados.

Cosmarium basituberculatum Borge, Ark. Bot. 15(13): 29, pl. 2, fig. 22. 1918.

Figuras 4-6

Célula 1,6-1,9 vezes mais longa que larga, 35-38 µm compr., 20-21 µm larg., istmo 7-7,5 µm larg., espess. 17-18 µm; constrição mediana rasa, seno mediano aberto; semicélula circular, margens laterais convexas, apical arredondada, base da semicélula com 6 tubérculos (3-4 visíveis em vista frontal); parede celular grosseiramente escrobiculada, hialina a acastanhada; cloroplastídio axial ocupando toda a célula.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155700, HUEFS155701); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155702, HUEFS155705), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS 155782).

Distribuição geográfica no Brasil: Goiás (Förster 1964); Rio de Janeiro (Krieger 1950); São Paulo (Borge 1918).

Cosmarium basituberculatum foi descrita por Borge (1918) a partir de espécimes coletados no Estado de São Paulo. Förster (1964) descreveu a presença de mucilagem incolor formando um envoltório para a célula, porém, nas populações presentemente estudadas foram observadas células com mucilagem ora hialina ora mais ou menos acastanhada, possivelmente, por conta da impregnação de sais do ambiente, ocasionado pelo tempo de exposição do espécime.

Cosmarium bioculatum (Bréb.) Ralfs var. bioculatum, Brit. Desm. 95, pl. 15, fig. 5. 1848. Heterocarpella bioculata Bréb., Mem. Soc. Acad. Sci. Arts Falaise 1835: 56, pl. 7. 1835.

Figura 7

Célula quase tão longa quanto larga, 12-14 µm compr., 9-11 µm larg., istmo 2,5-4 µm larg.; constrição mediana profunda, seno mediano aberto; levemente alongado, semicélula elíptica a oblonga, margens laterais côncavas, apical retusa a levemente arredondada; parede celular hialina, pontuada, com abundante bainha de mucilagem; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João 15-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155625), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155773, HUEFS155782, HUEFS 155785); Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155717, HUEFS155718); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155757, HUEFS155761, HUEFS155765).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969), Paraná (Picelli-Vicentim et al. 2001, Bittencourt-Oliveira 1993, Felisberto & Rodrigues 2008, 2010), Rio de Janeiro (Souza 2002), São Paulo (Araújo & Bicudo 2006).

Morfologicamente, C. bioculatum var. bioculatum é próximo de C. tenue W. Archer, embora esta última espécie difira por apresentar margem apical convexa, seno mediano aberto em forma de V e semicélula elíptica estreitada.

Cosmarium bireme Nordst. var. huzelii Kurt Först. Amazoniana 2: 45, pl. 14, fig. 11-12. 1969.

Figura 8

Célula ca. 1,2 vezes mais longa que larga, 16-17,5 µm compr., 13,5-15 µm larg., istmo 4-6 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto; semicélula hexagonal, margens laterais levemente convexas, margem apical levemente truncada; parede celular hialina, 1 papila proeminente, central, na face de cada semicélula; cloroplastídio axial com 1 pirenoide.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155654); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155706, HUEFS155711), 26-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155727, HUEFS155728, HUEFS 155782).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969); Paraná (Felisberto & Rodrigues 2010).

Cosmarium bireme var. huzelii difere da variedade típica da espécie por apresentar a relação comprimento:largura maior, com células mais largas que longas. Morfologicamente Cosmarium bireme var. huzelii é muito próxima de C. polygonum (Nägeli) W. Archer var. polygonum f. rectum C.E.M.Bicudo, porém este ultimo é diferente por apresentar as margens laterais retas.

Cosmarium brasiliense (Wille) Nordst. var. brasiliense, K. Svenska. Vet.-Akad. Handl. Ser. 4, 22(8): 51. 1888. Cosmarium sphalerosticum Nordst. var. brasiliense Wille, Bih. K. Sv. Vet.- Akad. Handl. 8(18): 15, pl. 1, fig. 30. 1884.

Figuras 9, 10

Célula ca. 1,1 vezes mais longa que larga, 15-17,5 µm compr., 14-16 µm larg., istmo 5-6 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto, obtuso; semicélula elíptica, margens laterais convexas, apical levemente truncada; parede celular decorada com pequenas verrugas distribuídas uniformemente por toda célula; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155700, HUEFS155701); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155709); Conde, 12-VII-22009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155729, HUEFS155731).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969); Minas Gerais (Wille 1884); Roraima (Förster 1963); São Paulo (Børgesen 1890).

Morfologicamente, C. brasiliense var. brasiliense é próximo de C. wittrockii P. Lundell, do qual difere por esta apresentar semicélula transversalmente suboval a subelíptica, parede celular coberta por grânulos arranjados em fileiras horizontais e células comparativamente maiores.

Cosmarium candianum Delponte var. candianum f. candianum, Mem. R. Accad. Sci. Torino: sér. 2, 30: pl. 8, fig. 1-6. 1878.

Figuras 11, 12

Célula ca. 1,2 vezes mais larga que longa, 39-43 µm compr., 49-52,5 µm larg., istmo 12-13,5 µm larg.; constrição mediana profunda, seno mediano linear, fechado; semicélula semicircular, margens laterais e apicais arredondadas, lisas; parede celular pontuada, 2 cloroplastídios em cada semicélula.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155613); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155708, HUEFS155708), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155785).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002); Mato Grosso (De-Lamonica-Freire 1985); Paraná (Bortolini et al. 2010); São Paulo (Bicudo 1969, Araújo & Bicudo 2006).

Morfologicamente Cosmarium candianum var. candianum lembra C. bailey Wolle var. bailey e C. taxichondriforme Eichler & Gutw., entretanto, difere por apresentar células subcilíndricas, istmo arredondado e parede celular grosseiramente pontuada; já o segundo é distinto por apresentar semicélula semicircular, seno 2-ondulado e parede celular densamente pontuada.

Cosmarium capense De Toni var. nyassae Schmidle, Bor. Jahrb. 32: 70, pl. 2, fig. 1. 1902.

