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Precisamos falar sobre uso de Metilfenidato por estudantes de medicina - revisão da literatura

Resumo:

Introdução:

Estudos mostram que o metilfenidato (MPH) tem sido utilizado por estudantes de medicina para aumentar sua atividade mental e melhorar o desempenho exigido durante a graduação, gerando preocupações quanto aos riscos à sua saúde física e mental. Esse cenário indica a necessidade de medidas especificamente direcionadas nas escolas médicas.

Objetivo:

Revisar a literatura sobre o uso de MPH sem indicação médica entre estudantes de medicina.

Método:

Revisão minuciosa da literatura publicada em inglês, espanhol e português, entre 2013 e 2019, com base em dados disponibilizados pelo PUBMED e SCIELO, utilizando palavras-chave nos três idiomas acima, ao longo das quatro etapas do processo de seleção.

Resultados e Discussão:

Ao todo, foram encontrados 224 artigos, dos quais 25 foram selecionados após leitura, tratando do uso de MPH ou ‘potencializador da cognição’ por graduandos de medicina sem prescrição médica. A pesquisa indicou variabilidade significativa na frequência de consumo, relacionada ao padrão de uso investigado, uso com ou sem indicação, antes ou após a entrada na Universidade e país onde o estudo foi realizado. A justificativa mais frequente para o uso sem indicação médica foi a de obter melhora no desempenho acadêmico. Notou-se a carência de pesquisas com uma avaliação adequada dos riscos cognitivos, comportamentais e psíquicos envolvidos, entre eles o risco de adição e a abordagem do tópico nas escolas médicas.

Conclusão:

As altas taxas de uso do MPH por estudantes de medicina visando o aprimoramento cognitivo reforça a importância de ações preventivas nas escolas médicas. As estratégias devem considerar informações sobre os riscos do uso (do MPH) sem indicação médica; intervenções não farmacológicas para melhoria do desempenho cognitivo; medidas de higiene do sono; organização para atividades de estudo adequadas; amplas discussões sobre aspectos éticos e estrutura curricular.

Palavras-chave:
Estudantes de Medicina; Metilfenidato; Estimulantes; Aprimoramento cognitivo

Abstract:

Introduction:

Studies methylphenidate (MPH) has been used by medical students to increase their mental activity and improve the performance required during undergraduate school, generating concern regarding the risks to their physical and mental health. This scenario indicates the need for specifically aimed measures in medical schools.

Objective:

To review the literature about the use of MPH without medical indication amongst medical students.

Method:

A thorough review of the literature published in English, Spanish, and Portuguese, between 2013 and 2019, based on data made available by Pubmed and Scielo, utilizing keywords in the three above languages, along the four stages of the selection process.

Results and Discussion:

Altogether, 224 articles were found, of which 25 were selected after reading, dealing with the use of MPH or ‘cognition enhancer’ by undergraduate medical students without a doctor’s prescription. The research indicated significant variability in the frequency of consumption, related to the investigated pattern of use, use with or without indication, before or after entering University and country where the study was carried out. The most frequent justification for the use without medical indication was to attain improvement in academic performance. A lack of research with a fair appraisal of the cognition, behavioral and psychic risks involved, among them addiction and the approach of the topic in medical schools, was noted.

Conclusion:

The high rates of usage of MPH by medical students aiming at cognitive enhancement strengthens the importance of preventative actions in medical schools. The strategies must consider information concerning the risks of use (of MPH) without medical indication; non-pharmacological interventions for performance improvement; sleep hygiene measures organization for adequate study activities; broad discussions about ethical aspects and curricular structure.

Keywords:
Medical Students; Methylphenidate; Stimulants; Cognitive Enhancement

INTRODUÇÃO

Na última década, tem havido uma preocupação crescente no meio acadêmico com o uso contínuo de psicoestimulantes para melhorar o desempenho escolar de estudantes de graduação11. Weyandt LL, White TL, Gudmundsdottir BG, Nitenson AZ, Rathkey EM, De Leon KA, et al. Neurocognitive, Autonomic, and Mood Effects of Adderall: A Pilot Study of Healthy College Students. Pharmacy 2018; 6: 58. doi: 10.3390/pharmacy6030058.
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. Essas substâncias são caracterizadas por sua capacidade de estimular o Sistema Nervoso Central (SNC)22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109., aumentando a atenção e a concentração. Dentre essas substâncias, destacam-se as ‘bebidas energéticas’ (bebidas à base de cafeína, guaranina, cola e taurina), os medicamentos utilizados para perda de peso e os medicamentos indicados para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e narcolepsia22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(33. Fond G, Gavaret M, Vidal C, Brunel L, Riveline JP, Franchi JAM, et al. (Mis) of prescribed Stimulants in the medical student community: Motives and behaviors. A population-based cross-sectional study. Medicine (Baltimore) 2016; 95(16): e3366..

