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Descrição macroscópica e microscópica das lesões ruminais em bovinos confinados

Paulo Roberto Lucas Viana Letícia Fleury Viana Gustavo Henrique Marques Araújo Isadora David Tavares de Moraes Paulo José Bastos Queiroz Didier Quevedo Cagnini Luiz Antônio Franco da Silva Rogério Elias Rabelo Sobre os autores

Abstract

Administration of diets rich in highly fermentable carbohydrates and low fiber content can cause an imbalance between the microorganisms in the rumen with consequent ruminal acidosis. This problem can cause lesions in the rumen wall, often progressing to rumenitis. The purpose of the present was to characterize macroscopic and microscopic ruminal lesions observed in confined feedlot cattle with claw lesions or liver abscess. A total of 1060 bovines were evaluated via postmortem examination. Claw lesions were identified in 88, liver abscess in 10, and macroscopic rumen lesions in 230 bovines; furthermore, 178 rumens were characterized with hyperkeratosis, 41 with hyperemia, 9 with ulcer, and 2 with neoplasia. The 98 bovines with claw lesions and liver abscess were selected for histopathological examination. Of these, macroscopic lesions were noted in 23 and microscopic lesions in 23 animals. Of the 23 animals that presented macroscopic lesions, 10 showed the same changes observed under microscopy. Seven cases of hyperkeratosis were diagnosed in the macro and microscopic evaluation. Of the 5 cases of hyperemia verified on macroscopy, 2 cases were identified via microscopy, and 1 case of ulcer identified through macroscopy and microscopy. The microscopic evaluation of the rumens allowed the identification of lesions in animals with claw lesions that did not present macroscopic rumen alterations.

Keywords:
cattle; fridge; histopathology; rumen; rumenitis

Resumo

O uso de dietas ricas em carboidratos altamente fermentáveis e com baixos teores de fibras pode ocasionar desequilíbrio entre os microrganismos do rúmen com consequente acidose ruminal. Esse problema pode resultar em lesões na parede do rúmen, evoluindo com frequência para formação de ruminite. O presente estudo objetivou caracterizar lesões ruminais macroscópicas e microscópicas, observadas em bovinos confinados que apresentavam lesões podais ou abscesso hepático. Avaliou-se 1060 bovinos pelo exame post mortem. Foram encontradas lesões podais em 88 animais, abscesso hepático em 10 e lesões ruminais macroscópicas em 230 bovinos, sendo caracterizado 178 rumens com hiperqueratose, 41 com hiperemia, 9 com úlcera e 2 com neoplasia. Os 98 bovinos com lesões podais e abscesso hepático foram selecionados para realização de exame histopatológico. Desses, foram encontradas lesões macroscópicas em 23 e, microscópicas, em 23 animais. Dos 23 animais que apresentaram lesões macroscópicas, 10 tiveram as mesmas alterações verificadas na microscopia. Foram diagnosticados 7 casos de hiperqueratose na avaliação macro e microscópica. Dos 5 casos de hiperemia verificados na macroscopia, 2 casos foram identificados na microscopia e um caso de úlcera identificado na macroscopia também foi identificado na microscopia. A avaliação microscópica dos rumens permitiu identificar lesões em animais com lesões podais que não apresentam alterações macroscópicas ruminais.

Palavras-chave:
bovinos; frigorífico; histopatologia; rúmen; ruminite

Introdução

A busca pelo aumento da produtividade, qualidade e redução dos custos de produção é uma necessidade nos diferentes sistemas de criação de bovinos. Nesse cenário, participam a genética, sanidade, reprodução e a nutrição, norteadas por biotecnologias. O desenvolvimento e incremento tecnológico, o uso de dietas ricas em carboidratos altamente fermentáveis e baixos teores de fibra tornaram-se indispensáveis ao aprimoramento da nutrição animal em diversos sistemas de criação na bovinocultura de corte. Entretanto, o uso não balanceado de alimentos concentrados e erros no manejo alimentar aumentam os riscos de transtornos metabólicos, podendo resultar em danos à saúde dos bovinos e consequentemente, diminuindo o desempenho zootecnico11 Neto JAS, Oliveira VS, Santos ACP, Valença RL. Distúrbios metabólicos em ruminantes- uma revisão. Ver. Bras. Hig. San. Anim. 2014; 8(4): 157-86.,22 Vechiato TAF, Maschio W, Bom LC, Lopes PD, Ortolani EL. Estudo retrospectivo de abscessos hepáticos em bovinos abatidos em um frigorífico paulista. Bras. J. Vet. Anim. Sci. 2011; 48(5): 384-91.. Dentre os principais distúrbios metabólicos encontrados em criações intensivas de bovinos destaca-se a acidose ruminal11 Neto JAS, Oliveira VS, Santos ACP, Valença RL. Distúrbios metabólicos em ruminantes- uma revisão. Ver. Bras. Hig. San. Anim. 2014; 8(4): 157-86..

