Accessibility / Report Error

ENTOMOPATÓGENOS ASSOCIADOS A LAGARTAS DE BOMBYX MORI L. (LEPIDOPTERA: BOMBYCIDAE) NO ESTADO DO PARANÁ

ENTOMOPATHOGENS ASSOCIATED TO BOMBYX MORICATERPILLARS L. (LEPIDOPTERA: BOMBYCIDAE) IN THE STATE OF PARANÁ, BRAZIL

RESUMO

O Estado do Paraná é o maior produtor sericícola brasileiro. A atividade é explorada em aproximadamente 200 municípios, envolvendo cerca de 7.000 produtores rurais. Durante o estágio de lagarta, o bicho-da-seda (Bombyx mori L.) é susceptível a doenças causadas por vírus, fungos e bactérias. Estas doenças podem gerar sérios danos na produção de casulos e, conseqüentemente, prejuízos para o produtor. Com o objetivo de se verificar os entomopatógenos associados a lagartas de B. mori no Estado do Paraná, foi desenvolvido o presente trabalho nas principais regiões produtoras, no período de novembro de 2002 a abril de 2003. Para tanto, lagartas suspeitas de infecção, vivas e/ou mortas foram coletadas diretamente dos barracões de criação das empresas sericícolas. O material coletado foi armazenado em frascos plásticos identificados e colocado em caixas térmico. No laboratório, as lagartas foram processadas utilizando-se metodologias específicas de acordo com o patógeno suspeito. Após o isolamento foram identificados os entomopatógenos Baculovírus (31,4%), Beauveriabassiana (Bals.) Vuill. (5,3%) e Bacillus thuringiensis Berliner (2,2%).

PALAVRAS-CHAVE
Bicho-da-seda; Baculovírus; Bacillus thuringiensis ; Beauveria bassiana

ABSTRACT

The state of Paraná exceeds all other Brazilian states in terms of silk production. Approximately 7,000 agricultural producers engage in this activity, in about 200 counties. During the caterpillar stage, silkworms (Bombyx mori L.) are susceptible to a number of diseases caused by viruses, fungi, and bacteria. These diseases seriously impact cocoon production, and consequently result in losses for producers. To study the entomopathogens associated to B. mori caterpillars in the state of Paraná, the present study was carried out at the main producing regions from November 2002 to April 2003. Live and/or dead caterpillars suspected of infection were collected directly from the rearing huts of silk-producing companies. The collected material was stored in plastic containers, properly identified and placed in cooler boxes. In the laboratory, the caterpillars were processed by specific methodologies according to the suspected pathogen. After isolation, the entomopathogens Baculovirus (31.4%), Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. (5.3%) and Bacillus thuringiensis Berliner (2.2%) were identified.

KEY WORDS
Silkworm; Baculovirus; Bacillus thuringiensis ; Beauveria bassiana

O Paraná é considerado um dos principais estados brasileiros na produção de casulos do bicho-daseda (Bombyx mori L.), sendo uma atividade explorada em aproximadamente 200 municípios, envolvendo cerca de 7.000 produtores rurais (EMATER, 2006EMATER. Dados da produção de casulos verdes. 2006. Disponível em: <http://www.pr.gov.br/seab/camaras_setoriais/seda/seda_pdf/dados.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2006.
http://www.pr.gov.br/seab/camaras_setori...
). A produção estáconcentrada, sobretudo, nas pequenas propriedades rurais, onde predomina o trabalho familiar, representando uma alternativa importante de renda para milhares de pessoas (CORRADELO, 1987CORRADELO, E.F.A. Bicho-da-seda e Amoreira da folha ao fio a trama de um segredo milenar. São Paulo: Ícone, 1987. 101p., WATANABE et al., 2000WATANABE, J.K.; YAMAOKA, R.S.; BARONI, S.A. Cadeia produtiva da seda: diagnósticos e demandas atuais. Londrina: IAPAR, 2000. 129p., BRANCALHÃO, 2002BRANCALHÃO, R.M.C. Vírus Entomopatogênicos no bichoda-seda. Biotecnologia: Ciência e Desenvolvimento, v.24, p.54-58, 2002.).

