Ensino da Língua Brasileira de Sinais durante a graduação em Medicina: a percepção dos futuros médicos

Alana Santos Rios Oliveira Carolyne Vieira de Oliveira Rodrigo Francisco de Jesus Luiz Fernando Quintanilha Katia de Miranda Avena Sobre os autores

RESUMO

Objetivo

Avaliar a percepção dos estudantes de Medicina em relação à oferta da disciplina Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante a sua formação acadêmica.

Métodos

Estudo transversal, descritivo e analítico, incluindo estudantes de Medicina da cidade de Salvador, Bahia, maiores de 18 anos. Aplicou-se um questionário virtual, semiestruturado, contendo aspectos sociodemográficos, acadêmicos e sobre a Libras (comunicação, aprendizado, importância na formação médica e oferta curricular).

Resultados

Dos 240 estudantes avaliados, 82,9% não sabe se comunicar através de Libras, entretanto 95,8% acreditam que a disciplina é necessária no currículo médico. Quanto à oferta curricular, os estudantes consideram que esta deveria ser obrigatória (55,2%) e na modalidade presencial (75,7%). Os principais motivos para não cursar a disciplina foram por esta ser optativa (41,7%) e por falta de tempo (33,3%). Identificou-se que as mulheres dão mais importância a esta formação (p=0,0013) e essa percepção independe de idade, natureza administrativa da instituição e ciclo acadêmico em curso.

Conclusão

Os estudantes de Medicina têm uma percepção favorável ao ensino de Libras na educação médica. Entretanto, a maioria desses estudantes não cursou a disciplina em seus percursos acadêmicos e acredita ser desafiador o atendimento a este público.

Palavras-chave:
Pessoas com deficiência auditiva; Educação médica; Estudantes de medicina; Atendimento médico; Línguas de sinais

ABSTRACT

Purpose

To assess the perception of medical students regarding the discipline Brazilian Sign Language (Libras) during their academic training.

Methods

Cross-sectional, descriptive and analytical study, including medical students from the city of Salvador, Bahia, over 18 years old. A virtual, semi-structured questionnaire was applied, containing sociodemographic, academic and Libras (communication, learning, importance in medical training and curriculum offer) aspects.

Results

Of the 240 students evaluated, 82.9% do not know how to communicate through Libras, however 95.8% believe that the discipline is necessary in the medical curriculum. As for the curricular offer, students consider that it should be mandatory (55.2%) and in the face-to-face modality (75.7%). The main reasons for not taking the course were because it was optional (41.7%) and lack of time (33.3%). It was identified that women give more importance to this training (p=0.0013) and this perception is independent of age, administrative nature of the institution and ongoing academic cycle.

Conclusion

Medical students have a favorable perception of the teaching of Libras in medical education. However, most of these students did not attend the discipline in their academic careers and believe that serving this public is challenging.

Keywords:
People with hearing impairment; Medical education; Medical students; Medical care; Sign language

INTRODUÇÃO

Estima-se que, no Brasil, existem em torno de 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, dentre as quais 2,3 milhões possuem déficit severo(11 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2010 - Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE; 2010.,22 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Ciclos de Vida: Brasil e Grandes Regiões. Rio de Janeiro: IBGE; 2015.). Apesar desse número expressivo, essa parcela da população enfrenta sérios problemas de acesso à saúde, devido ao constrangimento no atendimento e à dificuldade de compreensão por parte das equipes de saúde(33 Oliveira YCA, Celino SDM, Costa GMC. Comunicação como ferramenta essencial para assistência à saúde dos surdos. Physis. 2015;25(1):307-20. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312015000100017.
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312015...
,44 Richardson KJ. Deaf culture: competencies and best practices. Nurse Pract. 2014;39(5):20-8, quiz 28-9. http://dx.doi.org/10.1097/01.NPR.0000445956.21045.c4. PMid:24681696.
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). Assim, o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras), modalidade de comunicação gestual-visual, pode possibilitar melhores condições de vida, trabalho, educação e saúde para os indivíduos surdos(33 Oliveira YCA, Celino SDM, Costa GMC. Comunicação como ferramenta essencial para assistência à saúde dos surdos. Physis. 2015;25(1):307-20. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312015000100017.
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).

