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Estereótipos, mentiras e videotape: estudos experimentais sobre a acurácia na identificação da mentira

Stereotypes, lies and videotape: experimental studies on the degree of accuracy in identifying a lie

Resumos

O objetivo deste estudo foi investigar a acurácia da avaliação da mentira e, em seguida, a forma pela qual a vinculação a determinadas categorias sociais interfere e modifica a percepção e o julgamento social. Assumiram-se aqui três hipóteses de trabalho. A primeira delas refere-se ao tipo de pista que favorece a identificação da mentira. A segunda refere-se ao grau de acurácia na identificação dos erros entre as categorias sociais. A terceira se refere aos efeitos exercidos pelos estereótipos. O teste empírico da primeira hipótese não apontou diferenças na identificação da mentira quando utilizadas somente pistas visuais ou auditivas e visuais. No teste da segunda hipótese constatou-se a pouca significância apresentada pela categoria social representada na cena. O teste da terceira revelou que as crenças estereotipadas não foram suficientemente fortes para distorcer os julgamentos e influenciar os tipos de erros esperados.

estereótipos; mentira; acurácia


The aim of this study is to experimentally investigate the lying behavior. Three hypotheses have been advocated. The first concerns the kind of cues which are conducive to identifying a lie (auditory and/or visual). The second is about the degree of accuracy in identifying mistakes among social categories. Lastly, the third relates to stereotypes effects and proposes a different pattern structure with regard to mistakes made by participants about lies presented by individuals from the social groups under investigation. The first assumption did not lead to any differences in lie identifying when the clues are either visual and auditory or visual only. It has been found that the social category depicted in the scene holds little significance. The third group of assumptions, on its turn, made it clear that stereotyped beliefs were not strong enough to distort judgment and thus influence the mistakes.

Stereotypes; lye; deception; accuracy


ARTIGOS

Estereótipos, mentiras e videotape: estudos experimentais sobre a acurácia na identificação da mentira

Stereotypes, lies and videotape: experimental studies on the degree of accuracy in identifying a lie

Marcos Emanoel PereiraI; Roberta BrasileiroII; Joice Ferreira da SilvaIII; Paula Bacellar e SilvaIV; Daniela BrachiIV; Flora AlbuquerqueV

IProfessor do Departamento de Psicologia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia

IIBolsista de Iniciação Científica UFBa/ FAPESB- Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia

IIIEx-Bolsista de Iniciação Científica UFBa/ CNPq

IVBolsista de Iniciação Científica UFBa/ CNPq

VGraduanda do curso de Psicologia da Universidade Federal da Bahia

Endereço para correspondência Endereço para correspondência Marcos Emanoel Pereira Rua Rodrigo Argolo, 293 / 502 Rio Vermelho, CEP 41940-220, Salvador-BA E-mail: emanoel@terra.com.br

RESUMO

O objetivo deste estudo foi investigar a acurácia da avaliação da mentira e, em seguida, a forma pela qual a vinculação a determinadas categorias sociais interfere e modifica a percepção e o julgamento social. Assumiram-se aqui três hipóteses de trabalho. A primeira delas refere-se ao tipo de pista que favorece a identificação da mentira. A segunda refere-se ao grau de acurácia na identificação dos erros entre as categorias sociais. A terceira se refere aos efeitos exercidos pelos estereótipos. O teste empírico da primeira hipótese não apontou diferenças na identificação da mentira quando utilizadas somente pistas visuais ou auditivas e visuais. No teste da segunda hipótese constatou-se a pouca significância apresentada pela categoria social representada na cena. O teste da terceira revelou que as crenças estereotipadas não foram suficientemente fortes para distorcer os julgamentos e influenciar os tipos de erros esperados.

Palavras-chave: estereótipos, mentira, acurácia

ABSTRACT

The aim of this study is to experimentally investigate the lying behavior. Three hypotheses have been advocated. The first concerns the kind of cues which are conducive to identifying a lie (auditory and/or visual). The second is about the degree of accuracy in identifying mistakes among social categories. Lastly, the third relates to stereotypes effects and proposes a different pattern structure with regard to mistakes made by participants about lies presented by individuals from the social groups under investigation. The first assumption did not lead to any differences in lie identifying when the clues are either visual and auditory or visual only. It has been found that the social category depicted in the scene holds little significance. The third group of assumptions, on its turn, made it clear that stereotyped beliefs were not strong enough to distort judgment and thus influence the mistakes.

Key words: Stereotypes, lye, deception, accuracy.

