Resumo
A internacionalização, nas últimas décadas, tem sido objeto de atenção na Educação Superior, em destaque a Pós-Graduação, visto ser indicador necessário a padrões de excelência na pesquisa. Assim, a internacionalização está presente no processo de avaliação tanto da Graduação quanto da Pós-Graduação. Este artigo objetiva mapear as ações de internacionalização relatadas por programas de nota 7, que alcançaram o patamar de excelência nas avaliações dos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, focando nas ações de internacionalização, conforme os parâmetros propostos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para tanto, faz uso da abordagem qualitativa com análise dos relatórios disponibilizados na plataforma Sucupira. Os resultados evidenciam que os três programas que mantiveram a excelência 7 nos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, não só contemplam os critérios de avaliação da Capes no que se refere à internacionalização, mas também evidenciam que o financiamento é fundamental para que a internacionalização se consolide e aconteça. Destaca-se, neste quadriênio, o Capes-Print, conquistado pelos três programas analisados.
Palavras-chave:
avaliação; internacionalização; Pós-Graduação.
Abstract
Internationalization has been a focus of attention in Higher Education in recent decades, particularly in Postgraduate studies, as it is a necessary indicator of excellence in research standards. Thus, internationalization is present in the evaluation process of both undergraduate and postgraduate programs. This article aims to map the internationalization actions reported by programs with a grade of 7, which achieved excellence in the evaluations of the four-year periods 2017-2020 and 2021-2024, focusing on internationalization actions according to the parameters proposed by the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (Capes). To this end, it uses a qualitative approach with an analysis of the reports available on the Sucupira platform. The results show that the three programs that maintained a grade of 7 excellence in the four-year periods 2017-2020 and 2021-2024 not only meet the Capes evaluation criteria regarding internationalization but also demonstrate that funding is fundamental for internationalization to consolidate and occur. Highlighting the CapesPrInt grant achieved by the three programs analyzed in this four-year period.
Keywords:
evaluation; internationalization; postgraduate studies.
Resumen
La internacionalización ha sido un tema central en la Educación Superior en las últimas décadas, especialmente en los estudios de posgrado, al ser un indicador necesario de excelencia en los estándares de investigación. Por lo tanto, la internacionalización está presente en el proceso de evaluación tanto de los programas de pregrado como de posgrado. Este artículo tiene como objetivo mapear las acciones de internacionalización reportadas por los programas con calificación 7, que lograron la excelencia en las evaluaciones de los cuatrienales 2017-2020 y 2021-2024, centrándose en las acciones de internacionalización según los parámetros propuestos por la Coordinación de Perfeccionamiento del Personal de Educación Superior (Capes). Para ello, se utiliza un enfoque cualitativo con análisis de los informes disponibles en la plataforma Sucupira. Los resultados muestran que los tres programas que mantuvieron una calificación de excelencia de 7 en los períodos de cuatro años 20172020 y 2021-2024 no solo cumplen con los criterios de evaluación de Capes en materia de internacionalización, sino que también demuestran que la financiación es fundamental para que la internacionalización se consolide y se produzca. Si destaca en particular la subvención Capes-PrInt, obtenida por los tres programas analizados.
Palabras clave:
estudios de posgrado; evaluación; internacionalización.
1 INTRODUÇÃO
O processo de internacionalização nos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação está definido no documento denominado Diretrizes comuns da Avaliação de Permanência dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (Capes, 2025). Nele, a Diretoria de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) apresenta a forma e o conteúdo que orientam o olhar avaliativo dos Programas organizados em três quesitos. O primeiro corresponde ao programa, o segundo à formação e produção intelectual e o terceiro aos impactos advindos do alcance e potencial desse programa. Com base nessas orientações governamentais, cada instituição de ensino, de acordo com sua realidade, direciona os seus programas sob a perspectiva de um plano estratégico pautado na sua autoavaliação. Na direção da internacionalização, os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu planejam suas ações com base nos resultados autoavaliativos, a fim de alcançar visibilidade internacional, oferecer oportunidades profissionais e acadêmicas aos pós-graduandos e buscar excelência na formação dos estudantes nesse grau de ensino.