Para minimizar a dificuldade de comunicação entre o profissional de saúde e o paciente surdo, em 2005 foi sancionado o Decreto 5.626, que regulamenta a Lei nº 10.436, reconhecendo oficialmente a Libras como meio legal de comunicação e expressão, além de determinar a sua obrigatoriedade nos cursos de educação profissional e superior(55 Brasil. Portaria Normativa no 20, de 21 de dezembro de 2017. Dispõe sobre os procedimentos e o padrão decisório dos processos de credenciamento, recredenciamento, autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores, bem como seus aditam [Internet]. Diário Oficial da União [Internet]; Brasília; 2018 [citado em 2022 Jun 20]. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/39380053/do1-2018-09-03-portaria-normativa-n-20-de-21-de-dezembro-de-2017--39379833
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_pu...
).

Apesar disso, ainda se notam inconformidades na comunicação entre médicos e pacientes surdos, refletindo em um possível prejuízo na qualidade do atendimento(66 Castro SS, Paiva KM, César CLG. Dificuldades na comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e profissionais de saúde: uma questão de saúde pública. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(2):128-34. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200005.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012...
,77 Kung MS, Lozano A, Covas VJ, Rivera-González L, Hernández-Blanco YY, Diaz-Algorri Y, et al. Assessing Medical Students’ Knowledge of the Deaf Culture and Community in Puerto Rico: a descriptive study. J Med Educ Curric Dev. 2021;8:1-5. http://dx.doi.org/10.1177/2382120521992326. PMid:33614968.
http://dx.doi.org/10.1177/23821205219923...
). Nesse contexto, na ausência de capacitação dos profissionais de saúde, as pessoas surdas tornam-se dependentes da disponibilidade de intérpretes e familiares para proporcionar condições mínimas de atendimento(88 Dias AR, Coutinho CR, Gaspar DR, Moeller L, Mamede M. Libras na formação médica: possibilidade de quebra da barreira comunicativa e melhora na relação médico-paciente surdo. Rev Med (São Paulo). 2017;96(4):209. http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v96i4p209-214.
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). O curso de Medicina deve, portanto, formar um profissional que promova a equidade no cuidado adequado e eficiente das pessoas surdas(99 Brasil. Resolução no 3, de 20 de Junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial da União [Internet]; Brasília; 2014 [citado em 2022 Jun 20]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pnsp/legislacao/resolucoes/rces003_14.pdf/view
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-...
). A capacitação para o atendimento desses pacientes previne a violação dos seus direitos e proporciona o pleno conhecimento do seu diagnóstico e do tratamento que está sendo prescrito(66 Castro SS, Paiva KM, César CLG. Dificuldades na comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e profissionais de saúde: uma questão de saúde pública. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(2):128-34. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200005.
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).

Por conseguinte, para a formação de futuros médicos alinhados com esse contexto social, é preconizado que, dentre os conteúdos curriculares dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação em Medicina, haja uma abordagem de temas transversais que envolvam conhecimentos, vivências e reflexões sistematizadas sobre os direitos humanos e de pessoas com deficiência e o ensino de Libras(99 Brasil. Resolução no 3, de 20 de Junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial da União [Internet]; Brasília; 2014 [citado em 2022 Jun 20]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pnsp/legislacao/resolucoes/rces003_14.pdf/view
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-...
). Entretanto, a oferta desses conteúdos de forma optativa ou com menor importância pode ser um fator limitante, dificultando a acessibilidade de pacientes surdos aos serviços de saúde.

Diante desse cenário, é perceptível a necessidade da utilização de metodologias diversas para ampla aprendizagem dos estudantes de Medicina, contemplando estratégias para a comunicação clara e sucinta com todos os pacientes, ultrapassando limites de problemas funcionais de linguagem. Frente ao exposto, esse estudo se propôs a avaliar a percepção dos estudantes de Medicina em relação à disciplina Libras, durante a sua formação acadêmica.

