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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.7 Viçosa July 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982010000700017 

MONOGASTRICOS

 

Probiótico na ração ou inoculado em ovos embrionados. 1. Desempenho de pintos de corte desafiados com Salmonella Enteritidis

 

Probiotic in diet or inoculated in fertilized eggs. 1. Performance of broiler chicks challenged with Salmonella Enteritidis

 

 

Nadja Susana Mogyca LeandroI,III,*; Adson Santa Cruz de OliveiraII; Elisabeth GonzalesIII; Marcos Barcellos CaféI; José Henrique StringhiniI,III,*; Maria Auxiliadora AndradeIV

IDepartamento de Produção Animal, Escola de Veterinária - UFG, Campus II, Goiânia, Caixa Postal 131
IIEscola de Veterinária – UFG
IIIPesquisador do CNPq
IVDepartamento de Medicina Veterinária, Escola de Veterinária – UFG

 

 


RESUMO

Foram realizados três experimentos para avaliar o efeito de probiótico sobre o desempenho e a saúde intestinal de pintos. No primeiro experimento, foram utilizados 300 ovos embrionados, nos quais foram inoculados água (placebo) ou solução contendo 10 mg de probiótico (Enterococcus faecium, Lactobacillus casei e Lactobacillus plantarum, 106 ufc/g). No segundo experimento, avaliou-se a eficiência do fornecimento de probiótico (Bacillus subtilis) na ração em pintos desafiados com Salmonella Enteritidis no primeiro dia de vida. No terceiro experimento, o probiótico foi inoculado em ovos embrionados e os pintos foram desafiados com Salmonella Enteritidis na eclosão. O delineamento foi em bloco casualizado, nos três experimentos. Foram avaliados desempenho, digestibilidade dos nutrientes da ração e a presença de Salmonella Enteritidis no trato gastrintestinal das aves. No primeiro experimento, o probiótico proporcionou redução da digestibilidade do extrato etéreo da ração. Aves oriundas de ovos inoculados com probiótico apresentaram pior conversão alimentar. No segundo experimento, o probiótico proporcionou redução cecal da Salmonella Enteritidis, a partir da segunda semana de vida. No terceiro experimento, houve interação entre probiótico e desafio, para peso vivo aos 21 dias de idade, sendo que pintos desafiados ao eclodir com Salmonella Enteritidis apresentaram melhores resultados nos grupos que receberem probiótico, via ovo, aos 16 dias de incubação. O probiótico também promoveu a eliminação de Salmonella Enteritidis no papo e no ceco de pintos, aos 7 e 21 dias de idade. A suplementação de probiótico em embriões de frangos de corte favorece o desempenho das aves e evita a colonização do papo e do ceco de pintos desafiados com Salmonella Enteritidis após a eclosão.

Palavras-chave: desempenho, digestibilidade, frangos, lactobacillus, ovo


ABSTRACT

Three experiments were carried out to evaluate the effect of probiotic on performance and intestinal health of chicks. It was used in the first experiment 300 fertilized eggs, in which water (placebo) or probiotic solution containing 10 mg of probiotic (Enterococcus faecium, Lactobacillus casei and Lactobacillus plantarum, 106ufc/g) were inoculated. In Experiment 2, it was evaluated the efficiency of probiotic (Bacillus subtilis) supply in the diet for chicks challenged with Salmonella Enteritidis on the first day of age. In the Experiment 3, the probiotic was inoculated in fertilized eggs and the chicks were challenged with Salmonella Enteritidis at hatching. A random block design was used in the three experiments. Performance, digestibility of the feeding nutrients, and the presence of Salmonella Enteritidis in the digestive organs of the chicks were evaluated. In the first experiment, the probiotic provided a reduction of digestibility of the ether extract of the feeding. Birds from probiotic inoculated eggs showed the worst food conversion. In the Experiment 2, the probiotic provided caecum reduction of Salmonella Enteritidis from the second week of life. On the third experiment, there was an interaction among probiotic and challenge for the body weight at 21 days of life, and the chicks challenged to hatch with Salmonella Enteritidis showed best results in the groups that received probiotics, through egg, at 16 days of incubation. The probiotic also promoted the elimination of Salmonella Enteritidis in the crop and in the caecum of the chicks at 7 and 21 days of age. Supplementation of probiotics in embryos of broilers favors the performance of the birds and avoids colonization in the crop and in the caecum of broilers challenged with Salmonella Enteritidis after hatching.

