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Análise de Variáveis Prescritoras da Intenção Empreendedora de Imigrantes Brasileiros em Portugal

RESUMO

Contexto:

um novo fluxo migratório de imigrantes brasileiros em Portugal é composto por indivíduos com maior capacidade financeira e empreendedora, alto nível de qualificação profissional ou por indivíduos que buscam maior qualificação (estudantes de mestrado e doutorado e pesquisadores).

Objetivo:

o estudo busca identificar possíveis variáveis prescritoras da intenção empreendedora dos imigrantes brasileiros em Portugal, evidenciando características desse grupo.

Métodos:

foram aplicados questionários do tipo survey com 667 respondentes brasileiros habitantes de Portugal, sendo utilizadas equações logit para análise dos dados, visando aferir a relação da intenção empreendedora com as variáveis sexo, idade na chegada, nível educacional, tempo de estada no país, status do visto estudante- trabalho -turista, status de pedido de cidadania - migração definitiva. Resultados: o artigo contribui de forma teórica ao evidenciar variáveis relacionadas à intenção de empreender em uma das maiores comunidades de imigrantes brasileiros em Portugal.

Conclusão:

os achados apontam para as seguintes variáveis que tiveram influência positiva na intenção de empreender: idade na chegada, tempo no país, visto de trabalho, nível de educação, visto de turista e reivindicar cidadania. Em termos de implicações práticas, o estudo poderá embasar mecanismos de fomento.

Palavras-chave:
imigração; intenção empreendedora; fatores de influência

ABSTRACT

Context:

a new migratory flow of Brazilian immigrants in Portugal is made up of individuals with greater financial and entrepreneurial capacity, a high level of professional qualification or individuals who seek higher qualification (masters and doctoral students and researchers).

Objective:

the study seeks to identify possible variables that prescribe the entrepreneurial intention of Brazilian immigrants in Portugal, showing characteristics of this group.

Methods:

survey questionnaires were applied to 667 Brazilian respondents, inhabitants of Portugal. It was used logit equations to analyze the data, in order to assess the relationship between entrepreneurial intention and the variables gender, age at arrival, educational level, length of stay in the country, status of student-tourist-work visa - citizenship application status - permanent migration.

Results:

the article contributes in a theoretical way by highlighting variables related to the intention to undertake in one of the largest communities of Brazilian immigrants in Portugal.

Conclusion:

the findings point to the following variables that had a positive influence on the intention to undertake: age at arrival, time in the country, work visa, education level, tourist visa and claim citizenship. In terms of practical implications, the study may support funding mechanisms.

Keywords:
immigration; entrepreneurial intent; influencing factors

INTRODUÇÃO

Desde a última metade do século XIX, o início do século XX e durante muitos anos, o Brasil foi um país conhecido por receber os imigrantes provenientes de todo o mundo (Amaral, Costa, & Allgayer, 2017Amaral, A. P. M., Costa, L. R., & Allgayer, C. B. A. (2017). O brasileiro como estrangeiro: A política migratória brasileira para emigrantes. Cadernos de Direito, 17(33), 257-285. Retrieved from https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/cd/article/view/3565/2097
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). Esses fluxos migratórios ao longo dos séculos XX e XXI diminuíram, mas não cessaram. Recentemente, os refugiados incorporaram grande parte dos imigrantes, contabilizando mais de 80 mil solicitações em 2018, sendo 61.681 de venezuelanos, 7 mil de haitianos, 2.749 cubanos, 1450 chineses e 947 bengaleses (Comitê Nacional para os Refugiados, 2019Comitê Nacional para os Refugiados (2019). Refúgio em números 4ª edição. Retrieved from https://www.acnur.org/portugues/wp-content/uploads/2019/07/Refugio-em-nu%CC%81meros_versa%CC%83o-23-de-julho-002.pdf
https://www.acnur.org/portugues/wp-conte...
).

Embora mantendo o status de país receptor, a partir da década de 1980 o Brasil incrementa seu fluxo emigratório para o mundo (Castro & Castro Lima, 2018Castro, A. D. L. B., & Castro Lima, A. E. (2018). Brasileiros nos Estados Unidos - meio século (re)fazendo a América (1960-2010). Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 26(52), 273-275. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880005216
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). Segundo dados divulgados pelo Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores, 2016Ministério das Relações Exteriores. (2016). Brasileiros pelo mundo: estimativas populacionais. Retrieved from http://www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br/a-comunidade/estimativas-populacionais-dascomunidades.
http://www.brasileirosnomundo.itamaraty....
) havia pouco mais de três milhões de brasileiros vivendo no exterior em 2016. No entanto, os dados do Itamaraty não refletem o real contingente de brasileiros no exterior por dois fatores: (a) estão bastante desatualizados pois o censo completou quatro anos de sua realização, e (b) envolvem apenas os dados de imigrações oficiais, desconsiderando os fluxos migratórios irregulares ou ‘ilegais’ (Oliveira, 2008Oliveira, C. R. (2008). Determinantes das estratégias empresariais de imigrantes em Portugal. Revista Migrações, (3), 109-138. Retrieved from https://www.om.acm.gov.pt/documents/58428/183863/Migr3_Sec2_Art1_PT.pdf
https://www.om.acm.gov.pt/documents/5842...
).

Cruz, Falcão e Paula (2018)Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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, em um de seus trabalhos enfocando a emigração brasileira para Austrália, destacaram a violência e a falta de perspectivas para o crescimento profissional entre os principais fatores que levaram brasileiros a emigrarem. Estes fatores também possuem grande relevância no contexto da emigração brasileira para Portugal.

Apesar de Portugal ser um importante destino de brasileiros e de haver recente produção acadêmica presente nas principais bases indexadoras e repositórios de artigos nacionais (CAPES, Scielo Brasil, entre outras), há muitos artigos que tratam o tema com superficialidade (por exemplo, Ferreira, 2017Ferreira, A. L. G. (2017). Gestão intercultural: a adaptação de expatriados brasileiros em Portugal. E-Revista de Estudos Interculturais do CEI-ISCAP, (5), 1-21. Retrieved from https://www.iscap.pt/cei/e-rei/n5/artigos/L-Ferreira_Gestao-Intercultural-Adaptacao-de-Expatriados-Brasileiros-em-Portugal.pdf
https://www.iscap.pt/cei/e-rei/n5/artigo...
; Guedes & Marques, 2008Guedes, G. R., & Marques, D. H. F. (2016-2008). Migração e mercado de trabalho em Portugal: Uma análise comparativa entre brasileiros e africanos lusófonos. Annals of the Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, Caxambu, MG, Brazil, 16. Retrieved from http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/view/1704/1664
http://www.abep.org.br/publicacoes/index...
; Iorio & Nogueira, 2019Iorio, J. C., & Nogueira, S. G. (2019). O acolhimento de estudantes internacionais: brasileiros e timorenses em Portugal. REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 27(56), 197-215. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880005611
https://doi.org/10.1590/1980-85852503880...
; Oro, 2017Oro, A. P. (2017). Transnacionalização evangélica brasileira para Portugal: Tipologia e acomodações. Ciências Sociais e Religião, 19(26), 14-51. https://doi.org/10.22456/1982-2650.75314
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; Pereira & Esteves, 2017Pereira, S., & Esteves, A. (2017). Os efeitos da crise económica na situação laboral dos imigrantes: o caso dos brasileiros em Portugal. REMHU-Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 25(49), 135-152. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880004908.
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; Roberto & Moleiro, 2015Roberto, S., & Moleiro, C. (2015). Processos de resiliência em migrantes: Narrativas biográficas de brasileiros em Portugal. Psicologia em Estudo, 20(2), 295-307. https://doi.org/10.4025/psicolestud.v20i2.25634
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; Saturnino, 2015Saturnino, R. (2015). A construção do imaginário social dos imigrantes brasileiros em Portugal nas redes sociais da internet: O caso do Orkut (Vol. 45). Lisboa: Obsevatório das Migrações.; Vala, Brito, & Lopes, 2015Vala, J., Brito, R., & Lopes, D. (2015). Expressões dos racismos em Portugal. Lisboa: ICS Imprensa de Ciências Sociais.), sobretudo quando se trata de aspectos relativos ao empreendedorismo de imigrantes brasileiros em Portugal.

Autores como França e Padilla (2018)França, T., & Padilla, B. (2018). Imigração brasileira para Portugal: Entre o surgimento e a construção midiática de uma nova vaga. Cadernos de Estudos Sociais, 33(2). https://doi.org/10.33148/CES2595-4091v.33n.220181773
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, assim como Souza e Iorio (2018)Souza, E. J., & Iorio, J. C. (2018). A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal. Século XXI: Revista de Ciências Sociais, 8(1), 312-340. http://dx.doi.org/10.5902/2236672535676
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, destacam em seus estudos que o ressurgimento da emigração brasileira em Portugal tem características diferenciadas que abrangem não só a expressividade numérica, mas a diversidade de perfil. Este novo fluxo migratório, segundo os autores, envolvem um novo perfil dos imigrantes brasileiros, composto por indivíduos com maior capacidade financeira e empreendedora, alto nível de qualificação profissional ou por indivíduos que buscam maior qualificação (estudantes de mestrado e doutorado e pesquisadores). Aliado a esse fato, parte dos imigrantes, com idade mais avançada, usufruem da possibilidade de receberem suas aposentadorias do Brasil em solo português sem taxação (Souza & Iorio, 2018Souza, E. J., & Iorio, J. C. (2018). A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal. Século XXI: Revista de Ciências Sociais, 8(1), 312-340. http://dx.doi.org/10.5902/2236672535676
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). Outrossim, ainda há espaço para a realização de estudos aprofundados, que permitam constatar de forma mais detalhada a natureza e composição dos fluxos, bem como evidenciar fatores que levam à intenção de empreender dos imigrantes brasileiros em solo português. Ademais, com o crescimento do fluxo migratório, o número de brasileiros barrados em Portugal também cresce, a exemplo do que começou a ser relatado por Machado (2005)Machado, I. J. de R. (2005). Implicações da imigração estimulada por redes ilegais de aliciamento. O caso dos brasileiros em Portugal. Ilha Revista de Antropologia, 7(1, 2), 187-212. Retrieved from https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/1585/1343
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e Peixoto (2007)Peixoto, J. (2007). Tráfico, contrabando e imigração irregular: os novos contornos da imigração brasileira em Portugal. Sociologia, Problemas e Práticas, (53), 71-90. Retrieved from http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65292007000100004&lng=pt&tlng=pt.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?scri...
.

Com base nessas lacunas acima apresentadas, os autores do presente artigo propuseram ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico uma pesquisa que analisasse as características empreendedoras dos brasileiros residentes em Portugal. Com a aprovação do referido projeto, os mesmos deram início à realização de uma survey no destino com amostragem de respondentes significativa. A partir dessa etapa, uma série de entrevistas em profundidade vem sendo conduzida visando complementar essa abordagem quantitativa, embora não tenha sido utilizada no presente artigo. No entanto, para o presente artigo, a triangulação dos dados da survey foi realizada por meio de relatos extraídos de grupos de Whatsapp de brasileiros buscando informações para emigrarem para Portugal.

