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Feminismo versus neoliberalismo: práticas de liberdade das mulheres numa perspectiva mundial

Resumo

Retornando à voz “original” de Simone de Beauvoir, descobrimos que ela, assim como Fraser (2013), havia criticando um certo “feminismo” neoliberal. Contudo, a abordagem de Beauvoir também capta a forma como o feminismo contemporâneo envolve um conjunto plural de práticas de liberdade, ao invés de um programa universal, como Fraser sugere.

Feminismo; Neoliberalismo; Práticas de Liberdade; Simone de Beauvoir; Nancy Fraser

Abstract

Turning to the “original” voice of Simone de Beauvoir we find that she, like Fraser (2013)Fraser, Nancy. How Feminism Became Capitalism”s Handmaiden - and How to Reclaim It. The Guardian , 14 October 2013., had criticized a neoliberal kind of “feminism”. However, Beauvoir’s approach also captures how contemporary feminism involves a plural set of freedom practices, rather than a universal program as Fraser implies.

Feminism; Neoliberalism; Freedom Practices; Simone De Beauvoir; Nancy Fraser

De acordo com a filósofa feminista Nancy Fraser, nos tempos atuais, o feminismo tornou-se “Serviçal” ( Handmaiden ) do “Capitalismo” ( Fraser, 2013Fraser, Nancy. How Feminism Became Capitalism”s Handmaiden - and How to Reclaim It. The Guardian , 14 October 2013. ). O feminismo teve início como um movimento em prol de solidariedade social e da democracia participativa. Porém, entrelaçou-se com o neoliberalismo, que é a fase mais recente do capitalismo, caracterizado por novas formas de desigualdade e exploração. O feminismo portanto tornou-se um ingrediente de um novo tipo de “neoliberalismo progressista” – uma mistura de capitalismo e demandas emancipatórias (cf. Fraser, 2017Fraser, Nancy. From Progressive Neoliberalism to Trump - and Beyond. American Affairs vol. 1, n. 4, 2017. ).

Em seu artigo, publicado em 2013, “ How Feminism Became Capitalism”s Handmaiden – and How to Reclaim It ”, Fraser especifica que, na atualidade, o capitalismo enfatiza os bens da autonomia individual, maior escolha, e avanço meritocrático. Ele quer que mulheres se tornem indivíduos autônomos que buscam sucesso pessoal e autorrealização – com o empreendedorismo feminino como seu maior ideal.

Neste texto, argumento que Simone de Beauvoir já criticava o feminismo neoliberal que é alvo do artigo de Fraser. Além disso, a voz “original” de Beauvoir também nos alerta para o caráter e estratégias plurais do feminismo. De acordo com a abordagem de Beauvoir, o feminismo contemporâneo emerge como um conjunto plural de práticas emancipatórias, ao invés de um programa universal, como implícito no texto de Fraser. No fim de seu artigo, Fraser argumenta que o feminismo deveria deslocar seu foco de políticas identitárias para a economia política. Devido à “virada do feminismo em direção a políticas identitárias”, que “se adequava excessivamente bem ao neoliberalismo em ascensão”, “tornamos absoluta a crítica do sexismo cultural precisamente no momento em que as circunstâncias exigiam atenção redobrada à crítica da economia política” ( Fraser, 2013Fraser, Nancy. How Feminism Became Capitalism”s Handmaiden - and How to Reclaim It. The Guardian , 14 October 2013. ). Claramente, há, na visão de Fraser, um “nós”, e esse nós deveria “integrar” a luta para transformar valores culturais masculinistas “à luta por justiça econômica” e a movimentos para fortalecer “os poderes públicos necessários para impor limites ao capitalismo em nome da justiça”.