O objetivo desta pesquisa é mapear as ações de internacionalização relatadas por Programas de nota 7 que alcançaram o patamar de excelência nas avaliações dos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, focando na forma e no conteúdo propostos para a internacionalização, conforme os parâmetros recomendados pela Capes. Nessa linha, analisaremos os relatórios desses programas disponíveis na plataforma Sucupira, mantendo a identidade de cada um preservada. Para tanto, elegemos a metodologia de abordagem qualitativa com objetivo descritivo, do tipo documental, posto que procuraremos mapear as ações de internacionalização relatadas por programas de nota 7 que alcançaram o patamar de excelência nas avaliações nos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, podendo, assim, contribuir com os programas que estão sistematizando suas ações de internacionalização em seu planejamento estratégico e de autoavaliação. Com esse propósito, este artigo está estruturado nos seguintes tópicos: Avaliação na Pós-Graduação Brasileira, Metodologia e Resultados e Discussão, seguindo com as Considerações Finais e as Referências Bibliográfica consultadas.
2 AVALIAÇÃO NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA
A Educação Superior, segundo Altbach (2009), é considerada, na maioria dos países, um bem público, proporcionando benefícios à sociedade, como na economia, na redução das desigualdades, na sustentabilidade, na preservação ambiental, entre outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2023). Tais objetivos tornam cada vez maior a Responsabilidade Social (RS) desse grau de ensino. A RS, segundo Felicetti, Morosini e Campbell (2026, p. 5), “[...] é muito mais que ações de filantropia ou modismos efêmeros; a RS deve caracterizar-se por ações baseadas em diagnósticos de modo a melhor interatuar com as necessidades da sociedade”. Nesse sentido, as instituições de Educação Superior necessitam ser altamente qualificadas no ensino que proporcionam e nas pesquisas que desenvolvem, deixando explícitas as relações que mantêm com a sociedade.
As instituições de Educação Superior brasileiras são regidas por leis governamentais que estabelecem mecanismos e procedimentos norteadores tanto na proposição quanto na avaliação de acompanhamento de desempenho de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu. As diretrizes postas para esse grau de ensino orientam a estrutura, a organização e o funcionamento dos Programas, a formação e a produção intelectual e o impacto causado na sociedade acadêmica, científica e social por ele. Tais orientações estão delineadas em um documento denominado “Documento de Área”, em que cada área de conhecimento, conforme categorizada pela Capes, norteia a avaliação.
Pautadas nesse documento de área e no Plano Nacional da Pós-Graduação, atual (2025-2029), as instituições constituem os Programas e são avaliadas também por eles com base em uma ficha de avaliação que consolida as orientações estabelecidas nos referidos documentos, apontando indicadores e critérios que os Programas devem seguir para relatar, explicar, justificar e responder aos anseios do país, da sociedade e do contexto internacional, conforme a sua abrangência.
A avaliação da Educação é uma das ferramentas pela qual a universidade pode evidenciar sua missão para com a sociedade e cumprir seu papel proposto, seja ela de natureza pública ou privada. Segundo Altbach (2009), a avaliação é uma prerrogativa do Estado, no entanto ela varia entre os países no que diz respeito à sua abrangência e grau de centralização. O Tratado de Bolonha, na União Europeia (EU), por exemplo, pauta a Educação Superior em um complexo processo de garantia mútua, na qual, assegurada pela Comissão Europeia para o Ensino Superior (2018), cada país necessita conceder diplomas de nível superior que atendam a padrões comumente acordados, mesmo tendo cada um dos 48 membros da União Europeia seus próprios regulamentos programáticos. O sistema de reconhecimento mútuo permite, a título de exemplo, que diplomas concedidos por universidades da Itália sejam reconhecidos por qualquer outra universidade de país membro da Comunidade Europeia.