MÉTODOS

Desenho de estudo

Foi realizado um estudo transversal, de caráter descritivo e analítico, com estudantes de Medicina regularmente matriculados em instituições de ensino superior (IES) da cidade de Salvador, Bahia. A amostra do estudo foi estimada em 237 estudantes, considerando uma população total de 6.360 estudantes, confiabilidade de 95% e margem de erro de 5%.

Coleta de dados

Os possíveis respondentes foram convidados a participar da pesquisa por meio do método snowball, técnica de amostragem não probabilística a partir de referências de uma mesma categoria(1010 Costa BRL. Bola de neve virtual: o uso das redes sociais virtuais no processo de coleta de dados de uma pesquisa científica. Rev Interdiscip Gestão Soc. 2018;7(1):15-37.).

Os primeiros participantes eram membros do Grupo de Pesquisa em Educação em Saúde (GPEDUCS), os quais recrutaram novos respondentes entre seus grupos em aplicativos de mensagens, constituídos por estudantes de Medicina da cidade de Salvador, Bahia. A partir desses grupos, outros estudantes foram convidados a participar do estudo, respondendo a dois instrumentos de avaliação: questionário estruturado, preparado especificamente para a pesquisa, contendo aspectos sociodemográficos (gênero e idade) e acadêmicos (natureza administrativa da IES [pública ou privada] e ciclo acadêmico em curso); questionário semiestruturado, adaptado de Dias et al.(88 Dias AR, Coutinho CR, Gaspar DR, Moeller L, Mamede M. Libras na formação médica: possibilidade de quebra da barreira comunicativa e melhora na relação médico-paciente surdo. Rev Med (São Paulo). 2017;96(4):209. http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v96i4p209-214.
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), contemplando nove questões quantitativas sobre a comunicação com surdos através da Libras, o aprendizado da Libras e a importância desse conhecimento para a formação médica. Além disso, os estudantes puderam atribuir nota, em uma escala de 0 a 10, para a importância da comunicação médica por Libras, sendo solicitado, de forma qualitativa, uma justificativa que fundamentasse a nota atribuída.

Os instrumentos de avaliação foram validados internamente no GPEDUCS, objetivando eliminar ambiguidades e verificar o alcance dos objetivos propostos.

Análise de dados

Os dados foram tabulados no Programa Excel e analisados pelo Programa GraphPad Prism 8.0. Para os dados categóricos, foram utilizados os testes Qui-quadrado ou Exato de Fisher. Para os dados contínuos, foram realizados testes de comparação t-Student ou análises de variância (ANOVA). Consideraram-se valores de p<0,05 como estatisticamente significativos.

Para a análise qualitativa, as respostas foram organizadas considerando os conceitos-chave identificados(88 Dias AR, Coutinho CR, Gaspar DR, Moeller L, Mamede M. Libras na formação médica: possibilidade de quebra da barreira comunicativa e melhora na relação médico-paciente surdo. Rev Med (São Paulo). 2017;96(4):209. http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v96i4p209-214.
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). A partir destes, foram criados três agrupamentos: Grupo 1 – composto por estudantes que consideravam ser importante e essencial saber Libras (termos empregados: inclusão, vínculo, adequada relação médico-paciente, comunicação eficiente, atendimento universal); Grupo 2 – composto por estudantes que consideravam ser importante, mas não essencial saber Libras (termos empregados: comunicação viável sem a Libras, surdez considerada como uma situação rara, utilização de meios de comunicação alternativos) e Grupo 3 – composto por estudantes que não consideravam ser importante saber Libras (termos empregados: irrelevante, surdez considerada como uma situação rara, utilização de meios de comunicação alternativos, poucos médicos capacitados são suficientes)(88 Dias AR, Coutinho CR, Gaspar DR, Moeller L, Mamede M. Libras na formação médica: possibilidade de quebra da barreira comunicativa e melhora na relação médico-paciente surdo. Rev Med (São Paulo). 2017;96(4):209. http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v96i4p209-214.
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).

Aspectos éticos

O presente trabalho está em consonância com as Resoluções 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia (CAAE 39399320.1.0000.5032). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Foram avaliadas as percepções de 240 estudantes de Medicina regularmente matriculados em IES da cidade de Salvador, Bahia. Dentre eles, 68,8% eram do gênero feminino, com média de idade de 23,9+9,2 anos, predominantemente matriculados em IES privadas (91,7%), distribuídos entre o ciclo clínico (52,1%), básico (36,6%) e internato (11,3%) (Tabela 1).