A acidose ruminal é uma enfermidade digestiva que ocorre em ruminantes não adaptados quando ingerem grande quantidade de carboidratos solúveis ou tem mudanças bruscas na alimentação, causando desequilíbrio entre a produção de ácidos graxos voláteis (AGVs) e a remoção desses pelo epitélio ruminal11 Neto JAS, Oliveira VS, Santos ACP, Valença RL. Distúrbios metabólicos em ruminantes- uma revisão. Ver. Bras. Hig. San. Anim. 2014; 8(4): 157-86.. A queda do pH intraruminal resulta em alteração no equilíbrio entre os microrganismos ruminais, com envolvimento de bactérias Gram positivas, como Strepacoccus bovis e Lactobacillus spp., reduzindo o número de bactérias celulolíticas em detrimento às aminolíticas22 Vechiato TAF, Maschio W, Bom LC, Lopes PD, Ortolani EL. Estudo retrospectivo de abscessos hepáticos em bovinos abatidos em um frigorífico paulista. Bras. J. Vet. Anim. Sci. 2011; 48(5): 384-91., 33 Nagaraja TG, Lechtenberg KF. Liver abscesses in feedlot catlle. Vet. Clin. Food Anim. 2007; 23: 351-69., 44 Plaizier JC, Khafpour E, Li S, Gozho GN, Krause DO. Subacute ruminal acidosis (SARA), endotoxins and health consequences. Anim. Feed Sci. Technol. 2012; 172: 9-21., 55 Wang DS, Zhang RY, Zhu WY, Mao SY. Efects of subacute ruminal acidosis challenges on fermentation and biogenic amines in the rumen of dairy cows. Livest. Sci. 2013; 155: 262-72.. A acidose ruminal pode ser aguda ou subaguda. A primeira, caracteriza-se pela diminuição brusca do pH ruminal, sendo de origem multifatorial. Por outro lado, a forma subaguda apresenta-se de modo brando, podendo ser contínua ou intermitente, resultando em menor risco imediato aos animais66 Radostits OM, Gay CC, Hinchclif KW, Constable PD. Veterinary medicine. 3 ed. St. Louis: Elsevier, 2007, 2156p..

Deste modo, a acidose pode determinar alterações secundárias na parede ruminal dos bovinos, como a ruminite, e determinar a condenação desse órgão pelo serviço de inspeção, acarretando prejuízos financeiros como quando há presença de abcessos. Além disso, a colonização bacteriana nas feridas piora o quadro de ruminite e pode resultar na saída desses microrganismos para a circulação e entrada no fígado via circulação portal, podendo resultar em prejuízos extras pela formação de abscessos hepáticos que levariam a condenação do órgão33 Nagaraja TG, Lechtenberg KF. Liver abscesses in feedlot catlle. Vet. Clin. Food Anim. 2007; 23: 351-69.,77 Tadepalli S, Narayanan SK, Stewart GC, Chengappa MM, Nagaraja TG. Fusobacterium necrophorum: A ruminal bacterium that invades liver to cause abscesses in cattle. Anaerobe. 2009; 15: 36-43.,88 Narayanan S, Nagaraja TG, Okwumabua OGI, Staats J, Chengappa MM, OberstRD. Ribotyping to compare Fusobacterium necrophorum isolates from bovine liver abscesses, ruminal walls, and ruminal contents. Appl. Environ. Microbiol. 1997; 63(12): 4671-78.. Apesar de ser uma enfermidade de etiologia multifatorial e controversa, os quadros de acidose, aguda ou subaguda, caracterizam-se como os principais fatores etiopatológicos associado à laminite e suas sequelas no rebanho99 Nocek, JE. Bovine acidosis: implications on laminitis. J Dairy Sci. 1997; 80: 1005-28..

