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CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.31 no.6 São Paulo  2019  Epub 17-Out-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20192018261 

Artigo Original

Medidas antropométricas orofaciais em recém-nascidos a termo

Andréa Monteiro Correia Medeiros1 
http://orcid.org/0000-0002-4930-7623

Késsya Crislayne Ferreira Santos1 
http://orcid.org/0000-0003-4137-1927

Vinícius do Nascimento Santi2 
http://orcid.org/0000-0001-7106-3584

Felipe Batista Santos2 
http://orcid.org/0000-0003-2212-4330

Berta Raika de Sousa Sereno3 
http://orcid.org/0000-0002-6661-7340

Alline Rosiane Santos de Santana3 
http://orcid.org/0000-0002-2129-1164

Thalyta Prata Leite de Sá4 
http://orcid.org/0000-0002-2121-4951

Íkaro Daniel de Carvalho Barreto5 
http://orcid.org/0000-0001-7253-806X

Débora Martins Cattoni6 
http://orcid.org/0000-0003-4320-660X

Ricardo Queiroz Gurgel2 
http://orcid.org/0000-0001-9651-3713

1Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Sergipe - São Cristóvão (SE), Brasil.

2Departamento de Medicina, Universidade Federal de Sergipe - São Cristóvão (SE), Brasil.

3Maternidade Nossa Senhora de Lourdes - Aracaju (SE), Brasil.

4Maternidade Santa Helena - Aracaju (SE), Brasil.

5Departamento de Estatística e Informática, Universidade Federal Rural de Pernambuco – Recife (PE), Brasil.

6Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica, Saúde e Educação – São Paulo (SP), Brasil.


RESUMO

Objetivo

Descrever e comparar as medidas antropométricas e as proporções orofaciais de recém-nascidos (RNs) a termo saudáveis, segundo o sexo, de uma maternidade pública do estado de Sergipe, Nordeste do Brasil.

Método

Estudo randomizado descritivo e analítico. Participaram 46 RNs a termo e saudáveis, de ambos os sexos, selecionados aleatoriamente. Foi utilizado paquímetro digital para tomadas das medidas (em milímetros), com os RNs em posição supina e lábios ocluídos. Quatro pesquisadores foram previamente treinados, com cada RN sendo medido duas vezes por uma mesma dupla destes. Os dados foram descritos por meio de frequências simples e percentuais. As diferenças de média foram avaliadas através do Teste de Mann-Whitney, com significância de 5%. Associações foram avaliadas através do teste Exato de Fisher. Foram calculados tamanhos de efeitos D de Cohen.

Resultados

Foram obtidas diferenças entre os grupos para as medidas antropométricas: terços da face médio (glabela-subnasal ou g-sn) e inferior (subnasal-gnátio ou sn-gn); e alturas do filtro (subnasal-labial superior ou sn-ls), dos lábios superior (subnasal-estômio ou sn-sto) e inferior (estômio-gnátio ou sto-gn), sempre maiores no sexo masculino. As proporções orofaciais estudadas não apresentaram diferenças entre sexos.

Conclusão

O estudo apontou presença de disformismo sexual para as medidas da face ao nascimento na população nascida em Aracaju, Sergipe.

Descritores Face; Antropometria; Pesos e Medidas Corporais; Recém-nascido; Neonatologia

ABSTRACT

Purpose

To describe and compare the anthropometric measurements and the orofacial proportions of healthy term newborns (NB) according to sex, from a public maternity hospital in the state of Sergipe, northeastern Brazil.

Methods

Descriptive and analytical randomized study was carried out. The participants included were 46 randomly selected healthy and full-term RNs of both sexes. A digital caliper was used to measure measurements (in millimeters) with the NB supine and occluded lips. Twice different, previously trained researchers measured each NB. Data were described using simple and percentage frequencies. The mean differences were assessed using the Mann-Whitney test, with a significance of 5%. Associations evaluated by the Fisher Exact test, and Cohen D size effects were calculated.

Results

Differences were found between the groups for the anthropometric measurements: midface third height (glabella-subnasal or sn-g) and bottom (subnasal-gnathion or sn-gn); and filter heights (upper-lip subnasal or sn-ls), the upper lips (subnasal-estomus or sn-sto), and lower (stomatal-gnathion or sto-gn), which was always greater in males. The orofacial proportions studied did not show differences between sexes.

