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Moléstia de Chagas e ecologia profunda: a "luta antivetorial" em questão

Chagas's disease and deep ecology: the anti-vectorial fight in question

Resumos

As inter-relações entre o homem e o meio ambiente estão entre os principais temas debatidos no contexto atual da saúde pública brasileira. Neste horizonte se inscrevem as questões atinentes à moléstia de Chagas especialmente no âmbito das ações de controle dirigidas aos triatomíneos, a luta antivetorial , a qual permanece, mesmo após quase um século de sua descrição por Carlos Chagas, como uma condição de grande impacto epidemiológico na América Latina. Com base nestas considerações, o presente artigo buscará discutir os principais aspectos ecológicos relacionados à tripanossomíase americana em um esforço de delimitação da questão, muito mais do que proposição de respostas , enfatizando-se o controle da transmissão vetorial, repensada em termos da ecologia profunda.

Ecologia; Moléstia de Chagas; Trypanosoma cruzi; Ética; Saúde


The inter-relations between man and the environment are among the main themes currently debated by the Brazilian public health. On such horizon, the questions concerning Chagas's disease are found to remain specially in the scope of the directed actions of control to the triatomine, the anti-vectorial fight , though already a century since its first description by Carlos Chagas, a major epidemiological problem in Latin America. Based on these considerations the present article will seek to discuss the main ecological aspects related to the American trypanosomiasis, emphasizing the control of the vectorial transmission in the context of the deep ecology.

Ecology; Chagas's disease; Trypanosoma cruzi; Ethics; Health


TEMAS LIVRES

Moléstia de Chagas e ecologia profunda: a "luta antivetorial" em questão

Chagas's disease and deep ecology: the anti-vectorial fight in question

Rodrigo Siqueira-BatistaI; Andréia Patrícia GomesI; Giselle RôçasII; Rosângela Minardi Mitre CottaI; Eduardo Cárdenas Nogueira RubiãoIII; Alcides PissinattiIII

IUniversidade Federal de Viçosa. Av. Peter Henry Rolfs s/nº, Campus Universitário. 36570-000 Viçosa MG. rsiqueirabatista@yahoo.com.br

IIInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro

IIICentro Universitário Serra dos Órgãos

RESUMO

As inter-relações entre o homem e o meio ambiente estão entre os principais temas debatidos no contexto atual da saúde pública brasileira. Neste horizonte se inscrevem as questões atinentes à moléstia de Chagas especialmente no âmbito das ações de controle dirigidas aos triatomíneos, a luta antivetorial , a qual permanece, mesmo após quase um século de sua descrição por Carlos Chagas, como uma condição de grande impacto epidemiológico na América Latina. Com base nestas considerações, o presente artigo buscará discutir os principais aspectos ecológicos relacionados à tripanossomíase americana em um esforço de delimitação da questão, muito mais do que proposição de respostas , enfatizando-se o controle da transmissão vetorial, repensada em termos da ecologia profunda.

Palavras-chave: Ecologia, Moléstia de Chagas, Trypanosoma cruzi, Ética, Saúde

ABSTRACT

The inter-relations between man and the environment are among the main themes currently debated by the Brazilian public health. On such horizon, the questions concerning Chagas's disease are found to remain specially in the scope of the directed actions of control to the triatomine, the anti-vectorial fight , though already a century since its first description by Carlos Chagas, a major epidemiological problem in Latin America. Based on these considerations the present article will seek to discuss the main ecological aspects related to the American trypanosomiasis, emphasizing the control of the vectorial transmission in the context of the deep ecology.

Key words: Ecology, Chagas's disease, Trypanosoma cruzi, Ethics, Health

Introdução

A moléstia de Chagas (ou tripanossomíase americana) enfermidade parasitária causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi e transmitida por insetos da família Triatominae1,2 é uma antropozoonose restrita à América, com significativo impacto sanitário e socioeconômico no continente. Estima-se que a enfermidade atinja em torno de seis milhões de pessoas nos países nos quais grassa, ceifando, anualmente, cerca de 50 mil vidas3-5.

