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Pegada de CO2 da madeira nativa destinada à construção civil proveniente de diferentes tipos de exploração florestal

CO2 footprint from native lumber used in the construction industry from different types of harvesting

Resmo

O uso da madeira é frequentemente apontado como uma estratégia de descarbonização para a construção. Entretanto, a pegada de CO2 da madeira nativa, ou seja, que são as emissões decorrentes da sua exploração florestal, transporte e beneficiamento, depende do tipo de manejo florestal. Este estudo quantifica a pegada de CO2 da madeira nativa serrada bruta, proveniente de três tipos de exploração florestal: manejo sustentável, manejo convencional e extração seletiva convencional (desmatamento). Analisaram-se as emissões de CO2 da exploração florestal até o término do beneficiamento da madeira, com dados da literatura e do Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção. A pegada de CO2 da madeira serrada bruta varia entre 25 e 19.860 kgCO2/m3, com os menores valores para a madeira de manejo sustentável e os maiores para a madeira de extração seletiva convencional. Além disso, a madeira manejada estoca temporariamente, em sua estrutura celular, ~353 kgC/m3. Madeiras nativas de manejo florestal sustentável podem contribuir com a descarbonização dos edifícios, enquanto as madeiras de manejo convencional e, sobretudo, de desmatamentosão fontes expressivas de CO2 dentro do seu ciclo de vida.

Palavras-chave:
Madeira nativa; Exploração florestal; Pegada de dióxido de carbono; Construção civil; Ciclo de vida

Abstract

The use of wood is often indicated as a decarbonization strategy for the construction sector. However, the CO2footprint of native wood, that is, the emissions during wood harvesting, transportation, and processing, depends on the type of forest management practiced. This study quantifies the CO2footprint of native rough sawn lumber from forests with three types of harvesting: sustainable management, conventional management, and conventional selective extraction (deforestation). CO2emissions were analyzed from harvesting to the end of wood processing based on data from the literature and the Construction Environmental Performance Information System. The CO2footprint of rough sawn lumber varies between 25 and 19,860 kCO2/m3, with the lowest values for wood from sustainable management and the highest for conventional selective extraction. In addition, managed wood stores temporarily in its cell structure ~353kgC/m 3 . Native wood from sustainable harvesting can contribute to decarbonizing buildings, whereas wood from conventional harvesting and deforestation are relevant sources of CO 2 emissions, considering the wood life cycle.

Keywords:
Native wood; Harvesting; Carbon dioxide footprint; Civil construction; Life cycle

Introdução

A mudança climática tem causado cada vez mais desastres, tais como enchentes e deslizamentos, que afetam principalmente a parcela mais vulnerável da população, inclusive no Brasil. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) recomenda que as emissões líquidas globais de CO2, que é o principal gás de efeito estufa, sejam reduzidas a zero (net-zero) até o ano de 2050 para limitar o aquecimento global e seus efeitos adversos (IPCC, 2022INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. Climate Change 2022 - Mitigation of Climate Change. 2022. Disponível em: Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/downloads/report/IPCC_AR6_WGIII_FullReport.pdf . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). Descarbonizar a construção é essencial para atingir esta meta, pois este setor contribui com aproximadamente 37% das emissões globais de CO2, considerando a produção dos materiais, a construção e a operação dos edifícios (UNEP, 2022UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Global status report for buildings and construction: towards a zero‐emission, efficient and resilient buildings and construction sector. Nairobi, 2022. Disponível em: Disponível em: https://www.unep.org/resources/publication/2022-global-status-report-buildings-and-construction . Acesso em: 14 abr. 2023.
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).

O uso da madeira é frequentemente apontado como uma estratégia para descarbonizar a construção (Churkina et al., 2020CHURKINA, G. et al. Buildings as a global carbon sink. Nature Sustainability, v. 3, n. 4, p. 269-276, 2020.), uma vez que as árvores absorvem carbono da atmosfera pela fotossíntese. A madeira de construção pode ser proveniente tanto de florestas plantadas especificamente para esta finalidade, quanto de florestas nativas. Enquanto as florestas plantadas usualmente são monoculturas (por exemplo, pinus e eucalipto), as florestas nativas preservam a biodiversidade, o que também é essencial para garantir o equilíbrio natural e a segurança alimentar para o futuro (UNEP, 2020UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. UNEP and Biodiversity. 2020. Disponível em: Disponível em: https://www.unep.org/unep-and-biodiversity . Acesso em: 14 abr. 2023.
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).

Entretanto, o quão “sustentável” é a madeira nativa depende da forma como a floresta é explorada, uma vez que a intensidade de extração de biomassa impacta na capacidade de recuperação da floresta e nos seus estoques de carbono. Sendo assim, é primordial avaliar o impacto das diferentes formas de exploração florestal sobre a pegada de CO2 da madeira nativa, ou seja, as emissões de CO2 que ocorrem durante o seu ciclo de vida, desde a sua extração na floresta, passando pelo seu beneficiamento e transporte. O conhecimento da pegada de CO2 da madeira nativa permite que profissionais e consumidores possam tomar decisões mais bem embasadas, bem como fortalecer melhores práticas e implementar políticas públicas de fomento às cadeias com maior potencial de produção sustentável.

Desta forma, o objetivo deste trabalho é quantificar a pegada de CO2 da madeira nativa serrada destinada à construção, do berço ao portão, ou seja, da floresta até a saída da serraria, considerando três opções de exploração florestal: extração seletiva convencional, manejo convencional e manejo sustentável.

