Accessibility / Report Error

Pteridófitas de Santa Catarina: um olhar sobre os dados do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina, Brasil

Ferns and Fern allies from Santa Catarina State: a "look at the data" from Santa Catarina Floristic Forest Inventory, Brazil

Resumos

Uma das unidades federativas com melhor conhecimento de sua flora, Santa Catarina é o primeiro estado a concluir o Inventário Florístico Florestal na atualidade. Coberto por Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual e formações associadas, possui grande riqueza de espécies. Este trabalho visa apresentar as espécies de pteridófitas coletadas nas 563 unidades amostrais visitadas. Ao todo 324 espécies foram registradas, das quais 300 são samambaias e 24, licófitas. Estas pertencem a 29 famílias e 94 gêneros, sendo as famílias com maior riqueza específica Polypodiaceae (48 espécies), Pteridaceae (42) e Dryopteridaceae (38). Os gêneros com maior diversidade de espécies foram Asplenium e Thelypteris, com 27 espécies, seguido por Blechnum com 15. Destacam-se ainda 75 espécies consideradas endêmicas para o bioma. 18 registros novos para a flora de Santa Catarina foram feitos. A distribuição por região fitoecológica é a que segue: 288 espécies para a Floresta Ombrófila Densa (128 exclusivas desta região fitoecológica), 177 para a Floresta Ombrófila Mista (30 exclusivas) e 57 para a Floresta Estacional Decidual (três exclusivas). Foram registradas ainda 17 espécies para a restinga. Destaca-se a importância do registro de Asplenium lacinulatum, espécie coletada em área de intensa exploração imobiliária e novo registro para Santa Catarina e Alansmia senilis primeiro registro para o Sul do Brasil.

samambaia; Mata Atlântica; floresta ombrófila; floresta estacional; restinga


Santa Catarina is the first Brazilian state to complete its Forest and Floristic Inventory, and is considered one of the states with a well-known flora. This region is covered by evergreen tropical rain forest, Araucaria forest, seasonal deciduous forest and associated ecosystems, and shows high species richness. This paper presents a list of ferns collected in 563 sampling units. Altogether, 324 species were recorded (300 ferns and 24 lycophytes), which belong to 29 families and 94 genera. The most diverse families are Polypodiaceae (49 species), Pteridaceae (42), and Dryopteridaceae (38). Asplenium and Thelypteris are the most diverse genera, with 27 species each, followed by Blechnum (15). Of importance, too, are the 75 species considered endemic to the biome. Eighteen new records for the flora of Santa Catarina were made. The distribution of species according to the vegetation type is the following: 288 species occur in evergreen tropical rainforest (of which 128 are exclusive to this vegetation type); 177 species in Araucaria forest (30 exclusively) and 57 species in seasonal deciduous forest (3 exclusively). In addition, 17 species were recorded for restinga. A collection of Asplenium lacinulatum, from an area of intense development, is first record for Santa Catarina, and another of Alansmia senilis is the first record for the South Region of Brazil.

Atlantic Forest; ombrophilous forest; seasonal forest; restinga


ARTIGOS ARTICLES

Pteridófitas de Santa Catarina: um olhar sobre os dados do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina, Brasil

Ferns and Fern allies from Santa Catarina State: a "look at the data" from Santa Catarina Floristic Forest Inventory, Brazil

André Luís de GasperI,1 1 Autor para correspondência: algasper@gmail.com ; Alexandre SalinoII; Alexander C. VibransIII; Lucia SevegnaniI; Marcio VerdiII; Alexandre KorteII; Anita Stival dos SantosII; Susana DreveckII; Tiago João CadorinII; Juliane Luzia SchmittII; Eder CaglioniII

IUniversidade Regional de Blumenau, Herbário Dr. Roberto Miguel Klein, Blumenau, SC, Brasil

IIUniversidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Botânica, Belo Horizonte, MG, Brasil

IIIUniversidade Regional de Blumenau, Departamento de Engenharia Florestal, Blumenau, SC, Brasil

