| Local de trabalho |
Atendem pessoas que estão em sofrimento 32,1% - Muitas vezes 25,9% - Quase sempre |
“Foi bem impactante, eu nunca tinha ido numa operação tão grande e pelo sofrimento que ainda tinha das pessoas que ficaram. Tinha muita gente que estava no dia da tragédia e sobreviveu, mas retornou lá para ajudar a encontrar os amigos, os familiares das pessoas” (B11) “Você vê o sofrimento, você impacta. Não tem jeito. A gente não é uma máquina. São situações que marcam” (BM24) “A gente vê muito sofrimento, não só pessoas mortas, mas pessoas que perderam tudo buscando alento, e às vezes, a gente é a única palavra de alento para essas pessoas” (B37) “Trabalhar com a pessoa em sofrimento, (...) porque você precisa fazer algo que no momento vai ser doloroso, desconfortável, estressante, mas que é necessário naquele momento” (B43) “A gente trabalha sempre na desgraça. Então é sempre no sofrimento das outras pessoas” (B65) |
| Satisfação por compaixão |
Sentem-se satisfeitos(as) por ser capaz de ajudar os outros 36,8% - Muitas vezes 49,0% - Quase sempre |
“A satisfação é ver que que o nosso trabalho é uma ação rápida, ela foi decisiva na vida dessas pessoas, isso é o mais satisfatório. (...) É uma satisfação imensurável você poder ajudar as pessoas e poder fazer a diferença na vida das pessoas” (B1) “Quando você faz um resgate a pessoa está em uma situação difícil e você dá uma qualidade para ela ter um atendimento. Quando você foi lá, combateu um incêndio e foi bem-sucedido, você amenizou aquele dano que poderia ser maior. Alguém poderia, por exemplo, ter perdido a vida e você conseguiu atuar e resolveu e apagou o incêndio, por exemplo, você tirou aquelas pessoas, dá uma satisfação imensa, quando tudo é bem-sucedido conforme o planejado” (B4) “O agradecimento da pessoa que a gente atende, é muito bom saber que a pessoa ficou feliz em ser bem atendida, em ser salva, isso para mim traz muita satisfação” (B9) |
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Burnout
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Sentem-se exaustos(as) por causa do trabalho 17,3% - Muitas vezes 28,8% - Algumas vezes 18,8% - Poucas vezes |
“Você vai de uma ocorrência e emenda na outra e eu já reparei que quanto mais tempo a gente fica privado de uma alimentação e de uma água, o estresse vai aumentando. Às vezes, você age com um pouquinho de agressividade, sem necessidade, porque às vezes, você está com fome, está com sede e não deu tempo de você parar” (B9) “Tinha uma amiga que tinha perdido um outro amigo, ele se suicidou usando fogo e ela não queria comentar a respeito. Na hora eu fiquei mais com vontade de fazer umas piadinhas, mas pensando depois eu vejo que como é uma situação que é grave, na verdade eu queria fazer mais piada do que sensibilizar. Eu me contive mais porque as pessoas não gostam. Então eu vejo em mim mais essa questão de desumanizar” (B15) “Eu estava no setor administrativo até esses dias, estava bem estressante. É frustrante porque lá realmente é estressante. Na instituição, os profissionais do setor administrativo eu vejo que são hoje os profissionais mais estressados, mais do que a atividade fim” (B43) “É como eu falei, a gente fica calejado, como eu falei no começo, a minha esposa diz que a gente é insensível. Então é um meio de defesa que a gente tem para não se envolver emocionalmente com as coisas, porque se não, não aguenta, não dá, a gente satura e não é pouco bombeiro que fica doente” (B45) |
| Estresse traumático secundário |
Recordam de partes importantes do trabalho com as vítimas do trauma 55,6% - Não recordam |
“Com o tempo, a gente aprende não absorver isso, a trabalhar melhor isso. No início da carreira, sim, isso me afetava mais. Hoje em dia nem tanto, não sei se o nosso subconsciente cria uma espécie de blindagem” (B1) “O fato de entender que é só uma profissão não tem o que fazer. Se a pessoa veio a falecer em uma ocorrência, pra mim ok. Eu sou apenas uma ferramenta de trabalho ali, que vai fazer algo que seja possível ali nesse cenário. Hoje eu sou um pouco mais frio nessa questão” (B2) “Inconscientemente, o nosso psicológico é afetado em algumas situações. Eu lembro de alguma ocorrência que não foi legal, um cadáver que estava com um odor muito forte. E aí, às vezes eu estou comendo, penso nisso às vezes, depois da ocorrência. Isso afeta, sabe? É um pouco ruim, porque cem por cento a gente não consegue desligar” (B14) “Tem vivências, por exemplo, se depara com um soterramento onde há a procura de uma criança, provavelmente morta, é uma ocorrência que marca” (B18) |