Tratado pratico de gymnastica sueca de L. G. Kumlien: itinerários de um manual no Brasil (1895-1933)

Tratado Pratico de Gymnastica Sueca by L. G. Kumlien: the circulation of a manual in Brazil (1895-1933)

Tratado Práctico de Gimnasia Sueca de L. G. Kumlien: itinerarios de un manual en Brasil (1895-1933)

Anderson Cunha Baía Iara Marina dos Anjos Bonifácio Andrea Moreno Sobre os autores

Resumo:

O presente estudo teve como objetivo identificar os processos de circulação no Brasil da obra Tratado pratico de gymnastica sueca, de L. G. Kumlien. Para isso, foi necessário rastrear a trajetória e as ações realizadas por seu autor. Kumlien, sueco, medico-gymnasta, que se muda para Paris em 1895, onde realiza diferentes movimentos para a divulgação da ginástica sueca, dentre eles, a escrita de manuais. O Tratado é uma obra que foi tomada como material didático, no Brasil, até meados dos anos 1930. Circulou, foi lido e serviu de orientação para a constituição de uma educação do corpo. Esse estudo contribui para a compreensão das formas pelas quais a ginástica sueca adentrou o país, particularmente por meio de manuais. As fontes mobilizadas foram os manuais e jornais brasileiros e franceses.

Palavras-chave:
método sueco; ginástica; educação; corpo

Abstract:

The present study aimed to identify the circulation of the manual Tratado pratico de gymnastica sueca, produced by L. G. Kumlien, in Brazil. For this, it was necessary an investigation of the author’s life and actions. Kumlien, Swedish, doctor-gymnastics, moved to Paris in 1895, where he promoted different movements in order to spread out the Swedish gymnastics, including writing manuals. These were used as an educational material in Brazil until the mid-30’s. It has circulated, was read and served as a guideline for building up a conception of body education. The study contributes for the understanding of the ways by which the Swedish gymnastics has entered the country, particularly through manuals. The manuals as well as Brazilian and French newspapers were the main references.

Keywords:
swedish method; gymnastics; education; body.

Resumen:

El presente estudio tuvo como objetivo identificar los procesos de circulación en Brasil de la obra Tratado práctico de gymnastica sueca, de L. G. Kumlien. Para ello, fue necesario rastrear la trayectoria y las acciones realizadas por su autor. Kumlien, sueco, medico-gymnasta, que se muda a París en 1895, donde realiza diferentes movimientos para la propagación de la gimnasia sueca, entre ellos la escritura de manuales. El Tratado es una obra que fue tomada como material didáctico, en Brasil, hasta mediados de los años 30. Circuló, fue leído y sirvió de orientación para la constitución de una educación del cuerpo. Este estudio contribuye a la comprensión de las maneras que la gimnasia sueca entró en el país, particularmente a través de manuales. Las fuentes recopiladas fueron los manuales y periódicos brasileños y franceses.

Palabras clave:
método sueco; gimnasia; educación; cuerpo

Introdução

Buscando compreender as diferentes formas pelas quais a ginástica sueca adentra o território brasileiro, numa viagem que partiu de Estocolmo, passou por diversos países e aqui aportou, deparamo-nos com o papel fundamental que os livros e manuais de ginástica tiveram nessa divulgação e circulação. Este estudo tem como objetivo rastrear a circulação do manual Tratado pratico de gymnastica sueca,de autoria de Ludvig Gideon Kumlien no Brasil1 1 Este estudo recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). . Para isso, foi necessário rastrear a trajetória e as ações realizadas por seu autor.

A temporalidade da pesquisa, de 1895 a 1933, se fundamenta por, em seu ano inicial, fazer referência à mudança de Kumlien para a França - onde escreve o manual -e, em seu ano final, referir-se ao último registro de circulação da obra Tratado pratico de gymnastica sueca no Brasil.

As fontes mobilizadas foram jornais brasileiros do acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, jornais franceses constantes da Gallica (Seção Virtual da Biblioteca Nacional da França)2 2 Jornais brasileiros: Jornal do Brasil (1905), Jornal do Commercio (1913), Estado do Pará (1916), O malho (1921), Tico-Tico (1921), Correio Paulistano (1923), Diário de Pernambuco (1933). Jornais franceses: L’Aventure (1927); L'Humanité (1913, 1919, 1920); L'Intransigeant (1901, 1906, 1915, 1916); La presse (1901, 1914, 1915); La Vieau Grand Air (1899, 1900, 1904); La CourrierFrançais (1906); Le Figaro (1899, 1901,1904, 1910, 1912, 1915) Le Temps (1901, 1906, 1907, 1915) e os manuais de L. G. Kumlien3 3 Localizamos livros e manuais de autoria de Kumlien em diversas línguas: La gimnasia sueca (1909); Tratato pratico de gymnastica sueca (1908); Cours complet d’education physique à l’usage de La jeunesse des Ecoles (1909); La gimnasia sueca: manual de gimnasia racional al alcance de todos y para todas la edades (1909/1919); Gimnasia sueca al alcance de todos (1957); La gimnasia para todos; La ginnastica per tutti: traduzione e note di un pubblico insegnante. Estão disponíveis para consulta no Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (CEMEF/UFMG), na Biblioteca do Museu Nacional do Desporto (Lisboa), na Biblioteca Nacional da Suécia, na Biblioteca Nacional da França, na Biblioteca Nacional Central de Firenze (Itália). .

Diferentes sistematizações da ginástica, as denominadas escolas, foram propostas na Europa, mais notadamente na Alemanha, Suécia e França (Soares, 1994Soares, C. L. (1994). Educação física: raízes europeias e Brasil. Campinas, SP: Autores Associados.), e protagonizaram intensos debates em busca de definir uma ginástica maiseficiente/adequada e de base científica4 4 Diversos estudos já se debruçaram sobre esse tema, buscando compreender os métodos ginásticos. Entre eles, podemos citar: Moreno (2001, 2003, 2015); Quitzau (2011, 2014, 2015); Soares (1994, 1998, 2000, 2009); Jubé (2017); Carvalho e Correia (2015); Góis Júnior (2013, 2015); Puchta (2015); Melo e Peres (2014, 2016); Goellner (1992); Andrieu (1988, 1999); Bui-Xuân e Gleyse (2001); Ljunggren (2011); Lundvall (2015); Rodríguez Giménez (2011); Sarremejane (2006); Scharagrodsky (2011). . A ginástica sueca foi constituinte desse movimento ginástico europeu que emergiu desde fins do século XVIII, orientado por uma abordagem de corpo ancorada nos discursos científicos e higiênicos e que almejava adestrar os gestos e controlar as vontades.