A qualidade dos fios de seda está diretamente relacionada à qualidade dos casulos, pois estes são a matéria-prima da produção, de forma que o desafio da sericicultura é a busca do aumento da produtividade e a melhoria da qualidade do casulo (CORRADELO, 1987CORRADELO, E.F.A. Bicho-da-seda e Amoreira da folha ao fio a trama de um segredo milenar. São Paulo: Ícone, 1987. 101p.). Dentre os problemas associados à sericicultura e que afetam diretamente a qualidade dos fios, são os entomopatógenos, em especial os vírus, que têm posição de destaque (AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p.). Os Baculovírus estão entre os entomopatógenos mais importantes e mais estudados no Brasil quanto ao seu modo de ação, pois infectam os vários tecidos do bicho-da-seda e são facilmente disseminados pela hemolinfa, fezes e regurgito da lagarta quando esta se encontra infectada (BRANCALHÃO, 2002BRANCALHÃO, R.M.C. Vírus Entomopatogênicos no bichoda-seda. Biotecnologia: Ciência e Desenvolvimento, v.24, p.54-58, 2002., BRANCALHÃO; RIBEIRO, 2003BRANCALHÃO, R.M.C.; RIBEIRO, L.F.C. Citopatologia da infecção causada por BmNPV no tegumento deBombyx mori L., 1758 (Lepidoptera: Bombycidae). Arquivos de Ciência Veterinária e Zoologia, v.6, p.15-20, 2003.). Este vírus é facilmente difundido nos barracões de criação devido à sua própria natureza e à falta de cuidados e acompanhamento da criação por parte dos produtores (AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p., FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p., HANADA; WATANABE, 1986HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p.).

Além das infecções virais, o bicho-da-seda também é suscetível a fungos e bactérias (FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p.), sendo este um problema antigo, pois há cerca de 4.000 anos na China e no Egito, assim como na Grécia, as doenças que acometem as lagartas já eram conhecidas. Posteriormente, no século XIX, recebeu também a atenção de Louis Pasteur (ALVES, 1998ALVES, S.B. Patologia e controle microbiano. In: _____. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p. 21-37., HABIB; ANDRADE, 1998HABIB, M.E.M & ANDRADE, C.F.S. Bactérias entomopatogênicas. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p.383-446.).

Dentre as bactérias que causam doenças no bichoda-seda, destaca-se Bacillus thuringiensis Berliner que, apesar da baixa incidência, deve ser controlado, pois seus esporos e cristais são disseminados amplamente nas chocadeiras das indústrias sericícolas, infectando os insetos oralmente (AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p., HANADA; WATANABE, 1986HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p., SENGUPTA et al., 1990SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm. Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p.).

Com relação aos fungos entomopatogênicos, os mais freqüentes que infectam B. mori são Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. e Metarhizium anisopliae(Metsch.) Sorok., respectivos causadores das doenças calcinose e calcinose preta, assim denominadas, pois as lagartas doentes se mumificam, “calcificando-se”(AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p., SENGUPTA et al., 1990SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm. Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p.). Os fungos, por atuarem via contato, exigem certas condições ambientais para germinar sobre o inseto, como temperatura próxima de 25° C e umidade relativa próxima de 70% (ALVES, 1998ALVES, S.B & LECUONA, R.E. Epizootiologia aplicada ao controle microbiano de insetos. In: ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p.97-169.). Tais condições são encontradas nas criações, o que aumenta a probabilidade de contágio e favorece a reprodução e disseminação dos patógenos.

Embora presentes nos barracões de criação, há poucos registros na literatura que tratem da incidência destes entomopatógenos no Brasil. Assim, este trabalho foi realizado com o objetivo de se identificar os entomopatógenos que infectam as lagartas do bicho-da-seda nas principais regiões produtoras do Estado do Paraná, bem como acompanhar sua incidência ao longo do período de criação do bicho-da-seda no estado, compreendido entre novembro de 2002 a abril de 2003.

Para isto, lagartas com suspeita de infecção foram coletadas em 139 barracões de criação de bicho-daseda, previamente selecionados por técnicos da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e localizados nas principais regiões produtoras do Estado do Paraná (Noroeste, Norte/Nordeste, Oeste/Sudoeste e Centro-Sul), no período de novembro de 2002 a abril de 2003. Os insetos foram individualizados em frascos plásticos identificados e armazenados em freezer (-10º C) e levados ao laboratório onde foram processados e analisados, segundo técnicas específicas para cada entomopatógeno, conforme ALVES et al. (1998a)ALVES, S.B.; ALMEIDA, J.E.M.; MOINO JUNIOR, A.; ALVES, L.F.A. Técnicas de laboratório. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998a. p.637-711.. O número de lagartas coletado em cada região foi variável, sendo que na região Norte/Nordeste coletaram-se 97, na região Noroeste 273 e apenas 7 na região Oeste/Sudoeste, sendo cada um considerada uma repetição.

