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Imagem corporal está associada com estado antropométrico em adolescentes, mas não com estilo de vida

Body image is associated with anthropometric status in adolescents, but not with lifestyle

Resumo

A imagem corporal é um constructo da representação multifacetada da identidade corporal, envolve autopercepção, crenças e atitudes sobre o próprio corpo, podendo ser influenciada por diversos fatores. Este estudo avaliou a associação da imagem corporal com indicadores antropométricos e do estilo de vida em adolescentes. Constituíram a amostra 465 adolescentes de 10 a 17 anos de escolas públicas da cidade de Salvador, na Bahia. A imagem corporal foi avaliada pela Escala de Silhuetas. Os dados antropométricos (índice de massa corporal e a circunferência da cintura), de estilo de vida (Physical Activity Questionnaire for Adolescents e o tempo de televisão), econômicos e demográficos foram avaliados. Regressão logística politômica avaliou as associações de interesse. Os dados foram analisados pelo software STATA, versão 16.0. O sobrepeso/obesidade (OR: 9,7; IC95%: 5,4-17,5) e a obesidade abdominal (OR: 14,0; IC95%: 5,0-39,3) se mostraram positivamente associados à insatisfação corporal, mas não foi observada associação com as variáveis de estilo de vida (atividade física: OR: 1,7; IC95%: 0,9-2,9; e tempo de TV: OR: 1,2; IC95%: 0,8-1,9). Conclui-se que o estado antropométrico é um importante indicador dos desfechos negativos da imagem corporal em adolescentes.

Palavras-chave:
Imagem corporal; Estado nutricional; Estilo de vida; Adolescentes

Abstract

Body image is a construct of the multifaceted representation of body identity that involves self-perception, beliefs, attitudes about the body itself, which can be influenced by several factors. This study evaluated the association of body image with anthropometric and lifestyle indicators among adolescents. The sample comprised 465 adolescents aged 10 to 17 years from public schools in the city of Salvador-Bahia. The Silhouettes Scale assessed the body image. The anthropometric data (body mass index and waist circumference), the lifestyle (Physical Activity Questionnaire for Adolescents and television time), economic and demographic data were evaluated. Polytomous logistic regression assessed associations of interest by STATA, version 16.0. Overweight (OR:9,7; CI95%:5,4-17,5) and abdominal obesity (OR:14,0; CI95%: 5,0-39,3) were positively associated with body dissatisfaction. However, there was no association with lifestyle variables (physical activity: OR: 1,7, CI: 0,9-2,9, and TV time: OR:1,2; CI:0,8-1,9). The conclusion reached is that anthropometric status is an essential indicator of adverse body image outcomes in adolescents.

Key words:
Body image; Nutritional status; Lifestyle; Adolescents

Introdução

A imagem corporal é um constructo de representação multifacetada e dinâmica da identidade corporal, envolvendo simbolizações, sentimentos, sensações, autopercepção, crenças e atitudes sobre o próprio corpo11 Cash T. Body image: a handbook of science, practice and prevention. New York: The Guilford Press; 2011.. O desenvolvimento da imagem corporal se inicia na infância, se expressa com maior força na adolescência e percorre com intensidade variada os demais ciclos de vida11 Cash T. Body image: a handbook of science, practice and prevention. New York: The Guilford Press; 2011..

Especialmente na adolescência, as transformações psicológicas, emocionais, somáticas e cognitivas se associam à influência do padrão de beleza na sociedade, que estabelece a magreza como símbolo de sucesso e o sobrepeso/obesidade como sinônimo de fracasso. Essas transformações moldam representações que, somadas às pressões socioculturais, constroem um padrão ideal de beleza socialmente determinado, constituindo cenário favorável para a ocorrência da insatisfação corporal e/ou divergência na percepção corporal, além de reforçar a estigmatização da obesidade e contribuir para a ocorrência de intensa carga psicológica para o adolescente22 Araiza AM, Wellman JD. Weight stigma predicts inhibitory control and food selection in response to the salience of weight discrimination. Appetite 2017; 114:382-390..

A estigmatização da aparência física é comum entre a população geral, principalmente entre os adolescentes, refletindo-se em taxas elevadas de distúrbios da imagem corporal33 Costa AN, Lima NV, Pegolo GE. Insatisfação corporal e rastreamento do risco para Transtornos Alimentares em adolescentes. Adolesc Saude 2016; 13(Supl. 1):16-26.

4 Fu L, Wang H, Yide Y, Wang S. Analysis on influence factors of body image dissatisfaction among children and adolescents with normal weight. Zhonghua Yu Fang Yi Xue Za Zhi 2015; 49(5):411-418.

5 Cheah WL, Hazmi H, Chang CT. Disordered eating and body image issues and their associated factors among adolescents in urban secondary schools in Sarawak, Malaysia. Int J Adolesc Med Health 2017; 29(2):/j/ijamh.2017.29.issue-2/ijamh-2015-0044/ijamh-2015-0044.xml.

6 Feio Costa LC, Silva DAS, Alvarenga MS, Vasconcelos FAG. Association between body image dissatisfaction and obesity among schoolchildren aged 7-10 years. Physiol Behav 2016; 160:6-11.
-77 Cecon RS, Franceschini SCC, Peluzio MCG, Hermsdorff HHM, Priore SE. Overweight and body image perception in adolescents with triage of eating disorders. Scientific World Journal 2017; DOI:10.1155/2017/8257329.
https://doi.org/10.1155/2017/8257329...
. Estudos pontuais produzidos nos Estados Unidos, na China e no Brasil revelaram prevalências que oscilam entre 11,3% e 67,3% de insatisfação com a imagem corporal33 Costa AN, Lima NV, Pegolo GE. Insatisfação corporal e rastreamento do risco para Transtornos Alimentares em adolescentes. Adolesc Saude 2016; 13(Supl. 1):16-26.

