DESGASTE E PERDAS DENTÁRIAS EM PACIENTES OBESOS MÓRBIDOS E SUBMETIDOS À CIRUGIA BARIÁTRICA

Fabiano Duarte AZNAR Fabio D. AZNAR José R. LAURIS Elinton Adami CHAIM Everton CAZZO Silvia Helena de Carvalho SALES-PERES Sobre os autores

ABSTRACT

Background:

Obesity and its surgical treatment have been related with oral diseases. Aim: To evaluate and compare dental wear and dental loss in eutrophic and morbidly obese patients submitted to Roux-en-Y gastric bypass.

Method:

Observational and analytical study with gender and age matching. The sample consisted of 240 patients, divided into four groups: eutrophic (GC=60), morbidly obese (GO=60), operated with up to 24 months (G24=60) and operated on for more than 36 months (G36=60). The following variables were analyzed: race, schooling, economic class, hypertension, diabetes, triglycerides, cholesterol, BMI, weight loss, waist-hip ratio, smoking, alcoholism, tooth loss and tooth wear.

Results:

GO presented lower economic class (p=0.012), hypertension (p<0.001), diabetes (p<0.001), cholesterol (p=0.001), BMI (p<0.001), waist-hip ratio (p<0.001) and percentage of weight loss percent (p<0.001) than groups G24 and G36. Dental wear was higher among the II and V sextants.

Conclusion:

Individuals submitted to Roux-en-Y gastric bypass, regardless of the surgery period, presented more dental wear on the incisal/occlusal surfaces, and the anterior teeth were the most affected. Dental wear was associated with age and number of missing teeth.

HEADINGS:
Obesity; Tooth loss; Bariatricsurgery; Tooth wear

RESUMO

Racional:

Obesidade e seu tratamento cirúrgico têm sido relacionados às alterações bucais.

Objetivo:

Avaliar e comparar a ocorrência de desgaste dentário e perda dentária em pacientes eutróficos, obesos mórbidos e submetidos ao bypass gástrico em Y-de-Roux.

Métodos:

Estudo tipo observacional e analítico com pareamento de gênero e idade. A amostra foi composta por 240 pacientes, distribuídos em quatro grupos: eutróficos (GC=60), obesos mórbidos (GO=60), operados com até 24 meses (G24=60) e operados com mais de 36 meses (G36=60). Foram analisados raça, escolaridade, classe econômica, hipertensão, diabete melito, triglicerídeos, colesterol, IMC, % de perda de peso, relação cintura-quadril, tabagismo, etilismo, perda dentária e desgaste dentário.

Resultados:

GO apresentou menor classe econômica (p=0,012), maior proporção de hipertensão (p<0,001), diabete (p<0,001), colesterol (p=0,001), IMC (p<0,001), relação cintura-quadril (p<0,001) e % de perda de peso (p<0,001) que os grupos G24 e G36. O desgaste dentário foi maior entre os sextantes II e V.

Conclusão:

Os indivíduos submetidos ao bypass gástrico em Y-de-Roux, independente do período da operação, apresentaram mais desgaste dentário nas superfícies incisais/oclusais, sendo que os dentes anteriores foram os mais afetados. O desgaste dentário esteve associado à idade e ao número de dentes perdidos.

DESCRITORES:
Obesidade; Perda de dente; Cirurgia bariátrica; Desgaste dos dentes

INTRODUÇÃO

A obesidade é entendida como processo de acúmulo de gordura excessiva no corpo que resulta em degradação da homeostase e causa disfunções bioquímicas e fisiológicas dos tecidos. O tratamento cirúrgico é a maneira mais efetiva de perda de peso em longo prazo33 Cazzo E, Gestic MA, Utrini MP, Pareja JC, Chaim EA, Geloneze B, et al. Correlation between pre and postoperative levels of GLP-1/GLP-2 and weight loss after roux-en-y gastric bypass: a prospective study. Arq Bras Cir Dig. 2016 Nov-Dec; 29(4): 257-259.. Diferentes técnicas cirúrgicas têm sido realizadas para tratá-la. Entretanto, o bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR) vem sendo considerado padrão-ouro. Com a redução do tamanho do estômago para uma pequena bolsa conectada ao intestino delgado, excluindo o duodeno e porção do jejuno, induz efeitos restritivos e desabsortivos que levam à perda de peso1919 Raffort J, Panaïa-Ferrari P, Lareyre F, Bayer P, Staccini P, Fénichel P, et al. Fasting circulating glicentin increases after bariatric surgery.Obes Surg. 2017; Jun; 27(6): 1581-1588.. Os resultados em longo prazo do BGYR estão bem documentados, tanto em termos de perda de peso, melhoria ou resolução de comorbidades relacionadas à obesidade, como fatores de risco e a melhoria da qualidade de vida66 Hady HR,Olszewska M, Czerniawski M, Groth D, Diemieszczyk I, Pawluszewicz P, et al. Different surgical approaches in laparoscopic sleeve gastrectomy and their influence on metabolic syndrome.Medicine (Baltimore). 2018; Jan; 97(4): e9699..

