Open-access Tradução e adaptação transcultural da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS para o Português Brasileiro

RESUMO

Objetivo  Realizar a tradução e adaptação transcultural da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS para o Português Brasileiro (PB).

Método  O instrumento original em inglês foi traduzido por um fonoaudiólogo brasileiro e um tradutor brasileiro, ambos bilíngues. A versão compilada das duas traduções foi retrotraduzida por um segundo fonoaudiólogo e um segundo tradutor, ambos bilíngues, nativos do inglês e fluentes em Português Brasileiro. A versão final foi analisada por comitê de especialistas, elaborando-se uma versão final da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. Foi realizado pré-teste com a aplicação da escala traduzida, acrescida da opção de resposta “não aplicável” em 40 sujeitos oncológicos com queixa de dispneia, sendo 35 participantes iniciais e cinco para confirmação de ajustes posteriores.

Resultados  Dos 35 participantes iniciais do estudo, nenhum assinalou a opção “não aplicável” para os 12 itens da escala, porém foram observados questionamentos sobre as chaves de resposta, que foram rediscutidos pelo comitê de especialistas e adaptados. Em seguida, cinco novos participantes responderam a escala para a confirmação dos ajustes, sem necessidade de novas adaptações na formulação dos itens.

Conclusão  A versão traduzida e transculturalmente adaptada para o Português Brasileiro foi denominada Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. No processo de tradução e adaptação transcultural foram necessários ajustes para que reflita a versão original e seja compatível com a língua e cultura alvo. A Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br mostrou ser um instrumento de fácil aplicação e compreensão para a autoavaliação da dispneia de pacientes oncológicos.

Descritores:
Dispneia; Neoplasias; Autoteste; Inquéritos e Questionários; Tradução; Fonoaudiologia

ABSTRACT

Purpose  To translate and cross-culturally adapt The Cancer Dyspnoea Scale - CDS into Brazilian Portuguese.

Methods  The original instrument in English was translated by a Brazilian Speech-Language Pathologist (SLP) and a Brazilian translator, both bilingual. The compiled version of the two translations was back-translated by a second SLP and a second translator, both bilingual, native English speakers, and fluent in Brazilian Portuguese. The final version was analyzed by a committee of experts, resulting in the final version of the Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. It was pre-tested by applying the translated scale (with the additional option of responding “not applicable”) to 40 cancer patients with dyspnea complaints – 35 initial participants and another five to confirm subsequent adjustments.

Results  None of the 35 initial study participants marked “not applicable” in the 12 scale items, but some questions were raised regarding the response keys, which were adapted after the committee of experts rediscussed them. Five new participants then responded to the scale to confirm the adjustments, without the need for further adaptations in the formulation of the items.

Conclusion  The translated and cross-culturally adapted version for Brazilian Portuguese was called Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. Adjustments were necessary during translation and cross-cultural adaptation to reflect the original version and be compatible with the target language and culture. The Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br proved to be an easy-to-apply and understand self-assessment tool for dyspnea in cancer patients.

Keywords:
Dyspnea; Neoplasms; Self-Testing; Surveys and Questionnaires; Translating; Speech-Language Pathology

INTRODUÇÃO

A dispneia pode ser definida como uma experiência subjetiva de desconforto respiratório(1). É um sintoma multidimensional complexo e de difícil interpretação, visto que varia de intensidade de acordo com a doença subjacente e estado emocional e pode estar ou não associado a outras alterações clínicas(2).

Diversos estudos apontam para a dispneia como um sintoma muito frequente em pacientes com doenças crônicas e avançadas. Sua prevalência pode chegar a 50% dos pacientes com câncer, atingindo 74% nos pacientes com câncer de pulmão e 80% nesses quando em fase final de vida, podendo ser um sintoma refratário a tratamento, mesmo que não haja nenhum comprometimento pulmonar(2-5).

Alguns estudos têm apontado correlações entre dispneia e estado psicológico(6-8) enquanto outros demonstram associação com diferentes etiologias e causas físicas associados ao quadro clínico(4,9,10). Em todos esses cenários a dispneia pode sofrer influência do diagnóstico, tratamento oncológico ou avanço da doença em pacientes com câncer(8).

Todos esses fatores multidimensionais sugerem que a dispneia inclui diversas sensações e mecanismos e está associada à diminuição da qualidade de vida, sendo progressiva na medida do agravo da doença(11). Devido ao caráter subjetivo e individual desse sintoma, é necessário a implementação de ferramentas de autoavaliação apropriadas para entender possíveis etiologias e estabelecer estratégias terapêuticas para dispneia na população oncológica(3,10).