4 Fu L, Wang H, Yide Y, Wang S. Analysis on influence factors of body image dissatisfaction among children and adolescents with normal weight. Zhonghua Yu Fang Yi Xue Za Zhi 2015; 49(5):411-418.
-55 Cheah WL, Hazmi H, Chang CT. Disordered eating and body image issues and their associated factors among adolescents in urban secondary schools in Sarawak, Malaysia. Int J Adolesc Med Health 2017; 29(2):/j/ijamh.2017.29.issue-2/ijamh-2015-0044/ijamh-2015-0044.xml., e de divergência na percepção corporal de 44,77% a 76,0% entre adolescentes66 Feio Costa LC, Silva DAS, Alvarenga MS, Vasconcelos FAG. Association between body image dissatisfaction and obesity among schoolchildren aged 7-10 years. Physiol Behav 2016; 160:6-11.,77 Cecon RS, Franceschini SCC, Peluzio MCG, Hermsdorff HHM, Priore SE. Overweight and body image perception in adolescents with triage of eating disorders. Scientific World Journal 2017; DOI:10.1155/2017/8257329.
https://doi.org/10.1155/2017/8257329...
. Em Salvador (BA) essas prevalências de insatisfação corporal oscilaram de 19,5%88 Santana ML, Silva RC, Assis AM, Raich RM, Machado ME, Pinto EJ, Moraes LT, Ribeiro Júnior HC. Factors associated with body image dissatisfaction among adolescents in public schools students in Salvador, Brazil. Nutr Hosp 2013; 28(3):747-755.,99 Rodrigues PVA. The relationship between body image and self-esteem among teenagers in a city in Bahia [dissertação]. Salvador: Universidade Federal da Bahia; 2015. a 80,5%1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490.,1111 Matias TS, Rolim MKSB, Kretzer FL, Schmoelz CP, Andrade A. Satisfação corporal associada a prática de atividade física na adolescência. Revista Motriz 2010; 16(2):370-378., utilizando diferentes instrumentos para avaliar esse constructo. O sobrepeso/obesidade tem sido considerado um dos principais problemas de saúde no mundo moderno1212 World Health Organization (WHO). World health statistics 2018: monitoring health for the SDGs. Geneva: WHO; 2018. e se associa ao estigma social construído a partir da idealização de um padrão corporal magro. Assim, diante desse cenário, é frequente a associação do sobrepeso/obesidade com a insatisfação da imagem corporal ou divergência na percepção corporal. Assim, resultados de estudos transversais1313 Almeida CAN, Garzella RC, Natera CC, Almeida ACF, Ferraz IS, Ciampo LAD. Body image self-perception distortion in teenagers. Int J Nutrology 2018; 11(2):61-65.,1414 Ramos P, Moreno-Maldonado C, Moreno C, Rivera F. The role of body image in internalizing mental health problems in Spanish adolescents: an analysis according to sex, age, and socioeconomic status . Front Psychol 2019; 10: 1952. e longitudinais1515 Espinoza P, Penelo E, Raich RM. Disordered eating behaviors and body image in a longitudinal pilot study of adolescent girls: what happens 2 years later? Body Image 2010; 7(1):70-73.,1616 Min J, Fang Yan A, Wang Y. Mismatch in children's weight assessment, ideal body image, and rapidly increased obesity prevalence in China: a 10-year, nationwide, longitudinal study. Obesity (Silver Spring) 2018; 26(11):1777-1784. mostraram que crianças e adolescentes com índice de massa corporal (IMC) elevado têm maiores chances de desenvolverem problemas relacionados ao tamanho e à forma corporal. Estudos realizados pelo projeto ERICA (Estudo de Risco Cardiovasculares em Adolescentes) mostraram prevalência de 25% de sobrepeso/obesidade em adolescentes brasileiros e que grande parte deles (73,5%, IC95%: 72,3-74,7) referiu passar duas ou mais horas por dia em frente às telas1717 Oliveira JS, Barufaldi LA, Abreu GA, Leal VS, Brunken GS, Vasconcelos SML, Santos MM, Block KV. ERICA: uso de telas e consumo de refeições e petiscos por adolescentes. Rev Saude Publica 2016; 50(Supl. 1):7s.,1818 Bloch KV, Klein CH, Szklo M, Kuschnir MCC, Abreu GA, Barufaldi LA, Veiga GV, Schaan B, Silva TLN. ERICA: prevalências de hipertensão arterial e obesidade em adolescentes brasileiros. Rev Saude Publica 2016; 50(Supl. 1):9s..

Está bem documentado que a prática adequada de atividade física contribui para a saúde física e o bem-estar, influenciando positivamente o autoconceito da imagem corporal entre os adolescentes1919 Apovian CM. Obesity: definition, comorbidities, causes, and burden. Am J Manag Care 2016; 22(Suppl. 7):s176-s185.. Por outro lado, estudos produzidos até o momento indicam resultados controversos para a relação entre atividade física20-23 e comportamento sedentário1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490. com a percepção da imagem corporal. Assim, resultado de estudo transversal mostrou que meninas fisicamente ativas relataram maior grau de insatisfação corporal quando comparadas às garotas menos ativas1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490.. Além disso, resultados de estudos tanto longitudinais2020 Finne E, Bucksch J, Lampert T, Kolip P. Age, puberty, body dissatisfaction, and physical activity decline in adolescents. Results of the German Health Interview and Examination Survey (KiGGS). Int J Behav Nutr Phys Act 2011; 8:119.,2121 Neumark-sztainer D, Paxton SJ, Hannan, PJ, Haines J, Story M. Does body satisfaction matter? Five-year longitudinal associations between body satisfaction and health behaviors in adolescent females and males. J Adolesc Health 2006; 39(2): 244-251. quanto transversais2424 Fernández-Bustos JG, Infantes-Paniagua Á, Gonzalez-Martí I, Contreras-Jordán OR. Body Dissatisfaction in Adolescents: Differences by Sex, BMI and Type and Organisation of Physical Activity. Int J Environ Res 2019; 16(17):3109.,2525 Kopcakova J, Veselska ZD, Geckova AM, Dijk JP, Reijneveld SA. Is being a boy and feeling fat a barrier for physical activity? The association between body image, gender and physical activity among adolescents. Int J Environ Res Public Health 2014; 11(11):11167-11176. mostraram que níveis mais baixos de atividade física se associavam com insatisfação com a imagem corporal em adolescentes. Diferentemente, nenhuma associação significativa entre nível de atividade física e insatisfação com a imagem corporal em adolescentes foi encontrada nos estudos transversais de Adami et al.2323 Adami F, Frainer DES, Santos JS, Fernandes TS, Oliveira FR. Insatisfação corporal e atividade física em adolescentes da região continental de Florianópolis. Psi Teor Pesqui 2008; 24(2):143-149. e Lima et al.2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35. Estudos sobre comportamento sedentário em adolescentes ainda são escassos, porém, estudo transversal indicou que adolescentes com maior tempo de celular estavam mais insatisfeitas com o corpo1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490.. Tais contradições denotam a necessidade de investigações mais aprofundadas a respeito da influência da atividade física e do comportamento sedentário na imagem corporal em adolescentes.