Boa parte da história de misérias e sofrimentos relacionados ao mal de Chagas pode ser associada à perpetuação da transmissão vetorial, responsável pela maior parte do contingente de infectados por T. cruzi do planeta. De fato, díspares investigações demonstraram a existência de uma correlação direta entre a densidade doméstica de triatomíneos infectados e o número de casos agudos, especialmente nas crianças6,7. Assim, as ações de controle desenvolvidas ao longo do século XX especialmente aquelas dirigidas à redução da transmissão por vetores têm permitido uma transição epidemiológica ao menos em determinadas regiões do continente, sendo observada forte tendência à queda do número de casos em alguns países como Argentina, Brasil (país que recebeu, recentemente, o Certificado Internacional de Eliminação da Transmissão da Doença de Chagas pelo Triatoma infestans)8, Chile, Uruguai e Venezuela , ainda que outros como Bolívia, Paraguai e Peru permaneçam com prevalências consideráveis, provavelmente pela implementação recente dos seus programas de controle9-11.

A despeito das benesses relacionadas às ações dirigidas aos vetores, é ilusório pensar que tal perspectiva, marcadamente belicista (marcial) fala-se da luta antivetorial, ou seja, da necessidade de exterminar os triatomíneos que insistem em manter-se nas vivendas humanas seja capaz, efetivamente, de controlar a enfermidade. De fato, (1) a resistência dos transmissores aos diferentes inseticidas empregados; (2) as dificuldades de manejo do peridomicílio; (3) as questões relacionadas aos ciclos selváticos do T. cruzi (p. ex., na Amazônia); e (4) o fato de a moléstia de Chagas poder ser considerada uma doença genuinamente ecológica9,12 impõem que sejam pensados novos referenciais para a abordagem do problema, quiçá em uma perspectiva de conservação das espécies envolvidas, minimizando-se o desequilíbrio ambiental.

É precisamente neste âmbito que ganha relevância a abordagem da enfermidade nos referenciais da ecologia do grego óikos = morada; lógos = discurso; ou seja, estudo sobre a casa termo criado pelo biólogo Ernst Haeckel em 186613. De fato, seu significado originário saber que investiga a inter-relação dos seres vivos em um dado espaço geográfico (sua casa), estando, assim, intimamente relacionada às questões ambientais foi, ao longo do século XX, ampliado sobremaneira, ganhando status de importante referencial teórico para se pensar o mundo contemporâneo em termos éticos, políticos, epistemológicos e econômicos , como demarcado por Leonardo Boff: [a ecologia de] um discurso regional como subcapítulo da biologia passou a ser atualmente um discurso universal, quiçá o de maior força mobilizadora do futuro milênio13.

A ecologia, assim, tem sido empregada para debater diferentes aspectos relacionados à vida na Terra destacando-se os pontos dirigidos à saúde no âmbito de uma concepção de integração dos seres vivos, aspecto que vem sendo considerado na abordagem da epidemiologia e do controle da tripanossomíase americana há décadas. Entretanto, a apreciação dos distintos elementos atinentes à moléstia de Chagas em decorrência das múltiplas possibilidades de interação dos diferentes partícipes dos processos de perpetuação da doença, ou seja, o Trypanosoma cruzi, os triatomíneos e os mamíferos (incluído o Homo sapiens sapiens) vem sendo realizada de modo marcadamente antropocêntrico, caracterizável, de acordo com os pressupostos de Arne Naess, como uma "ecologia rasa", a qual concebe os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, atribuindo apenas um valor instrumental, ou de "uso", a esta última14,15.

Com base nestas premissas, discutir a luta antivetorial, partindo-se de uma apreciação ecoepidemiológica da doença, nos termos do arcabouço conceitual da ecologia profunda, é o escopo do presente artigo.

Partícipes da teia ecoepidemiológica

A compreensão da complexa "teia ecoepidemiológica" da tripanossomíase pressupõe o entendimento dos principais aspectos biológicos e ecológicos dos triatomíneos e dos reservatórios, os quais permitem a formulação de explicações para a circulação e a perpetuação do Trypanosoma cruzi (Figura 1).


