FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA PARA PSICÓLOGOS BRASILEIROS: UMA COMPREENSÃO EMPÍRICA 1 1 Apoio e financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

FENOMENOLOGÍA Y PSICOLOGÍA FENOMENOLÓGICA PARA PSICÓLOGOS BRASILEÑOS: UNA COMPRENSIÓN EMPÍRICA

Fabiane Villatore Orengo Adriano Furtado Holanda Tommy Akira Goto Sobre os autores

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo desvelar a compreensão que os psicólogos possuem sobre fenomenologia e psicologia fenomenológica. Para tanto foi realizado um estudo de caráter exploratório, que teve como instrumento de pesquisa um questionário desenvolvido pelos pesquisadores, no qual foram levantadas questões abertas sobre a compreensão do referido tema, a apropriação dos conceitos na prática profissional e a possibilidade (ou não) de desenvolver uma psicoterapia fenomenológica. Os dados foram analisados utilizando o método qualitativo fenomenológico de Giorgi e Souza. Como resultado, verificou-se que o psicólogo brasileiro compreende a psicologia fenomenológica como uma abordagem da psicologia, e acredita ser possível uma psicoterapia fenomenológica. Conclui-se que o psicólogo brasileiro utiliza diversos conceitos da fenomenologia e da psicologia fenomenológica na descrição de seus fazeres, porém não há correspondência com a proposta de Husserl para a fenomenologia e a psicologia fenomenológica.

Palavras-chave:
Fenomenologia; Husserl; psicologia fenomenológica

RESUMEN

En el presente estudio se tiene el objetivo aclarar la comprensión que los psicólogos poseen sobre fenomenología y psicología fenomenológica. Para ello se realizó un estudio de carácter exploratorio, que tuvo como instrumento de investigación un cuestionario desarrollado por los investigadores, en el cual se plantearon cuestiones abiertas sobre la comprensión del referido tema, la apropiación de los conceptos en la práctica profesional y la posibilidad (o no) de desarrollar una psicoterapia fenomenológica. Se analizaron los datos utilizando el método cualitativo fenomenológico de Giorgi y Souza. Como resultado, se verificó que el psicólogo brasileño comprende la psicología fenomenológica como un abordaje de la psicología, y cree que es posible una psicoterapia fenomenológica. Se concluye que el psicólogo brasileño utiliza diversos conceptos de la fenomenología y de la psicología fenomenológica en la descripción de sus hechos, pero no hay correspondencia con la propuesta de Husserl para la fenomenología y la psicología fenomenológica.

Palabras clave:
Fenomenología; Husserl; psicología fenomenológica

ABSTRACT

The present study aimed to clarify the understanding that psychologists have about phenomenology and phenomenological psychology. For that, an exploratory study was carried out, using as research tool a questionnaire developed by the researchers, in which open questions were raised about the understanding on the subject, the appropriation of concepts in professional practice and the possibility (or not) of developing a phenomenological psychotherapy. Data were analyzed using the phenomenological qualitative method of Giorgi and Souza. As a result, it has been found that the Brazilian psychologist understands phenomenological psychology as an approach to psychology and believes that phenomenological psychotherapy is possible. We conclude that the Brazilian psychologist uses several concepts of phenomenology and phenomenological psychology in the description of his/her actions, but there is no correspondence with Husserl’s proposal for phenomenology and phenomenological psychology.

Keywords:
Phenomenology; Husserl; phenomenological psychology

Introdução

Muitas são as dificuldades quando se trata de circunscrever e definir a ‘psicologia fenomenológica’; maiores ainda quando se pensa sobre a viabilidade de possíveis derivações desta, seja no contexto clínico, de pesquisa ou outros. O ponto é que ‘psicologia fenomenológica’ é a expressão cunhada e desenvolvida por Edmund Husserl para o estudo da consciência psíquica (vivências psíquicas) na relação com a consciência transcendental, no intuito de ser uma ciência fundamental para a psicologia, a partir do método que abrange a fenomenologia transcendental (Husserl, 1990Husserl, E. (1990). El articulo de la Encyclopaedia Britannica (A. Z. Quijano, Trad.). México, DF: UNAM. Original publicado em 1927., 2001Husserl, E. (2001). Psychologie phénomenógique. Paris, FR: Vrin. Original publicado em 1925 a 1928.). Com a apropriação dos pressupostos metodológicos da fenomenologia acerca do estudo da consciência (empírica e transcendental), alguns assistentes e colaboradores de Husserl - M. Scheler, E. Stein, M. Merleau-Ponty, J. P. Sartre, dentre outros - desenvolveram pesquisas nesta direção, proporcionando alicerces para uma definitiva psicologia denominada ‘fenomenológica’ (Spiegelberg, 1972Spiegelberg, H. (1972). Phenomenology in psychology and psychiatry: a historical introduction. Evanston, USA: Northwestern University Press., 1982Spiegelberg, H. (1982). The phenomenological movement: a historical introduction. Boston, USA: Martinus Nihjhoff.; Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.).