As lagartas mortas com suspeita de infecção viral foram maceradas em água destilada e, posteriormente, filtradas em algodão. O filtrado foi observado a fresco, em microscópio óptico e, quando necessário, foi submetido à coloração pela técnica de Azan modificado (HAMM, 1966HAMM, J.J. A modified Azan staining technique for inclusion body viruses. Journal of Invertebrate pathology, v.8, p.125-126, 1966.), específica para corpos de oclusão poliédricos (ALVES et al., 1998ALVES, S.B & LECUONA, R.E. Epizootiologia aplicada ao controle microbiano de insetos. In: ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p.97-169.b).

Quando a presença destes foi confirmada, o material foi centrifugado e armazenado a -10° C. Além disso, a patogenicidade do vírus foi confirmada com a inoculação em lagartas sadias, seguindo os Postulados de Koch (ALVES et al., 1998aALVES, S.B.; ALMEIDA, J.E.M.; MOINO JUNIOR, A.; ALVES, L.F.A. Técnicas de laboratório. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998a. p.637-711.).

As lagartas com sintomas de infecção bacteriana foram dissecadas, e pequenas porções foram retiradas do seu corpo e submetidas aos procedimentos padrões para isolamento de bactérias do gênero Bacillus (TRAVERS et al., 1987TRAVERS, R.S.; MARTIN, P.A.W.; REICHELFER, C.F. Selectiveprocess for efficiente isolation of soil Bacillus spp. Appied. Environmental Microbiology, v.53, p.1263-1266, 1987.). As colônias obtidas no meio de cultura Ágar-Nutriente que apresentaram morfologia típica de B. thuringiensis, segundo descrição de SOSA-GÓMEZ et al. (1998)SOSA-GÓMEZ, D.R., TIGANO, M.S.; ARANTES, O.M.N. Caracterização de entomopatógenos. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p.731-763., foram amostradas e preparadas lâminas para serem observadas a fresco em microscópio de luz, e também submetidas à coloração de SMIRNOFF (1962)SMIRNOFF, W.A. A staining method for differentiating spores, crystals, and cells of Bacillus thuringiensis (Berliner). Journal of Insect Pathology, v.4, p.384-386, 1962.. O material identificado foi encaminhado para a coleção de entomopatógenos do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde se encontra armazenado.

As lagartas que apresentaram sintomas de infecção por fungo foram desinfectadas externamente com imersão em álcool 70% e em água destilada, e colocadas em câmara úmida e incubadas a 26 ± 1º C e fotofase de 14 horas, durante 3 a 5 dias de forma a permitir a conidiogênese e confirmar o agente causal de mortalidade. Em seguida, os fungos foram isolados utilizando-se meio de cultura para isolamento de fungos aveia-dodine (ALVES et al., 1998aALVES, S.B.; ALMEIDA, J.E.M.; MOINO JUNIOR, A.; ALVES, L.F.A. Técnicas de laboratório. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998a. p.637-711.). Os fungos obtidos foram identificados em microscópio de luz, com a coloração de Azul de Lactofenol, para confirmar a espécie, utilizando chaves de identificação (ALVES et al., 1998bALVES, S.B.; FERRAZ, L.C.C.B.; CASTELLO BRANCO JUNIOR, A. Chaves para a identificação de patógenos de insetos. In ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos. Piracicaba, FEALQ: 1998b. p.1039-1074.). Após a identificação, aqueles reconhecidos como espécies entomopatogênicas foram encaminhados para o banco de entomopatógenos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná para armazenamento.

Verificou-se que o Baculovírus foi o entomopatógeno mais freqüente, estando presente em 31,4% das amostras analisadas e concentrado na região Noroeste (19%), seguida pela região Norte/Nordeste (8,8%). Da mesma forma, verificou-se na região Noroeste do estado a maior presença de fungos entomopatogênicos (4,6%), sendo identificado apenas B. bassiana (Tabela 1).

Tabela 1
Entomopatógenos associados a lagartas de B. mori e respectivos percentuais, nas principais regiões produtoras de casulos-de-seda do Estado do Paraná, no período de criação de novembro de 2002 a abril de 2003.

Por outro lado, B. thuringiensis foi o entomopatógeno de menor ocorrência e se concentrou nas regiões Norte/Nordeste e Noroeste, sendo encontrado em somente 2,2% das amostras.

A ocorrência de Baculovírus foi considerada elevada, que pode estar relacionada à natureza epizoótica dos vírus deste grupo, cuja principal característica é a facilidade de transmissão horizontal e dispersão no ambiente. Tal fenômeno tem, como fatores agravantes, a elevada suscetibilidade do inseto a este entomopatógeno, a falta de monitoramento da criação pelo produtor e manejo inadequado, com limpeza e desinfecção inadequadas, tanto nos barracões como utensílios (FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p., SENGUPTA et al., 1990SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm. Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p.).