Diante desse cenário, a relação entre estado antropométrico, atividade física, comportamento sedentário e imagem corporal em adolescentes parece indefinida, tornando-se relevante a sua investigação, a fim de ampliar o conhecimento e a compreensão do tema, além de oferecer base para estratégias preventivas e futuros planos de intervenção, contribuindo para o avanço das discussões nessa temática e para a diminuição do problema. Assim, pretende-se avaliar a associação do constructo imagem corporal com indicadores antropométricos e de estilo de vida em adolescentes de uma capital do Nordeste brasileiro.

Métodos

Delineamento do estudo e amostra

Trata-se de um estudo com delineamento transversal que utiliza as informações da baseline do estudo de coorte intitulado “Ambiente escolar e familiar e risco cardiovascular: uma abordagem prospectiva”, desenvolvido pela Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBa).

A amostra original foi calculada com base no número de escolares (53.529 alunos) matriculados na rede estadual de educação de Salvador, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas de Salvador (SEEB, 2013), com idades entre 10 e 17 anos. Os escolares foram identificados a partir da listagem dos alunos matriculados por turma das seis escolas do ensino fundamental das séries finais (de duas coordenações regionais de Educação - CRE) registradas no ano de 2016 e 2017. Foram excluídas estudantes gestantes, lactantes e estudantes com deficiências físicas ou que estavam impossibilitados de participar das medições no momento da entrevista, ou ainda aqueles que estavam usando medicamentos que alteram as concentrações dos marcadores cardiometabólicos avaliados (anticonvulsivante, diuréticos, tiazídicos, corticoides) ou aqueles com diagnóstico de diabetes mellitus, insuficiência renal crônica, doença hepática e hipotireoidismo, que influenciam os níveis plasmáticos dos mercadores.

Para o processo amostral, tomou-se como base a literatura considerando cada associação (sobrepeso/obesidade associado à insatisfação com a imagem corporal e divergência na percepção corporal e sedentarismo associado aos desfechos de interesse), e após o cálculo, optou-se pelo número maior de amostra calculada, adotando-se a prevalência de 44,1% de insatisfação com a imagem corporal em adolescentes sedentários1111 Matias TS, Rolim MKSB, Kretzer FL, Schmoelz CP, Andrade A. Satisfação corporal associada a prática de atividade física na adolescência. Revista Motriz 2010; 16(2):370-378.. Considerando esta investigação, a amostra mínima foi estimada em 190 escolares, no entanto 465 responderam aos questionários com as informações completas e foram incluídos no estudo. Assim, o número de participantes superou o mínimo necessário para investigar as associações de interesse, considerando o poder (1-β) de 90%, nível de significância (α) de 0,05, precisão de 10% e testes bicaudais.

Coleta de dados e definição de variáveis

A baseline deste estudo ocorreu em 2016, quando foram coletadas informações demográficas, antropométricas, da imagem corporal e da atividade física fornecidas pelos estudantes. A condição econômica foi informada pelos pais ou responsáveis. As informações foram coletadas por nutricionistas, psicóloga e estudantes de nutrição devidamente capacitados.

Coleta e definição da variável resposta: imagem corporal

As variáveis que compõem o constructo da imagem corporal (insatisfação com a imagem corporal e divergência na percepção corporal) foram avaliadas pela escala de silhuetas2626 Kakeshita IS, Silva AIP, Zanatta DP, Almeida SS. Construção e fidedignidade teste-reteste de escalas de silhuetas brasileiras para adultos e crianças. Psic Teor Pesq 2009; 25(2):263-270., que consiste na utilização de desenho de figuras humanas que vão do corpo magro ao corpo obeso e foram utilizadas as duas versões, para criança2626 Kakeshita IS, Silva AIP, Zanatta DP, Almeida SS. Construção e fidedignidade teste-reteste de escalas de silhuetas brasileiras para adultos e crianças. Psic Teor Pesq 2009; 25(2):263-270. e para adultos adaptada para adolescentes2727 Laus MF, Braga TM, Costa S, Almeida S. Body image dissatisfaction and aesthetic exercise in adolescents: are they related? Estud Psicol 2013; 18(2):163-171., no sentido de contemplar a faixa etária de todos os participantes.

Para a interpretação da satisfação/insatisfação corporal, o adolescente escolheu a figura que na sua percepção melhor representasse o seu tamanho corporal (IMC atual) e, em seguida, a silhueta que desejaria ter (IMC desejado). Em caso de o adolescente selecionar figuras equivalentes, foi classificado como “satisfeito” (0) com sua imagem corporal. No entanto, quando o “IMC desejado” escolhido foi superior ao “IMC atual”, considerou-se o indivíduo “com desejo de ter silhueta maior (1)”. E identificou-se o desejo por silhueta menor quando “IMC desejado” foi menor que o “IMC atual” (2), resultando em três variáveis estratificadas: “desejo por silhueta maior”, “satisfeito” (categoria de referência) e “desejo por silhueta menor”.

A divergência na percepção corporal foi definida pela diferença entre as figuras de “IMC atual” e “IMC real”. A seleção de figuras iguais indicou que o adolescente teve concordância com a percepção do tamanho corporal (0). Quando o “IMC atual” foi menor do que o “IMC real”, indicou subestimação do tamanho corporal (1). Quando o “IMC atual” foi maior do que o “IMC real”, considerou-se que o adolescente superestima o seu tamanho corporal (2). Sendo assim, estão presentes três categorias: “subestima”, “concorda” (categoria de referência) e “superestima” o tamanho corporal.