RESUMO

Uma das unidades federativas com melhor conhecimento de sua flora, Santa Catarina é o primeiro estado a concluir o Inventário Florístico Florestal na atualidade. Coberto por Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual e formações associadas, possui grande riqueza de espécies. Este trabalho visa apresentar as espécies de pteridófitas coletadas nas 563 unidades amostrais visitadas. Ao todo 324 espécies foram registradas, das quais 300 são samambaias e 24, licófitas. Estas pertencem a 29 famílias e 94 gêneros, sendo as famílias com maior riqueza específica Polypodiaceae (48 espécies), Pteridaceae (42) e Dryopteridaceae (38). Os gêneros com maior diversidade de espécies foram Asplenium e Thelypteris, com 27 espécies, seguido por Blechnum com 15. Destacam-se ainda 75 espécies consideradas endêmicas para o bioma. 18 registros novos para a flora de Santa Catarina foram feitos. A distribuição por região fitoecológica é a que segue: 288 espécies para a Floresta Ombrófila Densa (128 exclusivas desta região fitoecológica), 177 para a Floresta Ombrófila Mista (30 exclusivas) e 57 para a Floresta Estacional Decidual (três exclusivas). Foram registradas ainda 17 espécies para a restinga. Destaca-se a importância do registro de Asplenium lacinulatum, espécie coletada em área de intensa exploração imobiliária e novo registro para Santa Catarina e Alansmia senilis primeiro registro para o Sul do Brasil.

Palavras-chave: samambaia, Mata Atlântica, floresta ombrófila, floresta estacional, restinga

ABSTRACT

Santa Catarina is the first Brazilian state to complete its Forest and Floristic Inventory, and is considered one of the states with a well-known flora. This region is covered by evergreen tropical rain forest, Araucaria forest, seasonal deciduous forest and associated ecosystems, and shows high species richness. This paper presents a list of ferns collected in 563 sampling units. Altogether, 324 species were recorded (300 ferns and 24 lycophytes), which belong to 29 families and 94 genera. The most diverse families are Polypodiaceae (49 species), Pteridaceae (42), and Dryopteridaceae (38). Asplenium and Thelypteris are the most diverse genera, with 27 species each, followed by Blechnum (15). Of importance, too, are the 75 species considered endemic to the biome. Eighteen new records for the flora of Santa Catarina were made. The distribution of species according to the vegetation type is the following: 288 species occur in evergreen tropical rainforest (of which 128 are exclusive to this vegetation type); 177 species in Araucaria forest (30 exclusively) and 57 species in seasonal deciduous forest (3 exclusively). In addition, 17 species were recorded for restinga. A collection of Asplenium lacinulatum, from an area of intense development, is first record for Santa Catarina, and another of Alansmia senilis is the first record for the South Region of Brazil.

Key words: Atlantic Forest, ombrophilous forest, seasonal forest, restinga

Introdução

Atualmente, as pteridófitas estão separadas em dois grupos monofiléticos, as licófitas e as samambaias (Pryer et al. 2001; Pryer et al. 2004; Smith et al. 2006) e englobariam aproximadamente 12 mil espécies no mundo (Moran 2008). Nas Américas, Windisch (1992) estima que ocorram cerca de 3.250 espécies de pteridófitas, das quais 30% podem ser encontradas no território brasileiro. Para o Brasil, 1176 espécies estão registradas no Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil (Forzza et al. 2010). Para a Mata Atlântica Salino & Almeida (2009) registraram 840 espécies.

Com elevada riqueza em Santa Catarina, as pteridófitas ocupam vários ambientes em variadas formas (Page 1979a, 1979b; Senna & Waechter 1997; Windisch 2002; Gasper & Sevegnani 2010) no bioma Mata Atlântica, o mais ameaçado no país (Morellato & Haddad 2000). Este cobre todo o território catarinense em diversas regiões fitoecológicas como a Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual e as formações associadas como pioneira de influência flúvio-marinha (manguezais) e de influência marinha (restingas), ricas em espécies (Klein 1978; IBGE 1992; Leite & Klein 1990).