No âmbito da Pós-Graduação brasileira, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação e Cultura do Brasil (MEC), é a única agência governamental responsável pela avaliação de Programas de Mestrado e Doutorado. Essa avaliação é realizada a cada quatro anos pela Capes em todos os Programas de Pós-Graduação brasileiros que são avaliados com conceitos que variam de 3 a 7, sendo os Programas com conceito 6 e 7 os de excelência com a internacionalização já consolidada, e os demais, de 3 a 5, indicam posição de crescimento.
Os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu, assim como os demais Programas e cursos de uma Instituição, devem estar previstos no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e serem acompanhados e avaliados pela Comissão Própria de Avaliação (CPA), conforme previsto pelo Sistema de Avaliação da Educação Superior - Sinaes (Brasil, 2004), que tem o papel de principal agente regulador e credenciador de Programas de Educação Superior. Coligado à CPA, cada Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, de forma específica, deve ter sua Comissão de Autoavaliação para que o acompanhamento do seu desempenho possa ser feito pelos atores que atuam e participam do programa, sendo indicado que haja, nessa Comissão de Autoavaliação, discentes, docentes, gestores, técnicos administrativos, profissionais da área e membros da comunidade, a fim de que se possa ter uma avaliação completa sob vários olhares.
Conforme já mencionado, a avaliação dos Programas de Pós-Graduação tem por base os documentos orientadores constituídos pela Capes, condensados em uma ficha que abrange: Programa, Formação e Produção Intelectual e Impactos: local, regional, nacional e internacional. Cada quesito da ficha no quadriênio abrange um conjunto de itens: o quesito Programa com três itens, a formação com quatro e o impacto com três. Cada item contempla um conjunto de indicadores a fim de que o Programa tenha a oportunidade de especificar suas ações. O quesito que abordaremos neste estudo é o impacto do Programa e seu item 3.3. Internacionalização, inserção local, regional, nacional e internacional (Capes, 2025).
O sistema de avaliação de Pós-Graduação da Capes é complexo. Há necessidade de que a gestão do Programa, a coordenação e a equipe docente estudem os documentos que a regem e sistematizem as ações conforme o olhar da Capes, apontado pelos quesitos da ficha de avaliação proposta para a área de atuação do Programa. Nesse sentido, é importante que os Programas de Pós-Graduação, no Brasil, desenvolvam seus próprios métodos de autoavaliação a fim de atingir os indicadores preestabelecidos pela Capes e, dessa forma, poder aprimorar cada vez mais o serviço de formação ofertado pelo Programa bem como prospectar o avanço ou a manutenção do conceito alcançado. Além disso, o sistema de avaliação e autoavaliação dos Programas de Pós-Graduação subsidia as políticas governamentais para o desenvolvimento da educação e aplicação de recursos em áreas importantes para o país, como ciência, tecnologia, cultura e educação. Além disso, a avaliação evidencia as diferenças regionais e identifica os gaps quando há necessidade de melhoria nos diversos Programas distribuídos ao longo do Brasil.
Nessa direção, a avaliação, “[] quando compartilhada, começa a fazer sentido para as pessoas [...] elas podem se tornar donas, detentoras do processo e de sua aplicação” (Leite et al., 2020, p. 1). Logo, os resultados da autoavaliação, permeados por diálogos e meta-avaliações constantes, permitem que os Programas de PósGraduação construam melhor seus planos estratégicos com base em evidências, que, segundo Felicetti e Cabrera (2022), dão maior poder de argumentação aos coordenadores de Programa bem como aos demais gestores institucionais.
A autoavaliação acontece à medida que o programa avalia, reflete, planeja, (re)organiza e executa ações necessárias às melhorias atinentes ao desenvolvimento dos Programas, com o objetivo de superar as fraquezas apresentadas na avaliação pregressa, manter e consolidar os pontos fortes, melhorar os não fortes e avançar diante do progresso da área e das exigências institucionais (Felicetti; Cabrera, 2022). Assim, a autoavaliação faz parte do processo de avaliação, o que possibilita aos Programas desenhar os seus planos estratégicos de modo a alcançarem conceito de excelência, ou seja, a autoavaliação permite ao Programa planejar estratégias de maneira a atingir os indicadores que contemplam o caráter de internacionalização.
