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Ensinar ciências por investigação: em quê estamos de acordo?

Resumo:

Este trabalho objetiva apresentar e discutir fundamentos teóricos e filosóficos do ensino por investigação, procurando abordar algumas concepções dessa abordagem que são consideradas pouco apropriadas. Essa perspectiva de ensino vem orientando um curso de pós-graduação lato senso, ministrado pelo Centro de Ensino de Ciências e Matemática de Minas Gerais. Tomamos como pressupostos básicos as idéias de: 1) as explicações científicas surgem e se desenvolvem enquanto espaço de investigação orientada; 2) nos processos de formação de professores é preciso estabelecer um espaço permanente de investigação e trocas de vivências entre eles acerca da implementação dessa metodologia em seu trabalho. Os resultados até aqui encontrados dão conta de que houve uma ampliação significativa no entendimento dos professores sobre o que é ensino por investigação e quanto às suas aproximações e diferenças com um ensino experimental ou baseado em atividades de investigação simples e ritualística.

Palavras chaves:
investigação; ensino de ciências; formação de professores

Abstract :

In this work we intend to present and discuss the theoretical and philosophical foundations of inquiry in science teaching, addressing major misunderstandings about this approach. This perspective oriented a graduation program offered by the Centre for Science and Mathematics Teaching of Minas Gerais, Brazil (CECIMIG). The major assumptions underlying the program are: 1) scientific explanations emerge and develop as a space of guided investigation; 2) in the processes of teacher education it is essential to establish a space of investigation and of exchange of experiences in implementing this approach in the classroom. We perceived that teachers broadened their understandings about the differences and similarities between scientific inquiry and hands on science teaching or science teaching based on simple inquiry activities.

Keywords:
scientific inquiry; science teaching; teacher education

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  • 1
    Peter Dow (2005). Why inquiry? A historical and philosophical commentary. In: National Science Foundation Inquiry: Thoughts, Views, and Strategies for the K-5 Classroom, FOUNDATIONS: vol 2
  • 2
    Dentre eles cabe destacar "O ensino de ciências como investigação" ( Schwab, J.J., 1962, The teaching of science as enquiry. In: J.J. Schwab & P.F. Brandwein (eds.) The teaching of science , Cambridge: Harvard University Press, p. 3-103.); O conceito e a estrutura de uma disciplina (Schwab, J.J., 1962, The concept and structure of a discipline. Educational Record, 43, 197-205); e "A estrutura das ciências da natureza" (Schwab, J.J., Schwab (1964), The structure of natural sciences. In: G.W. Ford & L. Pugno (eds.), The structure of knowledge and the curriculum Chicago: Rand-McNally, p. 31-49.
  • 3
    J.J. Schwab (1960), What do scientists do?, Behavioral Science, 5:1-27.
  • 4
    Documentos com NSF (2005) e NRC (2000) apresentam essas concepções como sendo muito comuns, inclusive, entre professores da educação básica.
  • 5
    As questões apresentadas nessa seção foram elaboradas a partir de uma leitura de dois documentos: Os Parâmetros Curriculares de Ensino de Ciências dos EUA (National Research Concil, 1996, The National Science Education Stardards ) e um documento que fornece orientações para sua aplicação (National Research Council, 2000, Inquiry and the National Science Education Standards: A Guide for Teaching and Learning .) Ambos os documentos estão disponíveis no site www.nap.edu
  • 6
    Veja: 1) Chinn, C. A. (1998). A critique of social constructivist explanations of knowledge change. In B. Guzzetti & C. Hynd (Eds.), Perspectives on Conceptual Change: Multiple ways to understand knowing and learning in a complex world (pp. 77-115). Mahwah: L. Erlbaum Associates, Publishers. e 2) Sandoval, W. A., & Reiser, B. J. (2004).Explanation-driven inquiry: integrating conceptual and epistemic scaffolds for scientific inquiry. Science Education , 88. 345-372.
  • 7
    As discussões desenvolvidas nessa seção derivam do artigo Chinn & Malhotra, B.A. (2002). Epistemologically authentic inquiry in schools: A theoretical framework for evaluating inquiry tasks. Science Education 86:175-218 (Investigações epistemologicamente autênticas em escolas: Um referencial teórico para avaliar atividades investigativas)

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jun 2007
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