Apresentação

Helena Hirata Guita Grin Debert

Cuidado é um termo utilizado para descrever processos, relações e sentimentos entre pessoas que cuidam umas das outras, como também de seres vivos e até mesmo de objetos, cobrindo várias dimensões da vida social. Como mostram Hirata e Guimarães (2012)HIRATA, H.; GUIMARÃES, N.A. (orgs). Cuidado e Cuidadoras: as várias faces do trabalho do care. São Paulo, Editora Atlas, 2012., essa é uma noção que compartilha com outros conceitos, como “trabalho” e “gênero”, a natureza ao mesmo tempo multidimensional e transversal, e conota um amplo campo de ações envolvendo desde o Estado e as políticas públicas voltadas para o segmento da população tido como dependente, até um conjunto de práticas, atitudes e valores relacionados com o afeto, o amor e a compaixão envolvidos nas relações intersubjetivas.

As crises econômicas por que passam diferentes países, a estagnação dos serviços públicos de bem-estar, o prolongamento da vida humana, o aumento da proporção de idosos na população transformam a dependência num risco social e a questão do cuidado numa preocupação política. Problemas que até muito recentemente eram tidos como próprios da esfera privada – ocupação das mulheres na família – foram transformados em obrigações do Estado, obrigações essas que ganham novas configurações no mundo contemporâneo.

Como esse tipo de trabalho é redefinido? Em que medida a imigração para o contexto europeu e norte-americano responde às necessidades crescentes da velhice dependente e do cuidado das crianças? Qual é o tipo de controle emocional envolvido nessas diferentes atividades? Como a ética do cuidado delineia biopolíticas? E, sobretudo, como o cuidado tem desafiado as teorias feministas?

Berenice Fisher e Joan Tronto, no livro Circle of care – Work and Identity in womens lives (1990), propõem três imagens que poderiam caracterizar as principais abordagens que o interesse crescente pela questão do cuidado ganhou entre as feministas: o cuidador egoísta, o cuidador andrógino e o cuidador visível.

O cuidador egoísta vê o cuidado como um peso para as mulheres que deveriam procurar escapar dessa função e colocar suas necessidades em primeiro lugar. Pode-se dizer que essa postura caracteriza tanto a vertente liberal como a vertente marxista do pensamento feminista. O cuidado é parte do enclausuramento doméstico, visto como a marca central da opressão da mulher. As habilidades necessárias para limpar, cozinhar, lavar, cuidar das crianças e dos doentes e para outras tarefas aparecem como próprias da natureza feminina, ficando seus valores econômico e social obscurecidos. A entrada no mundo do trabalho remunerado seria, desses diferentes pontos de vista, a condição para a libertação das mulheres, pela garantia tanto da autonomia econômica e financeira como condição para a participação ativa nos sindicatos e nas organizações políticas.

Contra essa visão, a tendência foi a de apresentar uma visão positiva do cuidado, como uma dimensão da vida que foi desvalorizada pela ordem capitalista e patriarcal. Gilligan (1982)GILLIGAN, C. Uma voz diferente: psicologia da diferença entre homens e mulheres da infância à idade adulta. Rio de Janeiro, Editora Rosa dos Tempos, 1982. baseia sua reflexão sobre a ética docare a partir de pesquisas empíricas longitudinais em psicologia do desenvolvimento, que são decisivas na demonstração das diferenças entre ética da justiça e ética do care. A primeira é fundada sobre princípios racionais, abstratos e universais. A segunda é fundada sobre a experiência íntima, singular e irredutível, dos sentimentos e do concreto relacional. Gilligan propõe uma moral alternativa atenta ao bem estar do outro.

O que alimenta a controvérsia sobre o essencialismo de Gilligan é sua descrição da personalidade feminina como se definindo muito mais em relação ao outro que a dos homens, e a afirmação da existência de uma “moral de proximidade” das mulheres. Ela afirma também que a mãe se arrisca a amar e a sofrer porque ela tem uma experiência diferente da conexão e um modo diferente de reação ao outro.