Key words: broilers, digestibility, egg, lactobacillus, performance


 

 

Introdução

A primeira semana pós-eclosão corresponde a 17% do período total de criação do frango de corte, período em que se observa a maior taxa de crescimento relativo da ave (Gonzales & Saldanha, 2001). O expressivo ganho de peso na fase pré-inicial ocorre principalmente devido ao aumento acentuado de peso do trato gastrintestinal, superior aos demais órgãos (Nir et al., 1996).

Alterações morfofisiológicas são influenciadas por agentes tróficos, que estimulam o processo mitótico e estão relacionados com a ingestão e digestão dos alimentos, bem como com as propriedades químicas dos nutrientes presentes no lúmen intestinal. A maturidade do trato gastrintestinal de pintos de corte pode ser estimulada com suplementação exógena de produtos capazes de induzir o estabelecimento precoce da microbiota intestinal (Guillot, 2000), como probióticos e prebióticos (Maiorka, 2001). O uso de probióticos para controle de infecções intestinais apresentou resultados consistentes, demonstrando sua habilidade em diminuir a colonização intestinal por bactérias do gênero Salmonella sp (Berchieri & Barrow, 1998).

Com relação à modulação da microbiota intestinal, Bertechini & Hossain (1993) recomendam que os probióticos sejam fornecidos precocemente às aves, pois as primeiras bactérias a chegarem ao trato gastrintestinal tenderão a colonizá-lo. Lan et al. (2005) relataram que o período imediatamente após a eclosão é crítico para o estabelecimento da comunidade microbiana do trato gastrintestinal, a qual depende, em parte, do tipo de colonização já presente no trato gastrintestinal no momento da eclosão.

Pedroso et al. (2005) demonstraram que pintos de corte, no momento da eclosão, apresentavam uma comunidade de bactérias complexa no trato gastrintestinal. Menten & Pedroso (2005) citaram que o embrião inicia a ingestão do líquido amniótico no 15º dia de incubação, quando ocorrem a ingestão de microrganismos presentes no ovo e também o processo de colonização do trato gastrintestinal das aves.

A colonização precoce do trato gastrintestinal das aves por bactérias não patogênicas favorece a exclusão das bactérias patogênicas (Andreati Filho & Sampaio, 2000). Gonzales (2004) afirmou que a inoculação de probiótico é viável em ovos embrionados, e pode ser utilizada para promover a colonização do trato gastrintestinal das aves o mais cedo possível. Cruz et al. (2003) observaram que a inoculação de probióticos, prebióticos e ácidos orgânicos via ovo, não prejudicou a eclosão de pintos de corte. Assim, objetivou-se avaliar o efeito do probiótico comercial inoculado em ovos embrionados de frangos sobre desempenho inicial, digestibilidade dos nutrientes da ração e presença da Salmonella Enteritidis no sistema gastrintestinal.

 

Material e Métodos

Foram realizados três ensaios experimentais, sendo que no primeiro experimento foram utilizados 300 ovos de matrizes da linhagem Cobb-500 com 46 semanas de idade, provenientes do incubatório comercial da região. Os ovos foram transportados no 15º dia de incubação, quando foram distribuídos uniformemente em quatro incubadoras (capacidade para 120 ovos cada) a fim de completar o período de incubação, sendo que esse processo durou aproximadamente 6 horas.

Aos 16 dias de incubação, 150 ovos foram inoculados com 0,3 mL de água destilada (placebo ou controle) e 150 ovos com o mesmo volume de solução contendo 10 mg do probiótico comercial, para atender à concentração mínima de 106 ufc/g. O produto era composto por soro de leite em pó (53,5%), tripolifosfato de sódio, aluminosilicato e cepas liofilizadas de Enterococcus faecium, Lactobacillus casei e Lactobacillus plantarum, nas concentrações de 1,1 x 108 ufc/g. A inoculação foi efetuada na cavidade alantoide, utilizando-se uma seringa de 1,0 mL e uma agulha de 13 mm estéreis para cada ovo. Antes de introduzir a agulha e injetar a solução de acordo com os tratamentos, identificou-se a posição do embrião com ovoscópio, de acordo com a metodologia proposta por Cruz et al. (2003).

