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Parâmetros nutricionais e padrões nictemeral do comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira alimentados com diferentes níveis de energia metabolizável

Nutritional parameters and nycterohemeral patterns of ingestive behavior of Brazilian Somali lambs fed different levels of metabolizable energy

Resumos

O presente estudo foi conduzido para determinar o consumo e a digestibilidade dos nutrientes, bem como o comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira, alimentados com diferentes níveis de energia metabolizável (EM). Foram utilizados 40 animais, não castrados, com peso vivo médio de 13,47±1,76kg. Os animais foram distribuídos em delineamento em blocos ao acaso, com cinco dietas com diferentes níveis de energia metabolizável (1,18; 2,07; 2,25; 2,42 e 2,69Mcal/kg de MS). O consumo de MS, PB, FDN, CF (g/dia), MS (g/kg0,75) e FDN (%PC e g/kg0,75) apresentaram efeito quadrático (P<0,05), assim como os coeficientes de digestibilidade (P<0,05) da PB, da FDN e dos CF. Foi averiguado efeito linear crescente (P<0,05) para digestibilidade da MS, da MO e dos CNF com o aumento da EM na dieta. Os tempos de alimentação e ócio (h/dia) foram influenciados pelos níveis de energia (P<0,05), e as eficiências de alimentação e ruminação (g FDN/h) apresentaram efeito quadrático (P<0,05). Conclui-se que o aumento dos níveis de EM das rações influencia o consumo e a digestibilidade dos nutrientes, bem como o comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira.

consumo; cordeiros; nível de alimentação; tempo de alimentação; tempo de ruminação


The study was conducted to determine the intake, nutrient digestibility and ingestive behavior of Brazilian Somali lambs fed different levels of metabolizable energy (ME). Forty non-castrated Brazilian Somali lambs with average weight of 13.47±1.76kg were used. The animals were assigned to a randomized block design with eight replications per block and five diets with increasing metabolizable energy (1.18, 2.07, 2.25, 2.42 and 2.69 Mcal/kg DM). The quadratic effect (P<0.05) of the ME level was determined for DM, CP, NDF and FC (g/day) and DM (g/kg0,75) and NDF(%PC and g/kg0,75) intake, as well as the digestibility coefficients (P<0.05) for CP, NDF and CF. A linear effect (P<0.05) was observed for digestibility of DM, OM and NFC with the increase of ME in the diet. Eating and idle results (hours/day) were influenced by the energy levels (P<0.05) and efficiencies of feeding and rumination (g NDF/h) showed a quadratic effect (P<0.05). It is concluded that the increase of ME levels in the diet influences intatke, nutrient digestibility and ingestive behavior of Brazilian Somali lambs.

intake; lambs; feeding level; eating time; rumination time


ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

Parâmetros nutricionais e padrões nictemeral do comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira alimentados com diferentes níveis de energia metabolizável

Nutritional parameters and nycterohemeral patterns of ingestive behavior of Brazilian Somali lambs fed different levels of metabolizable energy

R.M.S. AquinoI; E.S. PereiraII, * * Autor para correspondência: E-mail: elzania@hotmail.com ; S.M.P. OliveiraII; P.G. PimentelII; I.Y. MizubutiIII; E.L.A, RibeiroIII; M.S.S. CarneiroII; M.J.D. CândidoII; R.M. FonteneleI; J.P.M. AlvesIV; R.O. CruzIV; J.N. Rocha JúniorII

IAluna de pós-graduação - Universidade Federal do Ceará - Fortaleza, CE

IIUniversidade Federal do Ceará - Fortaleza, CE

IIIUniversidade Estadual de Londrina - Londrina, PR

IVAluna de Iniciação Científica - Universidade Federal do Ceará - Fortaleza, CE

RESUMO

O presente estudo foi conduzido para determinar o consumo e a digestibilidade dos nutrientes, bem como o comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira, alimentados com diferentes níveis de energia metabolizável (EM). Foram utilizados 40 animais, não castrados, com peso vivo médio de 13,47±1,76kg. Os animais foram distribuídos em delineamento em blocos ao acaso, com cinco dietas com diferentes níveis de energia metabolizável (1,18; 2,07; 2,25; 2,42 e 2,69Mcal/kg de MS). O consumo de MS, PB, FDN, CF (g/dia), MS (g/kg0,75) e FDN (%PC e g/kg0,75) apresentaram efeito quadrático (P<0,05), assim como os coeficientes de digestibilidade (P<0,05) da PB, da FDN e dos CF. Foi averiguado efeito linear crescente (P<0,05) para digestibilidade da MS, da MO e dos CNF com o aumento da EM na dieta. Os tempos de alimentação e ócio (h/dia) foram influenciados pelos níveis de energia (P<0,05), e as eficiências de alimentação e ruminação (g FDN/h) apresentaram efeito quadrático (P<0,05). Conclui-se que o aumento dos níveis de EM das rações influencia o consumo e a digestibilidade dos nutrientes, bem como o comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira.

