Resumo
Há uma ênfase crescente no papel das instituições na explicação do crescimento econômico das nações. Conforme a Teoria Institucional, sustenta-se que instituições de excelência estabelecem diretrizes de governança, exercendo uma influência direta sobre o crescimento econômico. Este estudo examina o impacto da governança nacional sobre o crescimento econômico dos países do Mercosul, do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) e da União Europeia. A pesquisa reúne uma amostra de 39 países e analisa o período de 2007 a 2021. De forma pontual, os resultados indicam que, entre os indicadores de governança, o Estado de direito é o fator mais significativo para explicar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Além disso, constatou-se que a União Europeia está associada ao nível alto de governança e ao PIB per capita alto e médio e que o Mercosul está associado a nível médio de governança e PIB per capita baixo. Em geral, os resultados confirmam que a governança nacional é importante para o crescimento econômico, porém, vale ressaltar que por si só a qualidade da governança pode não ser suficiente. Aliadas à governança, o estudo revela que a formação de capital fixo, a inflação e a abertura comercial têm efeitos significativos no crescimento econômico dos países analisados.
Palavras-chave:
teoria institucional; governança nacional; crescimento econômico
Abstract
There is a growing emphasis on the role of institutions in explaining countries’ economic growth. According to institutional theory, governance guidelines directly influence economic growth. This study examines the impact of national governance on the economic growth of countries that are members of Mercosur, the North American Free Trade Agreement (NAFTA), and the European Union. The sample comprises 39 countries and analyzes the period 2007-2021. The results indicate that, among governance indicators, the rule of law is the most significant factor in explaining GDP per capita growtr. The European Union is associated with higher levels of governance and medium to high levels of GDP per capita, whereas Mercosur is associated with intermediate governance levels and lower GDP per capita. In general, results show that national governance is important for economic growth; however, governance quality alone may not be sufficient. In addition to governance, fixed capital formation, inflation, and trade openness have significant effects on the economic growth of the countries analyzed.
Keywords:
institutional theory; national governance; economic growth
Resumen
Hay un énfasis creciente en el papel de las instituciones a la hora de explicar el crecimiento económico de las naciones. Según la teoría institucional, se sostiene que algunas instituciones de excelencia establecen parámetros de gobernanza, lo que influencia directamente el crecimiento económico. Este estudio examina el impacto de la gobernanza nacional sobre el crecimiento económico de los países del Mercosur, Tratado de Libre Comercio de América del Norte (NAFTA) y Unión Europea. La investigación recopila una muestra de 39 países y analiza el periodo de 2007 a 2021. En concreto, los resultados indican que entre los indicadores de gobernanza, el Estado de derecho es el factor más significativo para explicar el crecimiento del Producto Interno Bruto (PIB) per cápita. Además, se encontró que la Unión Europea está asociada con un alto nivel de gobernanza y un PIB per cápita alto y medio y que el Mercosur está asociado con un nivel medio de gobernanza y un PIB per cápita bajo. En general, los resultados confirman que la gobernanza nacional es importante para el crecimiento económico; sin embargo, vale la pena destacar que la calidad de la gobernanza por sí sola puede no ser suficiente. Junto con la gobernanza, el estudio revela que la formación de capital fijo, la inflación y la apertura comercial tienen efectos significativos en el crecimiento económico de los países analizados.
Palabras clave:
teoría institucional; gobernanza nacional; crecimiento económico
1. INTRODUÇÃO
O papel das instituições no crescimento econômico dos países tem sido uma das áreas mais dinâmicas de pesquisa em economia. Para North (1981), as instituições podem ser descritas como um conjunto de regras, procedimentos de conformidade e normas de comportamento moral e ético com o propósito de orientar as ações individuais para a maximização da riqueza ou utilidade dos princípios. O autor argumentou que a mudança institucional desempenha um papel fundamental na formação da trajetória das sociedades ao longo do tempo e, consequentemente, influencia a direção do desempenho econômico.
Segundo DiMaggio e Powell (1983), o institucionalismo abrange diversas disciplinas, como economia, ciência política e sociologia, com ênfases em governança. Regimes, isomorfismo e legitimidade. Meyer e Rowan (1977) definem institucionalização como o regime pelo qual processos sociais, obrigações ou eventos adquirem status de regra no pensamento e na ação social.
A Teoria Institucional sustenta que instituições de alta qualidade estabelecem as diretrizes de governança, o que, por sua vez, exerce uma influência direta sobre o crescimento econômico, na promoção de processos sustentáveis e desenvolvimento (Aoki, 1996; Glass & Newig, 2019; Ramzan et al., 2023). Portanto, o progresso econômico das sociedades está intrinsecamente relacionado à estrutura institucional de governança. Os governos desempenham um papel crucial ao abraçar a ideia de boa governança na formulação e execução de políticas apropriadas (Quibria, 2006), pois países com bons sistemas de governança tendem a ser mais prósperos, felizes e enfrentar menos problemas socioambientais (Kyriacou, 2019).
