RESUMO
Objetivo identificar as unidades curriculares/atividades educativas que abordam a temática das infecções sexualmente transmissíveis nos programas de graduação em enfermagem de universidades federais do Brasil.
Método estudo qualitativo, de cunho histórico social, com utilização da história oral temática. Participaram 23 docentes de cinco programas de graduação em enfermagem de universidades federais do Brasil. Utilizou-se o software Atlas.ti®, versão 9.0, para codificação das entrevistas e análise de conteúdo.
Resultados a análise permitiu a elaboração de duas categorias: “Estrutura do curso e suas complexidades”; e “Inserção das infecções sexualmente transmissíveis nas unidades curriculares ao longo do tempo”.
Considerações finais e implicações para a prática há evidências da temática nas unidades curriculares de todos os programas de graduação em enfermagem, seja em disciplina específica ou integrada a outras, principalmente nas áreas da saúde da mulher e saúde do adulto. O ensino do tema auxilia na preparação dos futuros profissionais para prevenção, diagnóstico, tratamento, e fortalecimento da saúde sexual e reprodutiva da população.
Palavras-chave:
Currículo; Docentes; Ensino; Infecções Sexualmente Transmissíveis; Programas de Graduação em Enfermagem
ABSTRACT
Objective to identify curricular units/educational activities that address sexually transmitted infections in undergraduate nursing programs at federal universities in Brazil.
Method a qualitative, social-historical study using thematic oral history. Twenty-three professors from five undergraduate nursing programs at federal universities in Brazil participated. Atlas.ti® version 9.0 was used for coding the interviews and content analysis.
Results the analysis led to the development of two categories “Course structure and its complexities”; and “Inclusion of sexually transmitted infections in curricular units over time”.
Final considerations and implications for practice there is evidence of this topic in the curricula of all undergraduate nursing programs, whether in specific subjects or integrated with others, especially in the areas of women’s health and adult health. Teaching this topic helps prepare future professionals to prevent, diagnose, treat, and strengthen the population’s sexual and reproductive health.
Keywords:
Curriculum; Education, Nursing, Diploma Programs; Faculty; Sexually Transmitted Diseases; Teaching
RESUMEN
Objetivo identificar unidades curriculares/actividades educativas que aborden el tema de las infecciones de transmisión sexual en los programas de pregrado de enfermería de universidades federales de Brasil.
Método estudio cualitativo sociohistórico mediante historia oral temática. Participaron 23 docentes de cinco programas de pregrado de enfermería de universidades federales de Brasil. Se utilizó el software Atlas.ti® versión 9.0 para la codificación de las entrevistas y el análisis de contenido.
Resultados el análisis condujo al desarrollo de dos categorías “Estructura del curso y sus complejidades”; e “Inclusión de las infecciones de transmisión sexual en las unidades curriculares a lo largo del tiempo”.
Consideraciones finales e implicaciones para la práctica este tema se encuentra presente en los planes de estudio de todos los programas de enfermería de pregrado, ya sea en disciplinas específicas o integrado con otras, especialmente en las áreas de salud de la mujer y la salud del adulto. Su enseñanza contribuye a la preparación de futuros profesionales para prevenir, diagnosticar, tratar y fortalecer la salud sexual y reproductiva de la población.
Palabras clave:
Curriculum; Docentes; Enseñanza; Enfermedades de Transmisión Sexual; Programas de Graduación en Enfermería
INTRODUÇÃO
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são consideradas um problema de saúde pública mundial que pode acometer ambos os sexos, independentemente da idade, com profundo impacto na saúde sexual e reprodutiva. O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), as hepatites virais e outras ISTs causam cerca de 2,5 milhões de mortes anuais, com um milhão de novos casos por dia no mundo. Em 2023, ocorreram 630 mil mortes por HIV, muitas devido ao acesso tardio aos serviços de saúde. Até 2022, apenas 13% dos portadores de hepatite B foram diagnosticados, e 3%, tratados. Na hepatite C, 36% foram diagnosticados, e 20%, tratados. Após a pandemia de COVID-19, a sífilis adulta e congênita aumentou, e a vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), embora tenha subido de 14% para 17% entre 2020 e 2022, ainda está longe da meta de 50% até 2025. As ISTs se configuram entre as dez principais razões para a procura por serviços de saúde, associando-se a relevantes impactos sanitários, sociais e econômicos.1