Figura 13

Célula ca. 1,2 vezes mais longa que larga, 120-122,5 µm compr., 100-112,5 µm larg., istmo 29-32,5 µm larg.; constrição mediana profunda, seno mediano linear, aberto na extremidade; semicélula piramidal, margens laterais lisas, convergentes para o ápice, este retuso; parede celular pontuada; 2 cloroplastídios em cada semicélula.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155701); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155706); Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155718), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155800, HUEFS155818).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Scott et al. 1965).

Cosmarium capense var. nyassae é semelhante a C. ralfsii Bréb. var. ralfsii, contudo, este difere por apresentar margens laterais levemente côncavas, ápice fortemente côncavo e ângulos basais subquadráticos.

Cosmarium contractum Kirchner var. ellipsoideum (Elfving) West & G.S. West Trans. R. Irish. Accad. 32: 40. 1902. Cosmarium ellipsoideum Elfving, Acta Soc. Fa. Fl. Fenn. 2(2): 13, pl. 1, fig. 10. 1881.

Figura 14

Célula ca. 1,5 vezes mais longa que larga, 35-37,5 µm compr., 23-25 µm larg., istmo 6-7,5 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto; semicélula transversalmente elíptica, margens laterais côncavas, margem apical arredondada; parede celular hialina, lisa; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS 155601); Conde, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155654), 1-III-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155660, HUEFS155662, HUEFS155665); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155681, HUEFS155687); Entre Rios, 26-VII-2009, (HUEFS155752, HUEFS155754, HUEFS 55755, HUEFS155757, HUEFS155758).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969).

Cosmarium contractum var. ellipsoideum difere da variedade típica da espécie por apresentar semicélulas elípticas e a relação entre o comprimento e a largura da célula superior a 1,5 vezes mais longas que largas.

Cosmarium contractum Kirchner var. sparcipunctatum Kurt Först., Amazoniana 2(1-2): 48, pl. 13, fig. 13-14. 1969.

Figuras 15, 16

Célula ca. 1,4 vezes mais longa que larga, 15-19 µm compr., 11-14 µm larg., istmo 5-6 µm larg., constrição mediana moderada, seno mediano aberto; semicélula elíptica, margens laterais côncavas, apical arredondada; parede celular finamente pontuada; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155785, HUEFS155788); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155801, HUEFS155804, HUEFS155813).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969, 1974).

Cosmarium contractum var. sparcipunctatum difere da variedade típica da espécie por apresentar parede celular pontuada, semicélula elíptica, istmo mais arredondado e ampliado, além de medidas celulares menores.

Cosmarium depressum (Nägeli) P. Lundell var. achondrum (Boldt) West & G.S. West Trans. Roy. Soc. Edinburgh 41(3): 484. 1905. Cosmarium phaseolus Bréb. var. achondrum Boldt, Öfvers. K. Vet. Akad. Handl. 1885(2): 103, pl. 5, fig. 7. 1885.

Figura 17

Célula quase tão longa quanto larga, 38-42,5 µm compr., 38-44 µm larg., istmo 12,5-14 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano angular; semicélula semicircular, margem superior retusa, laterais côncavas; parede celular finamente pontuada; 1cloroplastídio axial, por semicélula; pirenóide 1, central.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155701); Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155718), 2-VIII-2009, Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155799, HUEFS155809); Mata de São João, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155790, HUEFS155793).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969); Mato Grosso (De-Lamonica-Freire 1985).

Cosmarium depressum var. achondrum difere da variedade típica da espécie por apresentar semicélula elíptica, com a margem superior levemente arqueada.

Cosmarium depressum (Nägeli) P. Lundell var.planctonicum Reverdin, Arch. Sc. Phys. Et. Nat.: sér. 5, 1: 450, fig. 94-104. 1919

Figura 18

Célula ca. 1,7 vezes mais larga que longa, 12,5-15 µm compr., 21-24 µm larg., istmo 5-6 µm larg., constrição mediana profunda, seno levemente aberto, linear; semicélula oblonga, margem superior arredondada, margens laterais côncavas; parede celular finamente pontuada; bainha de mucilagem fluida e abundante; 2 cloroplastídio axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-VII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155701); Conde, 12-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155721); Mata de São João, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155790).

Distribuição geográfica para o Brasil: Minas Gerais (Lovo 1997).

Cosmarium depressum var. planctonicum é, quanto à sua morfologia, muito próximo da var. achondrum da mesma espécie, contudo, a última difere por apresentar medidas celulares proporcionalmente maiores e não apresentar a bainha de mucilagem característica da var. planctonicum.

Cosmarium dimaziforme (Grönblad) A.M. Scott & Grönblad var. concavum Kurt Först. & Eckert ex Kurt Fösrt. Hydrobiologia 23: 389, pl. 22, fig. 18, 18. 1964.

Figuras 19, 20

Célula ca.1,2 vezes mais larga que longa, 17,5-20 µm compr., 21-23,5 µm larg., istmo 7,5-9 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula trapeziforme, margens laterais côncavas, apical truncada; parede celular decorada com 1 verruga nos ângulos apicais e 1 nos ângulos laterais; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 12-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155623); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155700); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155761).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1964); Pará (Scott et al. 1965); São Paulo (Marinho & Sophia 1997).

Förster (1964) descreveu Cosmarium dimaziforme var. concavum a partir de indivíduos que apresentavam a relação comprimento:largura celulares ao redor de 1,2 vezes mais larga do que longa, margens laterais côncavas, ângulos apicais e lobos laterais com uma verruga e membrana hialina, lisa.

Cosmarium horridum Borge, Ark. Bot. 15(13): 37, pl. 3, fig. 15-16. 1918.

