A transição da saúde no Brasil: variações regionais e divergência/convergência na mortalidade

Gabriel Mendes Borges Sobre o autor

Resumo:

O estudo analisa as principais características da transição da saúde no Brasil como um todo e nas cinco macrorregiões, utilizando um referencial que leva em conta as desigualdades regionais nas tendências de mortalidade. O artigo descreve e discute o processo de divergência/convergência regional da mortalidade, ao considerar as contribuições específicas dos grupos etários e as causas de óbito para as variações na expectativa de vida. De acordo com os resultados, em certa medida a mudança na mortalidade no Brasil segue a teoria da transição epidemiológica durante o período de estudo - por exemplo, com a importante queda na mortalidade infantil em todas as regiões do Brasil (primeiro pelas doenças infecto-parasitárias, e depois pelas causas associadas ao período perinatal) e o aumento da participação das doenças crônicas e degenerativas como a principal causa de mortalidade. Entretanto, algumas características da transição brasileira não confirmaram o padrão linear e unidirecional proposto pela teoria da transição epidemiológica, o que ajuda a entender os períodos de divergência regional na expectativa de vida (apesar das tendências, no longo prazo, de redução das desigualdades regionais). Alguns exemplos incluem a epidemia de HIV/AIDS, a persistência de níveis relativamente altos de outras doenças infecciosas e parasitárias, as diferenças regionais na melhoria inesperada nas taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares e as variações rápidas e acentuadas na mortalidade por causas externas.

Palavras-chave:
Transição da Saúde; Causas de Morte; Análise Demográfica

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