Existe interesse crescente pela relação entre o IMC e a condição bucal, tendo em vista que ambos são importantes preocupações da Saúde Pública2121 Ribeiro GAN, Giapietro HB, Belarmino LB, Salgado-Junior W. Depresssion, anxiety, and binge eating before and after bariatric surgery: problems that remain. ABCD ArqBrasCirDig. 2018;31(1):e1356.. A cirurgia bariátrica tem sido relacionada às melhoras nas condições sistêmicas e agravamento nas condições bucais, especificamente no aumento da gengivite2424 Sales-Peres SHC, Sales-Peres MC, Ceneviva R, Bernabé E. Weight loss after bariatric surgery and periodontal changes: a 12-month prospective study. SurgObesRelatDis. 2017 Apr;13(4):637-642 e periodontite2323 Sales-Peres SH, de Moura-Grec PG, Yamashita JM, Torres EA, Dionísio TJ2, Leite CV, Sales-Peres A, Ceneviva R. Periodontal status andpathogenicbacteriaaftergastricbypass: a cohortstudy. J ClinPeriodontol. 2015 Jun;42(6): 530-6., do desgaste dentário1515 Moura-Grec PG, Martinelli J, Marsicano J, Ceneviva R, De Souza C, Borges G, et al. Impact of bariatric surgery on oral health conditions: 6-months cohort study. IntDent J. 2014. 64: 144-49. e de lesões de cárie dentária1717 Pataro AL, Costa FO, Cortelli SC, Cortelli JR, Dupim Souza AC, Nogueira Guimaraes Abreu MH, Girundi MG, Costa JE. Influence of obesity and bariatric surgery on the periodontal condition. J Periodontol. 2012, 83:257-266..

O aumento na expectativa de vida da população aliada ao declínio na prevalência da cárie dentária contribuiu para a manutenção de maior número de elementos dentais presentes em adultos e idosos. Mais superfícies dentárias ficam expostas, podendo sofrer desgaste1010 Lussi A. Erosive tooth wear - a multifactorial condition of growing concern and increasing knowledge. Monogr Oral Sci. 2006; 20: 1-8..

Desgaste dentário é a perda gradual de substância do elemento dental, sem o envolvimento do processo carioso, sem interferência da ação de microrganismos e nem de traumas. Alterações no estilo de vida, dieta e comportamento, têm papel fundamental no desgaste dentário. Ele é a perda de tecido dentário duro devido aos processos de erosão, atrição, abrasão e abfração1717 Pataro AL, Costa FO, Cortelli SC, Cortelli JR, Dupim Souza AC, Nogueira Guimaraes Abreu MH, Girundi MG, Costa JE. Influence of obesity and bariatric surgery on the periodontal condition. J Periodontol. 2012, 83:257-266.. A superfície dentária pode sofrer desgaste como resultado do processo natural ou desencadeado por alterações, as quais os dentes estão expostos. Este processo é multifatorial, envolvendo fatores químicos e mecânicos, de forma contínua e gradativa2222 Sales-Peres SHC, Sales-Peres AC, Marsicano JA, Moura-Grec PG, Carvalho CAP, Freitas AR, et al. An epidemiological scoring system for tooth wear and dental erosive wear.IntDent J. 2013; 63: 154-160..

A presença de dentes vem sendo usada como indicador de saúde bucal, sendo que manter 20 dentes permanentes em função resguarda as condições funcional, estética e fonética, ao longo da vida2727 Suzuki S, Yoshino K, Takayanagi A, Sugiyama S, Okamoto M, Tanaka M, et al. Number of Non-vital Teeth as Indicator of Tooth Loss during 10-year Maintenance: A Retrospective Study. Bull TokyoDent Coll. 2017; 58(4): 223-230.. Indivíduos que não apresentam essa condição podem sofrer problemas mastigatórios, restrição de alimentos e ingestão de nutrientes inadequados55 Ervin RB, Dye BA. The effect of functional dentition on Healthy Eating Index scores and nutrient intakes in a nationally representative sample of older adults. J Public Health Dent. 2009; 69(4): 207-16.. Já o edentulismo é a perda completa dos dentes podendo ocorrer em uma ou nas duas arcadas dentárias, parcial ou total, respectivamente. A perda dentária é um dos principais problemas bucais e devido à sua alta prevalência, aos danos estéticos, funcionais, psicológicos e sociais que acarreta ao indivíduo2626 Silva-Junior MF, Batista MJ, Sousa MLR. Incidence of Tooth Loss in Adults: A 4-Year Population-Based Prospective Cohort Study.Int J Dent. 2017; 2017: 6074703..

As condições bucais dos indivíduos obesos mórbidos, no pré e no pós-cirúrgico, não estão claramente evidenciadas na literatura científica, uma vez que esses indivíduos podem ter alterações relacionadas ao metabolismo, fatores psicossociais e ambientais. Poucos estudos relacionaram o desgaste dentário e perda dentária comparando o indivíduo na fase obesa e após a operação da obesidade.

Dessa forma, o presente estudo teve por objetivo avaliar a ocorrência do desgaste dentário e perda dentária em indivíduos eutróficos, obesos pré e após a cirurgia bariátrica.

MÉTODOS

O presente estudo foi do tipo observacional transversal e analítico, desenvolvido no período de abril/2015 a abril/2017, período este onde foram recrutados pacientes eutróficos, obesos mórbidos pré e pós-cirúrgicos até 24 meses e mais de 36 meses do BGYR, atendidos pelo SUS no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Hospital de Clínicas da Instituição (Número do comitê de ética: 73245517.0.0000.5404).