Diante da magnitude dessa problemática, cabe aos profissionais de saúde e às políticas públicas vigentes para controle e manejo da temática intervirem na educação em saúde, prevenção de doenças, e promoção da saúde e protagonismo dos sujeitos no seu autocuidado.2 Adicionalmente, faz-se necessário o enfoque qualificado desse tema durante a graduação dos profissionais de saúde, e no contexto deste estudo, estudantes de enfermagem. O espaço da universidade é essencial para o desenvolvimento e implementação dos avanços tecnológicos e científicos, como também é responsável pela busca de caminhos que consolidem projetos pedagógicos de cursos (PPCs) coerentes com esses avanços.3,4 Desse modo, haverá preparação técnica científica dos profissionais para enfrentar os desafios da modernidade, com vistas a uma educação/ensino que consiga atender às demandas sociais da população.3
O termo “currículo”, no seu sentido lato, pode ser interpretado como um conjunto de aprendizagens fornecidas pela escola e consideradas socialmente necessárias em um determinado tempo e contexto.3 Historicamente, pensando na curricularização do conteúdo das ISTs enquanto temática necessária para os estudantes de programas de graduação em enfermagem, desde 1926, o currículo da Escola Anna Nery já apresentava a disciplina “Doenças Venéreas e da Pele”, com 12 horas de carga horária. Objetivava colocar a enfermeira em contato com doenças venéreas, como sífilis e gonorreia, de modo a orientar sobre a profilaxia junto à população, assim como os recursos de prevenção e tratamento.5 Esse currículo teve forte influência do Standard Curriculum de 1917, que apresentava a disciplina “Enfermagem em Doenças Ocupacionais, Venéreas e da Pele”, com carga horária sugerida de dez horas.6
A Lei n° 775/49, regulamentada pelo Decreto n° 27.426/49, de 14 de novembro de 1949, coloca a obrigatoriedade da disciplina “Enfermagem e Doenças Dermatológicas, Sifilígrafas e Venéreas” no segundo ano de graduação, devendo ocorrer no estágio de clínica médica geral.7 A Resolução n° 04/72 do Conselho Federal de Educação, regulamentada pelo Parecer n° 163/72, altera a disciplina até então denominada “Moléstias Infectocontagiosas” para “Enfermagem em Doenças Transmissíveis”, ampliando o conteúdo para outras doenças transmissíveis.8-11 Nas legislações de 1962, 1972 e 1994, desaparece o tema como disciplina específica.
Nessa retrospectiva, ocorreram importantes mudanças na educação superior, com a reformulação dos currículos dos programas de graduação em enfermagem que, atualmente, são fomentadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem (DCN-Enf). Por meio dessas mudanças que ocorreram nos PPCs, surgiu uma proposta de construir novos perfis profissionais que auxiliem na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). É dada ênfase à formação de profissionais de enfermagem qualificados, capazes de abordar e intervir nos problemas de saúde e doença mais recorrentes/prevalentes no perfil epidemiológico nacional e na sua região de atuação.12 As DCN-Enf de 2001 não propõem disciplinas ou conteúdos programáticos específicos para compor um currículo de enfermagem. Apontam que a organização do curso deverá ter um PPC, elaborado coletivamente, centrado nos estudantes enquanto sujeitos da aprendizagem e apoiado no docente como facilitador e mediador desse processo.12 Desse modo, cabe aos docentes e à instituição realizarem a leitura epidemiológica e dar ênfase à temática das ISTs enquanto conteúdo necessário no currículo.
A educação em saúde no ensino superior, especialmente na formação em enfermagem, constitui um processo importante para o desenvolvimento de competências críticas e reflexivas capazes de atender às necessidades e desafios do atual contexto social. Evidencia-se a efetividade do ensino das ISTs para estudantes de graduação em enfermagem de diversos países, indicando que a estruturação do tema nos currículos contribui para o fortalecimento do conhecimento, atitudes e percepção, além de promover a redução da ansiedade e estigma.13 Embora o ensino das ISTs seja reconhecido como importante, ainda há pouco conhecimento sobre sua organização nos currículos de graduação. Não se sabe claramente quais disciplinas abordam o tema e como os conteúdos são distribuídos ao longo do curso.
Diante do exposto, surge como questão instigadora: de que maneira o ensino das ISTs se desenvolve para estudantes de programas de graduação em enfermagem de universidades federais do Brasil? Objetivou-se identificar as unidades curriculares/atividades educativas que abordam a temática das ISTs nos programas de graduação em enfermagem de universidades federais do Brasil.
MÉTODO
Trata-se de estudo qualitativo, de cunho histórico social, com a utilização da história oral temática. As diretrizes do COnsolidated criteria for REporting Qualitative research nortearam e estruturaram este estudo para garantir o rigor metodológico.14
A coleta de dados foi conduzida em cinco programas de graduação em enfermagem de universidades federais do Brasil. Para seleção dessas instituições, foi realizada busca no Portal e-MEC, identificando a instituição federal com maior tempo de funcionamento de cada região brasileira, conforme Quadro 1.