Sistematizada por Pier Henrik Ling (1776-1839)5 5 Pier Henrik Ling nasceu na Suécia em Södra Ljunga, Småland. Ele se muda para a Dinamarca com o objetivo de estudar letras e retorna para a Suécia com o desejo de se tornar professor de esgrima. Em1813 assume a direção do instituto no qual ele fará os investimentos na sistematização da ginástica que, posteriormente, denominaremos de ginástica sueca. Mais informações sobre a vida de Ling: Moreno (2015), Westerblad (1909), Pereira (s.n.), Leonard (1923), Georgii (1854) e Holmströn (1949). , a ginástica sueca buscava, por meio de movimentos simétricos e precisos, formar um corpo harmonioso. Com um forte discurso pautado na cientificidade e no pensamento médico, contemplava divisões de acordo com a especificidade e objetivo: pedagógica, militar, médica e estética (Moreno, 2015Moreno, A. (2015). A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 128-135.; Pereira, s.n.; Posse, 1891Posse, N. F. (1891). How gymnastics are taught in Sweden: the chief cha-racteristics of the swedish system of gymnastics: two papers.Boston, MA: T. R. Marvin & Son.; Ling, 1840Ling, P. H. (1840). Gymnastikens allmänna grunder. Upsala, SWE: Palmblad & Comp.).

O marcado desejo do Instituto Central de Ginástica de Estocolmo (GCI)6 6 Tradução de Stockholm Central Institute of Gymnastics (GCI). Durante um tempo, o instituto tinha o nome de Royal Gymnastics Central Institute. Ao longo do texto, referimo-nos ao instituto usando a sigla GCI, como é mundialmente conhecido. de não apenas desenvolver a prática da ginástica, mas difundi-la pelo mundo,influenciou consideravelmente a constituição da educação física em diversos países7 7 O Instituto Central de Ginástica de Estocolmo foi criado em meio a um movimento de debate da pedagogia, da educação física e da saúde corporal. Em 1813, Ling assume a direção desse instituto. Mesmo depois de sua morte, o GCI continua em funcionamento e permanece até os dias de hoje. Mais informações sobre o Instituto em Moreno (2015). . Essa instituição, da qual Ling foi diretor, tornou-se central na difusão da ginástica sueca pelo mundo, recebendo sujeitos de diferentes lugares e também enviando seus alunos a outros locais (Grut, 1913Grut, T. A. (1913).The Gymnastic Central Institute at Stockholm.International Congress on School Hygiene. Stockholm, SWE: Tryckeri-aktiebolaget Ferm.; Ljunggren, 2011Ljunggren, J. (2011). ?Porquélagimnasia de Ling? El desenrrollo de lagimnasia sueca durante elsiglo XIX. In P. Scharagrodsky (Org.), La invencióndel “homo gymnasticus”: fragmentos históricos sobre laeducación de los cuerpos en movimiento en Occidente (p. 37-52). Buenos Aires, AR: Prometeo.; Lundvall, 2015Lundvall, S. (2015). From Ling gymnastics to sport science: the Swedish School of Sport and Health Sciences, GIH, from 1813 to 2013.The International Journal of the History Of Sport, 32(6), 789-799.; Moreno, 2015Moreno, A. (2015). A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 128-135.).

Com esse movimento, estimulado e conduzido pelo instituto, os saberes sobre a ginástica sueca circularam em diferentes lugares, sendo percebidos, entre outros, nos Estados Unidos, França, Uruguai, Portugal e Brasil8 8 Ver sobre a presença da ginástica sueca no mundo ver: Holmström (1934). .A respeito da entrada em território brasileiro, diferentes estudos9 9 Moreno (2001, 2003, 2015, 2016), Romão, Moreno, Cabral e Fernandes (2014), Avelar, Fernandes e Moreno (2017), Baia, Bonifacio e Moreno (2017). têm contribuído em sua compreensão e indicado não se tratar de um movimento homogêneo. Eles indiciam que a chegada/entrada da ginástica sueca se deu de diferentes formas: pelos sujeitos, por discursos, por manuais e por diferentes práticas10 10 Temos indícios do brasileiro Ambrósio Torres no Instituto de Ginástica em Estocolmo no seu Manual teórico e prático de educação física. Fazendo o caminho contrário, encontramos o sueco Fritjof, formado no GCI, atuando em terras brasileiras no início do século XX (Actos officiaes, 1920). Entre intelectuais, Rui Barbosa (1947) e Fernando de Azevedo (1920) defendiam o método sueco e sua prática no Brasil. Manuais foram escritos e circularam no Brasil, como o Manual theorico pratico de gymnastica escolar (1888), de Pedro Manoel Borges, o Compendio de gymnastica escolar - methodo sueco-belga brasileiro (1896), de Arthur Higgins e o Compendio pratico de gymnastica - para uso das escolas normaes e primarias (1897), de Antonio Martiniano Ferreira (Moreno, 2015). O método sueco aparece ainda em diversas práticas, como no escotismo, na educação física na escola e na intervenção médica (Escotismo, 1931; Gymnástica..., 1921; “Pelo Vigor da Raça”, 1927). .

Especificamente sobre os manuais, temos muitos vestígios de sua circulação no Brasil, o que contribuiu potencialmente para a divulgação do método ginástico sueco. Algumas obras foram escritas por autores brasileiros que inseriam trechos ou sessões sobre a ginástica sueca. Manuais escolares tinham o intuito de que fossem adotados por escolas ou sistemas de ensino. Também circularam no Brasil obras editadas em Portugal, as quais, traduzidas do sueco ou do francês para a língua portuguesa, facilitaram sua utilização em território brasileiro. Muito do que se publicou sobre ginástica sueca em Portugal tem relação com o fato de o país tê-la adotado como método oficial já em princípio do século XX (Carvalho, 2011Carvalho, L. M. (2011). Circulación internacional de saberes, desplazamientos semánticos y alineaciones políticas: a propósito de las disputas sobre La gimnasia de Lingen Portugal, em los años ‘20 y ‘30 del siglo XX. In P. Scharagrodsky (Org.), La invencióndel homo gymnasticus (p. 225-252). Buenos Aires, AR: Prometo Libros.). O tratado pratico de gymnastica sueca, editado em Lisboa, consta desse movimento de tradução de uma obra, originalmente em língua francesa, para o português, na primeira década do século XX.