Os vetores: triatomíneos

Os triatomíneos são insetos grandes, pertencentes à família Reduviidae e da subfamília Triatominae16. São hematófagos obrigatórios, possuindo hábitos noturnos e longevidade de até dois anos17. O principal representante no Brasil é o Triatoma infestans usualmente denominados como "barbeiro" , a espécie mais importante na ecoepidemiologia da tripanossomíase americana no Brasil, tendo-se registrado sua ocorrência em mais de 720 municípios brasileiros3. Todavia, outras espécies possuem, também, significativa importância na ecologia da tripanossomíase americana, podendo-se citar Rhodnius prolixus, Panstrongylus megistus e Triatoma sordida18,19.

É amplamente reconhecido que o fenômeno mais importante na ecoepidemiologia da moléstia de Chagas é a domiciliação dos transmissores. Assim, em concordância com suas características bioecológicas e capacidade de domiciliação, os triatomíneos podem ser classificados em cinco grupos (Quadro 1)20,21.


Outros protozoários, além do T. cruzi, podem infectar os triatomíneos como Trypanosoma rangeli , podendo haver risco de confusão diagnóstica nas áreas de ocorrência simultânea de ambos os agentes22,23.

Os reservatórios: mamíferos

Há inúmeras espécies de animais selváticos e domésticos que podem ser infectadas pelo T. cruzi, estando o Homo sapiens sapiens incluído neste último grupo24. Tais espécies são essenciais para a perpetuação da entidade mórbida25, apresentando processos infecciosos de variável gravidade usualmente, mais benigna para os reservatórios silvestres do que para os domésticos20.

As aves, os répteis e os anfíbios são vertebrados naturalmente resistentes à infecção pelo hemoflagelado; todavia, esses animais especialmente as aves podem desempenhar significativo papel em alguns ecótopos, por servirem de fonte alimentar para os vetores3.

Reservatórios silvestres

Os principais reservatórios do T. cruzi, no ciclo silvestre, são apresentados no Quadro 226-29.


De modo similar ao descrito para os triatomíneos, deve-se destacar a possibilidade de infecção dos reservatórios selvagíneos por outros protozoários, o que eventualmente pode gerar equívoco. Pode-se citar, em relação aos primatas do Novo Mundo, a existência de pelo menos cinco espécies do gênero Trypanosoma capazes de infectá-los, incluindo Trypanosoma cruzi, Trypanosoma lambrechti, Trypanosoma rangeli, Trypanosoma minasense e Trypanosoma saimiri30,31. No que diz respeito às espécies do Velho Mundo (Macaca fascicularis, Macaca mulatta, Macaca cyclopis, Nycticebus concang, Hylobates pileatus), foi descrita uma forma pouco distinta de Trypanossoma cruzi que, para muitos autores, pode ser o Trypanossoma conorrhini, microrganismo encontrado em roedores na África32.

Reservatórios domésticos

Neste domínio, a espécie de maior importância é H. sapiens sapiens (homem), tendo em vista sua expectativa média de vida cerca de 60-70 anos e pela manutenção da parasitemia, ainda que baixa, por longos períodos. Este é infectado pelo protozoário, amiúde, no interior dos domicílios colonizados por triatomíneos ou por ocasião do desmatamento, em decorrência do desequilíbrio ecológico promovido (p. ex., em consequência à invasão dos acampamentos por vetores, os quais partem em busca de abrigo)11,12.

Outros animais também atuam como reservatórios domésticos e peridomésticos do T. cruzi, tais como o cão (Canis familiaris) e o gato (Felis cattus) vertebrados mais importantes, após o homem , a cabra (Capra hyrcus), a ovelha (Ovis aries), o coelho (Oryctolagus cuniculis), a cobaia (Cavia porcellu) e o rato (Rattus novergicus)3,33.

