Open-access Complicações Gastrointestinais no Pós-Operatório de Transplante de Pulmão: Uma Revisão Integrativa

RESUMO

Objetivos:  Investigar o espectro de complicações gastrointestinais (CGIs) em pacientes no pós-operatório de transplante de pulmão (TP), sintetizando as evidências sobre prevalência, fatores de risco, desfechos clínicos e estratégias de manejo.

Métodos:  Realizou-se uma revisão integrativa da literatura com busca nas bases de dados PubMed e Embase. Os critérios de seleção abrangeram estudos observacionais publicados nos últimos 20 anos que avaliaram CGIs em pacientes adultos pós-TP. Após um processo de triagem estruturado, 19 artigos foram selecionados para a síntese final.

Resultados:  As CGIs são altamente prevalentes, com a dismotilidade esofágica, o refluxo gastroesofágico e a gastroparesia sendo as condições funcionais mais relatadas. A dismotilidade esofágica emergiu como um fator de risco independente para a rejeição aguda, enquanto a gastroparesia associou-se ao desenvolvimento de disfunção crônica do enxerto (DCE). Complicações cirúrgicas agudas, como diverticulite perfurada e isquemia intestinal, especialmente quando manejadas em caráter de emergência, apresentaram elevada mortalidade.

Conclusão:  As CGIs são eventos frequentes que impactam negativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes submetidos ao TP. A aplicação clínica desses achados indica a necessidade urgente da padronização de protocolos de triagem e manejo precoce, com ênfase na avaliação funcional do esôfago e estômago, para otimizar os desfechos nessa população.

Descritores
Transplante de Pulmão; Complicações Pós-Operatórias; Complicações Gastrointestinais; Gastroparesia; Refluxo Gastroesofágico

ABSTRACT

Objectives:  To investigate the spectrum of gastrointestinal complications (GICs) in patients after lung transplantation (LT), by synthesizing the evidence on prevalence, risk factors, clinical outcomes, and management strategies.

Methods:  An integrative literature review was conducted by searching the PubMed and Embase databases. Selection criteria included observational studies published in the last 20 years that assessed GICs in adult post-LT patients. Following a structured screening process, 19 articles were selected for the final synthesis.

Results:  GICs are highly prevalent, with esophageal dysmotility, gastroesophageal reflux, and gastroparesis being the most reported functional conditions. Esophageal dysmotility emerged as an independent risk factor for acute rejection, while gastroparesis was associated with the development of chronic lung allograft dysfunction. Acute surgical complications, such as perforated diverticulitis and intestinal ischemia, had high mortality rates, especially when managed emergently.

Conclusion:  GICs are frequent events that negatively impact the survival and quality of life of patients undergoing LT. The clinical application of these findings indicates an urgent need for the standardization of screening and early management protocols, with an emphasis on the functional assessment of the esophagus and stomach, to optimize outcomes in this population.

Descriptors
Lung Transplantation; Postoperative Complications; Gastrointestinal Complications; Gastroparesis; Gastroesophageal Reflux

INTRODUÇÃO

O transplante de pulmão (TP) é a terapia definitiva para doenças pulmonares avançadas, porém a sobrevida a longo prazo é primariamente limitada pela disfunção crônica do enxerto (DCE). As complicações gastrointestinais (CGIs) são reconhecidas como gatilhos importantes nesse processo, sendo a associação entre o refluxo gastroesofágico (RGE) e a DCE uma preocupação consolidada na literatura há quase duas décadas21.

Apesar desse reconhecimento, o conhecimento sobre o espectro completo das CGIs permanece fragmentado. O papel da dismotilidade esofágica e da gastroparesia como fatores de risco diretos para a lesão do enxerto, o surgimento de novas terapias endoscópicas e uma notável heterogeneidade na prática clínica são exemplos de uma evolução que justifica uma síntese integrativa atualizada.

Diante do exposto, o objetivo da presente revisão foi sintetizar as evidências científicas dos últimos 20 anos, abordando o espectro das CGIs após o TP, seus fatores de risco, o impacto nos desfechos clínicos e a evolução nas estratégias de manejo, para fornecer um panorama coeso para a prática clínica.