As incubadoras foram instaladas em salas diferentes de acordo com os fatores estudados (inoculação com água destilada ou inoculação com a solução contendo probiótico), sendo reguladas e monitoradas diariamente para manter a temperatura e a umidade relativa em 37,5ºC e 55%, respectivamente, até o final da incubação. Após o nascimento e seleção dos pintos de corte pelo peso corporal, 280 aves (não sexadas) foram distribuídas de acordo com a inoculação realizada em ovo, em baterias de gaiolas, equipadas com comedouros e bebedouros tipo lineares e bandejas metálicas para colheita de excretas. Para evitar contaminação entre as aves do grupo controle e o grupo inoculado com probiótico, foram utilizados dois galpões semelhantes de alvenaria. O delineamento experimental foi em blocos casualizados (controlando o efeito do andar das baterias), 20 repetições com sete aves por parcela, totalizando 40 parcelas. As variáveis estudadas foram: consumo de ração, ganho de peso, conversão alimentar e mortalidade (transformada em Arc seno).

A ração utilizada em todos os tratamentos foi farelada e composta por ingredientes vegetais, isenta de antibióticos como promotores de crescimento (Tabela 1).

 

 

O ensaio de digestibilidade foi realizado pelo método de colheita total das excretas, durante o período de 6 a 10 dias de idade dos frangos. A ingestão de ração foi controlada e diariamente faziam-se duas coletas de toda a excreta produzida (pela manhã e à tarde), acondicionando-as em sacos plásticos e conservando-as em freezer, para análises posteriores. As análises bromatológicas da matéria seca, da proteína bruta, do extrato etéreo e do nitrogênio, foram de acordo com a metodologia proposta por Silva (1990). Foram calculados os coeficientes de digestibilidade da matéria seca (CDMS), da proteína bruta (CDPB), do extrato etéreo (CDEE) e o balanço de nitrogênio.

No segundo experimento, foram utilizados 200 pintos de corte, de um dia de idade (100 pintos machos e 100 fêmeas) e de linhagem comercial, adquiridos em incubatório comercial e avaliados para certificação de que eram livres de salmonela. Todas as aves foram submetidas, no primeiro dia de vida, ao desafio de Salmonella Enteritidis, resistentes ao ácido nalidíxico, sendo que metade das aves foi alimentada com rações contendo probiótico.

Os pintos foram distribuídos em baterias aquecidas em um galpão experimental e alimentados à vontade. A elaboração da ração basal seguiu a mesma formulação do primeiro experimento (Tabela 1), também isenta de antimicrobianos. As rações experimentais com probiótico continham 300 ppm (cada kg do produto continha Bacillus subtilis 1010 células viáveis /100 g).

Para o desafio dos pintos, o inóculo foi preparado com amostras de Salmonella Enteritidis de origem aviária, resistente ao ácido nalidíxico, e todas as aves foram inoculadas em caldo cérebro coração (BHI) e incubadas a 37ºC por 18 horas, sob agitação em banho-maria. Cada pinto recebeu, diretamente no papo, por meio de uma pipeta, 0,1 mL de um inóculo que continha 106 ufc/mL.

O delineamento utilizado foi em blocos casualizados com dois fatores estudados (ração com ou sem probióticos), 10 repetições e parcelas constituídas de 10 aves. As variáveis estudadas foram: desempenho dos pintos e comportamento da Salmonella Enteritidis no tratintestinal dos pintos desafiados durante a fase de crescimento.

A pesquisa da Salmonella Enteritidis foi realizada aos 7, 14 e 21 dias de idade, quando os cecos foram removidos assepticamente e o conteúdo do ceco foi retirado de duas aves por parcela, de acordo com Geórgia Poultry Laboratory (1997).