Coleta e definição das variáveis de exposição principal: índice de massa corporal, circunferência da cintura, atividade física e comportamento sedentário

As medidas antropométricas de peso e altura foram coletadas no ambiente escolar utilizando, respectivamente, balança digital portátil Filizola com capacidade para 150 kg e estadiômetro portátil Altura Exata com extensão de 2,13 m. A circunferência da cintura (CC) foi medida utilizando fita métrica inelástica Sanny com extensão de 1,5 m e escala em centímetros. Para a obtenção das três medidas, adotou-se os procedimentos preconizados por Lohman, Rochne e Martorell2828 Lohman T, Roche AF, Martorell R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign: Human Kinetics Books; 1988.. A partir das medidas de peso e altura, foi calculado o índice de massa corporal (IMC) e o escolar foi classificado de acordo com os pontos de corte por percentis por idade e sexo do IMC recomendados pela Organização Mundial de Saúde2929 Onis M, Onyango AW, Borghi E, Siyam A, Nishida C, Siekmann J. Development of a WHO growth reference for school-aged children and adolescents. Bull World Health Organ 2007; 85(9):660-667.. Para fins de análises, optou-se por agregar as categorias magreza e eutrofia [< percentil 85 = sem sobrepeso/obesidade (ref = 0)], bem como sobrepeso e obesidade [> percentil 85 = com sobrepeso/obesidade (1)]. Tendo em vista que não existe padrão para classificar os valores de CC para crianças e adolescentes, foi empregada a média segundo sexo e idade do estudo de Freedman et al. (1999), que considera CC adequada (ref = 0) quando os valores estão abaixo do percentil 90 e CC inadequada (1) igual ou maior ao percentil 903030 Freedman DS, Serdula MK, Srinivasan SR, Berenson GS. Relation of circumferences and skinfold thicknesses to lipid and insulin concentrations in children and adolescents: the Bogalusa Heart Study. Am J Clin Nutr 1999; 69(2):308-317..

O nível de atividade física foi avaliado pelo questionário Physical Activity Questionnaire for Adolescents (PAQ-A), proposto por Kowalski et al. (1997). A escala considera questões referentes à prática de atividade física regular no tempo livre, no ambiente escolar e nas atividades de lazer nos últimos sete dias. Os participantes responderam a oito perguntas com escala que varia de 1 (baixa atividade) a 5 (alta atividade)3131 Kowalski KC, Crocker PRE, Donen RM. The Physical Activity Questionnaire for Older Children (PAQ-C) and Adolescents (PAQ-A) Manual. University of Saskatchewan; 2004.. Com base na pontuação final, o estudante foi classificado como menos ativo [1: muito sedentário, 2: sedentário e 3: moderadamente ativo (ref = 0)] ou mais ativo [4: ativo e 5: muito ativo (1)]3131 Kowalski KC, Crocker PRE, Donen RM. The Physical Activity Questionnaire for Older Children (PAQ-C) and Adolescents (PAQ-A) Manual. University of Saskatchewan; 2004..

A informação do tempo destinado para assistir TV foi fornecida pelo estudante e foi classificado em tempo de TV < 3 horas por dia (ref = 0) e > 3 horas por dia (1), segundo recomenda o Global School-Based Student Health Survey, proposto pela Organização Mundial de Saúde, que tem como objetivo avaliar a exposição aos comportamentos de risco à saúde em adolescentes3232 World Health Organization (WHO). Population-based approaches to childhood obesity prevention. Geneva: WHO; 2012..

Outras variáveis

Os adolescentes foram classificados de acordo com o sexo e a idade foi comprovada por meio de documento de identificação, sendo calculada em anos e classificada em < 13 anos (ref = 0) e ≥ 13 anos (1). A cor da pele foi classificada em preta e parda (ref = 0) e branca, amarela e indígena (1).

O Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP) foi utilizado para avaliar o estrato socioeconômico familiar. Essa estratificação econômica leva em conta itens referentes à renda média domiciliar, grau de escolaridade do chefe de família, número de empregadas domésticas, além de informações sobre quantidade de banheiros, origem da água e pavimentação da rua do domicílio, que recebem pontuações para gerar um escore total, classificando os domicílios em sete estratos socioeconômicos (categorias A, B1, B2, C1, C2, D e E)3333 Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Critério de classificação econômica Brasil. São Paulo: ABEP; 2016.. Assim, estrato socioeconômico da família foi classificado em melhor [categorias A+B1+B2] (ref = 0) e pior socioeconômico [categorias C1+C2+D+E]) (1).

Análise estatística

A medida de prevalência foi usada para determinar a distribuição das variáveis de exposição e de resposta. A comparação da prevalência entre a distribuição das variáveis resposta e as variáveis de exposição (estado antropométrico, atividade física e comportamento sedentário) foi realizada utilizando-se o teste X22 Araiza AM, Wellman JD. Weight stigma predicts inhibitory control and food selection in response to the salience of weight discrimination. Appetite 2017; 114:382-390. de Pearson.

Utilizou-se a regressão logística Politômica (indicada para desenho estatístico com variáveis resposta estratificada em três categorias). Inicialmente, foi aplicada a análise politômica bivariada, no intuito de selecionar as possíveis variáveis para o modelo multivariado (p valor < 0,2). A magnitude da associação foi expressa em razão de chances e seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Possíveis fatores de interação foram testados para avaliar a presença de modificação de efeito das variáveis de exposição sobre as variáveis de desfecho, utilizando o teste de razão de log-verossimilhança e adotando-se valor de p < 0,05 para presença de interação. Em relação às variáveis de confusão para a modelagem, tomou-se por base a literatura, bem como a variação de 10% ou mais na medida de associação comparada com a medida do modelo bruto3434 Rosner B. Fundamentals of biostatistics. Boston: Cengage Learning; 2010.. O AIC (Critério de Informação de Akaike) foi utilizado para avaliar a adequação do modelo aos dados e verificar também a qualidade da informação e da ligação entre as variáveis com o número de variáveis que é utilizada. Quanto menor o AIC, melhor o ajuste do modelo3535 Akaike, H. Information theory and an extension of the likelihood ratio principle. In: Petrov B, Csaki F, editors. Proceedings of the second international symposium of information theory. Budapest: Akademiai Kiado; 1973.. Adotou-se significância estatística de 5%. Os dados foram digitados em dupla entrada no programa computacional Epidata, versão 3.1. e analisados nos programas estatísticos SPSS, versão 20.0, e STATA, versão 16.0 (StataCorp, College Station, TX, USA).