Conclusion

The study showed the presence of sexual dimorphism for the measures of the face at birth in the population born in Aracaju, Sergipe.

Keywords Face; Anthropometry; Body Weights and Measures; Newborns; Neonatology

INTRODUÇÃO

A antropometria tem por objeto de estudo as medidas de tamanho, peso e proporções do corpo humano(1-4). A mensuração das estruturas craniofaciais, especialmente nos primeiros dias de vida, constitui importante dado complementar sobre o estado de saúde neonatal(5-8), sendo seus resultados já utilizados em pediatria, otorrinolaringologia, cirurgia orofacial e síndromes(9-12).

Embora o estudo antropométrico do crânio seja amplamente utilizado na clínica médica neonatal, inclusive com o padrão regional influenciado pelas diversas etnias(13), as medidas antropométricas faciais e respectivas proporções(1,14-17) ainda são utilizadas de forma tímida pelos profissionais de saúde, em particular pelo fonoaudiólogo que atua na área de Motricidade Orofacial.

A antropometria agrega objetividade à avaliação e fornece dados para o diagnóstico diferencial e complementar das alterações, planejamento terapêutico e visualização do prognóstico(14,15,18,19). A aferição das medidas craniofaciais pode se dar por meio da antropometria direta (uso de paquímetros e/ou fita métrica no rosto do paciente) ou indireta (medidas do traçado cefalométrico ou fotografias)(2,4,20,21).

De modo geral, os trabalhos(9,22) enfocam a antropometria do crânio do recém-nascido (RN). Destaca-se, inclusive, um estudo(13) realizado na região Nordeste do Brasil, o qual obteve medidas do perímetro cefálico, distância biauricular e anteroposterior, índice cefálico e medida da fontanela de 450 RNs a termo.

Em relação às medidas e proporções orofaciais, o estudo de diferentes populações tem sido justificado pela grande variabilidade, conforme aspectos etários, geográficos, de sexo(3) e de raça(1,9,14,23), enfocando-se a população adolescente(2) e adulta(3,23,24). Especificamente no Brasil, existem estudos em diferentes grupos, tais como: crianças saudáveis(1); crianças(15) e adultos(25) com a síndrome do respirador oral; população nipo-brasileira(14); jovens do estado do Rio de Janeiro(2); e crianças com desnutrição(18).

Salienta-se, porém, a lacuna de estudos abordando RNs saudáveis, que poderiam trazer conhecimento sobre a morfologia orofacial nessa população, pois sabe-se que as funções orofaciais estão intrinsecamente relacionadas com esse aspecto do sistema estomatognático(1-4). Dessa forma, destaca-se a importância de o fonoaudiólogo ter referenciais das medidas e proporções antropométricas orofaciais em RNs, visando à avaliação objetiva e detalhada da morfologia orofacial e acompanhamento da motricidade orofacial dessa população.

O presente estudo teve como objetivos descrever e comparar as medidas antropométricas e as proporções orofaciais de RNs a termo saudáveis, segundo o sexo, de uma maternidade pública do estado de Sergipe, Nordeste do Brasil.

MÉTODO

Estudo randomizado descritivo e analítico realizado em uma maternidade pública da cidade de Aracaju (SE), que estabeleceu, com base na idade gestacional e no sexo, as medidas orofaciais de RNs saudáveis. Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Sergipe sob nº CAAE 53611316.0.0000.5546.

Participaram do estudo 46 RNs que estiveram internados na maternidade entre o período de agosto de 2016 e fevereiro de 2017. O estudo envolveu risco mínimo aos participantes, relacionado ao eventual constrangimento. Todos os responsáveis pelos participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Os critérios de inclusão adotados foram: RN a termo, Adequado para a Idade Gestacional (AIG) segundo exame físico, clinicamente estável e internado na maternidade na qual foi feito o estudo. Os critérios de exclusão foram: presença de anomalias craniofaciais, intercorrências graves ao nascer (Apgar no 1º minuto <5 e 5º minuto <7) e ter sido alimentado por via alternativa à oral (sonda nasogástrica e/ou sonda orogástrica).