Muitos imigrantes veem no empreendedorismo uma alternativa ao emprego local (Portes & Zhou, 1992Portes, A., & Zhou, M. (1992). Gaining the upper hand: Economic mobility among immigrant and domestic minorities. Ethnic and Racial Studies, 15(4), 491-522. https://doi.org/10.1080/01419870.1992.9993761
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). Esse fenômeno do empreendedorismo de imigrantes brasileiros não é diferente, e vem sendo estudado há algumas décadas por autores como Sasaki (1999)Sasaki, E. M. (1999). Movimento dekassegui: A experiência migratória e identitária dos brasileiros descendentes de japoneses no Japão. In: R. R. Reis & T. Sales (Orgs.), Cenas do Brasil migrante (pp. 243-74). São Paulo: Boitempo., Sales e Loureiro (2004)Sales, T., & Loureiro, M. (2004). Imigrantes brasileiros adolescentes e de segunda geração em Massachusetts, EUA. Revista Brasileira de Estudos de População, 21(2), 217-239. Retrieved from https://www.rebep.org.br/revista/article/view/270
https://www.rebep.org.br/revista/article...
, Margolis (2013)Margolis, M. L. (2013). Goodbye, Brazil: emigrantes brasileiros no mundo. São Paulo: Editora Contexto., Cruz, Falcão e Barreto (2017)Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2017, January). Bounded trust or mistrust - depicting brazilian immigrant entrepreneurship practices in the US. Poster presented at the United States Association for Small Business and Entrepreneurship (USASBE) Annual Conference, Philadelphia, United States of America, 32., enunciando os diversos negócios e estratégias empreendedoras para clientes locais ou co-étnicos. Uma série de fatores explicam o desempenho de empreendedores (Dolhey, 2019Dolhey, S. (2019). A bibliometric analysis of research on entrepreneurial intentions from 2000 to 2018. Journal of Research in Marketing and Entrepreneurship, 21(2), 180-199. https://doi.org/10.1108/JRME-02-2019-0015
https://doi.org/10.1108/JRME-02-2019-001...
; Lerner, Brush, & Hisrich, 1997Lerner, M., Brush, C., & Hisrich, R. (1997). Israeli women entrepreneurs: An examination of factors affecting performance. Journal of Business Venturing, 12(4), 315-339. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(96)00061-4
https://doi.org/10.1016/S0883-9026(96)00...
): motivações e objetivos individuais; aprendizagem social (Adekiya & Ibrahim, 2016Adekiya, A. A., & Ibrahim, F. (2016). Entrepreneurship intention among students. The antecedent role of culture and entrepreneurship training and development. The International Journal of Management Education, 14(2), 116-132. http://dx.doi.org/10.1016%2Fj.ijme.2016.03.001
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) e experiências do início da vida (Schoon & Duckworth, 2012Schoon, I., & Duckworth, K. (2012). Who becomes an entrepreneur? Early life experiences as predictors of entrepreneurship. Developmental Psychology, 48(6), 1719-1726. https://doi.org/10.1037/a0029168
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); redes de afiliação, capital humano e influências ambientais (Brockhaus & Horwitz, 1986Brockhaus, R. H., & Horwitz, P. S. (1986). The psychology of the entrepreneur. In D. L. Sexton & R.W. Smilor (Eds.), The art and science of entrepreneurship (pp. 25-48). Cambridge, MA: Ballinger.; Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
https://ssrn.com/abstract=1505240...
; Porfírio, Carrilho & Mónico, 2016Porfírio, J. A., Carrilho, T., & Mónico, L. S. (2016). Entrepreneurship in different contexts in cultural and creative industries. Journal of Business Research, 69(11), 5117-5123. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2016.04.090
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; Santos, Caetano, Spagnoli, Costa, & Neumeyer, 2017Santos, S. C., Caetano, A., Spagnoli, P., Costa, S. F., & Neumeyer, X. (2017). Predictors of entrepreneurial activity before and during the european economic crisis. International Entrepreneurship and Management Journal, 13(4), 1263-1288. https://doi.org/10.1007/s11365-017-0453-8
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). Já quanto às motivações e objetivos individuais, há as psicológicas (Brockhaus & Horwitz, 1986Brockhaus, R. H., & Horwitz, P. S. (1986). The psychology of the entrepreneur. In D. L. Sexton & R.W. Smilor (Eds.), The art and science of entrepreneurship (pp. 25-48). Cambridge, MA: Ballinger.), as relativas às oportunidades (Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
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) ou ligadas a questões de autoestima (Miskin & Rose, 1990Miskin, V., & Rose, J. (1990). New venture initiation: Factors influencing success. Journal of Small Business Strategy, 1(2), 1-9. Retrieved from https://libjournals.mtsu.edu/index.php/jsbs/article/view/224
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).

Percebe-se que muitas pesquisas a respeito de intenção empreendedora estão associadas a variáveis ligadas aos traços de personalidade e mindset empreendedor (por exemplo, Baum & Locke, 2004Baum, J. R., & Locke, E. A. (2004). The relationship of entrepreneurial traits, skill, and motivation to subsequent venture growth. Journal of Applied Psychology, 89(4), 587-598. https://doi.org/10.1037/0021-9010.89.4.587
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; Dolhey, 2019Dolhey, S. (2019). A bibliometric analysis of research on entrepreneurial intentions from 2000 to 2018. Journal of Research in Marketing and Entrepreneurship, 21(2), 180-199. https://doi.org/10.1108/JRME-02-2019-0015
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; Pfeifer, Šarlija, & Zekić-Sušac, 2016Pfeifer, S., Šarlija, N., & Zekić-Sušac, M. (2016). Shaping the entrepreneurial mindset: Entrepreneurial intentions of business students in Croatia. Journal of Small Business Management, 54(1), 102-117. https://doi.org/10.1590/10.1111/jsbm.12133
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). Ademais, empiricamente sabe-se que variáveis situacionais (como status de emprego ou nível educacional) ou individuais (como características demográficas ou traços de personalidade) são preditores fracos (Krueger, Reilly, & Carsrud, 2000Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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; Yukongdi & Lopa, 2017Yukongdi, V., & Lopa, N. (2017). Entrepreneurial intention: A study of individual, situational and gender differences, Journal of Small Business and Enterprise Development, 24(2), 333-352. https://doi.org/10.1108/JSBED-10-2016-0168
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). Ou seja, prever atividades empresariais modelando apenas fatores situacionais ou pessoais geralmente resulta em poder explicativo pequeno e validade preditiva ainda menor. No entanto, dados secundários sociodemográficos e situacionais dos imigrantes estão muitas vezes disponíveis em bases de dados governamentais, e questionários ou censos de imigrantes são mais facilmente implementáveis do que pesquisas de traços de personalidade e mindset empreendedor. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo determinar que variáveis seriam estatisticamente relevantes para prever se um imigrante brasileiro em Portugal poderia se tornar (ou se tornou) empreendedor. Por meio da análise de dados estatísticos derivados das surveys, propôs-se estruturar uma equação logit incluindo variáveis como sexo, idade na chegada, nível educacional, tempo de estada no país estrangeiro até o momento da pesquisa, status de seu visto (estudante, de trabalho ou de turista), status de reivindicação de cidadania ou de migração definitiva.

A seguir são apresentadas as seções de referencial teórico, metodologia, resultados e discussão, incluindo o histórico das migrações e suas motivações, Brasil e Portugal dentro do contexto migratório, principais teorias a respeito do empreendedorismo de imigrantes e sobre fatores relacionados à intenção e sucesso ao empreender.

REFERENCIAL TEÓRICO

Histórico das migrações e suas motivações

Os movimentos migratórios fazem parte da história da humanidade, sendo que ainda na Era Paleolítica já se configuravam migrações dos hominídeos que eram nômades, fazendo com que mudassem de região quando se esgotavam os alimentos de onde estavam estabelecidos (Appel, 2017Appel, T. N. (2017). Dos caçadores-coletores aos grandes impérios: Interpretando o aumento da complexidade social à luz da teoria da evolução (Doctoral dissertation). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional, Rio de Janeiro, RJ, Brazil. Retrieved from https://docplayer.com.br/55635236-Dos-cacadores-coletores-aos-grandes-imperios-interpretando-o-aumento-da-complexidade-social-a-luz-da-teoria-da-evolucao.html
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). A descoberta de como manipular o fogo e a divisão do trabalho entre homens (caçadores) e mulheres (coletoras) foram duas questões críticas para a mudança da fixação dos povos: de nomadismo para o sedentarismo. Além disso, a tecnologia nascente de produção de ferramentas permitiu o desenvolvimento de habilidades para a construção de abrigos, confecção de vestuário e tratamento das carnes caçadas (Leopoldi, 2004Leopoldi, J. S. (2004). As relações de gênero entre os caçadores-coletores. Sociedade e Cultura, 7(1), 61-73. https://doi.org/10.5216/sec.v7i1.925
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). Já com o surgimento do conceito de Estado Moderno (Bresser-Pereira, 2017Bresser-Pereira, L. C. (2017). Estado, Estado-Nação e formas de intermediação política. Lua Nova, (100), 155-185. https://doi.org/10.1590/0102-155185/100
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; Maluf, 2018Maluf, S. (2018). Teoria geral do Estado. São Paulo: Editora Saraiva.) na Europa Ocidental (século XV), configuram-se as migrações entre países ou nações. Diferente do que acontecia até meados do século XX, quando ainda se identificavam as chamadas migrações planejadas, com objetivo de defesa do território nacional criando núcleos coloniais de povoamento (Vilione, 2017Vilione, J. L. (2017). A colônia japonesa em Presidente Prudente: Sua trajetória, relação com o estado e a sociedade local (1908-1947) (Masters’ thesis). Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, Brasil.), na atualidade a movimentação de pessoas pelo globo é alvo de muita discussão e controvérsia.

Os primeiros estudos sociológicos a respeito da imigração ressaltam o tema da assimilação cultural. Alba e Nee (1997)Alba, R., & Nee, V. (1997). Rethinking assimilation theory for a new era of immigration. International Migration Review, 31(4), 826-874. http://dx.doi.org/10.2307/2547416
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, por exemplo descrevem a teoria do melting pot e a ideia de que uma assimilação completa das culturas nos nativos por parte dos imigrantes poderia gerar “uma nação composta por uma raça completamente nova que acabaria afetando as mudanças no cenário mundial por meio de sua força de trabalho e sua subsequente posteridade” (Gloor, 2006Gloor, L. B. (2006). From the melting pot to the tossed salad metaphor: Why coerce?. Hohonu: A Journal of Academic Writing, 4(1), 29-32. Retrieved from https://hilo.hawaii.edu/campuscenter/hohonu/volumes/documents/Vol04x06FromtheMeltingPot.pdf
https://hilo.hawaii.edu/campuscenter/hoh...
, p. 29). Outras teorias e conceitos são propostos, particularmente destacando-se o Salad Bowl, ou Salad Pot, ou teoria do mosaico cultural (Mahfouz, 2013Mahfouz, S. M. (2013). America’s melting pot or the salad bowl: The stage immigrant’s dilemma. Journal of Foreign Languages, Cultures & Civilizations, 1(2), 1-17. Retrieved from http://jflcc.com/journals/jflcc/Vol_1_No_2_December_2013/1.pdf
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). Na noção do Salad Bowl várias culturas permanecem distintas e não se fundem em uma única sociedade homogênea. Os imigrantes assimilam parcialmente a nova cultura, mas, ao mesmo tempo, mantêm certas práticas de seu velho mundo (Mahfouz, 2013Mahfouz, S. M. (2013). America’s melting pot or the salad bowl: The stage immigrant’s dilemma. Journal of Foreign Languages, Cultures & Civilizations, 1(2), 1-17. Retrieved from http://jflcc.com/journals/jflcc/Vol_1_No_2_December_2013/1.pdf
http://jflcc.com/journals/jflcc/Vol_1_No...
). Alguns, no entanto, optam por viver uma vida à margem, em enclaves étnicos onde podem manter sua cultura quase intacta (Mata, 2007Mata, I. (2007). Re-thinking the immigrant narrative in a global perspective: representations of labor, gender and im/migration in contemporary cultural productions (Doctoral dissertation). University of California, San Diego, CA, USA. Retrieved from https://escholarship.org/uc/item/7kd5n568
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).

De fato, certos elementos são cruciais para a compreensão da imigração: (a) sua motivação, ou seja, causas atraentes da nação anfitriã ou causas repulsivas da nação de origem; (b) a duração do processo, seja temporária ou permanente; (c) o espaço, interno (dentro de um país) ou externo (no exterior); (d) a forma, seja voluntária ou forçada; e (e) o controle, seja pelo ingresso legal ou clandestino (Menezes, 2012Menezes, M. A. D. (2012). Migrações e mobilidades: repensando teorias, tipologias e conceitos. In P. E. Teixeira, A. M. da C. Braga, & R. Baeninger (Orgs.), Migrações: Implicações passadas, presentes e futuras. Marília: Cultura Acadêmica Editora.).

De acordo com Borjas (2017)Borjas, G. (2017, February 27). The immigration debate we need. The New York Times. Retrieved from https://www.nytimes.com/2017/02/27/opinion/the-immigration-debate-we-need.html
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o desejo da maioria dos imigrantes é o de construir uma vida melhor. Nesse sentido, há que se entender o esforço de Portes e Zhou (1992)Portes, A., & Zhou, M. (1992). Gaining the upper hand: Economic mobility among immigrant and domestic minorities. Ethnic and Racial Studies, 15(4), 491-522. https://doi.org/10.1080/01419870.1992.9993761
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em demonstrar que as teorias tradicionais acerca da pobreza étnica e mobilidade econômica não respondiam satisfatoriamente à situação de muitos migrantes. Isso significa que a questão da legalidade do trabalho, da permissão para ficar no país, e do acesso aos serviços de assistência sociais são os elementos que compõem as polêmicas dessa realidade jurídica. Além disso, o fenômeno merece uma análise em várias camadas, incluindo teorias e lentes analíticas provenientes de diferentes perspectivas, como antropologia, sociologia, geografia, estudos urbanos e empreendedorismo (Etemad, 2018Etemad, H. (2018). Growth and learning mechanisms in the evolving multilayered and multidimensional view of international entrepreneurship. Journal of International Entrepreneurship, 16(1), 1-11. https://doi.org/10.1007/s10843-018-0227-6
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).

