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Um espelho, um reflexo! A Educação para a Sustentabilidade como subsídio para uma tomada de decisão consciente do administrador

A mirror, a reflection! Education for Sustainability as subsidy for a conscious decision making of the business management

Un espejo, un reflejo! Educación para la Sostenibilidad como subsidio para la toma de una decisión consciente del administrador de negocio

Resumos

Mudar comportamentos com base na conscientização é um fator essencial para mudar os padrões de produção e consumo vigentes. Para que uma nova visão possa emergir é necessário que haja um processo de mudança na responsabilidade tanto de produtores quanto de consumidores. Nessa perspectiva, a educação surge como agente de transformação, ao sensibilizar e estimular o indivíduo a exercer seu papel de consumidor-cidadão. Considerando que as mudanças também estão presentes no ambiente empresarial, parte-se do pressuposto que a Educação para a Sustentabilidade (EpS) nos cursos de graduação em administração atua como subsídio para uma tomada de decisão consciente por parte do futuro gestor. Tomar decisões, ou seja, fazer escolhas levando em conta os preceitos da sustentabilidade requer a formação de profissionais críticos e reflexivos. Deste modo, o presente estudo tem como objetivo compreender como a EpS pode contribuir para um processo de tomada de decisão consciente com alunos de administração na cidade de Recife-PE. A abordagem metodológica adotada foi quantitativa, e inicialmente identificou-se o comportamento de consumo consciente dos alunos. Assim, apesar da identificação de uma tendência positiva para uma consciência, entende-se que um trabalho de sensibilização e incentivo em relação a um comportamento mais ético e responsável deve ser realizado por meio da intensificação da EpS no curso de administração. Além disso, identificou-se que se deve buscar a construção de um círculo virtuoso recursivo, o qual deve orientar a tomada de decisão do nível individual ao coletivo. As discussões sugerem a possibilidade de atuação da EpS como espelho para que novos comportamentos e ações sejam incorporadas na formação desse futuro gestor e que os reflexos dessa nova visão possam ser disseminados como compromisso por uma sociedade mais sustentável. Com isso, a contribuição do estudo está em alinhar a ideia de consciência à tomada de decisão, com base na Educação para a Sustentabilidade.

Educação para a Sustentabilidade; Tomada de decisão; Comportamento de consumo; Consciência; Administrador


The Change of behavior due to awareness is an essential factor in order to change the actual production and consumer patterns. So that a new vision can emerge, it is necessary that there be a process of change in the responsibility in both the producers as well as the consumers. In this perspective, education emerges as a transforming agent, as it sensitizes and stimulates the individual to exert his consumer-citizen role. Considering that the changes are also present in the business environment, the established idea is that Education for Sustainability (EfS) in the Business Administration Courses acts as a base for a conscious decision which is made by future management. The making of decisions, in other words, the making of choices that take the principles of Sustainability into account requires the critical and reflective formation of the practitioners. The present study has the objective to understand how the EfS can contribute to the conscious decision making process of the Administration students. The methodological approach adopted was quantitative. The initial phase identified the students' conscious consumer behavior. Thus, despite the identification of a positive consciousness trend, towards to ethical and responsible behavior from the more Education for Sustainability in Administration course structure an awareness and an incentive it is necessary. Moreover, we identified that a virtuous circle recursive should be created seeking guide the decision making of the individual to the collective. Furthermore, the further discussions suggest that the EfS can act as a mirror so that new behavior and actions can be incorporated in the training of this future manager and that the reflection of this new vision can be spread as a commitment for a more sustainable society. Thus, the contribution of this study is to align the idea of consciousness to the decision management, based on Education for Sustainability.

Education for Sustainability; Decision Making; Consumer Behavior; Consciousness; Administrator


Cambiar comportamientos a través de la concieciación es un factor clave para romper el modelo estándar de producción y consumo da atualidad. Para que una nueva visión pueda surgir en la sociedad és necessário haber un proceso de cambio en la responsabilidad de los productores y de los consumidores. En esta perspectiva, la educación emerge como un agente de transformación, para crear conciencia y estimular a las personas a ejercer su papel de consumidor-ciudadano. Considerando que los cambios también están presentes en el entorno empresarial, parte del supuesto que la Educación para la Sostenibilidad (EPS) en los cursos de graduación em Administración actua como un subsidio para una toma de decisión conciente por parte del gerente del futuro. La toma de decisiones, en otras palavras, hacer elecciones teniendo en cuenta los principios de la Sostenibilidad requiere la formación de profesionales críticos y reflexivos. Por lo tanto, este estudio tiene como objetivo comprender cómo la EPS puede contribuir a un proceso de toma de decisiones consciente a lo largo de los estudiantes de Administración, en la ciudad de Recife-PE. El enfoque metodológico adoptado fue cualitativo, cuya primera fase buscó identificar el comportamiento de consumo conciente de los estudiantes. Así, a pesar de la identificación de una tendencia positiva hacia una toma de conciencia, se entiende que un trabajo de sensibilización y el fomento de un comportamiento más ético y responsable debe ser realizado a través de la intensificación de la EPS en el curso de Administración. Además, se identificó que se debe tratar de construir un círculo virtuoso recursivo, que debe guiar la toma de decisiones a nivel de lo individual a lo colectivo. Los debates sugieren la posibilidad de la EPS actuar como un espejo para que nuevos comportamientos y acciones sean incorporados en la formación de los futuros directores y que los efectos de esta nueva visión pueda difundirse como un compromiso por una sociedad más sostenible. Así, la contribución de esto estudio es alinear la idea de la conciencia com la toma de decisión, a partir de la Educación para la Sostenibilidad.

Educación para la Sostenibilidad; Toma de Decisiones; Comportamiento del Consumidor; Conciencia; Administrador


EDUCAÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE: DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DA NOVA GERAÇÃO DE ADMINISTRADORES

Um espelho, um reflexo! A Educação para a Sustentabilidade como subsídio para uma tomada de decisão consciente do administrador

A mirror, a reflection! Education for Sustainability as subsidy for a conscious decision making of the business management

Un espejo, un reflejo! Educación para la Sostenibilidad como subsidio para la toma de una decisión consciente del administrador de negocio

Minelle Enéas da SilvaI; Renata CzykielII; Paola Schmitt FigueiróIII; Wagner Soares Fernandes dos SantosIV; Ulysses Paiola GalvãoV

IDoutorando em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: minele.adm@gmail.com

IIMestranda em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: renata.czy@gmail.com

IIIDoutoranda em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: paolaadm@gmail.com

IVDoutorando em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Washington Luiz, 855, Centro, Porto Alegre – RS – Brasil – CEP 90010-460 E-mail: wagnersoaresfernandes@yahoo.com.br

VBacharel em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Avenida Professor Moraes Rego, 1235, Cidade Universitária, Recife – PE – Brasil – CEP 50670-901 E-mail: ulyssespaiola@yahoo.com