Em uma autoavaliação completa, com feedback para todos os atores, num modelo multidimensional, os diversos olhares convergem para a solidificação de práticas que ampliam o conhecimento em âmbitos nacional e internacional. No próximo tópico focaremos nossa atenção ao item 3.3, que trata, especificamente, da autoavaliação e da internacionalização na Pós-Graduação Stricto Sensu.
2.1 A autoavaliação e a internacionalização na Pós-Graduação Stricto Sensu
O Plano Nacional da Pós-Graduação - PNPG (Capes; MEC, 2025, p. 221) apresenta que “a internacionalização é fundamental para o desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural do país, contribuindo para a construção de uma rede de conhecimento global”, e para a Pós-Graduação Stricto Sensu é uma importante forma de aprimorar a formação.
A internacionalização nas instituições de Educação Superior centra-se, normalmente, no nível da Pós-Graduação Stricto Sensu devido às oportunidades de financiamento governamental disponibilizadas a esse grau de ensino. Isto justifica-se, conforme preconizado pela Capes, pela internacionalização: Cooperação e visibilidade internacional; Mobilidade acadêmica internacional; Produção intelectual internacionalizada; Internacionalização do currículo; Internacionalização em casa; e Ações de Internacionalização com setor não acadêmico (Capes, 2025). A partir dessas indicações, várias ações podem ser realizadas, tais como:
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● Participação em redes de cooperação internacional com liderança brasileira.
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● Participação em redes de cooperação internacional com liderança estrangeira.
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● Captação de recursos junto a agências de fomento públicas e privadas nacionais e internacionais.
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● Parcerias com instituições de educação superior na busca de cooperação e fomento nacional e estrangeiro.
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● Ações de educação no exterior e outras formas de colaboração curricular (salas de aula com metodologia da Colaborative Online International Learning - Coil, etc.).
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● Colaboração de pesquisa e projetos conjuntos para ações de desenvolvimento e capacitação (capacity building).
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● Aprofundamento do conhecimento de diferentes estruturas culturais, nacionais e acadêmicas dos países parceiros [...] (Capes, 2025, p. 68).
Quanto à produção intelectual, a internacionalização pode dar-se pela publicação de pesquisadores brasileiros em periódicos internacionais, em coautoria com pesquisadores estrangeiros em periódicos nacionais e em palestras ministradas no exterior ou de estrangeiros no Brasil, dentre uma lista extensa apresentada pela Capes (2025).
A internacionalização do currículo envolve ações presenciais de docentes estrangeiros no Programa, com fala em português ou em língua estrangeira; docentes brasileiros com atividades em língua estrangeira; disciplinas ministradas on-line por docentes estrangeiros em português ou em língua estrangeira; disciplinas ministradas por brasileiros em língua estrangeira; e Programas com dupla titulação e com cotutela, dentre várias outras atividades que envolvem cursos de idiomas, estudo de literatura e casos em língua estrangeira, etc. (Capes, 2025).
A internacionalização em casa consiste em ter-se docentes presencial ou on-line em bancas de Mestrado e Doutorado no Brasil e a organização e a promoção de eventos multi e interculturais, dentre outras atividades (Capes, 2025).
Além da internacionalização específica realizada no meio acadêmico, há a integração de “ações de internacionalização com setor não acadêmico com foco no ensino, pesquisa, extensão, inovação, liderança, empreendedorismo, economia criativa, sustentabilidade econômica, consciência social e ambiental” (Capes, 2025, p. 72).
