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Revista Brasileira de História da Educação

versão impressa ISSN 1519-5902versão On-line ISSN 2238-0094

Rev. Bras. Hist. Educ. vol.19  Maringá  2019  Epub 23-Maio-2019

https://doi.org/10.4025/rbhe.v19.2019.e058 

ARTIGO ORIGINAL

O ensino por imagens na imprensa periódica da Educação Física (1932-1960)

The teaching by images in the periodic press of Physical Education (1932-1960)

La enseñanza por imágenes en la prensa periódica de la Educación Física (1932-1960)

Renato Pereira Coimbra Retz1  * 
http://orcid.org/0000-0002-6666-9554

Amarílio Ferreira Neto2 
http://orcid.org/0000-0002-3624-4352

Juliana Martins Cassani3 
http://orcid.org/0000-0001-6332-7930

Wagner dos Santos2 
http://orcid.org/0000-0002-9216-7291

1Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo, Espírito Santo, ES, Brasil.

2Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.

3Faculdade Vale do Cricaré, São Mateus, Espírito Santo, Brasil


RESUMO

Resumo: Analisa os usos que três periódicos fizeram das imagens visuais para prescrever e orientar os movimentos corporais de cada prática compreendida como parte da Educação Física entre os anos de 1932 e 1960. Assume os pressupostos da história cultural e tem como fontes as matérias com imagens dos periódicos: Revista de Educação Física (1932-1960), Revista Educação Physica (1932-1945) e Revista Brasileira de Educação Física (1944-1952). Os periódicos se constituíam como grandes repositórios de imagens que, como recurso pedagógico, prescreviam e orientavam a aprendizagem das mais diversas práticas que faziam parte da Educação Física, possibilitando aos professores terem em mãos um material didático de fácil acesso que lhes permitisse ‘ver para fazer e aprender para ensinar’.

Palavras-chave: desenhos e fotografias; periódicos; história cultural; educação física

ABSTRACT

Abstract: This study analyzed the uses that three periodicals made of the visual images to prescribe and to guide the corporal movements of each practice understood as part of Physical Education between 1932 and 1960. It assumes the assumptions of Cultural History and has as sources the subjects with images of the periodicals: Revista de Educação Física (1932-1960), Revista Educação Physica (1932-1945) and Revista Brasileira de Educação Física(1944-1952).The journals constituted a great repository of images, which, as a pedagogical resource, prescribed and guided the learning of the most diverse practices that were part of Physical Education, enabling the teachers to have in hand an easily accessible didactic material that allowed them to ‘see to do and learn to teach’.

Keywords: drawing and photography; journals; cultural history; physical education

RESUMEN

Resumen: Analiza los usos que tres periódicos hicieron de las imágenes visuales para prescribir y orientar los movimientos corporales de cada práctica comprendida como parte de la Educación Física entre los años 1932 y 1960. Asume los presupuestos de la Historia Cultural y tiene como fuentes las materias con imágenes de los periódicos: Revista de Educação Física (1932-1960), Revista Educação Physica (1932-1945) y Revista Brasileira de Educação Física (1944-1952). Los periódicos se constituían como un gran repositorio de imágenes que, como recurso pedagógico, prescribía y orientaba el aprendizaje de las más diversas prácticas que hacían parte de la Educación Física, posibilitando que los profesores tuviesen en mano un material didáctico accesible que les permitía ‘ver para hacer y aprender para enseñar’.

Palabras clave: diseños y fotografías; periódicos; historia cultural; educación física

Introdução

Em consonância com o campo da história da educação, a história da Educação Física tem sido escrita com base em diferentes enfoques. No contexto europeu, sinalizamos estudos como o de Vigarello (2003), que evidencia o desenvolvimento da ginástica, em Londres, Paris, Berna e Berlim (1810-1820), como prática instrumentalizada e precisa, que buscou a transformação e a melhoria de performance dos corpos. No espaço escolar, a ginástica visava à produção de resultados comparáveis e eficazes, por meio de novos gestos, recomposições de exercícios e encadeamentos, constituindo programas escolares, “[...] na medida em que as progressões forem se transformando em seqüências” (Vigarello, 2003, p. 16).

Scharagrodsky (2004) analisa as contribuições do intelectual Enrique Romero Brest para a institucionalização dos exercícios físicos escolares na Argentina (1900-1940). De acordo com o autor, as teorias de Brest ofereceram as bases para o processo de formação dos futuros professores naquele país, consolidando a uniformidade de métodos, finalidades e atividades a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física. Suas ideias lançaram os fundamentos para os conteúdos a serem ensinados nos cursos normais, de natureza ‘teórico-prática’, fortalecendo os papéis sociais a serem desempenhados por moças e rapazes, por meio da educação de seus corpos (Scharagrodsky, 2004).

Em relação aos estudos históricos sobre o desenvolvimento da Educação Física brasileira, destacamos aqueles que assumem como objeto central a educação do corpo(Soares, 2005), o esporte (Melo & Fortes, 2010) bem como a análise de periódicos (Schneider, 2010; Ferreira Neto, Schneider, Santos, Mello & Soares, 2014; Góis Junior& Silva, 2016).Diante das diferentes possibilidades de se produzir conhecimento sobre a história da Educação Física, têm se destacado na área pesquisas publicadas em periódicos, sobretudo aqueles caracterizados como imprensa de ensino e de técnicas (Ferreira Neto, 2005).

Esses periódicos estiveram em circulação entre os anos de 1932 e 1960, em âmbitos nacional e internacional,1veiculando os discursos dos intelectuais da época, seus esforços de teorização, no sentido de pensar e agir voltados para o ensino e os meios para se pedagogizar os saberes e fazeres da Educação Física (Ferreira Neto, Schneider, Santos, Mello & Soares, 2014). Nesse sentido, diversos estudos têm abordado esses periódicos como objeto (Bermond, 2007; Schneider, 2010) ou como fonte de investigação (Goellner, 2003; Berto, 2008; Soares, 2011, Schneider et al., 2014).

Ao nos debruçarmos sobre eles, chamou-nos a atenção o uso recorrente de imagens, especificamente em matérias relacionadas com o ensino de práticas para a Educação Física. Essas matérias, segundo Cassani (2017), têm, como principais especificidades, o ensinar e o como fazer, projetando o corpo humano em diferentes momentos da realização de determinado movimento, com o auxílio de textos imagéticos e escritos, de modo a prescrever a maneira correta da técnica corporal, ou mesmo sua correção.