Embora sejam citadas diversas doenças infectando lagartas de B. mori, as doenças virais são consideradas as mais importantes, em especial as causadas por Baculovírus, e são um problema em todas as regiões sericícolas do mundo, representando a maior causa de perda de produção (FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p., HANADA; WATANABE, 1986HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p., SENGUPTA et al., 1990SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm. Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p., WATANABE et al., 2000WATANABE, J.K.; YAMAOKA, R.S.; BARONI, S.A. Cadeia produtiva da seda: diagnósticos e demandas atuais. Londrina: IAPAR, 2000. 129p., BRANCALHÃO, 2002BRANCALHÃO, R.M.C. Vírus Entomopatogênicos no bichoda-seda. Biotecnologia: Ciência e Desenvolvimento, v.24, p.54-58, 2002.).

A incidência de B. thuringiensis foi baixa em todas as regiões, corroborando informações de AMARAL; ALVES (1979)AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p., HANADA; WATANABE (1986)HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p. e SENGUPTA et al. (1990)SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm. Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p.. Apesar deste entomopatógeno também contaminar os insetos exclusivamente por via oral, ao contrário das lagartas infectadas com Baculovírus, estas não liberam a hemolinfa contendo cristais e esporos da bactéria, não se caracterizando como um entomopatógeno epizoótico, reduzindo a disseminação no ambiente (ALVES; LECUONA, 1998ALVES, S.B. Fungos entomopatogênicos. In: _____. (Ed.). Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p. 289-381.).

Quanto à incidência de entomopatógenos ao longo do ano, foi possível observar que os meses de novembro e dezembro de 2002 tiveram uma alta incidência de vírus (7,5% e 17,7%, respectivamente), sendo que em dezembro também ocorreu a maior incidência de bactérias (1,1%). No mês de janeiro de 2003, foi registrada uma alta ocorrência de fungos (4,5%), enquanto a incidência de vírus foi baixa, quando comparada com os demais meses (Tabela 2). Segundo HANADA; WATANABE (1986)HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p., o verão é a época favorável para a disseminação do Nucleopolyhedrovirus, e pode-se observar que a maior incidência do vírus se deu entre novembro e dezembro de 2002, e, posteriormente, voltou a ter uma freqüência maior no mês de março. Este segundo pico provavelmente esteve associado com mudanças bruscas na temperatura comuns nessa época do ano, o que provoca estresse nas lagartas, favorecendo a incidência do vírus (AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p., FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p., HANADA; WATANABE, 1986HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p.).

Tabela 2
Porcentagem de lagartas de B. mori mortas por entomopatógenos ao longo do período de criação de 2002/ 2003.

Com relação aos fungos entomopatogênicos, ALVES (1998)ALVES, S.B & LECUONA, R.E. Epizootiologia aplicada ao controle microbiano de insetos. In: ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos. Piracicaba: FEALQ, 1998. p.97-169. afirma que são favorecidos por temperaturas na faixa de 25-30o C, sendo que, durante o verão, a temperatura encontra-se nesta faixa na região estudada, explicando a maior incidência deste entomopatógeno.

Comparando-se a incidência de entomopatógenos observada nas diferentes regiões, verificou-se que a região Noroeste se destacou, apresentando 24,7% das lagartas da mortalidade confirmada por algum dos entomopatógenos avaliados, seguida da região Norte/Nordeste que apresentou 10,6% de infecção nas lagartas coletadas. Tais valores podem estar associados ao fato de serem as principais regiões produtoras de casulos verdes do Paraná, concentrando grande número de galpões, além de apresentarem condições adequadas para a ocorrência de entomopatógenos (temperatura média acima de a 25º Ce U.R. média próxima de 70%, no período de produção do bicho-da-seda), com destaque para a região Noroeste, onde foram encontradas mais lagartas com sintomas de infecção (273 indivíduos)

Para evitar e controlar a maioria destas doenças e medidas preventivas são preconizadas incluem a desinfestação e desinfecção dos barracões a cada nova criação. Em locais muito úmidos, que favorecem a ocorrência de fungos, recomenda-se o tratamento de cal formalizada sobre os sirgos, deixando os leitos mais secos. E, para prevenir contra possíveis viroses, recomenda-se que a temperatura seja mantida o mais constante possível e que a alimentação seja adequada e em horários fixos, para que a lagarta não sofra com o estresse (AMARAL; ALVES, 1979AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis. Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p.).