Brasil e Portugal: a inversão do país de destino e de origem

O Brasil historicamente sempre foi um país receptor de imigrantes. Ainda no século XIX chegaram ao Brasil os alemães (região sul), os poloneses (Paraná), italianos (Rio Grande do Sul em 1875 e São Paulo em 1886). No período entre 1830 e 1930, aproximadamente 3,3 milhões de europeus deixaram sua terra natal com destino às terras brasileiras, seja para se fixar ou simplesmente ganhar algum dinheiro e retornar às suas origens (Vilione, 2017Vilione, J. L. (2017). A colônia japonesa em Presidente Prudente: Sua trajetória, relação com o estado e a sociedade local (1908-1947) (Masters’ thesis). Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, Brasil.).

Se por um lado o Brasil recebe imigrantes desde a sua ‘descoberta’, a diáspora brasileira é um fenômeno recente. De fato, esse movimento migratório ganhou ritmo a partir da década de 1980 (Margolis, 2013Margolis, M. L. (2013). Goodbye, Brazil: emigrantes brasileiros no mundo. São Paulo: Editora Contexto.), alimentado por um cenário de longa estagnação econômica e hiperinflação no país. Ondas migratórias com distintos perfis sociais resultaram em comunidades ecléticas, sem um padrão pelo qual o imigrante brasileiro possa ser universalmente identificado. Em um primeiro momento, o perfil do imigrante brasileiro era composto por cidadãos de classe média ou classe média alta que buscavam melhores condições de vida no exterior. Uma vez estabelecidos, esses imigrantes pioneiros abririam oportunidades para outros com diferentes perfis, inclusive aqueles que não dominavam o idioma local, passando a ficar dependentes de seus ‘padrinhos’ de imigração (Cruz, Falcão, & Barreto, 2018Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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).

O fenômeno emigratório de moradores da cidade de Governador Valadares - MG exemplifica bem o modelo da diáspora brasileira. De acordo com Siqueira (2006)Siqueira, S. (2006). Migrantes e empreendedorismo na microrregião de Governador Valadares - sonhos e frustrações no retorno (Doctoral dissertation), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil., devido ao ciclo de exploração da mica, diversos engenheiros americanos e suas famílias se mudaram para a região na década de 1940. Os primeiros contatos que a população teve com o dólar foram devido a pagamentos ou gorjeta aos favores ou trabalhos prestados. Como a cotação era muito acima da moeda brasileira, os valadarenses ficaram com a ideia de opulência e fartura do local de onde vinham os americanos. Assim, as primeiras ‘aventuras’ dos valadarenses em solo americano tiveram início nos anos 60. Jovens das classes média e alta saíram para fazer intercâmbios. Encantados, escreviam cartas contando as maravilhas da América. Isso trouxe a perspectiva de que a migração internacional era um projeto possível e relativamente fácil de concretizar.

Nesse sentido, Cruz, Falcão e Barreto (2018)Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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identificaram que muitos desses jovens, que originalmente tinham intenções de voltar para o Brasil, acabaram se estabelecendo nos EUA e, eventualmente, abrindo os primeiros negócios de brasileiros. Essas pequenas e médias empresas permitiram a migração de uma nova leva de brasileiros, com diferentes perfis socioeconômicos. Pessoas sem curso superior e que muitas vezes sequer sabiam pronunciar uma palavra em inglês eram amparadas por empregos nessas novas firmas de imigrantes. Essa ‘democratização’ da possibilidade de imigrar é descrita por Portes e Zhou (1992)Portes, A., & Zhou, M. (1992). Gaining the upper hand: Economic mobility among immigrant and domestic minorities. Ethnic and Racial Studies, 15(4), 491-522. https://doi.org/10.1080/01419870.1992.9993761
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como um dos pontos fortes do enclave étnico. Terzano (2014)Terzano, K. (2014). Commodification of transitioning ethnic enclaves. Behavioral Sciences, 4(4), 341-351. https://dx.doi.org/10.3390%2Fbs4040341
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destaca que os imigrantes chegavam aos EUA e Canadá, no início do século XX, se estabelecendo em áreas onde seus compatriotas moravam. Esse processo, conhecido como migração em cadeia, proporcionou aos recém-chegados acesso mais fácil à moradia, empregos e socialização, principalmente quando falavam pouco ou nenhum inglês. À medida que o número de imigrantes crescia, as comunidades cresciam à sua volta. Assim, foram se formando os chamados ‘enclaves étnicos’, onde os imigrantes podiam encontrar mercearias familiares que vendiam comida étnica; igrejas e escolas onde se falava a língua nativa dos imigrantes; e negócios baseados em habilidades e bens pelos quais os imigrantes eram bem conhecidos.

No que diz respeito a Portugal, o efeito da língua é menos marcado, embora haja notadamente a diferença de acento, ou ‘accent ceiling’ (Collins & Low, 2010Collins, J., & Low, A. (2010). Asian female immigrant entrepreneurs in small and medium-sized businesses in Australia. Entrepreneurship and Regional Development, 22(1), 97-111. https://doi.org/10.1080/08985620903220553
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), o que pode gerar certa discriminação no mundo do trabalho e na obtenção de moradia. França e Padilla (2018)França, T., & Padilla, B. (2018). Imigração brasileira para Portugal: Entre o surgimento e a construção midiática de uma nova vaga. Cadernos de Estudos Sociais, 33(2). https://doi.org/10.33148/CES2595-4091v.33n.220181773
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dividem o fenômeno migratório brasileiro em duas etapas: (a) final dos anos 1970 até o final dos anos 1990: formada, sobretudo, por profissionais qualificados que chegaram ao país em números reduzidos; (b) anos 2000 a 2010: quantitativamente mais expressiva e com uma tendência à feminização. Também marcada por uma inserção em postos de trabalhos precários e com nível de qualificação menor. Os autores destacam ainda que, desde 2016, houve uma recuperação econômica em Portugal e o início da crise política e econômica Brasileira. Esses fatores levaram a uma retomada dos movimentos migratórios com as seguintes características: (a) intensificação da mobilidade estudantil; (b) dos registros de cidadania por ancestralidade; (c) aumento dos pedidos de Autorização de Residência para Atividades de Investimentos; e (d) a reemigração ou retorno daqueles que tinham regressado ao Brasil.

Portugal, sendo o segundo destino mais popular para os imigrantes brasileiros, tem passado por diversos períodos de recessão e queda em indicadores econômicos nos últimos anos (Ferreira, Callou, Andrade, & Guimarães, 2017Ferreira, S. de A., Callou, M. R. de A., Andrade, G. S., & Guimarães, F. de M. D. (2017). Migration in times of crisis: Can entrepreneurship be a solution? The case of brazilian entrepreneurs in Lisbon (Portugal). Economic and Social Changes: Facts, Trends, Forecast, 10(4), 242-258. https://doi.org/10.15838/esc.2017.4.52.14
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). O país após ser aceito como membro do Mercado Comum Europeu em 1986 e com sua adesão à Zona do Euro em 1999, beneficiou-se de financiamentos que proporcionaram uma melhoria de infraestrutura e aumento em setores tradicionais de sua economia. Já a crise econômica de 2008 deixou o país em uma situação vulnerável, com baixas taxas de crescimento econômico e alta necessidade de financiamento externo de sua dívida pública (Aguiar-Contraria, Alexandre & Pinho, 2012Aguiar-Contraria L., Alexandre F., & Pinho C. M. (2012). O euro e o crescimento da economia portuguesa: Uma análise contrafactual. Análise Social, XLVII(203), 298-321. Retrieved from http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1341932946Y9vQN8oq3Ll10KW9.pdf
http://analisesocial.ics.ul.pt/documento...
; Amaral, 2010Amaral, L. (2010) Portugal, a grande recessão e a Europa. Relações Internacionais, (27), 83-91. Retrieved from http://www.ipri.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/ri27/n27a08.pdf
http://www.ipri.pt/images/publicacoes/re...
). A taxa de desemprego aumentou de 8,1% em 2007 para 12,9% em 2011, e dentre os imigrantes que viviam no país, essa taxa passou de 9,6% para 17,0% no mesmo período. No entanto, em Portugal é reportado o crescente fenômeno de ‘latino-americanização’ da imigração (Martínez, 2003Martínez, B. R. (2003) La reciente inmigración latinoamericana a España (Serie Población y Desarrollo, n. 40). Santiago, Chile: CELADE.) ou mesmo da ‘brasileirização’ dos fluxos migratórios em Portugal (Padilla, 2006Padilla, B. (2006). Integração dos imigrantes brasileiros recém-chegados na sociedade portuguesa: Problemas e possibilidades. In I. J. de R. Machado, (Org.), Um mar de identidades: A imigração brasileira em Portugal. São Carlos: EdUFSCar.).

Em fluxos migratórios iniciais, muitos imigrantes brasileiros estiveram associados com tarefas relativas a um baixo status social e baixos salários (Ferreira et al., 2017Ferreira, S. de A., Callou, M. R. de A., Andrade, G. S., & Guimarães, F. de M. D. (2017). Migration in times of crisis: Can entrepreneurship be a solution? The case of brazilian entrepreneurs in Lisbon (Portugal). Economic and Social Changes: Facts, Trends, Forecast, 10(4), 242-258. https://doi.org/10.15838/esc.2017.4.52.14
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; Horst, Pereira, & Sheringham, 2016Horst, C., Pereira, S., & Sheringham, O. (2016). The impact of class on feedback mechanisms: Brazilian migration to Norway, Portugal and the United Kingdom. In O. Bakewell, G. Engbersen, M. L. Fonseca, C. Horst (Eds.), Beyond Networks (pp. 90-112). London: Palgrave Macmillan.). Em outras palavras, o brasileiro ocuparia empregos que os europeus ou americanos, com sua economia em expansão, não estariam dispostos a executar, como faxina de residências ou atividades relacionadas à construção, por exemplo. No entanto, considerando a taxa de câmbio favorável do dólar ou euro em relação à moeda brasileira, tornou-se possível ao imigrante brasileiro trabalhar nos Estados Unidos ou Europa, economizar e enviar dinheiro ao seu país de origem, obtendo uma melhoria no seu padrão de vida. Os fluxos migratórios são dinâmicos, e nota-se que em várias partes do mundo despontam iniciativas empreendedoras nas comunidades imigrantes brasileiras (Cruz & Falcão, 2016Cruz, E. P., & Falcão, R. P. de Q. (2016). Revisão bibliométrica no tema empreendedorismo imigrante e étnico. Internext, 11(3), 78-94. http://dx.doi.org/10.18568/1980-4865.11378-94
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).

Na literatura acadêmica recente, são relatados diversos outros estudos de brasileiros em Portugal. Os temas são os mais variados, abordando desde a mobilidade internacional de estudantes e jovens para Portugal (Fonseca, Esteves, & Iorio, 2015Fonseca, M. L., Esteves, A., & Iorio, J. (2015). Mobilidade internacional de estudantes do ensino superior: Os alunos universitários brasileiros em Portugal. In J. Peixoto, B. Padilla, J. C. Marques & P. Góis (Orgs.), Vagas atlânticas: migrações entre Brasil e Portugal no início do século XXI (pp. 135-158). Lisboa: Editora Mundos Sociais; Fonseca, Pereira, & Iorio, 2016Fonseca, M. L., Pereira, S., & Iorio, J. C. (2016). International mobility of brazilian students to Portugal: The role of the brazilian government and university strategies in Portugal. In J. Dominguez-Mujica (Ed.). Global Change and Human Mobility (pp. 265-284). Singapore: Springer.; Iorio & Nogueira, 2019Iorio, J. C., & Nogueira, S. G. (2019). O acolhimento de estudantes internacionais: brasileiros e timorenses em Portugal. REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 27(56), 197-215. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880005611
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; Togni, 2015Togni, P. C. (2015). A Europa é o Cacém: Mobilidades, gênero e sexualidade nos deslocamentos de jovens brasileiros para Portugal (Doctoral dissertation). Instituto Universitário de Lisboa, Lisbon, Portugal. Retrieved from https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/8679
https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/...
), os efeitos da crise e questões de trabalho de imigrantes brasileiros em Portugal (Pereira & Esteves, 2017Pereira, S., & Esteves, A. (2017). Os efeitos da crise económica na situação laboral dos imigrantes: o caso dos brasileiros em Portugal. REMHU-Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 25(49), 135-152. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880004908.
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), a adaptação de expatriados brasileiros no país e os processos de resiliência em imigrantes (Ferreira, 2017Ferreira, A. L. G. (2017). Gestão intercultural: a adaptação de expatriados brasileiros em Portugal. E-Revista de Estudos Interculturais do CEI-ISCAP, (5), 1-21. Retrieved from https://www.iscap.pt/cei/e-rei/n5/artigos/L-Ferreira_Gestao-Intercultural-Adaptacao-de-Expatriados-Brasileiros-em-Portugal.pdf
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; Roberto & Moleiro, 2015Roberto, S., & Moleiro, C. (2015). Processos de resiliência em migrantes: Narrativas biográficas de brasileiros em Portugal. Psicologia em Estudo, 20(2), 295-307. https://doi.org/10.4025/psicolestud.v20i2.25634
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). A imigração brasileira para Portugal pode gerar um imaginário tanto dos portugueses a respeito dos brasileiros, quanto do inverso (Lisboa, 2016Lisboa, W. T. (2016, September). Fluxos transatlânticos e identidade: A imigração brasileira em Portugal e o imaginário português sobre o Brasil. Annals of the Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, Caxambú, MG, Brazil, 17.), embora saibamos que há muitas expressões de racismo em Portugal (Vala et al., 2015Vala, J., Brito, R., & Lopes, D. (2015). Expressões dos racismos em Portugal. Lisboa: ICS Imprensa de Ciências Sociais.). Foi relatado também na literatura a construção de um imaginário social dos imigrantes brasileiros em Portugal até nas redes sociais da internet (Saturnino, 2015Saturnino, R. (2015). A construção do imaginário social dos imigrantes brasileiros em Portugal nas redes sociais da internet: O caso do Orkut (Vol. 45). Lisboa: Obsevatório das Migrações.).