Esta pesquisa investiga a relação entre governança nacional e crescimento econômico, partindo do pressuposto da Teoria Institucional de que a qualidade das estruturas institucionais molda os incentivos econômicos e influencia o desempenho das economias nacionais. O argumento central sustenta que diferentes arranjos de governança produzem efeitos distintos sobre o crescimento econômico, especialmente quando considerados países com níveis variados de desenvolvimento e inserção internacional.
Estudos como os de Acemoglu e Robinson (2012) e Rodrik et al. (2004) reforçam que instituições políticas e econômicas moldam os incentivos sociais, determinando se os países prosperam ou fracassam. Nesse marco, a governança nacional é entendida neste artigo como o conjunto de mecanismos institucionais, políticos e administrativos que asseguram o exercício da autoridade estatal e a capacidade do governo de formular e implementar políticas públicas efetivas (Kaufmann et al., 1999; Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [PNUD], 2022). Essa definição distingue-se de conceitos correlatos como “qualidade institucional” - mais ampla e difusa - e de “instituições políticas” ou “instituições econômicas”, ao enfatizar o papel sistêmico da governança na coordenação entre Estado, sociedade e economia.
A governança nacional engloba sistemas e processos projetados para assegurar responsabilidade, transparência, capacidade de resposta, Estado de direito, estabilidade, justiça, inclusão, empoderamento e ampla participação - sendo, assim, um dos principais fatores que explicam as disparidades de desempenho entre os países (Kyriacou, 2019).
Nesse sentido, conjectura-se que a qualidade da governança nacional demonstra sua eficácia em diversas áreas, incluindo a atração de investimento direto estrangeiro (Bailey, 2018); o fomento do empreendedorismo (Aparicio et al., 2016); a promoção da responsabilidade social corporativa (Ochi et al., 2023); e o estímulo ao crescimento econômico (Edeme & Mumuni, 2023; Gani, 2011; Kraipornsak, 2020; Law et al., 2013; Mehanna et al., 2010; Ramzan et al., 2023), sendo este último o foco do presente trabalho. Além disso, instituições sólidas podem contribuir para atender às necessidades sociais dos cidadãos e impulsionar o progresso social (Uddin et al., 2023).
Considerando o escopo da pesquisa, percebe-se que a literatura aponta, em grande parte, para uma relação positiva entre governança nacional e crescimento econômico. No entanto, as instituições não têm a mesma influência no crescimento econômico em vários países (Uddin et al., 2023). Dessa forma, é importante que haja análise considerando países de diferentes blocos econômicos para apurar melhores resultados.
Visando a melhor inserção competitiva na ordem econômica mundial, os Estados procuram reunir-se em blocos econômicos nos quais, mutuamente, se concedem vantagens e defendem interesses comuns (Hassan, 2001). Tendo em vista que os países se integram regionalmente para lidar com os desafios globais, este estudo analisa três importantes blocos econômicos distintos, a saber: Mercosul, NAFTA (North American Free Trade Agreement - Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e União Europeia.
Portanto, a importância de examinar a relação entre os indicadores de governança dos países e o crescimento econômico reside na capacidade que isso confere aos governos de efetuar uma análise mais abrangente de suas políticas. Isso, por sua vez, aumenta as perspectivas de aperfeiçoamento do crescimento econômico das nações, tendo em vista que é necessária uma forte intervenção administrativa para promover o crescimento econômico dos países (Sturm, 2013; Uddin et al., 2023).
Destarte, o objetivo geral deste trabalho é examinar o impacto da governança nacional sobre o crescimento econômico dos países do Mercosul, NAFTA e da União Europeia. O estudo examina o efeito dos indicadores de governança no crescimento econômico considerando informações referentes a 39 países, de 3 blocos econômicos, no período de 15 anos (2007-2021). A pesquisa contribui para a literatura de diversas maneiras, devido à amplitude da amostra utilizada na análise.
Alinhando aos pressupostos da Teoria Institucional, os padrões de causalidade entre instituições e crescimento podem variar consideravelmente entre nações com diferentes níveis de crescimento econômico (Glass & Newig, 2019). Nesse sentido, os países analisados são membros de três blocos distintos - NAFTA (atual USMCA, composto pelos mesmos países, o bloco passou a ser chamado pela sigla USMCA, United States-Mexico-Canada Agreement, principalmente por razões políticas e para refletir a modernização do acordo comercial), Mercosul e União Europeia -, sendo possível analisar e comparar a relação proposta - governança nacional x crescimento econômico - em países desenvolvidos e emergentes.
No tocante às variáveis utilizadas, os estudos muitas vezes se limitam a uma única dimensão dos indicadores de governança. Assim, este trabalho se destaca ao explorar os seis indicadores de governança nacional do Banco Mundial, individualmente e conjuntamente, por meio do índice composto - gov (Ouedraogo et al., 2022).
Em síntese, este trabalho avança em relação à pesquisa de Uddin e Rahman (2023), que analisaram o impacto de três dos seis indicadores de governança nacional, e ao trabalho de Epaphra e Kombe (2017), em que foram explorados os países da África. Quanto ao estudo de Marino et al. (2016), este artigo avança ao explorar países de diferentes blocos econômicos, diversos indicadores e maior período, como também avança em relação ao de Gani (2011), no qual foram analisados os países em desenvolvimento de baixa e média renda. Radulović (2020) avaliou dez países da Europa, não utilizou um índice composto de governança, como também não foram utilizadas outras variáveis para controlar o modelo econométrico. Portanto, este artigo contribui para o preenchimento das lacunas encontradas nos estudos prévios.