Foi calculado o tamanho amostral com base no poder do teste de 80% e o coeficiente de confiança de 95%. A amostra foi composta por 240 pacientes (eutróficos=60, obesos=60, <24 meses operado=60, >36 meses operado=60), respeitada a regra de que o número de casos, do menor grupo da regressão logística binária, dividido pelo número de variáveis independentes resultasse em quantidade não inferior a 2077 Harrel, FEJr. Regression Modelling Strategies with Applications to Linear Models, Logistic Regression, and survival analysis. Springer-Verlag, New York. 2001..

A amostra foi constituída por de 60 pacientes divididos em 4 grupos: GO - obesos mórbidos; G24 -obesos mórbidos com 24 meses de operados; G36 -com 36 meses de operados; GC - indivíduos eutróficos. Os grupos foram pareados de acordo com o gênero e a idade.

Os critérios de inclusão foram para GO o IMC maior ou igual a 40 kg/m2 e para GC o IMC entre 18,5-24,99 kg/m2. Os grupos G24 e G36 deveriam ter sido submetidos à cirurgia bariátrica pela técnica by-pass gástrico, além de terem passado somente por uma operação para tratar a obesidade.

Os critérios de exclusão foram gravidez, câncer, complicações cirúrgicas e/ou estivessem tomando drogas imunossupressoras.

O treinamento de calibração do examinador para o índice de desgaste dentário-IDD2222 Sales-Peres SHC, Sales-Peres AC, Marsicano JA, Moura-Grec PG, Carvalho CAP, Freitas AR, et al. An epidemiological scoring system for tooth wear and dental erosive wear.IntDent J. 2013; 63: 154-160. foi realizado antes de iniciar os exames clínicos. O treinamento de calibração foi conduzido por um examinador padrão, experiente em levantamentos epidemiológicos e as atividades foram divididas em teóricas e práticas, envolvendo exercícios de treinamento e calibração, compreendendo um total de seis períodos. Os primeiros períodos foram utilizados para explicação dos códigos, critérios e condutas adotados para o estudo. Após esse período foi iniciada a prática de exercícios, através da exposição visual de casos clínicos por parte do examinador padrão; em seguida foram realizadas as avaliações e possíveis discussões. Após esse exercício prático, foi realizada uma demonstração clínica sobre como deveriam ser feitos os exames e a calibração propriamente dita, com 10 voluntários selecionados na Faculdade de Odontologia de Bauru, SP, Brasil. Após as tomadas dos dados foi realizada discussão geral para certificar-se que o examinador se familiarizou com os procedimentos2121 Ribeiro GAN, Giapietro HB, Belarmino LB, Salgado-Junior W. Depresssion, anxiety, and binge eating before and after bariatric surgery: problems that remain. ABCD ArqBrasCirDig. 2018;31(1):e1356.. Para o cálculo do Kappa, 10% dos pacientes foram reavaliados em outro dia. Toda a amostra foi avaliada por um único examinador, sendo que o Kappa encontrado intra-examinador foi >0,96, demonstrando concordância excelente99 Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977; 33(1): 159-174..

A avaliação nutricional dos indivíduos foi realizada através da mensuração das medidas antropométricas peso e estatura, de acordo com as técnicas preconizadas pela OMS29WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation WHO Technical Report Series 894 Geneva: World Health Organization. 2000., e a partir desses valores calculado o IMC. Para a classificação do estado nutricional foram utilizados os pontos de corte definidos pela OMS29WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation WHO Technical Report Series 894 Geneva: World Health Organization. 2000., ou seja: de 18,5 a 24,9 kg/m² normal (eutrófico); 25 a 29,9 kg/m² sobrepeso; 30 a 34,9 kg/m² obesidade grau I; 35 a 39,9 kg/m² obesidade grau II e acima de 40 kg/m² obesidade grau III (obesidade mórbida).

As circunferências da cintura (CC) e quadril (CQ) foram obtidas usando uma fita em centímetros, aferidas com o indivíduo usando roupa fina, abdome relaxado, em posição ortostática, com os pés juntos e braços ao lado do corpo. Para aferir as medidas da circunferência do quadril, foi medido o nível do ponto de maior circunferência da região glútea e para a aferição da cintura, o ponto médio entre a crista ilíaca e o último arco costal. Para calcular a relação cintura e quadril (RCQ) dividiu-se a circunferência da cintura pela circunferência do quadril. Considerou-se alto risco à saúde no homem RCQ acima de 0,95; risco moderado entre 0,90 e 0,95; baixo, menor que 0,90. Nas mulheres o alto risco seriam valores maiores que 0,85; risco moderado entre 0,80 e 0,85; baixo, menor que 0,8029WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation WHO Technical Report Series 894 Geneva: World Health Organization. 2000..

Todos os procedimentos cirúrgicos foram realizados pela mesma equipe médica e adotando-se a mesma técnica, que foi o BGYR. As características sociodemográficas, comorbidades e hábitos de vida, avaliação antropométrica foram coletadas e registradas em ficha específica.