No entanto, essa concepção originária de ‘psicologia fenomenológica’ foi sendo esquecida e deixando de ser tematizada pelos psicólogos (Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.; Goto, Holanda & Costa, 2018Goto, T. A.; Costa, I. I., & Schievano, B. A. (2019). Vivências psicológicas de homens que buscam profissionais do sexo: uma proposta de análise psicológico-fenomenológico. Revista de Psicologia, 10(1), p. 90-104. Recuperado de: http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/33703/95930
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), principalmente com a ‘recepção’ e ‘circulação’ da fenomenologia nos EUA (Branco, 2014Branco, P. C. C. (2014). Diálogo entre análise de conteúdo e método fenomenológico empírico: percursos históricos e metodológicos.Revista da Abordagem Gestáltica,20(2), 189-197. Recuperado de: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672014000200006&lng=pt&tlng=pt
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), por um lado - recepção esta que se deu, inclusive pelos clínicos da época, que se apropriaram de tais conceitos, buscando fontes diversas disponíveis, e que acabaram elaborando entendimentos próprios e aplicações distintas do modo de pensamento original dos fenomenólogos (Spiegelberg, 1972Spiegelberg, H. (1972). Phenomenology in psychology and psychiatry: a historical introduction. Evanston, USA: Northwestern University Press.) - e, por outro lado, pelo distanciamento progressivo dos psiquiatras e psicólogos europeus, do projeto husserliano, em direção a outros modos de compreensão da fenomenologia (Spiegelberg, 1972Spiegelberg, H. (1972). Phenomenology in psychology and psychiatry: a historical introduction. Evanston, USA: Northwestern University Press.; Gomes & Castro, 2010Gomes, W. B., & Castro, T. G. (2010). Clínica fenomenológica: do método de pesquisa para a prática psicoterapêutica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(n. esp.), 81-93. Recuperado de: http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/20712/14763
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; Holanda, 2014Husserl, E. (2001). Psychologie phénomenógique. Paris, FR: Vrin. Original publicado em 1925 a 1928.; Portugal & Holanda, 2018Portugal, V. L. C., & Holanda, A. F. (2018). Psicologia fenomenológica no Brasil: concepções e pluralidade. ECOS - Estudos Contemporâneos da Subjetividade, 8(2), 178-193. Recuperado de:http://www.periodicoshumanas.uff.br/ecos/article/view/2831
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). Esses entendimentos e aplicações constituíram, assim, principalmente na psicologia clínica, algumas das ditas ‘abordagens humanistas/existenciais-fenomenológicas’, enquanto na pesquisa psicológica empírica surgiu a denominada ‘pesquisa qualitativa fenomenológica’ ligada ao grupo de psicólogos associados à Duquesne University (Giorgi, 1985Giorgi, A. (1985). Phenomenology and psychological research. Pittsburg, USA: Duquesne University Press.; DeCastro & Gomes, 2011DeCastro, T. G., & Gomes, W. B. (2011). Movimento fenomenológico: controvérsias e perspectivas na pesquisa psicológica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 27(2), 233-240. Recuperado de: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v27n2/a14v27n2
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; Branco, 2014Branco, P. C. C. (2014). Diálogo entre análise de conteúdo e método fenomenológico empírico: percursos históricos e metodológicos.Revista da Abordagem Gestáltica,20(2), 189-197. Recuperado de: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672014000200006&lng=pt&tlng=pt
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), mas que seguiram rumos discordantes dos da própria psicologia fenomenológica de Husserl (Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.; Reis, Holanda, & Goto, 2016Reis, B. B., Holanda, A. F., & Goto, T. A. (2016). Husserl e o artigo para Enciclopédia Britânica (1927): projeto da psicologia fenomenológica. Psicologia Em Estudo, 21(4), 629-640). Recuperado de: https://doi.org/10.4025/psicolestud.v21i4.33374
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).

A concepção de pesquisa da Duquesne University foi aperfeiçoada e difundida, como uma ‘pesquisa empírico-fenomenológica’, organizada tradicionalmente em quatro passos (Giorgi & Souza, 2010Giorgi, A., & Souza, D. (2010). Método fenomenológico de investigação em psicologia. Lisboa, PT: Fim de Século.): (a) Estabelecimento do Sentido Geral, (b) Discriminação de Unidades de Significado, (c) Transformação em Linguagem Psicológica e, (d) Síntese. No Brasil, esse modelo conhece diversas adaptações e questionamentos, como temos em Gomes (1997Gomes, W. B. (1997). A pesquisa fenomenológica e o estudo da experiência consciente. Psicologia USP, 8(2), 305-336. doi: https://dx.doi.org/10.1590/S0103-65641997000200015
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) que apresenta a possibilidade de três passos (descrição fenomenológica, redução fenomenológica e interpretação fenomenológica), ou Amatuzzi (2009Amatuzzi, M. M. (2009). Psicologia fenomenológica: uma aproximação teórica humanista. Estudos de Psicologia, 26(1), 93-100. Recuperado de:http://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf
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); e Feijoo e Goto (2016Feijoo, A. M. L. C., & Goto, T. A. (2016). É possível a fenomenologia de Husserl como método de pesquisa em psicologia? Psicologia: Teoria e Pesquisa, 32(4), 01-09. doi: https://dx.doi.org/10.1590/0102.3772e3241
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); Goto, Costa e Schievano (2019)Goto, T. A.; Costa, I. I., & Schievano, B. A. (2019). Vivências psicológicas de homens que buscam profissionais do sexo: uma proposta de análise psicológico-fenomenológico. Revista de Psicologia, 10(1), p. 90-104. Recuperado de: http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/33703/95930
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que apontam críticas ao método de Giorgi, caracterizando-o mais como hermenêutico que empírico-psicológico, buscando assim uma aproximação maior com a psicologia fenomenológica de Husserl.

O presente artigo, longe de querer deslindar tais questões, procura recuperar o diálogo entre a psicologia fenomenológica e as diversas formas de psicologia, no sentido de enriquecê-lo e ampliá-lo, mesmo que seja necessário destacar as suas divergências. Para tanto, busca contemplar: a) um breve relato histórico, metodológico e conceitual da relação da psicologia com a fenomenologia; e b) os resultados de um estudo empírico intitulado ‘O que o psicólogo compreende por psicologia fenomenológica’.

A psicologia fenomenológica foi desenvolvida por Husserl, ao longo de sua obra, integrada à fenomenologia filosófica. Buscando compreender a possibilidade do conhecimento, Husserl inicia a problematização da psicologia no prefácio das Investigações lógicas (2014). Nessa obra, o filósofo afirma que iniciara da convicção de que a lógica das ciências dedutivas deveria partir da psicologia, porém, a forma pela qual esta se constituíra - como ciência natural, empírica - não o satisfazia (Husserl, 2014Husserl, E. (2014). Investigações lógicas: prolegômenos à lógica pura (Vol. 1, D. Ferrer, Trad.) Rio de Janeiro, RJ: Forense. Original publicado em 1900.). Na mesma obra, Husserl, então, definiu a fenomenologia como uma ‘psicologia descritiva’ - diferentemente de Franz Brentano - por não poder excluir, na caracterização do conhecimento, as vivências psíquicas. Cabe lembrar que em Brentano - mestre e amigo de Husserl - a consciência, por ser caracterizada como ‘intencional’, e por delimitar a relação direta entre o sujeito cognoscente e o objeto representado, mantinha um tipo de pensar dito ‘psicologista’, porque se estabelecia a partir de uma fundamentação psicológico-natural das representações, fortemente alicerçada na vida psíquica (Goto, Holanda, & Costa, 2018Goto, T. A., Holanda, A. F., & Costa, I. I. (2018). Fenomenologia transcendental e a psicologia fenomenológica de Edmund Husserl. Revista do NUFEN, 10(3), 38-54. Recuperado de: https://dx.doi.org/10.26823/RevistadoNUFEN.vol10.n03artigo35
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).