De acordo com as pesquisadoras feministas Brena Bhandar e Denise Ferreira da Silva, a intervenção de Fraser é nada mais do que “uma reivindicação do universalismo, que é o cerne [desse] feminismo branco”. Fraser ignora as vozes de feministas negras e do terceiro mundo que nunca ignoraram as questões econômicas e sempre integram-nas a suas lutas culturais. Pensadoras como Angela Davis, Audre Lorde, Chandra Talpade Mohanty e muitas outras “desenvolveram críticas de formas capitalistas de propriedade, troca, trabalho remunerado e não remunerado, ao lado de formas enraizadas e estruturais da violência patriarcal” ( Bhandar; Ferreira da Silva, 2013Bhandar, Brenda; da Silva, Denise Ferreira. White Feminist Fatigue Syndrome. A Reply to Nancy Fraser. Critical Legal Thinking . October 21, 2013. ).1 1 Em seu trabalho, a pesquisadora marroquina Fatima Mernissi também tem integrado críticas de valores patriarcais e injustiça econômica, escrevendo sobre trabalhadoras de fábricas marroquinas, entre outras questões. Segundo suas críticas, Fraser não apenas ignora essas vozes, mas também pressupõe que pode haver um único feminismo e uma única estratégia feminista, quando na verdade há uma pluralidade de perspectivas feministas.

Enquanto Fraser argumenta em favor de um “nós” e discute o feminismo de forma singular, na obra de Beauvoir, o feminismo emerge como um conjunto de políticas plurais, como irei argumentar na segunda seção deste artigo. Na primeira seção, irei demonstrar que Beauvoir critica o “feminismo” neoliberal que é alvo de Fraser.

A mulher total neoliberal

Atualmente, Beauvoir é conhecida como a filósofa feminista que escreveu o clássico feminista O Segundo Sexo [or. 1949], mas ela se via principalmente como escritora de romances. Na maioria de seus romances, Beauvoir delineia, de forma indireta, seu conceito filosófico de uma forma ética de vida em contraste com outros modos de viver. Esse é o caso de seu romance Les belles images , publicado em francês em 1966. Laurence, a personagem central do romance, é uma diretora de publicidade imersa num mundo de belles images , ou “belas imagens”.

Além de ser uma mulher de carreira com habilidades sofisticadas de mercado, ela também é bem-sucedida em sua vida pessoal, com um afluente marido arquiteto, duas filhas, um amante sob demanda, e uma casa no campo. Tudo parece estar bem: “Tudo estava claro, fresco, perfeito: a água azul na piscina, o som opulento da bola de tênis, a pontiaguda pedra branca dos picos, as nuvens arredondadas no céu, o cheiro dos pinheiros” ( Beauvoir, 1968aBeauvoir, Simone de. Les Belles Images. London, Collins, 1968a. O”Brian, P. (trans.): 19). Porém, rachaduras começam a aparecer.

A cada manhã, quando abria as persianas, Laurence contemplava uma esplêndida foto brilhante” (19). Como especialista em publicidade, “ela sabia demais sobre como um cenário era montado – ele se desmontava sob seu olhar” (91). Laurence sente-se cada vez mais como o rei Midas, que transformava tudo que tocava em ouro: “Tudo que ela tocava tornava-se uma imagem” (18), incluindo sua filha Catherine.

A própria Laurence sempre havia sido uma bela imagem, “uma criança impecável, uma adolescente talentosa, uma jovem perfeita”, “tão asseada, tão fresca, tão perfeita” (19). Contudo, sua filha Catherine começou repentinamente a fazer perguntas difíceis sobre por que as pessoas são pobres e por que há guerra no mundo. Laurence é aconselhada por um psicólogo a separar Catherine de uma nova amiga, que assiste televisão e se preocupa demais com “coisas tristes” do mundo (67).

Nesse romance, Beauvoir delineia o estilo de vida americanizado da classe alta parisiense dos anos 1960. Nisso, ele segue o bestseller The Organization Man , de William Whyte, publicado em 1956, uma obra a que ela se refere reiteradamente em sua autobiografia.

De acordo com Whyte, o estilo de vida americano dos anos 1950 havia se tornado uma vida protegida por planejamento organizacional. Na medida em que corporações se tornavam cada vez mais burocratizadas, em sua busca por sucesso e segurança, essas normas adentravam a sociedade americana mais ampla. O que estava em disputa era a organização coletiva da população americana de acordo com ações calculadas, com a ajuda das ciências sociais. Whyte analisou a engenharia social, baseada na ciência, das vidas e trabalho das pessoas, focando especialmente no “impacto principal que a vida de organizações teve nos indivíduos em seu interior” ( Whyte, 1956Whyte, William. The Organization Man . New York, Simon and Schuster, 1956.: 4). Como “o homem de sucesso”, o assim chamado Homem da Organização endossava uma sociedade corporativa a que deveria ter resistido. Isso podia ser notado, já em 1956, no crescimento, nas universidades, de cursos de administração de negócios, como um horrorizado Whyte concluiu.