2. REFERENCIAL TEÓRICO E DESENVOLVIMENTO DE HIPÓTESES
2.1. Governança nacional
Na Teoria Institucional as práticas sociais são orientadas pelas instituições, que moldam e conferem probabilidades específicas de ação. Isso não implica predeterminação uniforme, mas sim que os atores sociais surgem em uma realidade institucionalizada com normas que orientam ações, exercendo pressão de configuração. Contudo, não se presume a passividade dos sujeitos, e é reconhecido que, mesmo sob a mesma pressão, indivíduos em realidades distintas podem manifestar diferentes níveis de conformidade (Jacometti et al., 2016).
A qualidade das instituições governamentais desempenha um papel crucial no desenvolvimento humano, uma vez que governos eficazes têm maior probabilidade de aplicar políticas sólidas e eficientes que promovam o desenvolvimento humano (Yang, 2010).
Conforme destacado por Gaygisiz (2013), a literatura econômica recente enfatiza que as instituições desempenham um papel significativo no crescimento econômico, assim como em outras métricas de progresso. O autor argumenta que a governança exerce uma função crucial ao explicar as disparidades nos níveis de desenvolvimento socioeconômico entre países. As variações na governança não apenas influenciam a formulação de políticas econômicas, mas também moldam as políticas de saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços (Gaygisiz, 2013).
O PNUD (2022) caracteriza governança como o exercício de autoridade econômica, política e administrativa destinado a administrar os assuntos de um país em todos os níveis. A governança engloba mecanismos, processos e instituições que permitem aos cidadãos e grupos articular seus interesses, exercer seus direitos legais, cumprir suas obrigações e resolver suas diferenças.
Kaufmann et al. (1999), por sua vez, descrevem governança como as tradições e instituições que regem o exercício da autoridade em prol do bem comum em um país. Essa definição abarca o processo de seleção, monitoramento e substituição de líderes, bem como a capacidade do governo de gerir seus recursos eficazmente e implementar políticas sólidas.
Desde 1996 o Banco Mundial tem divulgado os Indicadores de Governança Mundial (Worldwide Governance Indicators - WGI), os quais avaliam seis dimensões da governança: voz e responsabilização, estabilidade política, eficácia do governo, qualidade regulatória. Estado de direito e controle da corrupção. Conforme Kaufmann et al. (1999), a finalidade desses indicadores é mensurar percepções subjetivas acerca da qualidade da governança em diferentes países. Tais dimensões refletem as perspectivas de um amplo espectro de empresas, cidadãos e especialistas sobre a qualidade da governança em países tanto industrializados quanto em desenvolvimento (Gaygisiz, 2013; Kaufmann et al., 2009).
Neste artigo, governança nacional é compreendida como a qualidade e efetividade dos arranjos institucionais e administrativos que garantem a responsabilização, a transparência, a eficácia governamental, a estabilidade política, o Estado de direito, a qualidade regulatória e o controle da corrupção - dimensões operacionalizadas pelos WGI. Diferencia-se, portanto, de “qualidade institucional”, que engloba aspectos mais amplos da organização política e social; e de “instituições econômicas”, que dizem respeito a regras específicas sobre propriedade, contratos e incentivos de mercado (Rodrik et al., 2004). A relação entre os indicadores de governança e o crescimento econômico tem sido objeto de análise de várias pesquisas recentes (Dossou et al., 2023; Ochi et al., 2023; Ouedraogo et al., 2022).
Dentre os estudos correlatos, diversos são os resultados acerca da relação entre governança nacional e desenvolvimento econômico e social, tais como: associação entre boa governança e redução da pobreza (Aracil et al., 2022; Jindra & Vaz, 2019; Nguyen et al., 2019), constatação de melhor desempenho da governança e da administração pública melhora a distribuição de renda (Nguyen et al., 2019), influência das instituições democráticas na igualdade de gênero (Glass & Newig, 2019; Jamil et al., 2022). Os estudos também apontam o impacto da qualidade da governança no estímulo ao crescimento econômico e financeiro dos países (Law et al., 2013; Ramzan et al., 2023; Uddin et al., 2023).
Portanto, a qualidade das instituições governamentais desempenha um papel central no crescimento econômico, uma vez que governos eficazes tendem a implementar políticas sólidas e eficientes que promovem o progresso humano (Yang, 2010). Ademais, faz-se necessário distinguir crescimento econômico de desenvolvimento econômico, O crescimento refere-se ao aumento quantitativo da produção, usualmente mensurado pelo Produto Interno Bruto (PIB) ou PIB per capita, enquanto o desenvolvimento envolve dimensões qualitativas mais amplas, como distribuição de renda, saúde, educação e bem-estar social (Stiglitz et al., 2009). Dado que a variável dependente utilizada neste estudo é o PIB per capita, a análise restringe-se ao crescimento econômico, e não ao desenvolvimento, evitando ambiguidades conceituais.