O objetivo central do presente estudo foi a investigação da acurácia da avaliação da mentira. Para tal, procuramos determinar de que forma a vinculação do alvo do julgamento com determinadas categorias sociais, estereotipadamente reputadas como confiáveis ou não-confiáveis, interfere e modifica a percepção e o julgamento social. As nossas hipóteses de trabalho foram ordenadas a partir de três linhas de argumentação. A primeira delas procura avaliar se o tipo de pista exclusivamente auditivo ou auditivo e visual favorece a identificação da mentira. Nesse caso, espera-se que a oferta conjunta de pistas auditivas e visuais permita um maior grau de acurácia do que a oferta de pistas exclusivamente visuais. O segundo grupo de hipóteses refere-se ao grau de acurácia na identificação das mentiras contadas pelos membros dos diversos grupos sociais, onde se espera que homens e mulheres não se diferenciem no grau de acurácia na identificação da mentira. Da mesma forma, nas cenas em que homens e mulheres são alvos de julgamento, não se espera que a avaliação da acurácia seja influenciada pelo gênero do personagem. Em contrapartida, espera-se um maior grau de acurácia na identificação das cenas em que aparecem crianças. O terceiro grupo de hipóteses se refere aos efeitos exercidos pelos estereótipos. As conjecturas aqui formuladas postulam uma estrutura diferenciada de padrões em relação aos erros cometidos pelos participantes em relação às mentiras apresentadas pelos membros das categorias sociais objeto de investigação.

Embora muitos temas de investigação despertem grande interesse entre os pesquisadores da psicologia social contemporânea, dois deles têm ultimamente recebido uma atenção bastante ampla por parte desses pesquisadores: a questão dos estereótipos, dos processos de estereotipização (Fiske, 1998; Hamilton, Stroessner & Driscoll, 1994; Hinton, 2000) e o problema do julgamento social (Macrae & Bodenhausen, 2000; Yzerbyt, Rocher & Schadron, 1997)

Um aspecto bastante destacado das pesquisas sobre o julgamento social é o comportamento de mentir (DePaulo, Kashy, Kirkendol, Wyer & Epstein, 1996). Como poderemos saber se alguém está mentindo, a não ser identificando os sinais que permitam qualificá-lo como mentiroso? Ora, isso é possível desde que admitamos a existência de uma categoria de pessoas que podemos qualificar de mentirosas e, de forma concomitante, um conjunto de atributos cuja presença, mesmo na ausência de qualquer conhecimento prévio a respeito da pessoa a quem o julgamento se aplica, permita incluir a pessoa alvo do julgamento entre os membros dessa categoria (Frank & Ekman, 1997; Zuckerman, DeFrank, Hall, Larrance & Rosenthal, 1979).

Como isso é possível? De fato, somos capazes de identificar se uma pessoa está mentindo? Homens e mulheres diferem nesse particular? E os adultos, mais controlados e habilitados a gerenciar as estratégias de automonitoramento, conseguem disfarçar as suas mentiras, ao contrário das crianças, que, por serem mais espontâneas e impulsivas, têm as suas mentiras desmascaradas com facilidade? Além disso, o fato de uma pessoa estar incluída em uma categoria social sobre a qual existe uma crença compartilhada de que se trata de um grupo de mentirosos renitentes, como, por exemplo, a dos pescadores, torna-a mais facilmente acusável de estar mentindo, mesmo nas circunstâncias em que ela se encontra falando a verdade?

O presente estudo posiciona-se na intersecção de duas linhas de pesquisa. Em primeiro lugar, ele se sustenta em uma tradição psicossocial de pesquisa voltada para a investigação de um aspecto peculiar da percepção do outro, o julgamento social, preocupando-se especialmente com a avaliação da acurácia do julgamento, em particular, a determinação do grau de veracidade do argumento de uma outra pessoa. A metodologia adotada, nesse caso, foi claramente inspirada nos procedimentos utilizados por Charles Bond (Bond & Atoum, 2000; Bond, Omar, Mahoumad & Bonser, 1990) e assenta-se na estimativa do grau de acurácia para avaliar a possibilidade de identificação da pessoa que está mentindo. Em segundo lugar, por incluir no delineamento a identificação do grau de acurácia a respeito dos relatos apresentados por membros de categoriais sociais sobre as quais recai a crença compartilhada de que não são confiáveis - como, por exemplo, advogados e políticos - e sobre uma outra categoria a qual se presume ser confiável - como, por exemplo, a dos médicos e a dos professores -, o trabalho se insere no campo de estudos dos estereótipos, ou mais precisamente, no campo de investigação das crenças estereotipadas sobre duas categoriais sociais cuja possibilidade de reconhecimento dos atributos diferenciadores é ostensivamente observável, como o gênero e a faixa etária, e numa outra dimensão, que extrapola inteiramente os domínios do observável e se instala em uma perspectiva em que os elementos observáveis, incapazes de oferecer indicadores que permitam detectar as diferenças entre os membros das diversas categorias sociais, são substituídos por crenças, nem sempre justificadas, mas amplamente compartilhadas por quase todos os grupos sociais.