Assim, na segunda edição das Investigações, Husserl corrige esse seu posicionamento inicial, diferenciando a fenomenologia da psicologia, mesmo sem afastá-las totalmente, por considerar os fenômenos psíquicos importantes na produção do conhecimento (Husserl, 2014Husserl, E. (2014). Investigações lógicas: prolegômenos à lógica pura (Vol. 1, D. Ferrer, Trad.) Rio de Janeiro, RJ: Forense. Original publicado em 1900.). O filósofo comenta que as descrições fenomenológicas estão em oposição às descrições psicológicas (de Brentano, por exemplo), porque “[...] não dizem respeito a vivências ou classes de vivências de pessoas empíricas [...] sobre tais vivências, a fenomenologia não levanta questões, não procura determinações nem elabora hipóteses” (Husserl, 2014Husserl, E. (2014). Investigações lógicas: prolegômenos à lógica pura (Vol. 1, D. Ferrer, Trad.) Rio de Janeiro, RJ: Forense. Original publicado em 1900., p. 23). Porta (2013Porta, M. A. (2013). Edmund Husserl: psicologismo, psicologia e fenomenologia. São Paulo, SP: Edições Loyola.) acrescenta que, para Husserl, a fenomenologia compartilha com a psicologia o princípio de imanência, ainda que reformulado pela redução. E que, somente por meio da psicologia explicita-se aquilo que, afinal, é realmente essencial, a subjetividade mesma.

Em Göttingen, Husserl publica A ideia da fenomenologia: cinco lições (1986Husserl, E. (1986). A ideia da fenomenologia: cinco lições (A. Mourão, Trad.) Lisboa, PT: Edições 70. Original publicado em 1907.), obra em que postula a epoché (εποχη) e a redução fenomenológica. O filósofo as apresenta no escopo de um método para diferenciar o ‘fenômeno puro’ - objeto da fenomenologia -, do ‘fenômeno psicológico’, objeto da psicologia. A epoché é o fundamento metodológico basal, uma atitude de colocar em questão tudo o que é previamente dado como existente, para chegar ao apodítico.

Se ponho em questão o eu e o mundo e a vivência do eu como tal, então a reflexão simplesmente intuitiva virada para o dado na apercepção da vivência considerada, para o meu eu, revela o fenômeno desta apercepção; por exemplo, o fenômeno ‘percepção apreendida como minha percepção’ (Husserl, 1986Husserl, E. (1986). A ideia da fenomenologia: cinco lições (A. Mourão, Trad.) Lisboa, PT: Edições 70. Original publicado em 1907., p. 70-71, grifo do autor).

Desta forma, ela mesma (minha percepção) se torna, pela redução fenomenológica, um fenômeno puro (percepção vivida). Assim, “[...] a toda vivência psíquica corresponde, por via da redução fenomenológica, um fenômeno puro, que exibe sua essência imanente (singularmente tomada) como dado absoluto” (Husserl, 1986Husserl, E. (1986). A ideia da fenomenologia: cinco lições (A. Mourão, Trad.) Lisboa, PT: Edições 70. Original publicado em 1907., p. 71). No texto Ideias para uma fenomenologia pura e uma filosofia fenomenológica, de 1913, Husserl trata da busca dos fundamentos da subjetividade a partir da fenomenologia já constituída. Recupera e modifica a concepção de consciência intencional de Brentano até a sua nova elaboração: “[...] tudo o que chamamos de ‘objeto’, [...], que temos ante os olhos como efetividade, que consideramos possível ou verossímil, [...], é já por isso mesmo, objeto da consciência” (Husserl, 2006Husserl, E. (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica. (M. Suzuki, Trad.) Aparecida, SP: Ideias & Letras. Original publicado em 1913., p. 298, grifo do autor), ou seja, toda consciência é ato dirigido a um objeto que se mostra a esta consciência. Cada objeto tem em si características eidéticas, essenciais, determinadas e apreensíveis, apesar da infinidade de modos de apreensões possíveis. Ao mesmo tempo, apresenta uma pluralidade possível, ou seja, um conjunto de camadas do ‘eu’ e de ‘vivências’ que tornam possível a identificação intersubjetiva deste algo como sendo um mesmo objeto (Husserl, 2006Husserl, E. (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica. (M. Suzuki, Trad.) Aparecida, SP: Ideias & Letras. Original publicado em 1913.). Ainda, Husserl retoma os conceitos gregos de noesis (νοησισ) e noema (νοημα), caracterizando-os como os dois polos das vivências intencionais. O polo noético caracterizado pelas intencionalidades dirigidas a um objeto (real, imaginativo, perceptivo etc.); o polo noemático, correspondendo ao seu correlato, ou seja, o objeto intencionado.

Aos múltiplos dados do conteúdo real, noético, corresponde uma multiplicidade de dados, mostráveis em intuição pura efetiva, num ‘conteúdo noemático’ correlativo, ou resumidamente, no noema [...]. A percepção, por exemplo, tem o seu noema, no nível mais baixo, o seu sentido perceptivo, isto é, o ‘percebido como tal’ (Husserl, 2006Husserl, E. (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica. (M. Suzuki, Trad.) Aparecida, SP: Ideias & Letras. Original publicado em 1913., p. 203-204, grifo do autor).

Esses são alguns postulados alcançados por Husserl e que foram favorecendo a ideia de uma psicologia fenomenológica. Com isso, pode-se dizer que Husserl, a partir das análises fenomenológicas da consciência intencional, chegou a uma concepção de psicologia fenomenológica ou, a uma via fenomenológico-psicológica, frente à necessidade de esclarecer a vida psíquica, suas estruturas vividas concretamente e os modos de consciência empírico-psíquica (Husserl, 2001Husserl, E. (2001). Psychologie phénomenógique. Paris, FR: Vrin. Original publicado em 1925 a 1928.). A psicologia fenomenológica não é uma psicologia empírica (naquilo que marca a relação com o físico), tal como a psicologia científica e outras formas de psicologia investigativa contemporâneas, mas constitui-se como uma ‘psicologia pura’, uma psicologia que investiga as vivências psíquicas e que ultrapassa qualquer relação psicofísica. “A pura psicologia não conhece justamente senão o subjetivo, e admitir aí como existente algo de objetivo é já dela ter aberto mão” (Husserl, 2012Husserl, E. (2012). A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental: uma introdução à filosofia fenomenológica. Rio de Janeiro, RJ: Editora Forense Universitária. Origina publicado em 1935., p. 209).