Figuras 21, 22

Figuras 21-38 21, 22. Cosmarium horridum. 22. Detalhe dos espinhos. 23. C. impressulum var. impressulum. 24. C. majae. 25. C. moniliforme var. moniliforme f. moniliforme. 26. C. moniliforme var. moniliforme f. elongata. 27. C. montrealense. 28, 29. C. ordinatum. 29. Vista apical. 30, 31. C. ornatum var. ornatum f. ornatum. 31. Detalhe da ornamentação da parede. 32. C. phaseolus var. elevatum. 33. C. polymorphum. var. groenbladii. 34. C. punctulatum var. punctulatum. 35-37. C. pseudotaxichondrum var. longii. 36. Detalhe da ornamentação da parede. 37. Vista apical. 38. C. pyramidatum var. stephani. Barras: Figuras 21, 22, 24, 25, 28, 29, 34 = 10 μm; Figuras 23, 26, 27, 30-33, 35-37 = 20 μm; Figura 38 = 40 μm. 

Figures 21-38 21, 22. Cosmarium horridum. 22. Detail of spikes. 23. C. impressulum var. impressulum. 24. C. majae. 25. C. moniliforme var. moniliforme f. moniliforme. 26. C. moniliforme var. moniliforme f. elongata. 27. C. montrealense. 28, 29. C. ordinatum. 29. Apical view. 30, 31. C. ornatum var. ornatum f. ornatum. 31. Detail of wall decoration. 32. C. phaseolus var. elevatum. 33. C. polymorphum. var. groenbladii. 34. C. punctulatum var. punctulatum. 35-37. C. pseudotaxichondrum var. longii. 36. Detail of wall decoration. 37. Apical view. 38. C. pyramidatum var. stephani. Bars: Figures 21, 22, 24, 25, 28, 29, 34 = 10 μm; Figures 23, 26, 27, 30-33, 35-37 = 20 μm; Figure 38 = 40 μm. 

Célula tão larga quanto longa, 54-58 µm compr., 54-58 µm larg., istmo 12,5-14 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano estreito, semicélula oblonga, margens laterais côncavas, ornadas com espinhos curtos, margem apical arredondada, ornada com 1 série de espinhos curtos, fortes, ligeiramente curvados; parede celular acastanhada, região mediana e laterais ornadas com rosetas formadas por 10-12 espinhos curtos e 3-4 espinhos na região central e 1 leve inflação mediana em cada lado da semicélula; cloroplastídio parietal.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 12-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155627); Esplanada, 12-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155637, HUEFS155638), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155680, HUEFS155684, HUEFS155687, HUEFS155691, HUEFS155693, HUEFS155694, HUEFS155698).

Distribuição geográfica no Brasil: Mato Grosso (Börge 1899), São Paulo (Börge 1918), Distrito Federal (Leite 1990, Gomes 2007, Estrela et al. 2011).

Borge (1918) descreveu a célula de Cosmarium horridum como sendo pouco mais longa que larga e apresentando um tumor central ornado por 16 tubérculos circulares com ápices 1-4-dentados. Nada, além disso, foi mencionado pelo autor a respeito da nova espécie.

Cosmarium impressulum Elfvin var. impressulum, Acta Soc. Fauna Flora Fenn. 2(2): 13, fig. 9. 1881.

Figura 23

Célula 1,5-1,7 vezes mais longa que larga, 22-34 µm compr., 14-20 µm larg., istmo 5-7 µm larg., contorno ovalado, constrição mediana profunda, seno linear, extremidade dilatada, semicélulas semi-elípticas, margem apical retusa, margens laterais 6-onduladas; parede celular hialina, lisa; 2 cloroplastídios por semicélula.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155600, HUEFS155602, HUEFS155607), 12-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS1155624); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155690, HUEFS155693); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155796, HUEFS155797, HUEFS155801, HUEFS155815).

Distribuição geográfica para o Brasil: São Paulo (Araújo 2006), Mato Grosso (De-Lamonica-Freire 1985); Pará (Grönblad 1945); Paraná (Silva & Cecy 2004).

Quanto à morfologia, Cosmarium impressulum var. impressulum pode ser confundido com C. undulatum Corda ex Ralfs. Contudo, o último é distinto por apresentar medidas celulares maiores (44-64 µm compr., 30-52 µm larg.), semicélulas semi-elípticas e possuir 10 a 12 ondulações nas margens laterais.

Cosmarium majae Ström, N. Not. 33: 131, fig. 1. 1922.

Figura 24

Célula ca. 1,4 vezes mais longa que larga, 12,5-14 µm compr., 9-11 µm larg., istmo 3-4 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto; semicélula transversalmente elíptica, margens laterais circulares, apical retusa, parede celular hialina, lisa; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155717), 2-VIII-2009, (HUEFS155806, HUEFS155809, HUEFS155812, HUEFS155819).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1974); São Paulo (Araújo & Bicudo 2006).

Cosmarium majae lembra, morfologicamente, C. bioculatum Bréb., contudo, este difere por apresentar semicélulas oblongas e uma abundante bainha de mucilagem. Lembra ainda C. tenue W. Archer, porém este difere por apresentar margem apical arredondada e istmo aberto em forma de V.

Cosmarium moniliforme (Turpin) Ralfs var. moniliforme f. moniliforme, Brit. Desmi. 107, pl. 17, fig. 6. 1848. Tessarthronia moniliformis Turpin, Dic. Sci. Nat., Pl. 7, fig. 1. 1820

Figura 25

Célula 1,2-1,5 vezes mais longa que larga, 26-31 µm compr., 17,5-25 µm larg., istmo 6,5-8 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto, acutangular; semicélula semicircular, margens laterais e apical convexas, lisas; parede celular hialina, pontuada; cloroplastídio não observado.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155717, HUEFS155718), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155801, HUEFS155803, HUEFS155808, HUEFS155811, HUEFS155813, HUEFS155815, HUEFS155818); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155752, HUEFS155756, HUEFS155757, HUEFS155761); Mata de São João, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155782, HUEFS155785, HUEFS155787).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1963); Distrito Federal (Estrela et al. 2011); Minas Gerais (Nordstedt 1869, Bicudo 1969, Lovo 1997); Paraná (Bittencourt-Oliveira 1993, Silva & Cecy 2004).

A primeira noticia da ocorrência de Cosmarium moniliforme var. moniliforme f. moniliforme no Brasil está em Borge (1925) e, a seguir, em Grönblad (1945), contudo, nenhum dos dois autores descreveu e/ou ilustrou o material estudado.