Em outro trabalho, o primeiro autor do presente artigo apresentou um conjunto de fatores que consideramos imprescindíveis para o desenvolvimento de uma teoria geral dos estereótipos (Pereira, 2002). No presente estudo debruçar-nos-emos sobre dois deles, um de natureza física - os atributos sensorialmente salientes apresentados pelos personagens retratados nas cenas apresentadas sob a forma de videotape - e um outro contextual - o grau de intensidade das crenças compartilhadas sobre os membros da categoria alvo dos estereótipos. Aderimos, no caso, à suposição de que os estereótipos são mais facilmente ativados e aplicados nas circunstâncias em que se pode identificar um alto índice de compartilhamento das crenças a respeito do grupo alvo dos estereótipos. Podemos considerar duas classes de estímulos apresentados nos videotapes: ou a personagem está falando a verdade ou está mentindo. De forma correlata, podemos circunscrever duas classes de respostas apresentadas pelos participantes do experimento: ou eles afirmam que a pessoa apresentada no videotape está falando a verdade ou dizem que ela está mentindo. A interação entre estes dois fatores define quatro tipos possíveis de resposta:

1. Av: a personagem fala a verdade e o participante afirma que a personagem fala a verdade;

2. Am: a personagem mente e o participante afirma que a personagem mente;

3. Emv: a personagem mente e o participante afirma que a personagem fala a verdade;

4. Evm: a personagem fala a verdade e o participante afirma que a personagem mente.

Dispomos, portanto, de duas classes de respostas: aquelas representadas pela letra A (acurácia), nas quais pode ser encontrada uma consistência entre o tipo de estímulo e o relato dos participantes, e aquelas nas quais não se observa consistência entre o estímulo e a resposta apresentada pelo participante, representada pela letra E (erro). No primeiro caso, podemos diferenciar duas formas de manifestação da acurácia: a primeira ocorre nas circunstâncias em que a personagem apresentada no videotape fala a verdade e o participante afirma, de forma correta, que a personagem está falando a verdade (Av); e na segunda, a personagem não fala a verdade e o participante afirma que a pessoa retratada na cena está mentindo (Am). A segunda classe de respostas configura uma condição de erro, manifestando-se, também, sob duas formas distintas: na primeira delas, a personagem mente, mas o participante afirma que ele fala a verdade (Emv), enquanto no segundo caso, a personagem fala a verdade e o participante afirma que ele está mentindo (Evm).

HIPÓTESES

A finalidade principal da presente pesquisa foi o teste empírico de sete hipóteses de investigação. A primeira delas diz respeito ao tipo de estímulo que permite uma melhor detecção da mentira e, nesse caso, os experimentos procuraram replicar as evidências apresentadas por Bond (2000), expressando-se nos seguintes termos:

H1) Sobre as condições de testagem: o maior grau de acurácia na avaliação será obtido quando a cena for apresentada mediante o uso simultâneo de áudio e vídeo, enquanto a apresentação exclusivamente por meio de vídeo obterá um menor grau de acurácia: Aav > Av.

Adicionalmente foram testadas três hipóteses acerca do julgamento social:

H2) Sobre o gênero: não será possível detectar qualquer diferença no grau de acurácia das cenas representadas por personagens masculinos e femininos: Amasculino = Afeminino.

H3) Sobre a faixa etária: Será observado um maior grau de acurácia na identificação das cenas em que as personagens são crianças: Acriança > Aadulto.

H4) Sobre o grau de confiabilidade do personagem: será observado um maior grau de acurácia na identificação das cenas em que são apresentadas personagens confiáveis: Aconfiáveis > Anão-confiáveis.

O efeito dos estereótipos no julgamento social foi avaliado mediante a mensuração dos dois tipos de erros, os Emv e os Evm, o que possibilitou a formulação de mais três hipóteses adicionais:

H5) Sobre os estereótipos de gênero: Independentemente do tipo, mulheres e homens obterão o mesmo índice de erros;

H6) Sobre os estereótipos relativos à idade: será identificado um número maior de erros Emv no caso das crianças e de erros Evm no caso de adultos;

H7) Sobre os estereótipos relativos às categorias sociais confiáveis e não-confiáveis: será observado um número maior de erros Evm no caso dos personagens não-confiáveis e de erros Emv no caso dos personagens confiáveis.

MÉTODO

Para o teste das hipóteses foram conduzidos dois experimentos, cada um deles voltado para a avaliação de um aspecto diferenciado do conjunto das hipóteses acima expostas.

Delineamentos experimentais: experimento 1

O estudo foi conduzido de acordo com um delineamento fatorial misto 2 x 2 x 2 x 2. O primeiro fator, tipo de estímulo, foi constituído por duas condições - apresentação da cena em áudio e vídeo e apresentação da cena exclusivamente em vídeo - enquanto os três últimos fatores foram intra-sujeitos, sendo o segundo fator o gênero da personagem da cena (homem e mulher); o terceiro fator, a faixa etária (criança ou adulto), e o quarto fator, o tipo de relato (verdade ou mentira).