As críticas à obra de Gilligan vão em três direções principais: consideram que esse tipo de desenvolvimentos da autora sobre as diferenças entre os sexos reforça a ideia de uma postura essencialista; a autora, ao trabalhar com “a mulher” como uma categoria englobadora, subestima as diferenças sociais, econômicas e culturais entre outras diferenças que dão sentidos muito distintos à experiência feminina; e, que as concepções da autora seriam, no limite, tributárias do que Nietzsche denomina a moral dos escravos, posto que a subserviência das mulheres pode ser interpretada como uma virtude.

O cuidador andrógeno é uma reação à imagem de que o cuidado é desvalorizado por ser uma atividade de mulheres e propõe a integração dos homens no trabalho do cuidado, de modo a dar importância às práticas estigmatizadas por serem tratadas como exclusivamente femininas. Essa integração promoveria a valorização das tarefas realizadas, que passariam a ter o mesmo estatuto de outros tipos de trabalhos.

Os críticos dessa visão argumentam que o cuidado está profundamente integrado no sistema sexo/gênero e que a divisão social do trabalho – que faz do cuidado uma tarefa das mulheres – não poderia ser abolida sem uma profunda mudança nas construções de gênero. Além disso, a integração dos homens no trabalho resultaria em novos padrões de dominação e hierarquias, acabando por transformá-los em administradores do trabalho das mulheres.

O cuidador visível insiste no interesse da valorização do trabalho de cuidado, considerando, no entanto, que não se trata de distribuir o cuidado com os homens, mas o importante seria dar o devido valor a essas práticas relacionadas aos vínculos emocionais, como dedicação, carinho, amor, compaixão e doação ao outro assistido e, nesse sentido, trata-se de um tipo muito específico de trabalho. A qualidade das nossas vidas seria perdida com a imposição das formas de racionalidade mercantil, convertendo o cuidado em mero trabalho. Ainda, desse ponto de vista, criticam-se os movimentos e lutas tidas como emancipatórias, mas acabam por reproduzir as práticas de dominação contra as quais se levantaram, na medida em que, ao contestarem a organização de gênero de uma sociedade capitalista, acabam por reproduzir seus valores fundamentais. Demandas de inclusão via emprego e trabalho assalariado, tendem a mercantilizar o cuidado, incorporando as mulheres em um sistema de valores competitivos, anulando assim valores próprios da ética feminina do cuidado.1 1 Outras feministas sustentavam que o trabalho reprodutivo era produtivo e que a depreciação do trabalho doméstico e da criação dos filhos era o que levava à subordinação das mulheres. A própria ideia da dupla jornada de trabalho foi considerada uma classificação inadequada – porque degradante – das atividades de cuidado em oposição ao trabalho remunerado. Nessa perspectiva, prevalece a concepção caracterizada por Zelizer (2012)ZELIZER, V. A economia do care. In: HIRATA, H.; GUIMARÃES, N. A. (orgs). Cuidado e Cuidadoras: as várias faces do trabalho do care. São Paulo, Editora Atlas, 2012, pp.15-28. de “mundos hostis” – o mundo do amor e o mundo do dinheiro – visão que ela se apressa em contestar em nome de uma “nova economia docare”, capaz de criar combinações equitativas.