Procedimentos éticos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (parecer nº 1.139.343 CEP/Nutrição). A participação do escolar no estudo foi dependente da autorização escrita dos pais e/ou responsáveis. Assim, após receberem carta-convite e conhecerem os objetivos do estudo, aqueles que concordaram com a participação do menor na investigação, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e o adolescente firmou o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Na Tabela 1 está descrita a distribuição das características demográficas, socioeconômicas, antropométricas e de estilo de vida dos 465 adolescentes. A maioria era do sexo feminino (64,6%), tinha idade maior que 13 anos (55,7%), se autodeclarou negra (79,8%) e pertencia a famílias em pior estrato socioeconômico (66,3%). Observou-se que o sobrepeso/obesidade (30,8%) e a CC inadequada (22,0%) foram prevalentes entre os adolescentes. Os resultados mostraram também que a maioria (79,8%) dos adolescentes era menos ativa e que 34,4% assistiam TV por mais de três horas por dia (Tabela 1).

Tabela 1
Distribuição das características demográficas, socioeconômicas, antropométricas e do estilo de vida de adolescentes da rede pública estadual de Salvador, BA, 2016.

Na Figura 1 são apresentadas as prevalências de insatisfação com a imagem corporal e de divergência na percepção corporal. A maioria dos adolescentes (49,3%) desejava ter a silhueta menor, seguido pelo desejo de uma silhueta maior (29,0%), segundo a insatisfação com a imagem corporal. Quanto à variável divergência na percepção corporal, detectou-se 54,6% de superestimação e 26,7% subestimação do tamanho corporal entre os adolescentes (Figura 1).

Figura 1
Prevalência de insatisfação com a imagem corporal e divergência na percepção corporal de adolescentes da rede pública estadual de Salvador, BA, 2016.

Na Tabela 2 é apresentada a prevalência de insatisfação com a imagem corporal e a divergência na percepção corporal de acordo com as variáveis de exposição. Nota-se que os adolescentes com IMC normal e CC adequada relataram mais frequentemente desejar ter silhueta maior. No entanto, o desejo de ter silhueta menor foi mais prevalente entre os adolescentes com sobrepeso/obesidade e CC inadequada. Em relação à percepção da dimensão corporal, os resultados revelaram que a prevalência de subestimar o peso corporal foi maior nos adolescentes mais ativos, e, contrariamente, aqueles menos ativos relataram mais frequentemente a superestimação do tamanho corporal.

Tabela 2
Prevalência de insatisfação com a imagem corporal e divergência na percepção corporal segundo as variáveis antropométricas e do estilo de vida em adolescentes da rede pública estadual de Salvador, Ba, 2016.

Nas tabelas 3 e 4 são apresentados os resultados brutos e ajustados da análise da regressão logística politômica para os desfechos da imagem corporal para as associações de interesse. Resultados das análises brutas indicaram que o adolescente com sobrepeso/obesidade associou-se significativa e positivamente (OR: 9,7; IC95%: 5,4-17.5) com o desejo de ter silhueta menor, e negativamente (OR: 0,2; IC95%: 0,1-0,5) ao desejo de ter silhueta maior, quando comparado com seus pares com IMC normal. Então, a obesidade abdominal aumentou a chance (OR: 14,0; IC95%: 5,0-39,3) de o adolescente se sentir insatisfeito e desejar ser mais magro, entretanto, não foi identificada associação significativa com as demais variáveis investigadas. Após o ajuste por sexo, idade e estrato socioeconômico, as associações significantes entre o desfecho e as variáveis de exposição de interesse foram mantidas. A redução do AIC nos modelos finais, quando comparados aos modelos brutos, foram considerados bem ajustados (Tabela 3).

Tabela 3
Análise multivariada da associação entre indicadores antropométricos, atividade física e comportamento sedentário e insatisfação com a imagem corporal em adolescentes da rede pública estadual de Salvador, BA, 2016.
Tabela 4
Análise multivariada da associação entre indicadores antropométricos, atividade física e comportamento sedentário e divergência do tamanho corporal em escolares da rede pública estadual de Salvador, BA, 2016.

Os resultados da análise bruta para a divergência na percepção corporal indicam que a superestimação do tamanho corporal foi 1,8 vez maior (IC95%: 1,1-2,0) entre os adolescentes com sobrepeso/obesidade quando comparados com aqueles sem essa condição. Em tal caso, a obesidade abdominal associou-se negativamente à subestimação (OR: 0,4; IC95%: 0,2-0,8) e à superestimação (OR: 0,4; IC95%: 0,2-0,8) do IMC avaliado. Associações significativas não foram encontradas entre estado antropométrico avaliado pelo IMC e subestimação do tamanho corporal, bem como entre aquelas de estilo de vida (atividade física e tempo de TV) e as categorias da divergência corporal. No modelo multivariado final, o estado antropométrico permaneceu associado à divergência na percepção corporal (subestimação e superestimação). Adolescentes com sobrepeso/obesidade (OR: 2,6; IC95%: 1,4-4,8) tiveram 2,6 vezes mais chances de superestimar o tamanho corporal quando comparados com os seus pares com peso corporal adequado. E os adolescentes com obesidade abdominal tiveram 80% menos chances (OR: 0,2; IC95%: 0,1-0,7 e OR: 0,2; IC95%: 0,1-0,5, respectivamente) tanto de subestimar quanto de superestimar seu tamanho corporal em relação à categoria de referência. Os ajustes dos três modelos foram adequados, considerando a redução do AIC nos modelos finais (Tabela 4), comparados aos modelos brutos.