Principais ecossistemas da moléstia de Chagas

A infecção por T. cruzi se perpetua em díspares nichos ecológicos, organizando-se em significativa variedade de ambientes, com destaque para os ecótopos silvestres e domiciliares/peridomiciliares34.

Ecótopos silvestres

Acredita-se que, ancestralmente, o ambiente silvícola representava o único ecossistema do T. cruzi, como resultado da movimentação do protozoário entre diferentes reservatórios naturais especialmente marsupiais, roedores e edentados e triatomíneos, em diferentes ecótopos25. Nesse domínio, propõe-se como significativa a transmissão por via oral do protista, havendo infecção dos reservatórios no momento da alimentação, como consequência da ingestão de triatomíneos ou de animais de menor porte, infectados35.

Os focos naturais da tripanossomíase nos quais ocorreria o seu ciclo selvático situam-se em distintos ambientes25,26,36:

(1) Troncos das grandes árvores nas quais são abrigos de marsupiais (Didelphis spp., Marmosa spp., Caluromys), roedores, primatas (Calitriquídeos) e carnívoros, onde o triatomídeo Triatoma sordida alimenta-se do sangue desses mamíferos;

(2) Copas das grandes árvores por exemplo, palmeiras , com significativa participação de aves, marsupiais (Didelphis spp., Marmosa spp., Caluromys) e roedores com registro do envolvimento de Panstrongylus megistus;

(3) Vegetação de cerrados e campos com envolvimento de marsupiais (Didelphis albiventris, Marmosa pusilla), carnívoros (Dusyceon griseus, Conepatus chinga, Galictis cuja, Herpailurus yaguaroundi), tatu (Tolypeutes mataco) e roedores (Microcavia australis e Pediolagua salinicola), com relato de Triatoma sordida e Triatoma infestans associados a esses animais selvagens;

(4) Ambientes subterrâneos (grutas, buracos no solo, sob pedras), destacando-se mamíferos como Dasypus novemcinctus (tatu) e espécies de triatomíneos (mormente Panstrongylus geniculatus);

(5) Rios e lagos, nos quais tomam parte Eira barbara (irara), mamífero com hábitos aquáticos, cuja infecção natural já foi descrita.

A despeito de se reconhecer alguns aspectos do comportamento selvagino da infecção por T. cruzi, muitos elementos permanecem por ser esclarecidos, reconhecendo-se que, em algumas regiões, são praticamente ignoradas as características ecológicas da moléstia de Chagas37.

Ecótopos domiciliares e peridomiciliares

A transmissão do T. cruzi ocorre, igualmente, em áreas peridomésticas e domésticas, as quais foram estabelecidas a partir de modificações dos hábitos humanos e animais. Ato contínuo à invasão desses ecótopos silvestres e construção de habitações que se tornaram propícias à domiciliação do vetor, o H. sapiens sapiens entrou em contato com o T. cruzi, havendo, assim, o surgimento da enfermidade humana38.

Não são muitas as espécies domiciliadas em torno de oito entre as mais de 120 conhecidas. Ainda assim, há marcante coincidência entre a endemicidade da tripanossomíase americana e o grau de domiciliação dos triatomíneos. Nas regiões em que a domiciliação é significativa como, por exemplo, em áreas da Bolívia e do Equador3 , os vetores vivem preferencialmente em casas de "pau-a-pique", as quais possuem paredes com frestas utilizadas pelos artrópodos como esconderijo. São também encontrados, peridomiciliarmente, em galinheiros, chiqueiros, estábulos e casas de madeira. São insetos noturnos, saindo tanto o macho quanto a fêmea e ninfas, à noite, para o repasto sanguíneo. A despeito dessas conjecturas, recentes investigações realizadas a partir da caracterização de zimodemas silvestres e domiciliares demonstraram a circulação em condições selváticas dos zimodemas 1 e 3, enquanto no ciclo doméstico detectou-se o zimodema 2, o que se torna um problema para a explicação desta continuidade entre os ciclos39,40.