A espécie é semelhante a C. contractum Kirchner, do qual se diferencia pelas semicélulas nitidamente circulares e pelo cloroplasto axial lobulado. Prescott et al. (1981) afirmaram que essa espécie apresenta um cloroplastídio axial em cada semicélula e que este pode ter seis lobos radiais, algumas vezes furcados ou irregulares.

Cosmarium moniliforme (Turpin) Ralfs var. moniliforme f. elongatum West & G.S. West, J. Linn. Soc. Lond.: Bot. 33: 311, pl. 17, fig. 14. 1898.

Figura 26

Célula 2,2-2,3 vezes mais larga que longa, 49-60 µm compr., 21-27,5 µm larg., istmo 7,5-9 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto, acutangular, semicélula elíptica, margens laterais paralelas, apical arredondada a retusa, lisas; parede celular hialina, 2 fileiras transversais de poros; cloroplastídio parietal.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155718), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155803, HUEFS155809, HUEFS155810, HUEFS155812, HUEFS155814); Esplanada, 25-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155745); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155757, HUEFS155760); Mata de São João, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155785, HUEFS155787).

Distribuição geográfica no Brasil: Distrito Federal (Estrela et al. 2011); Mato Grosso (De-Lamonica-Freire 1985); Minas Gerais (Nordstedt 1869); Piauí (Förster 1964); São Paulo (Børgesen 1890, Bicudo 1969).

Cosmarium moniliforme var. moniliforme f. elongata difere da forma típica da espécie por apresentar semicélula quadrangular, istmo aberto em forma de V e ângulos basais e apicais subquadráticos.

Cosmarium montrealense Croasdale, Syn. N. Amer. Desm. 2(3): 195. 1981.

Figura 27

Célula ca. 1,2 vezes mais longa que larga, 23-27,5 µm compr., 19-22,5 µm larg., istmo 6-8 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano linear, fechado, semicélula subsemicircular, margens lateral e apical lisas, laterais convexas; parede celular lisa; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155613), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155688, HUEFS155701); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155809, HUEFS155811).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002); Paraná (Bortolini et al. 2010a, b); Rio Grande do Sul (Sophia et al. 2005).

De acordo com Prescott et al. (1981), o seno fechado e as medidas celulares são as únicas características que distinguem Cosmarium montrealense de C. bioculatum Bréb.

Cosmarium ordinatum (Børgesen) West & G.S. West var. borgei A.M. Scott & Grönblad, Acta Soc. Sci. Fenn.: sér. B, 2(8): 20, pl. 8, fig. 4. 1957.

Figuras 28, 29

Célula tão larga quanto longa, ca. 25 µm compr., ca. 25 µm larg., istmo 10-12,5 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano estreito, linear; semicélula transversalmente oblonga, margens laterais côncavas e apical retusa; parede celular hialina, ornamentada com 3-4 séries transversais de pequenas verrugas arranjadas em 5-6 fileiras verticais; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155641); Conde, 12-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155730), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155806, HUEFS155809, HUEFS155819, HUEFS155823).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1974).

Cosmarium ordinatum var. borgei difere da variedade-tipo da espécie por apresentar duas fileiras horizontais paralelas na face da semicélula, formadas por um arranjo de quatro a seis pequenos grupos de verrugas, cada grupo formado por quatro pequenas verrugas.

Cosmarium ornatum Ralfs var. ornatum f. ornatum, Brit. Desmid. 104, pl. 17, fig. 7. 1848.

Figuras 30, 31

Célula quase tão longa quanto larga, 32-40 µm compr., 36-42,5 µm larg., ca. 22,5 µm espess., istmo 7,5-11 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano estreito; semicélula levemente reniforme, margens laterais côncavas, ornadas com verrugas, apical arredondada; 1 série de verrugas; parede celular hialina, 1 intumescência proeminente na região mediana, 1 círculo de grânulos arredondados e outros grânulos arranjados em curtas séries transversais ou aleatórias; 2 cloroplastídios por semicélula, axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155599, HUEFS155604, HUEFS 155608, HUEFS155610), 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155621, HUEFS155623, HUEFS155625); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155618), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155680, HUEFS155681, HUEFS155684, HUEFS155687, HUEFS155690, HUEFS155691, HUEFS 55698); Conde, 1-III-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155660, HUEFS155662); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155752, HUEFS155754, HUEFS155755, HUEFS155761).

Distribuição geográfica no Brasil: Bahia (Oliveira et al. 2010); Rio Grande do Sul (Franceschini 1992, Bicudo & Ungaretii 1986).

Cosmarium ornatum var. ornatum f. ornatum é uma espécie relativamente fácil de ser identificada por apresentar semicélulas levemente reniformes e a intumescência central ornamentada. Segundo West & West (1908), C. ornatum var. ornatum f. ornatum apresenta variação morfológica, especialmente na forma dos grânulos da ornamentação da protuberância da face central da semicélula.

Cosmarium phaseolus Bréb. var. elevatum Nordst. Acta Univ. Lund. 9: 17. pl. 1, fig. 5. 1873.

Figura 32

Célula ca. 1,1 vezes mais longa que larga, 30-32,5 µm compr., 26-30 µm larg., istmo 6-8 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano aberto; semicélula hexagonal, margens laterais côncavas, margem apical truncada; parede celular hialina, fina e uniformemente pontuada; cloroplastídio parietal, furcado, preenchendo todo o espaço celular.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 11-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155718), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155806, HUEFS155809, HUEFS155821); Mata de São João, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155782, HUEFS155790, HUEFS155793).

Distribuição geográfica no Brasil: Paraná (Silva & Cecy 2004).

Cosmarium phaseolus var. elevatum difere da variedade típica da espécie por apresentar semicélula hexagonal e margem apical truncada, enquanto que a típica apresenta semicélula reniforme e margem apical arredondada.

Cosmarium polymorphum Nordst. var. groenbladii Kurt Först. Amazoniana 2(1-2): 54, pl. 16, fig. 8-10. 1969.