Estudos como os de Schneider (2010) e Berto (2008) também sinalizam a utilização de imagens pelos periódicos para a veiculação de saberes, seja em seus aspectos técnicos das modalidades esportivas e nos modos de execução das práticas corporais, seja em seus aspectos simbólicos, como as capas em que apresentavam pessoas praticando diversos esportes e com corpos musculosos. Conforme sinaliza Schneider (2010), as imagens serviriam como um recurso visual para educar o olhar do leitor, motivando-o à busca de uma vida ativa, o que, consequentemente, o levaria a ter boa saúde.

Diante disso, identificamos que os estudos com os periódicos de ensino e de técnicas, ao abordarem as imagens veiculadas nas matérias, as tematizaram de modo periférico, sem aprofundar sobre o papel desempenhado por elas na constituição e conformação dos conhecimentos para/da Educação Física. Diante disso, lançamos as seguintes questões: Quais são os tipos de imagens utilizadas? Como as imagens foram usadas para se prescrever e orientar o ensino dos movimentos corporais? Quais práticas foram veiculadas com o auxílio dessas imagens? Mediante esses questionamentos, objetivamos, para este artigo, analisar os usos que os periódicos de ensino e de técnicas fizeram das imagens em suas matérias para prescrever e orientar o ensino dos movimentos corporais de cada prática compreendida como parte da Educação Física, no período de 1932 a 1960.

Para isso, em um primeiro momento, apresentamos a teoria e o método que deram sustentação às nossas análises. Posteriormente, analisamos as matérias com imagens, subdividindo-as em dois tópicos de discussão, que se referem às categorias de análise e, para finalizar as discussões do artigo, retomamos os principais achados nas considerações finais.

Teoria e Método

Esta pesquisa toma como referência os pressupostos teórico-metodológicos da história cultural que, de acordo com Chartier (1990, p. 16-17), objetivam “[...] identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler”. As fontes são as matérias com imagens da imprensa periódica de ensino e de técnicas da Educação Física e do Esporte que circularam entre os anos de 1932 e 1960 (Ferreira Neto, 2005).

Referenciando-nos em Bloch (2001, p. 79), assumimos as imagens como testemunhos históricos, pois “[...] tudo que o homem diz ou escreve, tudo que fabrica, tudo que toca pode e deve informar sobre ele”. Nesse sentido, quando falamos de imagens, é preciso estarmos atentos aos múltiplos significados associados a esse termo, pois também é possível referir-se às imagens mentais e sociais, que estão relacionadas com o campo das representações (Blanco, 2011). Nesta pesquisa, interessa-nos abordar as imagens visuais, que também são representações, todavia estão materializadas em fotos, desenhos ou pinturas.

Ao centralizarmos nossas análises nas imagens, fundamentamo-nos em Chartier (2001) sobre a importância de compreender as imagens como um elemento da forma de organização e exibição das matérias, pois elas apresentam tanta relevância - ou até mais - quanto o texto propriamente dito. Elas traduzem as intencionalidades dos editores e a maneira como esperam que as informações sejam recebidas pelos leitores. Nesse caso, as formas dos textos configuram-se como fórmulas editoriais que direcionam o olhar dos seus usuários, anunciando os usos e apropriações a serem realizados sobre eles. Para Chartier (2002, p. 61-62, grifo do autor),

[...] os textos não existem fora dos suportes materiais (sejam eles quais forem) de que são os veículos. Contra a abstração dos textos, é preciso lembrar que as formas que permitem sua leitura, sua audição ou visão, participam profundamente da construção de seus significados. O ‘mesmo’ texto, fixado em letras, não é o ‘mesmo’ caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação.

Assim, a incorporação das imagens nas matérias publicadas pelos periódicos, como parte de um projeto editorial, constitui-se intencionalmente em um dispositivo narrativo para a veiculação de conhecimentos para a Educação Física. Analisá-las significa dar visibilidade aos dispositivos de modelização da leitura, que também estão relacionados com as normas pedagógicas que esses livros e revistas com caráter pedagógico veiculam (Carvalho, 2006).

Com base nas teorizações de Chartier (2001), dialogamos também com Samain (2012), no sentido de fundamentar o nosso processo de pesquisa com imagens. O autor ressalta que, para a compreensão das imagens abordadas no processo de investigação, é necessário considerar o sistema em que elas estão inseridas, nesse caso, o “[...] cérebro, o contexto, aquele que a contempla num tempo e num espaço históricos e a-históricos” (Samain, 2012, p. 34).

Desse modo, para sistematizarmos e aprofundarmos essas discussões, selecionamos, conforme a categorização de Ferreira Neto (2005), os seguintes periódicos: Revista de Educação Física (REF) (1932-1960), Revista Educação Physica(REP) (1932-1945) e Revista Brasileira de Educação Física (RBEF) (1944-1952)2. Em relação à periodização da pesquisa, 1932-1960, há justificativas interna e externa ao objeto. De modo interno, o ano de 1932 demarca o período em que os primeiros números das revistas presentes na imprensa de ensino e técnica de ensino da Educação Física e esporte foram postos em circulação, quais sejam, REF e REP.

Por sua vez, os motivos externos estão associados ao ano de término de mapeamento das revistas, 1960. A partir desse momento, compreendemos que a imprensa de ensino e técnica de ensino da Educação Física e esporte cumpriu os seus propósitos e, por esse motivo, feneceu,

[...] faltando encontrar o seu lugar no século XXI. Se a Educação Física obteve seu espaço legal com a contribuição dos impressos de ensino e técnico, sua legitimidade, no século XXI, requer impressos de ensino voltados para a orientação da intervenção pedagógica na escola, tanto com chancela da esfera pública como de caráter comercial (Ferreira Neto, 2005, p. 776).

Com o desenvolvimento do periodismo da Educação Física brasileira, os impressos produzidos após 1960 configuraram-se como publicações periódicas científicas em Educação Física e esporte. Em circulação na atualidade, essas revistas buscam oferecer as bases epistemológicas para orientar a intervenção docente, com propósitos distintos daqueles reconhecidos como fontes desta pesquisa (Ferreira Neto, 2005).