O desafio de Berenice Fisher e Joan Tronto (1990)TRONTO, J. C.; FISHER, B. Toward a Feminist Theory of Caring. In: ABEL, E.; NELSON, M. (Eds.). Circles of Care. Albany, NY, SUNY Press, 1990, pp.36-54. é politizar o care. As autoras mostram, com razão, que a tradição filosófica liberal se concentra numa visão do mundo na qual o homem racional e autônomo realiza seus projetos de vida no domínio público, as pessoas se encontram isoladas e oself é anterior às suas atividades e às conexões com os outros. O suposto é uma divisão de funções entre a esfera masculina, compreendendo os assuntos públicos e direitos legais. A mulher é pensada como um ser dependente, responsável pelo cuidado dos outros, pelas obrigações familiares e pelo trabalho não remunerado. Por isso mesmo, o trabalho de cuidado é invisível, mitificado e opressivo. Apesar de algumas feministas tentarem liberar o conceito de cuidado dos pressupostos em que ele está embebido, sua perspectiva tende a estar enraizada no mundo dos homens, do homem racional e autônomo. Como propõe Tronto (2013)TRONTO, J. C. Caring Democracy. Markets, Equality, and Justice. New York, NYU Press, 2013., de maneira sintética, é preciso trazer o care para a democracia e, ao mesmo tempo, democratizar o care. A visão que herdamos do cuidado tem a ver com o “culto à domesticidade” – um ideal desenvolvido no século XIX, com a entrada dos homens de classe média no mercado de trabalho capitalista e com a exclusão das mulheres do trabalho remunerado. O culto da domesticidade realçou a sensibilidade moral e emocional das mulheres de classe média (em oposição ao trabalho físico que deveria ser realizado pela empregada doméstica) e enfatizou a obrigação de cuidar (em oposição ao direito de competir e expressar interesses individuais próprios dos homens) e a natureza extremamente privada do cuidado (em oposição aos negócios públicos e aos ganhos no mercado).

Em outra direção, é tecida a análise de Saskia Sassen (2002)SASSEN, S. Global Cities and Survival Circuits. In: EHRENREICH, B., HOCHSCHILD, A.R. (ed.). Global Woman. Nannies, Maids, and Sex Workers in the New Economy. N.Y., Metropolitan Books, H. Holt and Company, 2002, pp.254-274. das cidades globais. Para essa autora, o cuidador é uma figura própria dessas cidades, nas quais a demanda por profissionais altamente qualificados dispara e as mulheres são incorporadas nesse mercado de trabalho extremamente competitivo, que demanda engajamento intenso em longas horas de trabalho. Nessas cidades cresce o número das, ironicamente, chamadas “unidades domésticas sem esposas” em que os casais adultos – compostos de um homem e uma mulher ou de dois homens ou de duas mulheres – alocam no mercado as tarefas domésticas e de cuidado. Nessas cidades globais, o cuidador contratado é na maioria das vezes imigrante, sobretudo mulheres imigrantes.

A obra de Pascale Molinier (2014) mostra a indissociabilidade das dimensões ética e política no cuidado como trabalho. A questão do amor e do afeto como componentes incontornáveis do cuidado é central na sua obra; primeiro, enquanto confronto e dissensão entre classes e categorias socioprofissionais, em que se opõem os pontos de vista das supervisoras e das cuidadoras sobre esse “trabalho do amor”. Em seguida, o afeto como consequência inevitável do trabalho do cuidado para as cuidadoras, que é fundamentalmente marcado pela ambivalência. Conclusão subversiva do ponto de vista das políticas atuais do trabalho e do emprego: a crítica do dogma da especializaçao profissional.

Com efeito, Molinier critica a repartiçao do “dirty work” tal como ele se realiza hoje no quadro da “profissionalizaçao do cuidado”; atenta à “ética dos subalternos”, a força que motiva os assalariados na realizaçao de seu trabalho particularmente exigente ao nível físico e psicológico, ela mostra que “ocare é por definiçao uma região de dissenção e de desacordo” (2014:24). Tal conflito é o resultado, simultaneamente, da especializaçao e da hierarquizaçao do trabalho do care, que torna o trabalho das cuidadoras cada vez menos visível e valorizado. Molinier mostra que as hierarquias rígidas e as novas formas de especializaçao contribuem para uma segmentaçao do processo docare no espaço mercantil.