Tabela 1
Perfil dos estudantes de Medicina (n=240)

Observou-se que, apesar de 95,8% dos estudantes acreditarem parcial ou totalmente que a oferta da disciplina Libras é necessária no currículo médico, a maioria (82,9%) não sabia se comunicar por meio de Libras. Além disso, grande parte dos respondentes desconhecia a oferta da disciplina Libras na grade curricular e, dentre aqueles que detinham esse conhecimento, apenas 15,5% já a haviam cursado. Dos 230 participantes que responderam acreditar (parcial ou totalmente) na necessidade de oferta dessa disciplina, 55,2% assinalaram preferir a oferta como obrigatória e 75,7%, na modalidade presencial (Tabela 2).

Tabela 2
Percepção dos estudantes de Medicina em relação à disciplina Língua Brasileira de Sinais

Identificou-se que, dentre os indivíduos que cursaram a disciplina de Libras, a percepção em relação ao ensino foi definida como “básica” (63,6%) (Tabela 2). Dentre as outras respostas obtidas, constaram-se frases relacionadas a falta de direcionamento para a prática médica, podendo-se citar: “Muito bom, porém pouco focado na prática médica” e “Aprendemos a comunicação básica em Libras, porém ainda insuficiente ao atendimento médico”. Em relação aos estudantes que não cursaram a disciplina, a maioria (41,7%) assinalou o fato de ser optativa como motivo, seguido por falta de tempo (33,3%) (Tabela 2).

Foi solicitado aos estudantes que atribuíssem uma nota, em uma escala de 0 a 10, para a importância da comunicação médica com pacientes surdos através da Libras, sendo a média global verificada de 9,2+1,4 pontos. Dentre as justificativas que fundamentaram a nota alcançada, podem ser citadas frases como: “São pacientes como todos os outros. Se não temos uma boa conexão, nosso diagnóstico e conduta podem ser prejudicados e assim podemos não ajudar da melhor maneira nosso paciente” e “Os surdos fazem parte de uma parcela significativa da sociedade, então se um médico não sabe se comunicar, uma parcela significativa não terá um atendimento ideal. Tentar escrever pode não ser efetivo, pois muitos surdos não são alfabetizados no português. Utilizar intérprete também é problemático pois a presença deles não é disseminada nos locais de atendimento, então o ideal seria o médico ter a capacidade de atender em Libras.”

Ainda nesta análise, identificou-se que estudantes do gênero feminino (Figura 1A; p=0,0013) dão mais importância à disciplina de Libras e essa percepção independeu da idade (Figura 1B; p=0,3188), natureza administrativa da instituição de ensino (Figura 1C; p=0,3721) e ciclo acadêmico em curso (Figura 1D; p=0,1068).

Figura 1
Percepções sobre a importância da disciplina Libras durante a formação acadêmica, de acordo com gênero (A), idade (B), natureza administrativa da instituição de ensino (C) e ciclo acadêmico (D)

Para os participantes que afirmaram ter habilidade de comunicação com pessoas surdas por meio de Libras, a maioria respondeu que aprendeu a língua de sinais por necessidade de comunicação (39,0%), pela presença da disciplina na escola/faculdade (22,0%), por interesse/curiosidade (19,5%), ou por conta de conhecidos/familiares (19,5%). Em relação ao local de aprendizado, 51,2% cursaram em colégio/cursos, 31,7% na faculdade/universidade e 9,8% aprenderam por meio de parentes/conhecidos (Tabela 3).

Tabela 3
Percepção dos estudantes de Medicina em relação ao conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais

Todos os respondentes foram questionados sobre o que fariam ao atender um paciente que utilizasse apenas a Libras como meio de comunicação. A maioria informou que “pediria ajuda a um familiar/intérprete” (44,8%), seguido por “escreveria/desenharia e/ou faria mímica” (38,9%) e “falaria lentamente para que o paciente fizesse leitura labial” (10,6%). Por fim, 5,7% relataram que utilizariam outros métodos, entre eles, o uso de aplicativos no celular para facilitar a comunicação (Tabela 3).