RESUMO

Mudar comportamentos com base na conscientização é um fator essencial para mudar os padrões de produção e consumo vigentes. Para que uma nova visão possa emergir é necessário que haja um processo de mudança na responsabilidade tanto de produtores quanto de consumidores. Nessa perspectiva, a educação surge como agente de transformação, ao sensibilizar e estimular o indivíduo a exercer seu papel de consumidor-cidadão. Considerando que as mudanças também estão presentes no ambiente empresarial, parte-se do pressuposto que a Educação para a Sustentabilidade (EpS) nos cursos de graduação em administração atua como subsídio para uma tomada de decisão consciente por parte do futuro gestor. Tomar decisões, ou seja, fazer escolhas levando em conta os preceitos da sustentabilidade requer a formação de profissionais críticos e reflexivos. Deste modo, o presente estudo tem como objetivo compreender como a EpS pode contribuir para um processo de tomada de decisão consciente com alunos de administração na cidade de Recife-PE. A abordagem metodológica adotada foi quantitativa, e inicialmente identificou-se o comportamento de consumo consciente dos alunos. Assim, apesar da identificação de uma tendência positiva para uma consciência, entende-se que um trabalho de sensibilização e incentivo em relação a um comportamento mais ético e responsável deve ser realizado por meio da intensificação da EpS no curso de administração. Além disso, identificou-se que se deve buscar a construção de um círculo virtuoso recursivo, o qual deve orientar a tomada de decisão do nível individual ao coletivo. As discussões sugerem a possibilidade de atuação da EpS como espelho para que novos comportamentos e ações sejam incorporadas na formação desse futuro gestor e que os reflexos dessa nova visão possam ser disseminados como compromisso por uma sociedade mais sustentável. Com isso, a contribuição do estudo está em alinhar a ideia de consciência à tomada de decisão, com base na Educação para a Sustentabilidade.

Palavras-chave: Educação para a Sustentabilidade; Tomada de decisão; Comportamento de consumo; Consciência; Administrador.

ABSTRACT

The Change of behavior due to awareness is an essential factor in order to change the actual production and consumer patterns. So that a new vision can emerge, it is necessary that there be a process of change in the responsibility in both the producers as well as the consumers. In this perspective, education emerges as a transforming agent, as it sensitizes and stimulates the individual to exert his consumer-citizen role. Considering that the changes are also present in the business environment, the established idea is that Education for Sustainability (EfS) in the Business Administration Courses acts as a base for a conscious decision which is made by future management. The making of decisions, in other words, the making of choices that take the principles of Sustainability into account requires the critical and reflective formation of the practitioners. The present study has the objective to understand how the EfS can contribute to the conscious decision making process of the Administration students. The methodological approach adopted was quantitative. The initial phase identified the students' conscious consumer behavior. Thus, despite the identification of a positive consciousness trend, towards to ethical and responsible behavior from the more Education for Sustainability in Administration course structure an awareness and an incentive it is necessary. Moreover, we identified that a virtuous circle recursive should be created seeking guide the decision making of the individual to the collective. Furthermore, the further discussions suggest that the EfS can act as a mirror so that new behavior and actions can be incorporated in the training of this future manager and that the reflection of this new vision can be spread as a commitment for a more sustainable society. Thus, the contribution of this study is to align the idea of consciousness to the decision management, based on Education for Sustainability.

Keywords: Education for Sustainability; Decision Making; Consumer Behavior; Consciousness; Administrator.

RESUMEN

Cambiar comportamientos a través de la concieciación es un factor clave para romper el modelo estándar de producción y consumo da atualidad. Para que una nueva visión pueda surgir en la sociedad és necessário haber un proceso de cambio en la responsabilidad de los productores y de los consumidores. En esta perspectiva, la educación emerge como un agente de transformación, para crear conciencia y estimular a las personas a ejercer su papel de consumidor-ciudadano. Considerando que los cambios también están presentes en el entorno empresarial, parte del supuesto que la Educación para la Sostenibilidad (EPS) en los cursos de graduación em Administración actua como un subsidio para una toma de decisión conciente por parte del gerente del futuro. La toma de decisiones, en otras palavras, hacer elecciones teniendo en cuenta los principios de la Sostenibilidad requiere la formación de profesionales críticos y reflexivos. Por lo tanto, este estudio tiene como objetivo comprender cómo la EPS puede contribuir a un proceso de toma de decisiones consciente a lo largo de los estudiantes de Administración, en la ciudad de Recife-PE. El enfoque metodológico adoptado fue cualitativo, cuya primera fase buscó identificar el comportamiento de consumo conciente de los estudiantes. Así, a pesar de la identificación de una tendencia positiva hacia una toma de conciencia, se entiende que un trabajo de sensibilización y el fomento de un comportamiento más ético y responsable debe ser realizado a través de la intensificación de la EPS en el curso de Administración. Además, se identificó que se debe tratar de construir un círculo virtuoso recursivo, que debe guiar la toma de decisiones a nivel de lo individual a lo colectivo. Los debates sugieren la posibilidad de la EPS actuar como un espejo para que nuevos comportamientos y acciones sean incorporados en la formación de los futuros directores y que los efectos de esta nueva visión pueda difundirse como un compromiso por una sociedad más sostenible. Así, la contribución de esto estudio es alinear la idea de la conciencia com la toma de decisión, a partir de la Educación para la Sostenibilidad.

Palabras clave: Educación para la Sostenibilidad; Toma de Decisiones; Comportamiento del Consumidor; Conciencia; Administrador.

1 INTRODUÇÃO

Em um universo de possibilidades, pode-se dizer que mudar comportamentos, e a forma de ver o mundo e as pessoas, com base na conscientização, despontam como fatores essenciais para modificar os atuais padrões de produção e consumo. Afinal, sem a busca por novos direcionamentos corre-se o risco de acelerar o que deveria ser freado, sob pena de a sociedade não contar com recursos que estão chegando ao limite (FOLADORI, 2005). Isso se justifica por causa das consequências do modelo de desenvolvimento essencialmente econômico e tecnológico vivenciado até o momento. Assim, mudar os padrões dominantes de produção e consumo requer um processo de decisão mais responsável.

No entanto, para que uma nova visão possa emergir na sociedade, como forma alternativa ao que vem sendo até então considerado, é necessário que haja um processo de mudança na responsabilidade tanto de produtores quanto de consumidores, tendo em vista que a prática do consumo provoca impactos na sociedade, na economia e no ambiente. Isso sugere que ser responsável em uma sociedade ética é se preocupar com o coletivo e focar em benefícios mais globais de seus impactos (SILVA; MENK, 2012). É nesse cenário que se multiplicam movimentos em busca do equilíbrio entre o crescimento econômico, a proteção ambiental e a justiça social, afinal, uma sociedade capitalista não cogita estagnar-se.

Para Scotto, Carvalho e Guimarães (2009), o caminho mais seguro para sociedades plenamente sustentáveis não está exclusivamente em uma gestão mais racional do meio ambiente. A sustentabilidade, antes de tudo, envolve indagação sobre modos de existência, formas de vida e relações sociais. Segundo Robinson (2004), a sustentabilidade é uma questão de comportamento humano e negociação acerca do futuro, em condições de contingências profundas e incertas. Assim, surge a busca por indagações e respostas mais adequadas, pela conscientização e mudança de comportamento, pela compreensão e disseminação de novas práticas, pelo incentivo ao respeito à vida, dentre tantas outras necessidades. Nesse cenário, a educação atua como elemento fundamental.