Foram formalizados grupos experimentais, assim constituídos:

· apresentação em áudio e vídeo, de personagens dos sexos masculino e feminino, crianças e adultos, mentindo e falando a verdade;

· apresentação exclusivamente em vídeo, de personagens dos sexos masculino e feminino, crianças e adultos, mentindo e falando a verdade.

Delineamentos experimentais: experimento 2

O experimento 2 foi conduzido de acordo com um delineamento fatorial misto, em quase tudo semelhante ao experimento 1, com exceção do terceiro fator, a faixa etária da personagem, substituído por personagens representando categorias sociais consideradas confiáveis (professores e médicos) e não-confiáveis (advogados e vereadores).

Conseqüentemente, foram formalizados dois grupos experimentais, assim constituídos:

· apresentação em áudio e vídeo, de personagens masculino e feminino, de profissões confiáveis e não-confiáveis, mentindo e falando a verdade; e

· apresentação exclusivamente em vídeo, de personagens masculino e feminino, de profissões confiáveis e não-confiáveis, mentindo e falando a verdade.

Manipulação das variáveis independentes

A unidade básica de manipulação da variável independente foi a cena, definida como uma série de frames, materializados sob o formato de mídia digital (arquivos de vídeo AVI), capaz de servir como suporte para a apresentação da imagem e da fala das personagens.

Tipos de cena

1. apresentação simultânea de áudio e vídeo

2. apresentação exclusiva em vídeo

Personagens

1. homens ou mulheres

2. adultos ou crianças

3. confiáveis ou não-confiáveis

No experimento 1 foram apresentadas oito cenas - quatro com personagens do sexo masculino (dois adultos e duas crianças) e quatro com personagens do sexo feminino (dois adultos e duas crianças). As personagens adultas, de ambos os sexos, com idades estimadas entre 25 e 45 anos, eram todas de etnia branca, a mesma etnia das personagens infantis, que tinham idades estimadas entre 8 e 10 anos. Nenhuma personagem apresentava qualquer elemento (cor da pele, sinais, defeitos físicos, idade) que sobressaísse e permitisse diferenciá-la das demais. O experimento 2 apresentou oito cenas, quatro protagonizadas por personagens do sexo masculino e quatro protagonizadas por personagens do sexo feminino. Em quatro cenas as personagens foram apresentadas como sendo filiadas a categorias sociais que não são consideradas confiáveis: duas foram protagonizadas por personagens retratadas como advogados e duas por vereadores, enquanto em outras quatro cenas, metade foi protagonizada por membros de cada uma das duas categorias sociais consideradas confiáveis, no caso, médicos e professores. Tanto a faixa etária quanto o background étnico das personagens foram mantidos constantes e seguiram as diretrizes expostas no experimento 1.

Valor do relato

1. a personagem mente

2. a personagem fala a verdade

Cada participante julgou o valor de verdade de oito cenas. Em quatro delas a personagem encontrava-se falando a verdade, enquanto nas quatro restantes relatava mentiras. No caso das cenas em que a pessoa está falando a verdade, foi solicitado a cada um das personagens um relato em que obrigatoriamente deveria ser indicado o nome dos pais, dos irmãos, o bairro onde morava, o nome de uma pessoa de quem gostasse, assim como o motivo de gostar da pessoa que havia nomeado. No caso das cenas com relatos de mentira, o procedimento era o mesmo, mas a pessoa deveria apresentar nomes falsos para os pais e irmãos, para o bairro em que morava e deveria falar sobre uma pessoa pela qual não nutria simpatia como se efetivamente gostasse dessa pessoa.

Critérios para a mensuração das variáveis dependentes

Em todos os experimentos foram considerados dois critérios para a mensuração da variável dependente: o grau de acurácia na identificação da verdade dos relatos e o índice de erros. Para tal, cada participante do experimento deveria identificar se a personagem da cena se encontrava mentindo ou se estava falando a verdade.

O grau de acurácia da cena foi calculado de acordo com a fórmula: Acurácia = (Av + Am). O índice de erros foi calculado de acordo com a fórmula: Erros = tentativas – (Av + Am).

Participantes

O primeiro experimento contou com a colaboração de 40 participantes (média de idade = 24,75; desvio-padrão = 5,62; mínimo = 19 e máximo = 39), dos quais 20 foram submetidos à condição áudio e vídeo e os 20 restantes à condição exclusivamente vídeo. O segundo experimento contou com a colaboração de 120 participantes (média de idade = 23,46; desvio-padrão = 5,10; mínimo = 18 e máximo = 53), 80 na condição de áudio e vídeo e 40 na condição exclusivamente de vídeo.