As entrevistas e a busca por documentos aderentes ao objetivo deste estudo ocorreram entre os meses de março e outubro de 2022. Foram realizadas buscas nas páginas institucionais e no Curriculum Lattes dos docentes de cada instituição, de modo a identificar as possíveis temáticas de ensino e suas linhas de pesquisas. Os convites para participação nas entrevistas foram encaminhados via correio eletrônico (e-mail), sendo agendadas conforme disponibilidade dos participantes. Devido à baixa adesão inicial, os convites foram enviados não apenas aos docentes das áreas específicas (sexualidade, saúde sexual, diversidade, doenças infectocontagiosas e ISTs), mas a todo o corpo docente das instituições. Além disso, ao final de cada entrevista, solicitou-se aos participantes que indicassem outros colegas que pudessem contribuir para o estudo, ampliando a rede de entrevistados. Quanto à amostragem, inicialmente ocorreu de maneira intencional, selecionando participantes com experiência ou atuação relevante no tema. Posteriormente, utilizou-se a técnica de snowball, na qual os próprios participantes indicaram colegas que atendiam aos critérios do estudo. A população do estudo correspondeu a 23 docentes das seguintes universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (n=6); Universidade Federal da Bahia (UFBA) (n=5); Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (n=5); Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) (n=4); e Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (n=3). Participaram quatro docentes em cargo de coordenação/direção de enfermagem e 19 docentes atuantes em disciplinas.
Como critérios de inclusão, selecionaram-se coordenadores/diretores dos programas de graduação em enfermagem, para melhor compreender a estrutura do curso, e docentes responsáveis por ministrar a temática das ISTs nas disciplinas do currículo. Como critérios de exclusão, consideraram-se docentes cuja atuação se restringe ao ensino da diversidade sexual e sexualidade sem vínculo com as ISTs, bem como docentes de disciplinas do ciclo básico do curso (imunologia, farmacologia, fisiologia, entre outras).
As entrevistas ocorreram com auxílio de um roteiro semiestruturado, em meio/ambiente virtual (Google Meet® ), com duração média de 52 minutos. A saturação teórica dos dados foi alcançada quando as informações dos participantes se tornaram repetitivas e não acrescentaram novos elementos ao fenômeno, sendo consideradas suficientes em profundidade e quantidade para a compreensão do objeto de estudo. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi encaminhado virtualmente aos participantes, preenchido e autorizado por meio do Google Forms ®, sendo uma via arquivada com a pesquisadora. Após as transcrições, os participantes validaram o conteúdo de suas entrevistas.
A análise de dados se fundamentou na análise de conteúdo,15 e as categorias de análise emergiram a partir da inserção das entrevistas transcritas na íntegra, organização e codificação no software Atlas.ti®, versão 9.0. As entrevistas foram inicialmente lidas em profundidade, permitindo familiarização com os dados. Em seguida, foram aplicados códigos a partir de enunciados, frases ou parágrafos, considerando seu significado e relação com o tema em estudo. A partir da sistematização desses códigos, os achados foram agrupados e sintetizados, originando categorias de análise que refletiram a compreensão integrada do fenômeno investigado. Por fim, foi possível elencar duas categorias: “Estrutura do curso e suas complexidades”; e “Inserção das infecções sexualmente transmissíveis nas unidades curriculares ao longo do tempo”. As fontes documentais foram constituídas por projetos pedagógicos e grades curriculares disponíveis nas páginas institucionais, bem como planos de ensino e de aula fornecidos pelos docentes responsáveis pelas disciplinas. Foi utilizado instrumento para análise documental, que buscou identificar o tipo de documento, data, fonte, ementas, metodologias de ensino, recursos utilizados, carga horária, situação e localização dentro do currículo.
O estudo seguiu os preceitos éticos da Resolução do Conselho Nacional de Saúde n° 466/2012, obtendo aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, sob Parecer n° 5.121.940/2021. O anonimato dos participantes foi garantido por meio do uso de códigos durante a análise e categorização de dados, e os docentes receberam o código com inicial da letra E (Enfermeiro) e numeração (E1, E2, E3) conforme ordem cronológica em que ocorreram as entrevistas.
RESULTADOS
Entre os 23 participantes, cinco (21,74%) eram do gênero masculino, e 18 (78,26%), do gênero feminino. A faixa etária variou de 31 anos a 68 anos, com média de 50,91 anos. A média do tempo de atuação enquanto docente na instituição foi de 20.96 anos. Dos 23 participantes da pesquisa, sete (30,43%) não realizaram a graduação em enfermagem na instituição em que atuam como docentes.
Verificou-se que os docentes, em sua formação acadêmica de graduação em enfermagem, tiveram experiências com relação ao conteúdo fortemente atrelado à disciplina “Enfermagem em Doenças Transmissíveis”. Com o evoluir dos currículos e suas reformas, a maioria das instituições incluiu o conteúdo em outra disciplina ou transversal ao longo do curso. É possível identificar uma grande influência da temática dentro das especificidades de saúde da mulher e saúde do adulto. Portanto, dos 19 docentes envolvidos no ensino das ISTs em disciplinas curriculares, identificaram-se as seguintes especificidades: saúde da mulher (n=8); saúde do adulto (n=6); epidemiologia (n=2); saúde coletiva (n=1); estágio supervisionado (n=1); disciplina específica de IST (n=1); gineco-obstetrícia (n=1); saúde do adolescente (n=1); e saúde do recém-nascido, criança e adolescente (n=1). Três docentes tiveram atuação em mais de uma especificidade.