Os medicamentos mais frequentemente utilizados para melhorar o desempenho cognitivo são os indicados para o tratamento do TDAH, que se caracteriza por perda de atenção e organização mental e hiperatividade/impulsividade, começando na infância e podendo persistir até a vida adulta, e que pode prejudicar a vida social, acadêmica e profissional de um indivíduo44. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais recurso eletrônico]: DSM-5 / [American Psychiatric Association; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli [et al.]. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.. O tratamento farmacológico do TDAH inclui o uso de Metilfenidato (MPH)55. Dafny N. Does Methylphenidate (MPD) Have the Potential to Become Drug of Abuse? Biochem Pharmacol (Los Angel) 2014; 4:1. http://dx.doi.org/10.4172/2167-0501.1000156.
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, um medicamento estimulante comercializado no Brasil sob os nomes comerciais Concerta®, Ritalina® e Ritalina LA®(66. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA (2012). Prescrição e consumo de metilfenidato no Brasil: identificando riscos para o monitoramento e controle sanitário. Boletim de Farmacoepidemiologia do SNGPC, 2(2). 1-14. Acesso em 29 de julho, 2018. Disponível em: Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/sngpc/boletins/2012/boletim_sngpc_2_2012_corrigido_2.pdf
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, como medicamentos de primeira classe para intervenção terapêutica22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(55. Dafny N. Does Methylphenidate (MPD) Have the Potential to Become Drug of Abuse? Biochem Pharmacol (Los Angel) 2014; 4:1. http://dx.doi.org/10.4172/2167-0501.1000156.
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),(77. Carneiro SG, Prado AST, Moura HC, Strapasson JF, Rabelo NF, Ribeiro TT, et al. O uso não prescrito de metilfenidato entre acadêmicos de medicina. Cad.Uno. FOA Health and Biological Sciences 2013; 01:53-59.),(88. Cohen YG, Segev RW, Shlafman N, Novack V, Ifergane G. Methylphenidate use among medical students at Ben-Gurion University of the Negev. J Neurosci Rural Pract 2015; 6(3): 320-5.),(99. Eslami AA, Jalilian F, Ataee M, Mirzaei-Alavijeh M, Mahboubi M, Afsar A, et al. Intention and willingness in understanding Ritalin misuse among Iranian medical college students: a cross-sectional study. Global journal of health science 2014; 6(6): 43-53.. Este fármaco promove o aumento da atenção e o controle dos impulsos comportamentais; porém, tem potencial para o desenvolvimento de adição quando utilizado de forma inadequada66. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA (2012). Prescrição e consumo de metilfenidato no Brasil: identificando riscos para o monitoramento e controle sanitário. Boletim de Farmacoepidemiologia do SNGPC, 2(2). 1-14. Acesso em 29 de julho, 2018. Disponível em: Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/sngpc/boletins/2012/boletim_sngpc_2_2012_corrigido_2.pdf
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. Portanto, a recomendação para seu uso deve seguir critérios rígidos, após avaliação médica e psicológica levando em consideração o histórico familiar, o desenvolvimento na infância, desempenho escolar, análise do uso de outras substâncias psicoativas, bem como o nível de inteligência do indivíduo1010. Luizão AM, Scicchitanor MJ. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: um recorte da produção científica recente. Rev psicopedag [online] 2014; 31 (96): 289-297. ISSN 0103-8486..

O uso de estimulantes para aumentar a atividade mental tem sido descrito como uma opção para lidar com as demandas que a graduação exige e melhorar o desempenho acadêmico22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109., gerando preocupações sobre os riscos à saúde e qualidade de vida dos indivíduos. Investigações recentes realizadas na Rhode Island University, Brown University e no Rhode Island Memorial Hospital estudaram as consequências do uso não prescrito de Adderall® (uma mistura de sais de anfetamina, também utilizada para tratar TDAH) por estudantes de graduação. Os autores verificaram que a capacidade de atenção melhora, embora em detrimento das funções da memória de trabalho, o que, por sua vez, pode comprometer o desempenho das tarefas diárias, a resolução de problemas e as relações sociais11. Weyandt LL, White TL, Gudmundsdottir BG, Nitenson AZ, Rathkey EM, De Leon KA, et al. Neurocognitive, Autonomic, and Mood Effects of Adderall: A Pilot Study of Healthy College Students. Pharmacy 2018; 6: 58. doi: 10.3390/pharmacy6030058.
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.

Dentre os cursos universitários, a Medicina é considerada uma das mais exigentes no que diz respeito ao desempenho de seus alunos 22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(1111. Andrade JBC, Sampaio JJC, Farias LM, Melo LP, Sousa DP, Mendonça ALB, et al. Contexto de Formação e Sofrimento Psíquico de Estudantes de Medicina. Rev Bras Edu Med 2014; 38 (2): 231-242.. Suas jornadas começam no momento da escolha da profissão, passando por cursinhos pré-vestibulares, concorrendo com outros para obter uma vaga em uma universidade, e depois disso, ter que manter o alto desempenho durante toda a graduação1111. Andrade JBC, Sampaio JJC, Farias LM, Melo LP, Sousa DP, Mendonça ALB, et al. Contexto de Formação e Sofrimento Psíquico de Estudantes de Medicina. Rev Bras Edu Med 2014; 38 (2): 231-242.. A maioria dos alunos chega à Universidade esperando que o nível de exigência de dedicação continuada diminua e fica frustrado ao perceber que, muito pelo contrário, o ritmo de estudos continuará com uma taxa de exigência muito alta1111. Andrade JBC, Sampaio JJC, Farias LM, Melo LP, Sousa DP, Mendonça ALB, et al. Contexto de Formação e Sofrimento Psíquico de Estudantes de Medicina. Rev Bras Edu Med 2014; 38 (2): 231-242.. Além disso, outros fatores como privação de sono e de lazer contribuem para o estresse e baixo desempenho acadêmico22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.. Comprometidos com uma rotina extenuante, os alunos podem recorrer a meios para obter eficiência nas atividades do curso, entre eles o uso de estimulantes cerebrais como o MPH22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109..

Este assunto é essencial a todas as instituições de Ensino Superior Médico e às que prestam apoio ao estudante. Este estudo tem como objetivo fazer uma revisão da literatura sobre o uso de MPH entre estudantes de medicina sem prescrição médica, buscando uma melhor compreensão dos aspectos do uso de psicoestimulantes e promovendo ações preventivas para oferecer aos estudantes de medicina melhores condições de aprendizado e qualidade de vida.

