Checklist das aves do Estado de São Paulo, Brasil

Checklist of birds from São Paulo State, Brazil

Luís Fábio Silveira Alexandre Uezu Sobre os autores

Resumos

As listas de espécies são fundamentais para entender os padrões de distribuição espaciais e temporais dos táxons. A partir das bases de dados compiladas pelo CEO - Centro de Estudos Ornitológicos, do levantamento de Willis & Oniki (2003) e de buscas feitas em mais de 50 teses e dissertações, além de monografias e trabalhos técnicos, foram listadas todas as aves já registradas no Estado de São Paulo. Esses registros são compostos por peles ou outros materiais coletados e depositados em coleções, além de fotografias ou gravações. No total, foram registradas 793 espécies, distribuídas em 25 ordens e 85 famílias, correspondendo a cerca de 45% da avifauna brasileira. Um dos principais motivos para essa alta diversidade é a diversidade de ambientes encontrados no Estado, influenciados pelo gradiente altitudinal e geográfico, as diferentes fitofisionomias, a presença da região costeira, e o contato entre áreas florestais e Cerrados. O projeto Biota contribuiu principalmente no entendimento de como esse grupo responde às mudanças antrópicas do ambiente, como a fragmentação do habitat. Os principais grupos de pesquisa em ornitologia ainda estão alocados nas universidades e nos museus. As principais lacunas do conhecimento sobre as aves estão relacionadas à falta de padronização das metodologias para se inventariar este grupo, aos espaços geográficos sem amostragens, à falta de monitoramento em longo prazo das espécies ameaçadas de extinção, ao conhecimento limitado da capacidade das espécies em usarem as matrizes do entorno e ao pouco refinamento das delimitações das unidades evolutivas, que podem ser usadas na reintrodução das espécies em áreas em que estas não mais ocorrem.

aves; biota paulista; Programa BIOTA/FAPESP


Species lists are essential to understand both temporal and distributional patterns of taxa. Based on data compiled by CEO (Centro de Estudos Ornitológicos), Willis and Oniki (2003), and from a search of more than 50 theses, dissertations, monographs and technical works, we listed all bird species recorded in the State of São Paulo. These records are composed of skins and other evidence collected and deposited in collections, and on photographs and voice samples. A total of 793 species were registered, distributed in 25 orders and 85 families, and corresponding to 45% of the Brazilian avifauna. Reasons for this high diversity are related to the environmental diversity found in the state, influenced by altitudinal and geographical ranges, different phytophysiognomies, presence of a coastal region, and areas of contact between forest ecosystems and Cerrado. Results of the Biota project contributed to a better understanding of how birds respond to anthropogenic alterations of the environment, such as habitat fragmentation. The main ornithological research groups are still based in universities and museums. Deficiencies of knowledge concerning bird studies in São Paulo are related to the lack of standardization of survey methodologies; paucity in the monitoring of threatened species in the long term; restricted knowledge about species capacity to use matrix; and lack of refinement in the delimitation of evolutionary units and their distribution, which is essential for species reintroduction in regions where they have gone extinct.

birds; biodiversity of the State of São Paulo; BIOTA/FAPESP Program


INVENTÁRIOS

Checklist das aves do Estado de São Paulo, Brasil

Checklist of birds from São Paulo State, Brazil

Luís Fábio SilveiraI, II, * * Autor para correspondência: Alexandre Uezu, e-mail: aleuezu@ipe.org.br ; Alexandre UezuIII

IDepartamento de Zoologia, Universidade de São Paulo - USP, CP 11461, CEP 05422-970, São Paulo, SP, Brasil

IICurador associado das coleções ornitológicas, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo - USP, CP 42494, CEP 04218-970, São Paulo, SP, Brasil

IIIInstituto de Pesquisas Ecológicas, CP 47, CEP 19260-000, Nazaré Paulista, SP, Brasil