Ainda que o diagnóstico de acidose ruminal aguda seja clinicamente simples, o mesmo não ocorre nos casos de acidose subaguda que, aparentemente, são mais prejudiciais à saúde dos animais11 Neto JAS, Oliveira VS, Santos ACP, Valença RL. Distúrbios metabólicos em ruminantes- uma revisão. Ver. Bras. Hig. San. Anim. 2014; 8(4): 157-86.,1010 Owens FN, Secrist DS, Hill WJ, Gill DR. Acidosis in cattle: a review. J. Anim. Sci. 1998; 76: 275-86.. Na maioria das vezes, se obtém a conclusão diagnóstica durante o abate dos animais, pois durante a fase de terminação o problema seria negligenciado pelos nutricionistas e criadores de bovinos. Assim, tanto em bovinos de corte como de leite, a análise macroscópica post mortem realizada no frigorífico proporciona uma série de achados indicativos da acidose pregressa. Nesse contexto, a ruminite apresenta-se como a lesão mais descrita, sendo caracterizada pela presença de mucosa hiperêmica, hemorrágica ou ulcerada em consequência do baixo pH ruminal no saco ventral do rúmen 22 Vechiato TAF, Maschio W, Bom LC, Lopes PD, Ortolani EL. Estudo retrospectivo de abscessos hepáticos em bovinos abatidos em um frigorífico paulista. Bras. J. Vet. Anim. Sci. 2011; 48(5): 384-91.,66 Radostits OM, Gay CC, Hinchclif KW, Constable PD. Veterinary medicine. 3 ed. St. Louis: Elsevier, 2007, 2156p.,1111 Habel RE. Sistema digestivo do ruminante. In Getty R, Grossman S. Anatomia dos animais domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986, 858p.,1212 Samuelson DA. Tratado de histologia veterinária. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007, 544p.. Acredita-se ser possível melhorar a identificação de lesões ruminais discretas de origem acidótica, empregando técnicas complementares de avaliação, como a histopatologia, o que pode ser valioso no entendimento da prevalência real de ruminites subagudas, auxiliando a nortear os balanceamentos de dietas e a tomada de decisão pelos nutricionistas nessas fases de criação.

O presente estudo objetivou descrever por meio de exames macroscópicos e microscópicos, lesões ruminais observadas em bovinos da raça Nelore com diagnóstico positivo para lesões podais e abscesso hepático, manejados a pasto durante a cria e recria e em sistema de confinamento durante a terminação e comparar a capacidade de identificação de lesões macroscópicas discretas pelo usando a histopatologia como padrão-ouro.

Material e métodos

Foram avaliados 1060 bovinos machos da raça Nelore com idade variando entre 20 a 30 meses, manejados a pasto durante a cria e recria e, em sistema de confinamento durante a terminação. As avaliações macroscópicas e as coletas das amostras para análises microscópicas foram realizadas em matadouro frigorífico de bovino sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), localizado no município de Jataí, GO. entre o período de julho a dezembro de 2016. Foram obedecidos os preceitos éticos em experimentação animal, sendo aprovado pela comissão de ética no uso de animais da Universidade Federal de Goiás, protocolo número 071/15. A escolha da empresa frigorífica fundamentou-se na disponibilidade dos proprietários do estabelecimento em autorizar a pesquisa. A época avaliada teve por base os dados do frigorífico, onde ocorre um maior número de animais confinados abatidos. Assim, pode-se utilizar bovinos do mesmo sexo, oriundos de um único sistema de produção e época do ano.

