Sexting e Violência de Gênero entre Jovens: Uma Revisão Integrativa de Literatura

Lara Souza Sílvia Renata Magalhães Lordello Sobre os autores

Abstract

This review aimed to systematize the studies on sexting and gender violence published between 2000 and 2016 in national and international journals. The search was performed in the databases - BVS-Psi, Psychlit, Medline, LILACS, and Oasis. We found 383 articles. After applying the exclusion criteria, 21 articles were analyzed. The results showed that sexting is not an a priori risk factor. The risk is related to variables such as the content of the messages, when it expresses violence, and age of the practitioners, indicating that the younger the age the greater the risk. It has been found that there are modalities related to gender violence, such as revenge pornography and slut-shaming, but these contents are not inherent to sexting.

Keywords
sexting; integrative review; gender violence; teens; online sex; youth

Resumo

Esta revisão teve como objetivo sistematizar os estudos sobre sexting e violência de gênero publicados entre 2000 e 2016 em revistas nacionais e internacionais. A busca foi realizada nas bases de dados - BVS- Psi, Psychlit, Medline, LILACS e Oasis. Foram encontrados 383 artigos. Aplicados os critérios de exclusão, foram analisados 21 artigos. Os resultados evidenciaram que o sexting não é um fator de risco a priori. O risco está relacionado a variáveis como conteúdo das mensagens, quando expressam violência, e idade dos praticantes, indicando que, quanto menor a idade, maior o risco. Encontrou-se que existem modalidades relacionadas à violência de gênero, como pornografia de vingança e slut-shaming, porém esses conteúdos não são inerentes ao sexting.

Palavras-chave
sexting; revisão integrativa; violência de gênero; adolescentes; online sex; jovens

O cenário atual nos desafia a compreender a presença da tecnologia como uma das principais mediadoras dos relacionamentos afetivos. Os progressos tecnológicos favoreceram o acesso aos equipamentos em diferentes classes sociais e possibilitaram que o uso dos dispositivos online fosse ampliado rapidamente e impactasse o público que interage por essa via, sobretudo adolescentes e jovens adultos (Brown & Bobkowski, 2011Brown, J. D., & Bobkowski, P. S. (2011). Older and newer media: Patterns of use and effects on adolescent’s health and well-being. Journal of Research on Adolescence, 21(1), 95-113. https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010.00717.x
https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010...
; Ybarra & Mitchell, 2014*Ybarra, M. L., & Mitchell, K. J. (2014). “Sexting” and its relation to sexual activity and sexual risk behavior in a national survey of adolescents. Journal of Adolescent Health, 55, 757-764. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.07.012
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). Um dos comportamentos que requer atenção nesse campo é a prática do sexting, bastante comum entre os jovens na condução de seus relacionamentos, sejam eles de natureza efêmera ou consolidada (Drouin et al., 2013Drouin, M., Vogel, K. N., Surbey, A., & Stills, J. R. (2013). Let’s talk about sexting, baby: Computer-mediated sexual behaviors among young adults. Computers in Human Behavior, 29, 25-30. https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.03...
).

As mídias sociais apresentam vantagens para crianças e adolescentes, como aprimorar a comunicação, a conexão social e outras habilidades. Observa-se que sua frequência de uso tem aumentado significativamente. No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017 apontou que 74,9 % da população brasileira possui acesso à internet (IBGE, 2018Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2018). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Author.). Os jovens de 20 a 24 anos foram o grupo com maior proporção de uso (88,4%), seguido pelo grupo entre 18 e 19 anos (88,1%). Destaca-se que essa proporção foi maior que 70% em todos os grupos da faixa etária entre 10 e 24 anos. A pesquisa indicou que o celular se tornou a principal forma de acessar a internet em todas as regiões do país, sendo o equipamento mais usado para acessar a internet no domicílio em 97,0% da população e o único meio de acesso em 43,3% das residências. Esses dados chamam atenção para o crescimento do alcance da internet no país em diferentes faixas etárias e classes econômicas. Ademais, 95,5% das pessoas com mais de 10 anos que acessaram a internet em 2017 afirmaram que o fizeram para enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos de mensagens, excluindo aplicativos de e-mail.

Os avanços tecnológicos têm provocado mudanças significativas e estruturais em diferentes áreas sociais e industriais (Argento et al., 2016Argento, E., Taylor, M., Jullimore, J., Taylor, C., Jennex, J., Krusi, A., & Shannon, K. (2016). The loss of Boystown and transition to online sex work: Strategies and barriers to increase safety among men sex workers and clients of men. American Journal of Men’s Health, 12(6), 1994-2005. https://doi.org/10.1177/1557988316655785
https://doi.org/10.1177/1557988316655785...
). Essas mudanças geram impacto nas vidas online e off-line das pessoas, uma vez que permitem acesso a maior diversidade de conteúdos, contato com pessoas distantes, relacionamentos online, modificações da visão de mundo e de comunidade (O'Keeffe & Clarke-Pearson, 2012O'Keeffe, G. S., & Clarke-Pearson, K. (2012). The impact of social media on children, adolescents, and families. American Academy of Pediatrics, 127(4), 800-804. https://doi.org/10.1542/peds.2011-0054
https://doi.org/10.1542/peds.2011-0054...
). A tecnologia tornou-se, então, uma importante forma de iniciar e manter relacionamentos afetivos. Korenis e Billick (2014Korenis, P., & Billick, S. B. (2014). Forensic Implications: Adolescent sexting and cyberbullying. The Psychiatric Quarterly, 85, 97-101. https://doi.org/10.1007/s11126-013-9277-z
https://doi.org/10.1007/s11126-013-9277-...
) apontam que a construção da sexualidade e da identidade dos jovens atualmente está significativamente ligada à internet e aos celulares. Assim, a tecnologia também passou a representar uma maneira de iniciar e manter relacionamentos sexuais a partir do sexting (Drouin, Ross, & Tobin, 2015Drouin, M., Ross, J., & Tobin, E. (2015). Sexting: A new, digital vehicle for intimate partner aggression?. Computers in Human Behavior, 50, 197-204. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.00...
).

O termo sexting é considerado um neologismo do século XXI, que une as expressões sex, referente a sexo, à expressão texting, referente à mensagem, reunindo, em sua significação, a troca interpessoal de textos autoproduzidos e sexualizados em seu conteúdo, podendo ou não ser acrescidos de imagens por fotos e vídeos transmitidas por telefones celulares e internet (Albury, Crawford, Byron, & Mathews, 2013Albury, K., Crawford, K., Byron,P., & Mathews, B. (2013).Young people and sexting in Australia. Ethics, Representation, and the Law. University of New South Wales. https://core.ac.uk/download/pdf/30677128.pdf
https://core.ac.uk/download/pdf/30677128...
). No Brasil, a expressão sexting é associada ao envio de imagens do corpo, popularmente conhecido como “nudes”, gíria utilizada por jovens para fazer referência às imagens com conteúdo sexual recebidas ou enviadas. Estudos internacionais têm se preocupado com a temática do sexting e suas repercussões na vida dos adolescentes e jovens (Albury et al., 2013Albury, K., Crawford, K., Byron,P., & Mathews, B. (2013).Young people and sexting in Australia. Ethics, Representation, and the Law. University of New South Wales. https://core.ac.uk/download/pdf/30677128.pdf
https://core.ac.uk/download/pdf/30677128...
; Draper, 2012Draper, N. (2012). Is your teen at risk? Discourses of adolescent sexting in United States television news.Journal of Children and Media, 6, 221-236. https://doi.org/10.1080/17482798.2011.587147
https://doi.org/10.1080/17482798.2011.5...
; Doring, 2014Döring, N. (2014). Consensual sexting among adolescents: Risk prevention through abstinence education or safer sexting?Cyberpsychology: Journal of Psychosocial Research on Cyberspace, 8(1), article 9.https://doi.org/10.5817/CP2014-1-9
https://doi.org/10.5817/CP2014-1-9...
; Ferguson, 2011Ferguson, C. (2011). Sexting behaviors among young Hispanic women: Incidence and association with other high-risk sexual behaviors.The Psychiatric Quarterly, 82, 239-243. https://doi.org/10.1007/s11126-010-9165-8
https://doi.org/10.1007/s11126-010-9165-...
; Mitchell et al., 2012*Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Jones, L. M., &Wolak, J. (2012). Prevalence and characteristics of youth sexting: A national study. Pediatrics, 129(1), 13-20. https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730...
), mas há divergência entre os resultados.