RESUMO

As listas de espécies são fundamentais para entender os padrões de distribuição espaciais e temporais dos táxons. A partir das bases de dados compiladas pelo CEO - Centro de Estudos Ornitológicos, do levantamento de Willis & Oniki (2003) e de buscas feitas em mais de 50 teses e dissertações, além de monografias e trabalhos técnicos, foram listadas todas as aves já registradas no Estado de São Paulo. Esses registros são compostos por peles ou outros materiais coletados e depositados em coleções, além de fotografias ou gravações. No total, foram registradas 793 espécies, distribuídas em 25 ordens e 85 famílias, correspondendo a cerca de 45% da avifauna brasileira. Um dos principais motivos para essa alta diversidade é a diversidade de ambientes encontrados no Estado, influenciados pelo gradiente altitudinal e geográfico, as diferentes fitofisionomias, a presença da região costeira, e o contato entre áreas florestais e Cerrados. O projeto Biota contribuiu principalmente no entendimento de como esse grupo responde às mudanças antrópicas do ambiente, como a fragmentação do habitat. Os principais grupos de pesquisa em ornitologia ainda estão alocados nas universidades e nos museus. As principais lacunas do conhecimento sobre as aves estão relacionadas à falta de padronização das metodologias para se inventariar este grupo, aos espaços geográficos sem amostragens, à falta de monitoramento em longo prazo das espécies ameaçadas de extinção, ao conhecimento limitado da capacidade das espécies em usarem as matrizes do entorno e ao pouco refinamento das delimitações das unidades evolutivas, que podem ser usadas na reintrodução das espécies em áreas em que estas não mais ocorrem.

Número de espécies: No mundo: 11.000, no Brasil: 1.825, estimadas no estado de São Paulo: 793.

Palavras-chave: aves, biota paulista, Programa BIOTA/FAPESP.

ABSTRACT

Species lists are essential to understand both temporal and distributional patterns of taxa. Based on data compiled by CEO (Centro de Estudos Ornitológicos), Willis and Oniki (2003), and from a search of more than 50 theses, dissertations, monographs and technical works, we listed all bird species recorded in the State of São Paulo. These records are composed of skins and other evidence collected and deposited in collections, and on photographs and voice samples. A total of 793 species were registered, distributed in 25 orders and 85 families, and corresponding to 45% of the Brazilian avifauna. Reasons for this high diversity are related to the environmental diversity found in the state, influenced by altitudinal and geographical ranges, different phytophysiognomies, presence of a coastal region, and areas of contact between forest ecosystems and Cerrado. Results of the Biota project contributed to a better understanding of how birds respond to anthropogenic alterations of the environment, such as habitat fragmentation. The main ornithological research groups are still based in universities and museums. Deficiencies of knowledge concerning bird studies in São Paulo are related to the lack of standardization of survey methodologies; paucity in the monitoring of threatened species in the long term; restricted knowledge about species capacity to use matrix; and lack of refinement in the delimitation of evolutionary units and their distribution, which is essential for species reintroduction in regions where they have gone extinct.

Number of species: In the world: 11,000, in Brazil: 1,825, estimated in São Paulo State: 793.

Keywords: birds, biodiversity of the State of São Paulo, BIOTA/FAPESP Program.

Introdução

O táxon Aves é composto por aproximadamente 11.000 espécies, das quais 1.825 foram registradas no Brasil (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos 2009). Existem ainda mais de 20.000 subespécies, o que indica que o número de unidades evolutivas válidas pode estar grandemente subestimado (Silveira & Olmos 2007). As aves formam o grupo de vertebrados mais bem conhecido sob qualquer aspecto quando comparados com outros grupos de vertebrados. A diversidade, os hábitos e o comportamento das espécies fazem com que esse grupo seja habitualmente utilizado em monitoramentos de impactos ambientais, já que respondem rapidamente às alterações no seu ambiente (Uezu et al. 2005).

A elaboração de uma lista de espécies com base em determinados critérios é o primeiro passo para se compreender a distribuição das espécies e, em monitoramentos periódicos, verificar as tendências populacionais dos táxons listados. Uma lista de espécies é ainda uma ferramente indispensável para a elaboração de políticas de conservação em diversos níveis. Listas de caráter nacional têm sido elaboradas (e.g. Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos 2009) e servem como uma referência para se avaliar o grau de conhecimento de um determinado grupo e para apontar possíveis lacunas de conhecimento, incentivando, por exemplo, a documentação de determinados táxons conhecidos em uma região apenas por relatos. Dessa forma, os objetivos deste trabalho é apresentar a lista das espécies de Aves já registradas no Estado de São Paulo.