O autor, Ludvig Gideon Kumlien (1874-1934), nasceu em Eskilstuna, Suécia, e atuou como medico gymnasta11 11 Medico gymnasta refere-se ao grau de Gymnastik-direktor, mestre de gymnastica ou sjukgymnast. Trata-se de uma formação, que, além de professor de ginástica, poderia atuar com a ginástica médica, aquela que se direcionava para cura de doenças e deformidades por meio da ginástica. Esse curso era o mais completo, durando três anos, somente disponível para homens. Com dois anos de curso, formava-se como professor de ginástica, disponível para homens e mulheres. Com um ano, formava-se para atuar como instrutores de ginástica no exército, apenas para homens. O curso completo, de médico-ginástica, incluía a teoria completa da gymnastica, anatomia (com dissecação), fisiologia, higiene, cinesiologia, patologia e vários ramos menores com instrução prática em todos os ramos da gymnastica(Posse, 1891). do Instituto Kjellberg de Estocolmo. Mudou-se para Paris em 1895, a convite de Hugues Le Roux (1860-1925)12 12 Robert Charles Henri Le Roux, conhecido pelo pseudônimo Hugues Le Roux, era escritor e jornalista. Nativo da Normandia, mudou-se para Paris com o objetivo de se tornar escritor. Tornou-se jornalista e escritor especialista em literatura de viagens e livros sobre as colônias francesas. Apoiava a ideia de que a França tinha uma missão civilizadora nas partes subdesenvolvidas do mundo. Eleito como senador no ano de 1920, suas experiências como embaixador itinerante do pensamento francês lhe possibilitaram a participação no Comitê de Relações Exteriores e a presidência do grupo de turismo do Senado (Le Roux Hugues, 2018; Togo: la mission Hugues Le Roux (2018). , com o objetivo de divulgar a ginástica sueca (Puchta, 2015Puchta, D. R. (2015). A escolarização dos exercícios físicos e os manuais de ginástica no processo de constituição da Educação Física como disciplina escolar (1882-1926) (Tese de Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.; Kumlien & André, 1901Kumlien, L. G., & André, E. (1901). La gymnastique suédoise: manuel de gymnastique rationnelle a laportée de tous et à tout âge. Paris, FR: Ernest Flammarion.). No dicionário biográfico sueco, Svenskt biografiskt lexiko (Kumlien, 2019Kumlien, S. (2019). Biografi. Recuperado de: https://sok.riksarkivet.se/sbl/artikel/11865
https://sok.riksarkivet.se/sbl/artikel/1...
), vestígios indicam que familiares de Kumlien já residiam na França e, por isso, há uma hipótese de que sua viagem a Paris pode ter outras motivações, além das profissionais. Em território francês, entre exibições públicas de ginástica e a criação de um instituto de ginástica em Paris, Kumlien publicou diversos manuais de ginástica sueca.

Aterrissando em paris: a imprensa francesa noticia Kumlien

Ao desembarcar na França, em 1895, Kumlien se depara com um fortedebate sobre qual método ginástico deveria ser adotado nas escolas francesas e a necessidade de reformulação dessa prática. A discussão transitava entre a criação de uma ginástica nacional ou a adoção de uma proposta estrangeira. Diferentes instituições e sujeitos estiveram envolvidos nesse debate. Entre as principais instituições, o Ministério de Instrução Pública, o Ministério da Guerra, a Escola de Joinville Le Pont e a Escola de Ginástica da Marinha de Lorient (Sarremejane, 2006Sarremejane, P. (2006). L’héritage de La méthode suédoise d’éducation physique en France: lês conflits de méthode ausein de l’Ecole normale de gymnastique et d’escrime de Joinville audébutdu XX ème siècle.Paedagogica Historica,42(6), 817-837.; Jubé, 2017Jubé, C. N. (2017).Educação, educação física e natureza na obra de Georges Hébert e sua recepção no Brasil (1915-1945)(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.; Philippe-Meden, 2017Philippe-Meden, P. (2017). Du sport à la scène. Le naturisme de Georges Hébert (1875-1957) (Tese de Doutorado). Universitaires de Bourdeaux, Bourdeaux.). Dentre os principais sujeitos envolvidos no movimento de pensar a ginástica na França, destacamos Georges Demeny13 13 Georges Demeny (1850-1917) nasceu em Dowai, França. Muda-se para Paris onde fundou o Círculo de Ginástica Racional. Junto com E. J. Marey fundou a estação fisiológica do Parque dos Príncipes. Organizou o curso de educação física da Escola Normal e Militar de Joinville Le Pont e foi nomeado professor de fisiologia (Soares, 1998). Em sua trajetória apresentou momentos de intenso apoio ao método sueco e outros de críticas, no qual passa a defender um método francês. , Georges Hébert14 14 Georges Hébert (1875-1957) estudou na Escola de Ginástica e Esgrima da Marinha de Lorient e propôs um método de ginástica para a França. Também em Lorient atuou como instrutor e teve seu método oficializado pela Marinha (Jubé, 2017). , Emile Coste15 15 Emile Coste foi comandante da Escola Normal e Militar de Joinville Le Pont e defensor da ginástica sueca. Participou em 1904 de uma comissão interministerial para a elaboração de um manual de ensino de educação física, mesma comissão em que Georges Demeny também atuou (Sarremejane, 2006). , Philippe Tissié16 16 Philippe Tissié (1845-1909) era médico e aprofundou seus estudos na ginástica sueca, tornando-se um de seus defensores em território francês. Com isso, criou uma enorme polêmica com Georges Demeny (Soares, 1998). , Fernand Lagrange17 17 Fernand Lagrange (1845-1909) era médico e fisiologista. Renomado cientista que dedicou seus estudos a questões relacionadas à higiene e terapêutica e sua relação com o movimento (Soares, 1998). , EtieneJules Marey18 18 Etiene Jules Marey (1830-1904), médico e fisiologista, realizou diversos estudos, em território francês, sobre o movimento humano (Soares, 1998). .

O movimento de reforma da educação física na França ganha consistência em 1887, quando o Ministério da Instrução Pública cria uma comissão com vistas à elaboração de um projeto de método para a prática e ensino da educação do corpo na escola (Sarremejane, 2006Sarremejane, P. (2006). L’héritage de La méthode suédoise d’éducation physique en France: lês conflits de méthode ausein de l’Ecole normale de gymnastique et d’escrime de Joinville audébutdu XX ème siècle.Paedagogica Historica,42(6), 817-837.). Parte do trabalho dessa comissão inclui a viagem de G. Demeny e F. Lagrange, em 1891, à Suécia. Resulta dessa missão a publicação do relatório L’éducation physique em Suède (Demeny, 1901Demeny, G. (1901). L’éducation physique en suede. Paris, FR: Société D'Éditions Scientifiques.).