Os instrumentos de autoavaliação de desconforto respiratórios disponíveis para o Português Brasileiro mensuram de modo geral a presença de dispneia, mas não focam nas alterações específicas da população oncológica e, por diversas vezes, avaliam os pacientes sob situações de esforço, exigência que pode ser inviável ao paciente em tratamento de câncer(4,6).

A The Cancer Dyspnoea Scale - CDS foi desenvolvida(6) como uma breve autoavaliação da dispneia em pacientes com câncer. Validada originalmente em inglês, tem como objetivo compreender aspectos multidimensionais a partir de uma autoavaliação, o que é particularmente interessante pelo caráter subjetivo da dispneia. O CDS é um protocolo fácil, curto e simples o suficiente para ser preenchido pelos pacientes, mesmo que desconfortáveis devido a própria dispneia. Pelo fato de avaliar a dispneia percebida em situação habitual, e não sob esforço, pode ser aplicado mesmo com o paciente acamado(6). Na versão original, sua confiabilidade e validade foram confirmadas em pacientes com câncer e a ferramenta se mostrou sensível às alterações clínicas devido ao tratamento ou progressão da doença ao longo do tempo(6).

Não existem ferramentas validadas no Brasil para a avaliação de dispneia em pacientes oncológicos e, desta forma, torna-se essencial a tradução, adaptação transcultural e validação desse instrumento para auxiliar no diagnóstico e definir estratégias de intervenção nessa população, a partir da autoavaliação do sintoma. O presente estudo tem o objetivo de traduzir e adaptar transculturalmente o instrumento de autoavaliação The Cancer Dyspnoea Scale - CDS (6) para o Português Brasileiro, fases iniciais essenciais para validação na língua e cultura brasileira.

MÉTODO

O estudo de desenho transversal recebeu a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário FMABC, sob parecer 6.584.015 de 15 de dezembro de 2023, em conformidade com a Resolução CNS 466/12. Todos os participantes forneceram seu consentimento por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE.

As etapas de adaptação transcultural seguiram as recomendações da literatura para as etapas de tradução, síntese, retrotradução, revisão pelo comitê de especialistas e pré-teste(12). Para a tradução inicial, um fonoaudiólogo especializado em voz (T1) e um tradutor sem conhecimento no tema (T2), ambos nativos do Português Brasileiro (idioma alvo) e fluentes em inglês (idioma fonte), foram convidados a trabalhar de forma independente. Suas traduções foram analisadas pelos pesquisadores e uma versão de síntese traduzida foi criada (VCP). Quando houve discordância, os pesquisadores optaram pela escolha que melhor se ajustava ao Português Brasileiro, mantendo o conceito da versão original. A versão consensual foi retrotraduzida por um segundo fonoaudiólogo (R1) e um segundo tradutor sem conhecimento sobre o tema (R2), ambos nativos do inglês e fluentes em Português. Um comitê de cinco especialistas, incluindo um tradutor bilíngue português-inglês com bastante experiência em traduções científicas, um metodologista com formação em nível de pós-graduação em estatística e bastante experiência em processos de validações de instrumentos de autoavaliação na Fonoaudiologia e três fonoaudiólogos com Especialistas em Voz, mestres e doutores em Ciências e expertise de atuação clínica e em pesquisa na área de Oncologia, sendo um sênior com 47 anos de atuação, e dois em desenvolvimento de carreira: um com 27 anos de atuação e outro com 18 anos, comparou a retrotradução com o original para garantir equivalência semântica, conceitual, idiomática, experiencial, cultural e operacional. Após essas etapas, uma versão adaptada transculturalmente foi submetida ao pré-teste com 40 participantes, conforme as diretrizes do COnsensus-based Standards for the selection of health Measurement INstruments (COSMIN)(13).

O pré-teste incluiu sujeitos com diagnóstico confirmado de câncer de cabeça e pescoço, maiores de 18 anos, em condições clínicas para completar os questionários de forma individual e queixa autorreferida de dispneia. A escolha de pacientes com essas características foi adaptada ao contexto atual após discussão com o autor da versão original em inglês. Foram excluídos aqueles com alterações neurológicas ou cognitivas que pudessem afetar a autoaplicação dos instrumentos. Os participantes foram recrutados no Hospital Anchieta, unidade do Complexo de Saúde de São Bernardo do Campo - CSSBC.

A Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br foi aplicada com cinco opções de resposta, conforme o protocolo original, com a adição da opção "Não aplicável" para situações culturalmente não aplicáveis ou de difícil compreensão para o participante.