Metodologia

A avifauna do Estado de São Paulo pode ser considerada como bastante bem conhecida, e os seus primeiros inventários datam ainda do final do século XIX. A presente listagem teve como base duas indispensáveis compilações sobre a avifauna do estado. O Centro de Estudos Ornitológicos (CEO) vem organizando e atualizando a lista das aves paulistas, incluindo a data do primeiro registro e a forma de documentação para cada táxon. Willis & Oniki (2003) publicaram a lista das aves do estado, incluindo dados sobre a sua distribuição. Além disso, a listagem publicada por Silveira et al. (2009) foi revista e atualizada. A presente listagem apresenta as espécies de aves que contém registros documentados, sejam eles através de peles ou outro material coletado e depositado em uma coleção, fotografia ou gravação, seguindo basicamente os mesmos critérios apresentados em Silveira et al. (2009). Dessa forma, algumas espécies constantes na listagem do CEO (Figueiredo 2002) não foram consideradas no presente trabalho, como Pyrrhura leucotis (Kuhl, 1820) e Paroaria dominicana (Linnaeus, 1758), sendo a primeira um erro de identificação e, a segunda, uma espécie endêmica da Caatinga e que eventualmente pode ser encontrada em liberdade na cidade de São Paulo e outros centros urbanos, como resultado de escapes de cativeiro.

Silveira et al. (2009) listam algumas espécies que possuíam alguma citação para o estado de São Paulo, mas que não contavam com registros documentados (Apêndice 1). Desde a publicação dessa lista apenas uma espécie, Pseudocolopteryx sclateri (Oustalet, 1892), foi incluída na lista primária. Em maio de 2010 essa ave foi fotografada em um brejo no município de Itaquaquecetuba por Guilherme Serpa, Wagner Nogueira, Emerson Kaseker e Helberth Cardoso. Além disso, Dendroica cerulea (Wilson, 1810), foi transferida para a lista das espécies de ocorrência duvidosa no Estado (Apêndice 1), aguardando uma melhor documentação para retornar à lista principal. A presente lista foi atualizada com os registros divulgados até julho de 2010, entre esses estudos constam mais de 50 teses e dissertações, além de monografias e trabalhos técnicos (como planos de manejo de Unidades de Conservação) realizadas no estado. Em muitos desses estudos utilizou-se a metodologia de rede de neblina, o que garante uma maior certeza na identificação das espécies. Encoraja-se a publicação de registros documentados (preferencialmente através de exemplares) das espécies constantes no Apêndice.

Resultados e Discussão

Foram registradas 793 espécies no estado de São Paulo, que representam 25 ordens e 85 famílias (Tabela 1). Esse número é ligeiramente superior ao apresentado por Silveira et al. (2009) e corresponde a aproximadamente 45% da avifauna brasileira, que conta com 1.825 espécies (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos 2009). Mais de 95% dos táxons possui sua presença em São Paulo documentada através de espécimes-testemunho depositados em coleções e/ou foi repetidamente observada de forma independente no estado, o que permite inferências razoavelmente seguras sobre o seu status de residente ou migratória, além de possibilitar análises mais refinadas sobre as suas tendências populacionais ao longo do tempo (veja Silveira et al. 2009).

Embora não seja um dos Estados com maior extensão territorial no Brasil, São Paulo conta com uma grande diversidade de ambientes dentro dos biomas Costeiros, Mata Atlântica e Cerrado, que propiciam hábitats para um grande número de espécies de aves. Entre as florestas podemos citar a presença da Floresta Ombrófila densa, Floresta Ombrófila mista e a Floresta Estacional Semidecidual. Na zona costeira ainda destacam-se os maguezais e a Restinga. E a presença de uma costa com praias e outros ambientes associados ao mar atrai aves migratórias do Hemisfério Norte e do sul da América do Sul, como maçaricos e andorinhas-do-mar. A Mata Atlântica, tanto na Serras do Mar e da Mantiqueira quanto no maciço de Paranapiacaba apresentam um expressivo gradiente altitudinal, variando do nível do mar até cerca de 2.800 m, permitindo a sua colonização por espécies que utilizam faixas de altitude específicas. As matas semideciduais do interior permitem que muitas espécies da Mata Atlântica e do Cerrado entrem em contato. O Cerrado paulista, com as suas mais diversas fitofisionomias, abriga uma porção significativa das espécies já registradas nesse bioma e também proporciona hábitat para dezenas de espécies migratórias, como aquelas do gênero Sporophila. As matas de galeria, de maneira similar ao observado nas matas semideciduais, possibilitam que espécies florestais do Cerrado entrem em contato com aquelas da Mata Atlântica.