Durante a fase de terminação todos os bovinos avaliados foram mantidos em sistema de confinamento por um período médio de 70 dias, posteriormente ao período de adaptação de 21 dias com uma dieta contendo os mesmos ingredientes, só que em proporções diferentes. O acompanhamento do abate foi dividido em cinco etapas, o exame ante mortem seguido do exame post mortem dos pés na “linha A” e exame post mortem do fígado na “linha E”, conforme metodologia de inspeção preconizada pelo MAPA1313 Brasil. Decreto n° 30.691 de 29 mar 1952. Aprova o novo regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Diário oficial da União, Brasília (7 jul 1952).. Na sequência, na bucharia, primeira fase, realizavam-se duas atividades, a avaliação macroscópica do rúmen do total de 1060 animais e a coleta de material para avaliação histopatológica.

Antes do abate foi realizada a avaliação geral dos animais nos currais de chegada do frigorífico. Os dados de anamnese foram coletados do Guia de TrânsitoAnimal (GTA). Foram avaliadas macroscopicamente as quatro extremidades distais dos membros locomotores, o fígado, os pré-estômagos e o abomaso, tendo os achados relacionados a carcaça correspondente1313 Brasil. Decreto n° 30.691 de 29 mar 1952. Aprova o novo regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Diário oficial da União, Brasília (7 jul 1952).. Todos os casos em que os animais tiveram lesões podais ou hepáticas tiveram amostras coletadas do rúmen para tentar relacionar se estavam ou não relacionadas e lesões macro ou microscópicas. Os membros foram avaliados quando a presença de lesões podais de acordo com o descrito pela literatura 2929 Borges, J.R.J. et al. Doenças dos dígitos dos bovinos: nomenclatura padronizada para o Brasil. Revista CFMV, Brasília, v.23, n.73, p.45-72, abr./jun. 2017.,3030 Egger-Danner et al. ICAR claw health atlas. https://www.icar.org/ICAR_Claw_Health_Atlas.pdf, 2020.
https://www.icar.org/ICAR_Claw_Health_At...
. No fígado foram incluídas apenas as lesões abcedativas.

As estruturas anatômicas digestórias, incluindo o retículo, rúmen, omaso e abomaso, eram identificadas com caneta específica na serosa do órgão imediatamente após chegarem às mesas de inspeção. As marcações correlacionavam a víscera com a carcaça correspondente e, na sequência, após a marcação, os órgãos eram desviados, por uma estrutura de aço-inox, da sala de abate para a bucharia primeira fase.Ao chegarem à bucharia, os órgãos eram organizados em sequência numérica para a realização dos procedimentos rotineiros de esvaziamento, pendura e limpeza. Em seguida, a mucosa ruminal era avaliada macroscopicamente e o rúmen classificando em: (1) sem lesão, quando apresentava coloração, aspecto e papilas sem lesões macroscópicas; (2) presença de hiperemia, na presença de áreas avermelhadas; (3) presença de úlcera, na presença de úlceras macroscópicas evidentes; (4) presença de hiperqueratose, quando à palpação, notaram-se áreas mais espessas do epitélio, com presença de papilas firmes e pouco fexíveis; (5) presença de neoplasias, como papilomas, carcinoma de células escamosas ou linfomas e (6) presença de abscessos. Quando o rúmen apresentava alguma alteração que não se encaixava em nenhuma das classificações estabelecidas, o mesmo era classificado como (7) lesão indefinida.

As amostras para avaliação histológica foram coletadas apenas dos bovinos que apresentaram lesão podal e ou abscesso hepático, independente de apresentarem ou não lesões macroscópicas no rúmen devido a limitações financeiras. Nos casos considerados macroscopicamente sem lesão a coleta foi realizada no saco ventral do rúmen, considerando a preservação comercial da víscera. Na presença de lesão procurou-se coletar o fragmento na região de transição da lesão. Todos as amostras foram armazenadas imediatamente em solução de formalina tamponada a 10%. Após fxação, os fragmentos foram desidratados em soluções ascendentes de álcool, diafinizados em xilol e embebidos em parafina líquida para confecção dos blocos histológicos. Esses foram clivados à 5μM em micrótomo rotatório, os tecidos foram dispostos em lâminas histológicas, desparafinizados, hidratados e corados Hematoxilina e Eosina1414 Tolosa EMC, Rodrigues CJ, Behmer OA, Freitas Neto AG. Manual de técnicas para histologia normal e patológica. Barueri: Manole,2003, 331p..