Procedimentos

Os experimentos foram realizados em salas de aula e pátios das seguintes unidades de ensino da Universidade Federal da Bahia: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Faculdade de Educação, Faculdade de Administração, Pavilhão de Aulas da Federação, Instituto de Biologia, Escola Politécnica e Biblioteca Central. Todos os dados foram coletados em um notebook IBM R31, processador Celeron 900 Mhz, com 356 MB de memória ram, placa de som Sound System e placa de vídeo Atirage, configurada para apresentar uma resolução de 800 x 600.

Equipamentos e instrumentos

As cenas foram registradas através de uma câmera de vídeo analógica SONY TR840, sistema Hi8, e digitalizadas, mediante o uso de uma placa de captura de vídeo Pinnacle Lynx, em arquivos de vídeo no formato AVI, capturados à taxa de 30 fps e renderizados a uma resolução de vídeo de 320 x 240 pixels. O programa para a apresentação das cenas, elaborado especialmente para esta pesquisa, foi desenvolvido com o sistema de autoria Toolbook Instructor, versão 8.5.

Estatísticas utilizadas

Os dados foram submetidos a tratamento estatístico com a finalidade de identificar as diferenças entre os grupos, usando o teste t e a ANOVA fatorial.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Será que a presença de um número maior de pistas, sejam elas verbais ou não verbais, contribui para facilitar a identificação da mentira? A princípio poderíamos pensar que sim, uma vez constatada a existência de uma série de indicadores, coletivamente compartilhados, que permitam afirmar com algum grau de certeza que o interlocutor está mentindo. Pesquisas desenvolvidas em outros contextos (Pereira, Silva, Silva, Brasileiro, Paz & Neto, 2005) sugerem que as pessoas costumam ficar mais nervosas ao mentir, contam histórias mais longas e menos coerentes, aumentam o número de pausas, gaguejam e mudam a postura mais freqüentemente, reduzem a freqüência de contatos através do olhar com o interlocutor e coçam-se, tocam-se e gesticulam mais com as mãos. Poder-se-ia pensar, portanto, que esse número substancial de pistas verbais e não-verbais poderia oferecer ao percebedor informações suficientes para identificar se o interlocutor está mentindo ou não. A nossa primeira hipótese de trabalho se encaminhou, portanto, no sentido de supor que, na apresentação das cenas em que as informações fossem apresentadas sob o formato de áudio e vídeo, por estarem presentes indicadores verbais e se manifestarem aspectos não-verbais da fala, observar-se-ia um índice maior de acertos do que nas cenas exclusivamente apresentadas em vídeo, sem qualquer suporte de áudio. O efeito desses indícios verbais e não-verbais, identificados em pesquisas desenvolvidas por meio da metodologia de auto-relato em mais de 66 países, não se confirmaram em nenhum dos dois experimentos, conforme se observa na tabela 1, onde os resultados mostram que o índice de acertos, embora levemente superior ao que seria esperado por acaso - t (39) = 3,639 , p < .001, no caso experimento 1, e t (119) = 2,706 , p <.05 , no experimento 2 - não difere no caso de a cena ter sido apresentada sob a forma de áudio e vídeo ou exclusivamente em vídeo.

As análises adicionais indicam que o gênero do participante não modificou em nada essa tendência, seja no experimento 1 (t(38) = ,424 , p = .674) seja no experimento 2 (t(118) = ,135 , p = .893). Da mesma forma, no caso do experimento 1, a apresentação em vídeo e áudio ou exclusivamente em áudio não influenciou na avaliação quando a personagem era adulta ou criança, do gênero masculino ou feminino, ou quando estava falando a verdade ou mentindo (F (1,38) = ,045 , p = .834).

Tais resultados ou indicam que o acréscimo no número de pistas não parece ser suficiente para aumentar o grau de acurácia na identificação do valor de verdade da cena ou que os participantes não são capazes de interpretar adequadamente tais pistas de forma a desenvolver conclusões lógicas sobre o estado psicológico do seu interlocutor. No caso da primeira interpretação, é possível que o sistema cognitivo humano, seja por escassez de recursos, seja por falta de motivação ou devido à ausência de envolvimento afetivo com a tarefa, não se encontre em condições de perceber, reconhecer, assimilar, representar e realizar inferências com base em um número muito grande de itens de informação. Nesse sentido, poder-se-ia dizer que, embora o percebedor seja teoricamente capaz de conhecer todas as pistas que permitem identificar a mentira, uma vez que elas são universalmente compartilhadas, em termos práticos, devido aos limites de poder e velocidade de processamento e de armazenamento e busca de informação na memória, ele não se encontra em condições de lidar com um fluxo muito grande de informações. Uma alternativa possível de explicação é a de que as pistas, embora assimiladas em maior ou menor grau pelo percebedor, não são usadas apropriadamente para a condução das inferências necessárias à realização de um julgamento mais acurado.