A questão ambiental: ecologia e saúde

A questão ambiental a qual tem como cerne os debates acerca da relação homem/ambiente emerge ao longo do século XX com a existência de duas correntes de pensamento preservacionistas e conservacionistas , as quais perpetuam os debates até a atualidade41,42. Os preservacionistas defendem que as belezas naturais devem permanecer intactas, não sendo alteradas por ações antrópicas, entendendo-se por preservação a proteção a longo prazo das espécies, habitats e ecossistemas. Já os conservacionistas percebem a natureza de forma mais sustentável, apresentando uma série de dados que indicam que o ambiente pode ser compartilhado pelo homem tendo em vista as suas necessidades, desde que se incorporem, às ações, os princípios do desenvolvimento sustentável. Propõem, de fato, o gerenciamento inteligente das terras e a utilização criteriosa dos recursos naturais de modo a gerar fontes de riqueza - articulação entre economia e ecologia, ou seja, a utilização racional dos recursos naturais renováveis e não renováveis, objetivando produzir o maior benefício sustentado para as gerações atuais, mantendo suas potencialidades para satisfazer as necessidades das gerações futuras.

Seguindo a corrente conservacionista e como uma tentativa de consolidar as ações governamentais em prol do ambiente e dos direitos humanos, foi assinada a Agenda 21 na Conferência Rio-9242. Nesse documento, foram traçadas as diretrizes sobre a forma segundo a qual deveriam ser conduzidas as discussões acerca das questões ambientais, resgatando a noção de desenvolvimento sustentável, proposta inicialmente no Relatório Brundtland, em 1987. Dentre os princípios norteadores do desenvolvimento sustentável, importa destacar duas de suas concepções básicas:

(1) atendimento às necessidades do presente sem comprometimento da possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades;

(2) requisição da participação dos cidadãos nos processos de tomada de decisão, na solução de problemas de ordem social, gerando um sistema econômico que seja confiável e constante.

Compondo a discussão político-econômica da questão ambiental, o mundo científico, representado pela Ecologia, vem apresentando uma série de indícios43,44, indicando que as atuações locais podem ter e têm resultados globais, interferindo assim nos padrões climáticos e ecossistêmicos do planeta Terra. Os desequílibrios ecológicos geram problemas de toda sorte, dentre os quais a propagação de espécies animais que são causadoras de moléstias humanas.

Particularmente no caso da moléstia de Chagas, percebe-se que o desmatamento da Floresta Amazônica está reduzindo habitats onde os predadores naturais do vetor vivem, havendo, assim, uma ausência do predador e o consequente aumento da população de triatomíneos. Ademais, há a possibilidade da geração de novos ambientes, nos quais o inseto pode ser ecologicamente mais eficiente. Nestes termos, reconhece-se que a presença do barbeiro nas cidades está diretamente ligada a uma mudança de hábito do inseto, causada pelo aumento do desmatamento das florestas. [...] Se o contágio foi através das picadas, é a aproximação do barbeiro com as casas que preocupa, já que ele vive mais nas matas45.

Estudos sanitários e biogeográficos indicam que os triatomíneos possuem padrões de distribuição decorrentes da história natural desses protozoários46. Para tal entendimento, faz-se necessário que a discussão do tema esteja baseada em uma visão mais holística do ambiente reconhecendo-se sua totalidade e sua interdependência , já que pode ser observado em distintos momentos que a moléstia de Chagas, tal qual outras doenças transmissíveis, é capaz de evoluir e se adaptar a novas condições ecológicas. Dessa forma, nos debates que envolvem temáticas relacionadas às questões ambientais e à saúde pública, torna-se imprescindível a discussão de forma mais abrangente estabelecendo como ponto de referência o ecossistema , revendo-se a tradicional perspectiva antropocêntrica.