O dossiê que apresentamos parte da ideia de que a reflexão sobre o cuidado requer estudos minuciosos capazes de dar conta das diferentes manifestações do cuidado. Por essa razão, buscamos combinar pesquisas que tratam da relação entre o cuidador e os indivíduos cuidados – e seus familiares – com o que se poderia chamar de cuidado comunitário, e os novos significados que ele assume no mundo contemporâneo, particularmente no contexto de crise do Welfare State.

O idoso dependente e seus cuidadores são praticamente invisíveis nos circuitos da produção cultural e Kathleen Woodward se pergunta, no artigo que abre este dossiê, como tratar desse segredo público escandaloso em que a dependência e o cuidado do idoso no mundo contemporâneo se tornam uma questão de mercados globais envolvendo populações destituídas de direitos de cidadania. Considerando que uma das formas mais efetivas para engajar pessoas na luta por mudanças políticas é contando estórias e apresentando imagens, o artigo explora, com maestria, as representações de idosos e de seus cuidadores em fotografias, notícias, documentários e biografias.

Nadya Araujo Guimarães apresenta o modo como a palavra “cuidado” surge no contexto brasileiro por meio de um levantamento da frequência das palavras cuidado e cuidador num periódico brasileiro ao longo do tempo, alimentando assim o debate sobre a polissemia envolvida no termo care e a consequente dificuldade no seu uso. A autora situa a mercantilização do trabalho de cuidado no processo mais amplo de consolidação da mercantilização do trabalho no Brasil, notadamente do trabalho feminino. Ela circula, de maneira analítica, por diversas formas do care, desde o cuidado domiciliar e o cuidado em instituições até as formas do “socialcare”. Enfim, ela situa o processo de mercantilização do trabalho de cuidado no interior das grandes controvérsias nas ciências sociais hoje, em particular a controvérsia sobre as dimensões emocional e moral envolvidas no trabalho de cuidado e a problemática da dissociação/associação entre investimento emocional e comportamento econômico.

Antónia Pedroso de Lima discute diferentes dimensões do cuidado, focando em particular o caso português e as transformações ocasionadas por uma conjuntura de crise econômica e social que tem promovido profundas alterações nas políticas públicas e nos modos de vida da população. Considerando que o cuidado interpessoal é decisivo para enfrentar situações de crise – econômica, social, pessoal ou política –, a autora propõe que o cuidado seja pensado como um fator de sustentabilidade. O cuidado como valor moral em oposição ao cuidado como trabalho remunerado permite uma análise incisiva da questão do voluntariado e da posição do Estado como provedor (ou não provedor) de cuidados, bem como a proposta de uma reflexão sobre a oposição entre Sociedade-providência e Estado-providência.

Bila Sorj examina os sentidos que o cuidado comunitário adquire no contexto de mudanças no modelo das políticas sociais que tem atribuído à comunidade o papel ativo de co-responsáveis pelo desenvolvimento e bem-estar social local.

Tendo como base o programa Mulheres da Paz, implantado nas favelas do Rio de Janeiro, com a finalidade de oferecer alternativa às formas de enfrentamento da violência urbana, a autora, com muita sensibilidade, explora as disputas entre gestores, operadoras e o público alvo, apontando o processo de desprofissionalização do trabalho de cuidado das mulheres junto aos jovens “em situação de risco” e mostrando o caráter complexo e ambivalente desses novos modos de governar.

Guita Grin Debert trata da questão do cuidado, simultaneamente no nível macro das políticas públicas e das políticas sociais, discutindo as soluções preconizadas para o envelhecimento e a dependência ao nível societal, e ao nível micro das vivências e percepções dos diferentes atores nesse processo, a partir de um enfoque antropológico. A autora apresenta sua pesquisa sobre a imigração internacional das cuidadoras dos países da Europa do Leste e da América Latina para a Europa (o caso da Itália) e o interesse e a necessidade dessa migração, tanto para os beneficiários europeus quanto para as próprias migrantes. Esse artigo contribui para enriquecer as teorias docare e das migrações, conceptualizadas hoje em termos de “cadeia global de afeto e de assistência”.

