Este estudo objetivou compreender os fatores que influenciaram a decisão de gestantes com diagnóstico de malformação fetal incompatível com a vida pós-natal, para manter ou solicitar a interrupção da gestação e avaliar o impacto emocional dessa vivência. Estudo qualitativo, realizado com 11 gestantes em serviço público de referência em medicina fetal. Foram efetuadas entrevistas com levantamento de dados sociodemográficos e clínicos e perguntas disparadoras audiogravadas. As narrativas foram analisadas e delas emergiram categorias, ilustradas por trechos de entrevistas. A espera por um milagre, a percepção da vivência de maternidade e valores contrários à interrupção influenciaram a opção por manter a gestação. A falta de esperança de ter um filho com vida, a crença de que a interrupção traria alívio para o sofrimento e o direito legal ao aborto influenciaram na escolha pela interrupção. Independentemente da decisão, destacam-se a perplexidade diante do diagnóstico, sentimentos de culpa, angústia e tristeza. Por se tratar de uma dor ainda pouco reconhecida, é importante que as equipes de saúde tenham estratégias de abordagem humanizadas e tecnicamente qualificadas, que apoiem o processo decisório da mulher, garantam os seus direitos e auxiliem na elaboração do luto pela perda sofrida.
Palavras-chave
Aborto legal; Malformações fetais; Saúde mental; Gravidez de alto risco