Referencial teórico

Madeira e as emissões de carbono

Primeiramente, é necessário esclarecer alguns conceitos relativos à interface entre a produção madeireira e o ciclo do carbono. As árvores, assim como quaisquer outras plantas, absorvem CO2 da atmosfera e o convertem em celulose (C6H10O5), hemicelulose (C5H8O4 ou C6H10O5) e lignina (C9H10O2, C10H12O3 ou C11H14O4), que são as substâncias que compõem a biomassa - raízes, troncos, galhos e folhas. Desse modo, as árvores “fixam” o carbono da atmosfera em sua biomassa (Ramage et al., 2017RAMAGE, M. H. et al. The wood from the trees: the use of timber in construction. Renewable and Sustainable Energy Reviews, v. 68, n. October 2015, p. 333-359, 2017.). A “remoção” de carbono da atmosfera ocorre enquanto a árvore está em crescimento pois, uma vez que a árvore esteja madura e tenha atingido seu tamanho máximo, a absorção e a emissão de CO2 pela árvore entram em equilíbrio - o CO2 absorvido é transformado em glicose (C6H12O6), que é consumida pela árvore e novamente convertida em CO2 (Sedjo; Sohngen, 2012SEDJO, R.; SOHNGEN, B. Carbon sequestration in forests and soils. Annual Review of Resource Economics, v. 4, p. 127-144, 2012.). Quando uma árvore morre, a decomposição da sua matéria orgânica emite novamente o carbono para a atmosfera, na forma de CO2 se a decomposição for aeróbia (na presença de oxigênio) ou na forma de CH4 (metano) se a decomposição for anaeróbia (sem oxigênio) (Mitchard, 2018MITCHARD, E. T. A. The tropical forest carbon cycle and climate change. Nature, v. 559, n. 7715, p. 527-534, 2018.). Ou seja, analisando-se uma árvore isoladamente, simplificadamente, pode-se considerar que ela é neutra em emissões de CO2 ao longo do seu ciclo de vida.

Em princípio, florestas nativas maduras apresentam um equilíbrio entre as plantas que morrem e as novas plantas que nascem, de modo que elas servem como um grande estoque de carbono no planeta (Green; Keenan, 2022GREEN, J. K.; KEENAN, T. F. The limits of forest carbon sequestration. Science , v. 376, n. 6594, p. 692-693, 2022.). Quando uma área de floresta nativa é desmatada, ou seja, quando toda a biomassa é suprimida (por exemplo, através de queimadas para a produção de pasto), aquela quantidade de carbono que antes estava estocada na biomassa florestal é emitida na forma de CO2, aumentando sua concentração na atmosfera, o que contribui para o aquecimento global (Baccini et al., 2017BACCINI, A. et al. Tropical forests are a net carbon source based on aboveground measurements of gain and loss. Science, v. 358, n. 6360, p. 230-234, out. 2017.; Covey et al., 2021COVEY, K. et al. Carbon and beyond: the biogeochemistry of climate in a rapidly changing Amazon. Frontiers in Forests and Global Change, v. 4, n. 618401, 2021. ). Por outro lado, se uma floresta nativa for explorada de uma forma que permita a regeneração da biomassa em seu estado original, o CO2 emitido em função da exploração florestal será absorvido pela “nova biomassa” em crescimento, de modo que o estoque de carbono se recompõe e a floresta não contribui para o aumento da concentração de CO2 na atmosfera (Mazzei et al., 2010MAZZEI, L. et al. Above-ground biomass dynamics after reduced-impact logging in the Eastern Amazon. Forest Ecology and Management , v. 259, n. 3, p. 367-373, 2010.; Numazawa et al., 2017NUMAZAWA, C. T. D. et al. Logging residues and CO2 of Brazilian Amazon timber: two case studies of forest harvesting. Resources, Conservation and Recycling , v. 122, p. 280-285, 2017.; Sasaki et al., 2016SASAKI, N. et al. Sustainable management of tropical forests can reduce carbon emissions and stabilize timber production. Frontiers in Environmental Science , v. 4, n. 50, p. 1-13, 2016.). Assim, o balanço entre emissões e remoções de CO2 depende da forma como a biomassa é extraída da floresta.

Além do balanço de carbono da floresta, há outras emissões de CO2 ao longo do ciclo de vida de produtos de madeira, que se devem ao consumo de combustíveis fósseis em atividades de transporte e beneficiamento da madeira, ou de eletricidade, quando esta é gerada a partir de fontes fósseis (por exemplo, termoelétricas a gás natural ou geradores a diesel) (Punhagui, 2014PUNHAGUI, K. R. G.Potencial de redução das emissões de CO2 e da energia incorporada na construção de moradias no Brasil mediante o incremento do uso de madeira. São Paulo, 2014. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil e Urbana) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.).

O carbono estocado na biomassa da madeira é denominado como “estoque temporário de carbono biogênico”. O estoque é dito temporário pois, ao final da sua vida útil, a madeira pode ser queimada ou decomposta e liberar CO2 novamente para a atmosfera. Embora edifícios tenham uma vida útil longa - no mínimo 50 anos de acordo com a NBR 15575-1 - este tempo é baixo para que a madeira seja considerada como um sorvedouro de carbono, ou carbon sink. A floresta nativa amazônica, por sua vez, pode ser considerada estoque de carbono de centenas de anos, assim como outros recursos naturais fósseis.

Formas de exploração de florestas nativas

A indústria da construção utiliza a madeira nativa, de origem majoritariamente amazônica, em diversas aplicações duradouras e provisórias (Sobral et al., 2002SOBRAL, L. et al. Acertando o Alvo 2: consumo de madeira amazônica e certificação florestal no Estado de São Paulo. Belém: Imazon, Imaflora, Amigos da Terra, 2002. Disponível em: Disponível em: https://imazon.org.br/publicacoes/acertando-o-alvo-2-consumo-de-madeira-amazonica-e-certificacao-florestal-no-estado-de-sao-paulo/ . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). A especificação de madeiras nativas se deve tanto a questões estéticas - por exemplo, a preferência de arquitetos pela aparência de certas espécies - quanto por questões técnicas, uma vez que espécies nativas apresentam alta densidade, resistência e, dependendo da espécie, durabilidade natural contra biodeterioração (Zenid, 2009ZENID, G. J. Madeira: uso sustentável na construção civil. 2. ed. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 2009. (IPT - Publicação 3010). Disponível em: Disponível em: http://aleph.ipt.br/exlibris/aleph/a22_1/apache_media/EEDNCG3N9H98CFVF4C96C1MGVPVJBA.pdf . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). O uso de madeira nativa pode também contribuir para o desempenho ambiental dos edifícios; entretanto, isso depende da forma como é feita a exploração florestal. Neste trabalho, são consideradas três formas principais de exploração florestal: extração seletiva convencional, manejo convencional e manejo sustentável.