Os pacientes foram submetidos ao exame clínico odontológico para a identificação do desgaste dentário e da perda dentária, com o auxílio de espelho intraoral e espátula de madeira, previamente esterilizados, exame visual sem a obtenção de imagens.

Para o desgaste dentário foi adotado o índice adaptado por Sales Peres2222 Sales-Peres SHC, Sales-Peres AC, Marsicano JA, Moura-Grec PG, Carvalho CAP, Freitas AR, et al. An epidemiological scoring system for tooth wear and dental erosive wear.IntDent J. 2013; 63: 154-160., o qual permite avaliar a prevalência e a severidade do desgaste. Todas as superfícies dentárias (vestibular, palatina/lingual, incisal/oclusal) de todos os dentes foram examinadas, utilizando-se os escores “0” para superfície que não apresenta nenhum desgaste; “1” desgaste com envolvimento apenas de esmalte; “2” desgaste com exposição de dentina; “3” dentina secundária ou exposição pulpar; “4” restauração dentária devido ao desgaste e escore “9” para a superfície que não pôde ser avaliada por apresentar cáries ou restaurações extensas ou grande perda da estrutura. O desgaste dentário foi mensurado de acordo com o sextante envolvido e sua totalidade por indivíduo. O exame para identificar desgaste dentário foi precedido por secagem das superfícies dentárias, o qual foi realizado com um aparelho transportável com duas seringas tríplices, facilitando o diagnóstico visual. Foi utilizada luz ambiente e complementada pelo auxilio de luz artificial.

Foi registrada presença ou ausência de dentes, para se identificar se regiões e arcos onde essas ausências se concentravam. Foram agrupados em total de dentes perdidos, por arcada e por grupo de dentes (incisivos, caninos, pré-molares e molares).

Análise estatística

Os testes estatísticos foram adotados de acordo com as variáveis, as quantitativas (IMC, idade, % de perda de peso, relação cintura/quadril e dentes perdidos) teste paramétricos e as qualitativas (gênero, raça, escolaridade, classe econômica, hipertensão, diabete tipo 2, triglicerídeos, colesterol, etilismo e tabagismo) não paramétricos. As variáveis de desfecho foram desgaste dentário e perda dentária. Já as variáveis de exposição foram gênero, raça, escolaridade, classe econômica, hipertensão, diabete tipo 2, triglicerídeos, colesterol, etilismo, tabagismo, IMC, idade, % de perda de peso e relação cintura/quadril. Foi aplicada a análise estatística descritiva para obter as frequências absolutas e relativas. Foi executada análise bivariada utilizando os testes Qui-Quadrado, Mann-Whitney, ANOVA, Tukey e Kruskal-Wallis. Para verificar a associação entre obesidade e os desfechos bucais (desgaste dentário e perda dentária) foi utilizado o modelo de regressão linear multivariada, calculando o Oddsratio e o intervalo de confiança de 95%. Idade, gênero, IMC, % da perda de peso, circunferência cervical e relação cintura/quadril foram incluídas como covariáveis independentes na análise de regressão linear múltipla, quando obtiverem p<0,20. As análises foram conduzidas utilizando-se o programa Statistica 25.0 para Windows, adotando-se para todos os testes um nível de significância de 5% (p<0,05).

RESULTADOS

Embora houvesse mais mulheres na amostra, não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para etnia (p=0,135), escolaridade (p=0,108), triglicerídeos (p=0,078), utilização de fumo (p=0,568) e de álcool (p=0,712). Entretanto, GO apresentou menor classe econômica (p=0,012) do que os demais grupos. Além disso, este grupo também mostrou maior percentual de hipertensão (p<0,001), diabete (p<0,001) e colesterol (p=0,001, Tabela 1).

TABELA 1
Características sociodemográficas, comorbidades e hábitos de vida entre os indivíduos obesos (GO), operados até 24 meses (G24), operados após 36 meses (G36) e eutróficos (GC).

Houve diferenças significativas entre os grupos em relação ao IMC (p<0,001) e entre a % de perda de peso entre G24 e G36 (p<0,001). GO apresentou maiores valores na relação cintura/quadril que os demais grupos (p<0,001, Tabela 2).

TABELA 2
Comparação de idade, IMC, % perda de peso e relação cintura-quadril entre os indivíduos obesos (GO), operados até 24 meses (G24), operados após 36 meses (G36) e eutróficos (GC)

O número dentes perdidos de acordo com os grupos foram: GO=3,70±4,68, G24=2,78±4,14, G36=3,70±6,44 e GC=3,03±5,07. ANOVA seguida do teste de Tukey mostrou não haver diferenças significativas entre os grupos para dentes perdidos inferiores (p=0,4324) e superiores (p=0,3886).

O índice de desgaste dentário total mostrou que 2868 (65,58%) das faces não apresentaram desgaste, mais de um terço das faces totais avaliadas possuíam (34,42%), 1448 (33,11%) o tinham em faces oclusais/incisais e 57 (1,31%) desgaste nas faces vestibulares/linguais. Não houve diferenças significativas entre os grupos em relação ao desgaste dentário tanto por sextantes quanto total (p=0,448). Porém, houve desgaste maior entre os sextantes II e V que correspondem aos dentes anteriores superiores e inferiores (Tabela 3).