No Alojamento Conjunto da maternidade foi observado o censo diário do setor e foram selecionados, de forma aleatória, a partir de sorteio, os RNs aptos ao estudo (atendendo aos critérios de inclusão e exclusão).

Logo após a coleta das autorizações pelos responsáveis, procedimentos de lavagem das mãos pelos pesquisadores, e tendo as mãos calçadas em luvas de látex, as medidas antropométricas orofaciais dos RNs foram tomadas, estando esses preferencialmente em sono, posicionados no berço ou cama, em posição supina, com os lábios ocluídos.

O procedimento de tomada das medidas foi realizado por quatro pesquisadores previamente treinados pela autora(26) do Protocolo de coleta de dados. As medidas, que foram tomadas em milímetros (mm), tiveram o respectivo cálculo da média aritmética de cada estrutura mensurada. Todas elas foram transcritas no protocolo adaptado, que teve seu cabeçalho ampliado para a população neonatal, e o item “outras medidas orofaciais” excluído (Anexo 1).

Os pontos orofaciais foram marcados com lápis para olhos de cor preta da marca Make B®. Após o procedimento, deu-se a remoção das marcações com algodão macio umedecido em água.

Foi utilizado paquímetro digital da marca Stainless Hardened®, de aço inoxidável, apresentando mostrador de cristal líquido e indicação do sistema de unidades em mm, com resolução de 0,01mm e precisão de +/- 0,03 mm/0,001mm. A ponta do instrumento foi revestida por esparadrapo como segurança, para não machucar o RN. Feito isso, o paquímetro foi zerado, garantindo o ponto de referência inicial de tomada das medidas, eliminando-se eventual interferência do uso do esparadrapo.

O procedimento de obtenção das medidas foi realizado duas vezes com cada RN, pelo mesmo observador, tendo auxílio de um segundo pesquisador para fazer a contenção da cabeça e evitar riscos para o RN. Após cada procedimento, o paquímetro foi higienizado com álcool etílico hidratado 70º INPM e algodão, friccionando cinco vezes nas hastes do instrumento.

Considerando a natureza do sujeito (neonato), havia eventual risco de acordá-lo ou de ocorrer algum movimento brusco que causasse alguma lesão, caso houvesse muita manipulação no procedimento de tomada de medidas. Assim, cada sujeito foi medido apenas duas vezes. Devido a essas limitações, inerentes às características da população estudada, nenhuma medida foi descartada.

Contudo, devido à ausência de limiares na literatura para erro técnico de medida em medidas orofaciais, optou-se por utilizar o gráfico de Bland-Altman(27) para avaliar possíveis discrepâncias. Observou-se, entretanto, que das variáveis analisadas, os descartes se justificavam em 1 ou 2 ocasiões em cada variável, resultando em no mínimo 95,6% das observações com confiabilidade.

Os pontos que serviram como referência para as medidas antropométricas estão representados na Figura 1, são eles: trichion (tr), que é o ponto localizado na inserção do cabelo, na linha mediana da testa (nos RNs que não tinham cabelo, o tr foi considerado como um ponto correspondente ao que seria a inserção do cabelo, na linha mediana da testa); a glabela (g), que é ponto mais proeminente na linha mediana entre as sobrancelhas; o subnasal (sn), que se situa medialmente no encontro da borda inferior do septo nasal com a superfície do lábio superior; o labial superior (ls), que é localizado medialmente na linha do vermelhidão do lábio superior; o estômio (sto), que é um ponto imaginário situado na região medial da intercessão entre a linha vertical mediana da face e a linha horizontal da rima da boca, quando os lábios estão fechados e os dentes ocluídos; o gnátio (gn), que é o ponto localizado na região mais inferior da borda inferior da mandíbula; o canto externo do olho (ex), que é medialmente situado na borda externa do olho, tomando como referência o tecido duro; e o cheilion (ch), que é o ponto localizado na comissura labial(1,14-17) (Figura 1).

Fonte: Acervo dos pesquisadores

Figura 1 Pontos antropométricos orofaciais 

Foram tomadas as seguintes medidas antropométricas: terço superior da face (tr-g); terço médio da face (g-sn); terço inferior da face (sn-gn); distância entre o canto externo do olho e o cheilion (ex-ch) direito e esquerdo; altura do filtro (sn-ls); altura lábio superior (sn-sto) e altura do lábio inferior (sto-gn)(17) (Figura 2).