Outros temas bem presentes nas pesquisas recentes são as causas do retorno ou permanência (Silva, 2016Silva, R. V. (2016). Brasileiros em Portugal: Por que alguns imigrantes retornam e outros permanecem? Jundiaí, SP: Paco Editorial.), a satisfação com a vida (Aguiar, Matias, & Fontaine, 2017Aguiar, J., Matias, M., & Fontaine, A. M. (2017). Desemprego, satisfação com a vida e satisfação conjugal em portugueses e brasileiros. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, 17(4), 210-217. http://dx.doi.org/10.17652/rpot/2017.4.13751
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), a saúde dos imigrantes (Oliveira, Neto, Freire, Félix, Moreira, & Lima, 2016Oliveira, E. N., Neto, F. F. M., Freire, A. S., Félix, T. A., Moreira, R. M. M., & Lima, G. F. (2016). Saúde de imigrantes: estudos com brasileiros baseados em evidências. SANARE-Revista de Políticas Públicas, 15(1), 74-81. Retrieved from https://sanare.emnuvens.com.br/sanare/article/view/931/560
https://sanare.emnuvens.com.br/sanare/ar...
), conexões entre países de origem e destino (Fusco, 2006Fusco, W. F. (2006, September). Conexão origem-destino: migrantes brasileiros no exterior. Annals of the Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, Caxambu, MG, Brazil, 15.) e seu percurso migratório (Vitorio, 2015Vitorio, B. S. (2015). Imigrantes brasileiros em Portugal: Retrospectiva de percurso. In A. Gattaz & V. P. R. Fernandez (Orgs.), Imigração e imigrantes: Uma coletânea interdisciplinar (pp. 209-226). Salvador: Editora Pontocom.). Temas fundamentais como as relações de trabalho, embora abordados por vezes com superficialidade, não poderiam deixar de estar presentes (Carvalho & Afonso, 2018Carvalho, G. M. D., & Afonso, L. E. (2018, July). Vale a pena mudar para Espanha ou para Portugal?: O impacto da migração sobre os trabalhadores brasileiros, sob a ótica previdenciária. Annals of USP International Conference in Accounting: Moving accounting forward, São Paulo, SP, Brazil, 18.; Domingues & Vilela, 2018Domingues, D. T., & Vilela, E. M. (2018, September). Efeito da experiência migratória internacional no mercado de trabalho na origem - estudo com brasileiros e brasileiras de retorno no estado de minas gerais. Annals of the Encontro Nacional de Estudos Populacionais, Poços de Caldas, MG, Brazil, 21.; Guedes, & Marques, 2008Guedes, G. R., & Marques, D. H. F. (2016-2008). Migração e mercado de trabalho em Portugal: Uma análise comparativa entre brasileiros e africanos lusófonos. Annals of the Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, Caxambu, MG, Brazil, 16. Retrieved from http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/view/1704/1664
http://www.abep.org.br/publicacoes/index...
; Padilla & França, 2016Padilla, B., & França, T. (2016). Migration policies and institutional frameworks. Development and evolution in Portugal. Comparative Cultural Studies - European and Latin American Perspectives, 1(1), 37-52. https://dx.doi.org/10.13128/ccselap-19987
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; Santos, 2017Santos, J. R. D. (2017). Desemprego e migrações em Portugal, que relação?. In Urze, P., Serrano, M., & Assunção, F. (Eds.), Atas do II Encontro Internacional de Sociologia (SIOT) (pp. 91-102). Monte da Caparica: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.). O empreendedorismo (Ferreira, Callou, Andrade, & Guimarães, 2017Ferreira, S. de A., Callou, M. R. de A., Andrade, G. S., & Guimarães, F. de M. D. (2017). Migration in times of crisis: Can entrepreneurship be a solution? The case of brazilian entrepreneurs in Lisbon (Portugal). Economic and Social Changes: Facts, Trends, Forecast, 10(4), 242-258. https://doi.org/10.15838/esc.2017.4.52.14
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) e transnacionalismo evangélico (Oro, 2017Oro, A. P. (2017). Transnacionalização evangélica brasileira para Portugal: Tipologia e acomodações. Ciências Sociais e Religião, 19(26), 14-51. https://doi.org/10.22456/1982-2650.75314
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; Rodrigues, 2016Rodrigues, D. (2016). Ethnic and religious diversities in Portugal: The case of brazilian evangelical immigrants. In H. Vilaça, E. Pace, I. Furseth, & P. Pettersson (Eds.), The changing soul of europe: religions and migrations in northern and southern europe (pp. 133-148). London: Ashgate.) também foram relatados. Por fim, de acordo com Amaral, Costa e Allgayer (2017)Amaral, A. P. M., Costa, L. R., & Allgayer, C. B. A. (2017). O brasileiro como estrangeiro: A política migratória brasileira para emigrantes. Cadernos de Direito, 17(33), 257-285. Retrieved from https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/cd/article/view/3565/2097
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, os brasileiros hoje em dia são uma parcela significativa dos emigrantes pelo mundo e enfrentam cotidianamente situações de desamparo e dificuldades de acesso e manutenção dos direitos, quando afastados do suporte de redes de apoio, especialmente legais e/ou vinculadas à sua origem.

Empreendedorismo de imigrantes

Vários estudiosos, como Howell (2019)Howell, A. (2019). Ethnic entrepreneurship, initial financing, and business performance in China. Small Business Economics, 52(3), 697-712. https://doi.org/10.1007/s11187-017-9980-5
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, Portes e Zhou (1992)Portes, A., & Zhou, M. (1992). Gaining the upper hand: Economic mobility among immigrant and domestic minorities. Ethnic and Racial Studies, 15(4), 491-522. https://doi.org/10.1080/01419870.1992.9993761
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, Zhuang (2019)Zhuang, Z. C. (2019). Ethnic entrepreneurship and placemaking in Toronto’s ethnic retail neighbourhoods. Tijdschrift Voor Economische en Sociale Geografie, 110(5), 520-537. https://doi.org/10.1111/tesg.12383
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, bem como Cruz et al. (2017)Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2017, January). Bounded trust or mistrust - depicting brazilian immigrant entrepreneurship practices in the US. Poster presented at the United States Association for Small Business and Entrepreneurship (USASBE) Annual Conference, Philadelphia, United States of America, 32., pesquisaram as características gerais do empreendedorismo étnico, incluindo seu ambiente social. Autores seminais enfatizaram os aspectos sociológicos do fenômeno devido ao impacto das redes de apoio aos imigrantes durante o início dos negócios ou empreendedorismo social (Elo & Volovelsky, 2017Elo, M., & Volovelsky, E. K. (2017). Jewish diaspora entrepreneurs - the impact of religion on opportunity exploration and exploitation. International Journal of Entrepreneurship and Small Business, 31(2), 244-269. Retrieved from https://www.inderscience.com/info/inarticle.php?artid=84090
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). Portanto, as redes sociais são baseadas em conexões com os consumidores e alianças interorganizacionais que influenciam a cocriação de oportunidades por meio da articulação de disputas comerciais (Brinkerhoff, 2016Brinkerhoff, J. M. (2016) Institutional reform and diaspora entrepreneurs: The in-between advantage. Oxford: Oxford University Press.).

Outro aspecto crucial dentro das redes sociais de imigrantes é seu grau de assimilação (Alba & Nee, 1997Alba, R., & Nee, V. (1997). Rethinking assimilation theory for a new era of immigration. International Migration Review, 31(4), 826-874. http://dx.doi.org/10.2307/2547416
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). Vale ressaltar que alguns estudos como os de Portes e Zhou (1993)Portes, A., & Zhou, M. (1993). The new second generation: Segmented assimilation and its variants. The annals of the American Academy of Political and Social Science, 530(1), 74-96. https://doi.org/10.1177/0002716293530001006
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, Zhou (1997)Zhou, M. (1997). Segmented assimilation: Issues, controversies, and recent research on the new second generation. The International Migration Review, 31(4), 975-1008. https://doi.org/10.2307/2547421
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, Waldinger e Feliciano (2004)Waldinger, R., & Feliciano, C. (2004). Will the new second generation experience ‘downward assimilation’? Segmented assimilation re-assessed. Ethnic and Racial Studies, 27(3), 376-402. https://doi.org/10.1080/01491987042000189196
https://doi.org/10.1080/0149198704200018...
, Haller, Portes e Lynch (2011)Haller, W., Portes, A., & Lynch, S. M. (2011). Dreams fulfilled, dreams shattered: Determinants of segmented assimilation in the second generation. Social forces, 89(3), 733-762. https://dx.doi.org/10.1353%2Fsof.2011.0003
https://dx.doi.org/10.1353%2Fsof.2011.00...
apontam para perspectivas de adaptação da segunda geração diferindo da experiência de seus pais. A adaptação da segunda geração contemporânea de imigrantes depende do nível de bilinguismo, de seu acento ao falar a língua local (Collins & Low, 2010Collins, J., & Low, A. (2010). Asian female immigrant entrepreneurs in small and medium-sized businesses in Australia. Entrepreneurship and Regional Development, 22(1), 97-111. https://doi.org/10.1080/08985620903220553
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), de sua educação, de componentes raciais e de diversas situações contextuais que enfrentam. Nesse sentido, a teoria da assimilação segmentada, que oferece uma estrutura teórica para entender o processo (Zhou, 1997Zhou, M. (1997). Segmented assimilation: Issues, controversies, and recent research on the new second generation. The International Migration Review, 31(4), 975-1008. https://doi.org/10.2307/2547421
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), pode explicar porque os filhos de imigrantes correm risco de menor mobilidade social formando uma ‘nova subclasse de arco-íris’, dado que o maior número de grupos de segunda geração de hoje em dia é formado de uma população de origem predominantemente trabalhadora ou de classe baixa, com baixo nível educacional (Haller, Portes, & Lynch, 2011Haller, W., Portes, A., & Lynch, S. M. (2011). Dreams fulfilled, dreams shattered: Determinants of segmented assimilation in the second generation. Social forces, 89(3), 733-762. https://dx.doi.org/10.1353%2Fsof.2011.0003
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; Waldinger & Feliciano, 2004Waldinger, R., & Feliciano, C. (2004). Will the new second generation experience ‘downward assimilation’? Segmented assimilation re-assessed. Ethnic and Racial Studies, 27(3), 376-402. https://doi.org/10.1080/01491987042000189196
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). Em Portugal essa discriminação é notada no uso de sistemas de saúde (Coutinho & Oliveira, 2010Coutinho, M. da P. de L., & Oliveira, M. X. de. (2010). Tendências comportamentais frente à saúde de imigrantes brasileiros em Portugal. Psicologia & Sociedade, 22(3), 548-557. https://doi.org/10.1590/S0102-71822010000300015.
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), participação cívica (Fernandes-Jesus, Ribeiro, Ferreira, Cicognani, & Menezes, 2011Fernandes-Jesus, M., Ribeiro, N., Ferreira, P. D., Cicognani, E., & Menezes, I. (2011). Da participação à integração: Estruturas e oportunidades, discriminação e género no contexto da participação cívica e política de jovens imigrantes brasileiros/as. Ex aequo, (24), 105-119. Retrieved from http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-55602011000200009&lng=pt&tlng=pt.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?scri...
), estudantil (Iorio & Nogueira, 2019Iorio, J. C., & Nogueira, S. G. (2019). O acolhimento de estudantes internacionais: brasileiros e timorenses em Portugal. REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 27(56), 197-215. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880005611
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) ou profissional (Egreja & Peixoto, 2011Egreja, C., & Peixoto, J. (2011). Caminhos limitados ou mobilidade bloqueada?: A mobilidade socioprofissional dos imigrantes brasileiros em Portugal. Sociologia, Problemas e Práticas, (67), 43-64. Retrieved from http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65292011000300003&lng=pt&tlng=pt.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?scri...
).