No campo dos relacionamentos afetivos, o meio virtual tem criado terminologias diversificadas. Para a compreensão do sexting, é preciso diferenciá-lo de outras expressões que também se articulam ao meio virtual, mas que apresentam peculiaridades. O cyberbullying, por exemplo, é o bullying praticado pela via digital. É uma forma de agressão repetida, intencionalmente ofensiva e que envolve relação de poder sobre a vítima. O sexting pode vir a se tornar cyberbullying, caso os conteúdos sexuais das mensagens sejam divulgados sem autorização e conhecimento do parceiro que as enviou (Bauman, 2015Bauman, S. (2015). Cyberbullying and sexting: School mental health concerns. In R. H. Witte & S. G. Mosley-Howard (Eds.), Mental health practice in today’s schools: Issues and interventions (pp. 241-264). Springer Publishing.). Há outros termos também relacionados, como a pornografia de vingança, que envolve o compartilhamento virtual intencional de cenas e imagens íntimas, sem consentimento, com vistas a causar constrangimento nas vítimas. As imagens podem ser conseguidas com ou sem a permissão da vítima, geralmente em um contexto de relacionamento, por exemplo, namoro ou casamento (Citron & Franks, 2014Citron, D. K., & Franks, M. A. (2014). Criminalizing revenge porn. Wake Forest Law Review, 49, 345-391. ). Outro conceito importante é o slut-shaming, uma versão sexista de bullying, que trata da exposição feminina nomeando mulheres como vulgares. Gong e Hoffman (2012Gong, L., & Hoffman, A. (2012) Sexting and slut-shaming: Why prosecution of teen self-sexters harms women. Georgetown Journal of Gender and the Law, 13, 577-669.) definem o slut-shaming como insultos de conteúdo sexual - como comportamento sexual não aprovado socialmente - que possuem o intuito de envergonhar ou degradar a pessoa criticada. Esses insultos adjetivam a expressão da sexualidade feminina como provocativa e promíscua, desqualificando mulheres que se envolvem em determinadas atividades sexuais. Considerado um bullying tipicamente direcionado às mulheres, o slut-shaming alerta para a violência de gênero presente em seus conteúdos (Gong & Hoffman, 2012Gong, L., & Hoffman, A. (2012) Sexting and slut-shaming: Why prosecution of teen self-sexters harms women. Georgetown Journal of Gender and the Law, 13, 577-669.). O objetivo desta revisão de literatura é apresentar o panorama do sexting em sua relação com a violência de gênero, visando compreender de que maneira a violência de gênero em relacionamentos afetivos influencia o comportamento de sexting.

Sexting e Violência de Gênero: Compreendendo a Dinâmica

A dinâmica do sexting ainda é pouco conhecida e permeada por diversos estereótipos, principalmente acerca de quem são os usuários dessa prática. Drouin et al. (2013Drouin, M., Vogel, K. N., Surbey, A., & Stills, J. R. (2013). Let’s talk about sexting, baby: Computer-mediated sexual behaviors among young adults. Computers in Human Behavior, 29, 25-30. https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.03...
) realizaram um estudo com estudantes universitários, a maioria heterossexual, com o intuito de investigar a atual conjuntura em que o sexting ocorre. Nessa pesquisa, os participantes responderam a um survey online, que continha perguntas sobre (1) o tipo de relacionamento mantido pelas pessoas envolvidas - namoro, sexo casual ou extraconjugal; (2) o tipo de sexting - texto, vídeo, foto, ato sexual por telefone ou vídeo de ato sexual ao vivo via Skype; (3) o conteúdo das fotos ou vídeos - nudez completa ou parcial, ato sexual com outra pessoa ou sozinho, pose sugestiva; (4) a mídia usada para enviar as mensagens; (5) a motivação para enviar as mensagens; (6) os riscos percebidos e reais.

Os resultados da pesquisa de Drouin et al. (2013Drouin, M., Vogel, K. N., Surbey, A., & Stills, J. R. (2013). Let’s talk about sexting, baby: Computer-mediated sexual behaviors among young adults. Computers in Human Behavior, 29, 25-30. https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.03...
) evidenciaram que o sexting ocorre em diferentes tipos de relacionamentos, apesar de ser mais recorrente em relacionamentos consolidados como namoro ou casamento. O celular é o meio mais comum de transmitir mensagens de conteúdos sexuais, mas não é o único. As mensagens de texto são o tipo de sexting mais usual e, em casos de fotos ou vídeos, o conteúdo mais frequente é nudez parcial ou pose sugestiva. As motivações variaram de acordo com o tipo de relacionamento, no entanto, as mais indicadas, em geral, foram flerte, pedido do parceiro e iniciar relação sexual posterior. A exposição da intimidade foi o risco mais encontrado e esteve associado às relações de sexo casual e extraconjugais. Esses resultados são semelhantes aos encontrados por outros autores, indicando que essas podem ser características comuns à dinâmica do sexting (Houck et al., 2016Houck, C.D., Barker, D., Rizzo, C., Hancock, E., Norton, A., & Brown, L. K. (2016). Sexting and Sexual Behavior in At-Risk Adolescents. Pediatrics, 133, 276-282. https://doi.org/10.1542/peds.2013-1157
https://doi.org/10.1542/peds.2013-1157...
; Mitchell et al., 2012*Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Jones, L. M., &Wolak, J. (2012). Prevalence and characteristics of youth sexting: A national study. Pediatrics, 129(1), 13-20. https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730...
).

Em relação aos riscos associados à prática do sexting, um possível risco é o uso da violência e da coerção para obrigar o parceiro a enviar mensagens de conteúdo sexual (Drouin et al., 2015Drouin, M., Ross, J., & Tobin, E. (2015). Sexting: A new, digital vehicle for intimate partner aggression?. Computers in Human Behavior, 50, 197-204. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.00...
; Morelli et al., 2016*Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Sexting, psychological distress and dating violence among adolescents and young adults. Psicothema, 28(2), 137-142. https://doi.org/10.7334/psicothema2015.193
https://doi.org/10.7334/psicothema2015.1...
). Como apontam Drouin et al. (2015Drouin, M., Ross, J., & Tobin, E. (2015). Sexting: A new, digital vehicle for intimate partner aggression?. Computers in Human Behavior, 50, 197-204. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.00...
), é comum observar múltiplas formas de violências entre parceiros românticos. Com o aumento de sexting entre parceiros românticos, torna-se relevante observar se a coerção para a prática do sexting já pode ser considerada uma nova forma de violência conjugal. Assim, essas autoras realizaram um estudo com estudantes universitários heterossexuais em relacionamentos consolidados para investigar se a coerção para o comportamento de sexting está relacionada à coerção sexual e à violência física entre parceiros. Os resultados desse estudo revelaram que um em cada cinco participantes já praticou sexting sem querer fazê-lo e que mais mulheres relataram já ter vivido essa situação, sugerindo que é comum haver coerção na prática de sexting em relacionamentos afetivos e que existe uma diferença de gênero nesse cenário. As participantes mulheres também demonstraram maior trauma ao longo do tempo após terem sido coagidas a praticar sexting. O estudo também demonstrou que a correlação entre coerção para o comportamento de sexting e o sexting indesejado foi maior para participantes mulheres, indicando novamente que há diferença de gênero no fenômeno. Ademais, foi encontrada uma correlação positiva significativa entre coerção para a prática de sexting e outras formas de violência.

A violência de gênero relacionada ao sexting também foi apontada no estudo de Morelli et al. (2016Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Not-allowed sharing of sexts and dating violence from the perpetrator's perspective: The moderation role of sexism. Computers in Human Behavior, 56, 163-169. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.11.047
https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.11.04...
). A pesquisa foi realizada com adolescentes e jovens adultos, que responderam questionários sobre comportamento de sexting, violência no namoro e sexismo ambivalente. Este se refere ao sexismo hostil e sexismo benevolente. O sexismo hostil se refere à crença da inferioridade das mulheres, gerando a ideia de que mulheres devem ser dominadas (Morelli et al., 2016*Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Sexting, psychological distress and dating violence among adolescents and young adults. Psicothema, 28(2), 137-142. https://doi.org/10.7334/psicothema2015.193
https://doi.org/10.7334/psicothema2015.1...
). Já o sexismo benevolente se constitui pelas crenças de que a diferença entre gêneros é complementar e inclui pensamentos paternalistas acerca de mulheres, como a ideia de que mulheres precisam ser cuidadas por homens (Swim & Hyers, 2009Swim, J. K., & Hyers, L.L. (2009). Sexism. In T. D. Nelson (Ed.), Handbook of prejudice, stereotyping, and discrimination (pp. 407-430). Psychology Press Taylor & Francis Group. https://doi.org/10.4324/9781841697772
https://doi.org/10.4324/9781841697772...
). Os autores encontraram que o encaminhamento de mensagens de sexting a terceiros está positivamente correlacionado à violência no namoro e ao sexismo hostil e benevolente, sendo essa situação mais comum entre adolescentes que entre jovens adultos. Esse resultado e os resultados do estudo de Drouin et al. (2015Drouin, M., Ross, J., & Tobin, E. (2015). Sexting: A new, digital vehicle for intimate partner aggression?. Computers in Human Behavior, 50, 197-204. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.00...
) indicam que a violência de gênero está relacionada ao comportamento de sexting, seja na coerção para enviar mensagens ou no risco de exposição das mensagens.