2.2. Crescimento econômico
Acemoglu e Robinson (2010) enfatizam que as instituições desempenham um papel crucial como determinantes do crescimento econômico, uma vez que estas moldam os incentivos presentes na sociedade, podendo tanto estimular quanto diminuir a atividade econômica. De acordo com as conclusões de Murphy et al. (2004), instituições de qualidade inferior têm o potencial de desacelerar a atividade econômica, orientando os agentes econômicos para políticas redistributivas com retornos econômicos menores em detrimento de atividades que efetivamente promovem o crescimento.
Nessa perspectiva, estudos têm analisado o papel da governança no crescimento econômico e a conclusão prevalente é de que as instituições desempenham um papel fundamental, sendo determinantes positivos e significativos do crescimento econômico (Law et al., 2013). Uma das medidas mais utilizadas para mensurar o crescimento econômico de um país é o PIB per capita (van Stel et al., 2005).
Ao utilizar o PIB per capita como proxy para crescimento econômico. Abubakar (2020) revela que a boa governança exerce efeito positivo sobre o crescimento econômico. Epaphra e Kombe (2017) constataram que as instituições são importantes para o crescimento econômico e que a estabilidade política parece ser o fator mais significativo para explicar o crescimento real do PIB per capita na África.
Nguyen et al. (2019) examinaram o efeito da boa governança e da administração pública no PIB per capita, na desigualdade de rendimentos e na pobreza e observaram uma relação positiva entre governança, administração pública e PIB per capita. Portanto, em essência, uma melhor governança favorece o crescimento econômico.
Outros estudos também constataram uma associação positiva entre os indicadores de governança nacional e crescimento econômico, sugerindo que uma melhor qualidade institucional pode contribuir para o crescimento econômico do país (Edeme & Mumuni, 2023; Gani, 2011; Kraipornsak, 2020; Law et al., 2013; Mehanna et al., 2010; Radulović, 2020; Ramzan et al., 2023).
Com base nos pressupostos da Teoria Institucional e das recomendações da literatura, propõe-se que a governança nacional exerce influência positiva sobre o crescimento econômico dos países. Entretanto, reconhece-se que essa relação pode não ser unidirecional, conforme sugerem Acemoglu e Robinson (2012) e Rodrik et al. (2004), uma vez que o próprio crescimento econômico pode reforçar a qualidade institucional e os mecanismos de governança, seja pelo fortalecimento da capacidade estatal, seja pela maior demanda social por transparência e accountability.
Assim, embora este estudo formule hipóteses direcionais, admite-se que os resultados devem ser interpretados com cautela, dada a potencial simultaneidade. Ressalta-se que as hipóteses são formuladas em termos de associação positiva, mas não devem ser lidas como relações estritamente causais, em razão das limitações metodológicas do modelo.
Hipótese geral (H1): A qualidade da governança nacional impacta positivamente o crescimento econômico.
Hipótese H1a: O controle da corrupção impacta o crescimento econômico.
Hipótese H1b: A eficácia do governo impacta o crescimento econômico.
Hipótese H1c: A estabilidade política impacta o crescimento econômico.
Hipótese H1d: A qualidade regulatória impacta o crescimento econômico.
Hipótese H1e: O Estado de direito impacta o crescimento econômico.
Hipótese H1f: A voz e responsabilização impactam o crescimento econômico.
3. MÉTODO
Este estudo examina a relação entre os indicadores de governança nacional e o crescimento econômico nos países que integram o Mercosul, o NAFTA (atual USMCA) e a União Europeia. Para isso, foram coletados dados em websites de instituições internacionais - World Bank, World Intellectual Property Organization (WIPO) e International Monetary Fund (IMF) - em fevereiro de 2024, referentes ao período 2007-2021.
Quanto aos blocos econômicos, tem-se que a União Europeia surgiu na década de 1950 e se configura como uma parceria econômica e política, a qual é considerada uma aliança supranacional. Ela opera com um sistema de instituições independentes e toma decisões negociadas entre seus países-membros, resultando na criação de um ordenamento jurídico próprio. Já o Mercosul foi estabelecido em 1991 por países da América do Sul; o principal objetivo deste bloco é promover a integração política, econômica e social entre seus membros. Por fim, o NAFTA foi estabelecido em 1994 e compreende os Estados Unidos, o Canadá e o México.
Diante disso, a população deste estudo consiste em todos os países membros e associados aos três blocos econômicos com dados disponíveis para coleta. Dessa forma, foram excluídos quatro países associados do Mercosul: Venezuela, por estar suspeita dos direitos; Bolívia, por estar em processo de adesão; e Guiana e Suriname, por ausência de dados. A Tabela 1 decompõe o número de países membros e associados de cada um dos blocos econômicos. Ressalta-se a inclusão do Reino Unido na amostra da União Europeia, dado que sua saída foi oficializada em 2020.
As Tabelas 2 e 3 sintetizam as variáveis independentes, dependente e de controle do estudo, apresentando suas respectivas fontes de coleta, a descrição teórica e as referências que fundamentam sua utilização.