Segundo Achidi-Ndofor e Priem (2011)Achidi-Ndofor, H., & Priem, R. L. (2011). Immigrant entrepreneurs, the ethnic enclave strategy, and venture performance. Journal of Management, 37(3), 790-818. https://doi.org/10.1177/0149206309345020
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, os empreendedores imigrantes socialmente identificados com suas comunidades étnicas são mais propensos a se tornarem empreendedores de enclaves étnicos, enquanto estão ligados às suas comunidades por tradição, prestígio ou mesmo por mero destino. Portanto, não é incomum que eles se envolvam em atividades que melhorem o status de suas comunidades, como levantamento de fundos para construir instalações comunitárias, ajuda a um futuro concorrente em seu estabelecimento no país, ou no enclave.

No entanto, os empreendedores imigrantes, enquanto servem suas comunidades étnicas, usam seus relacionamentos para obter acesso a recursos-chave, como fornecedores e trabalhadores (Portes & Zhou, 1993Portes, A., & Zhou, M. (1993). The new second generation: Segmented assimilation and its variants. The annals of the American Academy of Political and Social Science, 530(1), 74-96. https://doi.org/10.1177/0002716293530001006
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). Por outro lado, existem empreendedores que dificilmente se identificam com seus grupos étnicos ou eventualmente os desprezam (Spears, Doosje, & Ellemers, 1997Spears, R., Doosje, B., & Ellemers, N. (1997). Self-stereotyping in the face of threats to group status and distinctiveness: The role of group identification. Personality and Social Psychology Bulletin, 23(5), 538-553. https://doi.org/10.1177/0146167297235009
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). Segundo Midtbøen e Nadim (2019)Midtbøen, A. H., & Nadim, M. (2019). Ethnic niche formation at the top? Second-generation immigrants in Norwegian high-status occupations. Ethnic and Racial Studies, 42(16), 177-195. https://doi.org/10.1080/01419870.2019.1638954
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os empreendedores étnicos de segunda geração são mais ativos nos mercados locais. Portanto, esses empreendedores mudam de um mercado para outro pelo uso estratégico de sua etnia.

Fatores relacionados à intenção e sucesso ao empreender

Na literatura psicológica, segundo Krueger, Reilly e Carsrud (2000)Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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as intenções empreendedoras têm se mostrado o melhor preditor de comportamento planejado (ver Krueger & Carsrud, 1993Krueger, N. F., Jr., & Carsrud, A. L. (1993). Entrepreneurial intentions: Applying the theory of planned behaviour. Entrepreneurship & Regional Development, 5(4), 315-330. https://doi.org/10.1080/08985629300000020
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), principalmente quando esse comportamento é raro, difícil de observar ou envolve atrasos imprevisíveis. A criação de novos negócios muitas das vezes envolve um planejamento considerável (Katz & Gartner, 1988Katz, J., & Gartner, W. B. (1988). Properties of emerging organizations. Academy of Management Review, 13(3), 429-441. https://doi.org/10.2307/258090
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) para o qual os modelos de intenção se encaixam de forma adequada, tornando-os altamente generalizáveis e robustos. Além das intenções empreendedoras, outras variáveis podem ser empregadas como preditoras do ato de empreender, a exemplo das variáveis situacionais (status empregatício, grau de educação) ou individuais (como gênero, renda, etnia, ou até traços de personalidade), embora sejam preditores mais fracos. Sua vantagem, no entanto, consiste na disponibilidade em banco de dados secundários e facilidade de coleta, sobretudo quando há barreiras linguísticas para aplicação de questionários (surveys) mais complexos (ver Kleiner, Lipps, & Ferrez, 2015Kleiner, B., Lipps, O., & Ferrez, E. (2015). Language ability and motivation among foreigners in survey responding. Journal of Survey Statistics and Methodology, 3(3), 339-360. https://doi.org/10.1093/jssam/smv015
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).

Ainda segundo Krueger, Reilly e Carsrud (2000)Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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, a compreensão dos antecedentes das intenções aumenta nossa compreensão do comportamento pretendido, tal como o ato de empreender. E também as atitudes influenciam o comportamento por seu impacto nas intenções. Intenções e atitudes dependem da situação e da pessoa. Consequentemente, os modelos de intenções preverão melhor o comportamento do que as variáveis individuais (por exemplo, personalidade) ou situacionais (por exemplo, status de emprego). No entanto, as variáveis pessoais e situacionais geralmente influenciam indiretamente o empreendedorismo, influenciando atitudes-chave e motivação geral para agir. (Katz & Gartner, 1988Katz, J., & Gartner, W. B. (1988). Properties of emerging organizations. Academy of Management Review, 13(3), 429-441. https://doi.org/10.2307/258090
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; Krueger & Carsrud, 1993Krueger, N. F., Jr., & Carsrud, A. L. (1993). Entrepreneurial intentions: Applying the theory of planned behaviour. Entrepreneurship & Regional Development, 5(4), 315-330. https://doi.org/10.1080/08985629300000020
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; Krueger, Reilly, & Carsrud, 2000Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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). Um exemplo, também apontado por esses autores, são como os padrões de comportamento afetam as intenções empresariais apenas ao mudarmos atitudes e crenças, como a autoeficácia percebida. Nesse sentido a educação empreendedora pode ter efeito transformador (Graevenitz, Harhoff, & Weber, 2010Graevenitz, G. V., Harhoff, D., & Weber, R. (2010). The effects of entrepreneurship education. Journal of Economic Behavior & Organization, 76(1), 90-112. https://doi.org/10.1016/j.jebo.2010.02.015
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).

Diversos estudos seminais denotam perspectivas teóricas que explicam o desempenho de empreendedores (Lerner, Brush, & Hisrich, 1997Lerner, M., Brush, C., & Hisrich, R. (1997). Israeli women entrepreneurs: An examination of factors affecting performance. Journal of Business Venturing, 12(4), 315-339. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(96)00061-4
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): motivações e objetivos individuais; aprendizagem social; redes de afiliação, capital humano e influências ambientais (Brockhaus & Horwitz, 1986Brockhaus, R. H., & Horwitz, P. S. (1986). The psychology of the entrepreneur. In D. L. Sexton & R.W. Smilor (Eds.), The art and science of entrepreneurship (pp. 25-48). Cambridge, MA: Ballinger.; Burud & Tumolo, 2004Burud, S. L., & Tumolo, M. (2004). Leveraging the new human capital: Adaptive strategies, results achieved, and stories of transformation. Palo Alto, CA: Davies-Black Pub.; Carrington, Scott & Wasserman, 2005Carrington, P. J., Scott, J., & Wasserman, S. (Eds.), (2005). Models and methods in social network analysis (Vol. 28). Cambridge: Cambridge University Press.; Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
https://ssrn.com/abstract=1505240...
). No tocante às motivações, alguns autores destacam as de cunho psicológico (Brockhaus & Horwitz, 1986Brockhaus, R. H., & Horwitz, P. S. (1986). The psychology of the entrepreneur. In D. L. Sexton & R.W. Smilor (Eds.), The art and science of entrepreneurship (pp. 25-48). Cambridge, MA: Ballinger.), outros as motivações de oportunidade (Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
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). Há ainda autores que destacam as questões de autoestima (Miskin & Rose, 1990Miskin, V., & Rose, J. (1990). New venture initiation: Factors influencing success. Journal of Small Business Strategy, 1(2), 1-9. Retrieved from https://libjournals.mtsu.edu/index.php/jsbs/article/view/224
https://libjournals.mtsu.edu/index.php/j...
; Laguna, 2013Laguna, M. (2013). Self-efficacy, self-esteem, and entrepreneurship among the unemployed. Journal of Applied Social Psychology, 43(2), 253-262. https://doi.org/10.1111/j.1559-1816.2012.00994.x
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). Relativo à aprendizagem social ou socialização empreendedora, vale destacar o processo de socialização do indivíduo, que ocorre no ambiente familiar, transmitindo normas sociais, linguagem, aspirações educacionais e molda as preferências de carreira por meio de aprendizado e modelagem observacionais (Bandura, 1977Bandura, A. (1977). Social learning theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall.). Isto afetará futuramente possíveis comportamentos empreendedores (Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
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). Novos estudos envolvendo a influência do capital social no empreendedorismo destacam a complexidade dos novos trabalhadores, das relações pessoais e profissionais, sendo um instrumento que facilita os processos de cooperar e coordenar membros de uma comunidade em prol de um benefício em conjunto (Burud & Tumolo, 2004Burud, S. L., & Tumolo, M. (2004). Leveraging the new human capital: Adaptive strategies, results achieved, and stories of transformation. Palo Alto, CA: Davies-Black Pub.).

O empreendedorismo também está incorporado em uma complexa rede de relações, destacando-se a afiliação de redes e os contatos e participação em organizações. Dentro dessas redes, o empreendedorismo é facilitado ou limitado pelas ligações entre aspirantes a empreendedores, recursos e oportunidades (Klyver, Hindle, & Meyer, 2008Klyver, K., Hindle, K., & Meyer, D. (2008). Influence of social network structure on entrepreneurship participation - A study of 20 national cultures. International Entrepreneurship and Management Journal, 4(3), 331-347. https://doi.org/10.1007/s11365-007-0053-0
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; Zimmer & Aldrich, 1987Zimmer, C., & Aldrich, H. (1987). Resource mobilization through ethnic networks: Kinship and friendship ties of shopkeepers in England. Sociological Perspectives, 30(4), 422-445. https://doi.org/10.2307/1389212
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). Isto também se verifica nos contextos de imigrantes (Light, Bhachu, & Karageorgis, 2017Light, I., Bhachu, P., & Karageorgis, S. (2017). Migration networks and immigrant entrepreneurship. In I Light & P. Bhachu (Orgs.), Immigration and entrepreneurship: Culture, capital, and ethnic networks (pp. 25-50). Abingdon, UK: Routledge.). De acordo com essa visão, a presença ou ausência de redes, como acesso ou associação a associações, exerce um papel na influência de seu desempenho. A importância dos sistemas de suporte, mentores e consultores foi documentada em pesquisas anteriores. Em particular, colegas de trabalho e amigos foram identificados como sendo importantes para o apoio moral, enquanto a participação em associações comerciais e grupos de mulheres estava relacionada à orientação comercial (Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
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). Outros estudos da literatura acadêmica brasileira a respeito do sucesso e fracasso de empreendedores (por exemplo, Minello, Alves, & Scherer, 2012Minello, I. F., Alves, L. da C., & Scherer, L. A. (2012). Business failure factors: Entrepreneurs’ perspective of failure experience. BASE-Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, 10(1), 19-31. https://doi.org/10.4013/base.2013.101.02
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) se valem da definição a priori três categorias, envolvendo o comportamento, a gestão financeira e controle interno, e relações de mercado.

A teoria do capital humano (Davenport, 1999Davenport, T. O. (1999). Human capital: What it is and why people invest it. San Francisco, CA: Jossey-Bass.), envolvendo o nível de educação, a área educacional, experiências profissionais anteriores e habilidades de negócios, propõe que esses fatores influenciariam o desempenho comercial de um empreendedor. Cooper (1981)Cooper, A. C. (1981). Strategic management: New ventures and small business. Long Range Planning, 14(5), 39-45. https://doi.org/10.1016/0024-6301(81)90006-6
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, por sua vez, propôs que a experiência e a educação eram antecedentes das decisões de iniciar uma empresa e, por fim, afetavam o desempenho. Vários estudos seminais mostraram que anos de educação formal do empreendedor antes de estabelecer uma nova empresa estavam relacionados ao desempenho eventual da empresa (Box, White, & Barr, 1994Box, T. M., White, M. A., & Barr, S. H. (1994). A contingency model of new manufacturing firm performance. Entrepreneurship Theory and Practice, 18(2), 31-45. https://doi.org/10.1177/104225879401800202
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; Brush & Hisrich, 1991Brush, C. G., & Hisrich, R. D. (1991). Antecedent influences on womenowned businesses.Journal of Managerial Psychology, 6(2), 9-16. https://doi.org/10.1108/02683949110144846
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). Estudos recentes sobre capital humano retratam uma relação entre os resultados dos investimentos em conhecimentos e habilidades e os investimentos em educação e experiência, indicando que as taxas de sucesso para realização de tarefas de alta complexidade aumentam com os investimentos em conhecimentos e habilidades, sugerindo que os investimentos em capital humano para que se aumente a taxa de sucesso de um negócio preconize os processos de aprendizado, aquisição de conhecimento e transferência de conhecimento para tarefas empresariais (Unger, Rauch, Frese & Rosenbusch, 2011Unger, J. M., Rauch, A., Frese, M., & Rosenbusch, N. (2011). Human capital and entrepreneurial success: A meta-analytical review. Journal of Business Venturing, 26(3), 341-358. https://doi.org/10.1016/j.jbusvent.2009.09.004
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).