MÉTODOS

O estudo foi desenvolvido com base na questão de pesquisa: “Quais são as principais CGIs, seus fatores de risco associados e os desfechos clínicos em pacientes submetidos ao TP, conforme a literatura publicada nos últimos 20 anos?” Para a seleção dos estudos, foram estabelecidos critérios de elegibilidade precisos de modo que foram incluídos estudos observacionais primários com abordagem quantitativa, como coortes (prospectivas e retrospectivas) e estudos transversais, cuja população fosse composta por pacientes adultos submetidos ao TP, independentemente do tipo (unilateral, bilateral ou retransplante).

A busca abrangeu artigos publicados de janeiro de 2005 a dezembro de 2024, sem qualquer restrição de idioma ou país. Em contrapartida, foram definidos como critérios de exclusão: revisões de literatura (sistemáticas, integrativas ou narrativas), relatos de caso com apenas um paciente, editoriais, cartas ao editor, estudos pré-clínicos ou em animais e artigos cujo texto completo não pôde ser recuperado para análise.

A coleta de dados foi realizada em duas bases de dados: a National Library of Medicine (NLM) – MEDLINE, e Embase. O acesso ao MEDLINE foi conduzido por meio da plataforma PubMed. A estratégia de busca foi elaborada com base nos termos Medical Subject Headings (MeSH 2024), disponibilizados pela NLM. Inicialmente, identificaram-se dois termos centrais (“Lung Transplantation” e “Gastrointestinal Complications”) e seus sinônimos. A estratégia foi então estruturada, incorporando os termos MeSH : “Lung Transplantation/adverse effects” OR “Lung Transplantation” AND (“Gastrointestinal Diseases” OR “Digestive System Diseases” OR “Gastrointestinal Hemorrhage” OR “Peptic Ulcer”) AND “Postoperative Complications”.

A estratégia, composta por MeSH terms e operadores booleanos, foi aplicada em todas as plataformas, com exceção do Embase, pois essa utiliza termos Emtree, que apresentam algumas diferenças em relação aos MeSH terms.

A seleção dos artigos foi conduzida em duas etapas por dois pesquisadores independentes, utilizando a plataforma online Rayyan para gerenciar o processo. Inicialmente, realizou-se a triagem de títulos e resumos. Em seguida, os artigos pré-selecionados foram lidos na íntegra para avaliação final de elegibilidade. Eventuais divergências entre os revisores foram resolvidas por consenso. O processo detalhado de busca e seleção foi ilustrado em um fluxograma, conforme o modelo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)1, que apresenta o número de artigos identificados, os excluídos em cada fase e os incluídos na revisão.

A extração dos dados dos estudos selecionados foi realizada de forma independente por dois pesquisadores, sendo as informações compiladas em uma planilha eletrônica (Microsoft Excel®). Foram extraídas as seguintes variáveis: identificação do estudo (autores, ano de publicação, país), delineamento metodológico, tamanho da amostra, características da população, tipo de complicação gastrointestinal, fatores de risco associados e desfechos clínicos, como mortalidade e disfunção do enxerto. Após isso, os principais achados de cada artigo foram sintetizados de forma descritiva. Por fim, a avaliação da qualidade metodológica foi conduzida pela mesma dupla de pesquisadores, empregando-se ferramentas específicas. Para a maioria dos estudos, utilizou-se a Escala de Newcastle-Ottawa (NOS)23, com a atribuição do nível de qualidade e da pontuação em estrelas. Para os demais delineamentos, foi empregado o checklist do Joanna Briggs Institute (JBI)22.

RESULTADOS

A busca resultou na inclusão de 19 estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade. O processo de seleção dos artigos está detalhado no fluxograma PRISMA (Fig. 1). A maioria dos estudos consistiu em coortes retrospectivas, com populações de pacientes variando de dezenas a mais de 600 indivíduos. A incidência geral de CGIs pós-TP apresentou uma ampla variação entre as coortes, com taxas relatadas entre 36,3% e 62%13-15. As características e principais achados de cada estudo estão sumarizados na Tabela 1.

Figura 1
Fluxograma de identificação, seleção e inclusão dos estudos na revisão integrativa.
Tabela 1
Características dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre CGI no pós-operatório de transplante de órgãos (TO).