Por outro lado, Lee e Crofts (2015Lee, M., & Crofts, T. (2015). Gender, pressure, coercion and pleasure: Untangling motivations for sexting between young people. The British Journal of Criminology, 55(3), 454-473. https://doi.org/10.1093/bjc/azu075
https://doi.org/10.1093/bjc/azu075...
) realizaram uma revisão da literatura sobre sexting e afirmaram que há um julgamento moral associado ao estudo do fenômeno. Isto porque os artigos em geral tratam do sexting como uma prática exclusivamente perigosa, colocando-o como um fator de risco em muitos programas de educação sexual. Essa visão é problematizada por vários autores em virtude de os participantes dos seus estudos declararem que o sexting faz parte de seus relacionamentos e nem todos os casos contenham indicativos de coerção (Drouin et al., 2013Drouin, M., Vogel, K. N., Surbey, A., & Stills, J. R. (2013). Let’s talk about sexting, baby: Computer-mediated sexual behaviors among young adults. Computers in Human Behavior, 29, 25-30. https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.03...
; Lee & Crofts, 2015Lee, M., & Crofts, T. (2015). Gender, pressure, coercion and pleasure: Untangling motivations for sexting between young people. The British Journal of Criminology, 55(3), 454-473. https://doi.org/10.1093/bjc/azu075
https://doi.org/10.1093/bjc/azu075...
; Mitchell et al., 2012*Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Jones, L. M., &Wolak, J. (2012). Prevalence and characteristics of youth sexting: A national study. Pediatrics, 129(1), 13-20. https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730...
). Essas e outras problematizações serão contempladas neste estudo.

Método

Foi realizada uma revisão integrativa (Beya & Nicoll, 1998Beyea, S. C., & Nicoll, L.H. (1998). Writing in integrative review. AORN Journal, 67, 877-880. https://doi.org/10.1016/S0001-2092(06)62653-7
https://doi.org/10.1016/S0001-2092(06)62...
), obedecendo às seguintes etapas: (a) formulação e delimitação do objetivo de pesquisa; (b) definição das bases de dados; (c) escolha das palavras-chave para busca; (d) busca e organização dos resultados; (e) seleção dos artigos a partir dos critérios de inclusão e exclusão; (f) obtenção dos dados dos artigos selecionados; (g) categorização dos artigos e (h) interpretação dos dados. Foram consultadas cinco bases de dados - BVS- Psi, Psychlit, Medline, LILACS, Oasis. Em virtude de o sexting ter sido muito recentemente configurado como objeto de estudo, as bases foram escolhidas com intuito de compreender como o fenômeno é visto pela psicologia. Para as buscas, foram utilizados os descritores: (cyberbullying) AND (cyber sex); (cyberbullying) AND (online sex); (cyber sex) AND (online sex); "sexting" AND "cyberbullying"; (sexting) AND (cyberbullying); (sexting) AND (online sex); (sexting) AND (cyber sex). A busca foi realizada no mês de julho de 2016.

Os artigos encontrados foram analisados de acordo com o resumo. Estabeleceu-se como critérios de inclusão que os estudos fossem empíricos e publicados a partir do ano 2000. Foram aceitos artigos escritos em inglês, português ou espanhol. Contudo, foram mantidas as palavras-chave apenas em inglês devido ao fato de os termos associados ao sexting serem mais utilizados nesse idioma e à falta de tradução dos termos buscados, como sexting e cyberbullying. Para exclusão, os critérios foram: artigos repetidos nas bases de dados; artigos não disponíveis na internet; capítulos de livros, teses e dissertações; resumos e trabalhos publicados em congressos; estudos que não estabeleciam relações entre sexting, cyberbullying e violência de gênero, ainda que abordassem esses temas. Segundo os critérios de inclusão e exclusão, os artigos selecionados foram lidos e analisados por dois juízes independentes.

Após avaliação dos juízes e utilizando os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 21 artigos. Foram realizadas análises quantitativas e qualitativas dos estudos encontrados. O ano de publicação do artigo, o país de origem do estudo, o delineamento utilizado e as características dos participantes foram analisados quantitativamente.

Resultados

Foram encontrados nas bases selecionadas 383 artigos condizentes com os critérios estabelecidos para busca. Os resultados específicos de cada plataforma foram: Psychlit (n = 145); Medline (n = 92); BVS- Psi (n = 76); LILACS (n = 50) e Oásis (n = 20).

A análise do ano de publicação apresentou os seguintes resultados: 2003 (1 artigo); 2007 (1 artigo); 2010 (1 artigo); 2011 (3 artigos); 2013 (4 artigos); 2014 (4 artigos); 2015 (3 artigos); 2016 (4 artigos). Os resultados do país de origem revelaram os seguintes países: Estados Unidos (10 artigos); Espanha (2 artigos); Austrália (1 artigo); Itália (1 artigo); Holanda (1 artigo); México (1 artigo); Nigéria (1 artigo); Portugal (1 artigo); Suécia (1 artigo). Dois artigos foram de origem multinacional, ambos realizados em países da Europa. Os delineamentos utilizados nos estudos foram predominantemente quantitativos (14 estudos, 66,7%). O segundo delineamento mais usual foi o misto (4 estudos, 19%) e, por fim, o delineamento qualitativo (3 estudos, 14,3%). As abordagens metodológicas e amostras dos estudos encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1
Descrição dos Artigos Utilizados na Revisão, com Delineamento e Amostra

Acerca das características das amostras verificou-se que a maioria dos estudos foi realizado apenas com adolescentes (12 estudos, 57,1%), seguido de estudos exclusivos sobre jovens adultos (6 estudos, 28,6%) e estudos mistos com adolescentes e jovens adultos (3 estudos, 14,3%). Dois estudos incluíram adultos acima de 25 anos em suas amostras, sendo um exclusivo de jovens adultos e um misto. Em relação à sexualidade dos participantes, observaram-se 11 estudos em que não foi declarada a orientação sexual dos participantes (52,4%); oito estudos em que a maioria dos participantes era heterossexual (38,1%), sendo dois deles exclusivamente com participantes heterossexuais; um estudo feito exclusivamente com homens homossexuais (4,8%); e um estudo em que havia o mesmo número de participantes heterossexuais e lésbicas, gays, bissexuais e de outras identidades não heterossexuais (4,8%). A declaração do estado civil não foi solicitada em 16 estudos (76,2%), porém um deles exigia que os participantes já tivessem tido um relacionamento anteriormente. Em três estudos, os participantes declararam relacionamento atual ou recente (14,3%), em um desses estudos a amostra foi delimitada para adultos que declararam relacionamento estável com duração superior a três anos. Em dois estudos (9,5%), foram admitidas como participantes pessoas solteiras e em relacionamentos curtos ou estáveis.

Para as análises posteriores, os artigos foram agrupados de acordo com seus objetivos. As categorias representativas desses agrupamentos foram: (1) Motivações para o sexting e percepções acerca do fenômeno - três estudos; (2) Assédio online, bullying e cyberbullying - quatro estudos; (3) Comportamentos de risco e vulnerabilidades psicossociais - três estudos; (4) Sexting e diferenças etárias - um estudo; (5) Violência, gênero e conteúdo do sexting - quatro estudos; (6) Sexting, comportamentos sexuais online e off-line - seis estudos.

Categoria 1: Motivações para o Sexting e Percepções Acerca do Fenômeno

Esta categoria contém os estudos que tiveram como objetivo investigar as motivações para os comportamentos de sexting e as percepções que os jovens têm desse fenômeno. As pesquisas revelaram que os jovens não se consideram como praticantes de sexting, apesar de apresentarem comportamentos condizentes com o fenômeno. As motivações mais citadas para envio de sexting foram pressão de parceiros ou pares; estar sob efeito de álcool; desejo de correr riscos e curiosidade; enviar foto como brincadeira; troca de fotos entre amigos em grupos de redes sociais; não compreender as fotos ou mensagens como sexting; chamar atenção; estar entediado; excitar a outra pessoa; ser moda entre jovens; influência de filmes que assistem (Alonso-Ruido et al., 2015*Alonso-Ruido, P., Rodríguez-Castro, Y., Pérez- André, C., & Magalhães, M. J. (2015). Estudio cualitativo en un grupo de estudiantes ourensanos/as sobre el fenómeno del sexting. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, (13), 58-62. https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13.319
https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13...
; Mejía-Soto, 2014*Mejía-Soto, G. (2014). Sexting: Una modalidad cada vez más extendida de violencia sexual entre jóvenes. Perinatología Reproducción Humana, 28(4), 217-221. https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/...
; Walker et al., 2013*Walker, S., Sanci, L., & Temple-Smith, M. (2013). Sexting: young women's and men's views on its nature and origins. Journal of Adolescent Health, 52(6), 697-701. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.01.026
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). A pressão para se engajar no sexting foi um resultado significativo nos três estudos e foram apontadas diferenças de gênero acerca do tópico. Em dois estudos, encontrou-se que as garotas são mais pressionadas, chantageadas, vítimas de vingança e punidas quando o conteúdo do sexting é exposto (Mejía-Soto, 2014*Mejía-Soto, G. (2014). Sexting: Una modalidad cada vez más extendida de violencia sexual entre jóvenes. Perinatología Reproducción Humana, 28(4), 217-221. https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/...
; Walker et al., 2013*Walker, S., Sanci, L., & Temple-Smith, M. (2013). Sexting: young women's and men's views on its nature and origins. Journal of Adolescent Health, 52(6), 697-701. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.01.026
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). Enquanto os garotos são vistos como másculos ou não sofrem nenhuma punição, as garotas relataram perda de reputação, serem vistas como responsáveis por possíveis divulgações do sexting e expulsão da escola que frequentavam. Contudo, os garotos também reportaram sofrerem pressão, majoritariamente advinda de outros garotos, para engajamento no sexting e para divulgar sexting que receberam. Os participantes adolescentes relataram que o envolvimento com o sexting se deve à falta de consciência sobre as possíveis consequências negativas da prática.