Principais Avanços Relacionados ao Programa BIOTA/FAPESP

Os principais avanços do Programa BIOTA para o grupo de aves estão relacionados ao aumento de conhecimento de como as espécies respondem às alterações antrópicas do ambiente. Entre os temas que foram aprofundados temos: perda e fragmentação do habitat (Develey & Metzger 2005, Martensen et al. 2008), o efeito da presença de corredores conectando fragmentos (Uezu et al. 2005), o efeito do histórico de perturbação na diversidade atual (Metzger et al. 2009), a capacidade das espécies em se deslocarem pela matriz (Boscolo et al. 2008) e o efeito da caça (Bernardo et al. no prelo). Essas informações são essenciais para propor formas de manejo mais adequadas a fim de diminuir as pressões sobre esse grupo e conservar a diversidade ainda presente. Esses conhecimentos são especialmente úteis na indicação de áreas prioritárias para conservação (e.g. proposição de unidades de conservação), seleção de espécies indicadoras, criação de corredores ecológicos (em escalas locais e geográficas) e seleção de áreas para restauração (Silva et al. 2008).

Principais Grupos de Pesquisa

Os principais grupos de pesquisa em ornitologia no estado de São Paulo estão concentrados em diversos departamentos (e.g. Zoologia, Ecologia, Biologia, Genética) nas universidades públicas estaduais (USP, UNICAMP e UNESP), além da Universidade Federal de São Carlos, UFSCar. Outras instituições que desenvolvem pesquisas na área são o Museu de Zoologia da USP, o Instituto Adolpho Lutz, a Fundação Florestal, o Instituto Florestal e o Museu de História Natural de Taubaté.

Principais Acervos

As instituições paulistas que abrigam espécimes e/ou amostras de tecido coletados no estado de São Paulo são: Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo; o Museu de História Natural de Taubaté, Taubaté; o Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas "Adão José Cardoso", Campinas; a Coleção de Aves do Instituto Adolpho Lutz, Secretaria Estadual de Saúde, São Paulo; a Coleção Rolf Grantsau, São Bernardo do Campo; o Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP, São Paulo; e a Coleção de aves do Museu de História Natural, Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu. Além disso, é importante ressaltar que muitas espécies também contam com registros documentados através das suas mais diferentes manifestações sonoras, depositadas principalmente no Arquivo Sonoro Neotropical (UNICAMP) e no Arquivo Sonoro do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Principais Lacunas do Conhecimento e Perspectivas de Pesquisa em Ornitologia para os Próximos 10 Anos

A avifauna do estado de São Paulo pode ser considerada como bastante bem conhecida, com poucos registros novos para as aves terrestres do Estado previstos para os próximos anos. Novos registros para o estado devem se referir as espécies vagantes ou marinhas, que esporadicamente aparecem no litoral (e.g. Anous stolidus - Linnaeus, 1758).

Além disso, boa parte dos municípios paulistas possui algum inventário da sua avifauna, embora os resultados e as metodologias difiram muito entre si. As regiões oeste, norte e sudeste do Estado ainda apresentam lacunas de conhecimento importantes, e devem ser objetos de inventários mais intensos. Recomenda-se que esses inventários sejam padronizados e de médio-longo prazo (um ano ou mais), pois são esses estudos que vão fornecer dados essenciais para o manejo da paisagem e para a conservação, através do monitoramento das espécies ameaçadas de extinção.