2.1. Análise de dados e modelos empíricos
2.1.1. Índice composto de governança
Para abordar a questão da causalidade, Mehanna et al. (2010) empregaram a média simples dos seis indicadores de governança do Banco Mundial, a fim de ajustar um novo índice, Enquanto alguns pesquisadores utilizam a classificação percentual para indexar as variáveis de governança de 0 a 1 - em que um valor mais elevado representa uma maior qualidade de governança (Morrissey & Udomkerdmongkol, 2012) -, outros elaboram uma classificação com intervalos de índice de 0 a 10, usando a média ponderada das 6 medidas (Abbas et al., 2021).
Com o objetivo de analisar o desempenho geral da governança nacional dos 39 países da amostra, o índice composto de governança é construído com base em uma Análise Fatorial, por Componentes Principais (ACP), realizada a partir dos 6 indicadores da Figura 2 (Kline, 2014).
2.1.2. Testes estatísticos
Inicialmente, descreveram-se os dados com o intuito de apresentar um perfil dos 39 países da amostra, ao longo dos anos, sobre os indicadores de governança e de crescimento econômico. Em seguida, foi utilizada a técnica de Análise de Correspondência Múltipla (ACM), com o fito de verificar associações, por meio de um mapa perceptual, entre os blocos econômicos, os indicadores de governança nacional e o crescimento econômico (Whitlark & Smith, 2001).
Para testar as hipóteses, este trabalho propõe a estimação de sete modelos econométricos, conforme descrição a seguir:
Onde:
pibperit representa o PIB per capita do país i no período t;
pibperit-1 representa o PIB per capita do país i no período t-1;
govit representa o índice composto de governança do país i no período t;
corrupit representa o indicador de corrupção do país i no período t;
governmit representa o indicador de governo do país i no período t;
politicit representa o indicador de estabilidade política do país i no período t;
regulit representa o indicador de regulação do país i no período t;
ruleit representa o indicador de Estado de direito do país i no período t;
voiceit representa a voz e responsabilização do país i no período t;
divpubit representa a dívida pública do país i no período t
giiit representait a inovação do país i no período t;
capfixoit representa o capital fixo do país i no período t;
abertit representa a abertura comercial do país i no período t;
inflait representa a inflação do país i no período t; e
educait representa a educação do país i no período t.
Apesar das sete equações acima, vale destacar que elas não devem ser analisadas de forma isolada. Com a primeira equação pretende-se verificar se a governança nacional influencia o crescimento econômico dos países dos três blocos analisados, o que se configura como objetivo central deste artigo. Já com as demais equações busca-se apenas verificar se tal influência ocorre por meio de todos os indicadores que compõem a governança. Assim, a depender do resultado das estimações, as seis últimas equações poderão fornecer subsídios para entender como se dá a influência da governança sobre o crescimento econômico.
Sabe-se que a relação entre governança nacional e crescimento econômico é caracterizada por endogeneidade, uma vez que há uma relação mútua entre essas variáveis, como apontado em estudos prévios aplicados em diferentes contextos institucionais por meio de determinadas proxies (Liberato & Ribeiro, 2020; Nogueira & Arraes, 2023; Sobral et al., 2014). Dessa forma, tem-se que, de um lado, instituições sólidas e práticas de boa governança são apontadas como fundamentais para o crescimento sustentado; e, de outro, o próprio crescimento econômico cria condições e pressões para a melhoria da governança. Assim, essa relação bidirecional configura um problema de endogeneidade, a qual, se não for corrigida, produzirá estimativas viesadas.
Como Bond et al. (2001) afirmam, modelos de crescimento geralmente são estimados por meio das técnicas de modelo de painel dinâmico - ou Dynamic Panel Data (DPD) -, que incluem o Método Generalizado dos Momentos Sistêmico (SYS-GMM) (Arellano & Bover, 1995; Blundell & Bond, 1998). Assim, para solucionar o problema da endogeneidade presente no modelo, este trabalho utilizou o método de estimação SYS-GMM, o qual utiliza um sistema que combina equações em nível, conforme especificadas anteriormente, com equações em primeira diferença, conforme descrição a seguir:
Vale ressaltar que o método utiliza como instrumentos as variáveis em primeira diferença defasadas e as variáveis em nível defasadas para as equações em nível e em primeira diferença, respectivamente. Além disso, para testar a autocorrelação dos resíduos, aplica-se o teste de Arellano e Bond (1991) para autocorrelação de primeira e segunda ordem, no qual se deve rejeitar a hipótese nula. ausência de autocorrelação de primeira ordem, e não rejeitar a hipótese nula de ausência de autocorrelação de segunda ordem.
Para testar a validade dos instrumentos utiliza-se o teste de Hansen (1982), em que não se deve rejeitar a hipótese nula de validade dos instrumentos. Vale salientar que o tratamento dos dados foi feito com o uso da planilha eletrônica Excel e dos softwares Stata 14 e SPSS 21.
3. RESULTADOS
3.1.Índice composto de governança
Inicialmente, apresenta-se a matriz de correlações dos 6 indicadores que compõem a governança nacional (Tabela 4).
Verifica-se, portanto, que as correlações são altas, o que poderia ocasionar em multicolinearidade severa no modelo de regressão caso, pelo menos, duas dessas variáveis fossem incluídas conjuntamente no mesmo modelo (equação). Assim, a fim de verificar quais dos indicadores da governança pública influenciam o crescimento econômico, será estimado um modelo para cada uma dessas variáveis, logo, a alta correlação verificada entre elas não acarretará multicolinearidade.