MÉTODO

Foi realizada uma revisão abrangente da literatura internacional e nacional brasileira, com foco em artigos publicados nos últimos sete anos (janeiro de 2013 a dezembro de 2019). Além disso, os autores incluíram artigos escritos em inglês, espanhol e português, sobre o uso de MPH sem indicação médica por estudantes de medicina com base em dados disponibilizados pelo Pubmed/Medline e Scielo, utilizando como palavras-chave ou expressões-chave nesses três idiomas, respectivamente:

Medical Students; Methylphenidate; Stimulants and Cognitive Enhancement.

Estudiantes de Medicina; Metilfenidato; Estimulantes; Mejora Cognitiva.

Estudantes de Medicina; Metilfenidato; Estimulantes; Aprimoramento Cognitivo.

Para tanto, foi estabelecida uma estrutura seletiva, composta por quatro etapas, que incluiu artigos com foco no escopo da pesquisa, a saber: título do artigo, análise dos resumos, leitura dinâmica dos artigos e busca complementar nas referências bibliográficas dos artigos selecionados, que atenderam aos mesmos critérios adequados em relação ao tema, resumos e leitura dinâmica.

RESULTADOS

No total, foram encontrados 224 artigos, sendo 09 da base de dados Scielo e 215 da base de dados Pubmed. Foram excluídos os artigos repetidos ou que não abordavam o uso do MPH por estudantes de medicina sem orientação clínica, como mostrado na Figura 1.

Figura 1
Fluxograma das etapas, exclusões e resultado parcial.

As publicações referentes aos intensificadores cognitivos que incluíam o uso geral do MPH foram mantidas, resultando em 20 artigos que foram revisados e tiveram suas referências bibliográficas avaliadas. Nesse processo, 69 artigos foram submetidos ao referido método de triagem, além de outros cinco artigos a serem analisados. Assim, no total, 25 artigos foram selecionados para esta revisão (Tabela 1) e os destaques da revisão estão apresentados no Quadro 1.

Tabela 1
Descrição dos artigos selecionados.
Quadro 1
Destaques da revisão sobre o uso de psicoestimulantes por estudantes de medicina.

DISCUSSÃO

O estudo indicou uma variabilidade significativa na frequência de consumo, relacionada ao padrão de uso investigado, uso com ou sem indicação, antes ou depois de ingressar na Universidade e no país onde o estudo foi realizado. Entre os artigos avaliados, os estudantes de países da América Latina foram os que apresentaram maior prevalência de uso de MPH. Um estudo de Porto Rico apresentou a maior prevalência (47,4%)1212. Acosta DL, Fair CN, Gonzalez CM, Iglesias M, Maldonado N, Schenkman N, et al. Nonmedical use of d-Amphetamines and Methylphenidate in Medical Students. PRHSJ 2019; 38(3): 185-188., seguido por 45% dos alunos entrevistados em uma escola do Paraguai, dos quais 33% utilizaram o medicamento sem indicação clínica adequada1313. Franco Netto ROR, Franco Netto JAR, Silva Junior NZ, Silva SM, Vaz LHS, Aguero MAF, et al. Incidencia del uso no prescrito del Metilfenidato entre Estudiantes de Medicina. Rev Inst. Med. Trop 2018;13(1): 16-22. doi:10.18004/imt/20181316-22.
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. Em seguida, chega-se a um total de 34,2% dos alunos de uma faculdade de medicina do Rio Grande do Sul, Brasil, dos quais 23% utilizaram o fármaco sem indicação adequada1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.. Os outros dois estudos realizados no Brasil22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(77. Carneiro SG, Prado AST, Moura HC, Strapasson JF, Rabelo NF, Ribeiro TT, et al. O uso não prescrito de metilfenidato entre acadêmicos de medicina. Cad.Uno. FOA Health and Biological Sciences 2013; 01:53-59. apontaram maiores taxas de uso quando comparados a outros países como os EUA, com 18%1515. Emanuel RM, Frellsen SL, Kashima KJ, Sanguino SM, Sierles FS, Lazarus CJ. Cognitive enhancement drug use among future physicians: findings from a multi-institutional census of medical students. J Gen Intern Med 2013; 28(8):1028-1034., Israel88. Cohen YG, Segev RW, Shlafman N, Novack V, Ifergane G. Methylphenidate use among medical students at Ben-Gurion University of the Negev. J Neurosci Rural Pract 2015; 6(3): 320-5. e África com 17%1616. Retief M, Verster C. Prevalence and correlated nonmedical stimulants and related drug use in a sample of South African undergraduate medical students. S Afr J Psychiatr 2016; 22(1):a795. http://dx.doi.org/10.4102/sajpsychiatry.v22i1.795.
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, Norte do Irã com 11%1717. Fallah G, Moudi S, Hamidia A, Bijani A. Stimulant use in medical students and residents requires more careful attention. Caspian Journal of Internal Medicine 2018; 9(1):87. PMid:29387325 PMCid:PMC5771366. e um estudo realizado no Paquistão com 9%1818. Javed N, Ahmed F, Saeed S, Amir R, Khan H, Iqbal SP. Prevalence of Methylphenidate Misuse in Medical Colleges in Pakistan: A Cross-sectional Study. Cureus 2019; 11(10): e5879. doi: 10.7759/cureus.5879.
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.

O mais recente estudo realizado no Brasil, publicado em 2016, mostrou consumo (pelo menos uma vez na vida) de 20%22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109. dos alunos, e outro estudo realizado no Rio de Janeiro77. Carneiro SG, Prado AST, Moura HC, Strapasson JF, Rabelo NF, Ribeiro TT, et al. O uso não prescrito de metilfenidato entre acadêmicos de medicina. Cad.Uno. FOA Health and Biological Sciences 2013; 01:53-59. em 2013 apontou uma taxa de 23,7% de uso em algum momento da vida dos alunos que participaram do estudo. Em uma revisão de literatura realizada em 2013, foi descrito, nesse mesmo grupo de alunos, um percentual de uso de 3 a 16%1919. Finger G, da Silva ER, Falavigna A. Use of Methylphenidate among medical students: a systematic review. Rev Assoc Med Bras 2013; 59: 285-289., enquanto 14,5%1919. Finger G, da Silva ER, Falavigna A. Use of Methylphenidate among medical students: a systematic review. Rev Assoc Med Bras 2013; 59: 285-289. admitiram já ter utilizado MPH para melhorar o desempenho acadêmico.