Luta antivetorial: uma crítica ecológica (profunda)

A tripanossomíase americana é considerada, tradicionalmente, uma moléstia intimamente relacionada à miséria e à desigualdade social, tal qual denunciado por Carlos Chagas ainda no alvorecer do século passado47. Em grande medida, as profundas iniquidades sociossanitárias presentes na sociedade brasileira quer entre regiões, quer entre pessoas de uma mesma região ou município são determinadas sócio-historicamente48. De fato, as condições de subdesenvolvimento dos países latino-americanos, capazes de impor a parcela significativa dos homens e mulheres dessas nações as mais espúrias condições de vida, estiveram entre os principais determinantes da grave situação ecoepidemiológica pela qual a doença se "arrastou" ao longo de seus cem anos de reconhecimento.

Tais foram os pressupostos que facultaram a compreensão, por parte da comunidade científica e da classe política mundiais, de que a guerra contra o mal de Chagas deveria ser uma batalha sem trégua pela melhoria das condições de vida das populações atingidas, mas, igualmente, contra os triatomíneos inimigos que precisariam ser vencidos... , sob pena de mais pessoas engrossarem os filões de vítimas da doença. Para isto, tem sido amplamente empregada, desde a década de 1940, a aplicação de inseticidas nos domicílios e peridomicílios, os quais atuam a partir de sua ação residual no sistema nervoso dos reduvídeos, especialmente nas ninfas (não atingem diretamente os ovos)49. Os produtos já utilizados incluem o BHC (hexaclorociclohexano), o Dieldrin, o Propoxur, o Malathion, os carbamatos todos estes proibidos e proscritos em vários países e os piretroides de síntese principais produtos empregados atualmente , tais como alfa-cipermetrina, beta-ciflutrina, ciflutrina, cipermetrina, deltametrina e lambda-cialotrina50. Este conjunto de ações a luta antivetorial foi um dos responsáveis pela substantiva redução do número de casos nos vários países da América (Gráfico 1)3.


Ainda assim, a luta antivetorial está longe de ser a melhor medida para que pessoas deixem de ser infectadas pelo T. cruzi, especialmente ao se reconhecer que o mal de Chagas não é apenas uma condição mórbida originada da pobreza e da desigualdade, mas sim uma enfermidade que possui tônicas raízes no desequilíbrio ambiental, ou seja: a moléstia de Chagas é, antes de tudo, uma doença ecológica. Algumas observações que ratificam tal posicionamento incluem:

(1) a crescente resistência dos triatomíneos aos inseticidas como deltametrina, cipermetrina, beta-ciflutrina e lambda-cialotrina , descrita em diferentes regiões da América Latina51,52, o que, na metáfora belicista vigente, representaria uma genuína reorganização das defesas triatomínicas;

(2) o grande problema representado pelo controle no peridomicílio, área na qual o tradicional uso de inseticidas tem pouca eficácia, pelo fato de a ação residual ser expressivamente inferior à descrita no domicílio; acrescente-se a isto o impacto ambiental e individual em termos de saúde humana e animal, em decorrência do uso desses venenos49;

(3) a ocupação de áreas consideradas livres do T. infestans pelo Triatoma braziliensis em regiões do Brasil por exemplo, na área compreendida pelas divisas dos estados de Tocantins, Piauí e Bahia , bem como o ressurgimento do T. infestans na Argentina;

(4) as questões relacionadas aos ciclos selváticos da tripanossomíase americana, como no caso da Amazônia, localidade que vem sendo investigada, mais amiúde, nas últimas décadas, em relação às características da infecção pelo T. cruzi, cabendo destaque à baixa morbidade do processo infeccioso e à ocorrência de surtos de aquisição do protozoário por via oral; nesta região, tem-se descrito a ocorrência de inúmeros animais que participam como vetores e reservatórios (Quadro 3). Neste contexto, uma questão se impõe com força: seria plausível a realização de uma luta antivetorial por exemplo, controle químico ou biológico de triatomíneos silvestres nesses ecótopos naturais?


Com efeito, torna-se premente a revisão da forma segundo a qual se encaram as relações entre os diferentes elementos da teia ecoepidemiológica da tripanossomíase americana, podendo-se utilizar como referencial para pensar/agir a Ecologia Profunda, proposta em 1973 pelo filósofo norueguês Arne Naess14 incluído na tradição de pensamento ecológico-filosófico de Henry Thoreau e de Aldo Leopold , como alternativa ao modelo hegemônico de vigilância epidemiológica e controle das doenças (Quadro 4)53. Neste domínio, para Capra: a ecologia profunda não separa seres humanos ou qualquer outra coisa do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que são fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida15.