As correlações altas, entretanto, reforçam a interpretação convergente dos indicadores, que representam aspectos complementares de uma mesma estrutura institucional. Nessa configuração, cada modelo individual capta a contribuição própria de cada indicador nesse conjunto integrado, sem comprometer a consistência estatística dos coeficientes.
A seguir, este estudo faz uso da ACP para construir um índice composto de governança (gov), a partir de seus seis componentes. O KMO (Kaiser-Meyer-Olkin; é um índice estatístico para avaliar a adequação dos dados para a análise fatorial) apresentou um valor de 0.906, e o teste de Bartlett se mostrou significativo a 5%, indicando a adequação da amostra. O critério de Kaiser apontou a existência de um fator, cuja variância total foi de 88%.
3.2. Análise descritiva
A Tabela 5 apresenta as estatísticas descritivas do PIB per capita, do índice composto de governança (gov) e dos indicadores de governança para cada bloco econômico. Vale salientar que os valores do PIB per capita estão em dólar (US$); os indicadores de governança foram padronizados, variando de 0 a 1; e o índice composto é o resultado da ACP gerado a partir das variáveis da Figura 2.
Inicialmente, percebe-se que as médias do PIB per capita (pib_per_capita) referentes aos blocos econômicos NAFTA e União Europeia são relativamente próximas e, em média, quatro vezes maiores quando comparadas ao PIB per capita do Mercosul.
No tocante à governança, os melhores indicadores foram obtidos por países do NAFTA e da União Europeia, no entanto, somente na União Europeia obteve-se nível máximo. Quanto ao Mercosul, o indicador com melhor desempenho foi o de voz e responsabilização, com média de 0.59 e máximo de 0.937, ao passo que o de corrupção apresentou um mínimo de 0.077.
Em virtude do intervalo dos dados (2007-2021), optou-se por apresentar as trajetórias dessas variáveis. A Figura 2 apresenta a evolução do PIB per capita dos três blocos.
Percebe-se que os PIBs per capita dos três blocos apresentaram trajetórias crescentes e sem oscilações expressivas. O Mercosul apresentou, em 2007, PIB per capita de US$ 5.906,54 e, em 2021, atingiu o patamar de US$ 9.655,88 - crescimento de 63%. Já o NAFTA e a União Europeia apresentaram, em 2007, PIBs per capita de US$ 34.143,34 e US$ 33.349,27, respectivamente. No entanto, em 2010, o NAFTA apresentou um crescimento maior, destoando um pouco da União Europeia, distância esta mantida praticamente imutável ao longo dos anos e fez com que NAFTA e União Europeia apresentassem, em 2021, PIBs per capita de US$ 44.207,93 (crescimento de 29% em relação ao de 2007) e R$ 40.328,66 (crescimento de 20% em relação ao de 2007), respectivamente. Esses resultados podem indicar diferentes dinâmicas econômicas e políticas entre os blocos, destacando a importância de considerar contextos regionais ao interpretar dados econômicos (Hassan, 2001).
Quanto à evolução média do indicador de governança, observa-se, assim como no PIB per capita, que União Europeia e NAFTA seguem com as maiores médias (Figura 3).
Em geral, os achados podem ser explicados a partir da Teoria Institucional. A União Europeia, como um bloco mais estável em todos os indicadores, pode ter instituições mais robustas e eficientes em comparação com o Mercosul e o NAFTA, contribuindo para indicadores de governança mais elevados. Nesse contexto, além de instituições mais robustas, as diferenças nos sistemas legais, regulatórios e culturais também afetam os resultados.
As Figuras 4 5, 6, 7, 8 a 9 apontam o comportamento de cada componente do indicador de governança no período 2007-2021 para cada bloco econômico. No geral, o Mercosul apresenta as piores médias, em todos os indicadores, no período. Já a União Europeia e o NAFTA apresentam médias semelhantes, exceto para o indicador de estabilidade política, no qual a média para a União Europeia fica bem acima da do NAFTA, principalmente a partir de 2016, quando a média deste indicador para este bloco apresenta uma trajetória decrescente, se aproximando da média do Mercosul. Ademais, as médias para a União Europeia apresentam trajetória com certa estabilidade no período, concentrando-se, em grande parte, no patamar de 0.8.
Do exposto, a União Europeia se destaca como o bloco com maiores PIB per capita e níveis de governança, tanto no agregado como em cada componente, ao passo que o Mercosul exibe as piores médias. Assim, os resultados parecem indicar uma relação positiva entre governança e crescimento econômico, medido, aqui, pelo PIB per capita.
3.3. Análise de correspondência múltipla
A Figura 10 exibe a representação visual das relações entre as categorias das variáveis blocos econômicos, indicadores de governança e crescimento econômico.
Primeiramente, verifica-se que a União Europeia está associada com níveis altos de governança e ao PIB per capita alto e médio. Nota-se, ainda, que o Mercosul está associado com níveis médios de governança e ao PIB per capita baixo, e que o bloco NAFTA não está associado a nenhum nível de governança e PIB per capita.