São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de espécies de aves ameaçadas de extincão (171, além de uma extinta, o pato-mergulhão, Mergus octosetaceus - Vieillot, 1817). Além disso, um número importante de espécies (47) foi considerado na categoria de "Quase ameaçadas", um dado preocupante, pois essas espécies podem ser as próximas a serem incluídas na lista de ameçadas de extincão (Silveira et al., 2009). Esses números são alarmantes e apontam para o desenvolvimento de pesquisas e restauração dos habitats nativos para tentar reverter esse quadro. Espécies que ocorrem no Cerrado (especialmente nos campos limpos) estão em situação gravíssima, e algumas delas (e.g. Columbina cyanopis - Pelzeln, 1870, Eleothreptus candicans - Pelzeln, 1867 e Sporophila maximiliani - Cabanis, 1851) já podem ter seguido o mesmo caminho do pato-mergulhão. A ameaça às espécies se torna ainda mais grave quando consideramos o tempo de latência que muitos grupos podem apresentar. Há estudos que mostram que muitas espécies demoram várias décadas para responder aos distúrbios, como a perda e fragmentação do habitat (Uezu 2007, Metzger et al. 2009). Dessa forma, muitas espécies podem estar presentes no estado por uma questão de tempo, ou seja, serão extintas quando o sistema se estabilizar.

O monitoramento da avifauna em projetos que envolvam a restauração e a conexão dos milhares de fragmentos florestais se constitui numa linha de pesquisa importante visto que as aves formam um grupo relativamente fácil de ser amostrado e alguns grupos respondem rapidamente às alterações no ambiente. Embora o estado de São Paulo concentre uma das maiores coberturas de Mata Atlântica do país (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS - INPE 2009), com exceção da Mata Atlântica de altitude nas Serras do Mar e Paranapiacaba, a situação de conservação dos demais ambientes naturais no estado pode ser considerada preocupante (Ribeiro et al. 2009). Muitas das comunidades de aves no interior do Estado, tanto no Cerrado (especialmente nos campos limpos) como na Mata Atlântica já possuem suas comunidades muito afetadas pelos processos de supressão, fragmentação e alteração do hábitat (Uezu et al. 2005, Develey & Metzger 2005, Uezu 2007, Martensen et al. 2008). A expansão das atividades humanas sobre esses últimos remanescentes merece ser monitorada em projetos de médio-longo prazo.

Outro aspecto relevante é o estudo das aves em ambientes florestais artificiais. Uma parcela ainda pouco conhecida da avifauna é capaz de sobreviver ou utilizar plantios comerciais de eucalipto ou pinus, especialmente aqueles mais antigos. Essas áreas podem ser eventualmente utilizadas como "corredores artificiais" para conectar fragmentos de floresta nativa, se constituindo em um tema interessante de pesquisa.

Estudos que contemplem a variação geográfica, incluindo a delimitação de unidades evolutivas mais precisas e de filogeografia são importantes não só para refinar o nosso conhecimento sobre a formação e a evolução da avifauna, mas também para subsidiar de forma correta programas de reintrodução de espécies em locais onde elas foram extintas e não haja mais possibilidade de uma recolonização natural. Muitas espécies de aves exercem papel fundamental em processos ecológicos importantes como a polinização e a dispersão de sementes, e, em muitos casos, apenas com a reintrodução esses processos podem ser restaurados. Na atual situação das áreas naturais do estado, projetos de reintrodução realizados com base nos critérios propostos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) devem também fazer parte dos programas mais amplos de conservação.

Agradecimentos

Aos colaboradores, especialmente ao Centro de Estudos Ornitológicos (CEO), em nome de Luiz Fernando de Andrade Figueiredo, que vem compilando os registros da avifauna de São Paulo, ao Rafael G. Pimentel e à Érica Hasui que disponibiliazaram seus bancos de dados de ocorrências de aves no Estado juntamente com as referências bibliográficas. Ao Instituto de Biociências e ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (IBUSP e MZUSP, respectivamente), ao CNPq, Fapesp e Fundação O Boticário, pelo apoio às nossas pesquisas. Edson Endrigo, pela gentileza em fornecer informações sobre os registros paulistas de Buteo albonotatus e Thraupis bonariensis.

Recebido em 13/07/2010

Versão reformulada recebida em 06/10/2010

Publicado em 15/12/2010

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    Autor para correspondência: Alexandre Uezu, e-mail:
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    * Autor para correspondência: Alexandre Uezu, e-mail: aleuezu@ipe.org.br

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      02 Out 2012
    • Data do Fascículo
      Dez 2011

    Histórico

    • Aceito
      15 Dez 2010
    • Revisado
      06 Out 2010
    • Recebido
      13 Jul 2010
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