O mapeamento abordou os 92 números publicados pela REF e os 88 fotocopiados da REP. Já os números que compõem a RBEF, catalogados da seguinte maneira, 1 a 6, 11 a 33, 35 a 38, 40, 44, 49 a 53, 55, 58 a 69, 79 a 81, fazem parte do nosso acervo; 11 revistas encontram-se no setor de Acervos/Periódicos da Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, onde registramos, integralmente, por meio de fotografia, os números 8, 9, 41, 42, 45-48, 52, 57, 82.

A constituição do ‘corpus documental’ foi delimitada pela leitura prévia do título dos artigos que remetiam a orientações didático-pedagógicas para a prática da Educação Física escolar, presentes no Catálogo de periódicos de Educação Física e Esporte (Ferreira Neto, Schneider, Aroeira, Bosi, Santos, 2002) e posterior consulta em todos os números dos periódicos disponíveis. Em um segundo momento, todas essas matérias foram fotografadas. Ao final, foi delimitado um quantitativo de 1.723 matérias a serem analisadas, conforme sinalizam Cassani (2017) e Carvalho (2017). Posteriormente, com a leitura na íntegra, selecionamos apenas aquelas que faziam uso de imagens em sua fórmula editorial, totalizando 316 matérias distribuídas da seguinte forma: REF (122), REP (170), RBEF (24).

A leitura das fontes nos permitiu organizar os dados em duas categorias de análise que estão relacionadas com o modo como as imagens foram utilizadas para prescrever e orientar os movimentos corporais, quais sejam, a) para mostrar como realizar os movimentos corporais; e b) para apresentar uma possibilidade de realização dos movimentos.

Nossa análise aborda as imagens das matérias dos periódicos, compreendendo-as como elemento central responsável pela produção de sentido. Com isso, focalizamos, como objeto, as imagens, todavia sem deixar de estabelecer o diálogo com os textos escritos que compõem as matérias.

Como realizar os movimentos corporais

As discussões realizadas neste tópico foram produzidas a partir da análise de um quantitativo de 306 matérias que, ao utilizarem imagens como parte de sua fórmula editorial, prescrevem e orientam como os movimentos corporais característicos de cada prática devem ser realizados. Nos três periódicos, essas matérias estão distribuídas quantitativamente da seguinte forma: REF (115), REP (167), RBEF (24).

Para proporcionar compreensão visual para o leitor, apresentamos, com as Figuras 1, 2, 3 e 4, quatro matérias com imagens que são representativas dessa categoria.

Fonte: Rolim (1933).

Figura 1: Lição de Educação Física. 

Fonte: Educação Physica(1936).

Figura 2: Pirâmides. 

Fonte: Lotufo (1937).

Figura 3: Mergulhos e saltos na natação. 

Fonte: Revista de Educação Física (1936).

Figura 4: Corrida com barreiras. 

Fonte: Revista de Educação Física (1936).

As imagens estão articuladas com aquilo que se objetivava e que deveria ser ensinado pela Educação Física. Nesse sentido, identificamos dois movimentos. O primeiro, em que se assumem os métodos ginásticos como orientadores das práticas pedagógicas da Educação Física, pode ser representado pelas Figuras 1 e 2. É preciso ressaltar que a Figura 1 está situada dentro de uma seção específica da REF (mas que também foi veiculada na REP),denominada Lição de Educação Física, cujo propósito era apresentar, fundamentado no método francês, “[...] um receituário, local em que os professores tinham prescrições das atividades que deveriam ser realizadas na condução de uma aula considerada exemplar” (Ferreira Neto et al., 2014, p. 1481).A Figura 2 diz respeito a uma matéria publicada na REP que está inserida na seção de ginástica acrobática, em que são apresentadas diferentes formas de se realizar os movimentos de pirâmides.

Já o segundo movimento está relacionado com o processo de vulgarização dos esportes e o seu ensino, representado nas Figuras 3 e 4. Estas figuras, respectivamente, fazem parte de um conjunto de matérias alocadas na seção de ensino da natação na REP e do atletismo da REF. Observamos essa distribuição quando analisamos todas as matérias com imagens que objetivavam o ensino de práticas para a Educação Física e que foram colocadas em circulação nos três periódicos. Essa relação é evidenciada na Tabela 1, em que apresentamos cada prática veiculada pelos três periódicos.

Tabela 1: Distribuição das práticas por periódico 

Prática Ref Rep Rbef Total
Ginásticas 38 64 13 115
Atletismo 33 21 4 58
Natação 8 20 3 31
Basquete 9 14 * 23
Tênis 4 14 * 18
Futebol 6 9 2 17
Voleibol 5 5 * 10
Lutas * 4 2 6
Remo 4 2 * 6
Equitação 2 2 * 4
Esgrima 2 2 * 4
Polo aquático * 2 * 2
Salto olímpico * 3 * 3
Jiu-jítsu 1 1 * 2
Baseball 1 * * 1
Ciclismo * 1 * 1
Judô 1 * * 1
Pelota americana * 1 * 1
Ping-pong * 1 * 1
Polo 1 * * 1
Rugby * 1 * 1
Total 115 167 24 306

Fonte: Os autores.

As práticas dos três periódicos, agrupadas sob a denominação ginástica, apresentam a maior representatividade (38%) na relação com o total veiculado. Em nossa compreensão, essa representatividade se deve ao fato de a ginástica ser uma prática com tradição na área e que, em dado momento histórico, foi considerada a própria Educação Física (Vago, 2002). Outra questão que está colocada em relação à ginástica é o modo como ela é apresentada nos periódicos, ora como método ginástico, ora como prática esportiva.

Nas matérias da REF que utilizaram imagens, as ginásticas aparecem sob as seguintes denominações: método francês (10), ginástica de aparelhos (8), ginástica acrobática (6), ginástica de chão (6), ginástica corretiva (4), medicine ball (2), método alemão (1) e ginástica feminina (1). Na REP, temos a ginástica feminina (26), ginástica-esporte de aparelhos (9), ginástica-esporte de equilíbrio (8), pirâmides (5), método calistênico (3), método sueco (3) ginástica-aquecimento (2), ginástica corretiva (2), medicine ball (2), método francês (3), ginástica rítmica (1) e método natural de Herbert (1). E, por fim, na RBEF, há a ginástica feminina (9), método francês (3) e a ginástica de aparelhos (1).