Sob o ponto de vista de mudanças nos comportamentos, segundo Silva e Gómez (2010), principalmente aqueles voltados ao consumo, a educação surge como um agente de transformação no estímulo ao direcionamento de um indivíduo ao papel de consumidor-cidadão, que pode assumir uma visão de maior consciência ao incorporar novas responsabilidades. Essa consciência pode ser verificada em níveis (SILVA; MENK, 2012) e relacionar-se diretamente com o processo de tomada de decisão individual. Tomar decisão significa realizar escolhas. Para Santos e Montimer (2001, p. 103), "uma decisão responsável é caracterizada por uma explícita consciência dos valores que a orientou". Portanto, se esta estiver relacionada com a sustentabilidade, uma perspectiva ética e coletiva é facilitada.

Levando em consideração os níveis de consciência tanto no comportamento como na tomada de decisão, bem como a possibilidade de melhor posicionamento na sociedade, entende-se que as mudanças cotidianas também podem ser verificadas no ambiente empresarial, com os indivíduos conscientes de sua responsabilidade como tomadores de decisão. Para Stubbs e Cocklin (2008), muitas empresas estão inserindo elementos de sustentabilidade em suas práticas de negócios. A tendência é que este cenário se intensifique por vários motivos: exigência legal, influência da mídia, pressão do consumidor, dentre outros. Em sintonia com essa realidade, considera-se que assuntos relacionados à sustentabilidade necessitam ser incluídos no currículo dos cursos da área de negócios como um estímulo à formação de gestores mais conscientes.

Nesse sentido, torna-se imprescindível que os novos gestores compreendam e incorporem maior responsabilidade em seus comportamentos em relação à sociedade, como consumidores e profissionais. Apesar dessa noção, atualmente o processo educacional desses tomadores de decisão parece não considerar os aspectos da sustentabilidade. Com isso, Amorim e Custódio (2010) mencionam que a ausência de disciplinas, de professores, e ainda de uma visão socioambiental nas Instituições de Ensino Superior (IES) que oferecem os cursos de administração, faz que os discentes tenham menos possibilidades de articular uma visão ampla sobre a participação e intervenção direta das empresas privadas frente às questões socioambientais.

Além disso, verifica-se o elevado número de estudantes de graduação na área de administração, bem como a multiplicação dos cursos no último decênio, que atualmente representam 11.800 cursos espalhados pelo país, levando em conta apenas administração geral (INEP, 2011). Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2009, esses cursos são os que concentram o maior número de alunos, totalizando 1.102.579, sendo 874.076 matriculados no ensino presencial e 228.503 matriculados no ensino a distância (INEP, 2010). Estes números alertam não somente para a formação profissional nas IES, mas também para a formação de um cidadão ético e responsável. Assim, eleva-se a importância de inserir os pressupostos da sustentabilidade na formação em administração.

Parte-se do pressuposto que a EpS nos cursos de administração atua como subsídio relevante para uma tomada de decisão consciente por parte do indivíduo, no papel de futuro gestor. Dessa forma, o presente estudo tem por objetivo compreender como a EpS pode contribuir para um processo de tomada de decisão consciente dos alunos do curso de administração. Para tanto, na fase inicial, identificou-se o perfil de consumo de alunos na cidade de Recife-PE, cujo resultado quantitativo pode demonstrar comportamentos positivos ou negativos com relação à prática do consumo consciente, de acordo com os parâmetros definidos nesta pesquisa.

A partir desse perfil de consumo, buscou-se demonstrar como a educação pode atuar como um agente de transformação (em caso negativo) ou de intensificação (em caso positivo) sobre as decisões de escolha individuais. Dessa forma, a EpS como espelho, ao estimular um reflexo de comportamento ético, tem um papel fundamental na intensificação de um lento processo de conscientização, acelerando, então, a passagem de um pensamento individual para uma preocupação coletiva, resultante deste reflexo. Assim, um comportamento mais ético nas escolhas de consumo pode refletir-se nas decisões dos gestores de uma empresa. Para melhor compreensão do artigo, o mesmo possui quatro partes além desta introdutória, visando demonstrar as contribuições da pesquisa e estimular mais reflexões.

2 DISCUSSÃO TEÓRICA

Esta seção apresenta as discussões teóricas pertinentes a este estudo e fornecem o embasamento necessário às análises posteriores.

2.1 A SUSTENTABILIDADE E A EDUCAÇÃO

O aumento dos problemas socioambientais nas últimas décadas, em conjunto com a constatação de irreversibilidade de inúmeros danos ambientais, tem causado discussões sobre a busca por mudanças. Para Boff (2012), é generalizada a percepção de que o planeta encontra-se em um estado que não pode continuar, devido ao acelerado processo de degradação e escassez de recursos. Assim, a sustentabilidade é reconhecida como uma questão-chave para a sociedade do século XXI (KOMIYAMA; TAKEUCHI, 2006), pois procura unir a equidade social, o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente no chamado Triple Bottom Line (ELKINGTON, 2001).

A definição mais utilizada para Desenvolvimento Sustentável (DS) é a do Relatório Brundtland, de 1987, documento criado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que relaciona desenvolvimento social e econômico à preservação do meio ambiente, de modo que a disponibilidade dos recursos esteja garantida às futuras gerações (WCED, 1987). Desde então, o termo começou a ganhar popularidade e a ser alvo de discussões e críticas, abrigando contradições e interesses. No entanto, segundo Fergus e Rowney (2005) surgem alguns questionamentos: o DS é uma epistemologia inclusiva fundada na ética e no valor real? Esta, incorporada às culturas, traz vantagens para as organizações ou se tornou um slogan usado na linguagem dos negócios, sem qualquer significado real?

Essa discussão também é apresentada por Lélé (1991), que indica, sob uma perspectiva crítica, as contradições inerentes à temática, bem como os debates já realizados. A noção de sustentabilidade se difundiu como 'Desenvolvimento Sustentável', e a separação dos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento deu origem a diversas outras expressões, como sociedade sustentável, empresa sustentável, gestão sustentável, entre outras, fomentando "a noção de que não somente o desenvolvimento deve ser sustentável, mas todas as ações humanas" (SILVA; REIS; AMÂNCIO, 2011, p. 151). Dessa forma, neste trabalho será adotado o termo 'sustentabilidade' por representar uma esfera mais ampla em relação ao desenvolvimento propriamente dito.

Todavia, no auge da busca pelo progresso econômico a todo custo, alguns autores (ELKINTON, 2001; JACOBI, 2008; LÉLÉ, 1991) indicam que a sustentabilidade apresenta uma grande contradição, pois ela e o capitalismo são incompatíveis. "Essa é uma contradição de base que pode inviabilizar a ideia de um desenvolvimento sustentável. Tenta-se conciliar dois termos inconciliáveis" (JACOBI, 2008, p. 52). Para superar tal contradição é fundamental que o ser humano reconheça a importância do seu papel como cidadão mais consciente e agente de mudanças. Nesse processo de formular uma nova mentalidade, a educação possui um papel fundamental, especificamente a educação para o consumo como um elemento-chave na conscientização da população (GOMES, 2006).