A avaliação microscópica classificou as lesões ruminais em: (1) ausência de lesão; (2) ruminite aguda discreta, quando da presença de congestão discreta a moderada e infiltrado inflamatório discreto; (3) ruminite aguda moderada, quando da presença de congestão moderada e infiltrado inflamatório moderado e ou microabscessos; (4) ruminite aguda acentuada, quando apresentava congestão moderada a acentuada, presença acentuada de células infamatórias e ou microabscessos; (5) ruminite crônica, quando da presença de infiltrado mononuclear, granulomatoso ou piogranulomatoso, com ou sem a proliferação de fibroblastos, neovascularização e hiperplasia de epitélio e (6) cicatriz ou úlcera em cicatrização, quando da apresentação de infiltrado inflamatório discreto, no máximo moderado, com proliferação evidente de tecido conjuntivo denso e sinais de re-epitelização nas bordas da úlcera.

Os resultados das avaliações macro e microscópicas foram submetidos a estatística descritiva1515 Sampaio IBM. Estatística aplicada à experimentação animal. Belo Horizonte: FEP-MZV, 2007, 265p.. A avaliação microscópica foi considerada o padrão ouro para avaliação de sensibilidade e especificidade do diagnóstico macroscópico.

Resultados e discussão

Do total de 1060 bovinos que tiveram o rúmen avaliado macroscopicamente, foram verificadas lesões em 230 (21,7%) animais, enquanto 830 (78,3%) não apresentavam lesões (Tabela 1). Dentre as lesões, foram identificadas hiperqueratose, hiperemia, úlceras e neoplasias (Figura 1).

Tabela 1
Avaliação macroscópica do rúmen e classificação de acordo com o grau de lesão diagnosticada no exame post mortem de bovinos com idade entre 20 e 30 meses, raça Nelore e manejados na fase de terminação em sistema de confinamento, abatidos no ano de 2016, em frigorífico do Estado de Goiás

Figura 1
Avaliação macroscópica do rúmen de bovinos e classificação de acordo com o grau de lesão diagnosticada no exame post mortem. A) rúmen sem lesão. B) rúmen hiperêmico. C) rúmen ulcerado. D) rúmen com hiperqueratose.

Na inspeção dos cascos foram constatados 88 animais com lesões podais, dos quais, 24 com dermatite interdigital, 22 bovinos com pododermatite séptica, 22 com erosão de estojo córneo. Ademais, 16 casos de úlcera de sola, dois casos de fssura da unha, um caso de dermatite digital e um de fegmão interdigital. Na inspeção do fígado foram diagnosticados dez casos de abscessos hepáticos, não estando correlacionados a lesões podais.

Dentre os 98 casos de animais que apresentam alterações podais e ou abscessos hepáticos foram identificadas lesões macroscópicas em 23 (23,5%) e, microscópicas, em 23 (23,5%) animais (Tabela 2). A ruminite aguda discreta (Figura 2) foi a alteração predominante, seguida da ruminite aguda moderada e crônica, com dois casos cada. Encontrou-se apenas um caso de lesão em processo de cicatrização (Figura 2). Além disso, foram encontrados dois casos de papilomatose ruminal.

Tabela 2
Avaliação macroscópica e microscópica do rúmen de bovinos e classificação de acordo com o grau de lesão de 98 bovinos com diagnóstico positivo para lesões podais e abscesso hepático, com idade entre 20 e 30 meses, raça Nelore e manejados na fase de terminação em sistema de confinamento, abatidos no ano de 2016, em um frigorífico do Estado de Goiás

