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Physis: Revista de Saúde Coletiva

Print version ISSN 0103-7331

Physis vol.5 no.1 Rio de Janeiro  1995

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73311995000100001 

A antropologia redescobre a sexualidade: um comentário teórico*

 

Anthropology rediscovers sexuality: a theoretical comment

 

L'anthropologie redecouvre la sexualité: un document théorique

 

 

Carole S. Vance

Professora do Departamento de Ciências Sociomédicas, Escola de Saúde Pública da Universidade de Colúmbia, 600 West 168 Street, New York, NY 10032, U.S.A

 

 


RESUMO

Apesar da reputação de ser aberta à pesquisa sobre a sexualidade, a Antropologia como disciplina só relutantemente tem dado apoio a esse trabalho. A pesquisa e a teoria antropológicas desenvolveram-se lentamente, partilhando um paradigma teórico estável (o modelo de influência cultural) desde os anos 20 até os 90. Embora fosse além das estruturas determinista e essencialista ainda comuns na biomedicina, o trabalho antropológico ainda assim considerava aspectos importantes da sexualidade como universais e transculturais. A teoria da construção social propôs um desafio aos modelos antropológicos tradicionais, e a partir de 1975 tem sido responsável por uma explosão de trabalhos inovadores sobre a sexualidade, tanto na Antropologia como em outras disciplinas. As origens e implicações teóricas da teoria construtivista são investigadas. A competição cada vez maior entre a influência cultural e os paradigmas construtivistas foi alterada pelo surgimento da AIDS e do subseqüente apoio mais substancial para a pesquisa sobre a sexualidade. Por bm lado, a expansão do financiamento às pesquisas ameaça fortalecer os modelos essencialistas em contextos biomédicos e os modelos de influência cultural na Antropologia. Por outro, as complexidades e as ambigüidades inerentes à sexualidade estudada podem revelar a força das abordagens construtivistas e estimular o desenvolvimento da pesquisa e da teoria na Antropologia.


ABSTRACT

Despite its reputation for openness to research on sexuality, anthropology as a discipline has only reluctantly supported such work. Anthropological research and theory developed slowly, sharing a stable theoretical paradigm (the cultural influence model) from the 1920s to the 19908. Moving beyond determinist and essentialist frameworks still common in biomedicine, anthropological work nevertheless viewed important aspects of sexuality as universal and transcultural. Social construction theory has offered a challenge to tradit.ional anthropological models and has been responsible for a recent burst of innovative work in sexuality, both in anthropology and in other disciplines, since 1975. The theoretical roots and implications of constructionist theory are explored. The intensifymg competition between cultural influence and constructionist paradigms has been altered by the appearance of AIDS and the subsequent increased support to: research on sexuality. On the one hand, the expansion in funding threatens to strengthen essentialist models in biomedical contexts and cultural influence models in anthropology. On the other hand, the complexities and ambiguities inherent in the sexuality under study may both reveal the strengths of constructioriist approaches and spur the development of research and theory in anthropology.


RÉSUMÉ

Malgré la reputation d'être ou verte à la recherche sur la sexualité, l' Anthropologie offre son appui à ce travail avec résistance. La recherche et la théorie anthropologique se sont developpées lentement en partageant un modele théorique stable (le modele d' influence culturel) des les années 20 jusqu' aux années 90. Bien que cela soit au-delà des structures déterministe et essentialiste encore frequentes dans la Biomédicine, le travail anthropologique considerait les aspects importants de la Sexualité comme universaux et transculturels. La théorie de la construction sociale a proposé un défi aux modeles anthropologiques traditionnels et, des 1975, elle est reponsable par une explosion de travaux inovateurs sur la sexualité, dans l' Anthropologie et d'autres disciplines. Les origines et les implications théoriques de la théorie constructiviste sont investiguées. La compétition, chaque fois plus grande entre l'influence culturelle et les paradigmes constructivistes se sont altérés avec l'avenement du Sida et du subséquent appui substantiel a la recherche sur la sexualité. D'un côté, l' expansion financiere aux recherches menace consolider les modeles essentialistes dans les contextes biomédicales et les modeles d'influence culturelle dans l' Anthropologie. D'un autre côté, les compléxités et les ambiguités inherentes à la sexualité peuvent annoncer la force des abordages constructivistes et stimuler le développement de la recherche et de la théorie dans l' Anthropologie.


 

 

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* Gostaria de agradecer Frances M. Doughty pelas conversas proveitosas, sugestões editoriais inestimáveis e estímulo generoso. Sou grata a Shirley Lindenbaum pelos seus comentários, paciência e entusiasmo. Meus agradecimentos também a Lís Duggan, Gayle Rubin, David Schwartz, Gilbert Zicklin, Jonathan Katz, Janice Irvine, Ann Snitow, Nan Hunter, Jennifer Terry, Jacqueline Urla, Libbett Crandon, William Hawkeswood, Jeanne Bergman, Faye Ginsburg e aos revisores anônimos de Social Science and Medicine pelos seus comentários. Agradeço a Pamela Brown-Peterside pela assistência na pesquisa. Este artigo foi inicialmente apresentado na mesa­redonda "A Antropologia Redescobre o Sexo", na reunião anual da American Anthropological Association em 1988. Agradeço a coordenadora do encontro, Shirley Lindenbaum, e aos partici­pantes do mesmo pelo diálogo estimulante. Os comentários feitos pelos membros do Colóquio de Antropologia Médica na Universidade de Columbia também me foram bastante úteis. A respon­sabilidade pelas opiniões expressas neste artigo é inteiramente minha.
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3. A julgar pela minha experiência pessoal, a resistência pode ter efeitos paradoxais. Em 1977, a solicitação de uma subvenção para completar uma bibliografia comentada antropológica convencional das influências bioculturais sobre a sexualidade me foi negada sob o pretexto de que a investigadora "era jovem demais para realizar pesquisa sobre este tópico" e, sendo incapaz de ler japonês, "não podia ler a nova e importante literatura sobre os macacos japoneses no original". Longe de me desencorajarem, esses comentários aumentaram ainda mais o meu interesse, pois as reações voláteis dos antropólogos pareciam merecer, pelo menos, atenção igual à dispensada ao material transcultural.
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39. Isto não quer dizer que a pesquisa não esteja sendo realizada por cientistas sociais fora das instituições médicas, nem que os cientistas sociais também não contribuam para estudos imple­mentados nas Escolas de Medicina, ainda que geralmente desempenhando um papel secundário. Entretanto, o simples número de inquéritos populacionais com orientação biomédica, ao lado do tamanho considerável de suas amostras e orçamentos, ameaça ofuscar e suplantar a pesquisa da sexualidade realizada por investigadores com uma orientação menos biomédica. Além disso, atribui-se mais aos médicos do que aos cientistas sociais autoridade para falar sobre o corpo. Diante disso, as perspectivas cada vez mais essencialistas, que estruturam a sexualidade em relação à AIDS como uma questão corporal, irão aumentar automaticamente a legitimidade das vozes e dos textos médicos.
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