Categoria 2: Assédio Online, Bullying e Cyberbullying

Nesta categoria, foram incluídos os artigos que tiveram como objetivo explorar como ocorrem o assédio online, o bullying e o cyberbullying e quais seus possíveis impactos e consequências. O estudo de Olumide et al. (2015*Olumide, A. O., Adams, P., & Amodu, O. K. (2015). Awareness and context of cyberharassment among secondary school students in Oyo state, Nigeria. Journal of Adolescence, 39, 10-14. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2014.12.001
https://doi.org/10.1016/j.adolescence.20...
) avaliou o conhecimento de adolescentes acerca do assédio online e como ele ocorre. Os comportamentos mais reportados como assédio online foram: uso de palavras abusivas; dizer coisas dolorosas/maldosas; fazer piada sobre a vítima; abusos/ insultos em relacionamentos; fazer solicitações de relacionamentos; solicitar sexo; espalhar rumores sobre as vítimas, com conteúdo sexual ou não; enviar fotos/vídeos indesejados sexualmente explícitos; manipulação de imagem pessoal sexualmente explícita ou não; invadir o computador de outras pessoas e postar conteúdo sexualmente explícito.

Outro estudo investigou se o assédio online ocorre simultaneamente a outras formas de vitimização off-line (Mitchell et al., 2011*Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Jones, L. M., &Wolak, J. (2012). Prevalence and characteristics of youth sexting: A national study. Pediatrics, 129(1), 13-20. https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730...
). A maioria dos participantes afirmou não ter sofrido vitimizações online. Porém, 96% dos participantes que afirmaram que já tinham sofrido relataram também ter experienciado alguma vitimização off-line. As vitimizações off-line mais relacionadas com vitimizações online eram de natureza sexual, psicológica e emocional. Em relação aos impactos nas vidas das vítimas, encontrou-se que vítimas online relataram taxas significativas de sintomas de trauma, delinquência e adversidades na vida. No entanto, essas consequências foram mais fortemente relacionadas às vitimizações off-line sofridas no último ano e mais frequentes para mulheres.

Outro estudo comparou a frequência com que a vitimização e a perpetração de assédio online e de solicitação de sexo indesejada ocorrem (Ybarra et al., 2007*Ybarra, M. L., Espelage, D. L., & Mitchell, K. J. (2007). The co-occurrence of internet harassment and unwanted sexual solicitation victimization and perpetration: associations with psychosocial indicators. Journal of Adolescent Health, 41(6S), S31-S41. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2007.09.010
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.200...
). Apesar de as pesquisas relatadas anteriormente considerarem a solicitação de sexo como uma forma de assédio online, nesta pesquisa, a solicitação e o assédio foram considerados dois fenômenos diferentes. Os resultados revelaram que 34% dos participantes foram vítimas de assédio online pelo menos uma vez no último ano e 8% afirmaram ser vítimas mensalmente ou em maior frequência. Acerca da perpetração, 22% relataram já ter perpetrado assédio online pelo menos uma vez no último ano e 4% perpetraram mensalmente ou em maior frequência. O envolvimento em solicitação sexual indesejada foi menos frequente: 15% afirmaram ter sido vítimas pelo menos uma vez no último ano e 3%, mensalmente ou mais; 3% enviaram solicitação sexual indesejada pelo menos uma vez no último ano e 1% enviou mensalmente ou mais. Em relação à frequência dos fenômenos, observou-se que o assédio online foi mais relatado tanto por vítimas quanto por perpetradores. Entretanto, todos os adolescentes que afirmaram ter perpetrado a solicitação indesejada de sexo também relataram ter se envolvido em outras formas de vitimização ou perpetração online. O envolvimento com os dois fenômenos estava associado com maior presença de vulnerabilidade psicossocial.

Os resultados da pesquisa que avaliou os impactos gerados por bullying e cyberbullying revelaram que há relação entre bullying e ideação suicida, mas não foi constatada associação entre cyberbullying e ideação suicida (Bannink et al., 2014*Bannink, R., Broeren, S., van de Looij-Jansen, P. M., de Waart, F. G., & Raat, H. (2014). Cyber and traditional bullying victimization as a risk factor for mental health problems and suicidal ideation in adolescents. PLoS One, 9(4), 94026. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0094026
https://doi.org/10.1371/journal.pone.009...
). No entanto, notou-se que adolescentes vítimas dos dois tipos de bullying apresentam mais ideação suicida. Foram encontradas diferenças de gênero em relação aos impactos desses fenômenos. Para os garotos, não foram observadas relações entre saúde mental e bullying ou cyberbullying. Para as garotas, tanto bullying quanto cyberbullying estavam associados a problemas de saúde mental. Além disso, mais garotas apresentaram ideação suicida.

Categoria 3: Comportamentos de Risco e Vulnerabilidades Psicossociais

Nesta categoria, foram compilados os artigos que investigaram a relação entre sexting, comportamentos sexuais de risco e vulnerabilidades psicossociais (Benotsch et al., 2013*Benotsch, E. G., Snipes, D. J., Martin, A. M., & Bull, S. S. (2013). Sexting, substance use, and sexual risk behavior in young adults. Journal of Adolescent Health, 52(3), 307-13. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2012.06.011
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
; Jonsson et al., 2015*Jonsson, L. S., Bladh, M., Priebe, G., & Svedin, C. G. (2015). Online sexual behaviours among Swedish youth: Associations to background factors, behaviours and abuse. European Child & Adolescent Psychiatry, 24(10), 1245-60. https://doi.org/10.1007/s00787-015-0673-9
https://doi.org/10.1007/s00787-015-0673-...
; Ybarra, & Mitchell, 2014*Ybarra, M. L., & Mitchell, K. J. (2014). “Sexting” and its relation to sexual activity and sexual risk behavior in a national survey of adolescents. Journal of Adolescent Health, 55, 757-764. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.07.012
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). Os resultados indicaram que a maioria dos participantes desses estudos afirmou não se engajar em sexting ou outras atividades sexuais online. Contudo, os jovens que declararam envolvimento nessas práticas apresentaram mais fatores de vulnerabilidade psicossocial, como uso de substâncias recente, baixa autoestima, histórias pregressas de abuso físico e sexual. O sexting também foi relacionado a comportamentos sexuais de risco, como sexo sem proteção e ter múltiplos parceiros. Encontrou-se também que uma quantidade considerável de participantes afirmou ter praticado sexting antes de ter relação sexual com a pessoa com quem trocou mensagens. Ademais, um dos estudos apontou que mulheres praticam mais sexting que homens e que adolescentes mais velhos também apresentam frequência maior de sexting que adolescentes mais novos (Ybarra & Mitchell, 2014*Ybarra, M. L., & Mitchell, K. J. (2014). “Sexting” and its relation to sexual activity and sexual risk behavior in a national survey of adolescents. Journal of Adolescent Health, 55, 757-764. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.07.012
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). Esses resultados revelam diferenças de gênero e de faixa etária na dinâmica do fenômeno.

Categoria 4: Sexting e Diferenças Etárias

Esta categoria é composta por apenas um estudo que teve como objetivo avaliar as diferenças na prática do sexting no início e no fim da adolescência, verificando se o sexting é um comportamento problemático e se seus impactos variam a depender da idade de quem pratica (Ševčíková, 2016*Ševčíková, A. (2016). Girls' and boys' experience with teen sexting in early and late adolescence. Journal of Adolescence, 51, 156-162. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2016.06.007
https://doi.org/10.1016/j.adolescence.20...
). Apesar de apenas um artigo se incluir nessa categoria, considerou-se importante o destaque desses resultados visto que outros estudos encontraram diferenças significativas no funcionamento do sexting decorrentes das diferenças etárias dos participantes. A pesquisa foi realizada com adolescentes subdivididos em quatro grupos: meninas mais novas (11 a 14 anos), meninas mais velhas (15 e 16 anos), meninos mais novos (11 a 14 anos) e meninos mais velhos (15 e 16 anos). Os resultados dessa pesquisa revelaram que o sexting estava associado ao uso de álcool e a problemas emocionais em todas as idades. Entretanto, constatou-se diferenças de idade e de gênero acerca da prática de sexting e de sexo vaginal: meninos - mais novos e mais velhos - que praticavam sexo vaginal enviavam mais sexting. Entre as meninas, essa correlação foi verdadeira apenas para meninas mais velhas. Observou-se, também, que, entre meninos mais novos, o sexting estava relacionado à percepção de autoeficácia do adolescente: meninos mais novos com percepção de autoeficácia maior se engajam mais em sexting que meninos da mesma idade com percepção de autoeficácia mais baixa. Essa relação não foi observada entre meninos mais velhos ou entre meninas de qualquer idade.