Conforme destacam Soares e Moreno (2015), os métodos ginásticos nasceram concomitantemente à criação dos Estados nacionais, o que, em certa medida, fazia com que fossem constituintes da identidade destes. Para as autoras, esse seria um dos motivos para que a Alemanha, a França e a Suécia estivessem em evidência como lugares importantes desse movimento. Por outro lado, apesar das singularidades da proposição de cada país, os métodos estavam alinhados no sentido de apresentar um modo sistematizado de educação do corpo voltado para a “[...] melhoria e a prevenção da saúde, a força de vontade, o desenvolvimento do caráter e a energia de viver” (Soares & Moreno, 2015, p. 109).

Cada singularidade tem sido objeto de investigação tematizado pela produção historiográfica brasileira sobre Educação Física, com trabalhos específicos sobre ginástica alemã (Quitzau, 2015), ginástica francesa (Soares, 2015; Góis Junior, 2015) e ginástica sueca (Moreno, 2015). Desse modo, entendemos que a ginástica é uma temática que, por si só, merece ser explorada com mais atenção em outra pesquisa, no sentido de aprofundar como os periódicos a prescrevem ao longo dos anos - destacamos o esforço inicial empreendido no estudo de Carvalho (2017), com vistas a compreender como as ginásticas foram veiculadas por esses periódicos e como foram influenciadas pelos métodos ginásticos.

Além da ginástica, os periódicos divulgaram diversas práticas para a Educação Física, de modo que, para compreendê-las em sua dimensão quantitativa, apresentada na Tabela 1, faz-se necessário contextualizá-las em diálogo com o perfil editorial proposto pelos periódico.

A REF foi um periódico chancelado pela Escola de Educação Física do Exército, que produzia e veiculava uma doutrina sobre a Educação Física para o Exército, mas, simultaneamente, também produzia um projeto nacional para a área (Ferreira Neto, 2005).Conforme destaca Assunção (2012), mesmo veiculando diferentes tipos de práticas, a REF conferia maior atenção às práticas esportivas relacionadas com as práticas militares, por exemplo, atletismo (Figura 4), natação (Figura 3), esgrima (Figura 5) e equitação (Figura 6). Essa relação é evidenciada quando somamos o quantitativo de matérias veiculadas sobre essas práticas, que representam 39% do total que foi veiculado pela REF.

Fonte: Santos (1933).

Figura 5: Abc da esgrima de florete. 

Fonte: Pontes (1935).

Figura 6: Equitação. 

Fonte: Rezende (1932).

Figura 7: Abc do basquete. 

A REP foi um periódico organizado por civis, editado pela Companhia Brasil Editora e tinha caráter privado e comercial. Visava a apoiar a causa da Educação Física, cumprindo os seguintes objetivos:

Vulgarizando os princípios scientificos que servem de base á educação physica; Favorecendo o surto dos esportes, como fator de aperfeiçoamento da raça; Incentivando a formação de technicos especialistas; Propagando os fins moraes e sociaes das atividades physicas; Despertando a attenção publica para esse aspecto do problema educativo; Coadjuvando o governo e instituições particulares na execução de seus programmas de educação physica; Promovendo a união entre indivíduos e entidades que propugnam pelo progresso da educação physica (Educação Physica, 1932).

Em diálogo com o estudo de Assunção (2012) sobre a circulação de padrões culturais americanos na imprensa periódica, o autor destaca que a REP veiculava práticas consideradas modernas que contribuiriam para o Brasil alcançar o nível de modernidade, tendo como parâmetro os Estados Unidos. Essa influência se deu tanto com as práticas que tiveram sua criação nos Estados Unidos, como o basquete (Figura 7) e o voleibol (Figura 8), quanto com aquelas de outros países que tiveram grande aceitação dos americanos, como o atletismo (Figura 4) da Grécia, o futebol (Figura 9) e o tênis (Figura 10) da Inglaterra e a natação (Figura 3) da Europa, de modo geral. Consequentemente, são as práticas com maior veiculação pela REP.

Fonte: Adams (1937).

Figura 8: Voleibol técnico. 

Fonte: Borges (1941).

Figura 9: Futebol. 

Fonte: Lambert (1938).

Figura 10: Tênis. 

Por sua vez, a RBEF foi um periódico privado e comercial, chancelado pela editora ‘A Noite’. Tinha como objetivo oferecer aos leitores

[...] noticiário conveniente dos órgãos federais, estaduais e municipais, das escolas de educação física, um editorial, um excerto de autor clássico estrangeiro ou nacional, outro de autor moderno em semelhantes condições, além de valiosa colaboração distribuída pelas secções filosófica, técnico-desportiva, administrativa, de consulta, etc. completada com a divulgação de curiosidades sobre educação física e bibliografia especializada (Revista Brasileira de Educação Física, 1944, p. 3).

Fonte: Dessaune (1945)

Figura 11 Seção ginástica feminina. 

Fonte: Dessaune (1945)

O periódico também veiculava um discurso calcado na modernidade, porém preocupado com a higiene da população, pois, de acordo com Neves (1946, p.3), “[...] os preceitos higiênicos podiam, não só melhorar as condições individuais de saúde, como aperfeiçoar gerações novas através de cuidados especiais ministrados às futuras mães e aos recém-nascidos”. Com isso, é possível notar as preocupações higiênicas, tendo a ginástica como prática com maior ênfase, sobretudo com publicações sobre a ginástica feminina (Figura 11).

Diante das especificidades de cada periódico na veiculação de práticas para a Educação Física, algumas estratégias foram operadas por meio do uso das imagens, para prescrever e orientar como deveriam ser realizados os movimentos corporais dessas práticas. A primeira delas dizia respeito ao uso de diferentes tipos de imagens.

A leitura das fontes evidenciou que os três periódicos fizeram uso de dois tipos específicos de imagens em suas matérias com prescrições e orientações de como realizar os movimentos corporais. As imagens utilizadas são as fotografias3 (Figura 1) e os desenhos. A partir do diálogo estabelecido com as conceituações de Faria e Pericão (2008), caracterizamos os desenhos em dois tipos: ilustração antropomórfica4 (Figuras 3 e 4) e croqui5 (Figura 2). Na Tabela 2, apresentamos a distribuição quantitativa dos tipos de imagem que foram utilizadas nas matérias dos três periódicos.