Os distúrbios da motilidade esofágica representam uma das complicações mais relevantes e estudadas. A prevalência de dismotilidade pré-transplante, como aperistaltismo ou motilidade esofágica ineficaz (MEI), foi identificada em 17% a 30% dos pacientes em diferentes coortes10,16. Embora um estudo tenha mostrado melhora da motilidade em 65% dos pacientes após o transplante8, a persistência desses distúrbios foi associada a piores desfechos, incluindo menor sobrevida global e menor sobrevida livre de DCE8. Adicionalmente, a MEI foi independentemente associada a um maior risco de rejeição aguda [hazard ratio (HR) 2,20]16.

O RGE, frequentemente ligado à dismotilidade, foi relatado como a complicação mais comum em algumas séries, com prevalência de até 22,9%15. A análise de coortes específicas demonstrou que o refluxo não ácido, em particular, estava associado a um risco aumentado de rejeição aguda, independentemente da motilidade subjacente16. Apesar da relevância clínica, uma pesquisa com centros de transplante dos Estados Unidos revelou grande variabilidade nos protocolos de triagem, com menos de 40% dos centros exigindo testes de função esofágica (TFE) de rotina9.

Além disso, a gastroparesia foi consistentemente relatada como uma complicação frequente, com prevalência variando de 6% a 57%, dependendo do método diagnóstico e do tempo de avaliação pós-transplante13,17,20. A condição tende a se manifestar precocemente, com a maioria dos casos ocorrendo no 1º mês pós-cirúrgico14. Fatores de risco identificados para o desenvolvimento de gastroparesia incluíram a doença de base como fibrose cística (FC)17, a necessidade de circulação extracorpórea (CEC) durante o transplante14 e a etnia negra20. A gastroparesia demonstrou uma associação significativa com o desenvolvimento subsequente de DCE, mas não com a mortalidade geral20. Para o manejo de casos graves, a miotomia endoscópica peroral gástrica (MEPG) foi apresentada como uma opção terapêutica promissora, com altas taxas de sucesso clínico e melhora objetiva do esvaziamento gástrico12.

A necessidade de intervenções cirúrgicas para tratar CGIs graves foi um achado comum, ocorrendo em 10% a 21% dos pacientes em diferentes séries3,15. A doença diverticular foi uma causa importante de morbidade, afetando de 4,5% a 10,7% dos pacientes5, com mais da metade desses necessitando de cirurgia, frequentemente em caráter de emergência3. A mortalidade associada à cirurgia diverticular foi elevada, com um risco ajustado de morte em 2 anos de até 4,17 vezes maior em comparação com pacientes não operados3.

As cirurgias abdominais precoces (< 30 dias pós-transplante), motivadas principalmente por isquemia ou perfuração intestinal, apresentaram uma mortalidade particularmente alta, chegando a 38%6. Da mesma forma, complicações graves como perfuração, patologia biliar ou pancreatite, quando necessitaram de cirurgia, foram associadas a uma mortalidade geral de até 52,9% no grupo afetado, sendo a própria CGI a causa direta do óbito em 17,6% desses casos2.

A pneumatose intestinal foi identificada com uma incidência de 3,1% em uma grande coorte11, sendo na maioria dos casos (94%) um achado incidental, assintomático ou com sintomas leves. O curso clínico foi predominantemente benigno, com resolução espontânea na maioria dos pacientes sob manejo conservador, não havendo mortalidade relatada associada a esta condição3. A patologia biliar, principalmente a colecistite, também foi uma complicação frequente, sendo a causa mais comum de complicações digestivas graves precoces (38%) em um estudo7 e levando a um número significativo de colecistectomias pós-transplante13,15.

Além dos desfechos clínicos, as CGIs demonstraram ter um impacto direto e mensurável na qualidade de vida dos pacientes. Um estudo prospectivo encontrou uma associação estatisticamente significativa entre a presença de CGIs e piores escores no componente mental da qualidade de vida4. Outra pesquisa evidenciou que os sintomas gastrointestinais, especialmente náuseas, afetaram as atividades diárias em mais de 50% dos pacientes acometidos19.