Ao lado do interesse francês pelo método de Ling, iniciativas da Suécia, no sentido da divulgação de sua ginástica, também são percebidas. Em 1893, o rei da Suécia e Noruega19 19 Nesse momento os Estados da Suécia e da Noruega eram unidos e a Suécia liderava, nesse momento, os poderes soberanos dos dois países. A dissolução dessa união aconteceu em 1905. , Oscar II, emite convite para que um representante da França fosse aopaís no intuito de conhecer “[...] sobre a ginástica de Ling e sobre os admiráveis resultados que esse método tem produzido desde o ponto de vista da regeneração física e da cultura da moral e da raça” (Le Roux, 1901Le Roux, H. (1901). Avant-propos. In: L. G. Kumlien & E. André. La gymnastique suédoise: manuel de gymnastique rationnelle a la portée de tous et à tout âge (p. 5-13). Paris, FR: Ernest Flammarion., p. 5, tradução nossa)20 20 “[...] une enquete surlagymnastique de Ling, et surlesadmirablesrésultats que cetteméthode a produitsau doble point de vue de larégénérationphysique et de laculturemorale de larace”. . O convite do rei Oscar II, aceito, faz os Ministérios de Negócios Estrangeiros e de Instrução Pública da França enviarem, em missão, o francês Hugues Le Roux.

Ao retornar da viagem, Le Roux se envolve em campanha para uma reforma da educação físicana França. Nas palavras do jornalista, “[...] toda nossa educação de ginástica pedagógica devia ser reformada” (Le Roux, 1901Le Roux, H. (1901). Avant-propos. In: L. G. Kumlien & E. André. La gymnastique suédoise: manuel de gymnastique rationnelle a la portée de tous et à tout âge (p. 5-13). Paris, FR: Ernest Flammarion., p. 5, tradução nossa)21 21 “[...] toutenotreéducation de gymnastique pédagogiquedevaitêtrereformée”. , debate que já encontrava ecos na França desde fins do século XIX (Sarremejane, 2006Sarremejane, P. (2006). L’héritage de La méthode suédoise d’éducation physique en France: lês conflits de méthode ausein de l’Ecole normale de gymnastique et d’escrime de Joinville audébutdu XX ème siècle.Paedagogica Historica,42(6), 817-837.), vinculados ao movimento de definição de diretrizes gerais para o ensino nas escolas (Soares, 1998Soares, C. L. (1998).Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX.(3a ed.) Campinas, SP: Autores Associados .).

A missão de Hugues Le Rouxna Suécia o pôs em contato com o jovem professor Kumlien, identificando-o como ‘obreiro’ e ‘apóstolo’ da ginástica sueca. Segundo o próprio Le Roux, no momento do seu retorno à França, o rei Oscar II recomendou: “É preciso que sua missão tenha um resultado prático; diga que você viu uma raça cientificamente recriada e embelezada por um método que não causa decepções” (Le Roux, 1901Le Roux, H. (1901). Avant-propos. In: L. G. Kumlien & E. André. La gymnastique suédoise: manuel de gymnastique rationnelle a la portée de tous et à tout âge (p. 5-13). Paris, FR: Ernest Flammarion.. p. 8, tradução nossa)22 22 “Il faut que votremissionaitumrésultat pratique; racontezbienhaut que vousavez vu une racescientifiquementrecréée et embellie par une méthodequi ne donnepas de déception”. . Há indícios, no prefácio da obra La gymnastique suedoise (1901La gymnastique suedoise. (1901). Le Figaro. ), de que esse encontro foi um dos fatores que estimulou o professor sueco a se mudar para a França em 1895, com o intuito de trabalhar com a ginástica sueca naquele país.

A parceria entre Ludvig Kumlien e Hugues Le Roux potenciou, no meio jornalístico e entre intelectuais franceses preocupados com a ginástica, o debate acerca da pertinência da ginástica sueca. O jornalista e escritor francês mantinha relação com periódicos relevantes naquele cenário, tendo trabalhado no Le Figaro e no Le Temps. Também é possível perceber que era uma pessoa influente na sociedade francesa - atuou também como senador e sua indicação para representar o país em missão na Suécia são exemplos disso23 23 Ver nota 12. .

Ao analisarmos os jornais franceses, é possível percebermos notícias com o intento de divulgar a ginástica sueca. Muitas delas envolviam o nome de Kumlien. No período entre 1899 e 1927, são fartas as notícias sobre Kumlien nos periódicos franceses. Estas divulgavam suas exibições/apresentações públicas de ginástica, o oferecimento de aulas de culture physique e a publicação de manuais de sua autoria.

Encontramos, na primeira página do jornal Le Figaro, datado de 17 de julho de 189924 24 O primeiro registro encontrado em jornais franceses é um pouco tardio em relação ao ano em que Kumlien se muda para Paris. Isso pode ter acontecido em função do limite de informações nos acervos consultados eda não identificação, ainda, de outros movimentos realizados por ele. , o primeiro vestígio da ação de Kumlien em território francês. A reportagem, escrita por Hugues, conta sobre a participação do grupo formado por Kumlien, na França, de ginastas es Le Roux (1899Le Roux, H. (1899, 17 de julho). Les enfants de France.Le Figaro.)candinavos25 25 Na reportagem intitulada ‘La gymnastique suédoise au ‘FIGARO’’, de Paul Manoury, no jornal Armes et Sports, n. 271, de 28 de abril de 1904, p. 409, encontramos que Kumlien formou sua equipe de ginástica com amadores suecos que passavam por Paris, sendo eles os tenentes Carlsberg, Block e Iluilléld, além de Jennische, Flygare, Ulrick, Holingyist, Chritenson, Pelselle Tengdin. A escolha, por parte de Kumlien, de ginastas suecos para compor sua equipe pode guardar relação com a tradição da ginástica sueca no seu país de origem. O conhecimento da execução dos movimentos, aliado à convicção do resultado conquistado com a prática da ginástica, podeter sido elemento que pode ter influenciado Kumlien nessa decisão. , em um concurso de ginástica estritamente nacional, o Concours des Tuileries.

O destaque da competição de 1899 foi a presença entre os ginastas franceses de um grupo de escandinavos conduzidos por L. G. Kumlien, aluno do professor Ling. É a inovação que não deve passar despercebida. Com efeito, o concursodas Tuileries sempre foi estritamente nacional, não tem qualquer relação com o tipo de competição dos Jogos Olímpicos, é muito mais uma espécie de revisão, de mostra pública que permite às pessoas observar a maneira como a ginástica escolar é praticada na França. Desta vez, queríamos colocar sob os olhos do público um método de ensino que é visivelmente diferente do nosso (Le Roux, 1899Le Roux, H. (1899, 17 de julho). Les enfants de France.Le Figaro., p. 01, tradução nossa)26 26 “L' événement du concours de 1899 aura été la présence au milieu des gymnastes français d'um groupe de Scandinaves conduits par M. L. G. Kumlien, élève du professeur Ling. C'est ne innovation qui ne doit point passerina perçue. Eneffet, le concours des Tuilerie savait toujours été strictement nationalil n'a aucun rapport avec une tenue de Jeux Olympiques c'est beaucoup plutôt une espèce de revue, d'examen public qui permet à qui de droit de se renseigner sur la façon dont la gymnastique scolaire est pratiquée en France. On a voulu cette fois mettre sous lésyeux du public uneméthoded'enseignementsensiblementdiférente des nôtres”. .