Fonte: Acervo dos pesquisadores

Figura 2 Medidas antropométricas orofaciais 

Após a tomada das medidas, foram calculadas as proporções orofaciais: lábio superior dividido pelo lábio inferior (sn-sto/sto-gn); terço superior dividido pelo terço inferior (tr-g/g-sn); e terço médio dividido pelo terço inferior (g-sn/sn-gn)(17).

Os dados coletados foram tabulados em uma planilha do programa Microsoft Excel 2016® e tratados com nível de significância de 5% (p<0,05).

Os dados foram descritos por meio de frequências simples e percentuais, quando categóricas, além de média e desvio-padrão quando contínua. As diferenças de média foram avaliadas através do Teste de Mann-Whitney, e as associações através do teste Exato de Fisher. A concordância entre as medidas foi calculada por meio da correlação de Pearson.

Devido à disponibilidade de dados, todas as significâncias foram avaliadas de forma exata. Foram calculados tamanhos de efeitos D de Cohen, sendo interpretados conforme proposto por Sawilowsky(28): Muito pequeno (0,01), Pequeno (0,20), Médio (0,50), Grande (0,80), Muito Grande (1,20) e Enorme (2,0).

RESULTADOS

Os resultados deste estudo seguem apresentados na Tabela 1. Na totalidade dos participantes, quanto à idade gestacional ao nascimento (IGN), não houve diferença entre os grupos, sendo que a mesma variou entre 36,43 e 42,57 semanas, sendo a idade média dos RNs estudados de 39,24 (DP: 1,51) semanas.

Tabela 1 Média da idade gestacional, medidas e proporções antropométricas orofaciais em recém-nascidos, pareados por idade e sexo. Aracaju, 2017 

Sexo
Geral
Média (DP)
Feminino
Média (DP)
Masculino
Média (DP)
p-valor D
IG (semanas) 38,84 (1,33) 39,55 (1,59) 0,086 -0,245
Terço superior (mm) 30,37 (4,46) 30,13 (4,45) 30,55 (4,56) 0,818 -0,046
Terço médio (mm) 28,17 (2,60) 27,26 (1,72) 28,87 (2,96) 0,030 -0,362
Terço inferior (mm) 32,24 (3,50) 30,92 (3,25) 33,26 (3,40) 0,039 -0,355
Canto externo do olho lado direito (mm) 35,91 (2,46) 35,48 (1,96) 36,25 (2,78) 0,438 -0,160
Canto externo do olho lado esquerdo (mm) 35,69 (2,36) 35,30 (2,34) 36,00 (2,38) 0,406 -0,151
Lábio superior (mm) 11,96 (1,58) 11,23 (1,33) 12,52 (1,55) 0,007 -0,449
Lábio inferior (mm) 21,34 (3,30) 20,32 (3,66) 22,12 (2,83) 0,013 -0,285
Filtro (mm) 8,26 (1,10) 7,83 (0,77) 8,60 (1,21) 0,007 -0,404
Lábio Superior / Lábio Inferior 0,56 0,56 (0,08) 0,57 (0,08) 0,706 -0,065
Terço Superior / Terço Médio 1,07 1,11 (0,17) 1,06 (0,13) 0,240 0,166
Terço Médio / Terço Inferior 0,87 0,89 (0,09) 0,87 (0,08) 0,520 0,101

Legenda: IG = Idade Gestacional; mm = Milímetro; DP = Desvio-padrão; D = tamanho de efeito D de Cohen; Teste de Mann-Whitney.

Legenda: tr = trichion; g = glabela; sn = subnasal; ls = lábio superior; sto = estômio; ch = cheilion; gn = gnátio; ex = canto externo do olho

Quanto à concordância entre as medidas, foi utilizada a correlação de Pearson. As correlações foram significativas para todas as medidas faciais e superiores a 0,8 para terço superior (tr-g) (0,863), terço médio (g-sn) (0,821), terço inferior (sn-gn) (0,833), canto externo do lado direito (ex-ch) (0,800), lábio superior (sn-sto) (0,813) e lábio inferior (sto-gn) (0,820). O filtro (sn-ls) obteve concordância de 0,727, e o canto do olho esquerdo (ex-ch) de 0,549.