Para Gadotti (2010), o conceito de sustentabilidade possui um excelente componente educacional, pois a preservação do ambiente depende de consciência ecológica, e esta depende da educação. Considerando que "a educação é uma forma de intervenção no mundo" (FREIRE, 2009, p. 98) e que a sustentabilidade está emergindo como uma das metas mais importantes a serem alcançadas globalmente, a educação representa o melhor caminho para obter uma mudança na sociedade – apesar de se tratar de uma transformação a longo prazo. Corroborando, Pereira et al. (2007) indicam que a educação surge como uma proposta voltada para a conscientização de que existe uma relação de dependência entre indivíduo e ambiente.

Com o objetivo de integrar os valores da sustentabilidade à aprendizagem, o período de 2004 a 2015 foi declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, o que proporcionou maior conhecimento sobre o assunto e despertou atenção mundial para a causa. Dessa forma, a educação deve ser vista não só como um direito humano fundamental, mas também como um potencial promotor de valores e atitudes capazes de gerar práticas sustentáveis que auxiliem na conscientização dos estudantes em seu papel como cidadãos.

Para Gottlieb et al. (2011), a EpS tem como essência reconhecer que as questões ambientais, sociais e econômicas estão inevitavelmente entrelaçadas, sendo necessário tratá-las de forma mais holística. Assim, essa educação vai além da disseminação de conhecimentos sobre meio ambiente, pois busca sensibilizar e estimular a reflexão crítica sobre os estilos de vida atuais e suas consequências, considerando a realidade social e econômica em que está inserida. Silva e Corrêa (2012) corroboram ao afirmarem que a sustentabilidade representa uma nova forma de pensamento e, para que isso possa ser replicado, a EpS possui um papel fundamental devido ao seu caráter de sensibilização e estímulo à busca de soluções para os problemas da sociedade.

Outro avanço importante consta no documento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em seu capítulo 234, no qual se recomenda que as instituições de ensino adotem boas práticas de gestão ambiental em seus campi e em suas comunidades, contando com ativa participação de estudantes, professores e parceiros locais, bem como que ministrem conteúdos sobre DS como um componente transversal nas disciplinas (ONU, 2012). Assim, a sustentabilidade deverá ser inserida no currículo acadêmico de todas as suas universidades. Em consequência, foram estabelecidas diretrizes curriculares nacionais para a educação ambiental, em nível básico e superior, por meio da Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012, do Conselho Nacional de Educação – CNE (DOU, 2012).

2.1.1 A sustentabilidade e a formação em administração

Na busca por mudanças efetivas rumo a uma sociedade mais sustentável é necessário que se trabalhe no âmbito da educação em todos os níveis de ensino. Em relação à educação superior, a Association of University Leader for a Sustainable Future (ULSF, 1990) afirma que nesse nível de ensino é reconhecida a necessidade de se refletir sobre o fato de a humanidade estar afetando o meio ambiente como nunca antes na história, causando consequências potencialmente devastadoras aos ecossistemas naturais e aos seres humanos. As universidades "precisam reconhecer que possuem um papel muito importante na busca de um futuro global mais sustentável, incorporando esse objetivo na formação dos futuros profissionais" (JACOBI; RAUFFLET; ARRUDA, 2011, p. 28).

Além de aprimorar o aprendizado e o desenvolvimento intelectual, os cursos superiores devem estar sintonizados com demandas emergentes da sociedade, a fim de contribuir para uma melhor qualidade de vida (PARDINI; SANTOS, 2008). Para Marcomin e Silva (2009), a capacidade humana de deter a crescente degradação ambiental e instaurar a sustentabilidade dependerá cada vez mais da visão e da consciência dos futuros profissionais formados no ensino superior. Na última década houve um grande aumento de módulos, cursos e programas que possuem relação com a sustentabilidade em todo o ensino superior, mais especificamente no ensino da administração (JACOBI; RAUFFLET; ARRUDA, 2011).

Esse crescimento reflete a necessidade de incluir o conceito nos currículos das escolas de negócios, com o intuito de criar as condições necessárias para educar uma nova geração de trabalhadores qualificados, gestores e empresários para o progresso sustentável (PALMA; OLIVEIRA; VIACAVA, 2011). Assim sendo, devido à sua relação com todas as áreas, a transversalidade é recomendada para a inclusão da sustentabilidade na formação de administradores. Soma-se a isto a importância da utilização de métodos construtivistas de ensino-aprendizagem em detrimento ao funcionalismo predominante na área.

As escolas de Administração representam um dos pontos de partida mais importantes para mudar a realidade, tendo em vista que nelas ocorre a difusão do conhecimento socioambiental e de valores, assim como a sensibilização dos indivíduos, futuros gestores e executivos (PINHEIRO et al., 2011). Nesse sentido, os cursos devem desempenhar um papel de formação oferecendo aos estudantes uma visão além do utilitarismo, alinhada com a inclusão dos pressupostos da sustentabilidade em suas decisões gerenciais. Considerando sua importância na sociedade, os administradores têm um papel relevante na transformação da consciência ambiental, pois suas ações podem se refletir em mudança de valores e comportamentos sociais.

O fato de que "as empresas são as principais responsáveis pelo esgotamento dos recursos naturais, pois utilizam os insumos na produção de bens" (AMORIM; CUSTÓDIO, 2010, p. 15). Além disso, por ser o administrador considerado um dos profissionais que mais causam impactos ambientais ao decidir o que produzir, quando, quanto e com quais recursos (BARBIERI; SILVA, 2010), a inserção da sustentabilidade em sua formação possibilita que os gestores, por meio do conhecimento e da conscientização adquiridos durante o curso, passem a incluí-la em seus planos de gestão. Assim, para Gonçalves-Dias et al. (2009, p. 3) a "formação de administradores é um dos campos da educação nos quais os desafios de mudança do comportamento ambiental se apresentam de maneira mais decisiva".

De acordo com os mesmos autores, provavelmente muitos egressos de excelentes cursos de graduação desta área ocuparão cargos estratégicos, podendo influenciar no desenvolvimento de (novos) modelos de gestão. Blau (2011) afirma que gestores que trabalham com questões relacionadas à sustentabilidade estão sendo cada vez mais importantes na liderança desse novo processo dentro das organizações. Frente a isto, o papel do administrador deve ser repensado. De acordo com Lourenço, Tonelli e Mafra (2010), este repensar envolve dois aspectos: a adoção de uma atitude crítica e reflexiva e a consideração das dimensões humana e social nas organizações.

É importante que todo processo educativo em busca da formação de uma consciência mais sustentável atue tanto em nível coletivo quanto individual. Ou seja, as atitudes de cada cidadão em relação a sua vida pessoal são tão importantes quanto suas ações que visam o bem-estar coletivo ao tomar decisões no papel de gestor na empresa em que trabalha, por exemplo. Individualmente, é essencial a conscientização da importância de adquirir novos hábitos de consumo, conquistando assim, um estilo de vida mais sustentável. Neste contexto, destaca-se a importância das atitudes pessoais estarem de acordo com um comportamento profissional e ético, no qual:

O consumo consciente e responsável é a principal manifestação de responsabilidade social do cidadão. A responsabilidade social é uma nova consciência do contexto social e cultural no qual se inserem as empresas e os cidadãos. Ela pode ser entendida como a contribuição direta destes para o desenvolvimento social e a criação de uma sociedade mais justa e igualitária, por meio da condução correta de seus negócios e de suas ações pessoais (GOMES, 2006, p. 26).