Em nossos dias, a ideia de uma psicologia fenomenológica tem crescido no meio acadêmico brasileiro, porém, esse interesse vem também cercado de entendimentos particulares e, consequente, de confusões conceituais (Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.). O fato é que seu início em solo brasileiro foi constituído por meio de fontes diversas, principalmente oriundas das psicologias (humanistas e existenciais) dos EUA, acarretando um desenvolvimento de uma orientação assistemática, pouco fundamentada nos pressupostos da fenomenologia de Husserl. Goto (2015)Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus. continua declarando que o objetivo original do filósofo era formular uma ‘psicologia pura’, racional e não experimental para o estudo da subjetividade psíquica e sua relação com a vida transcendental.

A história conta que, no Brasil, a fenomenologia desembarcou na década de 30 do século passado, inaugurando a fenomenologia como possibilidade metodológica para a psicologia (Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.; Holanda, 2016Holanda, A. F. (2016). Fenomenologia e psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia, 33(3), 383-394. doi: https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000300002
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). Foi nas décadas de 60 e 70 que a relação entre fenomenologia e psicologia teve um desenvolvimento mais expressivo, uma vez que a fenomenologia começou a ser vinculada à psicologia clínica. Vários autores apontam que o desenvolvimento da psicologia fenomenológica em nosso país está relacionado aos psicólogos humanistas, vinculados à Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers (Guimarães, 2000Guimarães, A. C. (2000). O pensamento fenomenológico no Brasil. Revista Brasileira de Filosofia, L (198), 258-267.; Gomes, Holanda & Gauer, 2004Gomes, W. B., Holanda, A. F., & Gauer, G. (2004). Primórdios da psicologia humanista no Brasil. In M. Massimi & A. F. Holanda (Org.), História da psicologia no Brasil do Século XX(p. 87-104). São Paulo, SP: E.P.U.; Paim, 2010Paim, A. (2010). O movimento fenomenológico brasileiro. In O movimento fenomenológico em Portugal e no Brasil (p. 123-140). Lisboa, PT: Zéfiro.; Gomes & Castro, 2010Gomes, W. B., & Castro, T. G. (2010). Clínica fenomenológica: do método de pesquisa para a prática psicoterapêutica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(n. esp.), 81-93. Recuperado de: http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/20712/14763
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; DeCastro & Gomes, 2011DeCastro, T. G., & Gomes, W. B. (2011). Movimento fenomenológico: controvérsias e perspectivas na pesquisa psicológica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 27(2), 233-240. Recuperado de: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v27n2/a14v27n2
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; Holanda, 2014Holanda, A. (2014). Fenomenologia e humanismo: reflexões necessárias. Curitiba, PR: Juruá., 2016Holanda, A. F. (2016). Fenomenologia e psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia, 33(3), 383-394. doi: https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000300002
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; Branco, 2015Branco, P. C. C. (2015). Psicologia humanista de Carl Rogers: recepção e circulação no Brasil (Tese de Doutorado). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Recuperado de: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUBD-A5MKEE/tese_paulo_coelho.pdf?sequence=1
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). Por outro lado, Gomes et al. (2004)Gomes, W. B., Holanda, A. F., & Gauer, G. (2004). Primórdios da psicologia humanista no Brasil. In M. Massimi & A. F. Holanda (Org.), História da psicologia no Brasil do Século XX(p. 87-104). São Paulo, SP: E.P.U. indicam, ainda, uma orientação psicoterápica seguida pelos profissionais identificados com as perspectivas existenciais de Heidegger, Binswanger, Boss, Minkowski e Sartre; além de apontar que os profissionais mais diretamente envolvidos com pesquisa empírica seguem, também, Merleau-Ponty.

Gomes e Castro (2010Gomes, W. B., & Castro, T. G. (2010). Clínica fenomenológica: do método de pesquisa para a prática psicoterapêutica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(n. esp.), 81-93. Recuperado de: http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/20712/14763
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) corroboram com a tese acima, e acrescentam que a associação entre a fenomenologia e a filosofia existencial ocorreu pela identificação de uma continuidade de reflexão do estudo dos invariantes intencionais de Husserl para as estruturas existenciais em Heidegger ou a corporeidade em Merleau-Ponty. É interessante essa posição, pois o reconhecimento dessa relação sempre foi recusado por Husserl, porque segundo ele “[...] esses senhores [da Existenzphilosophie] que insistem em falar de ‘fenomenos’ e de ‘intencionalidade’, na verdade desconheciam o essencial da fenomenologia” (Moura, 2001Moura, C. A. R. (2001). Racionalidade e crise. estudos de história da filosofia moderna e contemporânea. São Paulo, SP: Discurso Editorial., p. 160, grifo do autor).

Cabe destacar ainda que - no cenário brasileiro - a apropriação da fenomenologia veio a reboque de um ‘ideário existencialista’ (Guimarães, 2000Guimarães, A. C. (2000). O pensamento fenomenológico no Brasil. Revista Brasileira de Filosofia, L (198), 258-267.), ou seja, a partir da leitura de obras tardias de vários grandes nomes da fenomenologia pós-husserliana - notadamente, Sartre, Heidegger e Merleau-Ponty (Holanda, 2016Holanda, A. F. (2016). Fenomenologia e psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia, 33(3), 383-394. doi: https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000300002
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) - o que representa uma significativa modificação da lógica ontológica com respeito à natureza humana, com consequentes apropriações diversas do sentido do fazer fenomenológico.

Nesta direção, temos uma longa tradição de autores da filosofia - como Ernildo Stein, Emanuel Carneiro Leão, Zeljko Loparic, Gerd Bornheim, Maria do Carmo Miranda, Creusa Capalbo, N. A. von Zuben, Urbano Zilles, Benedito Nunes, dentre outros - que desenvolvem a denominada ‘fenomenologia existencial’, realizando importantes pontes com a psicologia, seja por meio de traduções, seja a partir de comentários e elaborações (Holanda, 2016Holanda, A. F. (2016). Fenomenologia e psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia, 33(3), 383-394. doi: https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000300002
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). Já em relação à psicologia brasileira, os pesquisadores que se destacam em relação a uma fenomenologia existencial são: Daniela Schneider, Yolanda Forghieri e Mauro Amatuzzi (Gomes & Castro, 2010Gomes, W. B., & Castro, T. G. (2010). Clínica fenomenológica: do método de pesquisa para a prática psicoterapêutica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(n. esp.), 81-93. Recuperado de: http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/20712/14763
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). Schneider (2006Schneider, D. R. (2006). Novas perspectivas para a psicologia clínica a partir das Contribuições de J. P. Sartre. Interação em Psicologia, 10(1), 101-112. doi: http://dx.doi.org/10.5380/psi.v10i1.5764.
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, p. 109) realizou uma análise do pensamento sartreano em direção à clínica psicológica, afirmando que uma psicoterapia existencial realiza uma “[...] radiografia psicológica do sujeito [...] definidas a partir do resgate de seu projeto de ser [...]” e que coloca o ‘ser’ da pessoa em suas próprias mãos. Forghieri (1997Forghieri, Y. C. (1997). Aconselhamento terapêutico: origens, fundamentos e prática. São Paulo, SP: Thomson Learning, p. 92) por sua vez, descreveu o processo terapêutico, a partir da sua vivência como terapeuta e de relatos de pacientes, apontando que “[...] a abordagem fenomenológica do ser humano na Psicologia procura investigar a vivência imediata do ser humano conforme é captada por ele próprio”. Amatuzzi (2009)Amatuzzi, M. M. (2009). Psicologia fenomenológica: uma aproximação teórica humanista. Estudos de Psicologia, 26(1), 93-100. Recuperado de:http://www.redalyc.org/pdf/3953/395335850010.pdf
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levanta a questão da fala e do diálogo no processo terapêutico, destacando que Husserl esclareceu o caminho fenomenológico para o pensamento humano: atos de consciência, alcance do conhecimento, como o mundo se apresenta.