No terceiro experimento foram utilizados 400 ovos de matrizes Cobb-500, de 50 semanas de idade, provenientes de um incubatório comercial. Os ovos foram pesados e distribuídos uniformemente em três incubadoras, mantidas a 37,8ºC e 55% de umidade, durante todo o período de incubação. Aos 16 dias de incubação, os ovos com embriões viáveis foram inoculados de acordo com o primeiro experimento.

Os fatores estudados foram: ovos inoculados com água (placebo) e pintos não submetidos ao desafio com Salmonella Enteritidis, ovos inoculados com probiótico e pintos não submetidos ao desafio, ovos inoculados com água (placebo) e pintos submetidos ao desafio com Salmonella, ovos inoculados com probiótico e pintos submetidos ao desafio com salmonela.

Os ovos do placebo (com ou sem desafio com salmonela) foram inoculados, na cavidade alantoide, com 0,3 mL de água destilada estéril. Já os com probiótico foram inoculados com solução contendo 10 mg do Probiótico, composto por Lactobacillus casei, Lactobacillus plantrum e Enterococus faecium (1,1x108 ufc/g) para atender a dose de 106 ufc /g em cada ovo.

Após a eclosão de 80% dos ovos, os pintos viáveis foram retirados das incubadoras e foram inoculados diretamente no papo, por meio de uma pipeta de um 1,0 mL com 0,1 mL de solução aquosa - conforme os tratamentos, sendo que nos tratamentos sem desafio as aves receberam água e, nos desafiados, receberam uma solução com 1,36 x 106 ufc de Salmonella Enteritidis.

Os pintos foram distribuídos em baterias aquecidas em galpões distintos, conforme os tratamentos desafiados ou não desafiados com a salmonela, em salas diferentes. O delineamento foi em blocos casualizado em esquema fatorial 2 x 2 (duas inoculações nos ovos - placebo e probiótico; duas inoculações nos pintos - placebo e salmonela) e 10 repetições de 10 aves cada.

As aves receberam água e ração ad libitum por todo período experimental. A ração à base de milho e de farelo de soja foi formulada, sem antimicrobianos e agentes anticoccidianos, com os níveis nutricionais e composição de alimentos (Tabela 1).

Para as avaliações microbiológicas foram coletados fragmentos de papo e ceco de 20% das aves em cada período estudado (7 e 21 dias de idade). Realizou-se a pesquisa de Salmonella Enteritidis de acordo com a metodologia proposta pelo Geórgia Poultry Laboratory (1997), sendo a salmonela encontrada, considerada como a mesma inoculada.

Os resultados de desempenho e de digestibilidade dos nutrientes foram submetidos à análise de variancia através do proc GLM do SAS® (1998) e as médias, quando necessário, comparadas pelo teste Tukey (P<0,05).

 

Resultados e Discussão

No primeiro experimento, no qual as aves não foram desafiadas com salmonela, a inoculação do probiótico via ovo, aos 16 dias, não influenciou significativamente a digestibilidade da matéria seca, da proteína bruta, nem o balanço de nitrogênio (P>0,05) (Tabela 2). Já o coeficiente de digestibilidade do extrato etéreo foi significativamente prejudicado pelo probiótico inoculado (P<0,05), o qual foi menor em três pontos percentuais em relação ao grupo controle. A menor digestibilidade do extrato etéreo dos pintos que receberam o probiótico, em ovo, sugere que as bactérias do probiótico colonizaram o trato gastrintestinal das aves e competiram com a ave por nutrientes energéticos. Mohan et al. (1996) e Jin et al. (1998) relataram que bactérias probióticas são capazes de assimilar lipídeos e competem com o hospedeiro por esse nutriente.

 

 

Lan et al. (2005) sugeriram que, embora a microbiota intestinal possa ter efeito benéfico sobre a digestão de certos componentes da dieta, o efeito pode ser negativo sobre a utilização da energia metabolizável pelo hospedeiro. Assim, pintos que apresentam uma microbiota ativa no trato gastrintestinal aparentemente têm aumento no requerimento de energia para a manutenção.