Sete estudos foram realizados sobre a diferença de uso entre os gêneros, sem diferenças significativas. Cinco, no entanto, indicaram maior consumo de psicoestimulantes (incluindo MPH) pelo gênero masculino 33. Fond G, Gavaret M, Vidal C, Brunel L, Riveline JP, Franchi JAM, et al. (Mis) of prescribed Stimulants in the medical student community: Motives and behaviors. A population-based cross-sectional study. Medicine (Baltimore) 2016; 95(16): e3366.),(99. Eslami AA, Jalilian F, Ataee M, Mirzaei-Alavijeh M, Mahboubi M, Afsar A, et al. Intention and willingness in understanding Ritalin misuse among Iranian medical college students: a cross-sectional study. Global journal of health science 2014; 6(6): 43-53.),(1515. Emanuel RM, Frellsen SL, Kashima KJ, Sanguino SM, Sierles FS, Lazarus CJ. Cognitive enhancement drug use among future physicians: findings from a multi-institutional census of medical students. J Gen Intern Med 2013; 28(8):1028-1034.),(1717. Fallah G, Moudi S, Hamidia A, Bijani A. Stimulant use in medical students and residents requires more careful attention. Caspian Journal of Internal Medicine 2018; 9(1):87. PMid:29387325 PMCid:PMC5771366.),(2020. Abbasi-Ghahramanloo A, Fotouhi A, Zeraati H, Rahimi-Movaghar A. Prescription drugs, alcohol, and illicit substance use and their correlations among medical sciences students in Iran. Int J High Risk Behav Addict 2015; 4: e 21945., enquanto um deles especificou o uso de MPH99. Eslami AA, Jalilian F, Ataee M, Mirzaei-Alavijeh M, Mahboubi M, Afsar A, et al. Intention and willingness in understanding Ritalin misuse among Iranian medical college students: a cross-sectional study. Global journal of health science 2014; 6(6): 43-53.. Apenas um artigo descreveu maior prevalência de uso pelo gênero feminino2121. Silveira VI, Oliveira RJF, Caixeta MR, Andrade BBP, Siqueira RGL, Santos GB. Uso de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina de uma Universidade do Sul de Minas Gerais. Rev Univ Vale Rio Verde 2015; 13(2):186-192..

Alguns estudos sugerem que a maioria dos estudantes de medicina que utilizam MPH começou a utilizá-lo após o ingresso na Universidade. Um estudo realizado nos EUA diz que 57% dos alunos entrevistados que já usaram MPH declararam ter iniciado o uso durante a faculdade1515. Emanuel RM, Frellsen SL, Kashima KJ, Sanguino SM, Sierles FS, Lazarus CJ. Cognitive enhancement drug use among future physicians: findings from a multi-institutional census of medical students. J Gen Intern Med 2013; 28(8):1028-1034. e um estudo realizado no Brasil mostrou que 64% dos alunos com histórico de uso afirmaram que iniciaram o uso dessa substância durante o curso de medicina22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.. Em um estudo norte-americano realizado com estudantes de Medicina Osteopática, os autores verificaram que a frequência de estudantes que admitiram o uso de psicoestimulantes sem indicação médica foi superior à taxa de diagnóstico na população22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109..