TABELA 3
Comparação do desgaste dentário total e por sextantes entre os indivíduos obesos (GO), operados até 24 meses (G24), operados após 36 meses (G36) e eutróficos (GC)

Houve diferenças estatisticamente significativas entre quase todos os sextantes (p<0,001) quando comparados nos desgastes totais. Apenas a relação entre os sextantes I e III (p=0,995), II e V (p=0,953) e IV e VI (p=0,979) não obtiveram diferenças estatisticamente significativas (Tabela 4).

TABELA 4
Comparação do desgaste dentário total dos grupos entre os sextantes.

Na análise de regressão linear múltipla do desgaste dentário houve diferenças estatisticamente significativas do desgaste para idade (p=0,000) e perda dentária (p=0,001, Tabela 5).

TABELA 5
Análise de regressão linear múltipla para desgaste dentário com as demais variáveis

DISCUSSÃO

Os resultados do presente estudo evidenciaram que indivíduos submetidos à BGYR apresentam mais desgaste dentário nas superfícies incisais/oclusais. Na amostra estudada, independentemente do tempo da operação, estado de normalidade ou obesidade, pôde-se observar maior desgaste dentário em dentes anteriores, fato já identificado na literatura2626 Silva-Junior MF, Batista MJ, Sousa MLR. Incidence of Tooth Loss in Adults: A 4-Year Population-Based Prospective Cohort Study.Int J Dent. 2017; 2017: 6074703.. Já a perda dentária não variou entre os grupos estudados.

Neste estudo, houve maior participação de mulheres, raça branca, escolaridade média incompleta e classe econômica até dois salários mínimos, sem diferenças significativas entre os grupos. Estes achados reforçam o apresentado em outros estudos, nos quais cerca de 80% da população que se submete à cirurgia bariátrica é de mulheres1616 Moura-Grec PG, Assis V, Cannabrava V, Vieira V, Siqueira T, Anaguizawa W, et al. Systemic consequences of bariatric surgery and its repercussions on oral health. ArqBrasCirDig. 2012; 25(3): 173-77.. A justificativa para este fato se pauta na maior cobrança da sociedade em relação aos padrões estéticos para as mulheres em associação com preocupação de melhorar a qualidade de vida. Entretanto, deve-se evidenciar que a prevalência de obesidade no Brasil é semelhante entre os gêneros22 Brasil. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2015 Saúde Suplementar: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar. - Brasíllia: Ministério da Saúde. 2016..

No presente estudo foram identificadas diferenças significativas para avaliação antropométrica entre os grupos GO e GC; entre os grupos G24 e G36 não houve. Vale ressaltar que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica não apresentaram diferenças entre 24 meses ou mais de 36 meses de operados. Após, alguns comportamentos passaram a ser adotados, os quais interferiram diretamente na perda de peso e causaram impacto significativo nos pacientes operados. Ocorre tanto o desenvolvimento de mudanças positivas no comportamento, incluindo a cessação de comportamentos negativos ou o aumento de comportamentos positivos, o que afetam diretamente a quantidade da perda de peso. No entanto, pode alterar vários desses comportamentos, tais como iniciar a autoponderação e parar de comer quando está satisfeito ou comer continuamente durante o dia, como aditivo. Em relação à literatura foi demonstrado que, após cirurgia bariátrica, ocorre redução na ingestão de calorias88 Kruseman M, Leimgruber A, Zumbach F, Golay A. Dietary, weight, and psychological changes among patients with obesity, 8 years after gastric bypass. J Am Diet Assoc. 2010;110(4):527-534. e gordura1313 Meany G, Conceição E, Mitchell JE. Binge eating, binge eating disorder and loss of control eating: effects on weight outcomes after bariatric surgery. EurEatDisord Rev. 2014;22(2):87-91., melhor adesão dietética44 Chevallier JM, Paita M, Rodde-Dunet MH, et al. Predictive factors of outcome after gastric banding: a nationwide survey on the role of center activity and patients' behavior. Ann Surg. 2007;246(6):1034-1039., reduzindo a ingestão de lanches, diminuindo desejos de comida. Estes fatores parecem justificar os achados do presente estudo, nos grupos após a cirurgia bariátrica, uma vez que as demais condições e hábitos não apresentaram diferenças significativas entre os grupos estudados.

Dentre as condições bucais, as perdas dentárias estão longe de serem solucionadas na população brasileira. O levantamento epidemiológico brasileiro11 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. SB Brasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal: resultados principais / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. - Brasília: Ministério da Saúde. 2012. 116 p. : il. para a faixa etária de 35-44 anos evidenciou que entre 2003 e 2010 houve redução de dentes perdidos em adultos diminuiu de 13,5 para 7,4 evidenciando que 7,3% dos adultos apresentavam elementos dentários ausentes. Já a necessidade de prótese na população nessa faixa etária foi de 68,8%11 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. SB Brasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal: resultados principais / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. - Brasília: Ministério da Saúde. 2012. 116 p. : il.. Neste estudo, observou-se que houve em média perda de 3,3 dentes em adultos, número este inferior ao encontrado no último levantamento epidemiológico brasileiro. Dentre os grupos estudados, o grupo eutrófico foi o que apresentou menor percentual de perda dentária e o obeso o menor status social3030 Yamashita JM, de Moura-Grec PG, de Freitas AR, Sales-Peres A, Groppo FC, Ceneviva R, et al. Assessment of oral conditions and quality of life in morbid obese and normal weight individuals: A cross-sectional study. PloS One. 2015;10(7)..