Categoria 5: Violência, Gênero e Conteúdo do Sexting

Nesta categoria, foram agrupados os estudos que analisaram como a violência - especialmente violência no namoro - relaciona-se ao sexting e impacta sua dinâmica. Dois estudos investigaram se a violência no namoro ou a ansiedade na relação impactavam o nível de estresse psicológico da vítima e como esses fatores se relacionam à prática de sexting. Os resultados do primeiro apontaram que mais homens que mulheres praticam sexting e indicaram que pessoas praticantes de sexting em frequência alta ou moderada cometem mais violência no namoro on e off-line. Porém, não foram encontradas diferenças no estresse psicológico entre usuários de baixa, moderada e alta frequência (Morelli et al., 2016*Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Sexting, psychological distress and dating violence among adolescents and young adults. Psicothema, 28(2), 137-142. https://doi.org/10.7334/psicothema2015.193
https://doi.org/10.7334/psicothema2015.1...
). O segundo estudo não encontrou diferenças de gênero no engajamento em diferentes tipos de sextings, exceto no envio de mensagens propondo sexo: homens enviam mais mensagens desse tipo (Weisskirch, Drouin, & Delevi, 2016*Weisskirch, R. S., Drouin, M., & Delevi, R. (2016). Relational anxiety and sexting. Journal of Sex Research, 54(6), 685-693. https://doi.org/10.1080/00224499.2016.1181147
https://doi.org/10.1080/00224499.2016.11...
). No entanto, foram observadas diferenças de gênero acerca da ansiedade no namoro: mulheres tiveram taxas maiores de estresse na escala de ansiedade no namoro. A pesquisa investigou diferentes aspectos de ansiedade em relacionamento: o medo de avaliação negativa, o estresse no namoro, o nível de comprometimento e a evitação de compromisso. Foi observada uma relação entre ansiedade na relação e envio de sexting. O medo de avaliação negativa foi preditor de envio de fotos e vídeos com conteúdo de nudez e envio de mensagens propondo sexo. Os resultados revelaram uma relação entre o nível de compromisso com o parceiro para a prática de sexting e um agrupamento dos seguintes fatores de ansiedade social: evitação de compromisso; medo de avaliação negativa; estresse no namoro. Para pessoas com altos índices de evitação de compromisso, medo de avaliação negativa e estresse no namoro, o nível de comprometimento era mais necessário para o envio de: foto/vídeo sugestivos, foto/vídeo em roupas íntimas, mensagem sugestiva e mensagem propondo sexo. Esses dados indicam que pessoas que possuem esses três fatores de ansiedade social precisam de maior nível de comprometimento para esses comportamentos de sexting.

Outros dois estudos avaliaram as relações entre abuso físico, sexual e não físico online e off-line (Bonomi et al., 2013*Bonomi, A. E., Anderson, M. L., Nemeth, J., Rivara, F. P., & Buettner, C. (2013). History of dating violence and the association with late adolescent health. BMC Public Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821...
; Zweig et al., 2013*Zweig, J. M., Dank, M., Yahner, J., & Lachman, P. (2013). The rate of cyber dating abuse among teens and how it relates to other forms of teen dating violence. Journal of Youth Adolescence, 42(7), 1063-77. https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-8.
https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-...
). Os tipos de abuso mais relatados foram: mensagens e ligações indesejadas; insultos e xingamentos; parceiro entrar na rede social do adolescente sem permissão; parceiro enviar mensagens e e-mails para iniciar atos sexuais que o adolescente não desejava; parceiro pressionar o adolescente a enviar foto sexualizada ou de nudez; mensagens ameaçadoras do parceiro. Nas duas pesquisas, foram observadas diferenças de gênero em relação aos tipos de abuso e à frequência de vitimização. Mulheres são mais vítimas de abusos online, sexuais ou não.

Os resultados de Bonomi et al. (2013*Bonomi, A. E., Anderson, M. L., Nemeth, J., Rivara, F. P., & Buettner, C. (2013). History of dating violence and the association with late adolescent health. BMC Public Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821...
) revelaram que 25,3% das mulheres participantes da pesquisa já haviam sido coagidas verbalmente para praticar atos sexuais indesejados e 5,4% já haviam sido fisicamente forçadas a atos desse tipo. Entre os homens, essas porcentagens foram reduzidas para 9,4% e 0,7%. As mulheres também foram mais frequentemente vítimas de abusos não físicos em geral (mulheres - 64,6%; homens - 56,4%). Abusos como xingamentos e depreciações foram experienciados por 34,3% das mulheres e por 17,9% dos homens. As mulheres também foram mais vítimas de gritos e insultos, embora esse tipo de abuso também tenha sido frequente entre homens (mulheres - 47,6%; homens - 40,7%).

No estudo de Zweig et al. (2013*Zweig, J. M., Dank, M., Yahner, J., & Lachman, P. (2013). The rate of cyber dating abuse among teens and how it relates to other forms of teen dating violence. Journal of Youth Adolescence, 42(7), 1063-77. https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-8.
https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-...
), realizado com adolescentes, a violência física no namoro foi a única forma de abuso que os meninos relataram sofrer mais que as meninas. Mulheres relataram perpetrar mais abuso sem conteúdo sexual e homens relataram perpetrar mais abuso sexual. Encontrou-se, também, que perpetradores de abuso sexual online tem 17 vezes mais chances de perpetrarem coerção sexual que não perpetradores de abuso sexual online. Os resultados sugerem que existe uma associação entre diferentes formas de abusos exclusivamente online e entre abusos online e off-line. Vítimas de abuso sexual online relataram em maior frequência terem sido vítimas de outras formas de abuso online, violência física, violência psicológica e coerção sexual. Vítimas de abuso online sem conteúdo sexual também relataram outras formas de violência no namoro mais do que não-vítimas. Além disso, vítimas de abuso sexual online reportam sete vezes mais vitimização por coerção sexual que não-vítimas de abuso sexual online.

No estudo de Bonomi et al. (2013*Bonomi, A. E., Anderson, M. L., Nemeth, J., Rivara, F. P., & Buettner, C. (2013). History of dating violence and the association with late adolescent health. BMC Public Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821...
) verificou-se, ainda, uma relação entre vitimização e impactos na saúde e nos comportamentos sexuais, sendo possível observar diferenças nos resultados a depender do gênero da vítima. Mulheres vítimas de abuso físico ou sexual no namoro apresentam maior risco de fumar, apresentar sintomas depressivos e transtornos alimentares, bem como de ter comportamento sexual frequente, quando comparadas com mulheres que não foram vítimas. Mulheres que foram vítimas de abuso não físico no namoro manifestam maior risco de fumar, apresentar sintomas depressivos e transtornos alimentares, ter mais de cinco parceiros sexuais e praticar sexo anal que mulheres que não foram vítimas. Não foram observadas diferenças na saúde entre homens que sofreram abuso físico ou sexual no namoro e homens que não sofreram. Homens que foram vítimas de abuso não físico no namoro demonstram mais risco de fumar e apresentar transtornos alimentares comparados com homens que não foram vítimas.

Categoria 6: Sexting, Comportamentos Sexuais Online e Off-line

Essa categoria foi considerada a mais inclusiva por abordar o tema sexting e comportamentos sexuais que apresentam grande diversidade em suas caracterizações. Entre os comportamentos sexuais investigados nas pesquisas, estão: o consumo regular de pornografia, a sexualidade dos usuários, o uso das redes sociais, o tipo de relacionamento que os usuários mantêm com as pessoas para quem enviam o sexting e as adições ao cybersex (Ballester-Arnal et al., 2010*Ballester-Arnal, R., Gil Llario, M. D., Martínez, S. G., & Gil Juliá, B. (2010). Propiedades psicométricas de un instrumento de evaluación de la adicción al cibersexo. Psicothema, 22(4), 1048-1053. http://www.psicothema.com/psicothema.asp?id=3839
http://www.psicothema.com/psicothema.asp...
; Bauermeister et al., 2014*Bauermeister, J. A., Yeagley, E., Meanley, S., & Pingel, E. S. (2014). Sexting among young men who have sex with men: Results from a national survey. Journal of Adolescent Health, 54(5), 606-611. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.10.013
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
; Carvalheira & Allen- Gomes, 2003*Carvalheira, A. A., & Allen- Gomes, F. (2003). Cybersex in Portuguese chatrooms: A study of sexual behaviors related to online sex. Journal of Sex and Marital Therapy, 29(5), 345-360. https://doi.org/10.1080/00926230390224729
https://doi.org/10.1080/0092623039022472...
; Dowdell et al., 2011*Dowdell, E. B., Burgess, A. W., & Flores, J. R. (2011). Original research: Online social networking patterns among adolescents, young adults, and sexual offenders. American Journal of Nursing, 111(7), 28-36. https://doi.org/10.1097/01.NAJ.0000399310.83160.73
https://doi.org/10.1097/01.NAJ.000039931...
; Grov et al., 2011*Grov, C., Gillespie, B. J., Royce, T., & Lever, J. (2011) Perceived consequences of casual online sexual activities on heterosexual relationships: A U.S. Online survey. Archives of Sexual Behavior, 40(2), 429-439. https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-...
; Stanley et al., 2016*Stanley, N., Barter, C., Wood, M., Aghtaie, N., Larkins, C., Lanau, A., & Overlien, C. (2016). Pornography, sexual coercion and abuse and sexting in young people's intimate relationships: A European study. Journal of Interpersonal Violence, 33(19), 2919-2944. https://doi.org/10.1177/0886260516633204
https://doi.org/10.1177/0886260516633204...
). A categoria expressa a amplitude do universo do sexting em suas variações. Os resultados apontaram que o consumo de pornografia é maior entre meninos e que há impacto sobre o sexting e sobre o comportamento sexual off-line, na medida em que alimenta a coerção sexual e a resposta feminina a esse ato (Stanley et al., 2016*Stanley, N., Barter, C., Wood, M., Aghtaie, N., Larkins, C., Lanau, A., & Overlien, C. (2016). Pornography, sexual coercion and abuse and sexting in young people's intimate relationships: A European study. Journal of Interpersonal Violence, 33(19), 2919-2944. https://doi.org/10.1177/0886260516633204
https://doi.org/10.1177/0886260516633204...
).