DISCUSSÃO

Esta revisão integrativa teve como objetivo sintetizar as evidências dos últimos 20 anos sobre as CGIs após o TP, seus fatores de risco e desfechos clínicos. Nossos achados, baseados em 19 estudos, confirmam que as CGIs são altamente prevalentes e impactam negativamente os desfechos do enxerto, a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. De forma inovadora, a análise comparativa dos dados permitiu identificar a dismotilidade esofágica como um fator de risco independente para a rejeição do enxerto, destacou a evolução no manejo de condições como a gastroparesia e quantificou o impacto prognóstico do timing das intervenções cirúrgicas.

Um dos achados mais significativos desta revisão é o papel da dismotilidade esofágica como preditor independente de desfechos adversos, transcendendo sua associação clássica com o RGE. Múltiplos estudos demonstraram uma alta prevalência de distúrbios de motilidade, como o aperistaltismo e a MEI, em pacientes candidatos a transplante8,10. A importância desse achado é sublinhada pela evidência de que a persistência do aperistaltismo no pós-operatório está associada a uma sobrevida global significativamente menor em 5 anos (34,9% vs. 58,8%) e a uma pior sobrevida livre de DCE8.

Aprofundando essa análise, o trabalho de Lo et al.16 revelou que a MEI, por si só, aumenta em mais de duas vezes o risco de rejeição aguda, um efeito que se manteve mesmo após o controle estatístico para a presença de refluxo ácido e não ácido. Essa é uma informação crucial, pois desloca o paradigma de que a lesão do enxerto é causada apenas pela aspiração de conteúdo gástrico. A interpretação mais provável é que a falha do mecanismo de clareamento esofágico – a própria dismotilidade – leva à estase de material oral, biliar e gástrico no esôfago, resultando em microaspiração crônica de um conteúdo inflamatório diverso, não apenas ácido. Isso explicaria por que o refluxo não ácido também foi associado a um maior risco de rejeição16. Apesar dessas evidências robustas, a prática clínica atual parece não refletir a importância da avaliação motora. Um survey nacional demonstrou que menos de 40% dos centros de transplante nos Estados Unidos exigem a realização de manometria esofágica como parte da avaliação de rotina, e quase um terço não realiza qualquer teste funcional do esôfago8. Clinicamente, esses dados implicam que há uma necessidade urgente de padronizar a avaliação pré-transplante. A incorporação da manometria esofágica como ferramenta prognóstica padrão poderia permitir a identificação de pacientes de alto risco, direcionando um monitoramento mais rigoroso e terapias proativas no pós-transplante.

Semelhantemente à dismotilidade esofágica, a gastroparesia e o esvaziamento gástrico retardado (EGR) representam uma fonte significativa de morbidade no pós-transplante. A prevalência dessa condição é notavelmente alta, embora variável entre os estudos (de 6% a 57%), uma faixa que provavelmente reflete diferenças nas metodologias diagnósticas e nos períodos de avaliação13,17,20. Um achado importante desta revisão é que os fatores de risco para gastroparesia nesta população específica diferem dos da população geral. Enquanto fatores tradicionais como diabetes não se mostraram preditores consistentes, a doença pulmonar de base, como a FC, e fatores perioperatórios, como a necessidade de CEC, foram associados a um risco aumentado14,17.

A relevância clínica da gastroparesia foi solidificada pela forte evidência de sua associação com desfechos adversos para o enxerto. O estudo de Blackett et al.20 demonstrou de forma conclusiva que um diagnóstico de gastroparesia foi um preditor independente para o desenvolvimento futuro de DCE, a principal causa de mortalidade a longo prazo. Esse elo causal, provavelmente mediado pela aspiração crônica de conteúdo gástrico, eleva a gastroparesia de uma mera complicação sintomática para um fator de risco direto para a falha do enxerto. Diante dessa associação, o manejo eficaz da gastroparesia torna-se um pilar para a preservação da função pulmonar.