Uma das justificativas para a redução das perdas dentárias em adultos observada, possivelmente seja a combinação da melhoria das condições socioeconômicas, em especial da educação, e do sistema de saúde como a exposição à fluoretação de águas e massificação do uso de dentifrícios fluoretados. Indivíduos mais pobres e menos escolarizados residem em localidades com menores coberturas de fluoretação de águas e de serviços odontológicos, escovam menos frequentemente seus dentes1919 Raffort J, Panaïa-Ferrari P, Lareyre F, Bayer P, Staccini P, Fénichel P, et al. Fasting circulating glicentin increases after bariatric surgery.Obes Surg. 2017; Jun; 27(6): 1581-1588., consomem mais açúcar, alimentos de origem animal, gordura saturada, açúcar e têm menor tempo para atividade física1111 Marmot MG, Bosma H, Hemingway H, Brunner E, Stansfeld S: Contribution of job control and other risk factors to social variations in coronary heart disease incidence. Lancet. 1997, 350:235-239.. Todos esses fatores contribuem para aumento da prevalência e progressão da cárie dentária e da doença periodontal e, consequentemente, das perdas dentárias delas resultantes. Dessa forma, as populações mais vulneráveis devem ter cuidados prioritários, ao lado das medidas universais1919 Raffort J, Panaïa-Ferrari P, Lareyre F, Bayer P, Staccini P, Fénichel P, et al. Fasting circulating glicentin increases after bariatric surgery.Obes Surg. 2017; Jun; 27(6): 1581-1588..

A ausência de dentes pode desencadear algum grau de disfunção temporomandibular e que a reabilitação oral é capaz de atuar positivamente na diminuição da severidade desses distúrbios nesses pacientes2121 Ribeiro GAN, Giapietro HB, Belarmino LB, Salgado-Junior W. Depresssion, anxiety, and binge eating before and after bariatric surgery: problems that remain. ABCD ArqBrasCirDig. 2018;31(1):e1356..

Vários fatores podem influenciar a ocorrência de desgaste dentário, como refluxo gastroesofágico, bruxismo, pH salivar e idade1818 Peres MA, Paulo Roberto Barbato PR, Reis SCGB, Freitas CHSM, Antunes JLF. Perdas dentárias no Brasil: análise da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010. Rev Saúde Pública. 2013;47(Supl 3):78-89.. No presente estudo, houve maior prevalência de desgaste nos dentes anteriores e na face incisal/oclusal, o que indica a ocorrência de atrição. Este fenômeno pode ser causado pelas superfícies de contato envolvendo esmalte e dentina, sendo um resultado do processo adaptativo que pode ser explicado pela alta presença de hábitos parafuncionais, como o bruxismo, no qual forças verticais excessivas de longa duração e forças de fricção horizontais ocorrem1414 Mercut V, Popescu SM, Scrieciu M, Amarascu MO, Vatu M, Diacon OA, Osiac E, Ghelase SM. Optical coherence tomography applications in tooth wear diagnosis. Rom J MorpholEmbryol. 2017;58(1):99-106.. O bruxismo tem sido reportado como uma manifestação física do estresse e da ansiedade2828 Sutin AR, Terracciano A, Deiana B, Uda M, Schlessinger D, Lakatta E, et al. Cholesterol, triglycerides, and the Five-Factor Model of personality. Biol Psychol. 2010; 40: 1485-1493. e esta, por sua vez, está intimamente relacionada à obesidade. Existem dois fenótipos circadianos distintos para o bruxismo: bruxismo do sono e bruxismo acordado, que são considerados entidades separadas devido à suposta diferença em sua causa e variância fenotípica. As causas propostas recentemente de bruxismo parecem ser uma combinação de fatores genéticos e ambientais, com a epigenética fornecendo uma estrutura robusta para investigar essas interações.

Quanto à superfície de desgaste, neste estudo foi em esmalte mais prevalente no GC (eutrófico) e em dentina no G24 e G36 (24M e 36M após a operação). Estes resultados se assemelham aos de Yamashita3030 Yamashita JM, de Moura-Grec PG, de Freitas AR, Sales-Peres A, Groppo FC, Ceneviva R, et al. Assessment of oral conditions and quality of life in morbid obese and normal weight individuals: A cross-sectional study. PloS One. 2015;10(7)., no qual os autores encontraram maior desgaste em dentina no obeso e maior em esmalte no eutrófico.

O desgaste erosivo ocorre nas oclusais e em superfícies lisas, tendo em vista que esta lesão surge devido à desmineralização química com a participação de fatores físicos, como a fricção e muitas vezes o estresse. Recente revisão demonstrou que apenas em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico e distúrbios alimentares associados ao vômito, pode ser encontrado um claro impacto na prevalência da erosão2525 Schlueter N, Luka B. Erosive tooth wear - a review on global prevalence and on its prevalence in risk groups. BrDent J. 2018 Mar 9;224(5):364-370.. Aliado a este fato, pessoas que consomem alimentos e bebidas ácidas, possuem risco maior de apresentar erosão. Os com doença de refluxo estão mais expostos a desenvolverem erosão dentária e halitose1212 Marsicano JA, de Moura-Grec PG, Bonato RC, Sales-Peres M de C, Sales-Peres A, Sales-Peres SH. Gastroesophageal reflux, dental erosion, and halitosis in epidemiological surveys: a systematic review. Eur J GastroenterolHepatol. 2013 Feb;25(2):135-41..