Outro resultado peculiar diz respeito ao estudo sobre homens que praticam sexo com homens, pois se encontrou que os homens ativos na penetração enviam sexting em maior frequência (Bauermeister et al., 2014*Bauermeister, J. A., Yeagley, E., Meanley, S., & Pingel, E. S. (2014). Sexting among young men who have sex with men: Results from a national survey. Journal of Adolescent Health, 54(5), 606-611. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.10.013
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). Em outra pesquisa, objetivou-se estudar como é o uso da internet por parte de ofensores sexuais e de adolescentes. Acerca do uso por parte dos ofensores sexuais são destacados como comportamentos sexuais usuais: a preferência por meninas adolescentes, as identidades falsas como estratégia de aproximação e a introdução da temática sexual desde o primeiro contato. Em relação ao uso de internet por parte dos adolescentes, os participantes revelaram que não consideram ser praticantes do sexting, apresentando variações: meninas têm mais conhecimento sobre o tema, meninos praticam mais (Dowdell et al., 2011*Dowdell, E. B., Burgess, A. W., & Flores, J. R. (2011). Original research: Online social networking patterns among adolescents, young adults, and sexual offenders. American Journal of Nursing, 111(7), 28-36. https://doi.org/10.1097/01.NAJ.0000399310.83160.73
https://doi.org/10.1097/01.NAJ.000039931...
).

O estudo sobre atividades sexuais online realizado com adultos heterossexuais em relacionamentos estáveis apontou que essas atividades em frequência baixa ou moderada produzem benefícios tanto para homens quanto para mulheres como aumento de qualidade e frequência do sexo e aumento da intimidade com o parceiro real (Grov et al., 2011*Grov, C., Gillespie, B. J., Royce, T., & Lever, J. (2011) Perceived consequences of casual online sexual activities on heterosexual relationships: A U.S. Online survey. Archives of Sexual Behavior, 40(2), 429-439. https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-...
). No entanto, esse estudo revelou diferenças de gênero acerca do envolvimento com atividades sexuais online: homens se envolvem mais e por mais tempo nessas atividades, relatam mais sentimentos positivos em relação ao envolvimento de parceiros (as) em atividades sexuais online, afirmaram ser mais críticos aos corpos de parceiros (as) e se sentirem menos excitados com sexo ‘real’. As mulheres relataram mais sentimentos negativos e preocupações em relação ao envolvimento de parceiros (as), afirmaram se sentirem mais julgadas por seus corpos e mais pressionadas acerca de suas performances sexuais.

Dois estudos foram dedicados ao cybersex e apontaram algumas especificidades: anonimato, identidade falsa, vantagem de auxiliar no relacionamento real, expressar fantasias e diminuir a inibição, com média de 2h de prática semanal (Ballester-Arnal et al., 2010*Ballester-Arnal, R., Gil Llario, M. D., Martínez, S. G., & Gil Juliá, B. (2010). Propiedades psicométricas de un instrumento de evaluación de la adicción al cibersexo. Psicothema, 22(4), 1048-1053. http://www.psicothema.com/psicothema.asp?id=3839
http://www.psicothema.com/psicothema.asp...
; Carvalheira & Allen- Gomes, 2003*Carvalheira, A. A., & Allen- Gomes, F. (2003). Cybersex in Portuguese chatrooms: A study of sexual behaviors related to online sex. Journal of Sex and Marital Therapy, 29(5), 345-360. https://doi.org/10.1080/00926230390224729
https://doi.org/10.1080/0092623039022472...
). A adição a esse comportamento foi mensurada por instrumento validado que apontou o vício em cybersex como uma nova patologia. Esse fenômeno se manifesta por comportamentos como: nome de usuário exclusivo, busca por material sexual, inclusive ilegal online, encontros sexuais marcados e tentativa de esconder histórico dos sites acessados.

Discussão

A revisão integrativa de literatura revelou que o interesse pelo tema sexting é recente, visto que apenas um artigo foi publicado anteriormente a um período de dez anos e a maioria dos estudos (81%) foi publicada após o ano de 2013. Verificou-se também que 90,5% dos estudos foi realizado em países desenvolvidos, sendo os Estados Unidos o país de maior produção. Esse resultado aponta a necessidade de mais estudos produzidos em países em desenvolvimento para verificação de diferenças culturais. É relevante destacar que não foi identificado nenhum estudo nacional ou de países sul-americanos nesta revisão.

Os resultados acerca das características das amostras revelaram que não há um padrão fixo de praticantes do sexting. O tipo de relacionamento que os participantes mantinham para a prática de sexting não foi investigado pela maior parte dos estudos, porém foram observadas diferentes motivações e dinâmicas a depender do comprometimento das pessoas que trocam essas mensagens (Grov et al., 2011*Grov, C., Gillespie, B. J., Royce, T., & Lever, J. (2011) Perceived consequences of casual online sexual activities on heterosexual relationships: A U.S. Online survey. Archives of Sexual Behavior, 40(2), 429-439. https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-...
; Weisskirch et al., 2016*Weisskirch, R. S., Drouin, M., & Delevi, R. (2016). Relational anxiety and sexting. Journal of Sex Research, 54(6), 685-693. https://doi.org/10.1080/00224499.2016.1181147
https://doi.org/10.1080/00224499.2016.11...
). Esses resultados evidenciam que o contexto de relacionamento dos praticantes pode afetar a forma como o sexting ocorre e, portanto, é importante que esse dado seja investigado por estudos da área. A idade dos participantes variou entre os estudos, porém a maior parte delimitou uma faixa etária, o que permitiu verificar que há diferenças na motivação e no risco percebido e real a depender da idade dos praticantes. Adultos e jovens adultos apontaram o sexting como manifestação afetiva dentro do relacionamento, fazendo parte dele, e os estudos com essa população não foram restritos à avaliação de riscos, o que sugere investigações com maior acuracidade nesse campo. Entretanto, foi verificada maior percepção de risco entre adolescentes (Alonso-Ruido et al., 2015*Alonso-Ruido, P., Rodríguez-Castro, Y., Pérez- André, C., & Magalhães, M. J. (2015). Estudio cualitativo en un grupo de estudiantes ourensanos/as sobre el fenómeno del sexting. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, (13), 58-62. https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13.319
https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13...
; Mejía-Soto, 2014*Mejía-Soto, G. (2014). Sexting: Una modalidad cada vez más extendida de violencia sexual entre jóvenes. Perinatología Reproducción Humana, 28(4), 217-221. https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/...
). Os adolescentes indicaram motivações que sugerem influência de pares, como brincadeiras, pressão de amigos e parceiros ou desejo de correr risco. Hasinoff (2017Hasinoff, A. A. (2017). Sexting and Privacy Violations: A Case Study of Sympathy and Blame. International Journal of Cyber Criminology, 11(2), 202-217. https://doi.org/10.5281/zenodo.1037391
https://doi.org/10.5281/zenodo.1037391...
) alerta para o fato de os adolescentes possuírem capacidade de avaliar situações, combatendo a visão de que os recursos tecnológicos atuais são os responsáveis pelos riscos em que os adolescentes se envolvem no mundo virtual. Esses resultados apontam que a idade é um fator importante para compreensão da dinâmica do sexting e essas diferenças devem ser consideradas na discussão sobre o tema.

A questão dos riscos, embora não tenha sido claramente o foco dos estudos, revela que a vulnerabilidade é um fator comum às pessoas que praticam o sexting. Isso porque as percepções a respeito dessa prática ainda se mostram distorcidas ou pouco conhecidas e não há discussão sobre o tema socialmente. O sexting, assim como outros temas relacionados à sexualidade, mantém-se entre os assuntos considerados tabus na cultura (Silva, 2008Silva, C. P. (2008). Sexualidades no ponto.com: Espaços e homossexualidades a partir de uma comunidade on-line (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual de Campinas. http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/278990/1/Silva_CarolinaParreiras_M.pdf
http://repositorio.unicamp.br/bitstream/...
). Enquanto isso, os comportamentos sexuais são naturalizados pela sociedade sem a compreensão adequada do fenômeno e sem diálogo, o que leva à procura de saciar a curiosidade em fontes não confiáveis. Em idades mais avançadas, o vício em cybersex vem sendo abordado como consequência dessa naturalização, aumentando o nível de fantasia e a exigência de gratificação sexual, que pode também ser um alerta para comportamentos e práticas de violência de gênero (Carvalheira & Allen-Gomes, 2003*Carvalheira, A. A., & Allen- Gomes, F. (2003). Cybersex in Portuguese chatrooms: A study of sexual behaviors related to online sex. Journal of Sex and Marital Therapy, 29(5), 345-360. https://doi.org/10.1080/00926230390224729
https://doi.org/10.1080/0092623039022472...
).