A participação no concurso parece ter sido uma conquista importante, visto a dimensão atribuída por Le Rouxao evento. Ela é relatada, por ele, no prefácio da obra de Kumlien, La gymnastique suedóise, como sendo “[...] uma exceção das mais honrosas, contrariando o próprio regulamento, o primeiro reconhecimento oficial da existência de um método de ginástica diferente do nosso” (Le Roux, 1901Le Roux, H. (1901). Avant-propos. In: L. G. Kumlien & E. André. La gymnastique suédoise: manuel de gymnastique rationnelle a la portée de tous et à tout âge (p. 5-13). Paris, FR: Ernest Flammarion., p. 10, tradução nossa)27 27 “C’était là une exception des plus flatteuses, contraire au règlement même de la Société, la première reconnaissance officielle de l’existence d’une méthode de gymnastique différent des nôtres”. .A permissão para a participação era o reconhecimento do prestígio que Kumlien havia angariado, resultado também do conjunto de apresentações organizadas por ele em diferentes espaços na França. A primeira delas teria sido em 1897 na sede da Associação Cristã de Moços - Union chrétienne des jeunes gens. Dois anos mais tarde, em março de 1899, Kumlien, já em um ginásio dirigido por ele, promove uma grande exibição na qual convida, para “[...] esclarecer com teoria as demonstrações práticas [...]”, os franceses Georges Demeny e Hugues Le Roux (Le Roux, 1901Demeny, G. (1901). L’éducation physique en suede. Paris, FR: Société D'Éditions Scientifiques., p. 9, tradução nossa)28 28 “Poureclairer de quelque théorie les démonstrations pratiques”. . A presença de Demeny é significativa nesse contexto, pela importância que este tem no cenário da ginástica francesa e da constituição do método nacional francês.

Outras duas exibições são noticiadas em reportagens no Le Figaro em 1901. A primeira delas, em maio, assinada por um indivíduo nomeado de Robert Milton, relata a exibição de Kumlien e seu grupo de ginastas escandinavos em um concurso de esgrima. A outra exibição, em julho, aconteceu na 14ª competição nacional de exercícios militares. Outros dois jornais, La Vieau Grand Air e Le Figaro, relatam ainda uma nova exibição pública, ocorrida em 1904 na Salle des Fêles Du Figaro, e ressaltam a presença de autoridades francesas e suecas.

Outro movimento percebido, a partir de dezembro de 1914, é o de divulgação de aulas de culture physique no Instituto Kumlien. Essas aulas aparecem nos jornais franceses L'Intransigeant, Le Figaro e Le Temps. Ainda que não saibamos a natureza dessas atividades e se elas foram ofertadas pelo próprio prof. Kumlien, parece relevante terem sido realizadas noinstituto do sueco, localizado na rua Londres, em Paris.

O jornal La Presse apresentou o maior número de notícias sobre as aulas de culturephysiqueem relação aos demais jornais, num total de sete anúncios, entre os anos de 1914 e 1915. O L'Intransigeant, o Le Figaro e o Le Temps noticiaram, cada um, uma única vez, e todos em 1915. Nos dois últimos jornais, foram divulgados dois institutos de Kumlien que ofereciam o curso. Assim, além daquele localizado na rua Londres, outro instituto que seria de propriedade de Kumlien aparecia na Ruedes Sts-Pères. Com isso, ficam evidenciadas a criação dos institutos e a oferta de aulas de culture physique como estratégias de divulgação da ginástica sueca realizada por Kumlien em território francês.

Em abril desse mesmo ano, 1901, encontramos os primeiros registros em jornais franceses sobre manuais escritos por Kumlien. Os jornais Le Figaro, L'Intransigeant e Le Temps anunciam a publicação da obra La gymnastique suédoise, escrita com Emile André e que conta com a participação de Hugues Le Roux e Dr. Michaux29 29 Paul-Marie Michaux nasceu em 1854 e faleceu em 1923. Ingressou na Faculdade de Medicina da França em 1872, tornando-se cirurgião e inserindo-se em diversos hospitais do país. Foi engajado na disseminação da ginástica e do esporte, criando a ‘Federation Gymnastique et Sportive des Patronages de France’ e organizando ações de ginástica e de esporte em diversas instituições na França. Era um incentivador da ginástica sueca, a qual notadamente ganhava maior apreço, sem contrapor seu apoio ao esporte (Jung, 2000). .

Um novo produto da parceria entre Emile André e Ludvig Kumlien, o manual La gymnastique pourtous, é publicado em 1906. Além dos jornais que divulgaram o manual de 1901, o anúncio da nova publicação aparece também no La Courrier Français. Uma reedição dessa obra é noticiada em 1919 e 1920 no jornal L'Humanité. Um último registro sobre a divulgação dessa obra aparece em 1927 no jornal L’Aventure, em que um leitor pede a sugestão de um livro de ginástica e este manual é uma das obras indicadas.

Registros acerca das produções de Kumlien também aparecem em 1913 e 1920, ambas no jornal L'Humanité. Trata-se do Cours complet d'éducation physique à l'usage de la jeunesse des ecoles, dessa vez em parceria com Raoul Fabens30 30 Raoul Fabens foi redator do Journal des Débats e secretário do Comitê National Olympique et Sportif Français. Teve importante atuação nos Jogos Olímpicos de 1896 e 1906 (Les membres du premier Comité Olympique Français, 2018). . Destacamos que no primeiro registro, o de 1913, H. KleynhoffKleynhoff, H. (1913, 22 de outubro). Pour l'enfant a l'école.L'humanité., autor da matéria, desenvolve um argumento acerca da importância da educação física nas escolas e indica o livro em questão como base para a realização dessas aulas.

Seja falando sobre as exibições de ginástica realizadas, seja divulgando a oferta de aulas em seu instituto ou anunciando os manuais, Kumlien aparece por um período de quase 30 anos, de 1899 a 1927, e em oito jornais franceses diferentes (L’Aventure, La Courrier Français, La Presse, La Vieau Grand Air, Le Figaro, L’ Humanité, L'Intransigeant, Le Temps).Isso nos indica que ele estabeleceu relações que possibilitaram tal aparição como também conquistou uma notoriedade na sociedade francesa em relação aos seus investimentos de divulgação da ginástica sueca.

Tais relações podem ter contribuído ainda com a escrita, publicação, tradução e circulação dos manuais produzidos por Kumlien. Como veremos a seguir, além do francês, suas obras foram traduzidas para o espanhol e para o português e circularam em diferentes países além da França.