Figura 33

Célula 1-1,2 vezes mais longa que larga, 26-29 µm compr., 24-25 µm larg., istmo 6-7,5 µm larg., constrição mediana profunda, linear, aberto nas extremidades; semicélula subtrapeziforme, margens laterais côncavas, apical arredondada, parede celular hialina, ornamentada com 2 fileiras de grânulos ao redor da semicélula, 2 grânulos maiores no centro de cada semicélula; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 28 fev. 2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155641), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155682); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155809, HUEFS155819, HUEFS155821, HUEFS155823).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969).

Förster (1969) propôs Cosmarium polymorphum var. groenbladii a partir de material coletado no estado do Amazonas, descrevendo-o como possuindo semicélula subtrapeziforme, de margens laterais côncavas e apical levemente convexa, seno mediano reto, duas verrugas robustas abaixo do ápice e outras duas no centro da semicélula.

Cosmarium punctulatum Bréb. var. punctulatum, Mém. Soc. Imp. Sci. Nat. Cherbourg 4: 129, pl. 1, fig.16. 1856.

Figura 34

Célula tão longa quanto larga, 19-20 µm compr., 19-20 µm larg., istmo 6-6,5 µm larg., constrição mediana rasa, seno mediano fechado, linear; semicélula trapeziforme, margens laterais côncavas, convergentes para o ápice, apical truncada, pouco ondulada, parede celular ornamentada com pequenos grânulos distribuídos por toda superfície celular, cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155613, HUEFS155615, HUEFS155617), 12-VIII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155734, HUEFS155737, HUEFS155744); Mata de São João, 15-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155621, HUEFS155626), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155702, HUEFS155705, HUEFS155708, HUEFS155709), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS 55780, HUEFS155782, HUEFS155784, HUEFS155785); Conde, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155643, HUEFS155644, HUEFS155655); idem., 1-III-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155667, HUEFS155669, HUEFS155671); idem., 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. ( HUEFS155806, HUEFS155810, HUEFS155814, HUEFS155817, HUEFS155819, HUEFS155820, HUEFS155822, HUEFS155826).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002); Mato Grosso (Santos 2008, Malone 2010); Paraná (Cecy et al. 1997, Silva & Cecy 2004, Felisberto & Rodrigues 2008, 2010, Bortolini et al. 2010b); São Paulo (Araújo & Bicudo 2006).

Quanto à morfologia, Cosmarium punctulatum var. punctulatum é próximo a C. bipunctatum Børgesen, porém, esta difere por apresentar dois grânulos proeminentes na região central da semicélula e a disposição dos grânulos na parede da semicélula menos densa. No material que analisamos foi possível observar polimorfismo em relação: (1) ao contorno da célula que variou de quadrangular a amplamente elíptica; (2) à margem apical arredondada a retusa; e (3) às protuberâncias que ora apareceram bem evidentes, ora quase imperceptíveis.

Cosmarium pseudotaxichondrum Nordst. var. longii (W.R. Taylor) A.M. Scott. Acta Bot. Fenn. 69: 45, fig. 128-129. 1965.

Figuras 35-37

Célula ca. 1,3 vezes mais larga que longa, 22,5-25 µm compr., 30-34 µm larg., istmo 7,5-10 µm larg., espess. 10 µm; constrição mediana profunda, seno mediano fechado, 1 pequena abertura na região mediana; semicélula transversalmente elíptica, margens laterais e apical côncavas, parede celular com 4 grânulos formando 1 fileira horizontal, cloroplastídio axial, ocupando todo o espaço celular.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155601, HUEFS155606, HUEFS155607), 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155772, HUEFS155787, HUEFS155791); Esplanada, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155612, HUEFS155613, HUEFS155614); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155802, HUEFS155809, HUEFS155815, HUEFS155818).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Scott et al. 1965, Förster 1969, 1974).

Cosmarium pseudotaxichondrum var. longii difere da variedade típica da espécie por apresentar semicélula elíptica, seno fechado, ausência de dois grânulos maiores logo acima do istmo; difere também da var. sublongii Kurt Först. da mesma espécie por esta apresentar istmo aberto em forma de V, margem apical ornada com quatro grânulos subapicais e uma verruga nos ângulos basais.

Cosmarium pyramidatum Bréb. var. stephani Irénée-Marie, Flore Desm. Montréal. 170, pl. 32, fig. 8-10. 1938.

Figura 38

Célula ca. 2 vezes mais longa que larga, 65-72,5 µm compr., 32,5-36 µm larg., istmo 10 µm larg., constrição mediana mais ou menos profunda, seno mediano linear, fechado; semicélula piramidal-truncada, margens laterais convexas, apical truncada; parede celular pontuada; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155641, HUEFS155642), 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155700, HUEFS155701); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155701, HUEFS155706), 26-VII-2009, (HUEFS155778, HUEFS155784).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002); Mato Grosso (De-Lamonica-Freire 1985, Camargo et al. 2009); Paraná (Bitencourtt-Oliveira 1993, Silva & Cecy 2004, Bortolini et al. 2010a).

Cosmarium pyramidatum var. stephani difere da variedade típica da espécie por esta apresentar margens laterais levemente convexas, ápices levemente truncados e ângulos basais e apicais retangular-arredondados.

Cosmarium regnellii Wille var. minimum Eichler & Gutw., Rozpr. Wydz. Matem.-przyr. Akad. Umiej. w Krakow. 28: 164, pl. 4, fig. 6. 1894.

Figuras 39, 40

Figuras 39-55 39, 40. Cosmarium regnellii var. minimum. 40. Vista lateral. 41, 42. C. subgranatum var. subgranatum. 42. Variação morfológica da célula. 43. C. sublobatum var. brasiliense. 44-46. C. subspeciosum. var. subspeciosum f. subspeciosum. 45. Detalhe da ornamentação da parede. 46. Vista lateral. 47, 48. C. subspeciosum. var. validus. f. validus. 48. Detalhe da ornamentação da parede. 49-51. C. subtriordinatum var. acervatum. 50. Vista apical. 51. Vista lateral. 52, 53. C. trinodulum var. brasiliense. 53. Detalhe da ornamentação da parede. 54. C. variolatum var. rotundatum. 55. C. zonnatum var. subcirculare f. subcirculare. Barras: Figuras 39, 40, 43, 55 = 10 μm; Figuras 41, 42, 44-54 = 20 μm. 

