Análise da ortografia de alunos do 4º ano do Ensino Fundamental a partir de ditado de palavras

Analysis of the spelling patterns of 4th grade students based on a word dictation task

Maria Thereza Mazorra dos Santos Debora Maria Befi-Lopes Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO: Caracterizar a ortografia de alunos de escolas públicas e particulares e apresentar ferramenta de ditado de palavras de fácil aplicação para o contexto clínico e educacional. MÉTODOS: Participaram deste estudo 82 alunos de 4º ano do Ensino Fundamental da Grande São Paulo, de 9 a 10 anos. O ditado consistiu de dez palavras de alta frequência (PAF), dez de baixa frequência (PBF) e dez pseudopalavras (PP), a partir do qual se analisou a tipologia e o número de erros ortográficos. Foi realizada análise estatística dos resultados e para comparar os números médios de erros entre as PAF, PBF e PP, utilizou-se a Análise de Variância e o método de comparações múltiplas de Tukey (p<0,05). Pela técnica de Análise de Agrupamentos formou-se grupos homogêneos de acordo com seu desempenho. RESULTADOS: As análises Indicaram que o número médio de erros nas PBF é maior que nas PAF (p=0,000) e que nas PP (p=0,000); o número de erros nas PAF é menor que nas PP (p=0,009). Maior número de erros ocorreu nos tipos "Outros", "Generalização de Regra", "Omissão", "Surdas-Sonoras" e "Acréscimo". Não houve erros do tipo "Ão-Am" em nenhuma das palavras e de "Junção-Separação" nas PAF. CONCLUSÃO: Erros fazem parte do processo de aprendizagem da escrita. Os alunos podem apresentar alguma variabilidade no domínio da ortografia, para tanto devem ser estimulados a analisar palavras em seus aspectos fonológicos, morfológicos e semânticos. A análise a partir dos tipos de erros não é suficiente para pensar a intervenção. É necessário que se compreenda as estratégias que a criança utiliza para escrever.

Testes de linguagem; Aprendizagem; Estudos de linguagem; Educação; Escrita manual


PURPOSE: The purpose of this study was to establish a profile of the spelling patterns studied in students from public and private schools and to describe a word spelling task for clinical and educational settings. METHODS: Eighty-two fourth grade students belonging to the elementary school of public and private schools in São Paulo, ranging in age from nine to ten years, took part in this study. The spelling task consisted of a list of ten high frequency words (HFW), ten low frequency words (LFW), and ten pseudowords (PW), in which the typology and number of spelling errors were described. To compare the average number of mistakes on the HFWs, LFWs, and PWs, we used an analysis of variance and Tukey's multiple comparisons (p<0.05). Using a cluster analysis, homogeneous groups were formed based on their performance. RESULTS: Results indicated that the average number of mistakes in the LFWs was higher than in the HFWs (p=0.000) and PWs (p=0.000), and the number of mistakes in the HFWs was lower than in the PWs (p=0.009). The highest number of mistakes was found in the following categories: "others", "rule generalization", "omission", "voiced-voiceless", and "addition". There were no mistakes of the type "ão-am" and "blend-separation" in the HFWs. CONCLUSION: Spelling errors are a part of the process of learning to write, and students can show some variance in spelling performance. Furthermore, students need to be stimulated to analyze words and their aspects of phonology, morphology, and semantics. An analysis from the types of errors is not enough to plan intervention programs, but instead is necessary to understand the strategies that the child uses to write.