O estudo de Whyte demonstra como o tipo de neoliberalismo dos Estados Unidos – que emergiu depois da Segunda Guerra Mundial e que se espalhou pelo resto do mundo desde então – visa a refazer a sociedade e o self como se fossem corporações. Whyte havia antecipado como o neoliberalismo transformaria o homem em um empreendedor de si mesmo, orientado para o sucesso e segurança pessoais em todos os domínios da vida.2 2 Críticas similares podem ser encontradas nas obras de autores inspirados pelos estudos de Michel Foucault sobre o neoliberalismo (Foucault, 2008), alguns dos quais também se referem ao estudo de Whyte (cf. Vintges, 2017 )

Em sua autobiografia, Beauvoir repetidamente elogia o estudo de Whyte, por mostrar que a América de hoje em dia é uma sociedade que “mede valor com base no sucesso” ( Beauvoir, 1968bBeauvoir, Simone de. Force of Circumstance. Harmondsworth, Penguin, 1968b.: 385). Em seu romance Les belles images , encontramos o Homem da Organização neoliberal, e mais especificamente, a Mulher da Organização. Nas pessoas de Laurence e sua mãe, encontramos mulheres bem-sucedidas, “empreendedoras de si mesmas” orientadas para o sucesso pessoal em todos os domínios de vida, tais como carreira, família, vida social e consumo, e empenhadas a “evitar que qualquer coisa invadisse essa segurança” ( Beauvoir, 1968aBeauvoir, Simone de. Les Belles Images. London, Collins, 1968a. O”Brian, P. (trans.): 38). Na novela póstuma Mal-Entendido em Moscou (2011, or. 1966), encontramos outro exemplo da Mulher da Organização, como uma “mulher de sucesso”. Como uma das personagens do romance afirma:

“Ela é o tipo “mulher total”. [...] Há muitas assim em Paris. [...] Querem provar a si mesmas que podem ser bem-sucedidas em todos os níveis” ( Beauvoir, 2011Beauvoir, Simone de. Misunderstanding in Moscou. In: Simons, M.; Timmermann, M. (ed.). “The Useless Mouths,” and Other Literary Writings. Urbana, University of Illinois Press, 2011, pp.219-274.: 226).

Beauvoir já havia visto mulheres totais bem-sucedidas nos Estados Unidos e as viu chegar a Paris. Les belles images é uma crítica oportuna do modelo neoliberal de pessoa, do self empreendedor, e especialmente da bem-sucedida mulher “Faça Acontecer” dos tempos atuais, isto é, do tipo de mulher emancipada que neoliberalismo quer que as mulheres sejam e que “feministas” neoliberais promovem. Em seu romance Les Belles images , Beauvoir contrasta esse modelo com um estilo de vida mais atencioso, preocupado com o compromisso e a responsabilidade para com as vidas de outras pessoas. O enredo de seu romance é totalmente alinhado ao Segundo Sexo , no qual ela afirma que “os sucessos de algumas mulheres privilegiadas não compensa nem desculpa a degradação sistemática do nível coletivo” ( Beauvoir, 2010Beauvoir, Simone de.. The Second Sex. Borde, C., and S. Malovany-Chevallier (eds) New York: Alfred A. Knopf. 2010.: 154).

Por fim, Laurence, mais uma vez contra a vontade de sua família, decide que sua filha não deveria mais ser privada de sua amiga. Ao invés de encerrar sua filha Catherine num mundo de belas imagens, Laurence permitirá que ela vivencie o mundo real. Talvez assim ela “se retirará disso. Do quê? Desta noite. Da ignorância, da indiferença” ( Beauvoir, 1968aBeauvoir, Simone de. Les Belles Images. London, Collins, 1968a. O”Brian, P. (trans.): 152). Os contornos desse modo de vida mais “atencioso” podem ser encontrados nos ensaios de Beauvoir sobre ética, especialmente Por uma moral da ambiguidade (1948). No conceito de Beauvoir de uma ética vivida, tal como desenvolvido nesse estudo, ética e política são sempre situadas e contextuais e, portanto, subjetivas.