As unidades curriculares relacionadas ao ensino da temática variam entre as instituições analisadas. Por meio dos relatos e da análise dos currículos, foi possível identificar que, na UFAM, os conteúdos são abordados no 5º período, por meio das disciplinas “Enfermagem em Doenças Transmissíveis” e “Enfermagem no Cuidado Integral à Saúde do Adulto”. Já na UFBA, o tema aparece, no 5º e 6º semestres, nas disciplinas “Cuidado em Enfermagem à Pessoa no Contexto Hospitalar” e “Enfermagem no Cuidado à Saúde da Mulher na Atenção Básica”. Na UFMT, a abordagem ocorre, no 5º bloco, com a disciplina “Enfermagem em Saúde do Adulto”. A UFRGS contempla o tema, na 5ª e 6ª etapas, com as disciplinas “Cuidado em Enfermagem às Mulheres e aos Recém-Nascidos” e “Cuidado em Enfermagem ao Recém-Nascido, Criança e Adolescente”.
Na UFRGS, aparece na 7ª etapa, com a disciplina “Cuidado em Enfermagem na Saúde Coletiva III”, e na 9ª etapa, com a disciplina “Estágio Curricular em Atenção Básica”. Por fim, na UFRJ, emerge no Programa Curricular Interdepartamental II (2º período) a disciplina “A Saúde dos Jovens e Eu”; no 4° período, emergem as disciplinas “Gineco-Obstetrícia” e “Epidemiologia”; e no Programa Curricular Interdepartamental XIII (8° período), emerge a disciplina “Estágio Supervisionado em Enfermagem G”.
Os docentes também apontam outras disciplinas em que pode ocorrer, de maneira programática, a abordagem das ISTs enquanto conteúdo; entretanto, por não ter relatos (entrevistas) de docentes atuantes nessas disciplinas, elas não foram inseridas no estudo. A temática pode, ainda, aparecer em disciplinas eletivas/optativas, de acordo com o interesse do docente em ofertar esse conteúdo no decorrer do desenvolvimento da disciplina.
Estrutura do curso e sua complexidade
Os programas de graduação em enfermagem foram identificados com relação à sua vinculação às universidades federais como escola de enfermagem (UFAM, UFBA, UFRGS e UFRJ) e faculdade de enfermagem (UFMT). As estruturas curriculares dos programas de graduação em enfermagem no Brasil não são padronizadas. Desse modo, cabe evidenciar que o conteúdo relativo às ISTs varia em termos de carga horária, local no currículo, especificidade de abrangência e sobre ser pontual, situacional ou programática. São apontadas algumas dificuldades para a efetivação do ensino desse conteúdo, muitas vezes associadas à maneira como ele é pensado (transversal, pontual/situacional, programático) e como é oferecido em outras disciplinas e continuidade do conteúdo.
Tanto o conteúdo de sexualidade quanto o de doenças infectocontagiosas com transmissão sexual é um conteúdo que precisa ser transversal e que é preciso que docentes estejam capacitados para lidar e discutir com os alunos no seu processo de formação. (E3)
Não temos um professor que seja só dessa área. Nós não temos essa referência, mas todos têm a condição de abordar a temática, e ela está nos cadernos de atenção básica; ela está nos diagnósticos de enfermagem; e se sabe as orientações que precisam ser vistas. (E4)
Os docentes apontam algumas dificuldades com relação à efetividade do tema na estrutura curricular. Alguns aspectos levantados estão embargados no quão frequentemente os currículos são elaborados e executados por meio das especificidades do quadro docente ou da necessidade do momento.
No ensino de graduação, eu vejo bem tímida a inclusão dessa temática [...] vai muito aquela questão do currículo oculto; ele vai muito relacionado àquilo que o professor, vamos dizer assim, tem o domínio, tem o interesse (E5).
Muitos conteúdos que atravessam as discussões das ISTs como forma de transmissão, eles são dados [...] como conteúdo oculto, ou seja, não está previsto na ementa da disciplina, como por exemplo, eu tenho que falar de gênero para falar de prevenção. [...] e o gênero não está na grade de nenhuma disciplina na graduação em enfermagem. (E17)
A temática também é lida pelos docentes como algo invisibilizado. Em alguns momentos no percorrer do desenvolvimento do currículo, ela é invisibilizada por não ter um docente que aborde a temática ou dê sequência ao docente que estava na disciplina, ou é abrangida apenas no ensino do HIV/aids e as outras ISTs “esquecidas”.