Estado pioneiro nos estudos de sua flora (Reitz 1965), Santa Catarina registra 402 espécies de pteridófitas de acordo com Prado & Sylvestre (2010), e boa parte do conhecimento acerca desse grupo no Sul do Brasil pode ser encontrado já nas obras de Sehnem (1967a-c; 1968a, b; 1970a, b; 1971; 1972; 1974; 1978; 1979a-g; 1984). Mesmo assim, novos registros ainda são feitos (Gasper & Sevegnani 2010).

Após os trabalhos desenvolvidos pelo herbário Barbosa Rodrigues e registrados por Reitz (1965), um novo esforço amostral vem sendo feito em Santa Catarina . O Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (IFFSC) visa compreender melhor a qualidade dos remanescentes florestais do estado, além de contribuir para o conhecimento da Flora atual de Santa Catarina (Vibrans et al. 2010).

Com base nas coletas recentes do IFFSC este trabalho pretende apresentar a listagem das espécies de pteridófitas encontradas e suas formações florestais de ocorrência, além de apresentar novos registros para o estado.

Material e métodos

Durante o período de novembro de 2007 a julho de 2011, 563 unidades amostrais (UA), figura 1, foram visitadas em todo o estado de Santa Catarina (Vibrans et al. 2010), com altitudes que variavam de 2 a 1700 metros. Além de estudos fitossociológicos como os apresentados por Vibrans et al. (2011) e Gasper et al. (2011), material fértil foi coletado tanto nos fragmentos quanto em eventuais paradas em pontos ao longo do deslocamento entre os fragmentos visitados. Neste trabalho apenas as pteridófitas foram analisadas.


Santa Catarina é considerada por Nimer (1971) como pertencente a zona temperada, região de grande formação de nuvens e consequentemente de chuva. O mesmo autor considera a região privilegiada pelas suas altitudes e pelo regime de precipitação, cujo total anual varia de 1250 a 2000 mm, o que faz com que não haja excesso nem carência de água, nem uma estação seca. Duas estações são bem distintas: o inverno frio e verão moderadamente quente (Klein 1984). A região do todo o estado pode ser considerada como de clima superúmido (Nimer 1971).

Todo o material coletado foi devidamente prensado conforme as metodologias vigentes (Fidalgo & Bononi 1984) e as exsicatas foram tombadas no herbário FURB, com duplicatas enviadas aos herbários BHCB, MBM e RB. A identificação deu-se com consulta a especialistas e bibliografia pertinente. Os nomes dos autores seguem Pichi Sermolli (1996) e a classificação para famílias de samambaias Smith et al. (2006) e licófitas Kramer & Green (1990).

Foram registrados os hábitos das espécies: erva terrícola, rupícola, epífita, lianescente/escandente, feto arborescente ou hidrófita. As espécies também foram classificadas conforme a distribuição geográfica (adaptado de Moran & Smith 2001; Parris 2001) e regiões fitoecológicas ocorrente (conforme Klein,1978).

Resultados e discussão

Foram identificadas 324 espécies de pteridófitas (Tab. 1), sendo 300 samambaias e 24 licófitas. Estas pertencem a 29 famílias e 94 gêneros, sendo as famílias com maior riqueza específica Polypodiaceae (48 espécies), Pteridaceae (42) e Dryopteridaceae (38) (Fig. 2). Os gêneros com maior número de espécies foram Asplenium e Thelypteris, com 27 espécies, seguido por Blechnum com 15. Destacam-se ainda 75 espécies consideradas endêmicas para a Mata Atlântica, de acordo com Salino & Almeida (2009) (Tab. 1). Quanto a distribuição geográfica 89% ocorrem apenas nas Américas, sendo destas 26,4% endêmicas a região sudeste e sul do Brasil (Fig. 3).



Este elevado endemismo das espécies para o bioma deve-se em parte à totalidade da cobertura do estado de Santa Catarina ser de Mata Atlântica, relativamente ainda conservada (cobertura estimada em 30%), principalmente na região costeira. Este valor é próximo (24,5%) do encontrado por Kluge & Kessler (2006) que sugerem que o histórico das espécies (migração) e mudanças climáticas possam ser grandes responsáveis pelo endemismo.