Seja qual for a interpretação, os resultados são conclusivos: a natureza da fonte de informação, áudio e vídeo ou exclusivamente vídeo, não parece produzir diferenças significativas na identificação do valor de verdade das cenas. No mesmo sentido, Feeley e Young (2000) indicaram que, ao contrário do que prevalece no senso comum, a análise do conteúdo do discurso da pessoa em julgamento, buscando-se perceber contradições como indicadores seguros de relato inverídico, não seria o meio mais eficaz na detecção de mentiras.

Em decorrência dos resultados obtidos no teste da hipótese 1, salvo nas circunstâncias em que forem encontradas referências explícitas, os resultados se referem aos valores conjuntos das duas condições experimentais.

Hipóteses acerca dos efeitos do gênero, da faixa etária e do grau de confiabilidade do personagem no julgamento social

Adicionalmente foram testadas três hipóteses acerca do julgamento social. A primeira delas referia-se à impossibilidade de identificar alguma diferença nas cenas representadas por personagens masculinos e femininos. Tal hipótese origina-se do entendimento de que, embora existam diferenças de gênero no estilo de auto-apresentação de pessoas dos dois gêneros, essas diferenças não são suficientemente marcantes para permitir identificar um gênero como tendo mais probabilidade de ter as suas mentiras detectadas. Os resultados apresentados na tabela 2 representam os dados dos dois experimentos, evidenciando a ausência de efeitos no experimento 1 e uma diferença estatística marginal no experimento 2.

Mediante a análise das médias, pode-se perceber que, em ambos os casos, a média da acurácia na identificação do valor de verdade das cenas representadas por personagens do gênero feminino foi sempre superior, embora apenas no caso do experimento 2 tenha se obtido alguma significância estatística. Seria o caso, então, de afirmar que é mais fácil identificar quando uma mulher está mentindo ou a tendência que apareceu no experimento 2 é decorrente apenas da tendência das mulheres de identificar mais facilmente quando as próprias mulheres estão mentindo? Para resolver esta questão, conduzimos uma ANOVA de dois fatores, considerando a variável between gênero e as variáveis within gênero das personagens masculina e feminina.

Conforme se observa na tabela 3, embora as médias apontem que os homens foram capazes de identificar com precisão um pouco maior o valor de verdade das cenas em que as personagens eram do gênero masculino e as mulheres as cenas em que as personagens eram do sexo feminino, os resultados não foram estatisticamente significativos (F (1,118) =,018, p = .893), o que nos permite supor que, independentemente do gênero, constata-se uma tendência estatística apenas marginal de identificar o valor de verdade das cenas representadas por personagens do gênero feminino.

No caso da faixa etária das personagens, os dados suportam a suposição de que pessoas conseguem identificar mais facilmente quando uma criança está mentindo? A terceira hipótese do nosso trabalho se fundamentou na suposição de que, ao contrário dos adultos, as crianças, pela própria idade e falta de experiência, ainda não teriam desenvolvido estratégias e rotinas sistemáticas de execução dos próprios atos que lhes permitissem fazer despercebidas as mentiras que contam. Este argumento pressupõe um domínio de automonitoramento, disponível em grande medida no adulto e ainda em fase de desenvolvimento na criança.

Os resultados do experimento não parecem dar suporte a esta hipótese, pois se os participantes foram capazes de acertar em média 2,47 das cenas em que as personagens eram adultas e 2,37 das cenas em que as personagens eram crianças, essa diferença entre as médias não foi estatisticamente significativa (t (39) = ,448 , p =.656). Análises adicionais evidenciam que nem o gênero do participante nem o tipo de cena produziram qualquer efeito nessa tendência.

A quarta hipótese sustenta-se na noção de que as pessoas tendem mais a confiar nos membros de algumas categorias sociais, enquanto mantêm uma forte desconfiança em relação a membros de determinados grupos sociais. Dessa forma, pode-se supor que os personagens que são retratados como vinculados a categorias sociais consideradas como mais confiáveis (médicos e professores) sejam vistos como mais dignos de confiança que personagens das categorias menos confiáveis (advogados e vereadores) e que, nesse sentido, seria lícito esperar que pudessem ser mais facilmente identificados quando estivessem falando a verdade ou mentindo. O experimento 2 procurou testar esta hipótese e os resultados sugerem a impossibilidade de se estabelecer qualquer diferenciação na identificação de quando personagens confiáveis e não confiáveis estão falando a verdade ou mentindo (t (119) = 0,134 , p = .894).