Em estudo realizado em uma universidade de Minas Gerais, metade dos alunos que usavam psicoestimulantes o faziam antes dos exames2121. Silveira VI, Oliveira RJF, Caixeta MR, Andrade BBP, Siqueira RGL, Santos GB. Uso de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina de uma Universidade do Sul de Minas Gerais. Rev Univ Vale Rio Verde 2015; 13(2):186-192.. Outro estudo em Porto Rico encontrou uma taxa de 60,3%1212. Acosta DL, Fair CN, Gonzalez CM, Iglesias M, Maldonado N, Schenkman N, et al. Nonmedical use of d-Amphetamines and Methylphenidate in Medical Students. PRHSJ 2019; 38(3): 185-188.. Esses achados enfatizam que os estimulantes parecem ser considerados um facilitador para “bons” resultados nos exames2121. Silveira VI, Oliveira RJF, Caixeta MR, Andrade BBP, Siqueira RGL, Santos GB. Uso de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina de uma Universidade do Sul de Minas Gerais. Rev Univ Vale Rio Verde 2015; 13(2):186-192.. Outros estudos também apontaram que a motivação para o uso do MPH sem indicação médica visava um melhor desempenho acadêmico2323. Roncero C, Egido A, Rodriguez-Cintas L, Perez-Pazos J, Collazos F, Casas M. Substance use among medical students: a literature review 1988- 2013. Actas Esp Psiquiatr 2015; 43(3): 10921., aumento das horas de vigília, melhora da concentração, capacidade de atenção e memória estendida22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(33. Fond G, Gavaret M, Vidal C, Brunel L, Riveline JP, Franchi JAM, et al. (Mis) of prescribed Stimulants in the medical student community: Motives and behaviors. A population-based cross-sectional study. Medicine (Baltimore) 2016; 95(16): e3366.),(77. Carneiro SG, Prado AST, Moura HC, Strapasson JF, Rabelo NF, Ribeiro TT, et al. O uso não prescrito de metilfenidato entre acadêmicos de medicina. Cad.Uno. FOA Health and Biological Sciences 2013; 01:53-59.),(88. Cohen YG, Segev RW, Shlafman N, Novack V, Ifergane G. Methylphenidate use among medical students at Ben-Gurion University of the Negev. J Neurosci Rural Pract 2015; 6(3): 320-5.),(99. Eslami AA, Jalilian F, Ataee M, Mirzaei-Alavijeh M, Mahboubi M, Afsar A, et al. Intention and willingness in understanding Ritalin misuse among Iranian medical college students: a cross-sectional study. Global journal of health science 2014; 6(6): 43-53.),(1212. Acosta DL, Fair CN, Gonzalez CM, Iglesias M, Maldonado N, Schenkman N, et al. Nonmedical use of d-Amphetamines and Methylphenidate in Medical Students. PRHSJ 2019; 38(3): 185-188.),(1313. Franco Netto ROR, Franco Netto JAR, Silva Junior NZ, Silva SM, Vaz LHS, Aguero MAF, et al. Incidencia del uso no prescrito del Metilfenidato entre Estudiantes de Medicina. Rev Inst. Med. Trop 2018;13(1): 16-22. doi:10.18004/imt/20181316-22.
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),(1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.),(1515. Emanuel RM, Frellsen SL, Kashima KJ, Sanguino SM, Sierles FS, Lazarus CJ. Cognitive enhancement drug use among future physicians: findings from a multi-institutional census of medical students. J Gen Intern Med 2013; 28(8):1028-1034.),(1717. Fallah G, Moudi S, Hamidia A, Bijani A. Stimulant use in medical students and residents requires more careful attention. Caspian Journal of Internal Medicine 2018; 9(1):87. PMid:29387325 PMCid:PMC5771366.),(1818. Javed N, Ahmed F, Saeed S, Amir R, Khan H, Iqbal SP. Prevalence of Methylphenidate Misuse in Medical Colleges in Pakistan: A Cross-sectional Study. Cureus 2019; 11(10): e5879. doi: 10.7759/cureus.5879.
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),(2121. Silveira VI, Oliveira RJF, Caixeta MR, Andrade BBP, Siqueira RGL, Santos GB. Uso de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina de uma Universidade do Sul de Minas Gerais. Rev Univ Vale Rio Verde 2015; 13(2):186-192.),(2424. Kudlow PA, Naylor KT, Xie B, McIntyre RS. Cognitive enhancement in Canadian medical students. J Psychoact Drugs 2013; 45: 360-365.),(2525. Micoulaud-Franchi J-A, MacGregor A, Fond G. A preliminary study on cognitive enhancer consumption behaviors and motives of French Medicine and Pharmacology students. Eur Rev Med Pharmacol Sci 2014; 18:1875-1878.. Além disso, uma pesquisa no Irã revelou o papel dos grupos sociais na indicação de estimulantes cerebrais1717. Fallah G, Moudi S, Hamidia A, Bijani A. Stimulant use in medical students and residents requires more careful attention. Caspian Journal of Internal Medicine 2018; 9(1):87. PMid:29387325 PMCid:PMC5771366., também considerado um motivador para o consumo sem indicação médica.

Um estudo belga de 2019, com o objetivo de investigar o que estaria “por trás” da necessidade dos alunos em busca de aprimoramento cognitivo, questionou 3.159 alunos que utilizavam medicamentos estimulantes não terapêuticos2626. De Bruyn S, Wouters E, Ponnet K, Van Hal G. Popping smart pills in medical school: Are competition and stress associated with the misuse of prescription stimulants among students? Subst Use Misuse 2019; 54(7): 1191-1202. doi: 10.1080/10826084.2019.1572190.
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. Os autores indicaram que quanto mais clara a percepção de que a faculdade de medicina é um ambiente competitivo, mais significativos são os níveis de estresse e maior a probabilidade de uso inadequado de estimulantes. A pesquisa revela que, ao contrário do esperado, a associação da competição com o estresse foi significativamente mais forte naqueles estudantes que pretendiam se tornar clínicos gerais, com o consequente uso de estimulantes, em comparação com aqueles que almejavam uma especialização médica2424. Kudlow PA, Naylor KT, Xie B, McIntyre RS. Cognitive enhancement in Canadian medical students. J Psychoact Drugs 2013; 45: 360-365.. Em outro estudo, supervisores médicos e estudantes de medicina relataram maior uso de psicoestimulantes, sem indicação médica, do que os estudantes do curso de Farmácia. Esses três grupos apresentaram taxas de estresse cerca de duas vezes maiores do que a população adulta em geral2727. Bidwal MK, Ip EJ, Shah BM, Serino MJ. Stress, drugs, and alcohol use among health care professional students: a focus on prescription stimulants. J Pharm Pract. 2014;28(6):535-542..

Um estudo realizado no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, determinou que 14,3%1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106. dos usuários de estimulantes estavam associados ao consumo de álcool e 5,7% admitiram usar MPH também em festas1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.. Esses achados sugerem que o uso mais frequente não estava relacionado a atividades sociais ou festas, como as demais substâncias psicoativas, mas provavelmente estava associado à melhora do desempenho acadêmico. Esta pesquisa também percebeu que usuários de MPH, com ou sem prescrição médica, que faziam uso concomitante de álcool, apresentavam padrões de consumo de álcool considerados de risco à saúde1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.. O MPH, quando associado ao álcool, produz um efeito de euforia e diminui a sensação de embriaguez ou bebedeira1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.. No entanto, essa combinação produz um metabólito tóxico, e seu efeito no organismo permanece pouco conhecido1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106..