Até o presente, este estudo registrou 79,1% das espécies citadas pela Flora do Brasil (Forzza et al. 2010). Ainda registraram-se 18 novos táxons para Santa Catarina, a saber: Alansmia senilis (Fée) Moguel & M.Kessler, Asplenium formosum Willd., Asplenium lacinulatum Schrad., Diplazium leptocarpon Fée, Doryopteris varians Sm., Elaphoglossum longifolium (C. Presl) J. Sm., Huperzia comans (Herter ex Nessel) B. Øllg. & P.G. Windisch, Huperzia mollicoma (Spring) Holub, Hymenophyllum delicatulum Sehnem, Melpomene flabelliformis (Poir.) A.R. Sm. & R.C. Moran, Polyphlebium diaphanum (Kunth) Ebihara & Dubuisson, Sticherus lanuginosus (Fée) Nakai, Tectaria pilosa (Fée) R.C. Moran, Tectaria vivipara Jermy & T.G. Walker, Thelypteris burkartii Abbiatti, Thelypteris decurtata (Link) de la Sota, Thelypteris hatschbachii A.R. Sm. e Thelypteris maxoniana A. R. Sm..

Pode-se destacar a presença de Dicksonia sellowiana, que consta da lista das ameaçadas de extinção de acordo com a Instrução Normativa MMA 06, de 23 de setembro de 2008 (Ministério do Meio Ambiente 2008). Esta espécie apresentou distribuição heterogênea, ocorrendo por vezes em grandes manchas com mais de 907 indivíduos por hectare a manchas com indivíduos bem mais esparsos (Mantovani 2004; Gasper et al. 2011). Em 8 unidades amostrais a espécie demonstrou comportamento de monodominância ocorrendo com mais de 50% de dominância.

A perda de habitat, seguida da invasão de espécie exóticas, representa uma grande ameaça à biodiversidade (Wilcove et al. 1998); por esta razão, a conservação mesmo de pequenos remanescentes florestais como os das regiões litorâneas de Santa Catarina pode contribuir para a preservação de espécies de pteridófitas, como no caso de Asplenium lacinulatum. Esta espécie foi registrada apenas a partir decoletas do IFFSC, apesar do grande esforço amostral já realizado por outros pesquisadores (Reitz 1965). Contudo, A. lacinulatum foi coletado em área de forte expansão imobiliária, região de Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, e corre risco de ser localmente extinto devido a esta expansão, como já citado por Sylvestre (2001) para outras populações.

A grande plasticidade que o grupo apresenta pode ser observada nos seus hábitos e nos ambientes preferenciais ocupados, sendo que, do total de 324 espécies, 227 (70%) são terrícolas, 138 (42,6%) epífitas, 88 (27,1%) rupícolas, 8 (2,4%) são fetos arborescentes, 9 (2,8%) são escandentes e três (0,9%) é hidrófita. Muitas espécies ainda podem apresentar mais de um hábito, sendo 215 exclusivas de um único. Algumas espécies podem ser consideradas epífitos acidentais, já que raramente são vistas desta forma, mas foram aqui contadas como Diplazium cristatum, Diplazium riedelianum, Blechnum sampaioanum, entre outros.

Quanto às espécies exóticas, registram-se Deparia petersenii (Kunze) M. Kato, Thelypteris dentata (Forssk.) E.P. St. John, Pteris longifolia L. e Macrothelypteris torresiana (Gaudich.) Ching, espécies de ocorrência subespontânea em toda a América. Deparia petersenii pode ser encontrada mesmo no interior de fragmentos grandes e conservados, enquanto as outras três espécies estão mais associadas a áreas ruderais.