Como estes resultados se referem a uma análise em bloco, onde apenas agrupamos os resultados relativos aos personagens confiáveis e não confiáveis, conduzimos uma segunda análise, dessa vez usando a ANOVA de medidas repetidas, com a finalidade de identificar a existência de diferenças nas quatro categorias profissionais representadas nas cenas. Esta análise evidenciou diferenças significativas (F (1,119) = 1237,0 , p <.001) entre os quatro grupos (advogado = 1,16; professor = 1,13; médico = 1,02 e vereador = 1,02), mas, ao contrário do que se esperava, em cada um dos blocos de resultados diferenciados pela ANOVA encontrava-se um personagem confiável e um não confiável. Em um sentido mais geral, podemos afirmar, portanto, que o grau de confiança na categoria social não interfere na possibilidade de identificar se a pessoa está mentindo ou falando a verdade.

Até o presente momento, as análises referiram-se exclusivamente ao julgamento social e basicamente estavam relacionadas com a possibilidade de se determinar o grau de acurácia na identificação das cenas. Como em nenhuma das análises os resultados se referiram exclusivamente à identificação da mentira, poder-se-ia argumentar que a identificação da verdade é bastante diferenciada da identificação da mentira, pois ao falarem a verdade as pessoas estão sempre obtendo o feedback do seu julgamento, o que não ocorre no caso da mentira. De fato, as pessoas obtêm feedback quanto à verdade, e a ausência de feedback dificulta uma maior acurácia na identificação da mentira? Para eludir tal dúvida, conduzimos uma análise adicional comparando os dados das condições em que as personagens estavam falando a verdade ou mentindo. Conforme se observa na tabela 4 , existe de fato uma diferença entre estas duas condições, embora ela seja marginal no experimento 1.

Cabe perguntar se os resultados apresentados na tabela 4 interferem nas análises conduzidas para o caso das hipóteses anteriores. Análises conduzidas com a ANOVA nos resultados não mostraram qualquer efeito da condição experimental áudio e vídeo ou exclusivamente vídeo (F (1,38) = ,414 , p = .524, no experimento 1; F (1,118) = ,584 , p =.446, no experimento 2), sugerindo que a presença de informações adicionais não interfere em nada na maior acurácia na identificação da verdade do que da mentira. Em seguida, conduzimos uma série de testes t para medidas repetidas, com a finalidade de identificar alguma diferença na avaliação do valor de verdade das cenas em que adultos e crianças eram apresentados falando a verdade ou mentindo. Os resultados dessas análises evidenciaram que a faixa etária também não interferiu nessa tendência, pois as médias obtidas para crianças e adultos falando a verdade (1,30 e 1,27, respectivamente) e mentindo (1,07 e 1,20, respectivamente) não diferiram estatisticamente entre si.

Análises semelhantes conduzidas levando em consideração a variável gênero evidenciaram uma diferença significativa apenas em um par de condições, personagem masculina mentindo x personagem feminina falando a verdade (1,12 x 1,40 ; t (39) = 2,131 , p <.05), o que não parece ser suficiente para violar a regra geral de que a verdade é mais facilmente identificada do que a mentira.

Estes resultados parecem ser compatíveis com os argumentos oriundos da teoria sobre o crer, que sugere uma forte tendência em inicialmente acreditar no que diz o interlocutor e apenas posteriormente avaliar de forma mais crítica os argumentos com a finalidade de colocar o julgamento em suspenso. Afora isso, não se pode deixar de considerar a questão da economia no processamento cognitivo das informações, uma vez que as informações são representadas primeiro como verdadeiras e, somente nas circunstâncias em que o percebedor se sinta disposto à questioná-las é que poderá vir a representá-las como possivelmente falsas.

Hipóteses acerca dos efeitos dos estereótipos no julgamento social

No caso da hipótese 5, a comparação do índice de erros na avaliação de cenas protagonizadas por personagens masculinas e femininas permitiu identificar uma significância marginal no teste t para medidas repetidas (t(39) = p < .067) exclusivamente no caso de personagens do gênero feminino, o que parece indicar uma tendência de serem cometidos mais erros do tipo Emv no caso das mulheres.

No caso do experimento 2, os resultados também apontam a impossibilidade de se identificar o erro em função do gênero do personagem, conforme se observa na tabela 6

Quanto aos erros relativos às cenas de personagens adultas e crianças, a hipótese 6 postulava que seriam cometidos mais erros do tipo Emv no caso de crianças e do Evm no caso de adultos. A tabela 7 sintetiza os resultados do experimento e evidencia que o tipo de erro independe da faixa etária do participante.

Conforme se observa na tabela 7, os resultados do experimento 2 também não confirmam a hipótese, tanto no caso dos adultos quanto no caso das crianças. É importante assinalar que, no caso das crianças, em ambos os experimentos a direção dos dados foi compatível com a hipótese, mas a diferença não foi estatisticamente significativa.