Em seguida, apresenta-se o resultado das estimações dos sete modelos propostos anteriormente com vistas à verificação das hipóteses formuladas neste artigo, conforme a Tabela 6. Verifica-se que o teste de Arellano-Bond não rejeita a hipótese nula de ausência de autocorrelação de segunda ordem (AR 2), mas rejeita a autocorrelação de primeira ordem (AR 1), e que o teste de Hansen não rejeita a hipótese nula de que os instrumentos são válidos. Portanto, conforme explicado na seção anterior, pode-se atestar que as estimações são eficientes.
Para facilitar a comparação dos efeitos estimados entre os diferentes modelos, a Tabela 7 sintetiza os coeficientes associados aos indicadores de governança.
Com base na Tabela 6, evidencia-se que a governança nacional possui relação positiva com o PIB per capita (modelo 1). Diante disso, pode-se inferir que a governança nacional pode ser vista como um fator institucional que influencia o crescimento econômico, uma vez que quanto maior for o nível de governança nacional, maior, em média, será o PIB per capita da nação.
Adicionalmente, foram estimados mais 6 modelos (modelos 2 a 7) a fim de verificar quais dos indicadores que compõem a governança pública influenciam o crescimento econômico. Diante disso, observa-se que quatro dos componentes da governança pública apresentaram relação positiva e significante com o PIB per capita, a saber: estabilidade política, cujo resultado é consistente com Epaphra e Kombe (2017), Gani (2011), Radulović (2020) e Ramzan et al. (2023); eficácia do governo, corroborando estudos anteriores de Gani (2011), Kraipornsak (2020), Mehanna et al. (2010), Radulović (2020) e Uddin e Rahman (2023); voz e responsabilização, conforme apontado por Kraipornsak (2020), Radulović (2020) e Ramzan et al. (2023); e controle da corrupção, ressaltando as descobertas anteriores que destacam a importância crucial do controle da corrupção para impulsionar o crescimento econômico em uma região (Kraipornsak, 2020; Mehanna et al., 2010; Ramzan et al., 2023; Uddin & Rahman, 2023).
Apesar da relevância teórica da qualidade regulatória e do Estado de direito. esses indicadores não foram estatisticamente significativos (Aoki, 1996; Kaufmann et al., 1999). Uma possível explicação é a heterogeneidade institucional entre os blocos: na União Europeia, esses indicadores já se encontram em níveis elevados e estáveis, o que reduz seu impacto marginal no crescimento; no Mercosul, por outro lado, a maior fragilidade institucional e a baixa variação podem impedir que seus efeitos se traduzam em ganhos econômicos mensuráveis.
Outra possibilidade é a existência de efeitos não lineares, pois estudos sugerem que regulação e Estado de direito só estimulam o crescimento após determinado limiar de qualidade institucional (Kraipornsak, 2020; Ochi et al., 2023). Assim, em países que ainda não atingiram esse patamar, seus efeitos podem não aparecer em modelos lineares, como o empregado neste estudo.
Do exposto até aqui, em linhas gerais, os resultados evidenciam que boas práticas de governança são essenciais para impulsionar o crescimento econômico. Assim, a boa governança emerge como um meio para promover o progresso das nações, reduzir a pobreza, mitigar a desigualdade de renda e fomentar o aumento do crescimento econômico. Esses achados estão de acordo com os pressupostos da Teoria Institucional e a crença amplamente difundida de que melhores instituições são necessárias para impulsionar o crescimento econômico.
Em relação às variáveis de controle, os resultados fornecem evidências de que a formação de capital fixo, abertura comercial e inflação são significantes, apresentando efeitos positivos sobre o crescimento econômico, como já esperado. Quanto à inovação, o estudo de Paula et al. (2021) desenvolvido no contexto brasileiro já havia revelado que os dispêndios com P&D não foram significativos para explicar o crescimento econômico do país.
Observa-se, ainda, que a formação de capital fixo apresentou coeficientes elevados e estáveis em todos os modelos (0.19 a 0.30). Isso pode mascarar parte do efeito da governança. sugerindo que o crescimento econômico é fortemente puxado por investimento em capital físico.
3.4. Síntese dos resultados
A Tabela 8 exibe os principais resultados da análise dos efeitos da governança nacional no crescimento econômico.
Com base na Tabela 8, com exceção das hipóteses que consideraram os indicadores qualidade regulatória e Estado de direito, as demais hipóteses foram confirmadas, sustentadas pelos pressupostos da Teoria Institucional. Esse achado pode ser explicado pelo fato de que, conforme advertem Stewart et al. (2021), apesar de a qualidade regulatória poder reduzir a extensão do crédito no país, isso não necessariamente afeta o PIB.
Por sua vez, o Estado de direito, que reflete o nível de qualidade das instituições jurídicas, a efetividade das regras e normas do país e o comprometimento do governo e dos cidadãos em cumprir as regras estabelecidas, não se mostrou significante para influenciar o crescimento econômico dos países estudados, medido pelo PIB per capita (Aoki, 1996; Dam, 2006). Tal resultado não se alinha à teoria que prediz que instituições de excelência estabelecem diretrizes de governança, exercendo uma influência direta sobre o crescimento econômico ao perceber insignificância estatística para tais variáveis.
