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Editorial

EDITORIAL

Cada novo número de Educação em Revista é para nós uma conquista, sobretudo quando se consegue manter a qualidade e a abrangência que a vêm caracterizando. Cada uma dessas publicações envolve um longo e dedicado trabalho de seleção, aprimoramento e editoração dos artigos. Trabalho este do qual participam, além dos autores, pareceristas, tradutores, revisores, designers gráficos e tantas outras pessoas que atuam nas instituições que financiam e promovem a publicação deste periódico. Agradecemos o apoio de todas elas e compartilhamos esta nova conquista.

Neste número 47 estão reunidos, numa primeira seção, cinco artigos que abordam a educação a partir de diferentes olhares. Na segunda seção, temos o dossiê Práticas de memória e ensino de História.

O primeiro artigo deste número trata de um estudo feito por Márcia Ondina Vieira Ferreira, da Universidade Federal de Pelotas, sobre as representações de gênero de sindicalistas docentes. Oriundo de uma pesquisa que investigou a participação de homens e mulheres em um sindicato que congrega docentes, especialistas e servidores/as técnico-administrativos/as, no âmbito do ensino básico público do Rio Grande do Sul, o estudo de Márcia Ondina deixa evidente como as relações de gênero se constituem em ferramenta imprescindível para se compreender os diversos processos sociais em educação, entre eles o trabalho docente. O artigo traz a análise de diferentes dados empíricos sobre a escolarização dos sujeitos pesquisados como estratégia familiar de ascensão social e sobre as resistências, encontradas entre o público pesquisado, em abordar o tema das relações de gênero. Analisa-se, ainda, tanto a tendência das mulheres de criticar comportamentos masculinos, em classe e na militância, quanto a tendência dos homens de valorizar a atividade feminina encontrada no sindicato estudado. Além da análise instigante dos dados empíricos coletados, o trabalho recupera teoricamente aspectos da constituição da docência que interferem nas representações sobre esse ofício: feminização, proletarização e sindicalização, bem como a fragilidade, nos sindicatos e na academia, que podem ser úteis a outros estudos sobre as relações de gênero no trabalho docente.

Em "Linguagens na TV", Glaucia Guimarães e Raquel Goulart Barreto, ambas professoras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresentam um estudo sobre as estratégias discursivas utilizadas na produção de textos televisivos. Com base na Análise Crítica de Discurso, o artigo apresenta uma discussão sobre algumas das condições de produção do texto televisivo, identificando os efeitos de sentido, as estratégias discursivas de convencimento, de sedução, de formação do telespectador, produzidas pelos modos de articulação de linguagens. O trabalho faz uma análise dos modos pelos quais as linguagens são articuladas na TV e de como essa articulação funciona no processo discursivo, de modo a favorecer tanto a leitura crítica dos modos de articulação de linguagens realizadas nas escolas e fora delas quanto a apropriação pedagógica dos textos contemporâneos. Por fim, apresenta-se uma discussão sobre as condições de produção de leituras críticas de textos multimidiáticos.

No trabalho intitulado "Implicações metodológicas do processo de formação do leitor e do produtor de textos na escola", Mary Elizabeth Cerutti Rizzatti, da Universidade Federal de Santa Catarina, analisa a atuação do professor na formação do leitor e do produtor de textos no início da escolarização. Com base nos princípios teóricos da Lingüística Textual e das ciências cognitivas, e utilizando dados empíricos coletados junto a educadores infantis e professores de séries iniciais, o artigo apresenta uma discussão sobre as implicações metodológicas que parecem relevantes na instrumentalização da capacidade discente para os atos de ler e de produzir textos de modo proficiente. O estudo procura relacionar habilidades docentes de leitura e escrita, opções metodológicas no trato com essas questões e maiores ou menores possibilidades de desenvolvimento de tais habilidades nos alunos nesses níveis de ensino.

O quarto artigo, "O educador de jovens e adultos em formação", de autoria de Leôncio Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, apresenta a análise de uma pesquisa que investigou a formação inicial do Educador de Jovens e Adultos no curso de Pedagogia de uma Universidade Federal. O estudo oferece uma discussão sobre a pertinência da profissionalização desse educador, sobre o significado da formação inicial em Educação de Jovens e Adultos (EJA) para professores e egressos da habilitação e sobre a inserção desse educador no campo de trabalho. Defende-se que, apesar de ainda não existir efetiva demanda para uma formação específica do educador em EJA, sua formação pode contribuir para o fortalecimento e a (re)configuração do campo da EJA e para o melhor atendimento a parcelas da população que foram precocemente excluídas das ações de escolarização.

Em "O Orientador Educacional no Brasil", Miriam Pascoal, Eliane Costa Nonorato e Fabiana Aparecida de Albuquerque, da PUC de Campinas, discutem a questão da orientação educacional no Brasil. O artigo traz uma variedade de dados históricos sobre a orientação educacional no país e apresenta um mapeamento da existência desse profissional na rede pública estadual brasileira. Defendendo a necessidade de sua presença em todas as escolas, o artigo aponta para cinco áreas que podem ser beneficiadas com o trabalho do profissional orientador educacional, a saber: o aluno, a escola, a família, a comunidade e a sociedade. Mostra-se ainda como esse profissional recebe, nas diferentes redes escolares, denominações variadas, além de efetuar também atividades variadas. Tal diversidade é considerada, no estudo, um elemento que descaracteriza seu fazer profissional e estabelece um conflito entre os diversos papéis desempenhados pelos diferentes profissionais da educação.

O dossiê "Práticas de memória e ensino de história" foi organizado com a maior competência pelas professoras Lana Mara Castro Siman, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Sonia Regina Miranda, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Elas conseguiram congregar trabalhos de alguns dos principais pesquisadores da área de ensino de história. No início do dossiê, na página 123, encontra-se uma apresentação detalhada dos trabalhos e dos autores que compõem o dossiê. Ainda que articulados em torno da temática do ensino de história, o conjunto de sete artigos extrapola em muito sua dimensão escolar e disciplinar. As questões levantadas e as diferentes abordagens proporcionam o alargamento de horizontes de pesquisa nas duas ciências às quais se vincula, a Educação e a História.

Em seguida, na seção Palavra Aberta, temos a entrevista com um dos maiores especialistas em Interacionismo Sociodiscursivo, o professor Jean-Paul Bronckart, da Universidade de Genebra. Na entrevista, concedida a Daisy Cunha quando Bronckart veio ao Brasil para uma série de conferências no final de 2007, ele expõe suas idéias sobre as relações entre os gêneros discursivos e as atividades humanas e situa as tendências atuais nesta área de pesquisa.

Para finalizar, Educação em Revista traz resenhas dos livros: Educação do corpo na escola Brasileira, Inclusão em educação: culturas, políticas e práticas; A danação do objeto: o museu no ensino de história; e Entre a história e a liberdade: Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo, escritas por Alex Branco Fraga, Janete Netto Bassalobre, Júnia Sales Pereira e Eliane Marta Teixeira Lopes, respectivamente.

Resta desejar a todos uma boa leitura e reiterar o compromisso de Educação em Revista em contribuir para a difusão e o aprofundamento da pesquisa em educação.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Jun 2008
  • Data do Fascículo
    Jun 2008
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