Os dados foram analisados de forma descritiva e inferencial utilizando-se o software SPSS 29.0. Foi considerado um nível de significância de 5% para as análises inferenciais.

Na análise descritiva das variáveis quantitativas foram calculadas as medidas de tendência central (média e mediana), variabilidade (desvio-padrão) e posição (mínimo, máximo, primeiro e terceiro quartis). Na análise descritiva das variáveis qualitativas foram calculadas a frequência absoluta e a frequência relativa percentual.

A comparação da proporção de duas categorias de uma variável qualitativa nominal foi realizada por meio do Teste Binominal de uma amostra, adotando-se a proporção de referência de 0,5. A comparação da proporção observada e esperada para uma variável qualitativa nominal de múltiplas categorias foi realizada por meio do Teste Qui-Quadrado de uma amostra. Adotou-se a proporção de referência esperada proporcional ao número de categorias da chave de resposta.

RESULTADOS

Participaram do estudo total 40 indivíduos oncológicos com queixa de dispneia, com média de idade de 60,75 (desvio padrão de 8,24; idade mínima 39 anos e idade máxima 76 anos), sendo 27 do sexo masculino (67,5%) e 13 do sexo feminino (32,5%), conforme mostra a Tabela 1. Houve maior frequência de indivíduos oncológicos com queixa de dispneia com diagnóstico oncológico de CEC de laringe (n=4; 10%), e de CEC de orofaringe (n=4; 10%), que não faziam uso de traqueostomia (n=24; 60%), que realizaram cirurgia (n=24; 60%), que realizaram radioterapia (n=34; 85%), e que realizaram quimioterapia (n=27; 67,5%).

Tabela 1
Análise descritiva das variáveis idade, sexo, diagnóstico oncológico, traqueostomia, cirurgia, radioterapia e quimioterapia em indivíduos oncológicos com queixa de dispneia

Os itens da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS passaram por um processo de discussão e adaptação entre os tradutores e especialistas. Inicialmente, houve discordâncias na interpretação do enunciado da escala, nas chaves de resposta e nos itens específicos (5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 12). Os tradutores confrontaram diferentes abordagens linguísticas e culturais, refletindo sobre como cada palavra e frase poderiam afetar a compreensão e resposta dos participantes. A versão final da escala foi adaptada pelo comitê de especialistas, após a segunda etapa de tradução, nos itens 10 e 12, com relação ao tempo verbal.

O processo de tradução, retrotradução e adaptação transcultural da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br pode ser encontrado no Quadro 1.

Quadro 1
Processo de tradução e adaptação transcultural da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS (6) para o português brasileiro, chamada de Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br

A necessidade de consenso levou a ajustes substanciais, incluindo mudanças no enunciado para garantir clareza e autoexplicação, bem como na formulação das chaves de resposta para assegurar que a escala mantivesse sua precisão e utilidade clínica. Quanto aos itens da escala, foram revisadas questões específicas para melhor correspondência cultural e compreensão global, adaptando termos e contextos temporais para facilitar uma resposta mais precisa e abrangente dos pacientes.

A adaptação e precisão técnica na tradução, aumentam a sensibilidade necessária para considerar diferenças culturais e linguísticas, garantindo que a escala seja eficiente e compreensível em diferentes contextos clínicos e sociais para o Português Brasileiro.

Inicialmente, as chaves de resposta da escala traduzida foram: “Não”, “Um pouco”, “Mais ou menos”, “Muito” e “Demais”. Na aplicação inicial do pré-teste, com 35 pacientes, usando-se as categorias de resposta do protocolo original, não houve nenhum questionamento sobre o conteúdo dos itens, mas sim quanto ao que entendia na opção “Demais”, relacionando a palavra a um contexto de “excesso”. Sendo assim, foi realizada nova discussão com o mesmo comitê de especialistas formado pelos cinco profissionais, ajustando-se a escala de respostas para “Não”, “Um pouco”, “Mais ou menos”, “Bastante” e “Muito”. A escala final com a chave de respostas modificada foi aplicada em mais cinco novos sujeitos, totalizando os 40 indivíduos do estudo, não sendo identificadas nenhuma dificuldade. Não houve marcação na escolha “Não aplicável” o que reforça o reconhecimento fácil dos sintomas relacionados à dispneia, nessa população.

O protocolo original apresenta três fatores e, embora não tenha sido feita análise confirmatória, é interessante apontar que com relação aos escores da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br, o Fator 1 - Sensação de esforço apresentou uma média de 8,15, o Fator 2 - Sensação de ansiedade apresentou uma média de 4,3, e o Fator 3 - Sensação de desconforto apresentou uma média de 3,4. O escore total da dispneia apresentou uma média de 15,85 (Tabela 2).