Palavras-chave: consumo, cordeiros, nível de alimentação, tempo de alimentação, tempo de ruminação

ABSTRACT

The study was conducted to determine the intake, nutrient digestibility and ingestive behavior of Brazilian Somali lambs fed different levels of metabolizable energy (ME). Forty non-castrated Brazilian Somali lambs with average weight of 13.47±1.76kg were used. The animals were assigned to a randomized block design with eight replications per block and five diets with increasing metabolizable energy (1.18, 2.07, 2.25, 2.42 and 2.69 Mcal/kg DM). The quadratic effect (P<0.05) of the ME level was determined for DM, CP, NDF and FC (g/day) and DM (g/kg0,75) and NDF(%PC and g/kg0,75) intake, as well as the digestibility coefficients (P<0.05) for CP, NDF and CF. A linear effect (P<0.05) was observed for digestibility of DM, OM and NFC with the increase of ME in the diet. Eating and idle results (hours/day) were influenced by the energy levels (P<0.05) and efficiencies of feeding and rumination (g NDF/h) showed a quadratic effect (P<0.05). It is concluded that the increase of ME levels in the diet influences intatke, nutrient digestibility and ingestive behavior of Brazilian Somali lambs.

Keywords: intake, lambs, feeding level, eating time, rumination time

INTRODUÇÃO

Entre os fatores que influenciam a eficiência produtiva em sistemas de produção de ruminantes, o custo de alimentação dos animais é a mais importante variável dos custos operacionais de produção. Desta maneira, o conhecimento do consumo de matéria seca das rações possibilita maior previsibilidade das respostas produtivas dos animais. A partir do conhecimento quantitativo dos nutrientes, poderão ser balanceadas dietas que resultem em maior eficiência dos sistemas de produção, por minimizar os custos com a alimentação e as perdas em nutrientes (Russell et al., 1992; Sniffen et al., 1992).

Vários fatores influenciam o consumo voluntário de nutrientes. Teorias individuais baseadas em enchimento físico do rúmen, fatores relacionados a feedback metabólico ou consumo de oxigênio, têm sido utilizadas para determinação e/ou predição do consumo de matéria seca (Nutrient..., 2007). Segundo Mertens (1994), o desempenho animal é função direta do consumo de matéria seca digestível. Nessa circunstância, 60 a 90% do desempenho decorrem da variação do consumo, enquanto 10 a 40% provêm de flutuações na digestibilidade. Uma vez que as características de digestibilidade são intrínsecas ao alimento, bem como a sua composição, o consumo e sua intensidade assumem particular importância nos sistemas de produção animal. Sendo assim, o consumo é considerado o fator mais importante na determinação do desempenho animal. Em tal contexto, o estudo do comportamento ingestivo pode propiciar nova perspectiva para o modelo convencional de abordagem científica zootécnica, abrindo novos horizontes e trazendo inovações a situações não consideradas ou mal compreendidas, principalmente no que se refere às práticas de manejo (Silva et al., 2004).

O objetivo deste trabalho foi, portanto, avaliar o consumo e a digestibilidade dos nutrientes e sua relação com as variáveis de comportamento ingestivo de cordeiros da raça Somalis Brasileira em confinamento, alimentados com dietas com diferentes níveis de energia.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi desenvolvido no Setor de Digestibilidade do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza-CE. Foram utilizados 40 cordeiros da raça Somalis Brasileira, não castrados, com peso vivo médio inicial de 13,47kg ±1,76kg e, aproximadamente, 60 dias de idade. Inicialmente, os animais foram pesados, identificados e vermifugados. Posteriormente, foram alocados em baias individuais contendo comedouros e bebedouros. O período experimental teve duração de 81 dias, sendo 14 dias de adaptação dos animais às dietas experimentais e às baias.

Os cordeiros (n=40) foram alocados em cinco tratamentos experimentais, que consistiram em diferentes níveis de energia metabolizável (1,18; 2,07; 2,25; 2,42 e 2,69 Mcal/kg de MS) obtidos a partir de diferentes relações volumoso: concentrado (100:00; 80:20; 60:40; 40:60 e 20:80).