Pode-se ainda citar Holanda (2014Holanda, A. (2014). Fenomenologia e humanismo: reflexões necessárias. Curitiba, PR: Juruá.) que destaca a necessidade de olhar para a fenomenologia para além das ‘abordagens’, não a confundindo com teorias psicológicas, mas reconhecendo-a como um ‘pensar’ a realidade que pode sustentar um modo de se fazer psicologia, a partir da valorização da subjetividade consciente e suas interrelações, sendo uma perspectiva na qual se privilegiaria toda a complexidade do fenômeno humano. Propõe-se, em síntese, a ver a realidade humana da forma mais complexa e ampla possível. Na mesma direção de interpretações mais contemporâneas da fenomenologia no Brasil, afirma Krüger (2014Krüger, H. (2014). Psicologia humanista. In S. F. Araújo, F. Caropreso, G. A. Castañon & R. T Simanke. Fundamentos filosóficos da psicologia contemporânea. Juiz de Fora, MG: Editora UFJF.) que Goto é um autor que tem destacado os elementos essenciais da psicologia fenomenológica de Husserl, para quem é preciso retomar a conceituação originária de Husserl na qual a psicologia fenomenológica tem a intenção de ser uma ‘nova psicologia’ cujo objetivo é investigar e esclarecer seus principais conceitos (consciência, percepção, afetividade, imaginação, cognição etc.) a partir da redução psicológico-eidético, ou seja, a partir da própria identidade e constituição dos referidos processos psicológicos (Goto, 2015Goto, T. A. (2015). Introdução à psicologia fenomenológica: a nova psicologia de Edmund Husserl. São Paulo, SP: Paulus.; Goto, Costa & Schievano, 2019Goto, T. A.; Costa, I. I., & Schievano, B. A. (2019). Vivências psicológicas de homens que buscam profissionais do sexo: uma proposta de análise psicológico-fenomenológico. Revista de Psicologia, 10(1), p. 90-104. Recuperado de: http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/33703/95930
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).

Método

O estudo aqui apresentado procura avistar o entendimento atual do psicólogo brasileiro com relação à psicologia fenomenológica e suas interpretações, e a viabilidade de uma psicoterapia fenomenológica. Para seu desenvolvimento, foi realizado um estudo exploratório (CEP-Saúde/UFPR, protocolo nº 1818086), no período de 11 a 30 de novembro de 2016, com o objetivo de estudar a compreensão que os mesmos possuem sobre fenomenologia e psicologia fenomenológica. O estudo foi pautado num questionário aplicado online. O contato-convite aos participantes da pesquisa foi realizado por meio eletrônico (email, mailing e redes sociais) com chamada direcionada aos grupos relacionados à psicologia e fenomenologia. Para responder ao questionário, a pessoa declarou ser psicólogo(a) e concordar com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Responderam ao questionário 100 participantes, porém dois declararam data de graduação posterior à coleta de dados e foram excluídos; desta forma, a pesquisa contou com 98 participantes, todos autodeclarados psicólogos. Obteve-se que 81,7% tiveram contato com a fenomenologia por meio de disciplinas - específicas ou não - durante o curso de graduação. Os participantes referiram variados nomes às disciplinas consideradas específicas de ‘fenomenologia’, entre eles alguns diversos da própria fenomenologia ou de abordagens psicológicas que seguem essa tradição. Também, como esperado, foram relatados nomes relacionando o existencialismo e o humanismo com a fenomenologia; por exemplo, Psicologia Fenomenológico-Existencial e Psicologia Humanista-Existencial-Fenomenológica. Acredita-se que isso ocorra pela fenomenologia filosófica ter desembarcado no Brasil preliminarmente com textos de Heidegger e Sartre; e, no caso da psicologia, a fenomenologia tenha sido trazida por autores ligados ao humanismo (Branco, 2015Branco, P. C. C. (2015). Psicologia humanista de Carl Rogers: recepção e circulação no Brasil (Tese de Doutorado). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Recuperado de: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUBD-A5MKEE/tese_paulo_coelho.pdf?sequence=1
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; Holanda, 2016Holanda, A. F. (2016). Fenomenologia e psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia, 33(3), 383-394. doi: https://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000300002
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). No mesmo estudo, 79 psicólogos se declararam ‘fenomenólogos’, e, em resposta às questões relacionadas aos pressupostos basais da fenomenologia, observou-se a falta de compreensão dos mesmos quanto a esses saberes: apenas 27,5% deles concordam que a fenomenologia tem a pretensão de ser a base para todas as ciências; da mesma forma, pouco menos da metade dos mesmos psicólogos entende que somente a fenomenologia pode converter as ciências em ciências genuínas. Por outro lado, 81% dos psicólogos ‘fenomenólogos’ entendem que a fenomenologia é capaz de superar radicalismos e dicotomias (subjetivismo-objetivismo, racionalismo-empirismo etc.). Na mesma direção, 68,3% destes psicólogos concordam que a fenomenologia é a ciência da intersubjetividade transcendental.