Tabela 2
Análise descritiva dos escores dos fatores da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br em indivíduos oncológicos com queixa de dispneia

A Tabela 3 mostra que não foi possível comparar a proporção de respostas da chave habitual de resposta da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br com a opção “Não aplicável” para todos itens, visto que todos os indivíduos oncológicos com queixa de dispneia que participaram do pré-teste responderam uma das opções da chave de respostas habitual da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br, não utilizando a opção “Não aplicável”.

Tabela 3
Análise descritiva da comparação da proporção observada e obtida para a comparação das categorias da chave de resposta habitual e não aplicável para cada item da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br em indivíduos oncológicos com queixa de dispneia

A Tabela 4 compara a proporção observada e esperada de cada opção de resposta, para cada item da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. Não houve diferença para o item 10 (X2=2,500), que se refere a questão: “Você sente que suas vias respiratórias estão mais fechadas?” apontando para um padrão de respostas mais aleatório, sem tendência a uma única chave de resposta mais frequente para a questão na população oncológica.

Tabela 4
Análise descritiva da comparação da proporção observada e obtida para cada categoria da chave de resposta habitual para cada item da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br em indivíduos oncológicos com queixa de dispneia

A composição final da versão brasileira traduzida e transculturalmente adaptada da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS (6), chamada de Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br (Apêndice 1), apresenta 12 itens, como o protocolo original.

DISCUSSÃO

A dispneia é uma experiência subjetiva de desconforto respiratório que consiste em sensações qualitativamente distintas que variam em intensidade. Nos pacientes oncológicos, é um dos sintomas mais comuns e angustiantes agravado por outros sintomas relacionados, como a fadiga e a ansiedade, resultando em limitação funcional(8). Diversas funções podem sofrer prejuízos importantes pela alteração respiratória, sendo esses diretamente acarretados pela dispneia ou por seu impacto na evolução prognóstica(6,8). A dispneia pode interferir na produção vocal devido às alterações no fluxo respiratório, prejudicando a qualidade de comunicação. Em todos os cenários possíveis, a dispneia e suas morbidades podem comprometer negativamente a qualidade de vida dos pacientes oncológicos(7).

Devido à complexidade e subjetividade da dispneia, os profissionais de saúde precisam ter atenção ao manejo do quadro para garantir a abordagem adequada e definir a indicação correta nas intervenções de aspectos relacionados que interferem diretamente no quadro respiratório. Os protocolos de autoavaliação auxiliam os profissionais a entenderem melhor o impacto da dispneia nos pacientes e também colaboram para que o paciente compreenda de forma clara de que maneira essa alteração tem afetado seu bem-estar(6). No Brasil, não existem escalas ou questionários que avaliem a dispneia especificamente de pacientes oncológicos, a partir da autoavaliação, levando em consideração os fatores multidimensionais da dispneia.

A The Cancer Dyspnoea Scale - CDS (6) é um questionário breve de autoavaliação que consiste em três fatores e 12 itens. É a primeira escala a abordar a natureza multidimensional da dispneia do paciente oncológico, focando diretamente na experiência da dispneia em si, no lugar de avaliar apenas o esforço físico que pode desencadeá-la. É uma ferramenta única, autoaplicável, validada e comprovadamente confiável para a avaliação da dispneia em pacientes oncológicos. As pontuações totais e por subfator do The Cancer Dyspnoea Scale - CDS refletem a intensidade da dispneia e cada subfator captura diferentes aspectos da dispneia, correlacionando-se com o estado físico e o estado psicológico(6).

A fase inicial do processo de validação de um questionário é a tradução e adaptação transcultural, fundamental para viabilizar o uso desse instrumento em uma língua e cultura distintas daquelas em que foi originalmente concebido, devendo seguir diretrizes que garantam o rigor científico desse procedimento(12). Durante as fases de síntese e consenso entre os especialistas, foram feitas modificações para tornar as perguntas da escala mais claras e simples, juntamente com os itens de marcação, de modo a garantir que fossem compreensíveis para diferentes grupos sociais e culturais no Brasil. Foi necessário simplificar algumas perguntas e ajustar termos que não afetavam o significado geral das frases quando comparado com o instrumento original.