Com base nesses itens indicados no Documento Referencial de Diretrizes Comuns da Avaliação de Permanência dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (Capes, 2025), os Programas planejam suas ações e, no intuito de ampliar sua influência e oportunizar ao estudante uma vivência em ambientes multiculturais com esses processos de internacionalização, envidam esforços para promover parcerias e convênios de cooperação e buscam financiamentos para que a internacionalização seja, de fato, uma realidade concreta no Brasil.
Nesse contexto de diversidade de formas de concretização da internacionalização, a avaliação e a autoavaliação são importantes modos de aprimoramento das ações para que elas não sejam apenas para cumprimento de requisito de avaliação para ranking de classificação, mas uma maneira de a comunidade ligada ao Programa poder avaliar a contribuição do Programa e seu crescimento.
3 METODOLOGIA
Este estudo apresenta uma abordagem qualitativa com objetivo descritivo e do tipo documental, ao tomar como base Relatórios de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu enviados ao Coleta Capes de Instituições que mantiveram a nota 7 na avaliação quadrienal 2021-2024. A decisão de escolher as três Instituições que mantiveram a nota 7 baseia-se na premissa de que a manutenção do conceito de excelência indica solidificação e maturidade de ações no processo de internacionalização, as quais podem ser observadas pelos demais programas como um parâmetro auxiliador tanto na autoavaliação, como indicadores a serem observados na avaliação, quanto no planejamento estratégico, a ser delineado com perspectiva de avanços no que diz respeito à internacionalização.
Considerando o objetivo de mapear as ações de internacionalização relatadas por Programas de nota 7, que alcançaram o patamar de excelência nas avaliações dos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, será empregada a metodologia qualitativa que, conforme Lunetta e Guerra (2024, p. 4), “é [] valiosa para a investigação de fenômenos complexos e para a compreensão das experiências e percepções dos indivíduos”, o que reflete o propósito deste estudo.
A pesquisa foi realizada com base em dados abertos disponíveis no sitehttps://sucupira.capes.gov.br/avaliacao-quadrienal/sobre-avaliacao, no qual encontram-se os textos dos relatórios enviados pelos Programas para a avaliação no quadriênio 2021-2024.
O Quadro 1, a seguir, apresenta as notas obtidas nas avaliações dos Programas de Educação que alcançaram manutenção ou aumentaram a nota, no quadriênio 20212024, para acima de 5. As identidades dos Programas foram preservadas, sendo, então, denominadas por letras.
Notas obtidas por Programas de Pós-Graduação em Educação nos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024
Observa-se, no Quadro 1, que sete programas aumentaram sua nota, sendo cinco deles de nota 5 para 6 e dois de 6 para 7; já os que diminuíram foram três de 6 para 5 e um de 7 para 6; cinco programas mantiveram a nota 6 e três a nota 7, totalizando 19 programas, sendo 11 com nota 6 e cinco com nota 7, dos quais três mantiveram a nota 7 nos dois últimos quadriênios avaliados.
Com base nesta pesquisa, que realizamos a partir das notas obtidas pelos Programas disponíveis no site da Capes, escolhemos as três Instituições que mantiveram a nota 7 por considerarmos que a manutenção no topo da avaliação indica que o Programa na área de Educação dessas três instituições está no caminho certo na solidificação do processo de internacionalização. Assim, analisamos o Programa E, G e I, destacados no Quadro 1 supra.
A partir da constituição das instituições que compõem o corpus de análise desta pesquisa, procedemos à leitura minuciosa dos relatórios emitidos pelos Programas para, após, serem avaliados pelas Comissões de Especialistas da Capes (2021-2024). A análise foi fundamentada nos parâmetros da Capes para a internacionalização, propostos no Documento Referencial (Capes, 2025): Governança e compromisso institucional com a internacionalização; Cooperação e visibilidade internacional; Mobilidade acadêmica internacional; Produção intelectual internacionalizada; Internacionalização do currículo; Internacionalização em casa; e Ações de Internacionalização com setor não acadêmico.