A extração seletiva convencional (ESC) não tem plano de manejo e, na maior parte dos casos, é ilegal (Saraiva, 2020SARAIVA, A. S. A atuação de organizações criminosas na exploração ilegal de madeira como principal vetor do desmatamento da Amazônia. Manaus, 2020. 417 f. Tese (Doutorado em Doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020.). Apesar disso, estima-se que de 34 a 95% da madeira nativa utilizada na construção provém desta forma de extração (Wellesley, 2014WELLESLEY, L. Illegal logging and related trade: the responses in Brazil. London: a Chatham House assessment, 2014. Disponível em: Disponível em: https://forestgovernance.chathamhouse.org . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). Tal atividade resulta em excessivos danos à biomassa florestal, devido à abertura de vias de acesso e de pátios de estocagem, transporte sem planejamento e derrubada de árvores sem técnicas apropriadas (Espada et al., 2016ESPADA, A. L. V. et al. Manejo florestal e exploração de impacto reduzido em florestas naturais de produção da Amazônia. Belém: Instituto Florestal Tropical, 2016.). Ademais, a extração de árvores sem manejo frequentemente precede atividades agropecuárias (Cederberg et al., 2011CEDERBERG, C. et al. Including carbon emissions from deforestation in the carbon footprint of Brazilian beef. Environmental Science and Technology, v. 45, n. 5, p. 1773-1779, 2011.; Righi et al., 2009RIGHI, C. A. et al. Biomass burning in Brazil’s Amazonian “arc of deforestation”: burning efficiency and charcoal formation in a fire after mechanized clearing at Feliz Natal, Mato Grosso. Forest Ecology and Management , v. 258, n. 11, p. 2535-2546, 2009.), não permitindo o restabelecimento da floresta pós-corte (Van Gardingen; Valle; Thompson, 2006VAN GARDINGEN, P. R.; VALLE, D.; THOMPSON, I. Evaluation of yield regulation options for primary forest in Tapajós National Forest, Brazil. Forest Ecology and Management , v. 231, n. 1-3, p. 184-195, 2006.). Nesta situação, o carbono que estava estocado na floresta é liberado para a atmosfera e, como não é sequestrado novamente pelo processo de fotossíntese na recomposição da biomassa, aumenta a concentração de CO2 na atmosfera, sendo considerado emissão com efeito equivalente à emissão de CO2 de origem fóssil (Campos, 2012CAMPOS, É. F. de. Emissão de CO2 da madeira serrada da Amazônia: o caso da exploração convencional. São Paulo, 2012. 152 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Construção Civil e Urbana) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. ). Vale ressaltar que mesmo desmatamentos autorizados contribuem para o aumento da concentração de CO2 na atmosfera devido à supressão permanente da biomassa da floresta nativa. A extração de madeira e queimadas chegaram a colaborar com um valor próximo de 30% das emissões de CO2 da Floresta Amazônica brasileira entre 2006 e 2016 (Assis et al., 2020ASSIS, T. O. et al. CO2 emissions from forest degradation in Brazilian Amazon. Environmental Research Letters, v. 15, n. 10, n. 104035, set. 2020.) (Figura 1).

Figura 1
Esquema ilustrativo referente ao balanço de carbono acima do solo para a madeira nativa de Extração Seletiva Convencional (ESC)

O manejo convencional é o manejo conforme a regulamentação ambiental brasileira, nomeadamente a Instrução Normativa MMA nº 5 de 11/12/2006 (Brasil, 2006BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Instrução Normativa 2, de 27 de junho de 2007. Altera dispositivos da instrução normativa no 5, de 11 de dezembro de 2006, e dá outras providências. Diário Oficial da União de 28 de Jun. de 200. Seção 1, Página 78. Disponível em: Disponível em: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/IN0002-270607.PDF . Acesso em: 14 abr. 2023.
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) e a resolução CONAMA nº 406 de 02/02/2009 (Brasil, 2009BRASIL. Resolução CONAMA n°406, de 2 de fevereiro de 2009. Estabelece parâmetros técnicos a serem adotados na elaboração, apresentação, avaliação técnica, e execução de Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS com fins madeireiros, para floresta nativas e suas formas de sucessão no Bioma Amazônia. Brasília: MMA, 2009. Disponível em: Disponível em: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0406-020209.PDF . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). As florestas nativas são concedidas para a exploração florestal, que deve seguir um documento denominado Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS). O plano de manejo divide a área da floresta em Unidades de Produção Anual (UPAs), que devem ser explorados no regime de rodízio, para permitir a recuperação da floresta após a extração das espécies com interesse comercial (Espada et al., 2016ESPADA, A. L. V. et al. Manejo florestal e exploração de impacto reduzido em florestas naturais de produção da Amazônia. Belém: Instituto Florestal Tropical, 2016.). O plano também estabelece a intensidade máxima de extração de madeira (em metros cúbicos por hectare - m³/ha) e define o tempo de retorno1 1 Tempo de espera entre dois ciclos de corte consecutivos em uma mesma Unidade de Produção Anual (UPA). a cada UPA. No manejo convencional, a intensidade máxima de exploração florestal é de 30 m³/ha e o tempo de retorno é de 25 a 35 anos, considerando um diâmetro mínimo de altura do peito das árvores de 50 cm.

Entretanto, há evidências de que os parâmetros constantes da regulamentação ambiental brasileira não permitem a recomposição total da biomassa florestal (Numazawa et al., 2017NUMAZAWA, C. T. D. et al. Logging residues and CO2 of Brazilian Amazon timber: two case studies of forest harvesting. Resources, Conservation and Recycling , v. 122, p. 280-285, 2017.). Neste caso, não se pode admitir que a madeira seja neutra em carbono, pois a parcela da floresta que não se recompõe contribui com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera (situação (a) representada na Figura 2).