Figures 39-55 39, 40. Cosmarium regnellii var. minimum. 40. Side view. 41, 42. C. subgranatum var. subgranatum. 42. Morphological variation of the cell. 43. C. sublobatum var. brasiliense. 44-46. C. subspeciosum. var. subspeciosum f. subspeciosum. 45. Detail of wall decoration. 46. Side view. 47, 48. C. subspeciosum. var. validus. f. validus. 48. Detail of wall decoration. 49-51. C. subtriordinatum var. acervatum. 50. Apical view. 51. Side view. 52, 53. C. trinodulum var. brasiliense. 53. Detail of wall decoration. 54. C. variolatum var. rotundatum. 55. C. zonnatum var. subcirculare f. subcirculare. Bars: Figures 39, 40, 43, 55 = 10 μm; Figures 41, 42, 44-54 = 20 μm. 

Célula tão larga quanto longa, 10-14 µm compr., 10-12,5 µm larg., istmo 5-7,5 µm larg.; constrição mediana profunda, seno mediano linear, fechado; semicélula subquadrangular, margens laterais lisas, divergentes até o meio, depois convergentes para o ápice, este, truncado; face da semicélula com uma papila na região central; parede celular hialina, lisa; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Esplanada, 14-II- 2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155618); Mata de São João, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS 155623); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155806, HUEFS155818, HUEFS155819).

Distribuição geográfica no Brasil: Rio de Janeiro (Sophia 2009).

Cosmarium regnellii var. minimum difere da variedade típica da espécie por apresentar medidas celulares relativamente menores, semicélula subquadrangular, com os ângulos laterais mais curtos e levemente pronunciados e a papila na região central da semicélula mais pronunciada.

Cosmarium subgranatum (Nordst.) Lütkem. var. subgranatum, Beitr. Biol. Pflanzen 8: 364, 1902. Cosmarium granatum Bréb. var. subgranatum Nordst., Mineskr. Utg. Fysiogr. Sällska. Lund. 1878: 13, pl. 2, fig. 8. 1878.

Figuras 41, 42

Célula 1,5-1,7 vezes mais longa que larga, 27,5-30 µm compr., 19-21 µm larg., istmo 7-8 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula piramidal-truncada, margens laterais côncavas, depois paralelas nos 2/3 superiores, convergindo para o ápice, margem apical truncada; parede celular hialina, finamente pontuada; cloroplastídios não observados.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Mouras.n. (HUEFS155610); Esplanada, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155613, HUEFS155619); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155806, HUEFS155809).

Distribuição geográfica no Brasil: Rio de Janeiro (Sophia 2009).

Cosmarium subgranatum var. subgranatum é morfologicamente semelhante a C. granatum Bréb. var. granatum f. granatum, contudo, esta difere por apresentar margens laterais côncavas, atenuadas para o ápice, margem apical cônico-arredondada e ângulos basais arredondados.

Cosmarium sublobatum (Bréb.) W. Archer var. brasilienseBorge, Ark. Bot. 1: 101, pl. 3, fig. 34. 1903.

Figura 43

Célula ca. 1,7 vezes mais longa que larga, 30-32,5 µm compr., 17,5-20 µm larg., istmo 7,5-9 µm larg.; contorno retangular, constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula quadrática, margens laterais retusas, paralelas entre si; margem apical truncada, angulos espessados; parede celular pontuada; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 15-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155625); Esplanada, 15-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155627); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155804, HUEFS155809, HUEFS155812).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Lopes & Bicudo 2002); Distrito Federal (Estrela et al. 2011); Mato Grosso (Borge 1903).

Borge (1903) descreveu Cosmarium sublobatum var. brasiliense a partir de material do Paraguai. Segundo o referido autor, a presente var. brasiliense difere da típica da espécie por apresentar células relativamente menores, seno mediano linear e semicélulas com ângulos arredondados.

Cosmarium subspeciosum Nordst. var. subspeciosum f. subspeciosum, Vidensk. Medd. Natur. Foren. Kjöbenhavn 1888: 194, pl. 6, fig. 6-7. 1888.

Figuras 44-46

Célula ca. 1,3 vezes mais longa que larga, 44-48,5 µm compr., 35-37,5 µm larg., istmo 10-11 µm larg., 22,5 µm espess.; constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula trapeziforme, margens laterais côncavas, apical retusa, crenuladas; parede celular hialina, 14-18 fileiras de grânulos duplos dispostos em séries radiais formando linhas no sentido da região central da semicélula, 1 protuberância logo acima do istmo, decorada com 5 linhas verticais de grânulos; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 15-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155622, HUEFS155624); Conde, 1-III-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155665); idem., 26-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155715, HUEFS155718, HUEFS155723).

Distribuição geográfica no Brasil: Goiás (Felisberto & Rodrigues 2004); Paraná (Silva & Cecy 2004).

Morfologicamente, Cosmarium subspeciosum var. subspeciosum f. subspeciosum lembra C. binum Nordst., porém, o ultimo é distinto por apresentar medidas celulares maiores, margem apical arredondada, uma fileira de grânulos alongados logo acima do istmo, e paralelas a esta, seis fileiras verticais de grânulos.

Cosmarium subspeciosum Nordst. var. validus Nordst. f. validus, Kongl. Svenska Vet.-Akad. Handl. 22(8): 49, pl. 5, fig. 10. 1888.

Figuras 47, 48

Célula ca. 1,5 vezes mais longa que larga, 87,6-92,5 µm compr., 60-69 µm larg., istmo 20-21 µm larg., 37,5 µm espess.; constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula subsemicircular, margens laterais côncavas, apical arredondada, 22-24 crenulações duplas proeminentes; parede celular hialina, com fileiras de grânulos duplos em séries radiais formando linhas no sentido da região central da semicélula, esta com 1 tumor elíptico, grânulos formando 4-5 linhas verticais acima do istmo; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 11-I-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155602); Esplanada, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155639), 25-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155744, HUEFS155746); Conde, 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155820, HUEFS155822, HUEFS155824).