Em relação às categorias profissionais não houve confirmação da hipótese 7, tanto no que se refere às categorias confiáveis quanto às não confiáveis. Os índices de erros concernentes às personagens confiáveis e não confiáveis mentindo não se afastam do que seria esperado por acaso. Em contrapartida, observou-se que a tendência ao erro é menor que o acaso quando as personagens confiáveis e não confiáveis estão dizendo a verdade (Evm = 0,79 e 0,87 respectivamente). Houve, ainda, significância quanto aos erros na avaliação das cenas em que as personagens confiáveis estão mentindo e os participantes consideram que estão falando a verdade (p=.004).

Embora não tenhamos encontrado diferenças significativas quando avaliamos as diferenças entre personagens confiáveis e não confiáveis, ao avaliar as personagens confiáveis, em relação a quando estão dizendo a verdade ou quando estão mentindo, constamos que se erra mais quando a personagem está mentindo (t(119) = 2,930 , p <.05).

CONCLUSÕES

Os resultados dos testes das sete hipóteses identificaram alguns padrões interessantes a respeito da avaliação da acurácia na identificação da mentira e da influência dos estereótipos nessa tarefa. Sobre o primeiro grupo de hipóteses, observamos que oferecer um número maior de informações não significa necessariamente aumentar a acurácia na identificação da verdade ou da mentira. De modo geral, os resultados indicam uma leve tendência à acurácia e sugerem que esta tendência independe da natureza dos canais de comunicação envolvidos.

Sobre os canais de comunicação envolvidos, poderíamos pensar, em futuras investigações, que uma maior tipificação visual do personagem apresentado no experimento possa favorecer a expressão dos elementos visuais e sonoros.

No segundo grupo de hipóteses, ficou evidente que a acurácia é influenciada de forma pouco significativa pela categoria social representada na cena, fosse ela diferenciada por gênero, por faixa etária ou pelo grau de confiança depositado nos membros da categoria. Em certo sentido, estes resultados podem sugerir que as crenças a respeito dessas categorias são bem menos influentes que os elementos visuais e auditivos presentes nas cenas apresentadas aos participantes dos dois experimentos.

Devido ao baixo impacto exercido pela categoria social, podemos averiguar nos próximos estudos a possibilidade de a estereotipização ocorrer em subgrupos, ao invés de grupos sociais maiores. Um exemplo disso é que a diferença não significativa dos resultados do experimento 2 pode sugerir que as crianças não seriam confiáveis em si e pode revelar uma provável existência de estereótipos ligados à subgrupos (crianças mentirosas, por exemplo).

No terceiro grupo de hipóteses, encontramos indicadores que parecem sugerir que as crenças estereotipadas sobre as categorias sociais não parecem ser suficientemente fortes para distorcer os julgamentos e influenciar os tipos de erros que imaginamos que seriam cometidos pelos participantes da pesquisa. Devemos levar em conta, também, que no geral, os participantes tendem a acreditar no relato dos personagens, pois tendemos a confiar no depoimento das pessoas, exceto nos casos em que disponhamos de indícios de que os fatos não se passaram da maneira relatada ou que a pessoa apresentar um histórico do comportamento de mentir.

Esses resultados apontam para a necessidade de conduzir novas pesquisas capazes de responder a algumas questões que permanecem em aberto. Uma dessas questões relaciona-se com o tipo de conteúdo apresentado nas cenas, que de certa forma pode ser considerado como neutro para o participante da pesquisa. Acreditamos que, se conteúdos mais significativos forem objetos de julgamento, o julgamento dos participantes pode vir a ser influenciado na direção postulada pela hipótese. Outra questão a ser considerada é a da diferença na acurácia da identificação de mentira ou verdade quando as informações são veiculadas num plano interativo ou quando a informação é unidirecional, como o foi no caso do desenho da presente investigação, pois questionar, observar como o outro sujeito responde, produzir uma determinada situação e analisar a resposta dada podem ser considerados elementos decisivos na identificação da mentira.

De maneira geral, poderíamos pensar que a falta de corroboração das hipóteses relativas aos estereótipos pode ser explicada por alguns fatores. Podemos supor que não exista uma visão estereotipada a respeito dos grupos estudados, o que não nos parece plausível, devido ao enorme impacto exercido pelos estereótipos no cotidiano. Sendo assim, parece-nos que uma explicação mais pertinente reside na ausência de ativação ou na dificuldade de aplicação dos estereótipos. Enfim, é possível que questões de natureza metodológica, relacionadas, por exemplo, com a seleção e alocação dos participantes às condições experimentais, assim como problemas inerentes ao instrumento de coleta de dados, possam ter causado alguma interferência na expressão dos resultados.

Recebido em 21/01/2005

Aceito em 07/07/2005

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  • Endereço para correspondência

    Marcos Emanoel Pereira
    Rua Rodrigo Argolo, 293 / 502
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  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      25 Set 2006
    • Data do Fascículo
      Abr 2006

    Histórico

    • Aceito
      07 Jul 2005
    • Recebido
      21 Jan 2005
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