Assim, a EpS com enfoque na educação para o consumo visa constituir uma nova noção perante o ato de consumir, ao promover a sensibilização e a conscientização a respeito do problema da degradação do meio ambiente, além de poder transformar comportamentos sociais para maior conformidade com os objetivos de construção de sociedades sustentáveis (MARTIRANI et al., 2006). Dessa forma, a educação representa a base para mudanças de atitude e, quando se trata de comportamento de consumo, "contribui para o desenvolvimento sustentável, ao promover o consumo consciente" (GOMES, 2006, p. 29). Com isso, a EpS deve procurar informar e formar ao mesmo tempo em que sensibiliza e motiva.

2.2 A TOMADA DE DECISÃO CONSCIENTE E A PRÁTICA INDIVIDUAL DE CONSUMO

No campo da administração, como em outras áreas, na construção de seus objetivos, muitas empresas enfatizam o resultado esperado sem considerar os meios que levaram à decisão. Sob essa perspectiva se constrói o argumento de pesquisa, o qual indica ser necessária, ao longo do processo de formação, a inserção de valores que devem receber a devida atenção dos profissionais. Para Uyar e Özer (2011), assim como um contador que tem consciência da necessidade de uma atuação ética e responsável com base no seu processo de formação, um maior comprometimento em outras áreas é possível se essa ideia for repassada para outros profissionais envolvidos com o processo de tomada de decisão.

À medida que a ética e a consciência de impacto de sua atividade profissional tornam-se características consideradas por um indivíduo na sociedade, cria-se maior visão de responsabilidade. Como indicam Santos e Montimer (2001, p. 103), "uma pessoa torna-se agente responsável quando ela aceita o problema social como uma matéria de preocupação pessoal". Isso pode ser visualizado em vários campos de atuação individual, os quais podem ocorrer em sua prática pessoal (como no consumo) e profissional (dependendo de sua atuação na empresa). Para tanto, a decisão que emerge com essa perspectiva ética, necessita de uma consciência individual do problema (UYAR; ÖZER, 2011).

Com isso, entende-se que o indivíduo como cidadão deve ter consciência de que está dentro de um todo e que suas ações influenciam diretamente a coletividade e o meio ambiente (RAMALHO, 2011). Assim, o novo comportamento que se espera de um indivíduo-cidadão é o de um posicionamento ético que considera sua relação com o meio, nas diferentes áreas possíveis, dentre as quais o consumo. Como discutem Dobson (2003), Seyfang (2006) e Spaargaren e Oosterveer (2010), o consumo consciente pode ser entendido como um ato de cidadania com base em uma prática de consumo mais responsável. Sob uma ótica mais ampla, o consumo consciente pode ser considerado como:

A prática humana que leva em consideração seus impactos sobre o meio, não por pressões que possam ocorrer, mas como reflexo de um processo reflexivo e sentimento de pertencimento do ser no meio, onde suas ações estão direcionadas para a busca por resultados coletivos (SILVA; MENK, 2012, p. 13).

De forma prática, o consumo consciente pode ser entendido, de acordo com Fabi, Lourenço e Silva (2010, p. 8) como "o ato ou decisão de compra ou uso de serviços, de bens industriais ou naturais, praticado por um indivíduo levando em conta o equilíbrio entre satisfação pessoal, as possibilidades ambientais e os efeitos sociais de sua decisão". Com essa noção, Silva e Menk (2012) classificam três níveis de consumo consciente: o "ser consciente" como a prática inerente ao ser humano; o "estar consciente" em diferentes práticas pontuais de consumo e resultam de pressões externas em sua maioria; e "ter consciência" ao considerar de fato seu papel e os impactos que suas escolhas e decisões têm sobre o meio.

Segundo estes autores, "fazer o bem para uma pessoa ou para si mesmo é uma forma de contribuir para o bem-estar geral, [assim] adquirimos a consciência ética, onde o inverso também é válido, fazer algo para o bem coletivo é fazer o bem para si mesmo" (SILVA; MENK, 2012, p. 10). Ao assumir novas práticas de consumo e estilo de vida, os consumidores estão envolvidos com o processo de mudança social e política em relação às práticas que são desenvolvidas (SPAARGAREN; OOSTERVEER, 2010). Isso ocorre, pois para uma decisão mais ética, segundo Ford e Richardson (1994), Selart e Johansen (2011) e Uyar e Özer (2011), são muitas as variáveis que influenciam, dentre as quais a educação.

Com base em pesquisas que consideram trabalhos empíricos realizados, esses autores indicam que o processo de tomada de decisão, além de um processo racional, tem de considerar variáveis de socialização (personalidade, valores), bem como características que contemplem a consciência do impacto de sua decisão. Com isso, Santos e Montimer (2001) indicam que uma das possíveis ações de serem realizadas, que contrastam com o que vem sendo praticado, é estimular a formação de valores e atitudes para a sustentabilidade. É com base nesse entendimento que se considera a relação entre consumo consciente e tomada de decisão consciente (ética) de um potencial administrador.

Com comportamentos responsáveis e éticos de consumo, o indivíduo-cidadão percebe seu impacto sobre o meio ambiente, não apenas numa perspectiva de natureza, mas de sociedade, já que todas as ações e decisões que são tomadas influenciam dentro do contexto de complexidade no qual está inserido. Assim, de acordo com Santos e Montimer (2001) a preparação do aluno para tomar decisões propõe o desenvolvimento de um senso de responsabilidade com relação aos problemas sociais e ambientais, tanto atuais quanto futuros. Salienta-se que o trabalho dos autores enfatiza o ensino básico, no entanto, com a emergência de temáticas como a EpS, a mesma perspectiva pode ser inserida no ensino superior.

Assim, considerando o contexto da sustentabilidade, nesta pesquisa assume-se que à medida que o comportamento de consumo do aluno de administração aproximar-se de uma consciência maior, considerando sua relação com a responsabilidade, a cidadania e a ética, maior será a possibilidade de haver um comprometimento profissional em tomar decisões mais responsáveis, éticas e alinhadas com essa perspectiva emergente. Diante dessa visão, entende-se que a inserção da EpS nas IES pode contribuir, seja por meio da transformação nos comportamentos atuais ou da intensificação de uma tendência pré-existente. A seguir são apresentados os procedimentos metodológicos desta pesquisa.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Com o objetivo de compreender como a EpS pode contribuir para um processo de tomada de decisão consciente dos alunos de administração na cidade de Recife-PE, esta pesquisa fez uso de uma abordagem quantitativa, por meio da qual se tornou possível investigar características representativas do objeto de estudo (CRESWELL, 2010; MARTINS; THEÓPHILO, 2009; RICHARDSON et al., 2008). Para tanto, optou-se pelo caráter de pesquisa exploratória, já que se buscou o reconhecimento do contexto argumentativo-teórico e das características pertinentes ao comportamento da população estudada (COOPER; SCHINDLER, 2003), bem como uma discussão de como a EpS pode ser utilizada para um novo posicionamento individual.