Distribuição geográfica no Brasil: Paraná (Silva & Cecy 2004, Felisberto & Rodrigues 2008, Bortolini et al. 2010a, 2010b).

Nordstedt (1888) propôs Cosmarium subspeciosum var. validus f. validus após analisar material da Nova Zelândia. De acordo com o referido autor, a variedade em questão difere da típica da espécie por apresentar dimensões celulares maiores, maior número de crenulações ao redor de cada semicélula, um tumor basal subelíptico e grânulos organizados em séries verticais.

Cosmarium subtriordinatum West & G.S. West var. acervatum Kurt Först. Amazoniana 2(1-2): 57, pl. 18, fig. 11-12. 1969.

Figuras 49-51

Célula tão longa quanto larga, 25-27,5 µm compr., 25-27,5 µm larg., istmo 10-12 µm larg.; constrição mediana profunda, seno mediano fechado, linear; semicélula oblonga, margens laterais côncavas, apical retusa, parede celular hialina, 3 rosetas de 6 grânulos rodeando 1 central, sendo 1 roseta central e 1 de cada lado da semicélula; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155625); Conde, 12-VII-2009, I.B. Oliveira et al. s.n. (HUEFS155727), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155804, HUEFS155812, HUEFS155826); Entre Rios, 26-VII-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155756, HUEFS155761, HUEFS155764).

Distribuição geográfica no Brasil: Pará (Förster 1969).

Förster (1969) propôs Cosmarium subtriordinatum var. acervatum ao estudar material coletado no Município de Santarém, Estado do Pará, caracterizando a variedade por apresentar seno mediano sempre reto, semicélula com ornamentações diferenciadas no centro, formadas por verrugas laterais e apicais e três a cinco grânulos entre as verrugas.

Cosmarium subtriordinatum var. acervatum é muito semelhante a C. bipunctatum Børgesen e a C. kjellmenii Wille. De acordo com a literatura, C. bipunctatum é distinto por apresentar células proporcionalmente menores, semicélula trapeziforme e margens laterais e apical crenadas; C. kjellmenii apresenta semicélula piramidal-truncada a trapeziforme-arredondada, parede celular com minúsculos grânulos e um tumor no centro da semicélula ornado com cinco séries verticais de grânulos. Este é o primeiro registro no território brasileiro realizado após a sua descrição original feita por Förster (1969).

Cosmarium trinodulum Nordst. var. brasilienseBorge, Bih. K. Sevenska Vet.-Acad. Handl. 12(3):20, pl. 1, fig. 23. 1899.

Figuras 52, 53

Célula quase tão lonarga quanto longa, 32,5-35 µm compr., 30-32,5 µm larg., istmo 9-11 µm larg., contorno subeliptico, constrição mediana moderada, seno linear, fechado; semicelula oblonga, margens laterais côncavas, ornadas com 3 grânulos, margen apical arredondada; parede celular hialina, 1 fileira formada por 4-5 verrugas logo abaixo da margen apical, região central da semicélula ornada com uma roseta de 6-8 poros; cloroplastídio parietal.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155649, HUEFS155654), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155804, HUEFS155809); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155690, HUEFS155696).

Distribuição geográfica para o Brasil: Rio de Janeiro (Borge 1899).

Cosmarium trinodulum var. brasiliense lembra em suas características gerais C. pseudotriplicatum A.M. Scott & Grönblad, no entanto, este apresenta semicélula subretangular, ângulos basais mamilados e face da semicélula ornada por 1 série transversal de 3 grânulos redondos e entre estes, escrobiculações. Esse é o primeiro registro da espécie após a descrição original, que ocoreeu a mais de 100 anos atrás.

Cosmarium variolatum P. Lundell var. rotundatum (Willi Krieg.) Messik. Hedwigia 78: 73, pl. 3, fig. 34. 1938.

Figura 54

Célula ca. 1,5 vezes mais larga que longa, 49-52,5 µm compr., 31-34 µm larg., istmo 9-11 µm larg., constrição mediana profunda, seno mediano linear, fechado; semicélula subtrapeziforme-arredondada, margens laterais côncavas, margem apical arredondada, lisas; parede celular hialina, delicadamente escrobiculada; cloroplastídio axial.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Conde, 28-II-2009, I.B. Oliveira & J.T. Farias s.n. (HUEFS155648, HUEFS155654), 2-VIII-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155804, HUEFS155809, HUEFS155812); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155689, HUEFS155690, HUEFS155696).

Distribuição geográfica no Brasil: Bahia (Förster 1964); Rio de Janeiro (Krieger 1950).

Cosmarium variolatum var. rotundatum é distinto da variedade típica da espécie por apresentar medidas celulares maiores, semicélula subtrapeziforme-arredondada e parede celular delicadamente escrobiculada. O táxon foi redescoberto para o Estado 51 anos depois da citação de Foster (1964).

Cosmarium zonnatum P. Lundell var. subcirculare A.M. Scott & Grönblad f. subcirculare, Acta Soc. Sci. Fenn.: sér. B, 2(8): 24, pl. 5, figs. 11, 12. 1957.

Figura 55

Célula 2-2,2 vezes mais longa que larga, 42,5-50 µm compr., 20-25 µm larg., istmo 10 µm larg., constrição mediana moderada, seno mediano aberto; semicélula subcircular, margens laterais convexas, apical levemente truncada, ângulos arredondados, parede celular finamente pontuada, 3 fileiras horizontais de pontuações maiores ou escrobículos; cloroplastídios axiais.

Material examinado: BRASIL. BAHIA: Mata de São João, 14-II-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155625); Esplanada, 14-III-2009, I.B. Oliveira & C.W.N. Moura s.n. (HUEFS155679, HUEFS155680, HUEFS155684, HUEFS155700, HUEFS155701).

Distribuição geográfica no Brasil: Amazonas (Förster 1969).

Scott & Grönblad (1957) propuseram Cosmarium zonnatum var. subcirculare f. subcirculare com base em material coletado no sudeste dos Estados Unidos da América. Conforme os referidos autores, a var. subcirculare proposta diferia da típica da espécie unicamente por apresentar semicélulas subcirculares.