Deve-se ressaltar que o desgaste causado pela erosão pode promover desgaste generalizado e estar relacionado a outros tipos de desgastes. Muitos autores têm considerado a abrasão como um fenômeno natural, o qual poderia se tornar excessivo quando com estivesse associado com fricção e erosão1414 Mercut V, Popescu SM, Scrieciu M, Amarascu MO, Vatu M, Diacon OA, Osiac E, Ghelase SM. Optical coherence tomography applications in tooth wear diagnosis. Rom J MorpholEmbryol. 2017;58(1):99-106..

A regressão linear para o desgaste dentário mostrou que houve associação significativa entre idade e perda dentária, nos grupos estudados. Isso reforça a evidência científica que o desgaste se agrava com a idade e pode ser mais um fator para perda dentária. Por outro lado, a perda de alguns dentes pode sobrecarregar os dentes presentes, principalmente em casos de bruxismo, causando aumento de desgaste ou sua progressão. Estudos futuros deverão ser conduzidos para entender a via de ocorrência deste desfecho em pacientes obesos pré e pós-cirurgia bariátrica.

Algumas limitações no presente estudo merecem consideração. Inicialmente, por ser estudo de corte transversal, não permitindo que seja feita relação de causalidade. Outro ponto é o fato de se tratar de uma amostra de conveniência restrita ao local do estudo, dificultando a generalização dos achados. Como o desgaste se acumula durante um longo período, estudos longitudinais poderiam fornecer evidências mais conclusivas sobre o papel e a interação de diferentes fatores de risco para o desenvolvimento e/ou progressão do desgaste. Para compreensão completa da progressão do desgaste dentário, são necessários mais estudos clínicos em longo prazo e que sejam considerados os efeitos de dietas ácidas de longa duração ou o consumo excessivo de alimentos ácidos durante um determinado período de tempo. Pesquisas futuras de seguimento devem se concentrar suas investigações em hábitos comportamentais, de higiene e consumo de produtos ácidos.

Como pontos fortes, ressaltam-se as implicações clínicas para pacientes obesos e bariátricos, que se pautam no acompanhamento odontológico desde o pré-operatório, para proporcionar melhor recuperação e adaptação mastigatória durante todo o pós-operatório, contribuir no tratamento e na prevenção das lesões da cavidade bucal.

CONCLUSÃO

O desgaste dentário foi mais prevalente entre os pacientes submetidos ao BGYR, independente do período de pós-operatório, e as superfícies incisais dos dentes anteriores superiores e inferiores foram as mais acometidas. Já a perda dentária não mostrou diferenças significativas entre os grupos. O desgaste dentário esteve associado à idade e número de dentes perdidos.