Tabela 2: Distribuição dos tipos de imagens utilizados por periódicos 

Periódico Tipos De Imagem
Fotografia Desenho Total
Ilust. Antrop. Croqui
Ref 34 79 2 115
Rep 98 57 12 167
Rbef 1 22 1 24
Total 133 158 15 306

Fonte: Os autores.

Os desenhos apresentam o maior quantitativo do total de imagens utilizadas. Ao analisarmos o uso que os periódicos fizeram delas, observamos indícios de que os editores/autores possuíam o domínio das técnicas para a produção de desenhos. Segundo Wong (1998), um bom desenho é caracterizado por expressar visualmente a essência daquilo que ele se propõe representar, ou seja, a confecção dos desenhos precisa ir além da preocupação estética de enfeitar e embelezar o texto, mas também deve levar em consideração a capacidade funcional.

Os desenhos utilizados pelos periódicos, especificamente a ilustração antropomórfica, permitiam que o leitor observasse e reconhecesse quais partes do corpo estavam em movimento bem como as práticas às quais esses movimentos eram pertencentes, para que, então, pudessem vivenciá-las. Por outro lado, além do domínio das técnicas gráficas de transposição do movimento humano para a sua materialização nas páginas dos periódicos, os desenhos evidenciam que os responsáveis por sua confecção também tinham conhecimentos técnicos sobre as práticas para a Educação Física. Isso pode ser observado nas imagens que foram apresentadas, pois elas demonstram alto grau de detalhamento técnico dos movimentos corporais.

Chama-nos a atenção o fato de os desenhos publicados nos três periódicos apresentarem similaridades. Isso nos permite indiciar que, assim como há a circulação dos mesmos autores nos três periódicos - ou, como no caso de Horácio Santos, que publicou a matéria ‘ABC da esgrima de florete’, em 1933, na REF (Figura 5) e, posteriormente, no ano de 1939, teve a republicação dessa matéria na íntegra na REP com o mesmo conteúdo e com as mesmas imagens -, também houve a circulação de desenhistas. Contudo, ao dialogarmos com as fontes, no intuito de identificar os responsáveis pela confecção dos desenhos, verificamos que somente a REF menciona, em seu quadro de colaboradores, a presença de um desenhista, sendo que a única identificação encontrada sobre ele é o nome ‘Autran’6, em nenhum outro momento do periódico, explica-se quem seria essa pessoa, o que, por conseguinte, não nos permitiu identificar a sua formação.

Dentre os dois tipos de desenhos, a ilustração antropomórfica tem maior representatividade em relação ao croqui, quando está relacionada com o ensino dos movimentos corporais. O croqui (Figura 2) é um desenho que, a partir de linhas, se caracteriza como um esboço, em que não há necessidade de um refinamento gráfico por parte do autor. Em contrapartida, a ilustração antropomórfica exige um refinamento no sentido de representar o mais fielmente possível o corpo humano (Faria &Pericão, 2008).

Desse modo, podemos inferir que a reduzida presença do croqui, quando comparada com a ilustração antropomórfica, justifica-se pelo fato de ser um desenho simples dado que a complexidade dos movimentos corporais exigiria maior detalhamento técnico que, em tese, o croqui não poderia oferecer. Porém, ao analisarmos por outro ponto de vista o uso que os periódicos fazem desses croquis, identificamos que a presença desse tipo de desenho não ocorre ao acaso. A justificativa para seu uso está fundamentada no sentido de proporcionar aos leitores a compreensão anatomofisiológica7 do movimento humano, destacando os pontos de articulação dos membros e suas respectivas alavancas. Além disso, também era utilizado como uma estratégia para complementar as prescrições fornecidas com outros tipos de imagens, como no caso da fotografia (Figura 12).

Fonte: Albornoz (1938)

Figura 12: Ginástica feminina. 

Em relação à fotografia, que é o segundo tipo de imagem utilizado para o ensino dos movimentos corporais, vale destacar que sua incorporação nas páginas dos periódicos se tornou possível pelo aperfeiçoamento da tecnologia fotográfica e do processo meio-tom8 de impressão, responsáveis por fornecer maior nitidez às imagens. Conforme relata Costa (1993, p. 78), a publicação de imagens fotográficas em periódicos ficou marcada por consolidar o movimento iniciado em meados do século XIX de popularização da fotografia, “[...] inundando a sociedade contemporânea com uma quantidade e uma variedade de imagens sem precedentes”.

Fonte: Educação Physica (1937)

Figura 13: Technicafore-hand-drive. 

A partir da leitura das fontes, identificamos que as fotografias publicadas foram capturadas de duas formas: encenadas (129) e espontâneas (4). Foram consideradas encenadas aquelas em que identificamos que o cenário capturado foi construído intencionalmente, ou seja, as imagens foram preparadas especificamente com o propósito de prescrever e orientar os movimentos corporais, como pode ser observado nas Figuras 1, 11 e 12. Em contraposição, consideramos espontâneas aquelas que identificamos que o cenário que as constitui não foi construído intencionalmente para a criação da fotografia. São apresentadas pelos periódicos como ‘instantâneos’ ou ‘flagrantes’ e registram, com o apoio da técnica da ‘cronofotografia’ (Figura 13)9, a execução de movimentos corporais em situações reais de jogos ou competições esportivas.

A análise das fotografias, em ambos os casos, evidencia que elas desempenham a mesma função exercida pelos desenhos nas páginas dos periódicos. A diferença está na relação visual que os leitores estabelecem com as imagens, pois, com os desenhos, é preciso realizar uma interpretação das linhas e das formas, fazendo a associação aos membros de seu corpo. Já com a fotografia, o leitor se depara com uma representação do corpo humano que está mais próxima da realidade, o que, em certa medida, facilita o reconhecimento daquilo que está sendo ensinado.

Segundo Canabarro (2015), as fotografias apresentam uma dupla característica: a) são produtos culturais, pois resultam de um conjunto de ações envolvidas em sua confecção, como a mediação tecnológica e a dimensão do olhar do autor; e b) são objetos de circulação de cultura, pois permitem o contato com diversas visões de mundo. Como objetos de circulação de cultura, as fotografias cumprem o seu papel de veicular os conhecimentos da Educação Física, especificamente, dando a ver os movimentos corporais para serem aprendidos.