Figura 2
Avaliação microscópica do rúmen de bovinos e classificação de acordo com o grau de lesão diagnosticada nas lâminas histológicas de bovinos com diagnóstico positivo para lesões podais e abscesso hepático. A)Rúmen normal: Papilas ruminais normais (100x, HE). B) Ruminite aguda discreta: Notar a presença focal, discreta, de neutróflos na camada superficial do epitélio (seta azul) e infiltrado inflamatório misto discreto na lâmina própria (seta preta) (200x, HE). C) Ruminite aguda moderada: Infiltrado inflamatório neutrofílico multifocal, moderado, intraepitelial (setas pretas) e hiperqueratose paraqueratótica discreta (200x, HE). D) Ruminite aguda moderada: Além das alterações descritas em C, nota-se a presença de estruturas basofílicas finamente granulares compatíveis com colônias bacterianas acima da camada queratinizada (seta preta) (200x, HE). E) Cicatriz ou úlcera em cicatrização: Rúmen re-epitelizado. Observa-se uma camada de tecido conjuntivo denso em submucosa, hiperplasia de epitélio ruminal (seta azul) com formação de papilas e hiperqueratose paraqueratótica (seta preta) (40x, HE). F) Cicatriz ou úlcera em cicatrização: Detalhe da camada epitelial hiperplásica e hiperqueratose paraqueratótica (seta preta) (400x, HE).

Dos 23 animais que apresentaram lesões macroscópicas, em dez casos foi encontrada correlação com as lesões microscópicas (Tabela 3), sendo sete casos de hiperqueratose, dois casos de hiperemia e um caso de ulceração. A correlação encontrada entre o diagnóstico microscópico e macroscópico foi de 41,2% para os casos de hiperqueratose (7/17), 40% para os casos de hiperemia (2/5) e de 100% para o único caso de ulceração (1/1). Dois casos de papilomatose ruminal diagnosticados na microscopia não foram verificados na avaliação macroscópica. Provavelmente ocorrência de uma quantidade expressiva de rumens com presença de hiperemia e hiperqueratose indicam que, apesar de representarem alterações discretas e sem repercussão clínica, uma representativa parte dos animais enfrentou algum nível de agressão. Essas lesões poderiam ser justificadas, em parte, pela alteração da dieta do pasto para confinamento e exposição desses animais ao consumo de grandes quantidades de concentrado que pode contribuir para o desequilíbrio entre a produção e remoção dos ácidos graxos voláteis no rúmen, predispondo à acidose ruminal1616 Nagaraja, TG, Lechtenberg KF. Acidosis in feedlot catlle. Vet. Clin. Food Anim. 2007; 23: 333-50.. A hiperemia e a hiperqueratose da mucosa ruminal são respostas adaptativas que buscam proteger o órgão nos casos iniciais de agressões de baixa intensidade especialmente pela hiperqueratinização do epitélio1717 Nagaraja TG. Rumen health. In Simpósio de nutrição de ruminantes – saúde do rúmen. Anais eletrônicos [CD-ROM]. Botucatu: Unesp, 2011., 1818 Hernández J, Benedito JL, Abuelo A, Castillo C. Ruminal acidosis in feedlot: From aetiology to prevention. Scientific World J. 2014; article ID 702572 [acesso 01 mai 2017]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.115.5/2014/702572
http://dx.doi.org/10.115.5/2014/702572...
, 1919 Steele MA, Croom J, Kahler M, AlZahal O, Hook SE, Plaizer K, McBride BW. Bovine rumen epithelium undergoes rapid structural adaptations during grain-induced subacute ruminal acidosis. Am. J. Physiol. Regul. Integr. Comp. Physiol. 2011; 300: 1515-23..

Tabela 3
Tabela de contingência para avaliação macroscópica de lesões ruminais considerando o diagnóstico microscópico como padrão ouro

Ainda ponderando sobre os achados macroscópicos evidenciados no rúmen, os casos verificados de rumens ulcerados poderiam ser decorrentes de alguns animais que já chegaram ao confinamento com lesões ruminais em estágios iniciais e que foram agravadas com a nova dieta ou mesmo em virtude da suscetibilidade individual de alguns animais. Apesar das neoplasias do trato gastrointestinal de bovino serem raras e ser mais frequente em animais de idade avançada2020 Tessele B, Barros CSL. Tumores em bovinos encontrados em abatedouros frigoríficos. Pesq. Vet. Bras. 2016; 36(3): 145-60.,2121 Bertone AL. Neoplasms of the bovine gastrointestinal tract. Vet. Clin. North Am. Food Anim. Pract. 1990; 6 (2): 515-24., os dois casos diagnosticados neste estudo tratavam-se de papilomatose, que além de ser uma doença infectocontagiosa causada por vírus, tem uma ocorrência mais frequente em animais até três anos de idade2222 Correia WM, Correia CNM. Doenças infecciosas em animais domésticos. São Paulo: Verela, 1992, 843p..