O manejo sustentável2 2 “Manejo sustentável” é uma denominação dada pelos autores. de florestas nativas adota intensidades de exploração florestal menores do que o manejo convencional, inferior a 15 m³/ha, o que permite que a biomassa florestal se recomponha dentro do período de retorno de uma UPA (Mazzei et al., 2010MAZZEI, L. et al. Above-ground biomass dynamics after reduced-impact logging in the Eastern Amazon. Forest Ecology and Management , v. 259, n. 3, p. 367-373, 2010.; Numazawa et al., 2017NUMAZAWA, C. T. D. et al. Logging residues and CO2 of Brazilian Amazon timber: two case studies of forest harvesting. Resources, Conservation and Recycling , v. 122, p. 280-285, 2017.). Ademais, o manejo sustentável deve seguir boas práticas como: corte direcional da árvore; teste de oco; avaliação do rendimento; uso de técnica de corte específica para cada espécie; método de corte que amplie o aproveitamento do material conforme uso; planejamento, mapeamento e sinalização de trilhas de arraste das toras aos pátios com o uso de técnicas que causem menos danos à biomassa do entorno (Espada et al., 2016ESPADA, A. L. V. et al. Manejo florestal e exploração de impacto reduzido em florestas naturais de produção da Amazônia. Belém: Instituto Florestal Tropical, 2016.; Nogueira et al., 2011NOGUEIRA, M. M. et al. Manual Técnico 2 - IFT: manejo de florestas naturais da Amazônia corte, traçamento e segurança. Belém: Instituto Florestal Tropical , 2011. Disponível em: Disponível em: http://ift.org.br/wp-content/uploads/2015/05/Manejo-de-Florestas-Naturais_02.pdf . Acesso em: 14 abr. 2023.
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; Oliveira et al., 2022OLIVEIRA, C. G. et al. Relatório de coleta de dados para o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção: toras de madeira, madeira serrada bruta e madeira serrada aplainada. São Paulo: Sidac , 2022. ). Neste caso, pode-se admitir que a madeira seja neutra em carbono no que diz respeito ao balanço de carbono na floresta (situação (b) representada na Figura 2); ou seja, emite a mesma quantidade de carbono que absorve ao longo do tempo de exploração florestal de uma UPA.

Figura 2
Esquema ilustrativo referente ao balanço de carbono acima do solo para a madeira nativa de manejo

Este estudo foca no carbono acima do solo, referente à parte aérea da árvore (tronco e copa), que é extraída para a produção de madeira para a construção civil (uso efetivo do caule). O carbono abaixo do solo (raízes e matéria orgânica contida no solo) não foi considerado, pois sua quantificação é complexa, depende de variáveis não abordadas no escopo da pesquisa; e não há uma metodologia única consolidada para esta finalidade (Smith et al., 2019SMITH, P. et al. How to measure, report and verify soil carbon change to realize the potential of soil carbon sequestration for atmospheric greenhouse gas removal. Global Change Biology , v. 26, n. 1, p. 219-241, out. 2019.; Spawn et al., 2020SPAWN, S. A. et al. Harmonized global maps of above and belowground biomass carbon density in the year 2010. Scientific Data, v. 7, n. 112, 2020.). Entretanto, estimativas apontam que esta parcela representa de 35,9 a 70% do estoque de carbono das florestas (Dantas et al., 2020DANTAS, D. et al. Above and belowground carbon stock in a tropical forest in Brazil.Acta Scientiarum. Agronomy, v. 43, e48276, 2020.; Jones et al., 2019JONES, I. L. et al. Above- and belowground carbon stocks are decoupled in secondary tropical forests and are positively related to forest age and soil nutrients respectively. Science of the Total Environment, v. 697, 133987, 2019.; SISTEMA..., 2021SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES FLORESTAIS Serviço Florestal Brasileiro.. Estoque das Florestas - Carbono - Tabelas e Gráficos. 2021. Disponível em: Disponível em: https://snif.florestal.gov.br/pt-br/estoques-das-florestas/626-tabelas-e-graficos . Acesso em: 06 jul. 2023.
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). A intensidade de extração da madeira está diretamente relacionada aos estoques de carbono no solo, pois quanto maior a intensidade, menor o estoque disponível ao longo do tempo (Rozak et al., 2018ROZAK, A. H. et al. The imprint of logging on tropical forest carbon stocks: a bornean case-study. Forest Ecology and Management , v. 417, p. 154-166, 2018.). Quando há recuperação da biomassa florestal acima do solo, como acontece no manejo sustentável, os estoques de carbono abaixo do solo tendem a se recuperar (Camargo et al., 1999CAMARGO, P. B. de et al. Soilcarbondynamics in regrowingforestofeasternAmazonia. Global Change Biology, v. 5, p. 693-702, 1999.), ou até mesmo superar os estoques da floresta virgem. Por outro lado, os processos de desmatamento e queima aceleram a decomposição da matéria orgânica e, quando precedem mudança do uso do solo, em especial para finalidade agrícola, resultam em perda permanente dos estoques de carbono do solo (Damian et al., 2021DAMIAN, J. M. et al. Deforestation and land use change mediate soil carbon changes in the eastern Brazilian Amazon. Regional Environmental Change, v. 21, n. 3, 2021.; Durigan et al., 2017DURIGAN, M. et al. Soil organic matter responses to anthropogenic forest disturbance and land use change in the eastern Brazilian Amazon.Sustainability, v. 9, n. 379, 2017.; Rozak et al., 2018ROZAK, A. H. et al. The imprint of logging on tropical forest carbon stocks: a bornean case-study. Forest Ecology and Management , v. 417, p. 154-166, 2018.).

Método

A quantificação da pegada de CO2 dos produtos de madeira nativa está baseada no método de Avaliação do Desempenho Ambiental da Construção (ADAC) (Belizario-Silva, 2022BELIZARIO-SILVA, F. et al. Sistema de informação do desempenho ambiental da construção: metodologia. São Paulo: Sidac, 2022.). Trata-se de uma abordagem simplificada da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que quantifica os fluxos de massa e de energia que ocorrem nos processos que compõem o ciclo de vida de um determinado produto. Os fluxos inventariados podem ser fluxos elementares, que são originários de ou destinados à natureza diretamente (por exemplo, uma emissão atmosférica), ou fluxos de produto, que são originários de ou destinados a outros processos antrópicos (por exemplo, a energia elétrica). Estes fluxos são então convertidos em indicadores de desempenho ambiental, que são expressos em relação a uma unidade declarada de produto.