As rações experimentais foram formuladas conforme o Nutrient... (2007) para conterem em média 16% de proteína bruta e promover ganho de 200g/dia, exceto para a relação 100:0, sendo esta formulada para atender a exigência de mantença com 9% de proteína bruta. A composição química dos ingredientes e a composição percentual e química das rações experimentais estão apresentadas nas Tab. 1 e 2, respectivamente.

O fornecimento das rações foi realizado duas vezes ao dia, às oito horas e às 16h. A quantidade de alimento oferecido e das sobras foi registrada diariamente, a fim de se determinar o consumo de alimento, e realizou-se o ajuste para permitir sobras em torno de 10% do fornecido. A água foi colocada permanentemente à disposição dos animais. Semanalmente, foram coletadas amostras do feno, concentrados e sobras da ração total, sendo estas acondicionadas em sacos plásticos, devidamente identificadas e armazenadas em freezer (-10°C), onde, ao final do período experimental, formaram uma amostra composta/tratamento/animal para posteriores análises.

Para determinação da digestibilidade dos nutrientes, a fibra em detergente neutro indigestível (FDNi) foi utilizada como indicador para estimar a produção de matéria seca fecal, conforme descrito por Casali et al. (2009). As fezes foram coletadas diretamente na ampola retal dos animais a cada 15 dias, durante três dias consecutivos: às oito horas no primeiro dia, às 12h no segundo dia e às 17h no terceiro dia, obtendo-se 12 amostras por animal. Ao final do período experimental, formaram-se amostras compostas por tratamento/animal. Amostras de fezes e alimentos foram pré-secas a 55°C, moídas a 2mm e, proporcionalmente, subamostradas, formando uma amostra composta por animal/tratamento, incubadas no rúmen, em sacos de náilon por um período de 240h, e posteriormente analisadas.

As amostras de feno, ingredientes, concentrados, sobras e fezes foram pré-secas em estufa ventilada a 55°C e moídas em moinho tipo Willey, com peneira de malha de 1mm, sendo estas submetidas às análises de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB) e extrato etéreo (EE), conforme os procedimentos recomendados pela AOAC (Official...1990), e fibra em detergente ácido (FDA), conforme Van Soest et al. (1991). Para análise de fibra em detergente neutro (FDN), as amostras foram tratadas com alfa-amilase, sendo corrigida para cinzas residuais e para compostos nitrogenados residuais. Os teores de carboidratos totais, com base na matéria seca, foram calculados pela fórmula: CT(% = 100 - (%PB + %EE + %cinzas), segundo Sniffen et al. (1992), e os carboidratos não fibrosos foram calculados conforme equação proposta por Weiss (1999): CNF(%) = 100 - (%FDNcp + %PB+ % EE + %cinzas). Para os concentrados, devido à presença de ureia em sua constituição, o teor de CNF foi calculado conforme proposto por Hall (2000), sendo CNF =100 - [(%PB - %PB derivado da ureia + % da ureia) + %FDNcp + %EE + %cinzas]. O teor de nutrientes digestíveis totais foi calculado de acordo com Weiss (1999): NDT = PBd + CNFd + FDNcpd + EEd x 2,25, em que PBd, CNFd, FNDcpd e EEd correspondem a proteína bruta digestível, carboidratos não fibrosos digestíveis, fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteína digestível e extrato etéreo digestível, respectivamente.

A energia digestível (ED) da dieta foi estimada em 4,409kg/Mcal de NDT e foi convertida para energia metabolizável (EM) usando-se uma eficiência de 82% (Nutrient..., 2000).

Para mensuração do comportamento ingestivo, os animais foram submetidos à observação visual no 73º e no 74º dia. No primeiro dia, foi realizada observação visual, em intervalos de cinco minutos durante 24 horas, para determinação do tempo despendido com alimentação, ruminação e ócio, conforme metodologia proposta por Johnson e Combs (1991). O galpão foi mantido sob iluminação artificial à noite durante todo o período experimental. No segundo dia, os animais foram observados durante três períodos de duas horas (das oito às 10h; 14 às 16h e 18 às 20h), sendo coletadas informações para se estimar o número de mastigações merícicas por bolo ruminal e o tempo despendido com mastigação merícica por bolo ruminal, utilizando-se cronômetro digital. As variáveis do comportamento ingestivo foram obtidas pelas equações: EAL = CMS/TAL; EAL = CFDN/TAL; ERU = CMS/TRU; ERU = CFDN/TRU; TMT = TAL + TRU; NBR = TRU/MMtb; MMnd = NBR*MMnb, em que: EAL (g MS/h, g FDN/h) corresponde à eficiência de alimentação; CMS (g MS/dia) corresponde ao consumo de MS; TAL (h/dia) corresponde ao tempo de alimentação; CFDN (g FDN/dia) corresponde ao consumo de FDN; ERU (g MS/h, g FDN/h) corresponde à eficiência de ruminação; TRU (h/dia) corresponde ao tempo de ruminação; TMT (h/dia) corresponde ao tempo de mastigação total; NBR (n°/dia) corresponde ao número de bolos ruminais; MMtb (seg/bolo) corresponde ao tempo de mastigação merícica por bolo ruminal, MMnb (n°/bolo) corresponde ao número de mastigações merícicas por bolo ruminal; e MMnd (n°/bolo) corresponde ao número de mastigações por dia (Polli et al., 1996).