Considerando o conjunto de áreas amostradas de cada região fitoecológica, na Floresta Ombrófila Densa foram registradas 288 espécies, sendo 128 exclusivas desta formação; na Floresta Ombrófila Mista foram 177, com 30 exclusivas; na Floresta Estacional Decidual foram 57 (3 exclusivas) e, nas restingas, 17 espécies (Fig. 4)


Devido às grandes variações geomorfológicas, à grande diversidade de formações geológicas e à complexidade de atuação dos agentes morfogenéticos, a região Sul do Brasil e consequentemente Santa Catarina torna-se bastante peculiar na sua fisionomia que acaba exercendo ponderável influência na compartimentação do clima e da vegetação (Leite & Klein 1990), o que favorece o desenvolvimento das pteridófitas em todo o território catarinense.

Cada formação possui características próprias como espécies típicas e ambientes característicos. A maior riqueza de espécies encontra-se na Floresta Ombrófila Densa, como esperado pode ser devido à sua grande diversidade geológica (Moran 1995; Martinelli 2007) e heterogeneidade ambiental. Os índices pluviométricos são altos e bem distribuídos ao longo do ano (Nimer 1971), o que possibilita o desenvolvimento de uma pujante vegetação, principalmente das pteridófitas da ordem Polypodiales, que teriam divergido justamente neste ambiente sombreado e úmido (Schneider et al. 2004).

A Floresta Ombrófila Mista, região fitoecológica que cobre a maior parte do território catarinense (Klein 1978), apresenta elevados valores de diversidade, mesmo com atividade de pastoreio (Vibrans et al. 2011), que afeta diretamente as espécie terrícolas (Sampaio & Guarino 2007). Blume et al. (2010) em trabalho com área amostral de 1 ha, registraram 42 espécies em um trecho de Floresta Ombrófila Mista do Rio Grande do Sul. Já Kozera et al. (2006) registraram 46 terrícolas e rupícolas e Dittrich et al. (1999) registraram 21 espécie de epífitos no Paraná e Bittencourt et al. (2004) em estudo de estrutura que identificou mais de 31 mil indivíduos por hectare para esta região fitoecológica.

Mesmo para a Floresta Estacional Decidual, o número de espécies é elevado. Nesta região com presença reduzida de epífitos (Klein 1972, 1978, Leite & Klein 1990), havia até o momento o registro de apenas 38 espécies para toda a região fitoecológica no Bioma Mata Atlântica (Salino & Almeida 2009); mais recentemente, Lehn et al. (2009) registraram 56 espécies para dois fragmentos na Floresta Estacional Decidual no Rio Grande do Sul.

Algumas espécies citadas por Sehnem (1967a-c; 1968a, b; 1970a, b; 1971; 1972; 1974; 1978; 1979a-g; 1984), Fuchs-Eckert (1986) e Klein (1980a, b), não foram encontradas e merecem destaque como as das famílias aquáticas Marsileaceae e Salviniaceae, pelo fato das coletas do IFFSC não abrangerem regiões de campos e banhados. Coletas nestes ambientes se fazem necessárias, haja vista que os campos sulinos encontram-se entre os ecossistemas altamente ameaçados pela pecuária e pelas queimadas.

A grande diversidade encontrada por este estudo demonstra a importância de levantamentos florísticos, uma vez que o registro da biodiversidade é fundamental para a sua proteção, além de prover dados precisos para estudos de distribuição e modelagem (Hortal et al. 2008).

A Floresta Estacional Decidual em Santa Catarina ocupa pequena área e está carente de maiores unidades de conservação, tanto em Santa Catarina como em todo o Neotrópico (Sastre & Lobo 2009), colocando as espécies que ali ocorrem sob constante ameaça.

Mesmo a Floresta Ombrófila Densa, que em uma única unidade de conservação (Parque Nacional da Serra do Itajaí) protege quase 50% das espécies de pteridófitas de Santa Catarina (Gasper & Sevegnani 2010) carece de maior proteção, já que outras formações não cobertas pelo Parque como restinga, mangue, banhados e lagoas do sul do estado estão desprotegidas.

Mesmo com todos os trabalhos já realizados e tendo em vista o atual estado de fragmentação dos remanescentes no estado, novas espécies são registradas para Santa Catarina; estudos populacionais devem ser realizados para compreender melhor o estado de conservação das populações das espécies registradas.