No presente estudo, o indicador analisado foi a pegada de CO2 (em kg) e a unidade declarada adotada para a madeira serrada é de 1 m³ a 16% de umidade; ou seja, o indicador é expresso em kg CO2/m³ de madeira serrada. Este indicador contabiliza as emissões de CO2 ao longo do ciclo de vida devidas à queima de combustíveis fósseis e à decomposição aeróbia da biomassa considerada não-renovável, ou seja, que não se recompõe (Belizario-Silva, 2022BELIZARIO-SILVA, F. et al. Sistema de informação do desempenho ambiental da construção: metodologia. São Paulo: Sidac, 2022.). Desse modo, a pegada de CO2 não considera as emissões de outros gases de efeito estufa (GEE), tais como o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), entre outros, que seriam necessários para calcular o potencial de aquecimento global (expresso em kg CO2 equivalente), conforme o modelo do IPCC (2021)INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. EFDB Emission Factor Database. 2021. Disponível em: Disponível em: https://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/EFDB/main.php . Acesso em: 07 jul. 2023.
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.

É importante esclarecer que o termo “pegada de carbono”, de acordo com a ISO 14.067 (ISO, 2018), se refere ao indicador de potencial de aquecimento global de um determinado produto; por isso, neste artigo adota-se o termo “pegada de CO2” ao invés de “pegada de carbono”. A opção por considerar apenas o CO2 se deve ao fato que este é o principal gás de efeito estufa (ISO, 2021) e a exploração florestal não contribui de forma significativa para as emissões globais de CH4 (Saunois et al., 2020SAUNOIS, M. et al. The Global Methane Budget 2000-2017. Earth System Science Data, v. 12, n. 3, p. 1561-1623, 2020.) e N2O (Tian et al., 2020TIAN, H. et al. A comprehensive quantification of global nitrous oxide sources and sinks. Nature , v. 586, p. 248-256, 2020.). Além disso, o CO2 pode ser quantificado por meio de fatores de emissão públicos, consolidados e com baixa incerteza, o que não ocorre para os outros GEEs (IPCC, 2021INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. EFDB Emission Factor Database. 2021. Disponível em: Disponível em: https://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/EFDB/main.php . Acesso em: 07 jul. 2023.
https://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/EFDB/m...
).

A fronteira do estudo é do “berço ao portão”, ou seja, desde a exploração florestal até o término do beneficiamento da madeira serrada bruta. Os seguintes dados de inventário foram levantados: consumos de recursos materiais, combustíveis e energia elétrica; transporte dos produtos entre etapas; processo produtivo e geração de resíduos de biomassa. Os dados de inventário foram obtidos a partir da revisão da literatura. Buscaram-se trabalhos que fornecessem dados genéricos nacionais que descrevessem processos de produção com diferentes tecnologias, fontes energéticas e níveis de eficiência. Os sistemas de produto analisados são apresentados nas Figuras 3, 4 e 5.

Os dados de inventário para os processos elementares de exploração florestal, transporte (estimativa da distância) e da serraria foram obtidos dos trabalhos apresentados no Quadro 1. O Sidac3 3 https://sidac.org.br/. (MINISTÉRIO...; CONSELHO..., 2022MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA; CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL. Sidac - Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção. Versão 1.0.0. São Paulo: MME; CBCS, 2022. Disponível em: Disponível em: https://sidac.org.br . Acesso em: 14 abr. 2023.
https://sidac.org.br...
) disponibiliza processos elementares de geração de energia elétrica e de operação dos veículos de transporte, para considerar as emissões de CO2 provenientes destes processos. Além disso, o Sidac dispõe de processos elementares de combustão de combustíveis fósseis (gasolina, diesel) e de decomposição de resíduos de biomassa, que automatizam o cálculo da emissão de CO2 destas fontes. O Sidac ainda diferencia a decomposição de resíduos de biomassa renováveis (que geram CO2 biogênico) e não renováveis (que geram CO2 de desmatamento, com efeito equivalente ao do CO2 fóssil).

Figura 3
Sistema de produto para a madeira nativa de extração seletiva convencional

Figura 4
Sistema de produto para a madeira nativa de manejo convencional

Figura 5
Sistema de produto para a madeira nativa de manejo sustentável

Quadro 1
Fonte dos dados genéricos de entrada no Sidac

Tais referências foram utilizadas para estimar os fluxos de inventário para os três sistemas de produto, sendo que a principal diferença está na consideração da origem da madeira: para a maneira sem manejo “ESC”, toda a biomassa é considerada como não renovável; para a madeira de manejo sustentável, toda a biomassa é considerada renovável (neutra em carbono); e para a madeira de manejo convencional, a biomassa foi considerada como 69% renovável e 31% não renovável, valores baseados na taxa de recuperação florestal considerada nos estudos de (Mazzei et al., 2010MAZZEI, L. et al. Above-ground biomass dynamics after reduced-impact logging in the Eastern Amazon. Forest Ecology and Management , v. 259, n. 3, p. 367-373, 2010.; Numazawa et al., 2017NUMAZAWA, C. T. D. et al. Logging residues and CO2 of Brazilian Amazon timber: two case studies of forest harvesting. Resources, Conservation and Recycling , v. 122, p. 280-285, 2017.).

A compilação dos inventários foi feita conforme as orientações estabelecidas no documento “Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção - Metodologia” (Belizario-Silva et al., 2022BELIZARIO-SILVA, F. et al. Sistema de informação do desempenho ambiental da construção: metodologia. São Paulo: Sidac, 2022.). Cada fluxo de inventário foi descrito por meio da quantidade média por unidade declarada de produto e do desvio padrão, de modo a representar a variação esperada daquele fluxo, considerando as diferentes referências bibliográficas consultadas. Os detalhes sobre o tratamento dos dados estão disponíveis no documento “Relatório de Coleta de Dados - Madeira” (Oliveira et al., 2022OLIVEIRA, C. G. et al. Relatório de coleta de dados para o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção: toras de madeira, madeira serrada bruta e madeira serrada aplainada. São Paulo: Sidac , 2022. ). O resumo dos fluxos inseridos no Sidac é apresentado nas tabelas 1 a 5 do Material Suplementar.

O cálculo da pegada de CO2 por metro cúbico de madeira foi feito utilizando-se o Sidac4 4 https://sidac.org.br/. (MINISTÉRIO...; CONSELHO..., 2022MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA; CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL. Sidac - Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção. Versão 1.0.0. São Paulo: MME; CBCS, 2022. Disponível em: Disponível em: https://sidac.org.br . Acesso em: 14 abr. 2023.
https://sidac.org.br...
). Os resultados são apresentados em faixas de valores (mínimo-máximo), que correspondem ao intervalo de confiança de 95% em torno do valor médio, considerando a propagação da variância dos fluxos de inventário feita pelo Sidac.