O Tratado pratico de gymnastica sueca, de Kumlien, no Brasil

Como visto, na França,o nome de Kumlienaparece em diferentes espaços.Entretanto, sua presença não se restringe ao território francês. O sueco esteve na Argentina, no ano de 1912, realizando conferências e demonstrações de ginástica sueca31 31 É possível que Ludvig Kumlien tenha ido para outros países, mas ainda não temos fontes que nos permitam fazer tal afirmação. (Langlade, 1973Langlade, A. (1973). El sistema de Ling: sua orígenes, evolución y difusión. Revista Stadium - Tecnica Deportiva, 39,38-41). ). No Brasil, não encontramos ainda fontes que confirmem a sua presença. Entretanto, há indícios de manuais de sua autoria circulando por diferentes regiões(Baia, Bonifacio & Moreno, 2017Baia, A. C., Bonifacio, I. M. A., & Moreno, A. (2017). O tratado pratico de gymnastica de L. C. Kumlien: circulação, transformação e vestígios do método sueco de ginástica na educação dos corpos no Brasil (1895-1955). In: 9 CBHE História da Educação: Global, Nacional e Regional(p. 3757-3770). João Pessoa, PB.).

Em 23 de setembro de 1905 uma reportagem no Jornal do Brasil32 32 O Jornal do Brasil foi fundado em 1891 no Rio de Janeiro, e, a partir de 1900, seus exemplares passam a ser expedidos para todo o país, tendo uma tiragem de 50.000 exemplares diários. O jornal funciona até os dias de hoje. , de autoria do médico português Jorge dos Santos, tematiza a formação de professores para atuar com a ginástica, fazendo uma crítica à proposta de Jorge de Moraes33 33 Jorge de Moraes nasceu em Manaus (AM), foi deputado federal pelo Estado do Amazonas (1905-1908), senador pelo mesmo Estado (1909-1911) e novamente deputado federal (1927-1930). Cursou a Faculdade de Medicina da Bahia. Foi professor da Escola Normal de Manaus, do Ginásio Amazonense e da Universidade do Amazonas. . A proposta do brasileiro, deputado federal, apresentada em 21 de setembro de 1905 na Câmara dos Deputados,visava à criação de uma escola civil e de uma militar para a formação de professores de educação física34 34 O discurso de Jorge de Moraes pode ser encontrado em Marinho (1952). .

Na reportagem, Jorge dos Santos diz ter frequentado o GCI por um ano35 35 No final do século XIX havia uma estrutura de formação no GCI (ver nota 11). Segundo essa estrutura, a formação em um ano era destinada à formação de instrutores de ginástica no Exército. Não podemos afirmar, contudo, que, no período em que Jorge dos Santos esteve no GCI, esse modelo prevalecia. , onde teve contato com a obra de Ling. Para ele, a experiência da ginástica praticada na Suécia revelava não haver necessidade da divisão proposta por Jorge de Moraes. Informa que naquele país a formação era única e, embora para a formação de instrutores de ginástica militar houvesse o acréscimo de uma aula, os princípios eram os mesmos, pois, ambos, civis e militares, necessitavam compreender o desenvolvimento do organismo e de suas funções36 36 Em texto do seguidor do trabalho de Ling no Instituto Central de Estocolmo, Augustus Georgii (1854), e do membro do instituto, Charles Ehrenhoff, encontramos que a formação de civis e militares era única, por meio de um mesmo programa. Havia três programas que se referiam a três níveis de formação, no entanto, em cada um dos níveis poderia ingressar civis e militares, sem distinção entre elas. Ressaltamos que, em outro momento do instituto, possa ter havido diferenciação entre as formações civis e militares, semelhante à afirmação de Jorge dos Santos. .

O ponto de convergência entre Jorge dos Santos e Jorge de Moraes era que ambos viama necessidade de uma formação adequada para aqueles que se destinassem ao ensino da ginástica. Contudo, Jorge dos Santos ainda se preocupava com uma formação que ultrapassasse o domínio dos manuais de ginástica da época:

Antigos professores de gymnastica acrobatica, de esgrima, de jogo páu, etc., todos, depois de haverem comprado um pequeno manual de gymnastica sueca de Kumlien, se acharam aptos a ensinar. O resultado pouco se fez esperar: tempos depois assistimos a variasexhibições de escolas e club onde o methodo de Ling era cruelmente dilacerado, com grande prejuizo das crianças, deixadas assim entre mãos inhabeis e professores pouco conscienciosos e ignorantes (Santos, 1905Santos, J. (1905, 23 de setembro). Educação physica. Jornal do Brasil. , p. 01).

O médico português atuou no ‘Real Gymnasio Club Portuguez’, no ensino da ginástica sueca feminina, durante um ano. A partir dessa experiência, teceu uma crítica ao reducionismo na formação do professor de ginástica. Segundo ele, apropriar-se do “[...] pequeno manual de gymnastica sueca de Kumlien [...]” era banalizar a formação e o próprio método sueco. Talvez, seu posicionamento estivesse influenciado pela estrutura de formação do GCI, onde era necessária uma sólida formação de até três anos para se atuar com a ginástica sueca.

A partir da crítica de Jorge dos Santos, podemos perceber dois elementos relevantes ao nosso estudo. O primeiro, que as ideias de Kumlien alcançaram as terras portuguesas por meio do seu manual. A tradução deste para o português possibilitou não apenas ter circulado em Portugal, mas também contribuiu para sua circulação no Brasil.

No segundo, em que,embora Jorge dos Santos faça uma crítica à banalização da formação que pudesse ocorrer por meio da mobilização superficial de um manual,parece haver um paradoxo. Afinal, os manuais escolares eram mesmo construídos com o intuito de vulgarização do conhecimento, simplificando seus conteúdos e linguagem para torná-los acessíveis (Bittencourt, 2008Bittencourt, C. (2008). Livro didático e saber escolar (1810-1910). Belo Horizonte, MG: Autêntica.).

Como vimos, a escrita de manuais se apresentou como uma das inciativasde Kumlienno movimento de divulgação da ginástica sueca e é a partir deles que suas ideias circularam no Brasil. Ele escreveu três obras originalmente em língua francesa: La gymnastique suédoise (1901); La gymnastique pourtous (1906); Cours complet d'éducation physique à l'usage de lajeunesse des ecoles (1909). A primeira obra foi traduzida para o espanhol e publicada no México com o título La gimnasia sueca: manual de gimnasia racional al alcance de todos y para todas laedades (1909/1919) e em Buenos Aires com o título Gimnasia sueca al alcance de todos (1957). A segunda obra foi publicada na Espanha com o título La gimnasia para todos (s.n.) e na Itália com o título La ginnastica per tutti: traduzione e note di un pubblico insegnante (1911).