4. CONCLUSÕES
A boa governança é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no milênio das Nações Unidas. Este estudo examinou o impacto da governança nacional sobre o crescimento econômico dos países do Mercosul, NAFTA e da União Europeia. Especificamente, verificou-se o crescimento econômico, descreveram-se os indicadores de governança nacional dos blocos estudados e analisou-se comparativamente os indicadores de governança dos blocos. Assim, verificou-se o impacto dos seis indicadores do Banco Mundial e do índice composto de governança (gov) no crescimento econômico, para o qual foi feita uma análise em painel, para o período de 2007 a 2021.
Quanto ao crescimento econômico, verificaram-se diferentes dinâmicas econômicas e políticas entre os blocos, destacando a importância de considerar contextos regionais ao interpretar dados econômicos. Além disso, os resultados revelam uma trajetória de estabilidade nos indicadores de governança nacional, como também apresentam semelhanças entre os blocos NAFTA e União Europeia, sendo este último o que apresenta melhores desempenhos.
De forma geral, o NAFTA e a União Europeia se destacaram por exibir um notável crescimento econômico em comparação ao Mercosul; observa-se, ainda, que essas mesmas regiões apresentam os mais elevados níveis de indicadores de governança. Essa constatação ressalta a importância substancial da eficácia dos sistemas governamentais como um fator determinante para o progresso econômico das nações. A União Europeia, como um bloco mais estável em todos os indicadores de governança, possui instituições mais robustas e eficientes em comparação com o Mercosul e o NAFTA, contribuindo para indicadores de governança mais elevados.
De acordo com os resultados da ACM, verificou-se que a União Europeia está associada com nível alto de governança e ao PIB per capita alto e médio. Já o Mercosul está associado com nível médio de governança e ao PIB per capita baixo. Por fim, observou-se que o NAFTA não está associado a nenhum nível de governança e PIB per capita.
Os resultados dos modelos econométricos permitem inferir que, com exceção dos indicadores qualidade regulatória e Estado de direito, os indicadores de governança nacional e o índice composto de governança impactam positiva e significativamente o crescimento econômico. Em outras palavras, a eficácia do governo, o controle da corrupção, a voz e responsabilização e a estabilidade política são necessários para promover o crescimento econômico dos países analisados. Portanto, os países bem governados possuem potencial de formular e implementar políticas de estímulo ao crescimento.
Além disso, os resultados deste estudo fornecem evidências de que a formação de capital fixo, a inflação e a abertura de capital são significantes de modo positivo para o crescimento econômico. Por sua vez, não existem evidências empíricas de que a inovação, a educação e a dívida pública exerçam influência sobre o crescimento econômico dos países do Mercosul, NAFTA e da União Europeia.
Por conseguinte, é imperativo que os governos dos países do Mercosul adotem melhores práticas de governança para reformular o crescimento econômico das economias sul-americanas. Por último, mas não menos importante, investir em formação de capital fixo e na abertura de capital, bem como no controle da inflação, pode ajudar a revigorar o crescimento desses países.
Diante do exposto, os resultados deste estudo implicam que a dinâmica da economia moderna atual torna necessário que os países em desenvolvimento atuem agora e em seu próprio país, melhorem as dimensões da governança nacional e estabeleçam boas práticas de governança que sejam internamente relevantes e internacionalmente comparáveis e consistentes.
Dada a importância crucial da qualidade da governança das instituições de um país e sua relação com o crescimento econômico, reforça-se a significância desses resultados. Eles constituem um alerta aos governantes e aos gestores públicos, destacando a imperatividade da adoção de boas práticas de governança. Isso é essencial tanto na formulação de políticas quanto na administração eficaz dos recursos públicos.
Ademais, a análise dos indicadores de governança do Banco Mundial utilizados no estudo revelou diferenças notáveis entre os países dos diferentes blocos econômicos. Isso corrobora a literatura prévia, que destaca a consideração, por parte da governança, de características específicas de cada nação. Importante ressaltar que essas características específicas não foram objeto de análise individual nesta pesquisa.
Como limitações, cita-se, primeiramente, acerca das características de cada bloco econômico, pois não foi possível analisar empiricamente as relações das variáveis separando por bloco. Outra limitação reside na análise do crescimento econômico por meio especificamente do PIB per capita; assim, não foi considerado indicador de desenvolvimento social. Para pesquisas futuras, sugere-se que os resultados sejam analisados separadamente por bloco econômico. Recomenda-se, ainda, o uso e a análise de indicadores de desenvolvimento social.
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FINANCIAMENTO
Esta pesquisa contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio de bolsa de mestrado, concedida à autora Thamara Marcos dos Santos.
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DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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Pareceristas:
Francisco José Silva Tabosa (Universidade Federal do Ceará, Fortaleza / CE - Brasil)
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Pareceristas:
Eva Yamila da Silva Catela (Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis / SC - Brasil)
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Relatório de revisão por pares:
O relatório de revisão por pares está disponível neste link https://periodicos.fgv.br/rap/article/view/97069/90457
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.











Fonte: Elaborada pelos autores.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Dados da pesquisa.
Fonte: Elaborada pelos autores.