Historicamente, o tratamento para a gastroparesia grave e refratária era limitado a medicamentos com eficácia variável ou a procedimentos cirúrgicos invasivos de drenagem13. No entanto, esta revisão capturou uma evolução significativa no paradigma terapêutico. O estudo de Podboy et al.12 demonstrou a alta eficácia da MEPG em uma coorte de pacientes com gastroparesia grave pós-transplante. O procedimento não só resultou em melhora clínica substancial e redução de hospitalizações, mas também em uma melhora objetiva e estatisticamente significativa no esvaziamento gástrico. A disponibilidade de uma intervenção minimamente invasiva e altamente eficaz como a MEPG muda fundamentalmente a abordagem clínica. Isso justifica uma triagem mais agressiva para gastroparesia em pacientes sintomáticos, pois um diagnóstico preciso pode agora levar a uma terapia que não apenas alivia os sintomas, mas que tem o potencial de mitigar o risco de desenvolvimento da DCE.

Em contraste com as complicações agudas e de alta mortalidade, esta revisão também permitiu desmistificar o significado clínico de outros achados, como a pneumatose intestinal. Tradicionalmente, a presença de gás na parede intestinal é um sinal radiológico preocupante, frequentemente associado à isquemia e necrose em outras populações de pacientes. No entanto, nos receptores de TP, as evidências recentes sugerem um prognóstico e uma abordagem significativamente diferentes.

O estudo de Belloch Ripollés et al.11, que analisou a maior coorte sobre o tema, revelou que a pneumatose intestinal, embora com uma incidência notável de 3,1%, apresentou-se na esmagadora maioria dos casos (94%) como um achado incidental em exames de imagem de rotina ou associado a sintomas leves. Crucialmente, o curso clínico foi predominantemente benigno, com resolução completa em um período médio de 389 dias sob manejo conservador, sem mortalidade diretamente associada à condição. Essa apresentação benigna também foi observada em outros estudos menores incluídos na revisão14.

A interpretação mais provável para esse fenômeno benigno no contexto do TP é que a pneumatose não seja primariamente de origem isquêmica. Em vez disso, pode estar relacionada a múltiplos fatores, como o aumento da permeabilidade da mucosa intestinal devido a infecções (como por Clostridium difficile, relatada em um caso) ou à terapia imunossupressora, especialmente com corticosteroides, que pode levar ao adelgaçamento da parede intestinal e ao subsequente extravasamento de gás intraluminal11. A implicação clínica desses achados é de grande importância: diante de um diagnóstico de pneumatose intestinal em um paciente transplantado de pulmão que se encontra clinicamente estável e assintomático, a abordagem inicial deve ser a vigilância e o tratamento conservador, evitando-se laparotomias exploradoras desnecessárias. A cirurgia deve ser reservada apenas para os raros casos em que há sinais clínicos evidentes de peritonite ou sofrimento intestinal.

É importante reconhecer as limitações inerentes a esta revisão. A predominância de estudos retrospectivos, a heterogeneidade nas definições e metodologias entre as coortes e o potencial viés de publicação exigem cautela na generalização de alguns achados e impediram a realização de uma metanálise quantitativa. Apesar dessas ressalvas, os dados consolidados apontam de forma inequívoca para a necessidade urgente de padronizar os protocolos de triagem e manejo. A avaliação da função motora do esôfago com manometria e a triagem ativa para gastroparesia emergem como estratégias essenciais para a estratificação de risco. Consequentemente, estudos prospectivos e multicêntricos são imperativos para superar tais limitações, validar os fatores de risco aqui identificados e comparar a eficácia de diferentes intervenções, como a fundoplicatura profilática. A otimização do manejo gastrointestinal representa, portanto, uma fronteira promissora para melhorar os desfechos a longo prazo nessa população de pacientes complexos.

CONCLUSÃO

As CGI são frequentes após o TP e impactam negativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. Condições como a dismotilidade esofágica e a gastroparesia constituem fatores de risco significativos para a DCE, enquanto complicações cirúrgicas agudas estão associadas a uma elevada mortalidade. A adoção de protocolos padronizados de triagem e manejo precoce, aliada ao acompanhamento multidisciplinar, é essencial para otimizar os desfechos clínicos nessa população.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Universidade de Pernambuco e à Faculdade de Ciências Médicas por prover um ambiente de qualidade para realização de artigos científicos.

  • FINANCIAMENTO
    Não se aplica.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Todos os dados foram gerados ou analisados neste estudo.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Set 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    08 Abr 2025
  • Aceito
    31 Jul 2025
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