A composição florística do inventário taxonômico para a APA Litoral Norte mostrou um número de táxons documentados bastante elevado, inclusive trazendo um número razoável de táxons que estão sendo redescobertos para o Brasil.

Observa-se na tabela 1, a frequência de ocorrência de todos os táxons identificados, incluindo em qual período de estudo (verão e/ou inverno) foram registrados, mostrando quais táxons são raros e quais são comuns. Constatou-se ainda que dos 35 táxons estudados, 28 foram considerados de ocorrência rara, por estarem presentes em ≤ 10% das amostras analisadas, enquanto sete táxons foram considerados pouco frequantes por estarem presentes em ≤ 40% e > 10% das amostras examinadas.

Tabela 1 Frequência de ocorrência absoluta (FA), frequência de ocorrência relativa (FR), frequência global e classificação em categorias (C) dos táxons da APA Litoral Norte, Bahia, Brasil. Legenda: > 70% - Muito Frequente (MF); ≤ 70% e > 40% - Frequente (F); ≤ 40% e > 10% - Pouco Frequente (PF); e ≤ 10% - Rara (R). 

Table 1 Absolute Frequency of occurrence (FA), occurring relative frequency (RF), overall frequency and categorization (C) of the taxa EPA Litoral Norte, Bahia, Brazil. Legend: > 70% - Very Common (MF); ≤ 70% and> 40% - Frequent (F); ≤ 40% and > 10% - Little Common (PF); and ≤ 10% - Rare (R). 

Táxons Frequência de ocorrência
Seca Chuva Global C
FA FR% FA FR% FA FR%
Cosmarium achondroides var. minus 7 6,09 15 13,04 22 9,57 R
C. arctoum var. arctoum f. arctoum 12 10,43 13 11,30 25 10,87 PF
C. basituberculatum 9 7,83 6 5,22 15 6,52 R
C. brasiliense var. brasiliense 4 3,48 16 13,91 20 8,70 R
C. bireme var. huzelii 6 5,22 7 6,09 13 5,65 R
C. candianum var. candianum f. candianum 9 7,83 7 6,09 16 6,96 R
C. capense var. nyassae 6 5,22 11 9,57 17 7,39 R
C. contractum var. ellipsoideum 24 20,87 40 34,78 64 27,83 PF
C. contractum var. sparcipunctatum 3 2,61 11 9,57 14 6,09 R
C. depressum var. achondrum 7 6,09 9 7,83 16 6,96 R
C. depressum var. planctonicum 0 0,00 4 3,48 4 1,74 R
C. dimaziforme var. concavum 6 5,22 8 6,96 14 6,09 R
C. horridum 25 21,74 21 18,26 46 20,00 PF
C. impressulum var. impressulum 12 10,43 15 13,04 27 11,74 PF
C. majae 0 0,00 11 9,57 11 4,78 R
C. moniliforme var. moniliforme f. moniliforme 5 4,35 4 3,48 9 3,91 R
C. moniliforme var. moniliforme f. elongatum 7 6,09 26 22,61 33 14,35 PF
C. montrealense 3 2,61 12 10,43 15 6,52 R
C. ordinatum var. borgei 2 1,74 5 4,35 7 3,04 R
C. ornatum var. ornatum f. ornatum 34 29,57 24 20,87 58 25,22 PF
C. phaseolus var. elevatum 6 5,22 4 3,48 10 4,35 R
C. polymorphum var. groenbladii 7 6,09 4 3,48 11 4,78 R
C. punctulatum var. punctulatum 5 4,35 7 6,09 12 5,22 R
C. pseudotaxichondrum var. longii 9 7,83 14 12,17 23 10,00 PF
C. pyramidatum var. stephani 6 5,22 11 9,57 17 7,39 R
C. regnellii var. minimum 8 6,96 5 4,35 13 5,65 R
C. subgranatum var. subgranatum 7 6,09 4 3,48 11 4,78 R
C. sublobatum var. brasiliense 6 5,22 16 13,91 22 9,57 R
C. subspeciosum var. subspeciosum 5 4,35 6 5,22 11 4,78 R
C. subspeciosum var. validus f. validus 6 5,22 7 6,09 13 5,65 R
C. subtriordinatum var. acervatum 5 4,35 12 10,43 17 7,39 R
C. trinodulum var. brasiliense 7 6,09 9 7,83 16 6,96 R
C. variolatum var. rotundatum 7 6,09 3 2,61 10 4,35 R
C. zonnatum var. subcirculare f. cylindricum 11 9,57 0 0,00 11 4,78 R

Cosmarium depressum var. planctonicum e C. majae Ström, foram registrados apenas no período de chuva, enquanto C. zonnatum var. subcirculare f. cylindricum, foi exclusivo do período de seca.

Após a conclusão dos estudos, 35 táxons foram identificados, destes, um táxon C. trinodulum var. brasiliense foi redescoberto, pois seu último registro aconteceu há mais de 100 anos. Outros 11 táxons também foram considerados como redescobertos, pois suas últimas publicações datam de cerca de 50 anos, a saber: Cosmarium basituberculatum, C. brasiliense var. brasiliense, C. capense var. nyassae, C. contractum var. ellipsoideum, C. contractum var. sparcipunctatum, C. ordinatum var. borgei, C. polymorphum var. groenbladii, C. pseudotaxichondrum var. longii, C. subtriordinatum var. acervatum, C. variolatum var. rotundatum, C. zonnatum var. subcirculare f. subcirculare.

Dos 35 táxons inventariados, apenas Cosmarium moniliforme var. moniliforme f. elongata havia sido registrado para o estado do Piauí por Förster (1964), sendo os 34 restantes adicionados a flora ficológica do nordeste, ampliando assim a distribuição geográfica destes táxons no Brasil.

Literatura citada

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Recebido: 28 de Setembro de 2015; Aceito: 30 de Março de 2016

4 Autor para correspondência: ivboliveira@gmail.com

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Parte da Tese de Doutorado da primeira Autora

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