A microbiota também pode ser benéfica ao hospedeiro pela produção de energia na forma de ácidos graxos de cadeia curta, proveniente da fermentação de oligo ou polissacarídeos não hidrolisados pela ave, e prover energia extra para aves e melhorar a conversão alimentar, No entanto, isso ocorre mais particularmente quando as aves são alimentadas com dietas ricas em fibra (Muramatsu et al., 1991). Quando as dietas são compostas por ingredientes que são facilmente digestíveis pela ave, a eficiência da utilização da energia pode ser reduzida com a microbiota no trato gastrintestinal, devido à competição da microbiota com o hospedeiro pelos substratos (Muramatsu et al., 1994).

Os resultados observados neste trabalho com relação aos coeficientes de digestibilidade da proteína bruta e ao balanço de nitrogênio estão de acordo com os obtidos por Leandro et al. (2001), que não observaram diferenças no coeficiente de digestibilidade da proteína bruta e da matéria seca entre frangos alimentados com ração contendo probiótico ou não, durante a fase inicial de criação. No entanto, anteriormente, Fuller (1989) afirmou que o probiótico promove um equilíbrio na microbiota do trato gastrintestinal, favorecendo a saúde intestinal das aves e, desta maneira, melhora a absorção dos nutrientes da dieta, o que reflete em maiores coeficientes de digestibilidade. Do mesmo modo, Tournut (1998) apresentou dados em que probiótico, administrado por meio da dieta elevou os valores da energia metabolizável da ração e melhorou a digestibilidade da gordura em frangos de corte.

De acordo com Gonzales. (2004), pinto de corte alcança bom desempenho quando há equilíbrio da microbiota intestinal, o qual favorece a saúde da ave e promove a maturidade do gastrintestinal, reduzindo as limitações nos processos de digestão dos alimentos e na absorção dos nutrientes da ração. No entanto, Lan et al. (2005) relatam que para que a microbiota seja estabelizada no intestino delgado e no ceco são necessárias aproximadamente 2 e de 6 a 7 semanas, respectivamente. Assim, o período estudado de 10 dias pode não ter sido suficiente para que ocorresse a estabilização da microbiota intestinal e, portanto, para observar os efeitos benéficos do probíotico sobre a digestibilidade de nutrientes da ração. As diferenças nos resultados de pesquisa podem estar relacionadas aos fatores variáveis, como idade do hospedeiro, contaminação do ambiente e dietas utilizadas.

As análises dos dados da fase pré-inicial de frangos mostraram que a inoculação do probiótico não influenciou o peso ao 1º dia de vida e nem o ganho de peso no período de 1 a 10 dias de idade (P>0,05) (Tabela 3). Esses resultados indicam que a inoculação via ovo, de 1,1 x 106 do probiótico estudado (composto por L. plantarum, L. casei e S. faecium), aos 16 dias de incubação, não prejudicou o desenvolvimento embrionário e o desempenho inicial de pintos de corte. No entanto, em estudo utilizando uma cultura indefinida de microrganismos como probiótico, Cruz et al. (2003) verificaram que o peso do neonato foi menor quando os embriões foram suplementação com probiótico e consideraram o produto impróprio para a inoculação em ovos embrionados.

 

 

O probiótico não prejudicou o desenvolvimento embrionário, no entanto, sua aplicação também não proporcionou melhora no desempenho dos pintos de corte na fase pré-inicial (P>0,05), assim como não reduziu a mortalidade das aves durante esse período (P>0,05). A conversão alimentar do grupo inoculado com probiótico foi pior quando comparada à das aves controle (P<0.05), o que pode estar relacionado ao menor coeficiente de digestibilidade do extrato etéreo (Tabela 2). Ito (2004) citou que, em condições normais, sem desafios, as bactérias probióticas podem causar uma disbacteriose, ou seja, desequilíbrio da microbiota no trato gastrintestinal, e assim prejudicar o desempenho das aves não desafiadas e suplementadas com probiótico.

