A avaliação educacional de estudantes com deficiências múltiplas representa um dos desafios mais complexos da educação inclusiva contemporânea. Este estudo examina como a avaliação é conceitualizada e realizada em contextos chilenos de Educação Especial e, com base nisso, identifica princípios analíticos que podem contribuir para o desenvolvimento de uma abordagem ecológico-funcional. Foi adotado um desenho qualitativo interpretativo-hermenêutico, combinando análise documental de marcos regulatórios nacionais com entrevistas semiestruturadas e um grupo focal confirmatório envolvendo 18 coordenadores técnico-pedagógicos de 14 escolas especiais. A análise foi organizada em três níveis interconectados - normativo, institucional e procedimental - e interpretada por meio dos domínios de qualidade de vida: independência, participação e bem-estar. Os resultados revelam forte convergência conceitual em torno de uma avaliação abrangente e contextualizada, mas implementação operacional desigual entre as escolas, refletida em arranjos institucionais heterogêneos, procedimentos construídos localmente e ausência de referenciais analíticos compartilhados. Embora muitas escolas já empreguem práticas compatíveis com perspectivas ecológicas - particularmente observação contextual e participação da família -, essas práticas frequentemente permanecem insuficientemente sistematizadas. Com base na análise multinível, o estudo identifica três princípios analíticos interrelacionados que podem orientar o desenvolvimento de uma abordagem ecológico-funcional: orientação ecológica, linguagem analítica compartilhada e interdisciplinaridade operacional. Em conjunto, esses princípios reposicionam a avaliação como um processo situado e colaborativo voltado a compreender o funcionamento, identificar apoios e ampliar a participação.
PALAVRAS-CHAVE:
Avaliação educacional; Deficiências múltiplas; Abordagem ecológico-funcional; Qualidade de vida; Educação Especial.