E aí surge uma coisa que eu acho, na minha concepção, no meu pensamento, que aí ela passou a ser muito mais interessante se falar de sexualidade. “Por que IST?”, agora, quando se fala de sexualidade, não se fala de IST. [...] é inerente. [...] então, essa temática desaparece basicamente do currículo. [...] eu acho que a gente está no silêncio, que essas coisas ficam novamente na invisibilidade. Nesses dois últimos anos, o nosso grande foco foi a pandemia. [...] é como se a gente já tivesse naturalizado, então não tenho mais medo porque hoje já tem o tratamento, já tem tudo (E2).
A complexidade envolta na elaboração de um PPC que consiga abarcar as temáticas de saúde-doença prevalentes em cada região é diversa. Operacionalizar a abordagem desses conteúdos requer esforços que vão além da curricularização do tema de maneira programática. É necessário engajamento do corpo docente nas diversas disciplinas para que ocorram a leitura epidemiológica e a avaliação da necessidade de abordagem do tema nos diversos ciclos da vida.
Inserção das infecções sexualmente transmissíveis nas unidades curriculares ao longo do tempo
Com relação à experiência/vivência dos docentes enquanto estudantes de graduação na mesma instituição que atuam atualmente como docentes, foi apontado, em algumas memórias, como o tema emergiu durante a graduação. Evidenciou-se a efetivação do ensino por meio da disciplina “Enfermagem em Doenças Transmissíveis” do currículo mínimo de enfermagem, além de algumas vivências associadas à epidemia do HIV/aids e suas complexidades.
Eu fui estudante da escola no momento que o HIV começou. [...] a disciplina trabalhava com doenças infecto parasitárias, e aí a gente teve esse conteúdo inédito. Foi a primeira turma; a gente não tinha enfermaria, e a gente participou dessa abertura das enfermarias no hospital universitário. Era um medo de atender porque ninguém sabia nada. Eu devo ter pego esse movimento em 1989/1990. (E1)
No departamento de enfermagem médico-cirúrgica, o nome da disciplina era “Doenças Sexualmente Transmissíveis/Infecciosas”. Eram várias abordagens; a gente entrava na questão da epidemiologia, via a questão da sífilis, da gonorreia, infecção por clamídia, essas questões todas. (E4)
Outros docentes apontaram que a temática, durante a graduação, emergiu por meio das especificidades, não necessariamente enquanto uma disciplina específica.
Foi nas disciplinas mais básicas, patologia, eu lembro que os professores falavam. Até tenho uma lembrança não tanto nas disciplinas da área do núcleo da enfermagem, mas do núcleo das ciências básicas. E aí outra lembrança que eu tenho, daí não é a sala de aula, é de campo de estágio... foi no final dos anos 1990 e início dos anos 2000; a gente encontrava as pessoas com aids no hospital internadas, então tinha todo um cuidado com a biossegurança. Eu acabei na minha experiência como graduanda, atendendo pacientes com aids. (E11)
Tive na disciplina de “Sexualidade e Reprodução” que eles têm também na Faculdade de Enfermagem (FAEN), depois da “Saúde do Adulto”. O próximo semestre é “Sexualidade e Reprodução”. Esse conteúdo é aprofundado, direcionado para gestantes, para a mulher. [...] eu tive, na minha graduação, essa aula. Eu me lembro dentro da disciplina de “Sexualidade e Reprodução” essa teorização dentro da consulta da mulher. As principais doenças sexualmente transmissíveis a gente já aprendia a fazer a coleta do citopatológico e a abordagem das IST, e a questão do protocolo. Mas eu, particularmente, não me lembro na prática de pegar nenhuma IST. (E16)
Trazendo os apontamentos para a atuação e vivência enquanto docentes nos programas de graduação em enfermagem, a inserção deste conteúdo é levantada e evidenciada em algumas disciplinas ao longo dos currículos de cada instituição, conforme a intenção e disponibilidade do docente.
A gente tinha uma disciplina que chamava “Doenças Transmissíveis”, e a escola discutia, naquele momento, como incorporar o conteúdo dessa disciplina em outras disciplinas. A gente abraçou a questão da transmissão vertical das doenças infecciosas, trazer para a discussão conosco e criar como um campo de estágio a possibilidade de as alunas estarem trabalhando com a questão da aids em mulheres. (E3)
Essa disciplina, ela tem uma aula específica, um conteúdo específico que a gente trabalha isso: a abordagem sindrômica das IST. Agora, existem outros enfoques em IST, pulverizado pelo currículo, como eu te falei; a disciplina que vai trabalhar a transmissão vertical de mãe para bebê, de HIV e sífilis. Com certeza, alguma coisa na saúde pública eles devem apontar. (E7)
É uma disciplina dentro da saúde do adulto que é uma disciplina de mais de 400 horas; tem teoria e prática. E aí, dentro disso, a gente tem um momento que são as doenças infecciosas em geral. Então, tem uma aula de quatro horas teórica, aí a gente tem uma aula de IST, e tem uma aula de HIV/aids. São 12 horas teóricas. Depois, quando vai para a prática, esse aluno fica em média duas semanas no ambulatório IST/aids, o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) da região. E aí, esse aluno fica de segunda a sexta-feira; dá uma carga horária mais ou menos de 40 horas que ele faz de rodada prática desenvolvendo as habilidades. (E16)
Eu trabalho essa temática todos os semestres, na prática, com os adolescentes, em especial, quando eu levo para o ensino fundamental os alunos da graduação. [...] a gente trabalha na área do hospital, mas na área da comunidade, nós somos em 11 professores. São vários campos, então, na saúde coletiva, sim, aparece bastante, porque aí é feito em ambulatório, consultas, e aí todas essas orientações são feitas utilizando a caderneta do adolescente no posto, que é um problema, porque muitos adolescentes não vão no posto de saúde. (E18)
Apenas na UFAM consta, ainda, em seu currículo, a disciplina “Doenças Transmissíveis” enquanto disciplina específica voltada para a temática. Por meio dos relatos, é possível traçar a trajetória do ensino e suas aproximações, conforme Figura 1.