A pesquisa foi realizada com estudantes do curso de administração de IES de Recife-PE cadastradas no Ministério da Educação (MEC). Utilizou-se o questionário como instrumento de coleta de dados, com base em critérios pré-definidos de análise das práticas de consumo. O questionário está alinhado ao trabalho de Oliveira, Silva e Gómez (2012), que tem como base os estudos realizados pelo Instituto Akatu, Greendex e Ecological Footprint Method, e possibilita medir o grau de impacto dos hábitos de consumo no meio ambiente, bem como a percepção do aluno quanto às suas práticas de consumo. Além dos indicadores de consumo consciente, buscou-se identificar o perfil socioeconômico dos participantes.

No que se refere à seleção das IES pesquisadas, foram utilizados os seguintes critérios: estar cadastrada no MEC e ter a permissão de seus coordenadores. A pesquisa é classificada como não probabilística por acessibilidade, com base em cinco IES de capital privado, o que representa uma amostra de 19,23% da população das 26 instituições existentes na cidade. Nestas identificou-se 2.922 alunos matriculados no curso de administração, representados por uma amostra de 188 respondentes. Essa quantidade limitada justifica-se pelo pouco acesso ao campo, com a permissão de pesquisa em, no máximo, duas disciplinas por instituição. O período de coleta dos dados ocorreu entre setembro e dezembro de 2011.

No tratamento do banco de dados identificou-se um respondente com ausência de resposta em mais de 50% das questões, o que justificou a sua exclusão. Adicionalmente, este respondente revelou comportamento estatístico de resposta muito diferenciado dos demais – outlier multivariado. Para esta última constatação utilizou-se o cálculo da distância de Mahalanobis (Qui-quadrado: v = 19; α = 43,820). Considerando a sua interferência nas análises multivariadas, esta constatação reforçou a decisão de excluir esse caso. Assim, o banco de dados composto por 187 respondentes atendeu aos critérios mínimos recomendados de cinco respondentes para cada variável (HAIR et al., 2009; DANCEY; REIDY, 2011).

Após a compreensão sobre o comportamento de consumo da amostra pesquisada, buscou-se identificar como a EpS pode interferir e contribuir para decisões mais conscientes. Assim, se o comportamento tende à pouca consciência, a EpS poderia atuar como agente de transformação dessa situação. No entanto, se o mesmo tende a uma consciência mais representativa, a EpS atuaria como intensificadora, permitindo a continuidade desse perfil consciente. Para definir essa questão, levaram-se em consideração os níveis de consciência apresentados por Silva e Menk (2012) e que serão aqui operacionalizados de acordo com as informações da Tabela 1:

Como se observa na Tabela 1, os valores de média foram definidos com base na discussão teórica apresentada. A partir dessa visão, entende-se que existe possibilidade de uma maior contribuição da EpS para a conscientização. Os procedimentos de análise de dados seguem as orientações de Hair et al. (2009) e utilizam o foco em estatística descritiva e inferencial, com base na análise quantitativa dos dados, por meio do software SPSS® 17.0. Utilizou-se a análise da confiabilidade e validade dos achados – Alfa de Cronbach – para a verificação da consistência interna do conjunto dos itens (CRONBACH, 1951). Assim, após essas considerações, os resultados serão apresentados e discutidos na próxima seção.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para o atendimento da proposta de pesquisa, os dados são apresentados e as discussões realizadas com base na seguinte divisão: 1. perfil socioeconômico dos respondentes; 2. comportamento de consumo consciente, destacando o nível de consciência dos alunos pesquisados; e 3. discussão sobre a contribuição da EpS para lidar com esse comportamento e estimular a formação de administradores mais aptos para o processo de tomada de decisão consciente de seus impactos sobre o meio, no contexto da sustentabilidade.

4.1 PERFIL DOS GRADUANDOS EM ADMINISTRAÇÃO NA CIDADE DE RECIFE

Foi analisado o perfil dos estudantes de administração de Recife no que se refere ao gênero, idade, estado civil e renda familiar. Foi possível perceber uma predominância dos indivíduos do gênero masculino, que correspondem a 61,17% dos respondentes, enquanto apenas 38,83% são do gênero feminino. Desse total, houve grande representatividade de jovens nascidos a partir da década de 1980, que chegam a 73,94% do total. Esses dados podem possibilitar algum tipo de conclusão entre a relação da idade e a maneira de se comportar desses alunos perante o consumo. Com base nessas informações, é possível realizar uma discussão mais profunda acerca do seu comportamento consciente.

De forma complementar, identificou-se que a maioria da amostra (85,18%) é composta por estudantes solteiros, ao passo que apenas 10,21% são casados ou estão em união estável. Essa característica deve ser considerada na análise de determinados aspectos, tendo em vista que promove alterações em alguns hábitos de consumo. No que se refere à renda familiar, é possível observar no Gráfico 1 que 25,92% dos respondentes possuem renda familiar entre R$ 2.550,01 e R$ 5.100,00, e 35,97% superior a R$ 5.100,01. Salienta-se que esta variável deve ser observada com atenção, uma vez que, segundo Silva e Gómez (2010), o poder aquisitivo é uma das principais variáveis que influenciam no consumo consciente.


Os dados apresentados demonstram que o poder aquisitivo das famílias dos pesquisados pode ser utilizado para justificar a realização de sua formação em faculdades privadas. Essa realidade se assemelha aos resultados encontrados em outros trabalhos sobre a presente temática na cidade de Recife, os quais foram realizados com toda a população e identificaram rendas familiares permeando valores aproximados aos aqui encontrados (GÓMEZ et al., 2009; OLIVEIRA; SILVA; GÓMEZ, 2012; SILVA et al., 2012). Com base nesse perfil socioeconômico, torna-se possível identificar o comportamento de consumo quanto aos aspectos de consciência.

4.2 COMPORTAMENTO DE CONSUMO CONSCIENTE

Com base nos resultados descritos, realizam-se de forma fidedigna as discussões sobre o comportamento de consumo consciente. Inicialmente realizou-se uma análise de componentes principais não rotacionada com o objetivo de analisar os padrões de correlação e identificar a emergência de fatores que agrupem as variáveis originais em um conjunto menor. Nessa análise alcançou-se o índice KMO de 0,774. Apesar da matriz de correlação indicar cinco componentes com autovalores superiores a 1,0, a observação do comportamento da curva apresentada no gráfico de raízes latentes em relação ao número de fatores – teste scree – recomendou a extração de até três componentes com nível de variância válida.

Adicionalmente, foi realizada a análise fatorial com rotação oblíqua. Optou-se pelo método Promax, por ser o mais indicado para se alcançar uma análise fatorial com construtos teoricamente significativos, conforme Hair et al. (2009). Assim, a utilização e interpretação da análise de componentes principais e da análise fatorial permitiu a identificação de três construtos, com validade fatorial, posteriormente confirmada por validação do conteúdo teórico de cada grupamento que também gerou a nomenclatura de cada fator, de acordo com a Tabela 2. Os índices de consistência interna de cada um dos fatores foram calculados por meio do coeficiente Alfa de Cronbach e podem ser considerados aceitáveis (HAIR et al., 2009).

Além disso, calculou-se o coeficiente Alfa de Cronbach (α) para o item descartado, e pode-se perceber que mesmo com sua exclusão, a maior parte dos coeficientes permaneceu abaixo do coeficiente calculado para o fator e sempre abaixo do índice calculado para o conjunto de todos os itens do questionário. Desta forma, pode-se afirmar que o questionário aplicado é válido para mensurar o que se propõe.