A ausência de abscessos ruminais e os diversos casos de bovinos que não apresentaram lesões ruminais na avaliação macroscópica, em tese, pode ser justificado pelo fato de os animais terem sido submetidos à uma dieta de adaptação antes de adentrarem ao confinamento1818 Hernández J, Benedito JL, Abuelo A, Castillo C. Ruminal acidosis in feedlot: From aetiology to prevention. Scientific World J. 2014; article ID 702572 [acesso 01 mai 2017]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.115.5/2014/702572
http://dx.doi.org/10.115.5/2014/702572...
,2323 Valente TNP, Sampaio CB, Lima ES, Deminicis BB, Cezário AS, Santos WBR. Aspects of acidosis in ruminants with a focus on nutrition: a review. J. Agr. Sci. 2017; 9(3): 90-97.. Portanto, provavelmente, ficaram pouco tempo expostos à acidose ruminal. Desta forma, o tempo de exposição a dietas com potencial para a acidose ruminal para desenvolver lesões visíveis e diversificadas pode ter sido insufficiente.

Valendo-se da classificação dos achados macroscópicos do rúmen proposta neste estudo, foi possível identificar as principais lesões ruminais descritas em bovinos com acidose ruminal em diferentes níveis. Uma caracterização mais segmentada das lesões macroscópicas possibilitou efetuar uma avaliação microscópica para analisar o estágio de evolução destas lesões, representando um avanço nessa modalidade de estudo de lesões ruminais. Confrontando a categorização aqui empregada com a estratificação utilizada por Rezac et al.2424 Rezac DJ, Thomson DU, Bartle SJ, Osterstock JB, Prouty FL, Reinhardt CD. Prevalence, severity, and relationships of lung lesions, liver abnormalities, and rumen health scores measured at slaughter in beef cattle. J. Anim. Sci. 2014; 92: 2595-602., ela foi mais detalhada e mais elucidativa, tendo em vista que os autores classificaram as lesões ruminais empregando apenas três escores, normal, lesões leves e lesões severas. Quanto a classificação proposta por Smith2525 Smith HA. Ulcerative lesions of the bovine rumen and their possible relation to hepatic abscess. Am. J. Vet. Res. 1944; 5: 234-42. em lesões ruminais do tipo I ou “retalhos aderentes”, tipo II ou “ruminite erosiva”, tipo III ou “ruminite pseudomembranosa”, tipo IV ou “ruminite ulcerativa”, tipo V ou “retração cicatricial” e tipo VI ou “vilosidades aderidas”, apesar de ser mais segmentada se apresentou mais complexa para ser empregada em experimentos que requeiram análise de muitos animais. Logo, ainda que a classificação aqui adotada seja mais simplificada, permite estratificar as lesões em vários estágios de evolução, além de criar outros escores como hiperemia, neoplasias e abscessos no rúmen. Os animais apresentaram concordância entre o resultado macroscópico e microscópico em 43,5% das vezes, e, em 82,6% dos casos a avaliação de rúmen hígido se mostrou consoante com a microscopia (Tabela 3).

Além disso, oito dos dez animais (80%) que possuíam abscessos hepáticos não apresentaram lesões ruminais macroscópicas, enquanto 90% (9/10) desses casos tiveram lesões microscópicas ruminais. Nenhum animal apresentou lesão podal e abcesso hepático concomitante.