Por outro lado, “[...] quando visualizamos uma fotografia, por mais perfeita tecnicamente que possa parecer, ela é, sobretudo um olhar direcionado e recortado pelas representações que o fotógrafo tem em sua bagagem cultural” (Canabarro, 2015, p. 30). Assim, a circulação cultural proporcionada pela fotografia não se esgota apenas no ensino dos movimentos corporais, pois, tanto encenada quanto espontânea, ela possibilita a observação de diversos elementos que constituíam o seu cenário.

Fonte: Wells (1940).

Figura 14: Arremesso. 

Fonte: Santos (1933)

Figura 15: Rebatida no tênis. 

Como pode ser observado nas Figuras 14 e 15, é possível identificar o local em que essas fotografias foram capturadas; as indumentárias dos praticantes; os implementos utilizados em cada prática; e os modelos corporais considerados ideais. Dessa maneira, a fotografia se configurava como uma estratégia de ensino e vulgarização, proporcionando aos leitores o reconhecimento visual das práticas que estavam sendo veiculadas nos periódicos.

Mediante o exposto sobre os tipos de imagens, a leitura das fontes indica que elas eram utilizadas pelos periódicos com duas finalidades: a) mostrar o movimento corporal sendo realizado corretamente; e b) mostrar a forma incorreta de se realizar o movimento. A grande maioria (297) das matérias publicadas pelos três periódicos, que prescrevem e orientam os movimentos corporais, são de matérias que contêm imagens que mostram a forma correta de se movimentar. Em relação às que retratam a forma incorreta, apenas a REF (5) e a REP (4) publicam com essa finalidade. Nesse caso, as formas como as matérias são apresentadas aos leitores exibem características distintas.

Nas matérias dos três periódicos, que mostram a forma correta de se movimentar, as imagens utilizadas são apresentadas de modo sequenciado, o que, em nossa compreensão, demonstra preocupação com a continuidade, progressão e complexificação dos conteúdos (Figuras 3, 4, 5 e 7).Além das imagens dispostas em ordem, há o sequenciamento de matérias por meio das seções temáticas (Figuras 1 e 11), que são publicadas ao longo dos anos e em diferentes números dos periódicos, com a mesma temática e sob um mesmo título.

Nessas matérias, as imagens se apresentam como sequências de imagens sem textos escritos (Figuras 2 e 12) ou com a articulação de texto e imagem(Figuras 1, 3, 4 e 5). No caso das matérias que articulam texto e imagem, identificamos duas características de textos escritos. Na primeira, os textos são referentes às descrições e orientações daquilo que está materializado nas imagens (Figuras 1, 8, 9 e 11) e, na segunda, os textos, além de oferecerem descrições e orientações, também apresentam fundamentos teóricos para a realização da prática (Figuras 4, 6 e 10).

Nesse sentido, podemos associar essa característica às discussões de Carvalho (2001) sobre a ‘caixa de utensílios’ e as ‘coleções pedagógicas’, que estão relacionadas com duas propostas de normatização das práticas escolares que buscavam se legitimar por meio de um discurso que as caracterizava por serem do tipo ‘novo, moderno, experimental’ e ‘científico’. Nesse caso, estamos falando da pedagogia ‘como arte de ensinar’ e da pedagogia da Escola Nova.

A pedagogia como ‘arte de ensinar’ fundamentava-se em uma perspectiva da visibilidade e tinha como premissa que a arte só seria aprendida a partir da observação e de uma boa imitação dos modelos considerados exemplares. Para isso, o fornecimento de modelos ocorria por meio de roteiro de lições e da observação de práticas de professores experientes nas Escolas Modelos. Contudo, a imitabilidade, nesse contexto, não assumia sentido pejorativo, imitar modelos estava relacionado com a atividade de observar as práticas de ensinar, extrair analiticamente os princípios e aplicá-los de modo inventivo (Carvalho, 2001). Em relação à pedagogia da Escola Nova, de modo contrário à ‘arte de ensinar’, não buscava fornecer modelos para serem imitados ou roteiros de lições, mas fundamentos, a partir de um conjunto de saberes autorizados (Carvalho, 2001).

Dessa maneira, cada perspectiva apresentava um modo característico de produzir impressos voltados para a formação de professores. De acordo com os estudos de Carvalho (2001), esses impressos perspectivados pela pedagogia como ‘arte de ensinar’ eram produzidos de forma a se configurarem como ‘caixa de utensílios’, um manual em que o professor encontraria ‘coisas para usar’, como roteiros de lições e modelos. No caso da pedagogia da Escola Nova, os impressos se apresentavam como ‘coleções pedagógicas’, que buscavam oferecer um repertório de informações e de referenciais de cunho mais teórico, sem lições que direcionassem as atividades dos professores.

A influência dessas perspectivas reverbera diretamente na forma de se produzir as matérias para os periódicos da Educação Física. Além disso, é possível notar um terceiro movimento, em que as matérias veiculadas se apresentam ao mesmo tempo como ‘caixa de utensílios e coleções pedagógicas’. Ou seja, prescrevem práticas e oferecem modelos, mas também apresentam fundamentações teóricas. Isso evidencia que, na imprensa periódica de ensino e de técnicas da Educação Física, houve a produção de um diálogo entre os modelos pedagógicos, de modo a justificá-la no ambiente escolar, e não o abandono de uma perspectiva em detrimento de outra, como sugere Carvalho (2001).

Em relação às matérias cujas imagens mostram a forma incorreta de se realizar os movimentos, identificamos que a REF e a REP focalizam a atenção em um movimento específico ao invés de sequências. Em alguns casos, não apenas mostram o movimento sendo realizado de maneira incorreta, mas também realizam uma comparação entre a imagem que mostra o movimento correto e a que representa o movimento incorreto (Figura 16).

Fonte: Castro (1940)

Figura 16: Aprenda a remar.  

A finalidade de mostrar os movimentos incorretos se diferencia pela relação que é estabelecida com os textos escritos. Se, para mostrar os movimentos corretos, as imagens podem ou não vir acompanhadas de texto, quando estão relacionadas com as formas incorretas, os textos escritos sempre estão presentes, pois são importantes no sentido de proporcionar ao leitor a melhor compreensão daquilo que não se deve fazer.