As diferenças de gênero na prática do sexting mostraram-se inconsistentes nesses estudos. No entanto, acerca dos possíveis impactos negativos do fenômeno foi observado que as mulheres são mais frequentemente vítimas de ações violentas, como coerção, pressão dos pares, ameaças, chantagem, vingança e punição quando o sexting é exposto (Mejía-Soto, 2014*Mejía-Soto, G. (2014). Sexting: Una modalidad cada vez más extendida de violencia sexual entre jóvenes. Perinatología Reproducción Humana, 28(4), 217-221. https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/...
; Walker et al., 2013*Walker, S., Sanci, L., & Temple-Smith, M. (2013). Sexting: young women's and men's views on its nature and origins. Journal of Adolescent Health, 52(6), 697-701. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.01.026
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
). A violência de gênero foi ilustrada de diferentes formas nos artigos que compuseram essa revisão, sendo, em comum, os danos psicológicos e sociais sobre essas mulheres (Bannink et al., 2014*Bannink, R., Broeren, S., van de Looij-Jansen, P. M., de Waart, F. G., & Raat, H. (2014). Cyber and traditional bullying victimization as a risk factor for mental health problems and suicidal ideation in adolescents. PLoS One, 9(4), 94026. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0094026
https://doi.org/10.1371/journal.pone.009...
; Grov et al., 2011*Grov, C., Gillespie, B. J., Royce, T., & Lever, J. (2011) Perceived consequences of casual online sexual activities on heterosexual relationships: A U.S. Online survey. Archives of Sexual Behavior, 40(2), 429-439. https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-...
). Vários prejuízos psicológicos, sociais e funcionais foram mencionados, como impactos na saúde mental e ideação suicida, ser vítima de insultos e xingamentos e ser vista como culpada pela exposição de fotos íntimas, além da necessidade de mudança de escola e/ou outros ambientes após ter fotos íntimas expostas. Isso deixa clara a ideia de polivitimização, ou sobreposição de violências de diferentes naturezas, às quais essas mulheres foram submetidas (Finkelhor et al., 2010Finkelhor, D; Ormrod, R. K., & Turner, H. A. (2010) Lifetime assessment of poly-victimization in a national sample of children and youth. American Journal of Preventive Medicine, 38(3), 323-330. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2008.09.012
https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2008.09...
). Associado a isso, a culpabilização da vítima tem servido como elemento amenizador da responsabilização do perpetrador. Esses resultados sugerem a presença do sexismo e da herança do patriarcado nas formas mais atuais de dominação, alertando para a necessidade de investigações mais profundas sobre o tema (Bonomi et al., 2013*Bonomi, A. E., Anderson, M. L., Nemeth, J., Rivara, F. P., & Buettner, C. (2013). History of dating violence and the association with late adolescent health. BMC Public Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821...
; Zweig et al., 2013*Zweig, J. M., Dank, M., Yahner, J., & Lachman, P. (2013). The rate of cyber dating abuse among teens and how it relates to other forms of teen dating violence. Journal of Youth Adolescence, 42(7), 1063-77. https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-8.
https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-...
).

Por se tratar de uma revisão integrativa, observa-se o esforço em articular os resultados dos estudos em torno do sexting, da forma como o fenômeno se apresenta na literatura, que, por sua diversidade, revela inconsistências. Uma hipótese é que as diferentes abordagens metodológicas e as diferentes populações às quais se destinam as pesquisas precisam ser considerados nessa avaliação sobre as inconsistências. Entretanto, a revisão integrativa assume o desafio de apresentar as potencialidades dos resultados, mas também apontar as lacunas e as necessidades de aprimoramento do conhecimento sistematizado, por meio da sugestão de estudos futuros e das questões de pesquisa que urgem no cenário psicológico, dinâmico e demandante à ciência.

Considerações Finais

A revisão integrativa permitiu reconhecer a complexidade do tema sexting e a necessidade de investigar sua manifestação nos diferentes contextos culturais. Mostrou-se o quanto se faz urgente o diálogo e a orientação em um cenário em que os relacionamentos virtuais vão se popularizando e ocupando espaços e ritmos não imaginados quanto à magnitude. A relevância metodológica aponta a sistematização das pesquisas como necessária à circunscrição do fenômeno e o delineamento de estudos futuros que objetivem uma perspectiva propositiva, focada em planejamento de intervenções. É recomendável que novas investigações sejam realizadas com o intuito de verificar a realidade de adolescentes e jovens brasileiros e os relacionamentos virtuais, analisando variáveis como: idade e tipo de relacionamento dos praticantes, mensuração de riscos, impacto da construção da masculinidade nos atos de violência.

Algumas limitações da revisão precisam ser consideradas, em virtude do desenho metodológico adotado. A exclusão de artigos que tratavam de temas tangenciais como cyberbullying e busca de parceiros online, pode ter ocasionado a perda de uma parte inicial do processo de sexting, mas esse era um recorte necessário à viabilidade do estudo. Outra limitação reconhecida foi o uso dos descritores, que podem ter sido insuficientes para abarcar toda a temática, uma vez que vários termos não apresentam tradução e variações linguísticas.

Concluímos que o artigo pode vir a colaborar com novas posturas frente ao tema. Um compromisso social parece ser oportuno com a prevenção de riscos e agravos, com o acolhimento, diálogo e orientação sobre o que está em torno do sexting. Ao contrário de atitudes polarizadas, na qual se manifestem contrários ou favoráveis, o que se postula é um esforço coletivo de compreensão que vá além da visão simplista do sexting enquanto risco ou prática.