Argumentando sobre a avaliação microscópica do rúmen que identificou os casos de ruminite aguda discreta como a alteração mais frequente no presente estudo, pode-se sugerir que, nos animais avaliados, as lesões ainda se encontravam nos estágios iniciais da ruminite, corroborando com os achados macroscópicos. Esses achados indicam que, possivelmente, a dieta do confinamento utilizada na terminação dos animais não resultou em acidose aguda o suficiente para desencadear lesões expressivas na parede ruminal conforme descrito em diversos trabalhos científicos1919 Steele MA, Croom J, Kahler M, AlZahal O, Hook SE, Plaizer K, McBride BW. Bovine rumen epithelium undergoes rapid structural adaptations during grain-induced subacute ruminal acidosis. Am. J. Physiol. Regul. Integr. Comp. Physiol. 2011; 300: 1515-23.,2626 Costa SF, Pereira MN, Melo LQ, Caliari MV, Chaves ML. Alterações morfológicas induzidas por butirato, propionato e lactato sobre a mucosa ruminal e epiderme de bezerros. II. Aspectos ultra-estruturais. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. 2008; 60(1): 10-18.,2727 Xu Y, Ding Z. Physiological, biochemical and histopathological effects of fermentative acidosis in ruminant production: a minimal review. Span J Agric Res. 2011; 9(2): 414-22.. Ressalte-se que os animais avaliados eram oriundos de um produtor que atua há vários anos com sistemas de confinamento. Assim, fatores relacionados ao manejo como a adaptação dos animais à mudança de dietas, balanceamento nutricional adequado e uma rotina padronizada de alimentação, incluindo o fornecimento do alimento diversas vezes ao dia possivelmente resultou em adaptação da microbiota ruminal2828 González LA, Manteca X, Calsamiglia S, Schwartzkopf GKS, Ferret A. Ruminal acidosis in feedlot cattle: Interplay between feed ingredients, rumen function and feeding behavior. Anim. Feed Sci. Technol. 2012; 172: 66-79., minimizando os efeitos da acidose.

A avaliação microscópica indicou apresentar maior capacidade em identificar lesões iniciais do que a avaliação macroscópica, fato demonstrado pela diferença na identificação de lesões ruminais em casos de animais que possuíam abscessos hepáticos, onde a microscopia revelou 82,6% de lesões ruminais e, na macroscopia, apenas 20% tiveram as lesões ruminais identificadas. Essa diferença pode indicar a maior sensibilidade da microscopia em identificar lesões menos acentuadas, ou serem decorrentes de as lesões macroscópicas iniciais de ruminite terem sido resolvidas ou estarem em estágio de resolução, já que fsiopatologicamente elas precedem o aparecimento das lesões hepáticas.

A ruminite, os abcessos hepáticos e as lesões podais, sobretudo a laminite, são apontados como indicadores de lesões secundárias à acidose ruminal33 Nagaraja TG, Lechtenberg KF. Liver abscesses in feedlot catlle. Vet. Clin. Food Anim. 2007; 23: 351-69.,88 Narayanan S, Nagaraja TG, Okwumabua OGI, Staats J, Chengappa MM, OberstRD. Ribotyping to compare Fusobacterium necrophorum isolates from bovine liver abscesses, ruminal walls, and ruminal contents. Appl. Environ. Microbiol. 1997; 63(12): 4671-78.,99 Nocek, JE. Bovine acidosis: implications on laminitis. J Dairy Sci. 1997; 80: 1005-28.. Animais intensamente manejados e que recebem dietas ricas em carboidratos rapidamente fermentáveis, como bovinos confinados, gado leiteiro e de elite, provavelmente apresentam maior ocorrência de lesões ruminais e, consequentemente, de os abscessos hepáticos e lesões podais. Por isso, o próximo passo seria avaliar rumens de animais confinados que não apresentam lesões podais ou abcessos hepáticos para se comparar os achados macro e microscópicos para poder ampliar a discussão com os resultados do presente estudo.

Conclusão

A avaliação macroscópica dos rumens de bovinos da raça Nelore com diagnóstico positivo para lesões podais ou abscesso hepático permitiu identificar lesões ruminais em bovinos de corte, manejados a pasto durante a cria e recria e em sistema de confinamento durante a terminação. A avaliação microscópica possibilitou a detecção de lesões ruminais que passaram despercebidas pela avaliação macroscópica, o que torna importante essa ferramenta para trabalhos científicos que visam identificar prevalência de ruminites subclínicas que podem indicar a necessidade de melhoria de manejo da dieta dos animais confinados.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Nov 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    13 Jun 2022
  • Aceito
    19 Set 2022
  • Publicado
    07 Out 2022
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