DISCUSSÃO

O presente estudo avaliou a percepção dos estudantes de Medicina sobre a oferta da disciplina Libras durante a sua formação acadêmica. Foi demonstrado que a grande maioria dos entrevistados não se comunica adequadamente com pessoas surdas.

Essa realidade, que não é exclusiva dos estudantes, configura-se como um desafio global(77 Kung MS, Lozano A, Covas VJ, Rivera-González L, Hernández-Blanco YY, Diaz-Algorri Y, et al. Assessing Medical Students’ Knowledge of the Deaf Culture and Community in Puerto Rico: a descriptive study. J Med Educ Curric Dev. 2021;8:1-5. http://dx.doi.org/10.1177/2382120521992326. PMid:33614968.
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) e vem sendo demonstrada em diversos estudos que analisaram a percepção de médicos e de pacientes surdos(1111 Araújo AM, Cotta BSS, Souza ACCR, Oliveira AP, Lages KS. A dificuldade no atendimento médico às pessoas surdas. Rev Interdiscip Ciencias Medicas. 2019;3(1):3-9.

12 Mazzu-Nascimento T, Melo DG, Evangelista DN, Silva TV, Afonso MG, Cabello J, et al. Fragilidade na formação dos profissionais de saúde quanto à Língua Brasileira de Sinais: reflexo na atenção à saúde dos surdos. Audiol Commun Res. 2020;25:e2361. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2020-2361.
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-1313 Ramos TS, Almeida MAPT. A importância do ensino de Libras: relevância para profissionais de saúde. Rev Multidiscip e Psicol. 2017;10(33):116-26.). No intuito de minimizar esse déficit, países como França, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e Japão vêm disponibilizando o acesso a intérpretes de línguas de sinais por meio de serviços on-line ou remotos(1414 Smeijers AS, Ens-Dokkum MH, van den Bogaerde B, Oudesluys-Murphy AM. Availability of specialised healthcare facilities for deaf and hard of hearing individuals. Int J Ment Heal Deaf. 2018;4(1):14-27.). Apesar de essa estratégia possibilitar a melhora na relação terapêutica médico-paciente, seu uso traz desafios, como a falta de interação pessoal, a má interpretação das preocupações ou capacidade de resposta do paciente durante uma emergência(44 Richardson KJ. Deaf culture: competencies and best practices. Nurse Pract. 2014;39(5):20-8, quiz 28-9. http://dx.doi.org/10.1097/01.NPR.0000445956.21045.c4. PMid:24681696.
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), o que confirma a importância do aprendizado de Libras pelos profissionais de saúde.

Quando se avaliam essas percepções em relação à comunicação na atenção básica à saúde, nota-se que a falta de uma adequada comunicação entre os surdos e os profissionais de saúde produz um impacto negativo no atendimento. Esse aspecto foi demonstrado em um estudo que avaliou o atendimento médico a pacientes surdos, evidenciando que, para grande maioria desses pacientes, o médico demonstrou pouco ou nenhum domínio da Libras durante a consulta. Além disso, todos os pacientes afirmaram que os médicos não se empenharam em tentar comunicar-se utilizando a língua de sinais(1111 Araújo AM, Cotta BSS, Souza ACCR, Oliveira AP, Lages KS. A dificuldade no atendimento médico às pessoas surdas. Rev Interdiscip Ciencias Medicas. 2019;3(1):3-9.).

Ainda nesse âmbito, e evidenciando o déficit de formação médica, é documentado que a presença do acompanhante auxilia no processo de comunicação com o médico. Na ausência da figura do acompanhante, os pacientes relatam que a queixa de saúde por eles apresentada não é compreendida pelo médico, bem como não há claro entendimento quanto ao diagnóstico, procedimentos realizados e recomendações/tratamentos propostos(1111 Araújo AM, Cotta BSS, Souza ACCR, Oliveira AP, Lages KS. A dificuldade no atendimento médico às pessoas surdas. Rev Interdiscip Ciencias Medicas. 2019;3(1):3-9.). Esses dados revelam o impacto que a falta da comunicação pode causar na saúde dos indivíduos surdos, ratificando a percebida importância do aprendizado da Libras pelos futuros médicos avaliados neste estudo.