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso (peso corporal inicial), com cinco tratamentos, conforme descrito anteriormente, de acordo com o modelo matemático Yij = µ + αi + βj + eij, em que Yij = valor observado na parcela que recebeu o tratamento i no bloco j =1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8; eij = erro aleatório.

As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o PROC GLM SAS, versão 9.0 (Statistical, 2003).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi observado efeito dos níveis de energia metabolizável (EM; P<0,05) sobre o consumo de matéria seca, expresso em g/dia e g/kg0,75, apresentando efeito quadrático (Tab. 3). Os consumos máximos de MS estimados foram 684,64g/dia e 70,58g/kg0,75, para os níveis de 2,69 e 2,42Mcal/kg de MS, respectivamente. Entretanto, foi observado efeito linear crescente (P<0,05) para o consumo de MS, expresso em %PC (Tab. 3). No que se refere ao consumo de MO, EE, CNF e NDT, expressos em g/dia, foi observado efeito linear crescente (P<0,001; Tab. 3), o que pode ser explicado pelo fato de haver maior concentração destes nutrientes nas dietas (Tab. 2).

Resultados semelhantes foram obtidos por Fontenele et al. (2011), ao estudarem rações com diferentes níveis de energia metabolizável (2,08; 2,28; 2,47 e 2,69Mcal de EM/kg de MS) para cordeiros da raça Santa Inês. O consumo de PB, FDN e CF, expressos em g/dia, foi influenciado de forma quadrática pelos níveis de energia metabolizável na dieta, em que foram estimados os pontos máximos de consumo, correspondentes aos seguintes níveis de energia: 2,64, 1,74 e 1,79Mcal/kg de MS, respectivamente (Tab. 3). Camilo et al. (2012), ao trabalharem com níveis crescentes de energia metabolizável (0,96; 1,28; 1,72; 2,18 e 2,62Mcal/kg de MS) em cordeiros Morada Nova, registraram efeito quadrático para o consumo de FDN e CT, expressos em g/dia. O consumo de FDN, em %PC e kg0,75, apresentou efeito quadrático (P<0,001) com pontos de máxima de 1,55 e 1,61Mcal/kg de MS, respectivamente. A relação entre a ingestão de MS e o conteúdo de FDN na ração é quadrática, o que mostra existir um ponto de inflexão entre o controle físico e o fisiológico, no qual o efeito da FDN sobre a ingestão cessa, e esta passa a depender do requerimento do animal. Segundo Mertens (1994), a base para expressar consumo não é semelhante para os mecanismos físicos e fisiológicos de controle. O ideal é expressar em %PC quando se refere a rações de baixa qualidade, uma vez que a ingestão é limitada pelo enchimento do rúmen e está mais relacionada ao tamanho e à capacidade do trato digestório. Porém, quando o consumo é limitado pela demanda fisiológica de energia, a melhor forma de expressá-lo é com base no peso metabólico. O mecanismo de regulação fisiológica pode ser interpretado em uma situação em que, no consumo de matéria seca, a concentração energética da dieta seja igual ao requerimento animal (Mertens, 1994).

Os coeficientes de digestibilidade aparente de MS, MO, CT e CNF foram influenciados de forma linear crescente (P<0,001) com o incremento de energia metabolizável na dieta (Tab. 4). De acordo com Valadares Filho (1985), a digestibilidade aparente dos carboidratos não estruturais é acima de 90% e a dos carboidratos estruturais é próxima de 50%. Porém, o excesso de CNF merece atenção especial, pois, por serem estes prontamente fermentáveis, podem comprometer a atividade microbiana no rúmen quando em altas quantidades, principalmente no que se refere à atividade das bactérias fibrolíticas, prejudicando, assim, o processo de digestão.