Referências bibliográficas

  • 1
    Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. SB Brasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal: resultados principais / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. - Brasília: Ministério da Saúde. 2012. 116 p. : il.
  • 2
    Brasil. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2015 Saúde Suplementar: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar. - Brasíllia: Ministério da Saúde. 2016.
  • 3
    Cazzo E, Gestic MA, Utrini MP, Pareja JC, Chaim EA, Geloneze B, et al. Correlation between pre and postoperative levels of GLP-1/GLP-2 and weight loss after roux-en-y gastric bypass: a prospective study. Arq Bras Cir Dig. 2016 Nov-Dec; 29(4): 257-259.
  • 4
    Chevallier JM, Paita M, Rodde-Dunet MH, et al. Predictive factors of outcome after gastric banding: a nationwide survey on the role of center activity and patients' behavior. Ann Surg. 2007;246(6):1034-1039.
  • 5
    Ervin RB, Dye BA. The effect of functional dentition on Healthy Eating Index scores and nutrient intakes in a nationally representative sample of older adults. J Public Health Dent. 2009; 69(4): 207-16.
  • 6
    Hady HR,Olszewska M, Czerniawski M, Groth D, Diemieszczyk I, Pawluszewicz P, et al. Different surgical approaches in laparoscopic sleeve gastrectomy and their influence on metabolic syndrome.Medicine (Baltimore). 2018; Jan; 97(4): e9699.
  • 7
    Harrel, FEJr. Regression Modelling Strategies with Applications to Linear Models, Logistic Regression, and survival analysis. Springer-Verlag, New York. 2001.
  • 8
    Kruseman M, Leimgruber A, Zumbach F, Golay A. Dietary, weight, and psychological changes among patients with obesity, 8 years after gastric bypass. J Am Diet Assoc. 2010;110(4):527-534.
  • 9
    Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977; 33(1): 159-174.
  • 10
    Lussi A. Erosive tooth wear - a multifactorial condition of growing concern and increasing knowledge. Monogr Oral Sci. 2006; 20: 1-8.
  • 11
    Marmot MG, Bosma H, Hemingway H, Brunner E, Stansfeld S: Contribution of job control and other risk factors to social variations in coronary heart disease incidence. Lancet. 1997, 350:235-239.
  • 12
    Marsicano JA, de Moura-Grec PG, Bonato RC, Sales-Peres M de C, Sales-Peres A, Sales-Peres SH. Gastroesophageal reflux, dental erosion, and halitosis in epidemiological surveys: a systematic review. Eur J GastroenterolHepatol. 2013 Feb;25(2):135-41.
  • 13
    Meany G, Conceição E, Mitchell JE. Binge eating, binge eating disorder and loss of control eating: effects on weight outcomes after bariatric surgery. EurEatDisord Rev. 2014;22(2):87-91.
  • 14
    Mercut V, Popescu SM, Scrieciu M, Amarascu MO, Vatu M, Diacon OA, Osiac E, Ghelase SM. Optical coherence tomography applications in tooth wear diagnosis. Rom J MorpholEmbryol. 2017;58(1):99-106.
  • 15
    Moura-Grec PG, Martinelli J, Marsicano J, Ceneviva R, De Souza C, Borges G, et al. Impact of bariatric surgery on oral health conditions: 6-months cohort study. IntDent J. 2014. 64: 144-49.
  • 16
    Moura-Grec PG, Assis V, Cannabrava V, Vieira V, Siqueira T, Anaguizawa W, et al. Systemic consequences of bariatric surgery and its repercussions on oral health. ArqBrasCirDig. 2012; 25(3): 173-77.
  • 17
    Pataro AL, Costa FO, Cortelli SC, Cortelli JR, Dupim Souza AC, Nogueira Guimaraes Abreu MH, Girundi MG, Costa JE. Influence of obesity and bariatric surgery on the periodontal condition. J Periodontol. 2012, 83:257-266.
  • 18
    Peres MA, Paulo Roberto Barbato PR, Reis SCGB, Freitas CHSM, Antunes JLF. Perdas dentárias no Brasil: análise da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010. Rev Saúde Pública. 2013;47(Supl 3):78-89.
  • 19
    Raffort J, Panaïa-Ferrari P, Lareyre F, Bayer P, Staccini P, Fénichel P, et al. Fasting circulating glicentin increases after bariatric surgery.Obes Surg. 2017; Jun; 27(6): 1581-1588.
  • 20
    Ribeiro RA, Mollo Júnior FA, Pinelli LAP, Arioli Júnior JN, Ricci WA. Prevalência de disfunção craniomandibular em pacientes portadores de próteses totais duplas e pacientes dentados naturais. CiencOdontol Bras. 2002; 5: 84-9.
  • 21
    Ribeiro GAN, Giapietro HB, Belarmino LB, Salgado-Junior W. Depresssion, anxiety, and binge eating before and after bariatric surgery: problems that remain. ABCD ArqBrasCirDig. 2018;31(1):e1356.
  • 22
    Sales-Peres SHC, Sales-Peres AC, Marsicano JA, Moura-Grec PG, Carvalho CAP, Freitas AR, et al. An epidemiological scoring system for tooth wear and dental erosive wear.IntDent J. 2013; 63: 154-160.
  • 23
    Sales-Peres SH, de Moura-Grec PG, Yamashita JM, Torres EA, Dionísio TJ2, Leite CV, Sales-Peres A, Ceneviva R. Periodontal status andpathogenicbacteriaaftergastricbypass: a cohortstudy. J ClinPeriodontol. 2015 Jun;42(6): 530-6.
  • 24
    Sales-Peres SHC, Sales-Peres MC, Ceneviva R, Bernabé E. Weight loss after bariatric surgery and periodontal changes: a 12-month prospective study. SurgObesRelatDis. 2017 Apr;13(4):637-642
  • 25
    Schlueter N, Luka B. Erosive tooth wear - a review on global prevalence and on its prevalence in risk groups. BrDent J. 2018 Mar 9;224(5):364-370.
  • 26
    Silva-Junior MF, Batista MJ, Sousa MLR. Incidence of Tooth Loss in Adults: A 4-Year Population-Based Prospective Cohort Study.Int J Dent. 2017; 2017: 6074703.
  • 27
    Suzuki S, Yoshino K, Takayanagi A, Sugiyama S, Okamoto M, Tanaka M, et al. Number of Non-vital Teeth as Indicator of Tooth Loss during 10-year Maintenance: A Retrospective Study. Bull TokyoDent Coll. 2017; 58(4): 223-230.
  • 28
    Sutin AR, Terracciano A, Deiana B, Uda M, Schlessinger D, Lakatta E, et al. Cholesterol, triglycerides, and the Five-Factor Model of personality. Biol Psychol. 2010; 40: 1485-1493.
  • WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation WHO Technical Report Series 894 Geneva: World Health Organization. 2000.
  • 30
    Yamashita JM, de Moura-Grec PG, de Freitas AR, Sales-Peres A, Groppo FC, Ceneviva R, et al. Assessment of oral conditions and quality of life in morbid obese and normal weight individuals: A cross-sectional study. PloS One. 2015;10(7).

  • Fonte de financiamento: não há

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Dez 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    26 Mar 2019
  • Aceito
    16 Maio 2019
Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 278 - 6° - Salas 10 e 11, 01318-901 São Paulo/SP Brasil, Tel.: (11) 3288-8174/3289-0741 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revistaabcd@gmail.com