Os pressupostos da análise tiveram como base a proposta teórica de Bardin (2016) sobre a análise de conteúdo, que permite estruturar os sentidos e significados a partir de discursos que, no caso deste estudo, emergem dos textos dos relatórios de avaliação. Bardin (2016) propõe três etapas para a análise: a pré-análise (momento de organização do material a ser analisado), a exploração do material (momento de estruturação do material, de categorização) e o tratamento dos resultados e a interpretação (momento em que o sujeito pesquisador constrói o sentido e o significado referentes ao encontrado no material analisado).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao analisar os textos enviados pelos Programas ao Coleta Capes para avaliação no quadriênio 2021-2024, destacamos ações realizadas pelos Programas em sinergia com a perspectiva do documento Capes (2025), conforme já explicitado na metodologia. As autoras deste artigo não tiveram acesso aos dados quantitativos lançados na Sucupira. Os relatos apresentados no Relatório Coleta (2021-2024) estão postos de forma genérica, não explicitando em detalhes as ações realizadas, o que pode ser atribuído ao número restrito de caracteres permitidos pela plataforma. Nesta direção, seria importante a Capes disponibilizar espaço na plataforma de modo que os programas pudessem detalhar todos os indicadores presentes na ficha de avaliação, mesmo sendo possível anexar documento pdf com detalhamento dos indicadores.
O Quadro 2, na sequência, apresenta uma síntese das ações emergidas nos textos analisados.
Com relação à internacionalização dentro do campus, ela ocorre nos três Programas com ações que propiciam a presença de professores e estudantes estrangeiros, quer seja ela on-line ou presencial, na maioria das vezes com financiamento dado por agências públicas de fomento, não havendo explicitação de participações advindas com recursos próprios dos componentes. Tal fato poderia ser mais bem detalhado nos relatórios, o que contribuiria com o delineamento no plano estratégico.
A internacionalização do currículo não é explícita em todos os relatórios analisados. Parece haver um tangenciamento ou desconhecimento de como a internacionalização pode ocorrer no âmbito curricular. O que foi possível identificar é a participação de professores estrangeiros em disciplinas, ministrando aulas em língua estrangeira, como bem explicitado no relatório do Programa “G”, que apresenta forte internacionalização de seu currículo, tendo, além da participação de estrangeiros, a presença de bibliografias em outro idioma que não o português no contínuo das ementas propostas. A incorporação de dimensões internacionais, interculturais e/ou globais ao conteúdo curricular, bem como aos resultados de aprendizagem, às avaliações, aos métodos de ensino a aos serviços de apoio de um Programa de estudos”, caracteriza-se, segundo Leask (2015, p. 9), como estratégia de internacionalização do currículo, e, como bem-posto por Felicetti, Gutiérrez-Ríos e Pineda-Robayo (2024, p. 24), “[] a internacionalização do currículo depende de processos institucionais, com suas políticas e práticas de ensino orientadas a gerar aprendizagens necessárias para a formação de egressos com competências interculturais para a cidadania global”.
Destaca-se que os Programas adotam estratégias que envolvem os diferentes indicadores que permeiam a internacionalização proposta pela Capes, o que se caracteriza, conforme Hudzik (2011), em uma internacionalização abrangente, a qual pode ocorrer dentro do próprio campus, considerada por Beelen e Jones (2015) como internacionalização em casa e, de acordo com Leask (2012), internacionalização do currículo-IoC.
Consoante observa-se no Quadro 2, o Programa “E” demonstra forte compromisso com a internacionalização, integrando-a com sua inserção nacional e regional, o que demonstra a valorização da sua missão e caracterização nacional. O Programa busca ativamente a internacionalização do currículo e a internacionalização em casa, além de desenvolver ações de internacionalização com o setor não acadêmico, refletindo um compromisso abrangente com a excelência e o impacto social, sem perder de vista os valores nacionais. O processo de internacionalização em casa confere e valoriza a dimensão internacional e intercultural aos mecanismos de ensino e pesquisa na Pós-Graduação (Felicetti; Robayo; Miranda, 2020).