Os coeficientes de digestibilidade da PB, da FDN e dos CF apresentaram comportamento quadrático (P<0,001; Tab. 4). Segundo Mertens (1992), a redução excessiva da quantidade de fibra nas dietas de ruminantes pode prejudicar a digestibilidade total dos alimentos, uma vez que, para manutenção das condições ótimas do rúmen, a fibra é fundamental, pois altera as proporções de ácidos graxos voláteis, em especial a relação acetato:propionato, estimula a mastigação e mantém o pH em níveis adequados à atividade microbiana.

Foi detectado efeito dos níveis de EM sobre os tempos de alimentação e ócio, expressos em h/dia, os quais foram influenciados de forma quadrática (P<0,05; Tab. 5). O tempo máximo de alimentação e o tempo mínimo de ócio foram estimados em seis e nove horas, sete horas/dia, respectivamente, para os níveis de 1,61 e 1,58Mcal/kg de MS. Quanto menor a ingestão de fibra, menor será o tempo despendido pelos animais em ingestão, aumentando, assim, o tempo em que estes permanecem em ócio (Van Soest, 1994).

As eficiências de alimentação e ruminação, em g FDN/h, apresentaram efeito quadrático (P<0,05; Tab. 5). Para as eficiências de alimentação e de ruminação, em g MS/h, houve efeito linear crescente (P<0,05) à medida que os níveis de EM das rações aumentaram. Segundo Van Soest (1994), o tempo despendido em ruminação é influenciado pela natureza da dieta, sendo proporcional ao teor de parede celular dos volumosos. Desta forma, em dietas com proporções maiores de concentrado será observada maior eficiência de ruminação ou mastigação. As inferências de Dado e Allen (1995) reiteram as observações de Van Soest, ao afirmarem que o número de períodos de ruminação aumenta de acordo com o teor de fibra da dieta, havendo a necessidade de processamento da digesta ruminal para elevar a eficiência digestiva.

O tempo de mastigação total apresentou efeito linear decrescente (P<0,05; Tab. 5), uma vez que, quando decrescem os constituintes da parede celular da dieta, decresce o tempo total de mastigação (Dulphy et al., 1980). Resultados semelhantes foram observados por Fontenele et al. (2011) e Camilo et al. (2012). O número de bolos ruminais, o de mastigações merícicas e de mastigações merícicas por bolo ruminal e o tempo de mastigações merícicas por bolo ruminal não foram influenciados (P>0,05) pelos níveis de energia metabolizável nas rações (Tab. 6).

Em relação ao consumo, a soma dos períodos 1 e 2, referentes aos intervalos das seis às 12h e das 12 às 18h, correspondeu ao maior tempo despendido para o consumo (69,64% do consumo total), mostrando que esta atividade concentrou-se durante o dia (Fig. 1). Essas observações foram registradas também por Pereira et al. (2009) e Macedo et al. (2007), que obtiveram médias de 83,92% e 57,12%, respectivamente, do tempo gasto com alimentação somando os períodos 1 e 2. Segundo Dado e Allen (1995), a ingestão de MS é elevada após o fornecimento da ração, quando o alimento ainda está fresco. Sendo os ruminantes animais de hábito diurno, a atividade de alimentação é mais frequente durante o dia que à noite, contudo esse comportamento pode variar (Forbes, 1995).


Em relação à atividade de ruminação (Fig. 2), esta ocorreu principalmente à noite (55,29%), entre os períodos 3 e 4 (das 18 às 24h e das 24 às seis horas), respectivamente. O padrão diário da atividade de ruminação iniciou-se 10 horas após o fornecimento da alimentação (período 3) e atingiu os valores máximos durante as seis horas subsequentes (período 4). Polli et al. (1996) registraram que a atividade de ruminação é influenciada pela atividade de alimentação e ocorre após os períodos de ingestão do alimento, com o animal em estado de repouso. Segundo Fischer et al. (1998), os animais ruminam preferencialmente à noite, porém são também ritmados pelo fornecimento de alimento e sofrem forte influência da relação volumoso:concentrado da dieta.


CONCLUSÃO

O aumento dos níveis de energia metabolizável das rações influencia o consumo, a digestibilidade dos nutrientes e o comportamento ingestivo de cordeiros Somalis Brasileira.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo suporte financeiro.

Recebido em 30 de abril de 2012

Aceito em 11 de novembro de 2013

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  • *
    Autor para correspondência: E-mail:
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      15 Maio 2014
    • Data do Fascículo
      Abr 2014

    Histórico

    • Recebido
      30 Abr 2012
    • Aceito
      11 Nov 2013
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