Em relação à média das medidas faciais, foram encontradas diferenças para terços médio e inferior da face, com valores maiores no sexo masculino. Também houve diferenças nas médias das medidas de lábio superior, inferior e filtro, novamente maiores no sexo masculino. Todas as diferenças observadas foram classificadas entre pequena e média magnitude, segundo o critério de Cohen. As demais medidas, incluindo as proporções, não apresentaram diferenças significativas entre os sexos (Tabela 1).

Em relação aos valores gerais encontrados para as proporções orofaciais, a saber, lábio superior e lábio inferior (sn-sto/sto-gn), terço superior e terço médio (tr-g/g-sn) e terço médio e terço inferior (g-sn/sn-gn), não houve diferenças entre os grupos (Tabela 1).

DISCUSSÃO

O estudo da antropometria em Motricidade Orofacial, com o estabelecimento de valores de referência para diversas populações, além de trazer vantagens para a avaliação, facilita a comunicação interdisciplinar, uma vez que o fonoaudiólogo pode basear suas evidências e demonstrá-las aos demais profissionais a partir de dados objetivos(17).

A presente pesquisa é pioneira no sentido de investigar as medidas e proporções orofaciais em RNs nascidos na região Nordeste do Brasil. O estudo demonstrou que é possível realizar a avaliação morfológica facial objetiva e quantitativa em RNs, utilizando-se parâmetros de medidas a partir da contenção da cabeça, preferencialmente durante o estado comportamental de sono, em posição supina, atentando-se à segurança na utilização do paquímetro.

Uma vez que alterações na morfologia facial impactam nas funções orofaciais(1-4), destaca-se a aplicabilidade da avaliação das medidas e proporções antropométricas orofaciais em idade precoce (junto aos RNs). A realização de pesquisas nessa área, como o presente estudo, visa agregar conhecimentos sobre as medidas orofaciais na população estudada, estabelecendo referenciais, para que se possa avaliar possíveis variáveis que comprometam o desenvolvimento e amadurecimento das funções orofaciais.

Tendo em vista a realização dessa avaliação objetiva, da morfologia facial em RNs aqui proposta, acredita-se que, com a intervenção precoce, será possível minimizar eventuais interferências morfológicas nas funções orofaciais, procurando garantir o adequado desenvolvimento das mesmas em RNs.

O atual estudo evidenciou que, já no período inicial de vida, em RNs a termo e saudáveis, existem diferenças entre os sexos para algumas medidas antropométricas orofaciais, coincidindo com o padrão descrito na literatura(14,22) sobre a média de medidas, sempre maiores no sexo masculino.

Na face do adulto, a literatura(29) traz como valores de referência uma altura do lábio superior com média de 19 a 22 mm e do lábio inferior de 38 a 44 mm, com valores maiores no sexo masculino. O presente estudo também corrobora essa relação entre os RNs, com maiores valores no sexo masculino, conferindo o disformismo sexual na população estudada para algumas medidas coletadas.

Os resultados do presente estudo também vão ao encontro de pesquisas que indicam existir diferenças estatísticas das medidas antropométricas orofaciais entre os sexos, porém essas diferenças não foram encontradas entre as proporções orofaciais(1,15). Futuros estudos são necessários para que haja melhor compreensão dessas variáveis na população estudada, esclarecendo o impacto clínico desses achados.

Na população neonatal, um estudo(30) no norte da Índia apontou os valores de 8,85 mm para o filtro de RNs do sexo masculino e 7,75 mm para sexo feminino, tendo como média 8,30 mm, valor muito semelhante ao encontrado na população aqui estudada (8,26 mm).

Entretanto, a escassez de estudos específicos das medidas antropométricas orofaciais na população de RNs dificultou a comparação detalhada dos achados deste estudo com outras pesquisas envolvendo essa faixa etária. Como limitação do presente estudo, inerente às características da população, houve, por exemplo, a ausência de cabelo do RN, levando à necessidade de suposição sobre a localização do trichion (tr), o que pode comprometer a exatidão dos dados.