Já no caso de influências ambientais, como sua localização, participação setorial, ambiente regulatório, disponibilidade de crédito e variáveis sociopolíticas, são determinantes críticos do desempenho. As medidas econômicas de lucratividade do empreendimento, as receitas e o número de funcionários estão relacionados às condições econômicas ambientais, como estrutura de mercado, oportunidades regionais, clima de investimento, disponibilidade de mão de obra e outras características (Gibb, 1988Gibb, A. (1988). Stimulating entrepreneurship and new business development. Geneva: Inerman International Labour Office.). Da mesma forma, a disponibilidade de recursos, incluindo capital de risco, força de trabalho técnica, empréstimos, serviços de apoio e uma subcultura empresarial favorável, também é uma grande influência no desempenho (Bruno & Tyebjee, 1982Bruno, A. V., & Tyebjee, T. T. (1982). The environment for entrepreneurship. Encyclopedia of entrepreneurship, 2(4), 288-315.). Na literatura nacional há diversos trabalhos que relatam a capacidade de inovar, que inclui repensar sobre novos produtos, modelos, processos e mercados (por exemplo em Santos, Alves, & Bitencourt, 2015Santos, A. C. M. Z., Alves, M. S. P. C., & Bitencourt, C. C. (2015). Entrepreneurial orientation construct and the impact on performance of companies in technological incubators. BASE-Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, 12(3), 242-255. https://doi.org/10.4013/base.2015.123.06
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). Nesse sentido, o conceito de orientação empreendedora (OE) surge na identificação de atitudes organizacionais e comportamentos que possam fornecer maior ou menor capacidade ao empreendedor. A disponibilidade de capital inicial suficiente é também relatada como um dos fatores ambientais mais importantes que influenciam o sucesso e a lucratividade de novos empreendimentos (Brophy, 1989Brophy, D. J. (1989). Financing women-owned entrepreneurial firms. In O. Hagan, C. Rivchun & D. Sexton (Eds.), Women Owned Businesses (pp. 55-76). New York: Praeger.).

METODOLOGIA

Coleta de dados e amostra

De acordo com dados oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil - MRE (2016) - da última contagem existem cerca de 116.271 brasileiros em Portugal. Destaca-se que esses são dados oficiais das embaixadas com mais de três anos, logo, não sendo incluídos os imigrantes em situação irregular e nem os de imigração recente. Já os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal revelou que o número de brasileiros com autorização para viver no país aumentou 43% de 2018 para 2019, passando de 105.423 para 150.854, sendo que o total de imigrantes em Portugal ultrapassa 500.000 indivíduos. (Veja, 2020VEJA. (2020, January 16). Brasileiros vivendo em Portugal já são 151 mil, um aumento de 43%. Retrieved from https://veja.abril.com.br/mundo/brasileiros-vivendo-em-portugal-ja-sao-151-mil-um-aumento-de-43/)
https://veja.abril.com.br/mundo/brasilei...
). No entanto, sabe-se que há também um contingente de imigrantes irregulares e ilegais, difíceis de serem estimados. Sendo assim, os pesquisadores optaram por considerar os números oficiais como base para cálculo amostral. Dessa forma, para o cálculo amostral arbitrou-se um nível de confiança de 95% e margem de erro de 4%, chegando-se a um tamanho de amostra mínimo de 598, para brasileiros em Portugal (ver Bartlett, Kotrlik & Higgins, 2001Bartlett, J. E., Kotrlik, J. W, & Higgins, C. C. (2001). Organizational research: Determining appropriate sample size in survey research. Information Technology, Learning, and Performance Journal, 19(1), 43-50. Retrieved from http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.486.8295&rep=rep1&type=pdf
http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/dow...
; Hair, Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2006Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2006). Multivariate statistics. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.). A descrição detalhada das amostras é apresentada na seção de Resultados (Tabela 4), sendo uma amostra não probabilística de conveniência, definida por acessibilidade.

Tabela 1
Principais grupos de Facebook de Brasileiros em Portugal consultados.
Tabela 2
Lista de grupos de Whatsapp para complementar a coleta de dados e datas de coleta.
Tabela 3
Médias e desvios padrão das características dos respondentes por grupo.
Tabela 4
Regressão logística.

Os pesquisadores, pautados no trabalho de Baltar e Icart (2013)Baltar, F., & Icart, I. B. (2013). Entrepreneurial gain, cultural similarity and transnational entrepreneurship. Global Networks, 13(2), 200-220. https://doi.org/10.1111/glob.12020
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valeram-se de grupos de Facebook para fazer chegar o questionário da survey aos respondentes. Visando minimizar vieses nas respostas, são descritas algumas estratégias utilizadas. Primeiro, os pesquisadores cadastraram-se em 20 grupos de Facebook de brasileiros em Portugal, totalizando 708.135 membros. Cabe ressaltar que nem todos os membros do grupo eram brasileiros residentes. As postagens desses grupos revelam que muitos estariam interessados em imigrar ou eram simplesmente simpatizantes da ideia. A tabela 1 apresenta os quatro maiores grupos.

Como muitos desses grupos são fechados, os pesquisadores tiveram que aguardar a aprovação dos administradores para poderem participar das conversas. Mesmo após a aprovação da inclusão no grupo, as postagens também ficavam sujeitas à validação do administrador. Nesse caso, era feito um contato com os responsáveis pelo grupo via inbox (mensagem de texto exclusiva) para explanar o propósito do projeto de pesquisa, solicitando também ajuda na divulgação do link da survey. Embora a maioria dos administradores de grupo tenha sido solícita, os pesquisadores receberam algumas solicitações de contrapartida financeira para garantir o apoio às postagens. Como não havia verba de pesquisa destinada a essa finalidade, os pesquisadores decidiram por se cadastrar no maior número de grupos possível, visando obter acesso a uma quantidade de respondentes que atingisse o mínimo cálculo amostral. Outra estratégia utilizada foi a de observar os membros mais ativos, com o maior número de postagens ou participações, enviando mensagens exclusivas, solicitando apoio: tanto para responder quanto para divulgar. Os questionários ficaram disponíveis por oito meses nos grupos de brasileiros em Portugal, extrapolando enfim o mínimo estipulado de 598, sendo atingidos 667 respondentes. A descrição detalhada da amostra é apresentada na seção de Resultados (Tabela 4). Do total de entrevistados em Portugal de 667 brasileiros, 94 são empresários (14,1%). Já dos 573 que não são empresários, 222 pensam em empreender futuramente no país (38,7%).

Figura 1
Exemplo de postagem de convocação para resposta à pesquisa.

Descrição das variáveis

Para identificar características de imigrantes brasileiros em Portugal que estariam associadas à posse de um empreendimento ou, em caso negativo, ao desejo de empreender, foram coletados dados enquadrados como variáveis dependentes, sendo ‘Empresário’ definida como 1 (um) se a pessoa atua como empresário no país para onde emigrou e 0 (zero) se não atua; e ‘Desejo de empreender’, definida como 1 (um) se a pessoa que não atua como empresário deseja atuar no futuro e 0 (zero) se não deseja. Já as variáveis independentes, que representam características do respondente no momento da chegada à Portugal ou no momento atual, e que podem afetar a decisão de empreender, no caso do presente estudo, são:

  1. Sexo: 0 (zero) se o entrevistado for homem e 1 (um) se for mulher;

  2. Idade na chegada: idade do entrevistado quando ele (ou ela) chegou ao país;

  3. Nível de educação: 0 (zero) se a pessoa tinha apenas o ensino fundamental completo ou menos no momento da chegada no país, 1 (um) se tinha o ensino médio completo, 2 (dois) se ele (ou ela) possuía graduação e 3 (três) se ele (ou ela) tinha completado alguma pós-graduação;

  4. Tempo no país estrangeiro: há quantos anos o respondente mora no país;

  5. Visto de estudante: 1 (um) se o entrevistado entrou no país com um visto de estudante e 0 (zero) em caso contrário;

  6. Visto de trabalho: 1 (um) se o entrevistado entrou no país com um visto de trabalho e 0 (zero) em caso contrário;

  7. Visto de turista: 1 (um) se o entrevistado entrou no país com um visto de turista e 0 (zero) em caso contrário;

  8. Reivindica cidadania: 1 (um) se o entrevistado está reivindicando cidadania no país e 0 (zero) em caso contrário;

  9. Migrante definitivo: 0 (zero) se entrevistado declarou a intenção de voltar a qualquer momento e 1 (um) em caso contrário.

Análise estatística

Primeiramente, testou-se o risco da existência de Common Method Bias (CMB) em cada uma das amostras realizando uma análise fatorial exploratória (EFA) com todas as variáveis utilizadas no estudo. Uma variância total explicada de 50% ou mais em um único fator indicaria que a possível presença desse tipo de viés (Podsakoff, MacKenzie, Lee, & Podsakoff, 2003Podsakoff, P. M., MacKenzie, S. B., Lee, J. Y., & Podsakoff, N. P. (2003). Common method biases in behavioral research: A critical review of the literature and recommended remedies. Journal of Applied Psychology, 88(5), 879-903. 10.1037/0021-9010.88.5.879
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). Após isso, fez-se uma análise descritiva das variáveis do estudo por grupo (empresários, não empresários que desejam empreender e os que não desejam). Executou-se uma ANOVA (teste F) para analisar as diferenças médias das variáveis contínuas e um teste ꭓ2 para as variáveis categóricas entre os três grupos (Hair et al., 2006Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2006). Multivariate statistics. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.). Os resultados indicaram alguns fatores que poderiam ser utilizados para descrever o perfil e cada um dos grupos. Por fim, após a transformação de todas as variáveis contínuas para Z-score, utilizou-se regressão logística (logit), com Empresário e Desejo de Empreender como variáveis dependentes, para determinar quais variáveis são estatisticamente relevantes para prever se um imigrante brasileiro em Portugal se tornou empreendedor ou teria esse desejo. Todas as variáveis independentes descritas na seção anterior foram utilizadas em cada uma das logits propostas, que são descritas pela equação (1) e (2). A análise dos intervalos de confiança permitiu entender, por fim, as diferenças de importância entre as variáveis dependentes de cada uma das equações no contexto de Portugal.

(1) Ln Empres á rio / 1 Empres á rio = β a 0 + β a 1 * Sexo + β a 2 * Idade na chegada + β a 3 * N í vel de educa ç ã o + β a 4 * Tempo no pa í s estrangeiro + β a 5 * Visto de estudante + β a 6 * Visto de trabalho + β 7 * Visto de turista + β a * Reivindica cidadania + β a 9 * Migrante definitivo

(2) Ln Desejo de empreender / 1 Desejo de empreender = β a 0 + β a 1 * Sexo + β a 2 * Idade na chegada + β a 3 * N í vel de educa ç ã o + β a 4 * Tempo no pa í s estrangeiro + β a 5 * Visto de estudante + β a 6 * Visto de trabalho + β a 7 * Visto de turista + β a 8 * Reivindica cidadania + β a 9 * Migrante definitivo

Triangulação dos dados

Visando realizar uma triangulação dos dados da survey, valeu-se de dados extraídos de grupos de conversa do aplicativo Whatsapp cujos participantes eram brasileiros que já estavam em Portugal ou que planejavam emigrar para lá. Mais de dez grupos de Whatsapp foram indicados por membros dos grupos de Facebook nos quais foram veiculados os formulários da survey. Um dos pesquisadores entrou como membro desses grupos, permanecendo ativo no período de um mês entre julho e agosto de 2017. Segundo os preceitos da netnografia (Kozinets, 2002Kozinets, R. V. (2002). The field behind the screen: Using netnography for marketing research in online communities. Journal of Marketing Research, 39(1), 61-72. https://doi.org/10.1509/jmkr.39.1.61.18935
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), a seleção de grupos seguiu os seguintes critérios: (a) que tivessem um tópico relevante para a pesquisa; (b) que tivessem bom tráfego de postagens; (c) que apresentassem um grande número de indivíduos que 'postam' mensagens; (d) que possuíssem muitas informações detalhadas ou descritivas; e (e) que tivessem mais interações entre os membros da comunidade relacionadas à questão de pesquisa. Dados esses critérios, foram selecionados cinco grupos de WhatsApp, cujo objetivo seria o de ajudar, de diferentes formas, brasileiros habitantes de Portugal ou que estivessem em busca de informações para emigrar para Portugal. A netnografia foi realizada sem interação dos pesquisadores, apenas valendo-se de observação, identificação, análise e categorização de postagens. As conversas foram salvas em formato .pdf, totalizando 735 páginas transcritas. As mensagens foram quantificadas qualitativamente através do software de análise de conteúdo Atlas.Ti, resultando em uma classificação em sete temáticas emergentes das conversas transcritas: anúncio de negócios; dicas de produtos, serviços ou entretenimento; emprego; imigração; informações e perguntas; notícias; e solidariedade (ver tabela 2). O corpus da pesquisa refere-se à regra da representatividade, homogeneidade e pertinência, dada a impossibilidade de obter, em sua totalidade, todas as conversas e grupos de brasileiros em Portugal (Bardin, 2011Bardin, L. (2011). Content analysis. São Paulo: Edições 70.).