Na fase de pré-teste, verificou-se que todas as questões da escala eram compreensíveis. Nenhum participante deixou uma pergunta sem resposta, questionou seu significado ou, quando foi oferecida a marcação da opção “Não aplicável”, ela não foi utilizada. Contudo, houve margem para discussão em relação à última opção da chave de respostas proposta originalmente (“Não”, “Um pouco”, “Mais ou menos”, “Muito” e “Demais”). Alguns participantes referiram que “Demais” poderia ser um fator de alteração, sendo assim a escala foi rediscutida entre os especialistas e ajustada para os termos propostos. Nessa versão, não houve dúvidas na autoavaliação dos novos participantes incluídos.

Com relação a proporção observada para cada opção de resposta, nota-se diferença estatisticamente significativa em todos os itens, com exceção do item 10 (“Você sente que suas vias respiratórias estão mais fechadas?”). Devido aos diagnósticos oncológicos dos participantes é possível relacionar o padrão de respostas ao fato da similaridade entre os sujeitos do grupo. Com relação ao item 10, deve-se levar em consideração que essa questão pode sofrer interferência com relação ao meio respiratório do participante. Participaram do estudo pacientes em uso de traqueostomia protetiva, traqueostomia por obstrução de vias aéreas, traqueostomia permanente e também com pacientes sem uso do dispositivo. A via respiratória pode ter colaborado para o padrão de respostas desse item, o que demonstra a efetividade do uso da escala na prática clínica para diferentes tipos de pacientes, já que sugere que as múltiplas dimensões da dispneia se sobrepõem de maneira complexa e estão intimamente relacionadas(6).

A aplicação do CDS-Br mostrou-se viável e prática em ambiente clínico. A simplicidade e facilidade de preenchimento por pacientes oncológicos com dispneia são características cruciais do instrumento(6).

A adaptação transcultural realizada neste estudo resultou na versão da Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br, traduzida e transculturalmente adaptada para o Português Brasileiro, oferecendo um instrumento único de autoavaliação da dispneia para pacientes oncológicos.

CONCLUSÃO

A versão traduzida e transculturalmente adaptada para o Português Brasileiro foi denominada Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br. No processo de tradução e adaptação transcultural foram necessários ajustes para que seja aplicável ao Português Brasileiro, refletindo a versão original. A Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br mostrou ser um instrumento de fácil aplicação e compreensão para a autoavaliação da dispneia de pacientes oncológicos.

Apêndice 1 Escala de Dispneia Oncológica - CDS-Br, versão traduzida e culturalmente adaptada da The Cancer Dyspnoea Scale - CDS (6)

ESCALA DE DISPNEIA ONCOLÓGICA - CDS-Br
Gostaríamos de lhe perguntar sobre sua falta de ar ou dificuldade de respirar. Por favor, responda a cada pergunta marcando o número que melhor descreve sua dificuldade de respirar, nos últimos dias. Responda de acordo com sua primeira impressão.
Não Um pouco Mais ou menos Bastante Muito
1. Você consegue inspirar com facilidade? 1 2 3 4 5
2. Você consegue expirar com facilidade? 1 2 3 4 5
3. Você consegue respirar lentamente? 1 2 3 4 5
4. Você sente falta de ar? 1 2 3 4 5
5. Você transpira e tem palpitações quando está difícil respirar? 1 2 3 4 5
6. Você fica ofegante? 1 2 3 4 5
7. Você tem dificuldade de respirar e fica sem saber o que fazer? 1 2 3 4 5
8. Você acha que sua respiração é superficial? 1 2 3 4 5
9. Você sente que sua respiração pode se interromper? 1 2 3 4 5
10. Você sente que suas vias respiratórias estão mais fechadas? 1 2 3 4 5
11. Você acha que pode se sufocar? 1 2 3 4 5
12. Você sente que tem algo limitando sua respiração 1 2 3 4 5
Como calcular os resultados
1. Some as pontuações de cada fator.
Fator 1 = (itens 4 + 6 + 8 + 10 + 12) – 5 = sensação de esforço
Fator 2 = (itens 5 + 7 + 9 + 11) – 4 = sensação de ansiedade
Fator 3 = 15 – (itens 1 + 2 + 3) = sensação de desconforto
2. Some a pontuação total de cada fator = dispneia total
As subtrações servem para fazer ajustes para 0 corresponder ao estado de ausência de dispneia.
  • Estudo realizado no Centro de Estudos da Voz - CEV - São Paulo (SP), Brasil.
  • Fonte de financiamento:
    nada a declarar.
  • Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa não estão disponíveis.

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Editado por

  • Editor:
    Stela Maris Aguiar Lemos.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Out 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    23 Ago 2024
  • Aceito
    17 Dez 2024
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
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