Os resultados de ganho de peso estão de acordo com vários estudos que utilizaram probiótico na ração como promotor de crescimento em frango de corte e mostraram que os probióticos não proporcionaram vantagens para o desempenho (Lima et al., 2003; Loddi, 2003). Traldi (2005) encontrou efeito negativo com o uso de probiótico sobre o ganho de peso e conversão alimentar em frangos até aos 21 dias de idade e sugeriu que houve desequilíbrio da microbiota intestinal com a suplementação de Bacillus subtilis e Bacillus coagulans em quantidade maiores que encontrada no trato gastrintestinal de aves. No entanto, Brito et al. (2005), em estudo conduzido durante o período total de criação, mostraram que o probiótico favoreceu o ganho de peso e reduziu a mortalidade das aves somente após a fase inicial, e concluíram que a população de bactérias benéficas necessitou de tempo para se estabelecer. Appelt et al. (2010) verificaram melhor conversão alimentar de frangos de corte no período inicial (1-21 dia) quando alimentados com probiótico na ração, embora para a fase pré-inicial (1-7 dias de idade) não houve efeito do probiótico sobre o desempenho das aves.

As aves neste estudo provavelmente foram submetidas a baixo desafio sanitário, já que nasceram em pequenas incubadoras em laboratório e foram criadas em baterias localizadas em galpões experimentais, com reduzido número de aves. De acordo com Loddi (2003), a ação das bactérias probióticas favorece o desempenho das aves quando elas estão em condições de infortúnios, como o desafio sanitário que proporciona o desequilíbrio na sua microbiota natural.

No segundo experimento, no qual todas as aves foram desafiadas com salmonela ao primeiro dia de vida e receberam rações contendo probióticos durante a fase inicial, os resultados de desempenho até 21 dias de idade não foram diferentes entre os dos pintos de corte alimentados com rações contendo ou não probiótico (P>0,05). Dados contrários foram observados em estudo por Tornout (1998), no qual aves desafiadas com cepa de Escherichia coli hemolítica e alimentadas com dietas contendo probiótico apresentaram melhor desempenho.

Com relação à pesquisa de Salmonella Enteritidis no trato gastrintestinal de pintos de corte, verifica-se que todos os grupos desafiados com Salmonella Enteritidis que não receberam probiótico mostram a presença da Salmonella Enteritidis em todas as idades estudadas (7-14-21 dias). No entanto, nos grupos desafiados que receberam probiótico, houve variação durante o período estudado, já que aos 7 dias de vida foi detectada a presença em todas as parcelas; em quatro parcelas aos 14 e em 3 parcelas aos 21 dias de idade, sugerindo discreta redução da bactéria inoculada, nos grupos que receberam ração contendo probiótico. Assim, os resultados indicam que o período experimental de até 21 dias de idade talvez não tenha sido suficiente para ação do probiótico no trato gastrintestinal de frango de corte. Rocha (2001) verificou que pintos de 1 dia infectados com Salmonella spp. não apresentaram no final do período de criação o agente bacteriano.

Os resultados de desempenho do terceiro experimento (Tabela 4) mostram que não houve interação significativa entre probiótico inoculado em ovo x desafio com salmonela pós-eclosão (P>0,05) para ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade dos pintos de corte até 21 dias de idade. As aves desafiadas com salmonela apresentaram pior desempenho (P<0,05). Embora a dose inoculada de Salmonella Enteritidis (1,36x. 106 ufc) não tenha promovido diferença na mortalidade entre aves infectadas ou não (P>0,005), os piores resultados para ganho de peso e conversão alimentar sugerem que houve uma infecção capaz de prejudicar o desempenho das aves infectadas por Salmonella Enteritidis.

 

 

O probiótico na ração não influenciou (P>0,05) o desempenho e a mortalidade de frangos de corte desafiados ou não por Salmonella Enteritidis. No entanto, Nisbet et al. (1998) verificaram redução de 75 para 7% da mortalidade entre os 10 e 12 dias de idade em pintos desafiados com Salmonella gallinarum, quando submetidos a uma cultura de exclusão competitiva.

Com respeito ao peso vivo, aos 21 dias de idade houve interação (P<0,007) entre os tratamentos (probiótico x desafio). Os pintos desafiados e provenientes de ovos inoculados com probiótico apresentaram maior peso vivo quando comparados com aqueles desafiados com salmonela que não receberam probiótico via ovo, mostrando efeito positivo do probiótico administrado precocemente em embriões, sobre desempenho quando os pintos foram submetidos a desafios ainda no incubatório.