No Brasil, circulou o Tratado pratico de gymnastica sueca37 37 Para o presente estudo, utilizamos a segunda edição do manual. Não temos informações a respeito da primeira edição ou da existência de edições posteriores à segunda. , versão em português do La gymnastique pour tous (1906). O Tratado,como observamos na figura 1 a seguir, na versão portuguesa de 1908, apresenta 107 páginas organizadas emduas partes: ‘Utilidade e necessidade dos exercícios physicos bem compreendidos’ e ‘Tres séries de exercícios’. A divisão equilibrada do número de páginas entre as duas partes (45 páginas para a primeira parte e 54 para a segunda) pode nos revelar a importância dada por Kumlien para ambas. Isto é, tanto a primeira parte, que se referia à compreensão dos princípios da ginástica sueca, como a segunda parte, referente à prática de lições, mereciam igual dedicação em número de páginas38 38 Era comum manuais apresentarem uma primeira parte reduzida, com informações sobre o método, e uma segunda parte mais volumosa, organizativa da prática, como o Manual theorico pratico de gymnastica escolar, de Pedro Manoel Borges (1888). .

Figura 1
Capa (esquerda) e Índice (direita) do Tratado pratico de gymnastica sueca.

Fonte: Kumlien (1908Kumlien, L. C. (1908). Tratado pratico de gymnastica sueca. Lisboa, PT: Typographia Lusitana Editora.).

Na parte intitulada ‘Utilidade e necessidade dos exercícios physicos bem compreendidos’, há cinco temas distribuídos da seguinte forma: ‘Observações geraes’; ‘Porque não é necessario nenhum apparelho nas nossas séries de exercícios’; ‘Conselhos hygienicos’; ‘Regras que devem observar-se para a correcta execução dos exercícios’; ‘Horas a que mais convêm, de preferencia, executar os exercicios - costumes hydrotherapia’.

Os temas constantes nessa parte do Tratado referem-se aos aspectos gerais do método. Em ‘Observações geraes’, a Suécia é utilizada como exemplo de raça regenerada pela prática da ginástica. Esse feito é creditado à base científica na qual o método foi desenvolvido. Ainda nesse tópico, Kumlien trata sobre a importância da inserção da ginástica nas escolas, mas não restringe sua prática apenas aos escolares, ela éindicadatambém aos diferentes públicos: pais e mães de família, professores, operários das cidades, trabalhadores do campo, entre outros.

A facilidade de execução do método sueco, por neste não ser necessária a utilização de aparelhos nos exercícios, é abordada em ‘Porque não é necessario nenhum apparelho nas nossas séries de exercícios’. No tópico subsequente, Kumlien afirma que, por mais úteis e eficazes que sejam os exercícios, eles não dispensam uma conduta higiênica, e discorre sobre ela ao longo da parte supracitada. Observações importantes sobre a correta execução das lições de ginástica são indicadas nos dois tópicos finais. Ele trata, por exemplo, sobre a posição inicial comum a todos os exercícios,atenção à progressão das lições e à correta respiração realizada.

As considerações e orientações feitas ao longo dessa primeira parte da obrasão uma simplificação de aspectos fundamentais da ginástica sueca, alinhados a preocupações presentes no contexto de escrita da obra, tais como o fortalecimento físico e moral, condutas higiênicas, os quais levariam à regeneração da raça, tal qual acreditavam ter acontecido na Suécia39 39 Esses temas eram também preocupações constantes no Brasil, que podem ser percebidas nos estudos de Góis Júnior (2003, 2013, 2014a, 2014b); Gondra (2000, 2003); Marques (1994), Sevcenko (2018), dentre outros. .

A segunda parte do manual tem a seguinte subdivisão: ‘Explicações sobre a posição regulamentar ou posição A’; ‘Série de exercícios para creanças dos dois sexos’; ‘Série de exercícios para meninas e senhoras’; ‘Série de exercícios para rapazes e homens de qualquer edade’ e, por fim, ‘Notas complementares’.

No conjunto, aborda elementos relacionados à realização das lições de ginástica. Inicia-se com a descrição e ilustração da ‘posição regulamentar’, sendo ela o ponto de partida para os demais exercícios. As lições estão divididas entre ‘creanças dos dois sexos, meninas e senhoras de toda a edade’, ‘rapazes e homens de qualquer edade’. Em todas elas são indicadas observações específicas do grupo ao qual se refere, acompanhadasda descrição e ilustração do exercício a ser executado, como podemos ver na figura 2 abaixo:

Figura 2
Exercícios para crianças (esquerda), mulheres (centro) e homens (direita) do Tratado pratico de gymnastica sueca.

Fonte: Kumlien (1908Kumlien, L. C. (1908). Tratado pratico de gymnastica sueca. Lisboa, PT: Typographia Lusitana Editora.).

A destinação de exercícios e seus respectivos detalhamentos para os diferentes públicos pode indicar sua praticidade, uma facilitação na utilização desse manual por parte dos professores. Parece indicativo desse uso a adoção, em 1909, pelo Estado de Minas Gerais pois muitos exemplares do Tratado são adquiridos, para seremdistribuídos aos responsáveis pelo ensino da ginástica em escolas mineiras (Puchta, 2015Puchta, D. R. (2015). A escolarização dos exercícios físicos e os manuais de ginástica no processo de constituição da Educação Física como disciplina escolar (1882-1926) (Tese de Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.). A compra da obra era recorrente, durante os anos de 1911 e 1912, totalizando mais de 300 exemplares nesse período. A sucessão de aquisições e em quantidades significativas é indício de que o manual foi bem recebido.

Se a estrutura do manual de Kumlien tendia a facilitar a apropriação e difusão da ginástica sueca, Puchta (2015Puchta, D. R. (2015). A escolarização dos exercícios físicos e os manuais de ginástica no processo de constituição da Educação Física como disciplina escolar (1882-1926) (Tese de Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.) indica que seu preço também contribuiu para a facilidade do acesso. O autor informa que em 1909 o Estado de Minas comprou o Tratado de Kumlien pelo valor unitário de 1.000 réis. Em 1911 e 1912, em nova aquisição, o valor foi de 1.350 réis. Saliba (2012 apud Puchta, 2015) nos ajuda a compreender o significado desses valores ao afirmar que os livros mais lidos nesse período

Eram brochuras com valores que oscilavam entre cem a mil réis - o equivalente aproximadamente a um terço do ganho diário de um trabalhador - sendo mil réis o equivalente ao preço mínimo do que se pagava por uma refeição barata no largo da Carioca (Puchta, 2015Puchta, D. R. (2015). A escolarização dos exercícios físicos e os manuais de ginástica no processo de constituição da Educação Física como disciplina escolar (1882-1926) (Tese de Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte., p. 121).