Referências bibliográficas

  • Albury, K., Crawford, K., Byron,P., & Mathews, B. (2013).Young people and sexting in Australia. Ethics, Representation, and the Law University of New South Wales. https://core.ac.uk/download/pdf/30677128.pdf
    » https://core.ac.uk/download/pdf/30677128.pdf
  • *Alonso-Ruido, P., Rodríguez-Castro, Y., Pérez- André, C., & Magalhães, M. J. (2015). Estudio cualitativo en un grupo de estudiantes ourensanos/as sobre el fenómeno del sexting. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, (13), 58-62. https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13.319
    » https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.13.319
  • Argento, E., Taylor, M., Jullimore, J., Taylor, C., Jennex, J., Krusi, A., & Shannon, K. (2016). The loss of Boystown and transition to online sex work: Strategies and barriers to increase safety among men sex workers and clients of men. American Journal of Men’s Health, 12(6), 1994-2005. https://doi.org/10.1177/1557988316655785
    » https://doi.org/10.1177/1557988316655785
  • *Ballester-Arnal, R., Gil Llario, M. D., Martínez, S. G., & Gil Juliá, B. (2010). Propiedades psicométricas de un instrumento de evaluación de la adicción al cibersexo. Psicothema, 22(4), 1048-1053. http://www.psicothema.com/psicothema.asp?id=3839
    » http://www.psicothema.com/psicothema.asp?id=3839
  • *Bannink, R., Broeren, S., van de Looij-Jansen, P. M., de Waart, F. G., & Raat, H. (2014). Cyber and traditional bullying victimization as a risk factor for mental health problems and suicidal ideation in adolescents. PLoS One, 9(4), 94026. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0094026
    » https://doi.org/10.1371/journal.pone.0094026
  • *Bauermeister, J. A., Yeagley, E., Meanley, S., & Pingel, E. S. (2014). Sexting among young men who have sex with men: Results from a national survey. Journal of Adolescent Health, 54(5), 606-611. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.10.013
    » https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.10.013
  • Bauman, S. (2015). Cyberbullying and sexting: School mental health concerns. In R. H. Witte & S. G. Mosley-Howard (Eds.), Mental health practice in today’s schools: Issues and interventions (pp. 241-264). Springer Publishing.
  • *Benotsch, E. G., Snipes, D. J., Martin, A. M., & Bull, S. S. (2013). Sexting, substance use, and sexual risk behavior in young adults. Journal of Adolescent Health, 52(3), 307-13. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2012.06.011
    » https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2012.06.011
  • Beyea, S. C., & Nicoll, L.H. (1998). Writing in integrative review. AORN Journal, 67, 877-880. https://doi.org/10.1016/S0001-2092(06)62653-7
    » https://doi.org/10.1016/S0001-2092(06)62653-7
  • *Bonomi, A. E., Anderson, M. L., Nemeth, J., Rivara, F. P., & Buettner, C. (2013). History of dating violence and the association with late adolescent health. BMC Public Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
    » https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-821
  • Brown, J. D., & Bobkowski, P. S. (2011). Older and newer media: Patterns of use and effects on adolescent’s health and well-being. Journal of Research on Adolescence, 21(1), 95-113. https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010.00717.x
    » https://doi.org/10.1111/j.1532-7795.2010.00717.x
  • *Carvalheira, A. A., & Allen- Gomes, F. (2003). Cybersex in Portuguese chatrooms: A study of sexual behaviors related to online sex. Journal of Sex and Marital Therapy, 29(5), 345-360. https://doi.org/10.1080/00926230390224729
    » https://doi.org/10.1080/00926230390224729
  • Citron, D. K., & Franks, M. A. (2014). Criminalizing revenge porn. Wake Forest Law Review, 49, 345-391.
  • Döring, N. (2014). Consensual sexting among adolescents: Risk prevention through abstinence education or safer sexting?Cyberpsychology: Journal of Psychosocial Research on Cyberspace, 8(1), article 9.https://doi.org/10.5817/CP2014-1-9
    » https://doi.org/10.5817/CP2014-1-9
  • *Dowdell, E. B., Burgess, A. W., & Flores, J. R. (2011). Original research: Online social networking patterns among adolescents, young adults, and sexual offenders. American Journal of Nursing, 111(7), 28-36. https://doi.org/10.1097/01.NAJ.0000399310.83160.73
    » https://doi.org/10.1097/01.NAJ.0000399310.83160.73
  • Draper, N. (2012). Is your teen at risk? Discourses of adolescent sexting in United States television news.Journal of Children and Media, 6, 221-236. https://doi.org/10.1080/17482798.2011.587147
    » https://doi.org/10.1080/17482798.2011.587147
  • Drouin, M., Ross, J., & Tobin, E. (2015). Sexting: A new, digital vehicle for intimate partner aggression?. Computers in Human Behavior, 50, 197-204. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
    » https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.04.001
  • Drouin, M., Vogel, K. N., Surbey, A., & Stills, J. R. (2013). Let’s talk about sexting, baby: Computer-mediated sexual behaviors among young adults. Computers in Human Behavior, 29, 25-30. https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
    » https://doi.org/10.1016/j.chb.2012.12.030
  • Finkelhor, D; Ormrod, R. K., & Turner, H. A. (2010) Lifetime assessment of poly-victimization in a national sample of children and youth. American Journal of Preventive Medicine, 38(3), 323-330. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2008.09.012
    » https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2008.09.012
  • Ferguson, C. (2011). Sexting behaviors among young Hispanic women: Incidence and association with other high-risk sexual behaviors.The Psychiatric Quarterly, 82, 239-243. https://doi.org/10.1007/s11126-010-9165-8
    » https://doi.org/10.1007/s11126-010-9165-8
  • Gong, L., & Hoffman, A. (2012) Sexting and slut-shaming: Why prosecution of teen self-sexters harms women. Georgetown Journal of Gender and the Law, 13, 577-669.
  • *Grov, C., Gillespie, B. J., Royce, T., & Lever, J. (2011) Perceived consequences of casual online sexual activities on heterosexual relationships: A U.S. Online survey. Archives of Sexual Behavior, 40(2), 429-439. https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
    » https://doi.org/10.1007/s10508-010-9598-z
  • Hasinoff, A. A. (2017). Sexting and Privacy Violations: A Case Study of Sympathy and Blame. International Journal of Cyber Criminology, 11(2), 202-217. https://doi.org/10.5281/zenodo.1037391
    » https://doi.org/10.5281/zenodo.1037391
  • Houck, C.D., Barker, D., Rizzo, C., Hancock, E., Norton, A., & Brown, L. K. (2016). Sexting and Sexual Behavior in At-Risk Adolescents. Pediatrics, 133, 276-282. https://doi.org/10.1542/peds.2013-1157
    » https://doi.org/10.1542/peds.2013-1157
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2018). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Author.
  • *Jonsson, L. S., Bladh, M., Priebe, G., & Svedin, C. G. (2015). Online sexual behaviours among Swedish youth: Associations to background factors, behaviours and abuse. European Child & Adolescent Psychiatry, 24(10), 1245-60. https://doi.org/10.1007/s00787-015-0673-9
    » https://doi.org/10.1007/s00787-015-0673-9
  • Korenis, P., & Billick, S. B. (2014). Forensic Implications: Adolescent sexting and cyberbullying. The Psychiatric Quarterly, 85, 97-101. https://doi.org/10.1007/s11126-013-9277-z
    » https://doi.org/10.1007/s11126-013-9277-z
  • Lee, M., & Crofts, T. (2015). Gender, pressure, coercion and pleasure: Untangling motivations for sexting between young people. The British Journal of Criminology, 55(3), 454-473. https://doi.org/10.1093/bjc/azu075
    » https://doi.org/10.1093/bjc/azu075
  • *Mejía-Soto, G. (2014). Sexting: Una modalidad cada vez más extendida de violencia sexual entre jóvenes. Perinatología Reproducción Humana, 28(4), 217-221. https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
    » https://www.medigraphic.com/cgi-bin/new/resumen.cgi?IDARTICULO=56367
  • *Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Jones, L. M., &Wolak, J. (2012). Prevalence and characteristics of youth sexting: A national study. Pediatrics, 129(1), 13-20. https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
    » https://doi.org/10.1542/peds.2011-1730
  • Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Not-allowed sharing of sexts and dating violence from the perpetrator's perspective: The moderation role of sexism. Computers in Human Behavior, 56, 163-169. https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.11.047
    » https://doi.org/10.1016/j.chb.2015.11.047
  • *Morelli, M., Bianchi, D., Baiocco, R., Pezzuti, L., & Chirumbolo, A. (2016). Sexting, psychological distress and dating violence among adolescents and young adults. Psicothema, 28(2), 137-142. https://doi.org/10.7334/psicothema2015.193
    » https://doi.org/10.7334/psicothema2015.193
  • O'Keeffe, G. S., & Clarke-Pearson, K. (2012). The impact of social media on children, adolescents, and families. American Academy of Pediatrics, 127(4), 800-804. https://doi.org/10.1542/peds.2011-0054
    » https://doi.org/10.1542/peds.2011-0054
  • *Olumide, A. O., Adams, P., & Amodu, O. K. (2015). Awareness and context of cyberharassment among secondary school students in Oyo state, Nigeria. Journal of Adolescence, 39, 10-14. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2014.12.001
    » https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2014.12.001
  • *Stanley, N., Barter, C., Wood, M., Aghtaie, N., Larkins, C., Lanau, A., & Overlien, C. (2016). Pornography, sexual coercion and abuse and sexting in young people's intimate relationships: A European study. Journal of Interpersonal Violence, 33(19), 2919-2944. https://doi.org/10.1177/0886260516633204
    » https://doi.org/10.1177/0886260516633204
  • *Ševčíková, A. (2016). Girls' and boys' experience with teen sexting in early and late adolescence. Journal of Adolescence, 51, 156-162. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2016.06.007
    » https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2016.06.007
  • Silva, C. P. (2008). Sexualidades no ponto.com: Espaços e homossexualidades a partir de uma comunidade on-line (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual de Campinas. http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/278990/1/Silva_CarolinaParreiras_M.pdf
    » http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/278990/1/Silva_CarolinaParreiras_M.pdf
  • Swim, J. K., & Hyers, L.L. (2009). Sexism. In T. D. Nelson (Ed.), Handbook of prejudice, stereotyping, and discrimination (pp. 407-430). Psychology Press Taylor & Francis Group. https://doi.org/10.4324/9781841697772
    » https://doi.org/10.4324/9781841697772
  • *Walker, S., Sanci, L., & Temple-Smith, M. (2013). Sexting: young women's and men's views on its nature and origins. Journal of Adolescent Health, 52(6), 697-701. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.01.026
    » https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.01.026
  • *Weisskirch, R. S., Drouin, M., & Delevi, R. (2016). Relational anxiety and sexting Journal of Sex Research, 54(6), 685-693. https://doi.org/10.1080/00224499.2016.1181147
    » https://doi.org/10.1080/00224499.2016.1181147
  • *Ybarra, M. L., Espelage, D. L., & Mitchell, K. J. (2007). The co-occurrence of internet harassment and unwanted sexual solicitation victimization and perpetration: associations with psychosocial indicators. Journal of Adolescent Health, 41(6S), S31-S41. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2007.09.010
    » https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2007.09.010
  • *Ybarra, M. L., & Mitchell, K. J. (2014). “Sexting” and its relation to sexual activity and sexual risk behavior in a national survey of adolescents. Journal of Adolescent Health, 55, 757-764. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.07.012
    » https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.07.012
  • *Zweig, J. M., Dank, M., Yahner, J., & Lachman, P. (2013). The rate of cyber dating abuse among teens and how it relates to other forms of teen dating violence. Journal of Youth Adolescence, 42(7), 1063-77. https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-8
    » https://doi.org/10.1007/s10964-013-9922-8

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Set 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    07 Mar 2018
  • Revisado
    11 Mar 2019
  • Aceito
    25 Out 2019
Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, 70910-900 - Brasília - DF - Brazil, Tel./Fax: (061) 274-6455 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: revistaptp@gmail.com
Accessibility / Report Error