Em última análise, a ecologia profunda convida a que sejam pensadas e construídas novas relações entre os seres que habitam o planeta, por entender que há genuína igualdade entre as espécies e que a natureza tem um valor intrínseco, e não apenas instrumental (Quadro 3).

Tais ideias impõem que sejam pensadas inovadoras modalidades para o controle da moléstia de Chagas, as quais necessariamente terão que abandonar a ideia de que os triatomíneos são os inimigos que necessitam ser vencidos e aniquilados. Esta é, em última análise, uma genuína questão moral mais do que técnica e/ou política tornando premente a introdução, nesses debates, dos referenciais teóricos da ética e da bioética54,55, quiçá como formulado por Albert Schweitzer: Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação. Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada56.

Como agir neste contexto? Eis a indagação ética por excelência. Pensar alternativas para o controle da moléstia de Chagas, no âmago das concepções da ecologia profunda, pode apontar saídas para os anos vindouros. Nestes termos, a orientação de investigações científicas para o desenvolvimento de modalidades vanguarda para a profilaxia e o controle por exemplo, projetos para investigação (1) do impacto do desmatamento; (2) das ações em educação ambiental; e (3) de tecnologia em engenharia, de modo a tornar as moradias e o peridomicílio menos habitáveis pelos triatomíneos seria uma medida bastante desejável. Evidentemente, não se trata de oferecer respostas o que, no melhor espírito filosófico, foge do escopo do presente ensaio, muito mais dirigido à apresentação do problema , mas apenas de se propor "linhas de força" para se pensar a cosmovisão beligerante na qual se inscreve a ideia de luta antivetorial.

Ponderações finais

Transformar, de forma premente e radical, os debates sobre a epidemiologia, a ecologia, a prevenção e o controle da infecção chagásica, permitindo que a coletividade possa se tornar, finalmente, responsável pelo seu entorno vertebrados, T. cruzi e triatomíneos , quiçá como esperado por Albert Schweitzer, é tarefa urgente e de responsabilidade de todos os agentes morais, racionais e autônomos, incluindo-se os diferentes setores sociais sociedade civil organizada, profissionais de saúde, gestores, comunidade científica, classe política, membros dos Conselhos de Saúde nos três níveis de governo. O que está em jogo é um expressivo número de vidas basta observar, conforme demonstrado, o quantitativo de espécies partícipes nos ecossistemas envolvidos na moléstia de Chagas , as quais não podem ser tratadas meramente como meio para manutenção da saúde humana, estabelecendo-se, quiçá, uma ampliação do imperativo kantiano: em vez de "Trata a humanidade, na tua pessoa ou de outros, sempre como um fim e nunca somente como um mero meio", reescrever: "Trata todos os seres, sempre como um fim e nunca somente como um mero meio"57.

Com base nessas considerações, deve-se trabalhar para que as novas ou renovadas discussões sobre a ecopidemiologia da tripanossomosíase americana não perca de vista os elementos do debate moral contemporâneo tais como a ética do cuidado58, a bioética da proteção59 e a bioética para todos os seres (ou bioética quântica)60 , os quais têm enfatizado, em grande medida, a necessidade de se reconsiderar a compaixão (laica) como um dos pontos fundamentais para a construção de um mundo mais justo, equânime e fraterno.

Colaboradores

R Siqueira-Batista, AP Gomes, G Rôças, RMM Cotta, ECN Rubião e A Pissinatti participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

Artigo apresentado em 03/07/2007

Aprovado em 07/04/2008

Versão final apresentada em 12/11/2008

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2011
  • Data do Fascículo
    Fev 2011

Histórico

  • Recebido
    03 Jul 2007
  • Aceito
    07 Abr 2008
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