RESULTADOS

Perfil do imigrante brasileiro em Portugal

A Tabela 3 apresenta a estatística descritiva da amostra para cada um dos grupos. Observa-se um equilíbrio entre a quantidade de homens e mulheres que são empresários (50%), enquanto há uma maior prevalência de mulheres não-empresárias (64%). Destas, a proporção de mulheres que não quer empreender é maior que a dos homens (68%). A idade média é maior para os empresários, assim como o tempo de país. Dentre os não-empresários observa-se que os que querem empreender geralmente têm mais de três anos morando no país (3,25 anos). Também é interessante notar que a proporção de migrantes definitivos é maior para não-empresários em Portugal. No caso dos que ainda não empreendem, os que têm intenção de fazê-lo no futuro supera em larga margem os que não querem em ambos os contextos. Com relação ao visto de entrada no país, em Portugal, a proporção de pessoas que entrou como turista é a mesma para empresários e não-empresários, e entre quem quer empreender e quem não quer. O mesmo fenômeno se observa para as pessoas que entraram com visto de trabalho.

Em seguida, verificou-se a possibilidade de existência de CMB para as amostras. Duas EFAs foram executadas, uma para cada variável dependente em conjunto com as variáveis independentes. Isso foi necessário, pois a resposta da segunda variável independente pressupõe que a pessoa não seja empresária, o que faz esta variável não ter variância, impedindo as duas variáveis dependentes de fazerem parte da mesma EFA. No caso de Portugal, os números foram respectivamente 19,27% e 19,57%. Todos os valores são muito menores do que o limite de 50%. Por esse motivo, o CMB não foi considerado um problema. A Tabela 4 mostra os resultados das logits que estimaram a influência das variáveis independentes em ‘Empresário’ e ‘Desejo de empreender’. Em todos os casos, o ajuste geral do logit foi significativo, com p <0,01. Os índices Cox & Snell R2 e Nagelkerke R2 em cada caso são apresentados também na Tabela 4.

Analisando-se os resultados para a variável dependente Empresário, observa-se que ‘Idade na chegada’, ‘Tempo no país’, ‘Sexo’ (feminino), ‘Visto de trabalho’, ‘Visto de turista’ e ‘Reivindica cidadania’ têm influência positiva, e ‘Migrante definitivo’ tem influência negativa.

As equações (3) e (4) apresentam os modelos de regressão simulados, considerando somente as variáveis significativas à p < 0,1:

(3) Ln Empres á rio / 1 Empres á rio = 9 , 896 + 0 , 816 * Sexo + 0 , 026 * Idade na chegada + 0 , 049 * Tempo no pa í s estrangeiro + 2 , 726 * Visto de estudante + 2 , 257 * Visto de trabalho + 1 , 776 * Visto de turista + 1 , 659 * Reivindica cidadania 0 , 564 * Migrante definitivo

(4) Ln Desejo de empreender / 1 Desejo de empreender = 0 , 553 * Sexo + 0 , 036 * Idade na chegada 0 , 887 * Migrante definitivo

Teste de robustez

Para testar o quão robustos e estáveis são os resultados das regressões, foi feita uma análise de cluster K-mean (Hair et al., 2006Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2006). Multivariate statistics. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.). Esse método classifica, de acordo com variáveis escolhidas, os casos de uma amostra em um número pré-determinado de grupos. Esse agrupamento é feito de acordo com as distâncias euclidianas entre casos, considerando as variáveis como dimensões no espaço (Hair et al., 2006Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2006). Multivariate statistics. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.). Casos mais próximos tenderiam, então, a serem classificados dentro do mesmo grupo.

De acordo com a proposição do artigo, a amostra pode ser dividida em três grupos: empresários, não-empresários que querem empreender, e não-empresários que não querem empreender. Também foi proposto que as nove variáveis independentes utilizadas nas logits poderiam ser utilizadas para diferenciar os cases, classificando-os dentro desses três grupos.

Após a análise, a classificação resultante do método e a classificação original foram correlacionadas (através de correlação de Pearson). Esta correlação se mostrou positiva (0,128) e significante à p < 0,01. Dessa forma, podemos dizer que ambos os métodos proporcionaram resultados correlacionados, embora diferenças nas classificações nos grupos tenham ocorrido com uma frequência próxima de 25%. Esta frequência, em conjunto com a correlação positiva e significante, foi considerada aceitável para suportar a robustez do método.

Discussão dos resultados

Lembrando que a proposta do artigo seria a de identificar variáveis situacionais (por exemplo, status de emprego ou nível educacional) ou individuais (por exemplo, características demográficas) prescritoras de atividades empresariais, os resultados apontam para algumas variáveis promissoras. É do interesse de diversos pesquisadores de empreendedorismo e gestores públicos, poder se utilizar dados secundários sócio demográficos e situacionais dos imigrantes, os quais estão muitas vezes disponíveis em bases de dados governamentais ou mesmo em questionários ou censos de imigrantes.

Pode-se afirmar baseado na amostra, que quanto maior a idade na chegada ao país e quanto maior seu tempo de permanência, maior a probabilidade de ter um negócio próprio. No caso do tempo de permanência no país, o motivo é evidente, pois as pessoas que imigraram com intenção de empreender precisam de um tempo para planejar e executar a montagem do seu negócio, o que aumenta a probabilidade de criá-lo ao longo dos anos, corroborando com Krueger, Reilly e Carsrud (2000)Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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. Em relação à idade de chegada no país, isso pode ser derivado do fato da idade média dos imigrantes estudantes ser menor do que o dos outros imigrantes. Para tentar dirimir essa dúvida, foram calculadas as médias de idade dos diversos grupos. De fato, o que os dados da survey mostram foi que a média de idade dos que chegaram como estudantes em Portugal foi de 31 anos, sendo 37 anos a média para os demais respondentes. Outra explicação seria que os mais maduros têm maior urgência em se estabelecer em uma profissão que garanta o seu sustento e o de sua família, enquanto que os mais jovens podem ainda não ter família e serem sustentados pelos pais, não tendo grande urgência em tomar a decisão de como iriam se estabelecer. Porém, ao se analisar as respostas das perguntas abertas “Qual é o seu Propósito?” e “Quais as principais dificuldades enfrentadas quando chegaram?”, nenhum dos que se declararam empresários citaram a urgência em empreender. As principais alegações foram relativas à necessidade de se ter uma vida melhor ou às dificuldades de se lidar com uma nova cultura.

Em contrapartida, surpreende o fato de que os entrevistados que declararam querer ficar para sempre ou sem prazo definido no país têm maior probabilidade de não serem empreendedores. É possível que estes, em sua maioria, tenham empregos formais, enquanto que os empreendedores condicionam sua permanência definitiva ao sucesso de seu empreendimento. Detalhando os dados da survey foi identificado que, dos brasileiros em Portugal, 38% dos que declararam querer ficar para sempre estão apenas trabalhando e outros 16% estão trabalhando e estudando.

Vários dos fatores pesquisados influenciam o fato de o entrevistado ser empreendedor somente em Portugal. Primeiramente, o fato de o respondente ser mulher. As mulheres ainda sentem uma responsabilidade primária pela família. Ademais, as diferenças étnicas e de gênero na escolha de carreira são explicadas em grande parte pelas diferenças de autoeficácia (Krueger, Reilly & Carsrud, 2000Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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), sendo que diversos trabalhos aplicados nos campos de psicologia e sociologia apontam para como remediar diferenças de autoeficácia. Quando ela é aumentada, eleva também as percepções de viabilidade do empreendimento e percepções de oportunidades. Na seleção de empregos, as mulheres atribuem grande importância à ‘conveniência’ - ou seja, até que ponto o emprego pode ser acomodado à sua vida familiar (Azmon & Izraeli, 1993Azmon, Y., & Izraeli, D. N. (1993). Introduction: Women in Israel - sociological overview. In Y. Azmon & D. N. Izraeli (Eds.), Women in Israel (pp. 1-21). New Brunswick, NJ: Transaction.; Yukongdi & Lopa, 2017Yukongdi, V., & Lopa, N. (2017). Entrepreneurial intention: A study of individual, situational and gender differences, Journal of Small Business and Enterprise Development, 24(2), 333-352. https://doi.org/10.1108/JSBED-10-2016-0168
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). Consequentemente, existe uma falta geral de apoio para as mulheres que se envolvem em cargos gerenciais e administrativos (Izraeli, 1994Izraeli, D. N. (1994). Outsiders in the promised land: Women managers in Israel. In N. J. Adler & D. N. Izraeli (Eds.), Competitive frontiers: Women managers in a global economy (pp. 301-323). Cambridge: Blackwell Publishers.), bem como no trabalho por conta própria (Yukongdi & Lopa, 2017Yukongdi, V., & Lopa, N. (2017). Entrepreneurial intention: A study of individual, situational and gender differences, Journal of Small Business and Enterprise Development, 24(2), 333-352. https://doi.org/10.1108/JSBED-10-2016-0168
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). No entanto, segundo Krueger, Reilly e Carsrud (2000)Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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, treinamentos cuidadosamente formatados para esse público tornam possíveis a sensibilização e promoção do empreendedorismo feminino.

Da mesma forma, emigrantes tanto com visto de turista, de trabalho ou de estudante, assim como as pessoas que reivindicam cidadania, têm maior probabilidade de serem empreendedores, o que demonstra uma tendência desses indivíduos a se fixarem em Portugal. Lá também ocorre uma facilidade de obtenção de visto tanto por descendência de parte dos brasileiros com a obtenção de cidadania europeia, quanto por causa de políticas recíprocas entre Brasil e Portugal (Bitencourt & Ricken, 2018Bitencourt, M. C., & Ricken, R. S. (2018). A concessão do benefício assistencial aos estrangeiros residentes no país e a violação do princípio da dignidade da pessoa humana. Seminário de Ciências Sociais Aplicadas, 6(6), 1-11. Retrieved from http://periodicos.unesc.net/seminariocsa/article/view/4696
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).

Considerando as amostras de respondentes que não são empreendedores atualmente, pode-se identificar fatores correlacionados com a intenção de empreender no futuro, sendo que respondentes do sexo feminino tendem a ter maior intenção. A justificativa para tal pode ser a mesma dada anteriormente para a tendência de empreenderem pela conveniência de decidir seus horários de trabalho que possibilitem cuidar da família. Outrossim, podem ainda não ter conseguido abrir os seus negócios, embora ainda tenham intenção de fazê-lo. Também foi encontrada uma relação negativa entre o fato de o respondente ser um imigrante definitivo e a intenção de abrir um negócio. Conforme já falado anteriormente, as pessoas que têm a intenção de ficar definitivamente no país são as que estão mais estabilizadas em um emprego fixo, que não teriam tanto interesse em iniciar uma empreitada empreendedora, corroborando com os estudos de Krueger, Reilly & Carsrud (2000)Krueger, N. F., Jr., Reilly, M. D., & Carsrud, A. L. (2000). Competing models of entrepreneurial intentions. Journal of Business Venturing, 15(5-6), 411-432. https://doi.org/10.1016/S0883-9026(98)00033-0
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, que mostram o pensamento que enfatiza análise de oportunidades versus ameaças, ou de que as intenções em geral dependem de percepções de atratividade pessoal, normas sociais e viabilidade (ver Krueger & Carsrud, 1993Krueger, N. F., Jr., & Carsrud, A. L. (1993). Entrepreneurial intentions: Applying the theory of planned behaviour. Entrepreneurship & Regional Development, 5(4), 315-330. https://doi.org/10.1080/08985629300000020
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).