Além disso, realizou-se a extração de médias de cada item dos 3 (três) fatores identificados (Tabela 3), bem como a correlação de Pearson (Tabela 4). Essas informações dão a base para a classificação dos níveis de comportamento de consumo voltado para a consciência individual.

Observando as médias obtidas nos itens pode-se verificar que todas superaram o ponto médio de 2,5 na escala de 5 (cinco) pontos utilizada no questionário. Isso indica um grau de concordância positivo, com médias variando entre 2,26 (com desvio-padrão de 1,46, no item 20 'A família separa o lixo para reciclagem (lata, papel, vidro, PET, garrafas)') e 4,22 (com desvio-padrão de 1,1, no item 41 'Mobiliza-se para incentivar as empresas a prevenir ou corrigir os danos ao meio ambiente causados por suas atividades'), apresentando a maior média de concordância calculada. O fator que possui menor média é 'Economia de recursos', o que pode estar relacionado ao alto poder aquisitivo dos respondentes. Isso pode sugerir que essa situação financeira não exige maior preocupação com gastos e desperdícios.

Esses resultados, de acordo com os níveis da Tabela 1, indicam que para os Fatores 1 e 2, com médias de 3,37 e 3,74 respectivamente, os alunos demonstram 'Estar conscientes' de seus impactos, pelos comportamentos que são apresentados. Já quanto ao Fator 3, com média de 2,88, percebe-se que demonstram 'Ser conscientes', o que precisa ser melhor trabalhado para que sua responsabilidade seja repassada para outras ações cotidianas e profissionais. Essa visão sugere a necessidade de uma intensificação da EpS para ampliar o escopo dos comportamentos inerentes a esses indivíduos, já que os valores apresentados são positivos e tendem para uma consciência maior. A Tabela 4 permite a realização de novas análises.

A Tabela 4 apresenta a matriz de correlações entre os fatores comportamentos e sociedade, engajamento e meio ambiente e economia de recursos, com base nas respostas obtidas. Os coeficientes de correlação de Pearson indicam que todos os fatores analisados apresentam correlação moderadamente positiva, bem como que as correlações identificadas são estatisticamente significativas. Com isso, percebe-se maior consistência nas afirmações realizadas anteriormente sobre o comportamento de consumo dos estudantes, os quais tendem à maior consciência de acordo com as condições em que se encontra o meio ambiente.

No entanto, para Gonçalves-Dias et al. (2009), existem muitos questionamentos em relação à mudança efetiva de comportamento dos indivíduos, principalmente dos jovens, considerando que a maioria dos respondentes nasceram a partir da década de 1980. Para alguns autores, essa atual juventude estaria "cada vez mais distante de um comportamento ambientalmente adequado. Já para outros, essa juventude seria o motor de mudanças socioambientais necessárias na contemporaneidade" (GIDDENS, 1997 apud GONÇALVES-DIAS et al., 2009, n.p.). No caso da presente pesquisa, identifica-se que estes jovens estão voltados para uma maior preocupação com seus impactos.

Apesar dessa noção, não se conseguiu identificar ao longo da pesquisa uma posição dos alunos direcionada para uma consciência total de seus impactos. Isso pode ser justificado, segundo Silva e Menk (2012), pelo fato de que atualmente não é possível "ter consciência" por completo, uma vez que todo o sistema precisa de modificações. Dessa forma, um trabalho de sensibilização e incentivo em relação a um comportamento mais ético e responsável, por meio da intensificação da EpS durante o curso de Administração, pode contribuir para uma transformação positiva no comportamento dos indivíduos em se tratando de suas atitudes na vida pessoal e no papel de futuro gestor.

4.3 A CONTRIBUIÇÃO DA EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE NAS DECISÕES CONSCIENTES

O comportamento que leva em conta as questões sociais, ambientais e econômicas inerentes à sustentabilidade traz consigo a necessidade de uma visão sistêmica que considere as consequências do ato de consumir e da tomada de decisões. Um indivíduo consciente faz uso do seu poder de reflexão frente às suas escolhas, podendo minimizar assim os impactos negativos destas. A presente discussão gira em torno da possibilidade de ampliar esta capacidade de reflexão do agente, no papel de cidadão e/ou de tomador de decisão, visto que a EpS tenta promover:

[...] uma mudança de percepção e de valores, gerando um pensamento complexo, aberto às indeterminações, às mudanças, à diversidade, à possibilidade de construir e reconstruir, em um processo contínuo de novas leituras e interpretações, configurando novas possibilidades de ação (JACOBI; RAUFFLET; ARRUDA, 2011, p. 28).

Essa ideia está em consonância com o que Morin (2003) discute sobre aprendizagem cidadã. Segundo o autor, sob a perspectiva de um pensamento complexo, "a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão" (MORIN, 2003, p. 59). Então, na formação de um cidadão que se preocupa com a solidariedade e a responsabilidade inerente às suas ações, torna-se possível identificar que, à medida que seus comportamentos refletem essa visão consciente de seus valores e responsabilidades, esse cidadão assume o papel como tal, que pode contribuir diretamente em busca da sustentabilidade.

De acordo com Santos e Mortimer (2001, p. 103) "vários autores apontam que para o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisão é fundamental que os estudantes discutam problemas da vida real". Assim, para Silva e Corrêa (2012, p. 103), o foco da EpS deve estar "nos problemas gerados com a produção e o consumo impulsivo para que os alunos adquiram a consciência necessária, tanto como administradores de uma organização quanto no momento em que forem consumir um produto". Tal afirmação vai ao encontro da percepção de Gomes (2006), para quem a educação para o consumo representa um elemento-chave na conscientização da população.

No processo de formação de uma consciência que prioriza a preservação do planeta, a educação do consumidor é essencial, ao despertar para a importância de adquirir novos hábitos de consumo, na medida em que muitos dos problemas ambientais atuais resultam dos padrões impostos pelo sistema econômico vigente (GOMES, 2006). Gonçalves-Dias et al. (2009) destacam que a institucionalização da sustentabilidade nos cursos de administração tem ocorrido de diversas formas: por meio da introdução progressiva da temática por alguns professores em suas disciplinas, da criação de disciplinas específicas, da associação entre departamentos do curso e da criação de um programa/núcleo de estudos dedicados ao tema.

Para tanto, essa institucionalização deve ser estruturada da forma mais holística possível, desenvolvendo os valores e princípios da sustentabilidade, assim como o pensamento crítico e a habilidade de solucionar problemas; utilizando ampla variedade de métodos; estimulando o processo participativo de tomada de decisão; possibilitando a integração da aprendizagem com a prática na vida pessoal e profissional; e abordando tanto os problemas locais quanto os globais (UNESCO, 2005). Apesar dessa noção, Silva e Corrêa (2012) identificaram que nas IES em Recife-PE, nos cursos de administração, ainda é incipiente a importância dada ao tema sustentabilidade e à EpS, o que foi verificado pelas poucas ações desenvolvidas, as quais se restringem a algumas disciplinas, palestras, congressos e programas internos.