Para se alcançar esse objetivo, são utilizadas justificativas fundamentadas na anatomia e na fisiologia, pois, como destaca Brown (1936, p. 88), para progredir em uma prática, devem-se eliminar os erros, por exemplo, “[...] um movimento mal feito que prejudica o resultado da performance. O encarregado [professor] deverá volver toda attenção aos menores detalhes de todos os movimentos e corrigir os defeitos o quanto antes”.

Uma possibilidade de se realizar movimentos corporais

Nesta segunda categoria, as discussões foram realizadas a partir da análise de um quantitativo de dez matérias presentes em dois periódicos: a REF (7) e a REP (3). De modo contrário à categoria anterior, em que as matérias com imagens visavam a orientar e prescrever como os movimentos corporais de cada prática deveriam ser realizados (fosse da forma correta, fosse da forma incorreta), nesta, as matérias apresentam, por meio das imagens, uma possibilidade para se movimentar sem que haja uma exigência técnica para isso. Identificamos que as práticas presentes nessas matérias são os jogos (8) e a capoeira (2). Nas Figuras 17 e 18, apresentamos duas matérias que são representativas dessa categoria.

Fonte: Educação Physica (1941).

Figura 17: Jogos educativos 

Fonte: Revista de Educação Física (1935).

Figura 18: Movimentos da capoeira 

As matérias sobre jogos são veiculadas pela REF (5) e pela REP (3) e, para isso, os dois periódicos utilizam os desenhos do tipo ilustração antropomórfica. Nessas matérias, o objetivo é prescrever diferentes tipos de jogos para serem praticados, especificamente, pelas crianças. A análise das imagens evidencia que elas são utilizadas nas matérias com a finalidade de representar como um jogo poderia ser iniciado, de modo que os textos escritos fornecem as orientações das regras de como jogar, sem que, para isso, seja necessária uma técnica corporal específica.

A ausência de exigências técnicas para a realização de movimentos corporais está fundamentada na compreensão do jogo como uma atividade natural que

[...] exige movimentos baseados em antigas coordenações neuro-musculares da raça humana, cuja expressão favorece o desenvolvimento físico e orgânico de uma forma natural, agradável e alegre. O jogo prepara o organismo para produzir um rendimento maior com menor dispêndio energético. Proporciona a quem o pratica, força, velocidade, agilidade e resistência, qualidades tão necessárias em qualquer atividade humana (Rolim, 1939, p. 34).

Fonte: Lira (1938).

Figura 19: Página colegial. 

Nesse sentido, o jogo assume a função de preparar o corpo das crianças para que, no futuro, elas possam estar aptas para as práticas que exijam maiores capacidades técnicas, como os esportes e as ginásticas. Diante disso, os dados evidenciam que as publicações sobre os jogos, sobretudo as da REF que fazem parte da seção temática Página Colegial (Figura 19), estão fundamentadas no Regulamento n° 7de Educação Física (método francês), que os prevê como a primeira e mais adequada prática a ser realizada pelas crianças, pois “[...] não exigem esforços muito intensos, nem contrações musculares muito localizadas” (Regulamento nº 7 de Educação Física, 1934, p. 22). Além disso, sua prática proporciona prazer, que é “[...] o mais notável excitante da energia vital e o estimulante mais ativo para fazê-la [a criança] perseverar no exercício físico” (Regulamento nº 7 de Educação Física, 1934, p. 22).

Em relação à capoeira, temos duas matérias que estão presentes em um único periódico, a REF. O tipo de imagem utilizado, assim como nos jogos, é a ilustração antropomórfica, contudo as matérias apresentam características distintas. Na primeira, intitulada ‘O nosso jogo’ (Figura 18), as imagens estão acompanhadas de uma legenda que sinaliza o nome que o movimento recebe dentro do universo da capoeira. A segunda, sob o título de ‘Capoeira’ (Figura 20), apresenta fundamentos sobre a prática, seus aspectos históricos e técnicos como uma luta e, assim, ao longo do texto escrito, vai apresentando imagens com os movimentos.

Fonte: Borges (1948)

Figura 20: Capoeira. 

A questão que está colocada é que, apesar de os movimentos apresentados serem característicos da capoeira, as matérias, ao utilizarem as imagens,não visavam a prescrever como esses movimentos deveriam ser realizados, mas proporcionavam aos leitores uma base para essa prática, que poderia ser adquirida com exercícios analíticos de flexionamentos e rolamentos, como sugere Borges (1948). Contudo, o que se apresenta com maior força para essa prática são os movimentos que ocorrem em situações reais, durante as rodas de capoeira, o que Borges (1948, p. 11-12, grifo do autor) denomina como a tática da luta, que era “[...] chamada pelos capoeiras baianos [...] de ‘malandragem’, é a parte mais difícil de se aprender, pois depende da aptidão própria de cada um [...] e a observação de outros lutadores mais experientes é o melhor meio de aprender esta parte”.

Essas características fizeram com que a capoeira servisse de base para que Inezil Penna Marinho propusesse um método ginástico propriamente brasileiro, com a justificativa de que, “[...] depois de tantos sistemas e métodos de Educação Física estrangeiros, chegou a oportunidade da nossa sonhada ‘ginástica brasileira’, alicerçada na alma nacional e alimentada pela mística que sobrevive em nosso subconsciente” (Marinho, 1981, p. 20, grifo do autor). Essa ginástica seria uma forma de exercitação que estaria alinhada com o povo brasileiro, que tem em sua “[...] estrutura sômato-psiquica os elementos essenciais para ser ágil, flexível, imprevisível nos recursos de esquiva” (Marinho, 1981, p. 46).

Diante disso, vale destacar que, dentre todas as práticas veiculadas pelos três periódicos, a capoeira é a única que tem suas raízes atribuídas ao Brasil, de modo que, conforme salienta Borges (1948, p. 10), ela veio para o país por intermédio dos “[...] negros bantús, aqui aportados em muitas levas, com os traficantes de escravos”. Assim, a sua apropriação evidencia ampliação do entendimento do que seriam práticas consideradas como parte da Educação Física, as quais até então estavam relacionadas com sinônimos de modernidade, que tinham suas origens europeias ou norte-americanas e eram cientificamente legitimadas.