Helena Hirata volta-se para o trabalho do care e a dimensão da sexualidade. Ela parte dos resultados de pesquisa de P. Molinier que sublinham a invisibilidade do trabalho de cuidado que se realiza através desavoir-faire discretos, mostrando que esse trabalho não pode ser pensado independentemente do sexual. Se é menos perturbador separar desejo sexual e velhice, por um lado, e sexualidade e competências profissionais, por outro, não é possível evacuar essa dimensão constitutiva das relações de cuidado tanto em instituição quanto em domicílio. Na mesma linha de P. Molinier, Helena Hirata mostra, através dos seus resultados de pesquisa, a que ponto as respostas possíveis às demandas do beneficiário de cuidados nesse terreno fazem parte do oficio e da competência profissional.

Os artigos apresentados neste dossiê foram inicialmente apresentados e discutidos no Seminário Internacional “Repensando Gênero e Feminismos”, em comemoração aos 20 anos do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, realizado na UNICAMP, em setembro de 2014, na Mesa Redonda “Gênero e Cuidado”, coordenado por Sabrina Finamori.

As organizadoras do dossiê agradecem ao Pagu pela oportunidade que lhes foi oferecida de refletir sobre as pesquisas que vimos desenvolvendo sobre o tema, e de amadurecer a versão aqui apresentada. Aproveitamos o ensejo para anunciar a publicação, na próxima edição dos cadernos pagu, de outros debates enriquecidos a partir das reflexões e discussões do Seminário Internacional “Repensando Gênero e Feminismos”.

Helena Hirata
Guita Grin Debert

Referências bibliográficas

  • GILLIGAN, C. Uma voz diferente: psicologia da diferença entre homens e mulheres da infância à idade adulta Rio de Janeiro, Editora Rosa dos Tempos, 1982.
  • HIRATA, H.; GUIMARÃES, N.A. (orgs). Cuidado e Cuidadoras: as várias faces do trabalho do care São Paulo, Editora Atlas, 2012.
  • MOLINIERE, P. Le travail du care, Paris, La Dispute, 2014.
  • SASSEN, S. Global Cities and Survival Circuits. In: EHRENREICH, B., HOCHSCHILD, A.R. (ed.). Global Woman. Nannies, Maids, and Sex Workers in the New Economy. N.Y., Metropolitan Books, H. Holt and Company, 2002, pp.254-274.
  • TRONTO, J. C.; FISHER, B. Toward a Feminist Theory of Caring. In: ABEL, E.; NELSON, M. (Eds.). Circles of Care. Albany, NY, SUNY Press, 1990, pp.36-54.
  • TRONTO, J. C. Caring Democracy. Markets, Equality, and Justice New York, NYU Press, 2013.
  • ZELIZER, V. A economia do care. In: HIRATA, H.; GUIMARÃES, N. A. (orgs). Cuidado e Cuidadoras: as várias faces do trabalho do care São Paulo, Editora Atlas, 2012, pp.15-28.

  • 1
    Outras feministas sustentavam que o trabalho reprodutivo era produtivo e que a depreciação do trabalho doméstico e da criação dos filhos era o que levava à subordinação das mulheres. A própria ideia da dupla jornada de trabalho foi considerada uma classificação inadequada – porque degradante – das atividades de cuidado em oposição ao trabalho remunerado.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Abr 2016
Núcleo de Estudos de Gênero - Pagu Universidade Estadual de Campinas, PAGU Cidade Universitária "Zeferino Vaz", Rua Cora Coralina, 100, 13083-896, Campinas - São Paulo - Brasil, Tel.: (55 19) 3521 7873, (55 19) 3521 1704 - Campinas - SP - Brazil
E-mail: cadpagu@unicamp.br