No âmbito das instituições estudadas, não foi foco específico desta pesquisa realizar a análise de suas práticas, mas considera-se necessário um posicionamento positivo das mesmas com seus alunos. No entanto, sabe-se que uma mudança que contempla maior inserção da temática sustentabilidade no currículo e nas demais atividades perpassa pelo tratamento do tema de forma transversal, além do envolvimento coletivo da direção, professores e demais funcionários neste processo. Atualmente, por exigência do CNE, conforme já mencionado, as diretrizes curriculares orientam para a inserção da temática nos currículos dos cursos de nível superior. Assim, a avaliação do MEC, ao exercer seu papel regulatório, vai exigir resposta das IES para atendimento das orientações.

Esse cenário, favorável para esta discussão, indica a tendência à ampliação desta inserção. Afinal, a capacidade humana de instaurar a sustentabilidade dependerá cada vez mais da visão e da consciência dos futuros profissionais formados no ensino superior (MARCOMIN; SILVA, 2009). No entanto, não se pode afirmar que haverá garantia de uma maior conscientização dos alunos, mas que o contexto se tornará mais propício para tal. Como apresentado por Salgado e Cantarino (2006), está nas IES o ambiente mais fértil para estimular comportamentos responsáveis na busca por uma sociedade sustentável.

Dessa forma, a EpS, ao desenvolver valores, tem um papel muito importante no processo de conscientização do indivíduo como cidadão e consumidor consciente, uma vez que procura promover a realização de escolhas e tomada de decisões individuais e coletivas "que levem em consideração, em longo termo, a igualdade social, viabilidade ecológica e progresso econômico" (UNESCO, 2005, p. 102). Essa noção sugere que pode ser possível a criação de uma geração de pessoas mais qualificadas e voltadas para a perspectiva da sustentabilidade (PALMA; OLIVEIRA; VIACAVA, 2011).

Neste contexto, segundo Amorim e Custódio (2010), é necessário que na academia os jovens empreendedores sejam orientados para rupturas, principalmente daqueles que afirmam ser inconciliável a relação entre meio ambiente, empresas e desenvolvimento social. Tal questão poderá ser alcançada por meio de uma ruptura paradigmática maior, que transforme a atual percepção sobre a atuação dos administradores, afastando a concepção que reduz a função desse profissional a de um simples gestor. Dessa forma, a EpS pode ser pensada como um movimento de quebra do paradigma dominante ao reconhecer a dependência mútua existente entre homem e natureza e por promover o desenvolvimento da consciência individual com foco nos resultados coletivos.

A evolução do nível de consciência de consumo tende a sugerir que o indivíduo passe a incorporar suas preocupações socioambientais em suas atitudes diárias, inclusive nas decisões gerenciais. Nesse sentido, em função dos níveis de consciência identificados nesta pesquisa, uma evolução se torna possível à medida que os níveis estar consciente e ser consciente se direcionam para uma ação responsável que se efetiva no momento em que o nível ter consciência se faz presente. Na construção desse cenário, a EpS representa um agente de intensificação do processo de mudança. Assim, tem-se um ambiente propício à formação com base em uma perspectiva crítica e reflexiva.

Para tanto, "se desejarmos preparar os alunos para participar ativamente das decisões da sociedade, precisamos ir além do ensino conceitual, em direção a uma educação voltada para a ação social responsável, em que haja preocupação com a formação de atitudes e valores" (SANTOS; MORTIMER, 2001, p. 107). Neste contexto, considera-se que a EpS, ao fazer parte da formação profissional do administrador, pode ampliar a conscientização dos alunos em seu cotidiano e torná-los aptos para a tomada de decisão consciente no âmbito organizacional. Isso porque se as ações individuais focalizam mais seu impacto sobre o meio, suas decisões serão os reflexos desse posicionamento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entende-se que a EpS surge como uma perspectiva educacional que busca estimular o desenvolvimento de uma sociedade mais preocupada com as condições do meio ambiente, bem como com os impactos gerados. Sua abordagem em IES demonstra a importância da EpS na promoção de uma reflexão individual e coletiva quanto às questões socioambientais e econômicas, tanto no cotidiano dos estudantes como no reflexo criado sobre sua vida profissional, uma vez que seus comportamentos influenciam o meio que vivem, com base nos seus hábitos de consumo e de suas decisões. A inserção do tema sustentabilidade na formação do estudante demonstra um maior compromisso das IES com o conceito.

A preocupação com as questões relativas à sustentabilidade aumenta não apenas devido às pressões governamentais ou por parte dos consumidores, mas também pelo fato de as organizações começarem a perceber que são parte de um meio e que precisam dele para sobreviver. Para Silva, Reis e Amâncio (2011) é papel da organização reduzir e compensar todos os danos causados, não comprometer o uso futuro dos recursos ambientais, assim como gerar resultados positivos não somente para seus acionistas, mas para a sociedade em geral. Assim, surgem grandes desafios relacionados tanto com o comportamento e construção de consciência, quanto com o desenvolvimento de propostas didático-pedagógicas voltadas ao ensino de administração (GONÇALVES-DIAS et al. , 2009).

Desse modo, deve-se considerar a inter-relação e interdependência entre os elementos que compõem o processo de conscientização para uma melhor tomada de decisão (consumo, cidadania, consciência, responsabilidade, educação) na construção de um círculo virtuoso com base em uma lógica recursiva. Assim, a tomada de decisão responsável (ética) se orienta por uma perspectiva que transcende o individual rumo ao coletivo. Com essa visão, entende-se que o objetivo proposto foi atendido, na medida em que, partindo da identificação do perfil dos estudantes quanto ao consumo consciente, foi possível realizar uma discussão sobre como a EpS pode interferir e contribuir para a construção de uma visão mais consciente.

Com isso, existe grande oportunidade e necessidade de que as Instituições de Ensino Superior estimulem ou reforcem a compreensão dos alunos em relação aos conceitos voltados a esta temática, criando um compromisso com o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável. Ao longo da pesquisa, as limitações verificadas envolveram essencialmente o processo de coleta de dados, já que as instituições não se mostraram disponíveis para o acesso a um maior número de alunos. Diante disso, a quantidade de respondentes, mesmo atendendo aos critérios estatísticos básicos, poderia ser mais representativa.

As futuras pesquisas devem buscar formas mais efetivas de contribuição da EpS na construção de um cidadão mais consciente, bem como realizar estudos com públicos e instituições de ensino mais diversificadas, além da associação entre dados primários e secundários, para melhor embasamento das análises. Vale salientar que a maior contribuição desta pesquisa está em alinhar a ideia de consciência à tomada de decisão, com base na EpS. Nesse sentido, metaforicamente, nem sempre se pode contar com a existência de espelhos planos capazes de refletir imagens simétricas dos 'objetos' observados. Existem momentos em que espelhos curvos são necessários. Portanto, ao assumir a EpS como o espelho para novos comportamentos na sociedade, a imagem refletida poderá trazer resultados positivos para a coletividade, pois o reflexo de uma imagem depende de como ela é projetada.

Submissão: 1o out. 2012.

Aceitação: 13 mar. 2013.

Sistema de avaliação: às cegas dupla (double blind review).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Jul 2013
  • Data do Fascículo
    Jun 2013

Histórico

  • Recebido
    01 Out 2012
  • Aceito
    13 Mar 2013
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