Além disso, a reutilização da matéria orgânica proveniente dos barracões de criação para adubação das amoreiras é de grande importância e, para que não seja um fator disseminante de entomopatógenos, recomenda-se a sua compostagem. Com isso, a maioria dos microrganismos existentes são inativados com alta temperatura e mudança de pH, diminuindo riscos de doenças nas produções (FONSECA; FONSECA, 1986FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda. São Paulo: Nobel, 1986. 120p., HANADA; WATANABE, 1986HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda. Maringá: Cocamar, 1986. 224p., WATANABE et al., 2000WATANABE, J.K.; YAMAOKA, R.S.; BARONI, S.A. Cadeia produtiva da seda: diagnósticos e demandas atuais. Londrina: IAPAR, 2000. 129p.).

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq/Plano Sul de Pesquisa e Pós-Graduação pela concessão da bolsa de iniciação cientifica à primeira autora e à Fundação Araucária pelo auxílio para o desenvolvimento desta pesquisa.

REFERÊNCIAS

  • ALVES, S.B. Patologia e controle microbiano. In: _____. (Ed.). Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998. p. 21-37.
  • ALVES, S.B. Fungos entomopatogênicos. In: _____. (Ed.). Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998. p. 289-381.
  • ALVES, S.B & LECUONA, R.E. Epizootiologia aplicada ao controle microbiano de insetos. In: ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998. p.97-169.
  • ALVES, S.B.; ALMEIDA, J.E.M.; MOINO JUNIOR, A.; ALVES, L.F.A. Técnicas de laboratório. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998a. p.637-711.
  • ALVES, S.B.; FERRAZ, L.C.C.B.; CASTELLO BRANCO JUNIOR, A. Chaves para a identificação de patógenos de insetos. In ALVES, S.B. (Ed.), Controle microbiano de insetos Piracicaba, FEALQ: 1998b. p.1039-1074.
  • AMARAL, E. & ALVES, S.B. Insetos úteis Piracicaba: Livroceres, 1979. 188p.
  • BRANCALHÃO, R.M.C. Vírus Entomopatogênicos no bichoda-seda. Biotecnologia: Ciência e Desenvolvimento, v.24, p.54-58, 2002.
  • BRANCALHÃO, R.M.C.; RIBEIRO, L.F.C. Citopatologia da infecção causada por BmNPV no tegumento deBombyx mori L., 1758 (Lepidoptera: Bombycidae). Arquivos de Ciência Veterinária e Zoologia, v.6, p.15-20, 2003.
  • CORRADELO, E.F.A. Bicho-da-seda e Amoreira da folha ao fio a trama de um segredo milenar São Paulo: Ícone, 1987. 101p.
  • EMATER. Dados da produção de casulos verdes. 2006. Disponível em: <http://www.pr.gov.br/seab/camaras_setoriais/seda/seda_pdf/dados.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2006.
    » http://www.pr.gov.br/seab/camaras_setoriais/seda/seda_pdf/dados.pdf
  • FONSECA, A.S. FONSECA, T.C. Cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda São Paulo: Nobel, 1986. 120p.
  • HABIB, M.E.M & ANDRADE, C.F.S. Bactérias entomopatogênicas. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998. p.383-446.
  • HAMM, J.J. A modified Azan staining technique for inclusion body viruses. Journal of Invertebrate pathology, v.8, p.125-126, 1966.
  • HANADA, Y.; WATANABE, J.K. Manual de criação do bicho-daseda Maringá: Cocamar, 1986. 224p.
  • SENGUPTA, K.; KUMAR, P.; BAIG, M.; GOVINDAIA, H. Handbook on Pest and Disease Control of Mulberry and Silkworm Bangkok: UNESCAP, 1990. 88p.
  • SMIRNOFF, W.A. A staining method for differentiating spores, crystals, and cells of Bacillus thuringiensis (Berliner). Journal of Insect Pathology, v.4, p.384-386, 1962.
  • SOSA-GÓMEZ, D.R., TIGANO, M.S.; ARANTES, O.M.N. Caracterização de entomopatógenos. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos Piracicaba: FEALQ, 1998. p.731-763.
  • TRAVERS, R.S.; MARTIN, P.A.W.; REICHELFER, C.F. Selectiveprocess for efficiente isolation of soil Bacillus spp. Appied. Environmental Microbiology, v.53, p.1263-1266, 1987.
  • WATANABE, J.K.; YAMAOKA, R.S.; BARONI, S.A. Cadeia produtiva da seda: diagnósticos e demandas atuais. Londrina: IAPAR, 2000. 129p.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2022
  • Data do Fascículo
    Oct-Dec 2007

Histórico

  • Recebido
    24 Ago 2006
  • Aceito
    06 Nov 2007
Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br