Language tests; Learning; Language arts; Education; Handwriting


  • 1
    Ferreiro E, Teberosky A. Psicogênese da lingua escrita. 2a ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1989.
  • 2
    Ehri L. Sources of difficulty in learning to spell and read. In: Wolraich ML, Routh DK. Advances in Developmental and Behavioral Pediatrics. v. 7. Greenwich, Connecticut: JAI Press; 1986. p. 121-95.
  • 3
    Gentry JR. An analysis of developmental spelling in GNYS AT WORK. The Reading Teacher. 1982;36:192-200.
  • 4
    Treiman R, Cassar M. Effects of morphology on children's spelling of final consonant clusters. J Exp Child Psychol. 1996;63(1):141-70.
  • 5
    Treiman R, Kessler B. The role of letter names in the acquisition of literacy. Adv Child Dev Behav. 2003;31:105-35.
  • 6
    Cardoso-Martins C, Batista ACE. O conhecimento do nome das letras e o desenvolvimento da escrita: evidência de crianças falantes do português. Psicol Refl Crít. 2005;18(3):330-6.
  • 7
    Pollo TC, Kessler B, Treiman R. Vowels, syllables, and letters names: differences between young children's spelling in English and Portuguese. J Exp Child Psychol. 2005;92(2):161-81.
  • 8
    Nation K, Angell P, Castles A. Orthographic learning via self-teaching in children learning to read in English: effects of exposure, durability, and context. J Exp Child Psychol. 2007;96(1):71-84.
  • 9
    Perfetti CA. The psycholinguistics of spelling and reading. In: Perfetti CA, Rieben L, Fayol M. Learning to spell: research, theory, and practice across languages. Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum; 1997. p. 21-38.
  • 10
    Campbell R. When children write nonwords to dictation. J Exp Child Psychol. 1985;40(1):133-51.
  • 11
    Barry C, Seymour PHK. Lexical primming and sound-to-spelling contingency effects in nonword spelling. Q J Exp Psychol.1988;40(1A):5-40.
  • 12
    Treiman R, Cassar M, Zukowski A. What types of linguistic information do children use in spelling? The case of flaps. Child Dev. 1994;65(5):1310-329.
  • 13
    Nunes T, Bryant P, Bindman M. Morphological spelling strategies: developmental stages and processes. Dev Psychopathol. 1997;33(4):637-49.
  • 14
    Nunes T, Bryant P, Olsson JM. Learning morphological and phonological spelling rules: an intervention study. Scientific Studies of Reading. 2003;7:289-307.
  • 15
    Queiroga BAM, Lins MB, Pereira MALV. Conhecimento morfossintático e ortografia em crianças do Ensino Fundamental. Psi Teor e Pesq. 2006;22(1):95-100.
  • 16
    Sénéchal M, Basque MT, Leclaire T. Morphological knowledge as revealed in children's spelling accuracy and reports of spelling strategies. J Exp Child Psychol. 2006;95(4):231-54.
  • 1 7. Zorzi J. Aprender a escrever: a apropriação do sistema ortográfico. Porto Alegre: Artes Médicas; 1998.
  • 18
    Zorzi J. Desvios na ortografia. In: Ferreira LP, Befi-Lopes DM, Limongi SCO, organizadores. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Rocca; 2005. p. 877-91.
  • 19
    Bacha SMC, Maia MBA. Ocorrência de erros ortográficos: análise e compreensão. Pro Fono. 2001;13(2):219-26.
  • 20
    Queiroga BAM, Borda DM, Vogeley ACE. Habilidades metalinguísticas e a apropriação do sistema ortográfico. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2004;9(2):73-80.
  • 21
    Ávila CRB, Ramos CS, Frigerio MC, Lucas S. Análise da escrita de escolares de 4ª série do ensino fundamental das redes pública e particular. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2001;1:23-8.
  • 22
    Dias RS, Ávila CRB. Uso e conhecimento ortográfico no transtorno específico da leitura. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(4):381-90.
  • 23
    Wertzner HF. Fonologia. In: Andrade CRF, Befi-Lopes DM, Fernandes FDM, Wertzner HF. ABFW, teste de Linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. Carapicuíba (SP): Pró Fono; 2000. p. 5-40.
  • 24
    Pinheiro A. Contagem de frequência de ocorrência e análise psicolinguística de palavras expostas a crianças na faixa pré-escolar e séries iniciais do 1º Grau. São Paulo: Associação Brasileira de Dislexia; 1996.
  • 25
    Neter J, Kutner MH, Nachtsheim CJ, Wasserman W. Applied Linear Statistical Models. 4th ed. Chicago: Irwin; 1996.
  • 26
    Johnson RA, Wichern DW. Applied Multivariate Statistical Analysis. 3rd ed. New Jersey: Prentice-Hall; 1992.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Jul 2013
  • Data do Fascículo
    2013

Histórico

  • Recebido
    26 Jul 2012
  • Aceito
    13 Set 2012
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia Al. Jaú, 684, 7º andar, 01420-002 São Paulo - SP Brasil, Tel./Fax 55 11 - 3873-4211 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revista@codas.org.br