Além da pegada de CO2, apresenta-se o indicador de estoque temporário de carbono biogênico (C), que representa a massa de carbono estocada por unidade declarada de produto (kgC/m3) que contenha biomassa renovável em sua composição, que corresponde a 50% da massa seca de biomassa renovável (Rüter et al., 2019RÜTER, S. et al. 2019 Refinement to the 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories: agriculture, forestry and other land use. Genebra: IPCC, 2019. v. 4, cap. 12. Disponível em: Disponível em: https://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/public/2019rf/vol4.html . Acesso em: 14 abr. 2023.
https://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/public...
). No caso do manejo florestal convencional, em que parte da biomassa é considerada não renovável, alocou-se toda a biomassa renovável para a tora de madeira, de modo que este estoque é cumulativo nos processos subsequentes, ou seja, para madeira serrada bruta considera-se o volume de produto mais resíduos do processo.Os detalhes deste cálculo são apresentados no documento que descreve a metodologia do Sidac (MINISTÉRIO...; CONSELHO..., 2022MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA; CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL. Sidac - Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção. Versão 1.0.0. São Paulo: MME; CBCS, 2022. Disponível em: Disponível em: https://sidac.org.br . Acesso em: 14 abr. 2023.
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).

Resultados e discussão

Os inventários agregados, do berço ao portão, dos três tipos de madeira serrada bruta, tal qual modelados no Sidac, são apresentados na Tabela 1.

A pegada de CO2 da madeira serrada bruta varia entre 25 e 19.860 kgCO2/m3, de acordo com o método de exploração florestal, como mostra a Figura 6. A Figura 7 mostra quanto cada fonte emissora contribui, em média, para as emissões totais de CO2, do berço ao portão, para 1 m³ de madeira nativa serrada bruta.

Tabela 1
Inventários agregados, do berço ao portão, para produção de 1 m3 dos três tipos de madeira nativa serrada bruta

Figura 6
Pegada de CO2 para 1 m3 de madeira nativa serrada bruta, do berço ao portão, para os três tipos de exploração florestal. O eixo das emissões de CO2 é apresentado em escala logarítmica para melhor visualização

A baixa pegada de CO2 da madeira de manejo sustentável ocorre porque este tipo de exploração florestal permite considerar que a biomassa seja totalmente renovável (neutra em carbono), de modo que não se atribuem emissões de CO2 aos resíduos desta biomassa, mas apenas aos fluxos energéticos (combustíveis e eletricidade) envolvidos nos diversos processos de exploração florestal, beneficiamento e transporte da madeira. Neste caso, a principal fonte emissora é o transporte das toras até a serraria (33% das emissões em média), seguido pelo consumo de diesel em equipamentos utilizados na exploração florestal (28%) e na serraria (24%) (Figura 7).

Os valores intermediários de emissão para os produtos de manejo convencional se devem ao fato de que apenas parte desta biomassa érenovável (69%). Deste modo, 31% da biomassa que entra neste sistema de produto contribui para a pegada de CO2; entretanto, como os consumos são altos, resulta em uma emissão de CO2 entre 1,2 e 7,0 t CO2/m³ de madeira. Ou seja, as emissões correspondem a algo entre 1,5 e 8,5 vezes a massa de madeira bruta produzida, considerando uma densidade aparente aproximada para a madeira serrada seca ao ar de 820 kg/m³.

Os valores mais altos de emissão são atribuídos a madeiras de florestas sem manejo (ESC), pois considera-se que 100% da biomassa será não renovável (fonte de carbono). Para produtos com esta origem, considera-se que as emissões de CO2 provenientes dos resíduos como fósseis. Com isto, mais de 99% das emissões, resultantes do processo de obtenção da tora e do seu beneficiamento, são da decomposição da biomassa residual. Os resíduos da exploração florestal correspondem a 78% das emissões, enquanto os resíduos do beneficiamento das toras na serraria contribuem com 21%. As emissões totais variam entre 4,0 e 20 t CO2/m³ de madeira serrada, que correspondem a algo entre 4,8 e 24 vezes mais emissões do que a massa de madeira serrada produzida.

Figura 7
Composição média da pegada de CO2, do berço ao portão, para 1 m³ de madeira nativa serrada bruta, por fonte emissora

No que diz respeito à faixa de variação da pegada de CO2, os maiores valores estão relacionados aos mais baixos rendimentos em serrarias (18,7%), decorrentes de defeitos nas toras como achatamentos, rachaduras superficiais e excentricidades na medula (De Lima et al., 2020LIMA, A. L.; GONÇALVES, D.; PICHELLI, K. EMBRAPA. Manejo florestal por espécies na Amazônia é mais rentável e sustentável. 2020. Florestas e Silvicultura Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação - Gestão ambiental e territorial. Disponível em: Disponível em: https://www.embrapa.br . Acesso em: 30 jun. 2023.
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). Os menores valores de CO2 estão relacionadas a maiores rendimentos observados em serrarias (77,6%), com o uso de toras de menores diâmetros, o que estava associado a menor probabilidade de defeitos (Da Silva Luz et al., 2021DA SILVA LUZ, E. et al. Challenges of the lumber production in the Amazon region: relation between sustainability of sawmills, process yield and logs quality. Environment, Development and Sustainability, v. 23, n. 4, p. 4924-4948, 2021.). Embora os resíduos da serraria sejam considerados renováveis no caso do manejo convencional (pois todo o resíduo não renovável foi alocado à exploração florestal) e do manejo sustentável e, portanto, não sejam considerados como fonte de CO2, é importante maximizar o rendimento para reduzir o consumo de material, indicador que não foi objeto do presente estudo.