Discussão

Neste estudo, investigou-se a prevalência de insatisfação com a imagem corporal e a divergência na percepção corporal e a associação desses desfechos com variáveis do estado antropométrico e de estilo de vida em estudantes de escolas públicas.

As prevalências de insatisfação com a imagem corporal (78,3%) e de divergência do tamanho corporal (81,3%) encontradas são semelhantes às registradas em outros estudos que avaliaram insatisfação com a imagem corporal33 Costa AN, Lima NV, Pegolo GE. Insatisfação corporal e rastreamento do risco para Transtornos Alimentares em adolescentes. Adolesc Saude 2016; 13(Supl. 1):16-26.,2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35. e divergência na percepção corporal2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35.,2727 Laus MF, Braga TM, Costa S, Almeida S. Body image dissatisfaction and aesthetic exercise in adolescents: are they related? Estud Psicol 2013; 18(2):163-171. em adolescentes usando a escala de silhuetas para avaliar o constructo da imagem corporal. A prevalência de desejar diminuir também foi maior do que a de aumentar o tamanho corporal. A percepção de corpo maior foi mais prevalente do que a subestimação do tamanho do corpo, como observado por Almeida et al.1313 Almeida CAN, Garzella RC, Natera CC, Almeida ACF, Ferraz IS, Ciampo LAD. Body image self-perception distortion in teenagers. Int J Nutrology 2018; 11(2):61-65., enquanto outra investigação encontrou proporções maiores para subestimação do peso corporal2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35.. A divergência na percepção corporal, ou seja, de superestimar ou subestimar o tamanho e/ou forma do corpo, torna-se cada vez mais presente na dinâmica vivencial dos adolescentes, não sendo característica particular apenas dos que desenvolvem transtornos alimentares3636 Voelker DK, Reel JJ, Greenleaf C. Weight status and body image perceptions in adolescents: current perspectives. Adolesc Health Med Ther 2015; 6:149-158..

Os resultados do presente estudo são similares aos de outros3737 Scherer FC, Martins CR, Pelegrini A, Matheus SC, Petroski EL. Imagem corporal em adolescentes: associação com a maturação sexual e sintomas de transtornos alimentares. J Bras Psiquiatr 2010; 59(3):198-202.,3838 Dumith SC, Menezes AMB, Bielemann RM, Petresco S, Silva ICMS, Linhares R da S, Amorim TC, Duarte DV, Araújo CLP, Santos JV. Insatisfação corporal em adolescentes: um estudo de base populacional. Cien Saude Colet 2012; 17(9):2499-2505. que estimaram maior prevalência de sobrepeso/obesidade e CC inadequada entre os adolescentes que desejavam ter silhueta menor. Além disso, foi observada alta prevalência de insatisfação com a imagem corporal, seja pelo desejo de silhueta menor ou maior, em participantes com estado antropométrico adequado. Pesquisas produzidas até o momento mostraram resultados semelhantes2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35.,3939 Dunker KLL, Fernandes CPB, Carreira Filho D. Influência do nível socioeconômico sobre comportamentos de risco para transtornos alimentares em adolescentes. J Bras Psiquiatr 2009; 58(3):156-161.. Por outro lado, como foi visto neste estudo, a insatisfação pela magreza também pode ocorrer em adolescentes. É provável que esse resultado esteja relacionado ao desejo pelo padrão estético musculoso, considerado atraente na sociedade contemporânea, podendo levar o adolescente a adotar práticas exageradas de atividade física, consumo indiscriminado de suplementos e anabolizantes, que podem predispor a transtornos dismórficos corporais4040 Biggs JM, Morgan JA, Lardieri AB, Kishk OA, Klein-Schwartz W. Abuse and misuse of selected dietary supplements among adolescents: a look at poison center data. J Pediatr Pharmacol Ther 2017; 22(6):385-393., no entanto esse aspecto da insatisfação corporal não foi explorado na presente investigação.

O presente estudo também avaliou a associação das variáveis do estado antropométrico (IMC e CC) e do estilo de vida com os desfechos de interesse de insatisfação e percepção da imagem corporal. O sobrepeso/obesidade e a ocorrência da obesidade abdominal aumentaram a chance do desejo por silhueta menor e diminuíram a estimativa de querer silhueta maior. Resultados similares foram encontrados nos estudos de Carvalho et al.4141 Carvalho GX, Nunes APN, Moraes CL, Veiga GV. Insatisfação com a imagem corporal e fatores associados em adolescentes. Cien Saude Colet 2020., Fantineli et al.4242 Fantineli ER, Silva MP, Campos JG, Neto NAM, Pacífico AB, Campos W. Imagem corporal em adolescentes: associação com estado nutricional e atividade física. Cien Saude Colet 2020; 25(10):3989-4000. e Morais, Miranda e Priore4343 Morais NS, Neves VP, Priore MSE. Imagem corporal de adolescentes do sexo feminino e sua associação à composição corporal e ao comportamento sedentário. Cien Saude Colet 2018; 23(8):2693-2703., em que avaliaram adolescentes brasileiros. Os resultados da pesquisa de Carvalho et al.4141 Carvalho GX, Nunes APN, Moraes CL, Veiga GV. Insatisfação com a imagem corporal e fatores associados em adolescentes. Cien Saude Colet 2020. revelaram que ter sobrepeso/obesidade e perímetro da cintura elevado diminuíram as chances de o adolescente cogitar silhueta maior. Os outros dois estudos registraram maiores chances de o adolescente com sobrepeso ou obesidade4242 Fantineli ER, Silva MP, Campos JG, Neto NAM, Pacífico AB, Campos W. Imagem corporal em adolescentes: associação com estado nutricional e atividade física. Cien Saude Colet 2020; 25(10):3989-4000. e CC inadequada4343 Morais NS, Neves VP, Priore MSE. Imagem corporal de adolescentes do sexo feminino e sua associação à composição corporal e ao comportamento sedentário. Cien Saude Colet 2018; 23(8):2693-2703. desejar ter silhueta corporal menor. A região abdominal é um dos locais onde é centralizada maior preocupação com o corpo, assim, a obesidade abdominal e o sobrepeso/obesidade constituem fatores determinantes de descontentamento, frustração com o corpo e ocorrência de insatisfação corporal em adolescentes. O padrão da magreza imposto pela sociedade, com a gordura corporal sendo vista como sinônimo de fracasso, faz com que a busca pela estética possa ter grande influência nessas alterações na percepção da IC.