Agradecimentos

Os autores agradecem à FAPESC - Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, pelo financiamento do IFFSC, o que possibilitou as recentes coletas em todo o estado e aos revisores pelas valorosas contribuições.

Recebido em 27/09/2011.

Aceito em 27/03/2012.

  • Bittencourt, S.; Corte, A.P.D. & Sanquetta, C.R. 2004. Estrutura da Comunidade de Pteridophyta em uma Floresta Ombrófila Mista, Sul do Paraná, Brasil. Silva Lusitana 12: 243-254.
  • Blume, M.; Fleck, R. & Schmitt, J.L. 2010. Riqueza e composição de filicíneas e licófitas em um hectare de Floresta Ombrófila Mista no Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências 8 (4): 336-341.
  • Dittrich, V.A.O.; Kozera, C. & Menezes-Silva, S. 1999. Levantamento florístico dos epífitos vasculares do Parque Barigüi, Curitiba, Paraná, Brasil. Iheringia, Série Botânica 52: 11-21.
  • Fidalgo, O. & Bononi, V.L.R. 1984. Técnicas de coleta, preservação e herborização de material botânco Instituto de Botânica, São Paulo.
  • Forzza, R.C.; Leitman, P.M.; Costa, A.F.; Carvalho Jr., A.A.; Peixoto, A.L.; Walter, B.M.T.; Bicudo, C.; Zappi, D.; Costa, D.P.; Lleras, E.; Martinelli, G.; Lima, H.C.; Prado, J.; Stehmann, J.R.; Baumgratz, J.F.A.; Pirani, J.R.; Sylvestre, L.; Maia, L.C.; Lohmann, L.G.; Queiroz, L.P.; Silveira, M.; Coelho, M.N.; Mamede, M.C.; Bastos, M.N.C.; Morim, M.P.; Barbosa, M.R.; Menezes, M.; Hopkins, M.; Secco, R.; Cavalcanti, T.B.; Souza, V.C. 2010. Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro / Andréa Jakobsson Estúdio, Rio de Janeiro.
  • Fuchs-Eckert, H.P. 1986. Isoetáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Gasper, A.L. de & Sevegnani, L. 2010. Lycophyta e samambaias do Parque Nacional da Serra do Itajaí, Vale do Itajaí, Santa Catarina, Brasil. Hoehnea 37 (4): 755-767.
  • Gasper, A.L. de; Sevegnani, L.; Vibrans, A.C.; Uhlmann, A.; Lingner, D.V.; Verdi, M.; Dreveck, S.; Stival-Santos, A.; Brogni, E.; Schmitt, R. & Klemz, G. 2011. Inventário de Dicksonia sellowiana Hook. em Santa Catarina. Acta Botanica Brasilica 25(4): 776-784.
  • Hortal, J., Jiménez-Valverde, A. Gómez, J.F., Lobo, J.M.  & Baselga, A. 2008. Historical bias in biodiversity inventories affects the observed environmental niche of the species. Oikos 117: 847-858.
  • IBGE. 1992. Manual técnico da vegetação brasileira Rio de Janeiro. IBGE.
  • Klein, R.M. 1972. Árvores nativas da Floresta Subtropical do Alto Uruguai. Sellowia 24: 9-62.
  • Klein, R.M. 1978. Mapa fitogeográfico do Estado de Santa Catarina In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Klein, R.M. 1980a. Ecologia da flora e vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia 31: 1-165.
  • Klein, R.M. 1980b. Ecologia da flora e vegetação do Vale do Itajaí (continuação). Sellowia 32: 165-389.
  • Klein, R.M. 1984. Aspectos Dinâmicos da Vegetação do Sul Do Brasil. Sellowia 36: 5-54.
  • Kluge, J. & Kessler, M. 2006. Fern endemism and its correlates: contribution from an elevational transect in Costa Rica. Diversity and Distributions 12 (5): 535-545.
  • Kozera, C.; Dittrich, V.A.O. & Silva, S.M.  2006. Composição florística da floresta ombrófila mista montana do Parque Municipal do Barigüi, Curitiba, PR. Floresta 36(1): 45-58.
  • Kramer, K.U. & Green. P.S. 1990. The families and genera of vascular plants - Pteridophytes and Gymnosperms Ed. K. Kubitzki. Springer-Verlag Wien.
  • Lehn, C.R.; Leuchtenberger, C. & Hansen, M.A.F. 2009. Pteridóftas ocorrentes em dois remanescentes de Floresta Estacional Decidual no Vale do Taquari, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, Sér. Bot 64(2): 23-31.