No presente artigo serão apresentados os resultados da terceira parte do referido questionário, composta de quatro questões abertas e uma fechada (sim/não), todas de resposta facultativa, com o objetivo de averiguar o que os psicólogos compreendem por psicologia fenomenológica. Tais questões foram as seguintes: questão 22: O que é / do que se trata psicologia fenomenológica? (questão aberta); questão 23: Quais são os fazeres de sua prática profissional fundamentados na fenomenologia? (questão aberta); questão 24: É possível desenvolver uma PSICOTERAPIA5 5 Ênfase original no questionário. fenomenológica? (questão fechada, com opção de resposta ‘sim’ ou ‘não’ - com a resposta ‘sim’, o participante foi direcionado para a questão 25 e com a resposta ‘não’, o participante foi direcionado para a questão 26); questão 25: Em que consistiria uma PSICOTERAPIA6 6 Ênfase original no questionário. fenomenológica? (questão aberta); e questão 26: Justifique tal impossibilidade. As questões desta parte foram desenvolvidas pelos pesquisadores, com perguntas amplas, de modo a acolher as respostas da forma mais autêntica possível.

As respostas foram analisadas utilizando o método empírico-fenomenológico de Amedeo Giorgi, mesmo assumindo aqui as críticas de Feijoo e Goto (2016Feijoo, A. M. L. C., & Goto, T. A. (2016). É possível a fenomenologia de Husserl como método de pesquisa em psicologia? Psicologia: Teoria e Pesquisa, 32(4), 01-09. doi: https://dx.doi.org/10.1590/0102.3772e3241
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); Goto, Costa e Schievano (2019)Goto, T. A., Holanda, A. F., & Costa, I. I. (2018). Fenomenologia transcendental e a psicologia fenomenológica de Edmund Husserl. Revista do NUFEN, 10(3), 38-54. Recuperado de: https://dx.doi.org/10.26823/RevistadoNUFEN.vol10.n03artigo35
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e Branco (2014Branco, P. C. C. (2014). Diálogo entre análise de conteúdo e método fenomenológico empírico: percursos históricos e metodológicos.Revista da Abordagem Gestáltica,20(2), 189-197. Recuperado de: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672014000200006&lng=pt&tlng=pt
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) em relação à legitimidade desse método se constituir autenticamente como uma ‘psicologia fenomenológica’, tal como preconizada por Husserl. Contudo, será assumido o método por possibilitar a análise do sentido ou significado, a partir de seus quatro passos (Giorgi & Souza, 2010Giorgi, A., & Souza, D. (2010). Método fenomenológico de investigação em psicologia. Lisboa, PT: Fim de Século.).

Resultados e discussão

A terceira parte do questionário, foco desse artigo, contou com um número de respostas variado dependendo da questão, uma vez que não eram obrigatórias. A questão número 22, ‘O que é / do que se trata psicologia fenomenológica?’ obteve, então, 81 respostas, sendo 68 declarados ‘psicólogos fenomenólogos’ e 13 declarados ‘psicólogos não fenomenólogos’.

A Tabela 1 apresenta as unidades de sentido identificadas, e o número de participantes (N) ‘psicólogos fenomenólogos’ e ‘psicólogos não fenomenólogos’ que as empregaram. Nota-se que algumas respostas tiveram mais de uma unidade de sentido. Os dados obtidos sugerem que, para o psicólogo (‘fenomenólogo’ ou não), a psicologia fenomenológica trata do estudo ou descrição dos fenômenos, com a preocupação com sua essência. Aparece nas respostas um cuidado em utilizar os termos da fenomenologia: ‘fenômeno’, ‘essência’ ‘suspensão de a priori’, porém, não fica claro o que o psicólogo compreende por estes termos, nem como tais conceitos seriam apropriados em seu cotidiano. Em se tratando da psicologia, acredita-se que o ‘fenômeno’ aqui referido, por exemplo, seja o ‘fenômeno psicológico’, que, da mesma forma, demandaria uma definição. Igualmente está claro, para o psicólogo, que uma psicologia fenomenológica pede uma suspensão de julgamentos (método fenomenológico) e [de conceitos] a priori7 7 Em Ideias I, Husserl distingue dois conceitos de a priori: a) conhecimento de essências e b) conhecimento dos conceitos que, ‘como categoria’, têm significação de ‘princípios’, e das leis essenciais fundadas em tais conceitos (Quijano, 1990). ; também preconiza o respeito à subjetividade e singularidade de seu cliente. Fica difícil estabelecer, pelas respostas dadas a essa questão, se o participante da pesquisa aqui descrita, entende a psicologia fenomenológica como uma possibilidade de investigação do fenômeno psicológico, como uma ciência psicológica, ou como uma abordagem psicoterapêutica, por aparecer em várias respostas a unidade de sentido ‘estudo dos fenômenos’, acompanhado da palavra ‘cliente’.

Tabela 1
Questão ‘O que é / do que se trata psicologia fenomenológica?’

É relevante destacar a resposta do participante P54, que sintetiza o entendimento dos ‘psicólogos fenomenólogos’ sobre o que seria a ‘psicologia fenomenológica’:

A fenomenologia significa ‘estudo dos fenômenos’, isto é, estuda tudo aquilo que se mostra à consciência de alguém. Deste modo, a psicologia fenomenológica ‘se embasa no método fenomenológico’ desenvolvido por Husserl, que ‘trata do cliente sem tentar encaixá-lo em teorias’, como fazem algumas abordagens, também ‘é livre de técnicas’ para conhecer o fenômeno tal qual ele se apresenta. Também ‘utiliza-se da redução fenomenológica’, ou seja, o ‘terapeuta’ deve deixar de lado todos os pré-conceitos, crenças, ideologias e etc., para ir de encontro com o cliente (P54, grifo do autor).

Percebe-se que é uma resposta bastante formalista, que traz elementos da fenomenologia filosófica, como “[...] estudo dos fenômenos [...] que se mostra à consciência [...]”; também, “[...] conhecer o fenômeno tal qual ele se apresenta [...]”, e ainda, “[...] utiliza-se da redução fenomenológica”. Permanece a dúvida sobre o entendimento do participante sobre esses conceitos, uma vez, que, logo em seguida, utiliza termos como ‘terapeuta’ e ‘cliente’, mesmo indicando que o método fenomenológico não pressupõe uma terapia. Outra questão pode ser o entendimento dos psicólogos sobre a psicologia ser entendida como terapia, necessariamente.

Em contrapartida, alguns dos participantes responderam de forma diversa do restante do grupo, por exemplo: o participante P82 respondeu que se trata “[...] do campo energético de cada um [...]”; e, para o participante P33, “[...] trata-se de investigar o fenômeno tal qual ele se mostra, desvelando os sentidos que se mostram no horizonte histórico sedimentado”. Além destes, dois outros participantes (P81 e P99) definiram a fenomenologia filosófica e não a psicologia fenomenológica, tal como foi solicitado. A questão 23, ‘Quais são os fazeres de sua prática profissional fundamentados na fenomenologia?’ foi respondida por 73 participantes ‘psicólogos fenomenólogos’ e 13 ‘psicólogos não fenomenólogos’, num total de 80 respostas. Da mesma forma que na questão anterior, houve algumas respostas bastante diversas do restante do escopo, tal como, por exemplo, a do participante P82, que declarou como seu fazer fundamentado na fenomenologia, a ‘limpeza de aura’.