O adolescente ter sobrepeso/obesidade associou-se positivamente à superestimação do tamanho corporal, mostrando que esses adolescentes fazem avaliação discrepante em relação ao seu corpo real. Diferentemente, estudos mostraram que sobrepeso e obesidade foram associados à subestimação do tamanho corporal em adolescentes66 Feio Costa LC, Silva DAS, Alvarenga MS, Vasconcelos FAG. Association between body image dissatisfaction and obesity among schoolchildren aged 7-10 years. Physiol Behav 2016; 160:6-11.,4444 Oldham M, Robinson E. Visual body size norms and the under-detection of overweight and obesity. Obes Sci Pract 2018; 4(1):29-40.. Em concordância com nosso estudo, Santos et al.4545 Santos SCF. Imagem corporal em crianças mato-grossenses e sua relação com fatores biopsicossociais [dissertação]. Brasília: Universidade Católica de Brasília; 2019. mostraram que escolares com sobrepeso e obesidade tendem a superestimar seus tamanhos corporais. Cabe mencionar que indivíduos com sobrepeso e obesidade apresentam discrepância do padrão de corpo ideal, podendo ter maior preocupação com o peso, autoestima negativa e sentimentos de inferioridade4646 Jankauskiene R, Baceviciene M. Body image concerns and body weight overestimation do not promote healthy behaviour: evidence from adolescents in Lithuania. Int J Environ Res Public Health 2019;16(5):864., favorecendo maior suscetibilidade do indivíduo para autoperceber sua silhueta maior do que a real. Percebe-se que, apesar do crescimento de investigações sobre essa temática, ainda há lacunas, dessa forma, os resultados encontrados em nossa pesquisa contribuem para o avanço das discussões do tema dentro do campo da saúde coletiva.

Os resultados deste estudo mostraram que adolescentes com obesidade abdominal tiveram menor chance de subestimação e superestimação do tamanho corporal. Esses resultados indicam que a circunferência da cintura talvez possa refletir melhor a percepção do adolescente quanto às suas formas corporais, sendo a obesidade abdominal um indicador de gordura em uma parte específica do corpo. É válido ressaltar que alterações na percepção da imagem corporal podem ter maior impacto na prática de comportamentos extremos direcionadas ao peso. Adolescentes insatisfeitos com seus corpos e que superestimam ou subestimam seu tamanho corporal são mais propensos a adotarem práticas não saudáveis para o controle do peso corporal, como dieta restritiva, jejum, vômito autoinduzido e/ou uso de laxantes4646 Jankauskiene R, Baceviciene M. Body image concerns and body weight overestimation do not promote healthy behaviour: evidence from adolescents in Lithuania. Int J Environ Res Public Health 2019;16(5):864., transtornos alimentares e depressão4747 Lee J, Lee Y. The association of body image distortion with weight control behaviors, diet behaviors, physical activity, sadness, and suicidal ideation among Korean high school students: a cross-sectional study. BMC Public Health 2016; 16:39..

A globalização induz ao seguimento de determinados modelos de beleza, que muitas vezes não condizem com as características morfológicas, etnia e individualidade de cada indivíduo, tornando a aparência física um aspecto altamente influente na formação da identidade dos adolescentes. A ideia de uniformidade se direciona a um padrão ideal de beleza inatingível. O estigma social construído a partir da idealização de um modelo corporal magro torna o indivíduo com obesidade inabilitado a ser socialmente aceito, sendo julgado como anormal e não desejável4848 Silva ACS, Sales ZN, Moreira RM, Boery EN, Santos WS, Teixeira JRB. Representações sociais de adolescentes sobre ser saudável. Rev Bras Cienc Esporte 2014; 36(2):397-409..

Não se observou associação entre a atividade física e o comportamento sedentário com qualquer categoria de insatisfação com a imagem corporal ou divergência na percepção corporal entre os adolescentes deste estudo. Concordando com nossa investigação, nenhuma associação significativa entre nível de atividade física e insatisfação com a imagem corporal em adolescentes foi encontrada nos estudos transversais de Adami et al.2323 Adami F, Frainer DES, Santos JS, Fernandes TS, Oliveira FR. Insatisfação corporal e atividade física em adolescentes da região continental de Florianópolis. Psi Teor Pesqui 2008; 24(2):143-149. e Lima et al.2222 Lima FEB, Drummond AC, Bigai DC, Pellegrinotti IL, Lima WF, Lima SBS, Lima FB. Insatisfação corporal e percepção da imagem corporal em adolescentes de Piraju-SP. Biomotriz 2018; 12(1):23-35. Uma possível explicação para a não associação dessas variáveis é de que a atividade física pode não exercer influência significativa na percepção corporal do adolescente, levando em consideração que a imagem corporal é um constructo complexo que envolve diversos fatores, sendo a adolescência uma fase da vida caracterizada por transformações e construção de uma identidade corporal, além disso, as opções de atividades físicas oferecidas pelas escolas podem não ser interessantes a ponto de exercer influência significativa na percepção da imagem corporal dessa população.