  • Leite, P.F. & Klein, R.M. 1990. Geografia do Brasil. Região Sul Rio de Janeiro, IBGE.
  • Mantovani, M. 2004. Caracterização de populações naturais de Xaxim (Dicksonia sellowiana (Presl.) Hooker), em diferentes condições edafo-climáticas no Estado de Santa Catarina Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina.
  • Martinelli, G. 2007. Mountain biodiversity in Brazi. Revista Brasileira de Botânica 30: 587-597.
  • Ministério do Meio Ambiente. 2008. Instrução Normativa No - 6, de 23 de Setembro de 2008
  • Moran, R.C. 1995. The importance of mountains to pteridophytes, with emphasis on neotropical montane forests Pp. 359-363. In: Churchill, S.P. Biodiversity and Conservation of Neotropical Montane Forest. New York, The New York Botanical Garden.
  • Moran, R.C. & Smith, A.R. 2001. Phytogeographic relationships between neotropical and African-Madagascan pteridophytes. Brittonia 53(2): 304-351.
  • Moran, RC. 2008. Diversity, biogeography, and floristics Pp. 367-394. In Ranker, T.A. & Haufler, C.H. (Eds). Biology and evolution of ferns and lycophytes. New York, Cambridge University Press.
  • Morellato, L.P.C., & Haddad, C.F.B.  2000. Introduction: The Brazilian Atlantic Forest. Biotropica 32 (4B): 786-792.
  • Nimer, E. 1971. Climatologia da Região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Geografia 33(4): 3-65.
  • Page, C.N. 1979a. Experimental aspects of fern ecology Pp. 551-589 In: Dyer, A.F. Experimental biology of ferns. London, Academic Press London.
  • Page, C.N. 1979b. The diversity of ferns: an ecological perspective Pp. 9-56. In: Dyer, A.F. Experimental biology of ferns. London, Academic Press London.
  • Parris, B.S. 2001. Circum-Antarctic continental distribution patterns in pteridophyte species. Brittonia 53(2): 270-283.
  • Prado, J. & Sylvestre, L.S. 2010. Pteridófitas Pp. 522-566. In: Forzza, R.C.; Leitman, P.M.; Costa, A.F.; Carvalho Jr., A.A.; Peixoto, A.L.; Walter, B.M.T.; Bicudo, C.; Zappi, D.; Costa, D.P.; Lleras, E.; Martinelli, G.; Lima, H.C.; Prado, J.; Stehmann, J.R.; Baumgratz, J.F.A.; Pirani, J.R.; Sylvestre, L.; Maia, L.C.; Lohmann, L.G.; Queiroz, L.P.; Silveira, M.; Coelho, M.N.; Mamede, M.C.; Bastos, M.N.C.; Morim, M.P.; Barbosa, M.R.; Menezes, M.; Hopkins, M.; Secco, R.; Cavalcanti, T.B.; Souza, V.C. Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil. Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  • Pryer, K.M.; Schneider, H.; Smith, A.R.; Cranfill, R.B.; Wolf, P.G.; Hunt, J.S. & Sipes, S.D. 2001. Horsetails and ferns are a monophyletic group and the closest living relatives to seed plants. Nature 409(6820): 618-622.
  • Pryer, K.M.; Schuettpelz, E.; Wolf, P.G.; Schneider, H.; Smith, A.R. & Cranfill, R.B. 2004. Phylogeny and evolution of ferns (monilophytes) with a focus on the early leptosporangiate divergences. American Journal of Botany 91(10): 1582-1598.
  • Reitz, R. 1965. Plano de coleção In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Salino, A. & Almeida, T.E. 2009. Pteridófitas Pp 19-25. In: Stehmann, J.R.; Forzza, R.C.; Salino, A.; Sobral, M.; Costa, D.P. &. Kamino, L.H.Y. Plantas da Floresta Atlântica. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  • Sampaio, M.B. & Guarino, E.S.G. 2007. Efeitos do pastoreio de bovinos na estrutura populacional de plantas em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista. Revista Árvore 31: 1035-1046.
  • Sastre, P. & Lobo, J. 2009. Taxonomist survey biases and the unveiling of biodiversity patterns. Biological Conservation 142(2): 462-467.