Os resultados do ensaio microbiológico, para pesquisa de Salmonella Enteritidis mostram que houve diferença entre os grupos desafiados ou não na identificação de salmonela, sendo que pintos não desafiados foram negativos para a presença de salmonela, demonstrando que não houve contaminação experimental. A presença da salmonela, aos 7 e 21 dias de idade, foi identificada somente nos pintos desafiados e não inoculados com o probiótico (papo e ceco). Pintos desafiados com Salmonella Enteritidis, que receberam probiótico, não apresentaram a salmonela. Esses resultados sugerem que as bactérias probióticas na dose de 106 ufc/g por ovo evitaram a colonização do trato gastrintestinal das aves por Salmonella Enteritidis, inoculada via papo em 1,36 ufc/ave. Essses resultados estão de acordo com os obtidos por Ziprin et al. (1993) e Ziprin & Deloache (1993), que constataram redução na colonização intestinal por Salmonella sp quando administrado cultura cecal em pinto de corte. Fukata et al. (1999), utilizando uma mistura de microbiota cecal e frutooligossacarídio em pintos de corte desafiados com 1, 7 e 14 dias de idade, observaram que os tratamentos promoveram redução na quantidade da Salmonella Enteritidis no ceco das aves.

Berchieri & Barrow (1998), ao desafiarem um grupo de pintos com Salmonella Typhimurium, após terem sido inoculados com cepas de baixa resistência, verificaram que esse grupo foi resistente à doença, mostrando que realmente as cepas de baixa resistência haviam colonizado anteriormente o trato gastrintestinal das aves. Em pesquisa com ovos incubados em incubadoras contaminadas por Salmonella Typhimurium e com a administração de um probiótico (base de Lactobacillus reuteri) via ovo, Edens et al. (1997) observaram que no momento da eclosão os pintos oriundos de ovos inoculados com probiótico apresentaram redução de 99% da população cecal de Salmonella Typhimurium em relação ao grupo não tratado com probiótico.

Com base nos resultados obtidos nos experimentos, pode-se inferir que o probiótico não proporcionou melhores resultados no desempenho ou na digestibilidade dos nutrientes da ração quando os frangos não foram submetidos a desafio microbiológico. Já quando a aves foram submetidas ao desafio precocemente (pós-eclosão) e o probiótico fornecido somente após o alojamento das aves, na ração, os resultados de redução da salmonela no trato gastrintestinal de pintos (após 21 dias de idade) mostraram que a população de bactérias benéficas do probiótico necessitou de um tempo para se estabelecer. No entanto, quando administrado no ovo antes de as aves serem submetidas ao desafio por salmonela (logo após a eclosão), o probiótico foi capaz de proporcionar aos pintos desafiados melhor desempenho e redução na capacidade da salmonela em colonizar o trato gastrintestinal.

Assim, a inoculação com probióticos em ovos embrionados de frangos de corte é uma técnica que apresenta resultados positivos, mas necessita de desenvolvimento no sentido de sua aplicação comercial. Esse desenvolvimento se justifica, pois os resultados indicaram ser uma alternativa importante para o controle de salmonela na produção de frango de corte.

 

Conclusões

A suplementação de probiótico em embriões de frangos de corte não melhora o desempenho posterior dos pintinhos nem a digestibilidade dos nutrientes da ração. Em pintos desafiados com Salmonella Enteritidis, o probiótico adicionado na ração proporciona redução cecal da salmonela. A inoculação de probiótico no ovo evita a colonização do papo e do ceco de pintos desafiados após a eclosão com Salmonella Enteritidis e melhora o peso vivo aos 21 dias de idade.

 

Agradecimentos

À Perdigão Agropecuária, Unidade de Rio Verde, GO, pela doação de ovos embrionados.

 

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Recebido em 5/12/2008 e aprovado em 17/6/2009

 

 

*Correspondências devem ser enviadas para: mogyca@vet.ufg.br; henrique@vet.ufg.br,