Por outro lado, resultados de estudos tanto longitudinais2020 Finne E, Bucksch J, Lampert T, Kolip P. Age, puberty, body dissatisfaction, and physical activity decline in adolescents. Results of the German Health Interview and Examination Survey (KiGGS). Int J Behav Nutr Phys Act 2011; 8:119.,2121 Neumark-sztainer D, Paxton SJ, Hannan, PJ, Haines J, Story M. Does body satisfaction matter? Five-year longitudinal associations between body satisfaction and health behaviors in adolescent females and males. J Adolesc Health 2006; 39(2): 244-251. quanto transversais2424 Fernández-Bustos JG, Infantes-Paniagua Á, Gonzalez-Martí I, Contreras-Jordán OR. Body Dissatisfaction in Adolescents: Differences by Sex, BMI and Type and Organisation of Physical Activity. Int J Environ Res 2019; 16(17):3109.,2525 Kopcakova J, Veselska ZD, Geckova AM, Dijk JP, Reijneveld SA. Is being a boy and feeling fat a barrier for physical activity? The association between body image, gender and physical activity among adolescents. Int J Environ Res Public Health 2014; 11(11):11167-11176. mostraram que níveis mais baixos de atividade física se associavam à insatisfação com a imagem corporal em adolescentes. Diferentemente, estudo transversal mostrou que meninas fisicamente ativas relataram maior grau de insatisfação corporal quando comparadas às garotas menos ativas1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490.. Sabe-se que a prática de exercícios físicos está relacionada ao bem-estar físico e psíquico, e que a inatividade física e o tempo de tela excessivo impactam negativamente na saúde física e mental, estando relacionados a menor consciência corporal e obesidade. Os resultados sobre essa relação não são consensuais1010 Miranda VPN, Morais NS, Faria ER, Amorim PRS, Marins JCB, Franceschini SCC. Insatisfação corporal, nível de atividade física e comportamento sedentário em adolescentes do sexo feminino. Rev Paul Pediatr 2018; 36(4):482-490.,1111 Matias TS, Rolim MKSB, Kretzer FL, Schmoelz CP, Andrade A. Satisfação corporal associada a prática de atividade física na adolescência. Revista Motriz 2010; 16(2):370-378.,2121 Neumark-sztainer D, Paxton SJ, Hannan, PJ, Haines J, Story M. Does body satisfaction matter? Five-year longitudinal associations between body satisfaction and health behaviors in adolescent females and males. J Adolesc Health 2006; 39(2): 244-251.,2323 Adami F, Frainer DES, Santos JS, Fernandes TS, Oliveira FR. Insatisfação corporal e atividade física em adolescentes da região continental de Florianópolis. Psi Teor Pesqui 2008; 24(2):143-149.,4949 Moreira ML, Corrêa AAM, Domingues SF. Satisfação da imagem corporal em jovens praticantes de ginastica em grupo. RBONE 2018; 12(71):400-405., mostrando a necessidade do desenvolvimento de novos estudos sobre a temática.

Algumas limitações da presente investigação precisam ser apontadas. Sabe-se que a imagem corporal é uma construção multidimensional e que, principalmente na adolescência, os fatores sociais, fisiológicos, psicológicos e ambientais podem alterar de forma constante a imagem que se tem do corpo. A escala de silhuetas utilizada neste estudo, apesar de ser um instrumento validado e adequado para avaliar a imagem corporal em adolescentes brasileiros, pode apresentar algumas restrições em função da quantidade de figuras a serem selecionadas pelos sujeitos e de sua aplicabilidade a diferentes grupos étnicos5050 Thompson JK, Smolak L, editors. Body image, eating disorders and obesity in youth. Washington: American Psychological Association; 2001.. Além disso, esta pesquisa teve delineamento transversal, estimando as relações entre as variáveis em apenas um único momento, e não permite identificar relação causal, pois a exposição e o evento são detectados simultaneamente. Outra limitação foi a utilização de questionários autoaplicáveis, que podem levar a erros de interpretação e de memória do adolescente, com consequente subestimação ou superestimação das informações.

A despeito das limitações da presente investigação, os resultados são reforçados por estudos longitudinais1515 Espinoza P, Penelo E, Raich RM. Disordered eating behaviors and body image in a longitudinal pilot study of adolescent girls: what happens 2 years later? Body Image 2010; 7(1):70-73.,1616 Min J, Fang Yan A, Wang Y. Mismatch in children's weight assessment, ideal body image, and rapidly increased obesity prevalence in China: a 10-year, nationwide, longitudinal study. Obesity (Silver Spring) 2018; 26(11):1777-1784. e transversais1313 Almeida CAN, Garzella RC, Natera CC, Almeida ACF, Ferraz IS, Ciampo LAD. Body image self-perception distortion in teenagers. Int J Nutrology 2018; 11(2):61-65.,1414 Ramos P, Moreno-Maldonado C, Moreno C, Rivera F. The role of body image in internalizing mental health problems in Spanish adolescents: an analysis according to sex, age, and socioeconomic status . Front Psychol 2019; 10: 1952., mostrando que o sobrepeso/obesidade e o acúmulo de gordura abdominal são variáveis importantes relacionadas ao sentimento de depreciação da aparência física em adolescentes. Assim, a forma com que eles percebem seus corpos parece influenciar alguns comportamentos e condições patológicas de grande impacto, como insatisfação e distorção da imagem corporal associadas a baixa autoestima, depressão, ansiedade e transtornos alimentares.

Nossos resultados revelaram altas prevalências de insatisfação com a imagem corporal e distorção na percepção corporal em adolescentes, e que o sobrepeso/obesidade e o acúmulo de gordura abdominal foram importantes indicadores associados a esses desfechos. Assim, esses resultados são suficientes para destacar a emergência do problema e alertar pais, educadores e profissionais de saúde para a necessidade de estratégias que visem melhorar a relação do adolescente com seu corpo.

Portanto, faz-se necessário maior acesso a informação adequada e o desenvolvimento de programas voltados à educação alimentar e nutricional e à prática de atividade física na escola, com discussões sobre imagem corporal e a influência da mídia nesse cenário. Bem como a criação de estratégias educativas que não se restrinjam à transmissão de informações, e sim possibilitem a criação de novos sentidos, visando a desconstrução desses ideais de corpo tão inerentes na sociedade contemporânea, para a gradativa aceitação das diversas formas e tamanhos corporais existentes, a fim de que o adolescente constitua uma relação mais saudável com seu corpo.

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    Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Editado por

Editores-chefes:

Romeu Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Jan 2023
  • Data do Fascículo
    Jan 2023

Histórico

  • Recebido
    19 Nov 2021
  • Aceito
    01 Ago 2022
  • Publicado
    03 Ago 2022
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