Ao comparar a pegada de CO2 dos três diferentes tipos de manejo florestal, percebe-se que a madeira de florestas sem manejo emite, em média, 2,9 vezes mais CO2 que a madeira de manejo convencional e 300 vezes mais do que a madeira nativa de manejo sustentável. Cabe observar que, caso a origem da madeira nativa seja desconhecida, deve-se considerar a possibilidade de que ela seja proveniente de extração seletiva convencional e, portanto, tenha alta pegada de CO2. A título de comparação, madeiras de manejo convencional e extração seletiva convencional apresentam emissão por m³ superiores às do concreto - um concreto de 30 MPa, por exemplo, tem emissão entre 228 e 339 kg CO2/m³5 5 A rigor, a comparação requer a consideração do equivalente funcional, que depende da aplicação dos produtos – por exemplo, para pilares, seria necessário considerar a resistência à compressão da madeira e do concreto. Entretanto, a comparação apresentada serve apenas para fins de ordem de grandeza das emissões específicas de diferentes materiais. (MINISTÉRIO...; CONSELHO..., 2022MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA; CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL. Sidac - Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção. Versão 1.0.0. São Paulo: MME; CBCS, 2022. Disponível em: Disponível em: https://sidac.org.br . Acesso em: 14 abr. 2023.
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).

Os resultados demonstram que conhecer a origem da madeira nativa é crucial para a sustentabilidade ambiental da construção e, consequentemente, para a definição da pegada de CO2 de edificações que contenham madeira nativa. A falta de rastreabilidade efetiva de parte da cadeia produtiva, devido à ilegalidade desta exploração, é ainda hoje um problema no Brasil (McDermott; Irland; Pacheco, 2015MCDERMOTT, C. L.; IRLAND, L. C.; PACHECO, P. Forest certification and legality initiatives in the Brazilian Amazon: lessons for effective and equitable forest governance. Forest Policy and Economics, v. 50, p. 134-142, 2015.; Pacheco et al., 2012PACHECO, P. et al. The recognition of forest rights in latinamerica: progress and shortcomings of forest tenure reforms. Society and Natural Resources, v. 25, n. 6, p. 556-571, 2012.; SARAIVA, 2020SARAIVA, A. S. A atuação de organizações criminosas na exploração ilegal de madeira como principal vetor do desmatamento da Amazônia. Manaus, 2020. 417 f. Tese (Doutorado em Doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2020.), dificultando o nível de clareza quanto à origem dos produtos de madeira por parte dos tomadores de decisão.

O estoque temporário de carbono biogênico da madeira serrada bruta é de 353 kgC/m3 para as madeiras de manejo sustentável e convencional, e igual a zero no caso da madeira de extração seletiva convencional (Figura 8). Os valores são iguais para ambos os manejos, pois considera-se que o volume de biomassa da tora é renovável, diferenciando-se apenas os resíduos, que são decompostos ainda na floresta e emitem CO2 biogênico ou de desmatamento, e a densidade aparente da madeira é a mesma.

Figura 8
Estoque de carbono em 1 m3 de madeira serrada bruta

Produtos de madeira de origem renovável podem ser considerados como estoques de carbono temporário e contribuem para o combate ao aquecimento global, sobretudo ao “imobilizar” o carbono em produtos de longa duração, como é o caso dos edifícios (Ganguly; Pierobon; Hall, 2020GANGULY, I.; PIEROBON, F.; HALL, E. S. Global warming mitigating role of wood products from Washington state’s private forests. Forests, v. 11, n. 2, p. 1-20, 2020.; Iordan et al., 2018IORDAN, C. M. et al. Contribution of forest wood products to negative emissions: Historical comparative analysis from 1960 to 2015 in Norway, Sweden and Finland. Carbon Balance and Management, v. 13, n. 1, p. 16, 2018.; Jørgensen; Hauschild; Nielsen, 2015JØRGENSEN, S. V.; HAUSCHILD, M. Z.; NIELSEN, P. H. The potential contribution to climate change mitigation from temporary carbon storage in biomaterials. International Journal of Life Cycle Assessment, v. 20, n. 4, p. 451-462, 2015.). Ou seja, conhecer a origem da madeira nativa é necessário não apenas para a pegada de CO2, mas também para a consideração do estoque temporário de carbono biogênico, uma vez que ambos os indicadores dependem diretamente da taxa de renovação da biomassa florestal.

Além disso, o uso de produtos de madeira nativa proveniente de manejo sustentável pode incentivar a manutenção da floresta “em pé”, uma vez que esta prática exige o monitoramento da biomassa por período determinado, mantendo os serviços florestais e o potencial de exploração econômica da área, em detrimento a outras possíveis atividades mais danosas ao meio ambiente (Ellis et al., 2019ELLIS, P. W. et al. Reduced-impact logging for climate change mitigation (RIL-C) can halve selective logging emissions from tropical forests. Forest Ecology and Management ,v. 438, p. 255-266, 2019.; Lima; Gonçalves; Pichelli, 2020LIMA, A. L.; GONÇALVES, D.; PICHELLI, K. EMBRAPA. Manejo florestal por espécies na Amazônia é mais rentável e sustentável. 2020. Florestas e Silvicultura Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação - Gestão ambiental e territorial. Disponível em: Disponível em: https://www.embrapa.br . Acesso em: 30 jun. 2023.
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; Sasaki et al., 2016SASAKI, N. et al. Sustainable management of tropical forests can reduce carbon emissions and stabilize timber production. Frontiers in Environmental Science , v. 4, n. 50, p. 1-13, 2016.). Ao receber uma concessão florestal, o responsável deve executar o plano de manejo aprovado e responder pelos distúrbios na floresta durante a vigência da concessão (Brasil, 2006BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Instrução Normativa 2, de 27 de junho de 2007. Altera dispositivos da instrução normativa no 5, de 11 de dezembro de 2006, e dá outras providências. Diário Oficial da União de 28 de Jun. de 200. Seção 1, Página 78. Disponível em: Disponível em: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/IN0002-270607.PDF . Acesso em: 14 abr. 2023.
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, 2009BRASIL. Resolução CONAMA n°406, de 2 de fevereiro de 2009. Estabelece parâmetros técnicos a serem adotados na elaboração, apresentação, avaliação técnica, e execução de Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS com fins madeireiros, para floresta nativas e suas formas de sucessão no Bioma Amazônia. Brasília: MMA, 2009. Disponível em: Disponível em: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0406-020209.PDF . Acesso em: 14 abr. 2023.
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). Por outro lado, quando não há manejo, ou uso econômico sustentado (atividades de extrativismo e.g.), a floresta fica mais suscetível a desmatamentos, invasões, grilagem, queimadas, entre outros (Arima et al., 2014ARIMA, E. Y. et al. Public policies can reduce tropical deforestation: lessons and challenges from Brazil. Land Use Policy, v. 41, p. 465-473, nov. 2014. ; Ometto; Aguiar; Martinelli, 2011OMETTO, J. P.; AGUIAR, A. P. D.; MARTINELLI, L. A. Amazon deforestation in Brazil: effects, drivers and challenges.Carbon Management, v. 2, n. 5, p. 575-585, 2011.; Van Solinge, 2010VAN SOLINGE, T. B. Deforestation Crimes and Conflicts in the Amazon.Critical Criminology, v. 18, n. 4, p. 263-277, 2010.).