Outra limitação foi a impossibilidade de múltiplas aferições das medidas faciais do neonato, quando houvesse discrepância entre valores, o que levou ao não descarte de medidas com relativa concordância, tal como canto do olho esquerdo. Por outro lado, todos os resultados significativos entre os grupos referiram-se a medidas e proporções que obtiveram alta concordância.

Esta pesquisa contribuiu para a caracterização de medidas antropométricas e proporções orofaciais em RNs saudáveis de uma maternidade do estado de Sergipe. Tendo em vista a variabilidade regional, esses valores não podem ser generalizados para RNs de outras regiões, sendo fundamental a ampliação do estudo em diferentes estados.

CONCLUSÃO

O estudo estabeleceu as medidas e proporções orofaciais em RNs saudáveis de uma maternidade do estado de Sergipe, evidenciando as diferenças existentes entre os sexos logo ao nascimento, sempre maiores no sexo masculino.

De modo geral, é possível apontar a presença de disformismo sexual para as medidas da face ao nascimento, enquanto não há evidências desse achado quando se trata das proporções orofaciais na população estudada.

Devido à variação regional, faz-se necessária a ampliação do estudo com populações de outras localidades, através de um estudo multicêntrico, para criar um perfil antropométrico do recém-nascido brasileiro.

Anexo 1

Protocolo de Coleta de Dados

Quarto: ____ Leito: ____ Nº: ___

1. Dados de identificação:

Nome da mãe: _______________________________________ Idade da mãe: _____

Profissão: _____________ Nº Gestações: ___ Abortos: ___ Paridade: ___

Nome do RN: ______________________________ Sexo: M ___F___

Data de nascimento: ___/___/201___ IGN: ___ DV: __ IGC: ___

Perímetro Cefálico: ________

2. Medidas antropométricas orofaciais:

Região Estrutura Medida I (em mm) Medida II (em mm) Média (em mm)
Facial terço superior (tr-g)
terço médio (g-sn)
terço inferior (sn-gn)
canto externo do olho ao cheilion no lado direito (ex-ch)
canto externo do olho ao cheilion no lado esquerdo (ex-ch)
Nasolabial lábio superior (sn-sto)
lábio inferior (sto-gn)
filtro (sn-ls)

3. Proporções orofaciais:

lábio superior
lábio inferior
terço superior
terço médio
terço médio
terço inferior

Fonte: Adaptado de Cattoni(26)

AGRADECIMENTOS

À Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, pela disponibilidade do espaço para realização da pesquisa, à Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC/SE), à Coordenação de Pesquisa (COPES/UFS), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Trabalho realizado na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes - Aracaju (SE), Brasil e na Universidade Federal de Sergipe - São Cristóvão (SE), Brasil.

Fonte de financiamento: Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC/SE): 01 Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC remunerado (Edital FAPITEC/SE/FUNTEC/CAPES Nº 07/2016). Coordenação de Pesquisa (COPES/UFS): 01 Bolsa de Iniciação Científica - PIBIC voluntário (edital 02/2016/COPES/POSGRAP/UFS). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES): 01 bolsa de Doutorado (código de financiamento 001). CNPq – 01 Bolsista (PDS) do CNPq – Brasil (no. processo 113984/2018-9)

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Recebido: 25 de Outubro de 2018; Aceito: 04 de Abril de 2019

Conflito de interesses: nada a declarar.

Endereço para correspondência: Andréa Monteiro Correia Medeiros Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Fonoaudiologia Prof. José Aloísio de Campos, Av. Marechal Rondon, s/n, Jd. Rosa Elze, Campus São Cristóvão, Cidade Universitária, São Cristóvão (SE), Brasil, CEP: 49100-000. E-mail: andreamcmedeiros@gmail.com

Contribuição dos autores AMCM foi responsável pela concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados, revisão do artigo e aprovação final da versão a ser publicada; VNS, KCFS, ARSS, BRSS, FBS foram responsáveis pela coleta, redação do artigo; TPLS foi responsável pela redação e revisão final do artigo; ÍDCB foi responsável pelo tratamento estatístico, análise, interpretação dos dados do manuscrito e versão em inglês do manuscrito; DMC foi responsável pelo treinamento dos pesquisadores, análise e revisão do artigo; RQG participou da discussão para a estruturação da pesquisa e foi responsável pela análise e revisão do artigo. Todos os autores leram e aprovaram a redação final do trabalho.

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