Então, ela sempre foi abordada, e ela continua sendo abordada na disciplina de “Doenças Transmissíveis”. Eles fazem estágio, e o local aqui de referência que é o Hospital Tropical de Doenças Infectocontagiosas [...]. Então, a carga horária das disciplinas são 90 horas: 30 horas teórico e 60 horas práticas. [...] nessas 30 horas, a gente nunca conseguiu colocar todas as doenças infecciosas tanto da região amazônica como nível Brasil. A prática, 60 horas, a gente fazia os grupos rotativos, e aí os alunos passavam por esse local que eu te falei. Ficavam dois dias com a tuberculose, aí eles ficavam cinco dias lá na IST e hanseníase que era o local, e ele ia com o restante que eram mais cinco dias que era planejado, que era rotação. (E13)
DISCUSSÃO
Por meio das experiências e percepções dos docentes, é possível identificar que o ensino das ISTs na graduação em enfermagem apresenta uma trajetória histórica associada à disciplina “Enfermagem em Doenças Transmissíveis” do currículo mínimo. Ao longo do tempo, a inserção do tema dentro das instituições passou a ser variada, podendo ser integrada a outras disciplinas, podendo ser tratado de maneira transversal ou situacional. A falta de padronização curricular resulta em disparidades consideráveis na carga horária, no posicionamento dentro do curso e na profundidade do conteúdo. Os docentes apontam dificuldades na efetivação do ensino frequentemente associadas à forma como o tema é concebido e operacionalizado. As memórias de sua própria formação são marcadas por experiências durante a epidemia de HIV/aids, disciplinas do ensino básico, sexualidade, saúde do adulto e da mulher.
Com relação à disciplina “Enfermagem em Doenças Transmissíveis”, estudo realizado na década de 1980 apontou que, usualmente, esta era oferecida, em sua grande maioria, no quarto ou quinto período/semestre da graduação, com carga horária média de 80 a 120 horas, e que apesar de a temática ser uma problemática relevante para o campo da saúde pública em termos de medidas de prevenção e controle, havia pouca preocupação com a abordagem preventiva nos conteúdos. A formação do enfermeiro estava direcionada à assistência hospitalar.10 Há, ainda, estudo realizado na década de 2000 que coloca o movimento da disciplina para o fortalecimento do SUS, com vistas a intervir sobre os determinantes e condicionantes do processo de saúde-doença, e à adoção da vigilância em saúde como eixo do trabalho em saúde.16
Atualmente, nas instituições em que a disciplina ainda ocorre de forma específica, alguns conteúdos são recorrentes nos planos de ensino: tuberculose; HIV/aids; ISTs; infecções relacionadas à assistência à saúde, com o intuito de formar enfermeiros aptos para atuar diante das ISTs;17 panorama das doenças transmissíveis; calendários vacinais; vigilância em saúde; hepatites virais; sífilis; entre outras.18 Diante da diversidade de aspectos e importantes informações inerentes ao ensino da temática das ISTs, é perceptível que a disciplina específica sempre teve grande importância e abrange conteúdos referentes à maioria das ISTs com índices significativos no país. A carga horária da temática em outras disciplinas é mínima, exigindo habilidade e competência do docente em planejar ações educativas.
Enquanto temática transversal, as ISTs devem ser debatidas teoricamente em diversas disciplinas da matriz curricular dos programas de graduação em enfermagem. Os docentes apontam que, em suas disciplinas, elas ocorrem de forma programática. A transversalidade pode ser compreendida como uma potencialidade ou fragilidade, pois, através da flexibilização do ensino proposto pela DCN-Enf, os conteúdos podem não estar expressos nos PPCs e acabarem ocorrendo de maneira situacional/pontual nos campos de prática.