A pegada de CO2 é uma forma objetiva de avaliar o desempenho ambiental da madeira, estimando o indicador de maior importância nesse processo produtivo, o CO2. Existem outros métodos para avaliação ambiental de produto, como as Declarações Ambientais de Produto e.g., baseadas em ACVs completas, que apresentam mais indicadores e impactos ambientais (Garcia et al.,2020GARCIA, R et al. Accounting for biogenic carbon and end-of-life allocation in life cycle assessment of multi-output wood cascade systems. Journal of Cleaner Production , v. 275, p. 122795, 2020.; INTERNATIONAL..., 2018INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 14067: greenhouse gases: Carbon footprint of products: requirements and guidelines for quantification. Genebra, 2018.; Tellneset al., 2017TELLNES, L. G. F. et al. Comparative assessment for biogenic carbon accounting methods in carbon footprint of products: a review study for construction materials based on forest products. Iforest - Biogeosciences and Forestry, v. 10, n. 5, p. 815-823, 2017. ).

Os resultados deste trabalho demonstram a viabilidade de calcular indicadores de desempenho ambiental de produtos de construção brasileiros, tais como a pegada de CO2 e o estoque temporário de carbono biogênico, para embasar decisões visando promover a sustentabilidade ambiental da construção civil. A pegada de CO2 poderia ser aplicada também para calcular indicadores de desempenho ambiental de outros biomateriais (Göswein et al., 2022GÖSWEIN V. et al. Barriers and opportunities of fast-growing biobased material use in buildings. Buildings and Cities, v. 3, n. 1, p. 745-755, 2022.). Entretanto, uma das limitações do método adotado é a não consideração do fluxo de carbono abaixo do solo, o que poderia exacerbar a diferença da pegada de CO2 dos diferentes modos de exploração florestal, sendo este um aprimoramento previsto em pesquisas subsequentes.

Conclusões

A pegada de CO2 da madeira nativa serrada bruta varia entre 25 e 19.860 kgCO2/m3, a depender do tipo de extração florestal. Além disso, apenas as madeiras de manejo funcionam como estoque temporário de carbono biogênico, com um estoque de 353 kgC/m3 de madeira serrada bruta seca ao ar. Os resultados consideram as emissões desde a exploração florestal até o término do beneficiamento na serraria e apenas os fluxos de carbono acima do solo. Indica-se, para futuros trabalhos, que equitativamente se contabilize a variação do estoque de carbono abaixo do solo, tornando mais completa a análise da pegada de CO2 dos produtos de madeira nativa destinados à construção. No entanto, ressalta-se a importância da adoção de uma metodologia estruturada e transparente que permita o cálculo das emissões de CO2 abaixo do solo de modo inteligível, condizente com a realidade e facilmente reprodutível.

A exploração florestal é a fase em que mais contribui para a pegada de CO2 da madeira nativa proveniente de extração seletiva convencional e de manejo convencional, devido à alta produção de resíduos (2,44 m3 resíduos/m3 tora) resultantes da retirada de galhos e folhas e da destruição da biomassa florestal para abertura de vias de acesso e pátios de armazenagem. No caso da extração seletiva convencional, como esta não propicia a recuperação da biomassa destruída, todo resíduo, queimado ou decomposto, é contabilizado como emissão. Já no caso do manejo convencional, a intensidade de exploração atualmente preconizada pela legislação ambiental brasileira permite apenas a recomposição parcial da biomassa florestal, sendo que a parcela não recomposta atua como fonte emissora de CO2.

Garantir a rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva e incentivar o uso de madeira de manejo sustentável, com exploração de baixa intensidade (menor que 15 m3/ha), tem o potencial de reduzir quase na totalidade a pegada de CO2 da madeira nativa. Isto porque toda a biomassa florestal suprimida se recupera dentro do período entre ciclos de cortes, fazendo com que o balanço de carbono ao longo do ciclo de vida do produto seja igual a zero (nulo). Além disso, a madeira nativa proveniente de manejo sustentável aumenta o estoque temporário de carbono na biomassa renovável contida em produtos de construção. Ademais, o manejo sustentável colabora com a manutenção dos serviços ambientais prestados pela floresta, preservando a biodiversidade e evitando ações ilegais de invasão, queimadas e desmatamento pela exploração comercial sustentável da floresta.

Este estudo mostra a importância de conhecer a origem da madeira nativa para a pegada de CO2 de produtos de madeira. Espera-se que estes resultados contribuam para que a cadeia de valor da construção civil exija a rastreabilidade efetiva da madeira nativa e solicite informações sobre o desempenho ambiental de produtos à base de madeira, para tomar decisões conscientes e fomentar e fortalecer as boas práticas de manejo de florestas nativas no Brasil destinadas à produção de madeira para a construção civil.

Agradecimentos

À União Europeia e ao Ministério Alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMU) e à Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), pelo financiamento do desenvolvimento do Sidac. As bolsas fornecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) processo no. 436997/2018-5 e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - 001.

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  • 1
    Tempo de espera entre dois ciclos de corte consecutivos em uma mesma Unidade de Produção Anual (UPA).
  • 2
    “Manejo sustentável” é uma denominação dada pelos autores.
  • 3
    https://sidac.org.br/.
  • 4
    https://sidac.org.br/.
  • 5
    A rigor, a comparação requer a consideração do equivalente funcional, que depende da aplicação dos produtos – por exemplo, para pilares, seria necessário considerar a resistência à compressão da madeira e do concreto. Entretanto, a comparação apresentada serve apenas para fins de ordem de grandeza das emissões específicas de diferentes materiais.

Editado por

Editora de seção:

Edna Possan

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Jan 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    17 Abr 2023
  • Aceito
    07 Ago 2023
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