Práticas feministas de liberdade

No seu ensaio Por uma moral da ambiguidade – publicado em francês em 1947, dois anos antes de O Segundo Sexo – , Beauvoir delineia uma ética de solidariedade e compromisso com o bem-estar dos outros. Em contraste com uma moralidade abstrata, como nas máximas de Kant, ela argumenta a favor de um tipo de ética que é situada e vivida, e portanto plural, não universal. A pessoa ética está sempre socialmente inserida em distintas comunidades e é uma subjetividade dialógica, ou interdependente. Só é possível haver uma pluralidade de perspectivas éticas e políticas. Como somos sempre seres situados, ninguém pode falar pelos outros. Não pode haver “justificativas prévias que podem ser deduzidas da civilização, da era e da cultura”. Ao invés de uma “verdade total”, há apenas “verdades necessariamente parciais que cada engajamento humano revela” (Beauvoir, 1948:68). Quando se fala de “Nação, Império, União, Economia, etc.”, cabe considerar quais indivíduos concretos estão envolvidos” (145).

Mas uma atitude ética exige que não nos deixemos cegar pelos objetivos que estabelecemos para nós mesmos (cf. 89). A causa a que servimos “não deve encerrar-se em si mesma” (89-90). Como Beauvoir afirma: “É apropriado que os negros lutem pelos negros, os judeus pelos judeus, os proletários pelos proletários, e os espanhóis pela Espanha”. Contudo, “cada um deve levar sua luta adiante em conexão com a do outro, integrando-a ao padrão geral” (89). Comunidades diferentes e os indivíduos diferentes que a elas pertencem não apenas desenvolvem suas próprias trajetórias éticas e políticas, mas também escolhem suas prioridades: “o fellah árabe é oprimido tanto pelos xeques quanto pela administração francesa e inglesa. Quais dos dois inimigos deve ser combatido? Os interesses do proletariado francês não são os mesmos dos nativos nas colônias: quais devem ser atendidos?” Aqui, “a questão é política”, não ética. Durante a Segunda Guerra Mundial, negros proeminentes como Richard Wright nos Estados Unidos se recusaram a “deixar de lado suas próprias demandas pelo bem do interesse geral; ele acreditava que mesmo em meio à guerra, sua causa deveria ser defendida” (89).3 3 A moral da ambiguidade está presente em O Segundo Sexo na medida em que a obra defende que homens e mulheres se tornem selves éticos singulares (cf. Vintges, 2017 ). Também está presente no sentido de que em nenhum ponto da obra encontramos um plano pronto para uma sociedade futura - o que é consistente com sua posição de que as pessoas devem criar o futuro.

Eu gostaria de reformular o conceito de Beauvoir de ética vivida em termos de uma pluralidade de artes de viver, considerando que “arte de viver” [ art de vivre ] é um termo que ela usa como sinônimo para uma ética vivida em seu romance Os Mandarins (cf. Vintges, 2017Vintges, Karen. A new Dawn for the Second Sex: Women”s Freedom Practices in World Perspective . Amsterdam, Amsterdam University Press, 2017. ). O filósofo Michel Foucault também usou esse termo para indicar um tipo de ética vivida. Ele também usou o termo “práticas de liberdade” para indicar que essa ética vivida não é uma questão de se obedecer a máximas e regras morais, mas é criada e inventada em coletividades, equilibrando dimensões coletivas e pessoais. A abordagem de Beauvoir, contudo, esclarece que o que está em jogo em práticas de liberdade éticas não são apenas questões de estilo de vida, mas também objetivos meso- e macro-políticos, envolvendo alternativas culturais, sociais e econômicas para o self e a sociedade.

A partir dessa perspectiva, o “feminismo” também pode ser captado como um conjunto plural de artes de viver ou práticas de liberdade que oferecem alternativas ético-políticas para o self e a sociedade. Parafraseando Beauvoir, o feminismo nunca pode alegar uma “verdade total”. Não pode haver “justificativas prévias que podem ser deduzidas da civilização, da era e da cultura”. Ao invés de uma “verdade total”, há apenas “verdades necessariamente parciais que cada engajamento humano revela” (Beauvoir, 1948:68). Da mesma forma, há apenas “feminismos”, uma pluralidade de práticas, cada uma das quais envolve estratégias e prioridades políticas específicas.