A Tabela 2 apresenta as unidades de sentido identificadas para esta questão, o número de participantes que as utilizam e um exemplo de como ela aparece nas respostas. Assim como na questão anterior, algumas respostas apresentam mais de uma unidade de sentido.

Pode-se afirmar que as respostas a essa questão mostram que os pesquisadores falharam ao defini-la, pois a intenção era que descrevessem fazeres concretos de sua prática e que demonstrassem a maneira como os fundamentos da fenomenologia chegam ao fazer profissional do psicólogo. Um número expressivo dos participantes respondeu a essa questão com seu campo de atuação, como ‘escolar’, ‘clínica’, e muitos outros. Os participantes que responderam à questão como esperado pelos pesquisadores, ou seja, com fazeres de sua prática, descreveram uma atuação pautada na empatia, na escuta sem preconceitos e na valorização da vivência do cliente, ou seja, elementos que, em verdade, devem se constituir como objetos da investigação fenomenológica foram entendidos como uma ação ou atitude profissional. Percebe-se, aqui, também, certo formalismo nas respostas, uma atenção em utilizar os termos da fenomenologia. Porém, aqui se observa mais fortemente a influência da psicologia dita ‘humanista’. A resposta do participante P67 é bastante representativa das respostas à questão.

Acredito que principalmente o estar ‘com o outro de maneira aberta, colocando entre parênteses conhecimentos prévios’, valores e julgamentos para que eu ‘tenha acesso aos significados de sua experiência’; não olhá-lo com lentes diagnósticas. Busco me abster de tais conhecimentos para compreender o mundo do outro, que é diferente do meu. ‘Também trabalho apenas com o que o cliente aborda’, não resgatando assuntos trabalhados em sessões anteriores ou investigando seu passado, pois o que ele me traz é o que está presente em seu campo fenomenológico (P67, grifo do autor).

A questão é que Husserl (2006Husserl, E. (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica. (M. Suzuki, Trad.) Aparecida, SP: Ideias & Letras. Original publicado em 1913., p. 28, grifo do autor) definiu a fenomenologia como ‘ciência de essências’, ‘ciência eidética’; quer seja “[...] como uma ciência que pretende estabelecer exclusivamente ‘conhecimento de essências’ e de modo algum ‘fatos’”. Ainda, Husserl (1990Husserl, E. (2012). A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental: uma introdução à filosofia fenomenológica. Rio de Janeiro, RJ: Editora Forense Universitária. Origina publicado em 1935.) diz que existe um campo específico da fenomenologia, a ‘psicologia fenomenológica’, disciplina que resulta da análise do caráter fundamental da consciência, da intencionalidade. Bem diferente da concepção de Husserl, encontrou-se na maioria das respostas, referência à atuação em campo clínico (entendido, aqui, como a clínica de psicoterapia em consultório). É também interessante destacar as quatro respostas que se referem especificamente à Gestalt-terapia como sinônimo de psicologia fenomenológica. Necessário explicar que foram respostas espontâneas à questão, posto que não havia no questionário nenhuma questão específica a uma ou outra ‘abordagem’.

Tabela 2
Questão: ‘Quais são os fazeres de sua prática profissional fundamentados na fenomenologia?’

Na questão 24: ‘É possível desenvolver uma PSICOTERAPIA fenomenológica?’, obtiveram-se 95 respondentes, sendo 76 ‘psicólogos fenomenólogos’ e 19 ‘psicólogos não fenomenólogos’. Constatou-se que 72 (95%) dos 76 psicólogos ‘fenomenólogos’ entendem ser possível estabelecer uma psicoterapia fenomenológica. A proporção também é maior entre os ‘não fenomenólogos’, sendo 17 (89%) em um universo de 19. Com isso, pode-se dizer que o psicólogo brasileiro tanto o ‘fenomenólogo’ quanto o ‘não fenomenólogo’ entende perfeitamente possível desenvolver uma psicoterapia fenomenológica, mesmo não tendo conhecimento específico de ‘fenomenologia’ e ‘fenômenos’, por exemplo, como já visto acima.

A questão 25: ‘Em que consistiria uma PSICOTERAPIA fenomenológica?’ foi respondida por 60 ‘psicólogos fenomenólogos’ e 11 ‘psicólogos não fenomenólogos’ perfazendo um total de 71 participantes respondentes. Duas das respostas foram bastante complexas, com várias unidades de sentido, mesmo assim foram consideradas, pelas suas totalidades, juntamente com outras quatro, como, por exemplo, possuir certas dúvidas quanto à possibilidade de desenvolver uma psicoterapia fenomenológica. A seguir cita-se uma delas:

Penso que a rigor podemos elaborar uma fenomenologia da psicoterapia, mas uma psicoterapia fenomenológica é algo complicado, pois a fenomenologia é filosófica e não propriamente terapêutica. No entanto existem diversas abordagens que se fundamentam de alguma forma nas reflexões fenomenológicas e acabam carregando o título de psicoterapias fenomenológicas, ou fenomenológico-existenciais, ou existenciais (e note bem, o existencialismo filosófico depende bastante do método fenomenológico), ou até mesmo humanistas-fenomenológicas. Mas de forma geral eu diria que os pressupostos de uma ‘psicoterapia fenomenológica’ seriam um retorno à experiência mesma, sem distorcer teoricamente aquilo que é experienciado; outro pressuposto seria a relevância do sentido e do significado que são desvelados na situação terapêutica; a ‘psicoterapia fenomenológica’ prescinde também da atitude natural e ‘pensa’ através da atitude fenomenológica e isso leva, penso eu, à fuga de um modelo ideal de homem, ou seja, a ‘psicoterapia fenomenológica’ é aberta às possibilidades existenciais; finalmente creio que um pressuposto é que temos experiências que se estruturam universalmente, porém o conteúdo é particular. Como objetivos poderíamos levantar o desvelamento de sentidos e significados existenciais e a abertura para maior liberdade por parte do paciente (cliente) (P26, grifo do autor).