  • Schneider, H.; Schuettpelz, E.; Pryer, K.M.; Cranfill, R.B.; Magallón, S. & Lupia, R. 2004. Ferns diversified in the shadow of angiosperms. Nature 428(6982): 553-557.
  • Sehnem, A., 1967a. Maratiáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1967b. Osmundáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1967c. Vitariáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1968a. Aspleniáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1968b. Blecnáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1970a. Gleicheniáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1970b. Polipodiáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1971. Himenofiláceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1972. Pteridaceae In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1974. Esquizeaceás In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1978. Ciateáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979a. Aspidiáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979b. Davaliáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979c. Marsileáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979d. Ofioglossáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979e. Parkeriáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979f. Psilotáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1979g. Salviniáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Sehnem, A., 1984. Equisetáceas In: Reitz, R. Flora Ilustrada Catarinense. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí
  • Senna, R.M. & Waechter, J.L. 1997. Pteridófitas de uma floresta com araucária. 1. Formas biológicas e padrões de distribuição geográfica. Iheringia, Série Botânica 48: 41-58.
  • Smith, A.R., Pryer, K.M., Schuettpelz, E., Korall, P., Schneider, H. & Wolf, P.G. 2006. A classification for extant ferns. Taxon 55: 705-731.
  • Sylvestre, L.S. 2001. Revisão taxonômica das espécies da família Aspleniaceae A. B. Frank ocorrentes no Brasil. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo.
  • Vibrans, A.C., Sevegnani, L., Lingner, D.V., Gasper, A.L. de & Sabbagh, S. 2010. Inventário florístico florestal de Santa Catarina (IFFSC): aspectos metodológicos e operacionais. Pesquisa Florestal Brasileira 30(64): 291-302.
  • Vibrans, A.C.; Sevegnani, L.; Uhlmann, A.; Schorn, L.A.; Sobral, M.; Gasper, A.L. de; Lingner, D.V.; Brogni, E.; Klemz, G.; Godoy, M.B. & Verdi, M. 2011. Structure of mixed ombrophyllous forests with Araucaria angustifolia (Araucariaceae) under external stress in Southern Brazil. Revista de Biologia Tropical 59(3): 1371-1387.
  • Wilcove, D.S.; Rothstein, D.; Dubow, J. & Phillips, A. 1998. Quantifying threats to imperiled species in the United States. BioScience 48(8): 607-615.
  • Windisch, P.G. 1992. Pteridófitas da Região Norte-Ocidental do Estado de São Paulo Guia para excursões 2. ed. São José do Rio Preto, Editora Universitária-UNESP.
  • Windisch, P.G. 2002. Pteridófitas do Brasil: Diversidade Decrescente. Biodiversidade, Conservação e Uso Sustentável da Flora do Brasil 1: 196-198.
  • 1
    Autor para correspondência:
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      13 Jul 2012
    • Data do Fascículo
      Jun 2012

    Histórico

    • Recebido
      27 Set 2011
    • Aceito
      27 Mar 2012
    Sociedade Botânica do Brasil SCLN 307 - Bloco B - Sala 218 - Ed. Constrol Center Asa Norte CEP: 70746-520 Brasília/DF. - Alta Floresta - MT - Brazil
    E-mail: acta@botanica.org.br