Os temas transversais são compreendidos como um conjunto de conteúdos educativos e eixos condutores que não estão ligados a uma matéria particular, mas que podem ser considerados comuns, de maneira que seu tratamento seja transversal em um currículo global.19 Estudo sobre a realidade dos Estados Unidos e Canadá aponta que, apesar dos avanços nos currículos de enfermagem, ainda há lacunas no ensino de temas como pessoas transgênero e gênero diverso.20 Na Austrália, embora haja avanços no desenvolvimento de currículos voltados à educação em saúde LGBTQIA+, ainda persistem defasagens em sua implementação, o que evidencia a necessidade de padronização curricular e de capacitação docente.21
Esses temas e o ensino das ISTs são problematizados em termos da sua transversalidade e pontualidade nos currículos de enfermagem.20-23 Os achados evidenciam a expressão do ensino voltado em grande maioria para a saúde da mulher. É possível identificar que os docentes não possuem clareza ou certeza de que o conteúdo também é expresso em outras especificidades. O conteúdo se relaciona à sexualidade, reprodução, saúde sexual, métodos contraceptivos, gravidez, parto, preventivo, entre outros temas.
Estudos apontam que as mulheres se apresentam mais vulneráveis às ISTs por diversos aspectos, como as características biológicas e questões de gênero e sociais, que as colocam em situação de submissão e inferioridade em relação aos homens, privando-as do poder de decisão da atividade sexual com proteção. Atividades sexuais precoces, baixa escolaridade e renda, e dependência econômica, principalmente em países em desenvolvimento, são agravantes, além da falta de percepção quanto a contrair uma IST, devido ao fato de considerarem o risco em outras mulheres e não em si mesmas, associando o uso do preservativo apenas como método contraceptivo.24,25
Com relação ao ensino da temática das ISTs voltado aos estudantes de graduação em enfermagem no mundo, revisão de escopo com abrangência das décadas de 1980 a 2020 apontou diversos cenários e estratégias de ensino (atividades de extensão, estágio, aulas expositivas, métodos comparativos de atividades educativas, treinamento para HIV/aids, eventos e workshops). O foco do ensino é abordado majoritariamente nas questões que envolvem o HIV/aids (história, epidemiologia, tratamentos, prevenção, transmissão, impacto psicossocial, cuidados de enfermagem, educação sexual, violência e populações transgênero).13
O ensino dessa temática se modifica conforme a evolução da sociedade em termos de mudanças sociais e econômicas, e construção de políticas públicas de saúde e de educação, sendo moldado diante dos índices epidemiológicos dessas infecções. Dessa maneira, todas as instituições conseguem abarcar esse tema na graduação em enfermagem, seja de maneira mais abrangente, com disciplina própria, ou com menor carga horária, em outra disciplina.
Outro estudo voltado ao ensino na graduação em enfermagem em universidade do sul do Brasil aponta que a temática estava amplamente ancorada em docentes da área da saúde pública nas décadas de 1970-1980, com enfoques associados ao movimento da Reforma Sanitária. Com o advento da aids, o tema passa a ser oferecido com foco na saúde do adulto por docentes com expertise. Nas demais disciplinas, a abordagem é situacional em atividades teórico-práticas.26
Tal realidade não se mostra distante dos resultados obtidos neste estudo. Aspectos similares, como conteúdo programático em uma área específica, situacional, não transversalidade e docentes específicos para oferta do ensino da temática, denotam a realidade do panorama brasileiro. Essa impossibilidade de traçar uma linearidade da temática nos currículos de enfermagem traz reflexões acerca do cuidado às diversas clientelas que representam os índices epidemiológicos dessas infecções.
A formação em saúde e a enfermagem apontam a importância da produção de conhecimento sobre as ISTs, riscos e probabilidades, bem como estratégias para desenvolvimento de habilidades dos futuros profissionais.27 É essencial o aprimoramento das instituições de ensino para que ocorra o manejo adequado diante das ISTs, além de atender às especificidades dos grupos sociais vulneráveis em crescimento, e o impacto na saúde pública.26
A vulnerabilidade das ISTs, HIV, e hepatites virais reside no fato de afetarem desproporcionalmente grupos específicos da população, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, pessoas que fazem uso de drogas injetáveis, pessoas trans e de gênero diverso, pessoas em prisões e outros ambientes fechados.28,29 Concomitante a isso, os Determinantes Sociais da Saúde também são relevantes, pois referem-se às condições em que os indivíduos vivem, trabalham, aprendem e se divertem, além de possuírem grande impacto sobre riscos de saúde, desfechos de saúde e qualidade de vida.30,31 Determinantes como o nível econômico, educação e acesso à saúde estão intrinsecamente relacionados às disparidades de saúde. No tocante a este e outros estudos, existem preocupações acerca da vulnerabilidade de adolescentes e idosos pouco citadas pelos docentes. O aumento do risco para ISTs pode ser atribuído a fatores biológicos, comportamentais e identitários.32,33