Para o psicólogo brasileiro, uma psicoterapia fenomenológica consistiria em um método compreensivo, com foco no aqui-agora e com uma postura antijudicativa. As respostas sugerem que há entre os psicólogos mais uma apropriação dos conceitos e reflexões fenomenológicas que propriamente uma psicoterapia fundada ‘a partir’ de uma ‘ciência psicológica fenomenológica’. É importante destacar, também, que dois participantes responderam à questão com a identificação com uma abordagem analítico-existencial, como se a Daseinsanálise fosse sinônimo de psicoterapia fenomenológica. Interessante notar que nesta questão, os participantes que anteriormente (questão 23) haviam feito referência direta à Gestalt-terapia, responderam sem a identificação direta com a abordagem. A Tabela 3 mostra as unidades de sentido identificadas para a questão 25, o número de participantes que as utilizam e um exemplo:

Tabela 3
Questão: ‘Em que consistiria uma PSICOTERAPIA fenomenológica?’

A Questão 26: ‘Justifique tal impossibilidade’, foi respondida por quatro dos seis participantes que responderam ‘não’ à questão 24. Destes, três são ‘psicólogos fenomenólogos’ e um não. As justificativas quanto à impossibilidade de desenvolver uma psicoterapia fenomenológica são que faltaria uma teoria da personalidade, um conjunto de técnicas e que, no ambiente terapêutico, não existe lugar para a neutralidade que a fenomenologia proporia.

Os pesquisadores não levaram em consideração a resposta do participante P92 (grifo nosso) como argumento válido, uma vez que o mesmo declarou o seguinte: “‘Pois não existe o psi’, da psicoterapia, dentro da abordagem fenomenológica pode ‘só se fazer um trabalho terapêutico’”. Em virtude daquilo que foi já exposto nesse artigo, fica claro que existia uma preocupação de Husserl em determinar exatamente o que seria exclusivamente ‘psi’ e, em momento algum de seus estudos, ele mencionou a qualquer ‘terapia’ como um ‘grande fazer fenomenológico’. É imperioso destacar ainda que nesse período das investigações fenomenológicas de Husserl, a psicoterapia e a terapia - no sentido de tratamento psicológico -, estavam presentes apenas na psicanálise de Freud e na psicologia analítica de Jung. Não se sabe ao certo o quanto Husserl conhecia ou desconhecia essas psicoterapias, pode-se, porém, destacar o anexo XXI de Fink (ao § 46) na “A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental [...]”, intitulado ‘Sobre o problema do inconsciente’, e que explora o problema da relação da consciência com o inconsciente; e, principalmente o texto Fenomenologia da inconsciência e os grandes problemas do nascimento, sono e morte = Phänomenologie des Unbewusstseins und die Grenzprobleme von Geburt, Schlaf und Tod de 1930 (Husserl, 2013Husserl, E. (2013). Phänomenologie des Unbewusstseins und die Grenzprobleme von Geburt, Schlaf und Tod. In E. Husserl, R. Sowa & T. Vongehr. Grenzprobleme der Phänomenologie. Analysen des Unbewusstseins und der Instinkte, Metaphysik, Späte Ethik. Texte aus dem Nachlass (1908-1937). Dordrecht, DE: Springer.). No decorrer do anexo citado é questionado se não seria uma tendência crescente, principalmente da ‘psicologia das profundezas’ e das ‘filosofias realistas e irracionalistas’, considerar o ser consciente apenas como um estrato do ser humano. Isso indica que Husserl poderia conhecer algo dessa ‘psicologia das profundezas’.

Considerações finais

Com esse estudo fica evidente que o psicólogo brasileiro compreende a psicologia fenomenológica como uma ‘abordagem’ da psicologia, vinculada, identificada - quase como sinônimo - com as psicologias humanistas e existenciais e que acredita que é perfeitamente possível uma psicoterapia fenomenológica. O estudo mostra que os psicólogos usam conceitos da fenomenologia husserliana, como a perspectiva ‘noético-noemática’, epoché e as ‘reduções fenomenológicas’, destacando que a fenomenologia poderia emergir como um método de pesquisa dos fenômenos psicológicos, e ainda podendo ser uma ponte entre a filosofia e a prática psicoterapêutica. Aqui é importante destacar, que, no projeto husserliano, a intenção era ‘descrever’ e ‘compreender’ o fenômeno tal ‘como ele se apresenta’, com suas várias possibilidades de ‘presentações’, o que está de acordo com a intenção de pesquisa em psicologia. Não havia, na concepção original de Husserl, a prerrogativa de uma ‘mudança’ diretiva do fenômeno, ou qualquer mudança psicológica via intervenção, pois quando se pensa em terapia, se pressupõe alteração de estado, mudança. Em verdade, para Husserl, a psicologia fenomenológica se constitui como uma ‘ciência da subjetividade psíquica’ e deve descrever e conhecer de maneira rigorosa e fundamental as vivências psíquicas. No entanto, não podemos negar que hoje a psicologia está identificada muito mais como uma profissão, um ‘fazer psi’. Nesse sentido, para que consigamos identificar esse fazer como um fazer fenomenológico, seria fundamental a constituição de uma psicologia prévia, básica, de processos psicológicos descritos fenomenologicamente (percepção, desenvolvimento etc.), tal como foi a proposta de Husserl. Com isto, queremos destacar a premissa da fenomenologia como ciência dos fundamentos - consoante o próprio Husserl (1990) - e, como tal, necessária para a construção de uma ciência psicológica.

Destaca-se no presente estudo variações distantes dessa proposta; variações pautadas em ‘abordagens’ que tiveram desenvolvimentos e conceitos próprios, até mesmo conceitos não fenomenológicos. No entanto, conseguiu-se aqui também abarcar uma parte ínfima desse oceano brasileiro da psicologia que se assume como tendo uma orientação fenomenológica. Como um estudo preliminar, abriram-se vários questionamentos, mais do que respostas, às questões formuladas. Desta forma, são necessários mais estudos para preencher as lacunas aqui abertas, como, por exemplo, em relação ao que o psicólogo está compreendendo como ‘fenômeno’ (psicológico ou não) ou ‘essência’; bem como, se há uma apropriação dos conceitos da fenomenologia ou apenas um uso formal de suas expressões.

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  • 1
    Apoio e financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
  • 5
    Ênfase original no questionário.
  • 6
    Ênfase original no questionário.
  • 7
    Em Ideias I, Husserl distingue dois conceitos de a priori: a) conhecimento de essências e b) conhecimento dos conceitos que, ‘como categoria’, têm significação de ‘princípios’, e das leis essenciais fundadas em tais conceitos (Quijano, 1990Quijano, A. Z. (1990). Breve diccionario analítico de conceptos husserlianos. Ciudad de Mexico, MX: Universidad Nacional Autónoma de Mexico. Tradução livre.).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Mar 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    23 Out 2018
  • Aceito
    14 Maio 2019
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