Cruz, Falcão e Barreto (2018)Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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, em estudos realizados em outra comunidade brasileira, embora no sul da Flórida (EUA), já haviam detectado que os empresários brasileiros costumam chegar preparados financeiramente, com uma reserva para enfrentarem as dificuldades financeiras dos primeiros meses. Tomando por base esse comportamento de brasileiros, essa explicação só deve ser totalmente esclarecida com a segunda fase da pesquisa que envolverá a visita a Portugal para a realização de entrevistas em profundidade com os empresários brasileiros (marcadas para serem iniciadas em 2020).

Por fim, nenhum outro fator se mostrou correlacionado com a intenção de empreender em Portugal. Este achado reforça o que já foi argumentado anteriormente a respeito da correlação negativa entre visto de turista ou estudante e o fato de a pessoa ser empreendedora. Portugal mostra-se como um ambiente facilitador para iniciar negócios de forma irregular ou ilegal.

Triangulação dos resultados

Por meio da triangulação de dados com as conversas de Whatsapp, analisando de forma isolada as palavras contidas nas conversas, concluiu-se que os assuntos predominantes tratavam sobre trabalho e emprego, informações sobre empresas e processo migratório e de obtenção de cidadania. Parte dos achados na pesquisa realizada no Facebook vai ao encontro do que foi previamente analisado nas conversas de Whatsapp, no que tange as motivações para migrar e a escolha de Portugal como destino, a busca por melhores oportunidades educacionais, profissionais e de vida de forma geral. Percebe-se também que muitos indagam questões relativas aos tipos de visto de ingresso e seus impactos.

Pergunta: “Vcs sabem se o visto de empreendedor (é D7 né?). Tem muito imposto? E vcs sabem se há um visto diferente para profissional liberal?”

Resposta: “D2 é o visto de empreendedor e o D7 é o visto de aposentado.”

Pergunta: “Como vc ainda está no período de 3 meses, vc está com o visto de turista, não é? Eles contratam (fazem contrato) com vc ainda com visto de turista?”

Pergunta: “Alguém pode me responder se é possível ir com visto de Turismo e lá depois que eu ver qual é a melhor Universidade eu tirar o visto de estudante?” “Abaixo, confira a lista completa das 26 universidades portuguesas que oficializaram a parceria com o Inep para usar a nota do Enem como método de seleção de estudantes do Brasil”

Resposta: “Isso. Fazem contrato, mas pode gerar multa ao patrão e atrasar o pedido de residência do empregado.... Eles podem alegar que trabalhou quando não era para trabalhar... Coisas assim.”

Resposta: “Vc vindo vc vai abrir uma empresa, tributos da empresa não legaliza a pessoa, agora vc como proprietário ou sócio da empresa tem que fazer os descontos da segurança social, aí após alguns meses de contribuição vc pode tentar desta maneira...”

Pergunta: Sim, com visto D2. Onde vejo sobre o visto D2? ”

Resposta: “Vou lhe passar pelo PV ok. Me add. Ou por aqui mesmo. Vou passar a lista dos vistos. Sim, com visto D2 a pessoa vem já com visto, já chegando já marca no SEF para pegar o cartão de residência.... Aí é muito mais tranquilo.... Pois não fica ilegal em nenhum momento...”

Pergunta: “estudante e residência? (Claro o nome auto se diz). Mas mesmo indo estudar pode tirar o de residência? O meu faz 30 dias amanhã no consulado de PE.”

Resposta: “Estudante: cursos até 1 ano. Não se pode trabalhar legalmente. Residência: cursos acima de 1 ano. Pode-se trabalhar, desde que tenha autorização do SEF (www.sef.pt)”

Dos que possuem cidadania europeia, alguns participantes do grupo têm dúvida sobre imigrar para Portugal, conforme extratos:

Pergunta: “Olá pessoal. Tenho cidadania portuguesa e pretendo me mudar próximo ano com marido e filha. Estou em uma dúvida enorme se iremos para Portugal ou Espanha. Queremos montar um negócio próprio fora do Brasil. Gostaria muito da opinião de quem está aí, afinal a princípio até nos adaptarmos, definir o que montar e aperfeiçoar o idioma teremos que trabalhar pra alguém. Toda ajuda é bem-vinda. Muito obrigada por me aceitarem no grupo.”

Pergunta: “Boa noite pessoal! Sou nova no grupo e tenho interesse em me mudar ... Na verdade estou em dúvida entre Espanha e Portugal. Podem me auxiliar sobre diferenças entre os dois países. Tenho cidadania portuguesa e pretendo montar um negócio próprio. Quais melhores regiões para morar na Espanha? Busco um local com clima parecido com o Brasil (calor), lugar tranquilo, com aluguel com preço razoável, e com comercio próximo. Se puderem me informar como é o ramo de estética aí seria ótimo. A princípio para ter a certeza que irei me adaptar a região irei trabalhar para alguém sendo assim tem que ser área com trabalho tbm. Desde já agradeço.”

Outro aspecto ressaltado são as profissões mais demandadas:

Pergunta: “Boa noite pessoal, ainda estou no Brasil e estararei indo para Lisboa no dia 05/08. Infelizmente estou desempregado, e não aguento mais a violência aqui, tenho 33 anos, sou pai de três filhos. Estou indo na frente e depois levarei a família. E gostaria muito de uma ajuda para arrumar qualquer trabalho aí, mesmo que seja na área de limpeza. Tenho habilidades nas seguintes áreas; serralheiro, eletricista predial, encanador industrial, caldeiraria industrial, mecânico industrial, técnico de processos industriais pleno, analista de projetos sênior, supervisor de manutenção”.

Resposta: “Indico aprender uma destas profissões antes de sair do Brasil: Pintor, Jardineiro, Garçom, Camareira, Pedreiro, Eletricista, Cozinheiro, Padeiro, Confeiteiro, Canalizador, Carpinteiro, Estucador, Ladrilhador, Cabeleireiro, entre outras operacionais. Nestas profissões ganhará entre 600 e 1200 Euros, se conseguir ganhar mais, melhor ainda, lembrando que o custo de vida mensal será ± 450 Euros por pessoa”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Lembrando que o objetivo inicial do estudo era o de determinar quais variáveis seriam estatisticamente relevantes para prever se um imigrante brasileiro em Portugal teria intenção de se tornar empreendedor, o resultado da análise de dados estatísticos derivados das surveys utilizou variáveis como sexo, idade na chegada, nível educacional, tempo de estada no país estrangeiro até o momento da pesquisa, e se eles teriam visto de estudante, de trabalho ou de turista, ou mesmo se estariam reivindicando sua cidadania ou migração definitiva.

Diante do que foi evidenciado na pesquisa, há influências diferentes das variáveis, a depender do país em que os brasileiros se encontram. Isso se explica parcialmente pela influência ambiental, seja das políticas de incentivo à imigração qualificada, de atração de imigrantes descendentes (importante para imigrantes brasileiros em Portugal), ambiente institucional geral do país, como evidenciado em estudos conduzidos nos Estados Unidos e Austrália com comunidades brasileiras (Cruz, Falcão, & Barreto, 2017Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2017, January). Bounded trust or mistrust - depicting brazilian immigrant entrepreneurship practices in the US. Poster presented at the United States Association for Small Business and Entrepreneurship (USASBE) Annual Conference, Philadelphia, United States of America, 32.; Cruz, Falcão, & Barreto, 2018Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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; Cruz, Falcão, & Mancebo, 2019Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Mancebo, R. C. (2019). Market orientation and strategic decisions on immigrant and ethnic small firms. Journal of International Entrepreneurship. Advance online publication. https://doi.org/10.1007/s10843-019-00263-2
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; Cruz, Falcão, & Paula, 2018Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Paula, F. O. (2018, October). Imigrantes ou consumidores de intercâmbio? As agências como facilitadores da imigração de brasileiros para Austrália. Annals of the Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Curitiba, PR, Brazil, 42.). O presente trabalho pretende, inicialmente, oferecer essa contribuição teórica, uma vez que evidencia as variáveis que têm relação com o ato de empreender em uma comunidade brasileira no exterior. Além disso, vale ser ressaltado que no campo do empreendedorismo de imigrantes, os brasileiros têm sido pouco pesquisados inclusive por acadêmicos brasileiros (Cruz, Falcão, & Barreto, 2018Cruz, E. P., Falcão, R. P. Q., & Barreto, C. R. (2018). Exploring the evolution of ethnic entrepreneurship: the case of Brazilian immigrants in Florida. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 24(5), 971-993. https://doi.org/10.1108/IJEBR-08-2016-0239
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). Nota-se que grande parte dos estudos inclui diversas etnias asiáticas, do Oriente Médio ou de países latino-americanos, acolhidos na Europa e Estados Unidos.

Como implicações gerenciais, os resultados observados nas comunidades brasileiras de Portugal apontam para variáveis que influenciam o desejo de empreender dos imigrantes (como idade na chegada, tempo no país, visto de trabalho, nível de educação, visto de turista e reivindicar cidadania), podendo ser usadas como insumos para políticas públicas voltadas ao empreendedorismo, tais como mecanismos de fomento e de atração de futuros empreendedores.

No caso de estudos futuros, propõe-se o estabelecimento de novos estudos comparativos entre comunidades diferentes de brasileiros, assim como estudos comparativos entre diferentes etnias. Outras possibilidades de estudos futuros incluem o uso das cinco perspectivas teóricas de estudos seminais, as quais explicariam o desempenho de empreendedores: motivações e objetivos individuais; aprendizagem social; redes de afiliação, capital humano e influências ambientais (Brockhaus & Horwitz 1986Brockhaus, R. H., & Horwitz, P. S. (1986). The psychology of the entrepreneur. In D. L. Sexton & R.W. Smilor (Eds.), The art and science of entrepreneurship (pp. 25-48). Cambridge, MA: Ballinger.; Hisrich & Brush, 1984Hisrich, R., & Brush, C. (1984). The woman entrepreneur: Management skills and business problems. Journal of Small Business Management, 22(1), 30-37. Retrieved from https://ssrn.com/abstract=1505240
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) e também evidenciar os possíveis efeitos de educação empreendedora sobre imigrantes, corroborando com Santos, Caetano, Spagnoli, Costa e Neumeyer (2017)Santos, S. C., Caetano, A., Spagnoli, P., Costa, S. F., & Neumeyer, X. (2017). Predictors of entrepreneurial activity before and during the european economic crisis. International Entrepreneurship and Management Journal, 13(4), 1263-1288. https://doi.org/10.1007/s11365-017-0453-8
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, Yukongdi e Lopa (2017)Yukongdi, V., & Lopa, N. (2017). Entrepreneurial intention: A study of individual, situational and gender differences, Journal of Small Business and Enterprise Development, 24(2), 333-352. https://doi.org/10.1108/JSBED-10-2016-0168
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.

Além disso, destaca-se que existem outras informações extraídas dos dados das surveys que serão utilizadas em outros trabalhos. Isso significa que dentro das possibilidades de pesquisas futuras destacam-se as que já estão em desenvolvimento, valendo-se de relatórios de pesquisa e entrevistas em profundidade com imigrantes brasileiros em Portugal, gerando artigos sobre o perfil dos brasileiros nos países de acolhimento e artigos sobre os modelos de negócios das pequenas e médias empresas de brasileiros no exterior. Vale ressaltar que um processo de replicação do estudo já vem sendo realizado em países como o Canadá, Alemanha, Suíça, Itália e Reino Unido.

  • Financiamento
    A pesquisa que sustenta os dados do presente artigo foi realizada com apoio financeiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. Chamada MCTIC/ CNPq nº 28/2018 - Universal.
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    http://dx.doi.org/10.17632/92c8925nbr.2 Cruz, Eduardo; Falcao, Roberto; Paula, Fabio (2020), “Data for: "Analysis of prescribing variables of entrepreneurial intention of Brazilian immigrants in Portugal" published by RAC-Revista de Administração Contemporânea”, Mendeley Data, v2.

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Editado por

Editor-chefe: Wesley Mendes-Da-Silva (Fundação Getulio Vargas, EAESP, Brasil) https://orcid.org/0000-0002-5500-4872
Pareceristas: Selma Mosquera (Universidade de Lisboa, ISCSP, CAPP, Portugal). https://orcid.org/0000-0002-7464-8649Um dos indivíduos revisores optou por não ter sua identidade divulgada.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Abr 2020
  • Data do Fascículo
    May-Jun 2020

Histórico

  • Recebido
    12 Dez 2019
  • Revisado
    28 Fev 2020
  • Aceito
    28 Fev 2020
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