As faculdades de medicina da África do Sul adotaram a postura de não dar informações sobre as indicações e efeitos do MPH nos cinco primeiros semestres do curso2828. Jain R, Chang C, Koto M, Geldenhuys A, Nichol R, Joubert G. Non-medical use of methylphenidate among medical students of the University of the Free State. S Afr J Psychiat 2017; 23: a1006. doi: 10.4102/sajpsychiatry.23.1006
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. Basearam essa decisão em uma pesquisa realizada em 2017, na qual o maior percentual de consumo foi relatado por alunos do terceiro ano do curso de medicina (18,5%), levantando a hipótese de que o conhecimento sobre os efeitos farmacológicos da substância pode contribuir para sua demanda e uso indevido2828. Jain R, Chang C, Koto M, Geldenhuys A, Nichol R, Joubert G. Non-medical use of methylphenidate among medical students of the University of the Free State. S Afr J Psychiat 2017; 23: a1006. doi: 10.4102/sajpsychiatry.23.1006
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Estudos brasileiros e do Paraguai encontraram maior índice de consumo de psicoestimulantes (incluindo cafeína, metilfenidato, modafinil, piracetam, bebidas energéticas e anfetaminas) pelos alunos dos primeiros anos do curso de medicina. No estado do Rio Grande do Sul, as taxas foram diminuindo conforme o ano do curso: de 69,2% no 1º ano, para 61,5% no 2º, 40,8% no 3º ano e 34,8% no 4º ano22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.; ainda, no estado de Minas Gerais as taxas passaram de 65,78% no 1º ano, para 64,10% no 2º e 41,02% no 3º ano2121. Silveira VI, Oliveira RJF, Caixeta MR, Andrade BBP, Siqueira RGL, Santos GB. Uso de psicoestimulantes por acadêmicos de medicina de uma Universidade do Sul de Minas Gerais. Rev Univ Vale Rio Verde 2015; 13(2):186-192.; além disso, na Universidad Internacional Tres Fronteras, no Paraguai, as taxas foram de 22% no primeiro ano, para 32% no segundo, 18% no terceiro e 14% no quarto e quinto anos1313. Franco Netto ROR, Franco Netto JAR, Silva Junior NZ, Silva SM, Vaz LHS, Aguero MAF, et al. Incidencia del uso no prescrito del Metilfenidato entre Estudiantes de Medicina. Rev Inst. Med. Trop 2018;13(1): 16-22. doi:10.18004/imt/20181316-22.
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, diferentemente do observado no estudo realizado nos EUA2828. Jain R, Chang C, Koto M, Geldenhuys A, Nichol R, Joubert G. Non-medical use of methylphenidate among medical students of the University of the Free State. S Afr J Psychiat 2017; 23: a1006. doi: 10.4102/sajpsychiatry.23.1006
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e em Porto Rico1212. Acosta DL, Fair CN, Gonzalez CM, Iglesias M, Maldonado N, Schenkman N, et al. Nonmedical use of d-Amphetamines and Methylphenidate in Medical Students. PRHSJ 2019; 38(3): 185-188., que mostraram taxas semelhantes entre todos os anos.

Um aspecto que merece atenção especial é a obtenção de um medicamento controlado sem prescrição adequada. O MPH é vendido apenas sob prescrição médica no Brasil e em outros países. No Brasil, a prescrição exige obrigatoriamente o receituário amarelo para medicamentos controlados (A3). Além disso, a embalagem possui uma faixa preta atravessada na caixa, que indica que só pode ser vendida mediante prescrição médica, e traz informações sobre o risco de dependência química e psicológica conforme as especificações 344 da Portaria SVS/MS de maio de 19982929. Brasil. Poder Executivo. Portaria Ministerial nº 6 de 29 de janeiro de 1999. Aprova a Instrução Normativa da Portaria SVS/MS nº 344 de 12 de maio de 1998 que institui o Regulamento Técnico das substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 01 fev. 1999.. Apesar dessas medidas, um estudo recente mostrou que 24,3% dos alunos usuários de MPH o obtiveram através de ‘receita autoprescrita’ e 15% o obtiveram através de um amigo1212. Acosta DL, Fair CN, Gonzalez CM, Iglesias M, Maldonado N, Schenkman N, et al. Nonmedical use of d-Amphetamines and Methylphenidate in Medical Students. PRHSJ 2019; 38(3): 185-188..

Esse fato sinaliza um alerta vermelho sobre os riscos da automedicação e a importância da avaliação médica para o consumo de medicamentos prescritos por estudantes de graduação em medicina. Um estudo iraniano apontou uma taxa de 4,9% relacionada ao uso indevido de medicamentos que exigem prescrição médica (neste estudo foram considerados opioides, tranquilizantes e MPH)2020. Abbasi-Ghahramanloo A, Fotouhi A, Zeraati H, Rahimi-Movaghar A. Prescription drugs, alcohol, and illicit substance use and their correlations among medical sciences students in Iran. Int J High Risk Behav Addict 2015; 4: e 21945.. Considerando que todos eles são medicamentos que oferecem riscos de dependência, é relevante questionar se o fácil acesso a esses medicamentos pode contribuir para esse comportamento de automedicação e para a banalização do uso pelos futuros médicos.