Considerações finais

Com as discussões realizadas neste artigo, evidenciamos que os periódicos de ensino de técnicas da Educação Física faziam uso das imagens como um recurso pedagógico para prescrever e orientar o ensino das técnicas de movimentos corporais de diferentes práticas. Com o processo de análise, foi possível agrupar as fontes em duas categorias.

Na primeira categoria, identificamos que os três periódicos, por meio do uso das imagens, objetivavam prescrever e orientar como realizar as técnicas dos movimentos corporais. Nesse caso, utilizaram como estratégia a representação imagética dos movimentos realizados em sua forma correta e também em sua forma incorreta, com diferentes tipos de imagens, dialogando ou não com os textos escritos. Essas estratégias estão diretamente relacionadas com as práticas veiculadas: os esportes (coletivos e individuais), as ginásticas e as lutas. Isso indica preocupação com o apuro técnico, que proporcionaria melhor desempenho na realização dessas práticas.

Na segunda categoria, identificamos que a REF e a REP utilizavam as imagens em suas matérias para mostrar aos leitores uma possibilidade de se movimentar sem que houvesse exigências técnicas. Eram veiculados os jogos e a capoeira, de modo que é possível perceber que são práticas que operam em lógicas diferentes da primeira categoria e que não estão associadas ao desempenho: os jogos estão relacionados com a preparação do corpo da criança; já a capoeira apresenta algumas bases considerando a subjetividade, inventividade e criatividade daquele que a pratica durante uma roda.

Diante disso, podemos concluir que a imprensa periódica de ensino e de técnicas, naquele período, se constituía como um dispositivo didático-pedagógico que possibilitava a formação para aqueles que trabalhariam com a Educação Física, entre as décadas de 1932 e 1960. O mote que estava colocado era a necessidade de se apropriar corporalmente daquilo que deveria ser ensinado. Dessa maneira, além de apresentaremos debates e as bases teóricas para o ensino da Educação Física (Ferreira Neto et al., 2014), os periódicos utilizavam as imagens para fornecer as bases práticas dos diferentes conteúdos, de modo que seria necessário ‘ver para fazer e aprender para ensinar’.

Por fim, sinalizamos a necessidade de outros estudos que abordem a utilização de imagens pela imprensa periódica de ensino e de técnicas, para além da dimensão do ensino de movimentos corporais das práticas para a Educação Física. Nesse caso, outra dimensão do ensino, que foi veiculada pelos periódicos, está relacionada com as regras, táticas e coreografias.

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1Esses periódicos tiveram circulação em diversos países da Europa, América Latina, América Central, América do Norte e África. Isso pode ser conferido na aba ‘representantes’, disponível no n. 39 do ano de 1940 da Revista Educação Physica e no n. 38 do ano de 1947 da Revista Brasileira de Educação Física.

2Não abordamos em nossa análise o Boletim de Educação Física (1941-1958) nem os Arquivos da Escola Nacional de Educação Física e Desportos (1945-1966), pelo reduzido número de matérias com imagens veiculadas por esses periódicos, respectivamente, 2 e 6.

3A fotografia é uma imagem produzida por meio de uma câmera que captura a luz e reproduz o objeto capturado, fixando-o em um suporte previamente sensibilizado (Faria&Pericão, 2008).

4A ilustração antropomórfica é um tipo de desenho caracterizado por representar as formas de um ou mais seres humanos (Faria &Pericão, 2008).

5O croqui é um desenho caracterizado por ser um esboço do corpo humano, criado a partir de linhas e sem auxílio de qualquer tipo de instrumento geométrico (Faria&Pericão, 2008).

6O cargo de desenhista aparece identificado na REF pela primeira vez no n. 57, perdurando até o n. 64.

7É preciso destacar que isso não é uma especificidade apenas da imagem, pois há a circulação de diversas matérias que defendiam uma Educação Física preocupada com as questões anatomofisiológicas. Para isso, ver as matérias de Studart (1938), Ferreira (1941) e Areno (1945), publicadas, respectivamente, na REF, REP e RBEF. As críticas sobre a necessidade de ampliação dessa perspectiva no período podem ser vistas na matéria de Marinho (1944), que defende uma Educação Física bio-sócio-psico-filosófica.

8Método de impressão a partir de pontos com a variação de seus tamanhos simulando os tons contínuos de uma imagem.

9É um processo de visualização do movimento por meio de uma sequência de imagens gravadas que proporcionam a ilusão de tempo e movimento.

Recebido: 17 de Setembro de 2018; Aceito: 18 de Janeiro de 2019

*Autor para correspondência. E-mail:retz.renato@gmail.com

Renato Pereira Coimbra Retz é Doutorando e Mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Professor da Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo. Membro do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física (Proteoria/Ufes). Suas pesquisas estão relacionadas com as áreas da Educação e Educação Física, com ênfase em livros didáticos, imprensa periódica, manuais, compêndios escolares e práticas pedagógicas. E-mail: retz.renato@gmail.com

Amarílio Ferreira Neto é Doutor em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Mestre em Educação Física pela Universidade Gama Filho (UGF). Professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo, com atuação na Graduação (Licenciatura e Bacharelado) e na Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado), ambas na área da Educação Física. Líder do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física (Proteoria/Ufes). Suas pesquisas estão relacionadas com as áreas da Educação e Educação Física, atuando principalmente nos seguintes temas: teorias da Educação Física, historiografia da Educação e da Educação Física, imprensa periódica, comunicação científica, currículo e cotidiano. E-mail: amariliovix@gmail.com

Juliana Martins Cassani é Doutora e Mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Educação da Faculdade Vale do Cricaré (FVC/São Mateus - Mestrado Profissional) e dos Cursos de Licenciatura em Educação Física e Fisioterapia/FVC. Membro do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física (Proteoria/Ufes). Suas pesquisas estão relacionadas com as áreas da Educação e Educação Física, com ênfase em livros didáticos, imprensa periódica, manuais, compêndios escolares, práticas pedagógicas, currículo e avaliação. E-mail: julianacassani@gmail.com

Wagner dos Santos é Doutor em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor dos Programas de Pós-Graduação em Educação e Educação Física da Ufes (Mestrado e Doutorado). Líder do Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física (Proteoria/Ufes). Suas pesquisas estão relacionadas com as áreas da Educação e Educação Física, com ênfase em avaliação educacional, currículo, formação de professores, história e historiografia. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2. E-mail: wagnercefd@gmail.com

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