O programa “G” apresenta um importante direcionamento institucional da internacionalização, estabelecendo parcerias a fim de solidificar os relacionamentos para a produção intelectual e o desenvolvimento de projetos e de inclusão linguística, além de ações diversificadas que abarcam a estrutura de internacionalização proposta pelo documento referencial da Ficha de Avaliação. O Programa demonstra um compromisso robusto com a internacionalização, integrando-a em sua governança, currículo, pesquisa e mobilidade acadêmica. A política de internacionalização é vista como uma estratégia multifacetada para acesso, produção e popularização do conhecimento, com foco na redução de desigualdades e na promoção de uma educação inclusiva e de qualidade em âmbitos nacional e internacional. Destaca-se, ainda, pelo fomento à pesquisa colaborativa, o incentivo à publicação em periódicos estrangeiros e a promoção da mobilidade de estudantes e docentes, consolidando parcerias estratégicas com instituições de diversos países e regiões, fortalecendo, assim, segundo Edmundo (2016), a cooperação internacional em atividades não somente de pesquisa, mas também de ensino, aprendizagem e padrões curriculares nacionais. Essas ações refletem o esforço contínuo do PPGE “G” em aprimorar sua qualidade acadêmica e seu impacto social na área da educação.
O programa “I” apresenta um percurso contínuo e diversificado para a concretização da internacionalização, alinhado às diretrizes institucionais e aos objetivos de promover a excelência acadêmica, a produção de conhecimento relevante e o impacto social em um cenário globalizado. Ações concretas em pesquisa, mobilidade e governança reforçam o compromisso do Programa com a educação especial na esfera internacional. Nessa direção, verifica-se que a internacionalização abrange elementos relevantes para a qualidade e a eficiência do processo educativo em um contexto interdependente e interconectado, conforme Felicetti, Robayo e Miranda (2020).
Nos três relatórios é visível o recrudescimento da internacionalização pelo forte investimento por órgãos governamentais. Também foi possível verificar parcerias estabelecidas com a Instituição de Ensino Superior (IES) e, ainda, projetos desenvolvidos individualmente por docentes em colaboração com universidades estrangeiras. As três instituições que obtiveram a nota 7 nos dois quadriênios em tela, como pode-se verificar no Quadro 3, infra, de síntese das ações de internacionalização, trazem em comum o fato de terem o financiamento CapesPrint, o que não apenas facilita a execução das ações, mas coloca-as em um patamar de excelência pela quantidade e qualidade dos projetos desenvolvidos pelas parcerias via Capes-Print. Além do financiamento, as três IESs também têm conseguido financiamento externo com instituições parceiras, evidenciando a cooperação entre programas e IES.
Dessa forma, a cooperação é mais produtiva e eficaz com o apoio da IES e de órgão governamental, em questão o Capes-Print, o que fortalece a união/cooperação com instituições e programas estrangeiros. A consideração de características e as heterogeneidades regionais na escolha de países, instituições e programas, é um fator essencial para a formação de parcerias e redes para o desenvolvimento de projetos em conjunto, como asseveram Abba e Corsetti (2016).
O Capes-Print, de acordo com Morosini et al. (2024), visa a:
Promover visitas técnicas/missões em instituições internacionais;
Incentivar a atração de pesquisadores internacionais1;
Fomentar a participação em grupos de pesquisa com projeção internacional; Promover a criação de projetos com participação de docentes e pesquisadores internacionais;
Instituir ou fortalecer o Programa de Cátedras (p. 11).
Destaca-se a importância do Capes-Print para a internacionalização e o quanto ele alavancou e sustentou a internacionalização desses três Programas. Isso remete, por um lado, à reflexão da necessidade de projetos desse porte para além dos programas de excelência, mas, também, para Programas em crescimento; por outro, mostra a fragilidade da internacionalização dos Programas de Pós-Graduação em Educação no contexto brasileiro devido à forte dependência de financiamento governamental para que ela aconteça, mesmo nos Programas com conceito 7, posto ser este o maior impulso financeiro quanto ao apoio da internacionalização. Tal evidência remete à necessidade de os Programas buscarem financiamentos aos seus projetos para além de agências governamentais, ou seja, buscar financiamentos no setor privado, por exemplo, em bancos e em empresas de status civil e/ou privado.