Apesar das conhecidas propriedades de dependência potencial da substância, o único estudo transversal realizado no estado do Rio de Janeiro, Brasil, mostrou uma prevalência de 10,8%77. Carneiro SG, Prado AST, Moura HC, Strapasson JF, Rabelo NF, Ribeiro TT, et al. O uso não prescrito de metilfenidato entre acadêmicos de medicina. Cad.Uno. FOA Health and Biological Sciences 2013; 01:53-59. de estudantes que afirmaram ter que aumentar a dose para obter o mesmo efeito, sugerindo um possível desenvolvimento de tolerância, um dos critérios diagnósticos para dependência5. Embora os artigos incluídos não tenham explorado em detalhes a dependência do MPH, houve sugestões para pesquisas mais amplas sobre esse tópico1414. Silveira RR, Lejderman B, Ferreira PEMS, Rocha GMPR. Patterns of nonmedical use of methylphenidate among 5th and 6th year students in a medical school in Southern Brazil. Trends Psychiatry Psychother 2014; 36(2)-101-106.. Algumas referências tratam a dependência desse medicamento como algo mais teórico do que prático33. Fond G, Gavaret M, Vidal C, Brunel L, Riveline JP, Franchi JAM, et al. (Mis) of prescribed Stimulants in the medical student community: Motives and behaviors. A population-based cross-sectional study. Medicine (Baltimore) 2016; 95(16): e3366.; entretanto, o aumento do consumo pelos jovens que buscam aprimoramento cognitivo merece atenção e cuidado, pois seu uso sem indicação terapêutica pode aumentar o potencial de dependência. Segundo Dafny55. Dafny N. Does Methylphenidate (MPD) Have the Potential to Become Drug of Abuse? Biochem Pharmacol (Los Angel) 2014; 4:1. http://dx.doi.org/10.4172/2167-0501.1000156.
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, a sensibilização pode aumentar os efeitos experimentados quando comparados àqueles experimentados no primeiro uso da mesma dose, o que pode ser considerado um sinal adicional de alerta para a necessidade de avaliação dos grupos em relação à dependência química.

Um artigo norte-americano publicado em 2013 mediu o padrão de consumo de estimulantes, com predominância de sais de anfetaminas e MPH15. Entre os usuários, a frequência média de uso de medicamentos variou de 10 a 12 ocasiões durante um período de 30 dias, que consistiu na maioria dos casos em administração oral (92%), com um percentual menor (18%) de administração inalatória, associada ou não com administração oral1313. Franco Netto ROR, Franco Netto JAR, Silva Junior NZ, Silva SM, Vaz LHS, Aguero MAF, et al. Incidencia del uso no prescrito del Metilfenidato entre Estudiantes de Medicina. Rev Inst. Med. Trop 2018;13(1): 16-22. doi:10.18004/imt/20181316-22.
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. Em 2018, um estudo iraniano demonstrou que a maioria dos entrevistados consumia essas substâncias por via oral (79,6%). Entretanto, 6,1% afirmaram consumi-lo por via intravenosa e 2% por via inalatória1717. Fallah G, Moudi S, Hamidia A, Bijani A. Stimulant use in medical students and residents requires more careful attention. Caspian Journal of Internal Medicine 2018; 9(1):87. PMid:29387325 PMCid:PMC5771366.. Assim, embora os estudos selecionados indiquem o uso do MPH principalmente por via oral, é fundamental acompanhar um possível aumento das demais vias de administração dessas substâncias, lembrando que o uso de drogas intravenosas ou intranasais implica em danos mais graves e riscos potenciais, como uma overdose.