Ao redor do mundo, mulheres muçulmanas se organizam enquanto ativistas e feministas, demandando mudanças em sociedades e culturas. Elas fazem isso usando ou não véus, em uma invenção passo a passo de novas mentalidades e mudanças socioeconômicas e culturais. Para muitas delas, o véu é parte de sua ética vivida, o que é um exemplo das diferentes perspectivas que existem entre “feministas”. De Beauvoir, podemos entender que as feministas em todo mundo devem apoiar umas às outras em suas lutas, ao invés de - parafraseando suas palavras acima - decidir estratégias feministas a priori , baseadas em justificativas derivadas de sua civilização e cultura, ou baseadas em uma razão universal. Dito de outro modo, as lutas feministas são plurais e contextuais e feminismos que se opõem ao neoliberalismo consistem nas práticas de liberação múltiplas - criticamente criativas - das mulheres numa perspectiva global.

Coalizões concretas que atravessam culturas são possíveis entre mulheres. Um exemplo foi o apoio de Beauvoir à muçulmana argelina Djamila Boupacha, membro ativo do FLN, que foi presa e torturada durante a guerra da Argélia. Ao lado de Gisele Halimi, Beauvoir falou publicamente em defesa de Boupacha. Ranjana Khanna (2008)Khanna, Ranjana. Algeria Cuts: Women and Representation, 1830 to the Present. Stanford, Stanford University Press, 2008. , Julien Murphy (1995)Murphy, Julien. Beauvoir and the Algerian war. In: M. Simons (ed.) Feminist Interpretations of Simone de Beauvoir. University Park, Pennsylvania State University Press, 1995, pp.263-279. e Elaine Stavro (2007)Stavro, Elaine. Rethinking Identity and Coalitional Politics: Insights from Simone de Beauvoir. Canadian Journal of Political Science , 40(2), 2007, pp.439-463. todas apontam como Halimi, Boupacha e Beauvoir formaram uma aliança bem-sucedida a despeito de pertencimentos religiosos diferentes: judaico, muçulmano e cristão, respectivamente.

Conclusão

Um exame do feminismo “original” de Beauvoir revela que ela havia tratado do feminismo neoliberal que Fraser critica. Além disso, retornar à voz de Beauvoir elucida o caráter plural de estratégias feministas. Ao falar do feminismo no singular, Fraser – parafraseando Eddouada 2016Eddouada, Souad. Women and The Politics of Reform in Morocco. In: Ennaji, Moha; Sadiqi, Fatima; Vintges, Karen (ed.). Moroccan Feminisms: New Perspectives . Trenton, Africa World Press, 2016, pp.13-28. – corre o risco de retirar uma figura de autoridade e substituí-la por outra. Na abordagem de Beauvoir, estratégias e prioridades feministas contemporâneas são reconhecidas como práticas de liberdade plurais.

Referências bibliográficas

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  • Whyte, William. The Organization Man . New York, Simon and Schuster, 1956.
  • 1
    Em seu trabalho, a pesquisadora marroquina Fatima Mernissi também tem integrado críticas de valores patriarcais e injustiça econômica, escrevendo sobre trabalhadoras de fábricas marroquinas, entre outras questões.
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    Críticas similares podem ser encontradas nas obras de autores inspirados pelos estudos de Michel Foucault sobre o neoliberalismo (Foucault, 2008), alguns dos quais também se referem ao estudo de Whyte (cf. Vintges, 2017Vintges, Karen. A new Dawn for the Second Sex: Women”s Freedom Practices in World Perspective . Amsterdam, Amsterdam University Press, 2017. )
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    A moral da ambiguidade está presente em O Segundo Sexo na medida em que a obra defende que homens e mulheres se tornem selves éticos singulares (cf. Vintges, 2017Vintges, Karen. A new Dawn for the Second Sex: Women”s Freedom Practices in World Perspective . Amsterdam, Amsterdam University Press, 2017. ). Também está presente no sentido de que em nenhum ponto da obra encontramos um plano pronto para uma sociedade futura - o que é consistente com sua posição de que as pessoas devem criar o futuro.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Fev 2020
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    09 Maio 2019
  • Aceito
    31 Out 2019
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