Ainda rastreando o texto e os dados sintetizados, apresentamos o Quadro 3, que expõe as ações de forma geral a fim de facilitar a identificação da internacionalização em cada um dos Programas.
Outro indicador observado nos três Programas trata da mobilidade de estudantes e docentes. Embora haja mobilidade, ela ainda é tímida. Isso pode ser justificado por diferentes aspectos, entre eles o custo financeiro, as parcerias não consolidadas com professores, pesquisadores e/ou programas no exterior e o domínio de, no mínimo, uma língua estrangeira, tanto por parte dos estudantes quanto dos professores. Neste ponto há de se colocar em plano ações capazes de auxiliar no domínio de línguas estrangeira, indo muito mais além dos testes de proficiência cobrados nos Programas de Pós-Graduação, em destaque neste estudo, e os de Educação.
Todos os três Programas, em intensidades diferentes, preenchem as perspectivas propostas nos documentos da Capes quanto à internacionalização. É possível concluir que o financiamento é fundamental para que a internacionalização aconteça, quer seja para o custeio de traduções para publicações, para apoio com materiais de pesquisa, para a mobilidade de estudantes e professores ou para o auxílio na realização de eventos. Isso significa que a Pós-Graduação exige um perfil de investimento diferente da Graduação, sem perder de vista essa necessidade tanto na pós quanto na Graduação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo objetivou mapear as ações de internacionalização relatadas por programas de nota 7 que alcançaram o patamar de excelência nas avaliações dos quadriênios 2017-2020 e 2021-2024, focando nas ações de internacionalização conforme os parâmetros propostos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Nossa análise evidenciou os parâmetros da Capes para a internacionalização propostos no Documento Referencial (Capes, 2025), a saber: a Governança e o compromisso institucional com a internacionalização, que se manifestam na articulação entre a missão da IES e do programa; a Cooperação e a visibilidade internacionais, evidentes nas parcerias de diferentes âmbitos; a Mobilidade acadêmica internacional, com a ida e vinda de docentes e discentes; a Produção intelectual internacionalizada em publicações com parceiros internacionais, em outros idiomas e em veículos internacionais; a Internacionalização do currículo com disciplinas ministradas por estrangeiros e em outro idioma; a Internacionalização em casa com a presença estrangeira no campus; e as Ações de Internacionalização com setor não acadêmico que ainda tem espaço para aprimoramento.
O mapeamento das ações, apresentado nos Quadros 2 e 3, permite não apenas identificar essas ações, mas refletir sobre elas e traçar estratégias para alcançá-las, instalá-las, melhorá-las e consolidá-las na Pós-Graduação em Educação em Programas de diferentes notas conquistadas na avaliação realizada pela Capes. Tais ações também serão úteis às instituições em outros países, uma vez que os parâmetros instituídos pela Capes perpassam exigências à internacionalização.
Destaca-se que a internacionalização, com o olhar para as produções/publicações, ao currículo, à internacionalização em casa e às ações que os programas têm desenvolvido, embora presente, ainda carece de movimentos mais autossuficientes no que se refere ao financiamento. Além disso, infere-se que a clareza quanto às ações que caracterizam os indicadores de internacionalização, em destaque a do currículo, ainda são ínfimas. Isso sinaliza para a promoção de estudos que permitam clarear e delinear como fazer um currículo internacionalizado, e é aqui que entra a autoavaliação. Os Programas precisam incluir tais indicadores em seus processos de autoavaliação de modo a construírem estratégias capazes de responderem aos indicadores presentes na ficha de avaliação.
DECLARAÇÃO DE USO DE IA
Não houve utilização de ferramentas de Inteligência Artificial.
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
Referências bibliográficas
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