Em idosos, há preconceito e estigma acerca das práticas sexuais, gerando falta de informação e pudor dos profissionais em abordar esse assunto, o que reflete no aumento dos índices epidemiológicos.34 As ISTs na população idosa são um tema que está longe de ser de interesse social, acadêmico e clínico. Deste modo, são irrelevantes as preocupações acerca dessas infecções.35 Estudo aponta disparidades no teste de HIV/IST, diagnóstico e uso de métodos de prevenção, evidenciando que pessoas idosas possuem menor probabilidade de uso de preservativo e maior probabilidade de não usar outro método de prevenção.36 A vulnerabilidade nesse grupo também é evidenciada pelo baixo conhecimento acerca das ISTs e pela necessidade de soluções abrangentes em nível social.37
Outro aspecto indispensável à reflexão é a abrangência do tópico HIV/aids e sífilis nas salas de aula enquanto outras ISTs aparecem de maneira tímida e inconstante. O HPV, pouco citado pelos docentes, é quesito essencial para possíveis agravos que podem ocorrer à saúde, que vão além de uma infecção, possuindo grande impacto, especialmente na saúde da mulher. Estudo voltado ao conhecimento de estudantes de enfermagem quanto ao HPV e seu imunizante demonstra que existe maior conhecimento acerca do imunizante do que do próprio HPV, e o conhecimento de forma geral foi considerado satisfatório.38 Os estudantes de enfermagem, ao entrarem na universidade, já possuem conhecimentos empíricos acerca do HPV, o que favorece o ensino ao longo do curso.39 A integração entre aulas expositivas e intervenções educativas no currículo de enfermagem se apresenta como uma maneira viável de aumentar o conhecimento sobre o HPV.40
Há, ainda, muitas questões a serem abordadas na formação do perfil que as DNC-Enf apontam, como ser enfermeiro crítico, reflexivo e capaz de intervir sobre as problemáticas de saúde-doença prevalente. O ensino ancorado em uma especificidade e/ou em referências docentes acaba limitando as oportunidades de abrangência do manejo e da assistência às populações em suas diversas etapas de vida, independentemente do gênero e da orientação sexual. Este estudo contribuiu para a reflexão sobre como essa temática pode estar inserida nos programas de graduação em enfermagem do país. O estudo favorece que os docentes reflitam sobre suas práticas e o que precisa ser aprimorado no currículo. Também é possível identificar os grupos populacionais que estão sendo privilegiados nas atividades educativas e sua relação com o perfil epidemiológico do país.
CONSIDERAÇÕES FINAIS E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA
As informações obtidas neste estudo demonstram que o ensino das ISTs ocorre em todas as instituições selecionadas de maneira programática, seja em disciplina específica ou em outra disciplina. Não é possível afirmar que ela ocorra transversalmente ao currículo, podendo, vez ou outra, ser pontual diante de situações e casos que possam ocorrer nos campos teórico e prático, principalmente na Atenção Primária à Saúde. Tendo em vista a grande importância e participação da enfermagem diante dessa problemática de saúde pública mundial, pode-se inferir que o tema é introduzido aos estudantes de graduação em enfermagem e que os docentes engajados no ensino dessa temática estão participando ativamente do processo de ensino-aprendizagem.
O ensino da temática é relevante para a prevenção e promoção da saúde, identificação e diagnóstico precoce, aconselhamento e suporte, gerenciamento de casos e tratamento, promoção da educação, e conscientização dos estudantes. O conhecimento nessa área permite que os futuros enfermeiros desempenhem um papel significativo na saúde sexual e reprodutiva das pessoas, contribuindo para a redução da propagação das ISTs e melhorando a qualidade de vida da população.
Evidencia-se como limitação do estudo o número de professores que responderam aos convites para entrevista, o que pode ser devido ao baixo número de professores que lecionam essa disciplina ou à baixa disposição em participar do estudo. Acesso apenas à ementa das disciplinas das instituições dificulta a compreensão das especificidades dos conteúdos.
Espera-se que o estudo possa contribuir nos debates e fortalecimento da abordagem das ISTs dentro dos currículos de enfermagem, incentivando a inserção transversal do tema nas diferentes etapas de vida do ser humano. Ao evidenciar as potencialidades e lacunas, espera-se que ocorram discussões importantes sobre a construção de currículos sensíveis às demandas de saúde sexual e reprodutiva que visem à formação de profissionais comprometidos com o cenário epidemiológico do país.
AGRADECIMENTOS
Sem agradecimentos.
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a
Extraído da tese “Ensino das Infecções Sexualmente Transmissíveis nos Cursos de Graduação em Enfermagem do Brasil: um estudo histórico”, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, em 2023.
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FINANCIAMENTO
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq (bolsa de doutorado).
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DISPONIBILIDADE DE DADOS DA PESQUISA
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no artigo.
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Editado por
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EDITOR ASSOCIADO
Fábio da Costa Carbogim https://orcid.org/0000-0003-2065-5998
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EDITOR CIENTÍFICO
Marcelle Miranda da Silva https://orcid.org/0000-0003-4872-7252
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