Igualmente, o presente estudo demonstrou que, para a grande maioria dos estudantes entrevistados, a oferta da disciplina Libras no currículo médico é necessária, tendo em vista que a comunicação é uma ferramenta importante na prática médica e atua de forma a incluir socialmente a comunidade surda. Consoante a essa percepção, a oferta de um minicurso proporcionando saberes que permitiam estabelecer adequadas relações entre médico e paciente surdo mostrou-se eficiente no despertar do desejo de ampliar os conhecimentos sobre a Libras, contribuindo para minimizar a desinformação provocada pelas barreiras linguística e cultural existentes(1515 Levino DA, Souza EB, Cardoso PC, Silva AC, Carvalho AETM. Libras na graduação médica: o despertar para uma nova língua. Rev Bras Educ Med. 2013;37(2):291-7. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022013000200018.
http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022013...
).

Apesar de identificar a importância do conhecimento sobre Libras, apenas uma quantidade inexpressiva dos entrevistados cursou a disciplina e, dentre eles, houve uma percepção majoritariamente desfavorável em relação à qualidade da aprendizagem. Essas percepções suscitam a necessidade da implantação de métodos inovadores de ensino, que admitam práticas críticas e reflexivas para o currículo médico, ultrapassando os limites do treinamento puramente técnico da linguagem(1616 Santos HV, Dosea GS, Andrade ME. Importância da utilização das metodologias ativas no ensino da libras para profissionais da saúde. Encontro Int Formação Profr e Fórum Perm Inovação Educ. 2018;11(1):1-10.). Nesse sentido, a utilização de estratégias pedagógicas, como a aprendizagem baseada em problemas e as simulações de atendimento a pessoas surdas, poderia permitir que o estudante percebesse e compreendesse a importância da temática e, desta forma, mais motivado, fosse continuamente treinado para reduzir as dificuldades de aprendizagem em Libras e aprimorar sua atuação no contexto prático(1717 Mourão AB. Uma proposta da eficiência do uso da metodologia ativa baseada em problemas, utilizando Dojo de programação, aplicada na disciplina de lógica de programação. An do XXIII Work Informática na Esc. 2017;1:667-76. http://dx.doi.org/10.5753/cbie.wie.2017.667.
http://dx.doi.org/10.5753/cbie.wie.2017....
).

Sustenta-se a ideia de que as escolas médicas não deveriam formar profissionais que desconhecessem as necessidades de saúde das pessoas, as formas de comunicação não verbal e os riscos que essas lacunas podem promover(1818 Costa LSM, Silva NCZ. Desenvolvendo atitudes, conhecimentos e habilidades dos estudantes de medicina na atenção em saúde de pessoas surdas. Interface Commun Heal Educ. 2012;16(43):1107-18. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832012005000051.
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). Entretanto, nota-se que as Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Medicina(99 Brasil. Resolução no 3, de 20 de Junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial da União [Internet]; Brasília; 2014 [citado em 2022 Jun 20]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pnsp/legislacao/resolucoes/rces003_14.pdf/view
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-...
) não dispõem de orientações detalhadas quanto aos objetivos, conteúdos, metodologia e carga horária da disciplina Libras, ficando a cargo de cada instituição de ensino tal organização(1212 Mazzu-Nascimento T, Melo DG, Evangelista DN, Silva TV, Afonso MG, Cabello J, et al. Fragilidade na formação dos profissionais de saúde quanto à Língua Brasileira de Sinais: reflexo na atenção à saúde dos surdos. Audiol Commun Res. 2020;25:e2361. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2020-2361.
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). Sendo assim, a falta de direcionamento, associada a esses problemas relacionados à aprendizagem da Libras, contribui para um possível ensino superficial da disciplina e para a baixa adesão dos estudantes, ilustrado, aqui, pelo extenso desconhecimento da oferta da disciplina e pela baixa porcentagem de estudantes que já a haviam cursado.