Abordando as possíveis consequências do uso do MPH, Beyer3030. Beyer C, Staunton C, Moodley K. The implications of methylphenidate use by healthy medical students and doctors in South Africa. MBC Med Ethics, 2014; 15:20. aponta a necessidade de estudos mais abrangentes que demonstrem se a melhora cognitiva justifica o risco de eventuais danos ao organismo. Além disso, um estudo com estudantes de graduação em medicina revelou a presença de efeitos colaterais, entre eles, dor no corpo, cefaleia, taquicardia, ansiedade1818. Javed N, Ahmed F, Saeed S, Amir R, Khan H, Iqbal SP. Prevalence of Methylphenidate Misuse in Medical Colleges in Pakistan: A Cross-sectional Study. Cureus 2019; 11(10): e5879. doi: 10.7759/cureus.5879.
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; arritmias cardíacas e glaucoma3030. Beyer C, Staunton C, Moodley K. The implications of methylphenidate use by healthy medical students and doctors in South Africa. MBC Med Ethics, 2014; 15:20. em universitários africanos, e em universitários paraguaios, taquicardia, diminuição do apetite e tremores1313. Franco Netto ROR, Franco Netto JAR, Silva Junior NZ, Silva SM, Vaz LHS, Aguero MAF, et al. Incidencia del uso no prescrito del Metilfenidato entre Estudiantes de Medicina. Rev Inst. Med. Trop 2018;13(1): 16-22. doi:10.18004/imt/20181316-22.
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Os efeitos terapêuticos da MPH em portadores de TDAH atraem os alunos sem tal diagnóstico22. Morgan HL, Petry AF, Licks PAK, Ballester AO, Teixeira KN, Dumith SC. Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos. Rev Bras Edu Med 2017; 41 (1): 102-109.),(1010. Luizão AM, Scicchitanor MJ. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: um recorte da produção científica recente. Rev psicopedag [online] 2014; 31 (96): 289-297. ISSN 0103-8486.; porém, utilizar a substância como intensificador para obter sucesso em exames3131. Cohen JL, Ma E, Rogers AJ. Nonmedical Use of Prescription Stimulants by Medical Students: A Call to Action. Acad Med 2017; 92(7): 901. doi: 10.1097/ACM.0000000000001753.
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pode prejudicar as funções cognitivas, como a capacidade de resolução de problemas11. Weyandt LL, White TL, Gudmundsdottir BG, Nitenson AZ, Rathkey EM, De Leon KA, et al. Neurocognitive, Autonomic, and Mood Effects of Adderall: A Pilot Study of Healthy College Students. Pharmacy 2018; 6: 58. doi: 10.3390/pharmacy6030058.
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, além do risco de adquirir dependência química55. Dafny N. Does Methylphenidate (MPD) Have the Potential to Become Drug of Abuse? Biochem Pharmacol (Los Angel) 2014; 4:1. http://dx.doi.org/10.4172/2167-0501.1000156.
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),(66. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA (2012). Prescrição e consumo de metilfenidato no Brasil: identificando riscos para o monitoramento e controle sanitário. Boletim de Farmacoepidemiologia do SNGPC, 2(2). 1-14. Acesso em 29 de julho, 2018. Disponível em: Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/sngpc/boletins/2012/boletim_sngpc_2_2012_corrigido_2.pdf
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),(1919. Finger G, da Silva ER, Falavigna A. Use of Methylphenidate among medical students: a systematic review. Rev Assoc Med Bras 2013; 59: 285-289.. Essas consequências podem, por sua vez, piorar o desempenho acadêmico, tornando o que parecia ser uma vantagem aparente em um novo problema a ser enfrentado3131. Cohen JL, Ma E, Rogers AJ. Nonmedical Use of Prescription Stimulants by Medical Students: A Call to Action. Acad Med 2017; 92(7): 901. doi: 10.1097/ACM.0000000000001753.
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Além disso, um estudo indiano abordou algumas questões éticas sobre a prescrição de estimulantes cognitivos para indivíduos que não necessitam deles, criando um problema comportamental ainda mais grave quando são autoprescritos por futuros médicos3030. Beyer C, Staunton C, Moodley K. The implications of methylphenidate use by healthy medical students and doctors in South Africa. MBC Med Ethics, 2014; 15:20.),(3232. Chandramouleeswaran S, Edwin NC, Rajaleelan W. Dealing with requests for pharmacological cognitive enhancement from healthy students. Indian J Med Ethics 2016; 1(3): 196.. Além disso, este estudo propõe uma reflexão sobre a competição por notas mais altas entre os estudantes de medicina e o uso de medicamentos para potencializar esse desempenho, já que o estimulante não cria habilidades, mas intensifica uma condição já existente no individuo, que pode ser melhorada através de diferentes estratégias, não de natureza farmacológica e isentas de riscos agudos e crônicos3131. Cohen JL, Ma E, Rogers AJ. Nonmedical Use of Prescription Stimulants by Medical Students: A Call to Action. Acad Med 2017; 92(7): 901. doi: 10.1097/ACM.0000000000001753.
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Estudos nacionais3333. Chazan AClS, Campos MR, Portugal FB. Qualidade de vida de estudantes de medicina da UERJ por meio do Whoqol-bref: uma abordagem multivariada.Ciênc. saúde coletiva[online]. 2015, vol.20, n.2, pp.547-556.),(3434. Fontes EOC, Santos SA, Santos ATRA, Melo EV, Andrade TM. Burnout Syndrome and associated factors among medical students: a cross-sectional study. Clinics 2012; 67(6):573-579. e internacionais3535. Dyrbye LN, Thomas MR, Power DV, Durning S, Moutier C, Massie FS, Harper W, Eacker A, Szydlo DW, Sloan JA, Shanafelt TD. Burnout and Serious Thoughts of Dropping Out of Medical School: A Multi-Institutional Study. Acad Med 2010; 85(1):94-102.),(3636. Tempski P, Bellodi PL, Paro HB, Enns SC, Martins MA, Schraiber LB. What do medical students think about their quality of life? A qualitative study. BMC Med Educ. 2012 Nov 5;12:106. apontaram que a carga horária exigida e a pedagogia predominantemente transmissora, aliadas aos impactos no estilo de vida, relações sociais e na má qualidade do sono, têm sido associadas ao esgotamento emocional, desumanização e sentimentos de insatisfação e ineficiência entre os estudantes de medicina. Os alunos relatam fatores relacionados à diminuição de sua qualidade de vida, incluindo competição, despreparo dos professores, excesso de atividades, horários do curso de medicina que exigem dedicação exclusiva, contato com a dor, morte e sofrimento e duras realidades sociais, além de frustrações com o programa e insegurança em relação ao seu futuro profissional. A escassez de tempo para estudar, atividades de lazer, relacionamentos e descanso pode influenciar o uso de substâncias, inclusive psicoestimulantes. Esses dados indicam a necessidade de estudos nacionais quantitativos e qualitativos para discutir essas dificuldades em nossas universidades e subsidiar formas de abordá-las adaptadas ao nosso cenário.

CONCLUSÃO

Uma análise dos artigos revela que as taxas de consumo indevido de MPH entre estudantes de medicina é preocupante. Os alunos do curso de graduação em medicina que fazem uso da substância sem indicação médica, em geral, recorrem ao MPH para melhorar o desempenho acadêmico, tanto no estudo quanto nas provas. Poucos estudos avaliaram os riscos cognitivos, comportamentais e psicológicos, incluindo a dependência associada a tais padrões de consumo. Por fim, alguns estudos abordaram os aspectos éticos relacionados ao contexto do uso, além da banalização dos medicamentos autoprescritos.

Diante desse cenário, destacamos a importância das ações de prevenção dentro das faculdades de medicina, fornecendo informações sobre os riscos do consumo de MPH sem indicação clínica, programas educativos que possam ajudar a lidar com a rotina universitária, estratégias comportamentais voltadas para a melhora do desempenho cognitivo, com ênfase em medidas de higiene do sono, organização do estudo, atividades mnemônicas e valorização de medidas que melhorem a qualidade de vida, como atividades físicas e recreativas. Tais iniciativas podem estimular a autoconfiança das capacidades inatas e contribuir para a manutenção da saúde física e mental dos futuros médicos.

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  • FONTES DE FINANCIAMENTO

    Os autores declaram não haver fontes de financiamento.
Editora-Chefe: Daniela Chiesa. Editor Associado: Maurício Abreu Pinto Peixoto.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Mar 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    05 Ago 2021
  • Aceito
    04 Fev 2022
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