Atualmente, o perfil dos profissionais aptos ao ensino de Libras no ensino superior indica para a formação de nível médio ou superior, com certificação de proficiência em Libras(1919 Santos AN, Klein M. Disciplina de libras: o que as pesquisas acadêmicas dizem sobre a sua inserção no ensino superior? Reflexão e Ação. 2015;23(3):9.). Entretanto, essas formações e titulações exigidas não garantem a capacitação para o ensino no contexto médico(1919 Santos AN, Klein M. Disciplina de libras: o que as pesquisas acadêmicas dizem sobre a sua inserção no ensino superior? Reflexão e Ação. 2015;23(3):9.). Sendo assim, é importante que se reflita sobre a adoção de estratégias de ensino-aprendizagem, para que a disciplina seja conduzida com foco no alcance das principais competências exigidas de um profissional de saúde comprometido com o atendimento de pessoas surdas.

Se, por um lado, o ensino é relatado como deficiente e passível de melhorias, por outro lado, talvez ainda haja falta de engajamento discente em relação à aprendizagem. Isso ficou explícito no presente estudo, em que foi demonstrado que a maioria dos estudantes de Medicina não cursou a disciplina Libras por ser optativa ou por, simplesmente, não saber da sua oferta. De maneira geral, essa formação parece não atrair a atenção dos estudantes que se preocupam apenas com as disciplinas obrigatórias para a conclusão de seus respectivos cursos(2020 Souza MT, Porrozzi R. Ensino de Libras para os profissionais de saúde: uma necessidade premente. Rev Práxis. 2009;1(2):43-6.).

Soma-se a esse fato a limitada carga horária designada ao ensino da Libras nas IES brasileiras. Uma análise de 2.293 cursos da área da saúde demonstrou que 60,5% deles ofertam a disciplina com carga horária de até 40 horas, 39,0%, entre 41 e 80 horas e apenas 0,5% destinam mais de 80 horas para o ensino de Libras(1212 Mazzu-Nascimento T, Melo DG, Evangelista DN, Silva TV, Afonso MG, Cabello J, et al. Fragilidade na formação dos profissionais de saúde quanto à Língua Brasileira de Sinais: reflexo na atenção à saúde dos surdos. Audiol Commun Res. 2020;25:e2361. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2020-2361.
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). Portanto, a forma com que a disciplina é lecionada, somada à baixa carga horária, pode contribuir para a formação deficitária dos futuros médicos em relação à comunicação eficiente com os pacientes surdos.

Embora seja inegável o avanço da legislação e do movimento em prol da inclusão social, a dificuldade dos serviços de saúde em proporcionar atendimento adequado ao indivíduo surdo ainda é uma realidade. Nota-se que a pessoa surda é privada de seus direitos à medida que sua primeira língua é negligenciada, gerando desistência da procura por serviços de saúde por falta de intérpretes ou indivíduos que possam intermediar a comunicação eficiente com o profissional(2121 Nascimento GB, Fortes LO, Kessler TM. Estratégias de comunicação como dispositivo para o atendimento humanizado em saúde da pessoa surda. Saúde (Santa Maria). 2015;41(2):241-50. http://dx.doi.org/10.5902/2236583415121.
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). Este cenário, possivelmente, não irá se modificar profundamente nos próximos anos, em virtude da majoritária ausência de Libras na formação acadêmica e do deficiente desenvolvimento de competências e habilidades essenciais ao cuidado à saúde da pessoa surda(1313 Ramos TS, Almeida MAPT. A importância do ensino de Libras: relevância para profissionais de saúde. Rev Multidiscip e Psicol. 2017;10(33):116-26.,1616 Santos HV, Dosea GS, Andrade ME. Importância da utilização das metodologias ativas no ensino da libras para profissionais da saúde. Encontro Int Formação Profr e Fórum Perm Inovação Educ. 2018;11(1):1-10.,2222 Bernardo LA, Tholl AD, Nitschke RG, Viegas SMF, Schoeller SD, Bellaguarda MLR, et al. Potências e limites no cotidiano da formação acadêmica no cuidado à saúde da pessoa surda. Esc Anna Nery. 2021;25(3):1-8. http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2020-0341.
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).

Consolidando essa reflexão, ainda é importante salientar que o método de comunicação preferencial para o paciente deve ser verificado no início da consulta(2323 Grote H, Izagaren F, O’Brien V. How to communicate with patients who are D/deaf or have hearing loss. BMJ. 2021;373(1382):n1382. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.n1382. PMid:34108190.
http://dx.doi.org/10.1136/bmj.n1382...
). Devem ser respeitadas as preferências do paciente, que podem estar associadas à leitura labial, à linguagem escrita, ao auxílio de intérpretes ou de dispositivos auxiliares para tradução simultânea da língua de sinais(2323 Grote H, Izagaren F, O’Brien V. How to communicate with patients who are D/deaf or have hearing loss. BMJ. 2021;373(1382):n1382. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.n1382. PMid:34108190.
http://dx.doi.org/10.1136/bmj.n1382...
,2424 Agaronnik N, Campbell EG, Ressalam J, Iezzoni LI. Communicating with Patients with Disability: Perspectives of Practicing Physicians. J Gen Intern Med. 2019;34(7):1139-45. http://dx.doi.org/10.1007/s11606-019-04911-0. PMid:30887435.
http://dx.doi.org/10.1007/s11606-019-049...
), escolhas estas que também sofrem interferência do nível de alfabetização dessa população(2525 Hommes RE, Borash AI, Hartwig K, DeGracia D. American Sign Language Interpreters Perceptions of Barriers to Healthcare Communication in Deaf and Hard of Hearing Patients. J Community Health. 2018;43(5):956-61. http://dx.doi.org/10.1007/s10900-018-0511-3. PMid:29696596.
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). Nesse sentido, é possível que, de fato, a garantia de uma comunicação eficaz seja um problema maior ao aqui relatado, o que reforça a importância de um adequado preparo dos médicos para atender às diversas necessidades de comunicação de seus pacientes.

Esta pesquisa teve como potencial limitação o fato de os dados terem sido analisados a partir do prisma das percepções dos estudantes, sem, efetivamente, avaliarem-se as metodologias empregadas no ensino da Libras, nem a qualidade da formação para o atendimento ao paciente surdo. Esse fato pode direcionar para o desenvolvimento de estudos longitudinais, assim como ampliar a discussão e debate sobre o tema. Por outro lado, apesar da regionalidade da amostra, observou-se que o perfil dos respondentes esteve de acordo com o atual panorama sociodemográfico dos estudantes de Medicina no país, que demonstra um recente fenômeno de feminização do corpo discente e a privatização do ensino médico(2626 Rego RM, Marques NA, Monteiro PC, Oliveira CLB, Lins NAA, Caldas CAM. O perfil atual do estudante de Medicina e sua repercussão na vivência do curso. Pará Res Med J. 2018;2(1-4):5. http://dx.doi.org/10.4322/prmj.2018.005.
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,2727 Martins MA, Silveira PSP, Silvestre D. Estudantes de medicina e médicos no Brasil: números atuais e projeções. São Paulo: USP; 2013.). Além disso, obteve-se uma amostra representativa de cinco diferentes instituições de ensino da capital de um dos estados com maior representatividade em vagas em cursos médicos no Brasil, fato que reforça a ideia de que os resultados aqui reportados podem ser extrapolados em âmbito nacional.

CONCLUSÃO

Os estudantes de Medicina, especialmente as mulheres, têm uma percepção favorável ao ensino da disciplina Libras na educação médica, considerando-a importante na matriz curricular. Paradoxalmente, a maioria desses estudantes refere não saber se comunicar por meio de Libras e não ter cursado a disciplina em seus percursos acadêmicos. Além disso, os estudantes relatam uma percepção desfavorável quanto a sua formação para assistência à saúde dos pacientes surdos. Levando-se em consideração as necessidades de saúde dessa parcela expressiva da população, espera-se que este estudo desperte a reflexão dos principais atores da educação médica sobre a formação em Libras para, assim, contribuir para uma relação médico-paciente mais humanizada e eficaz.

  • Trabalho realizado no Curso de Medicina, Centro Universitário de Tecnologia e Ciências – UNIFTC – Salvador (BA), Brasil.
  • Financiamento: Nada a declarar.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jun 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    26 Jan 2022
  • Aceito
    27 Abr 2022
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