O autor destaca a relação entre o número de páginas e o preço do manual: quanto menor o número de páginas, menor o valor de venda. Diante dessas características a obra atendia a esses ‘requisitos’: capa brochura, valor de venda na faixa de 1.000 réis, número relativamente baixo de páginas. Portanto, podemos supor que se tratava de uma obra acessível. Aliada a essas características, a obra era escrita em português - o que facilitava a leitura. Destacamos também o prestígio de que a ginástica sueca gozava, em fins do século XIX e início do século XX, em países latino-americanos, pela promessa de benefícios higiênicos e educativos que havia, por suposto, alcançado em terras escandinavas.Todos esses fatores podem ter contribuído para a circulação do Tratado de Kumlien em diferentes regiões do Brasil40 40 Realizamos uma busca na Hemeroteca Digital com o termo ‘Kumlien’ no período de 1900 a 1999. Encontramos resultados entre os anos de 1905 e 1933. Em sua maioria, são anúncios da chegado do Tratado às livrarias. .

No Amazonas, em Manaus, o Jornal do Commercio41 41 Fundado em 1904 no Amazonas, durante o auge da exportação da borracha no Estado, é um importante jornal do Estado em circulação até os dias de hoje (Oferecidos..., 1913). anunciou em 1913 a chegada do manual na ‘conceituada Casa Freitas, o conhecido centro de publicações da Rua Henrique Martins’, indicando que seria ‘inutil encarecer as vantagens que podem resultar da leitura’ do manual.

Em Belém, no Pará, o Tratado pratico de gymnastica sueca foi divulgado em 1916 como um importante guia de exercitar o corpo racionalmente:

Para gosar saúde - que fazeis, paes de família, para dar saúde aos vossos filhos e a vós mesmos, tornando-vos fortes? Para isso são bastantes, alguns minutos, por dia, de exercícios racionaes, usando um methodo simples e sem recorrer a aparelhos de nenhuma especie, isto é, seguir o ‘Tratado Pratico de Gymnastica Sueca’, por G. Kumlien, que é um método ao mesmo tempo facil e pouco dispendioso (Para gosar saúde, 1916, p. 4, grifo do autor).

Os Jornais O Malho, em 1921 (Há o livro..., 1921), e Tico-Tico, em 1921, ambos do Rio de Janeiro, trazem em suas páginas a divulgação de manuais de Kumlien em livrarias de Belo Horizonte. No primeiro, o estabelecimento ‘João Sportivo’ oferece o manual Gymnastica Sueca, no valor de 2.000 réis (Há o livro..., 1921). No segundo, aparece a oferta no estabelecimento ‘Neo-Hercules’ do Methodo de Kumlien, no valor de 3.000 réis. O Malho, em outra edição no mesmo ano, informa que o livro Méthodo, de Kumlien, é o mais ‘lucrativo - como diz - para a pratica de gymnastica sueca’, sendo vendido a 3.000 réis (O método mais claro, 1921O método mais claro. (1921, 04 de junho). O Malho. ).

Em São Paulo, no jornal Correio Paulistano, em 1923, encontramos um anúncio dirigido ao ‘Assignante 8467’Assignante 8467. (1923, 31 de julho). Correio Paulistano. , informando que havia um livro de Kumlien, Gymnastica sueca, no valor de 4.000 réis, na Livraria Zenith. Na mesma livraria, no mesmo ano, foi anunciado o Tratado de gymnatica, de Kumlien, endereçado ao ‘Sr Sebastião Cosme Pedroso’42 42 As informações encontradas na Hemeroteca Digital (Biblioteca Nacional) sobre Sebastião Cosme Pedroso nos permitem afirmar se tratar de um servidor público que atuou como tabelião e partidor em cartório da comarca de Dois Córregos, SP. Teve ainda uma carreira militar com cargos de coronel e major-ajudante do comando superior da Guarda Nacional de Piracicaba, SP. Encontramos também Sebastião Pedroso Filho, atuando no cargo de professor, contudo não temos indícios de se tratar de filho de Sebastião Cosme Pedroso. , no valor de 4.500 réis.

Encontramos, ainda, no Diário de Pernambuco, uma reportagem intitulada ‘O Dever do Estado’, referente a um projeto sobre os jogos universitários, sendo a obra de Kumlien a base dos argumentos que sustentam o projeto. No jornal encontramos:

O Estado deve levar o seu concurso a essa obra construtora, sabido que na educação física se pode construir uma raça ou torná-la forte e enérgica. Mercê dos exercícios físicos é que a Suécia, cuja raça definhava e estiolava, conseguiu, apesar do clima rigoroso, criar tipos de verdadeira beleza, robustos, de avantajada estatura de porte altivo e energico, lembra-nos Kumlien (Subvenção de 50 mil..., 1933Subvenção de 50 mil cruzeiros para os xv jogos universitários. (1933, 18 de setembro). Diário de Pernambuco. , p. 17).

Esse trecho estampado no jornal foi retirado do Tratado de Kumlien e permite perceber que a obra foi lida no Brasil, servindo, nesse caso, de inspiração para pensar a construção de uma educação do corpo por meio da ginástica sueca. Educação essa que perpassa os debates que tematizam a eugenia e higienismo no início do século XX no país, parecendo haver, assim, conexão entre as necessidades colocadas pelo contexto brasileiro e os cuidados e ensinamentos presentes no manual de Kumlien.

Podemos, por fim, dizer que alguns fatores contribuíram de forma assertiva para a entrada e circulação do Tratado em território brasileiro. A forte relação entre Brasil e Portugal, com um intenso trânsito de sujeitos e ideias, foi um deles. A tradução do manual para a língua portuguesa foi outro fator significativo. As características tipográficas e comerciais da obra também foram elementos que auxiliaram a promover sua circulação. Todos esses fatores encontram terreno fértil num Brasil que tematizava a presença da ginástica nas escolas e que procurava bases científicas e práticas para se pensar uma educação do corpo.

Considerações Finais

Para compreendermos a presença e circulação do Tratado pratico de gymnastica sueca, de L. G. Kumlien, no Brasil, foi necessário perseguir os caminhos que o autor sueco construiu para a disseminação de uma ginástica. Kumlien atuou ativamente na divulgação da ginástica sueca na França, consolidando parcerias numa rede de sociabilidade a qual possibilitou noticiar suas ações em jornais de grande circulação naquele país.

O manual foi um, entre outros, investimentos do autor na tentativa de popularização do método sueco. Mediada pela obra, a ginástica sueca alcançou não apenas terras francesas, mas aportou em diferentes países na medida em que foi sendo traduzida. O investimento na tradução em outras línguas, aliado a elementos tipográficos facilitadores, parece ter sido um importante modo de fazer com que a obra circulasse. Talvez por isso, há a presença do livro na Argentina, na Espanha, na Itália, no México e possivelmente em outros países43 43 Não foi objetivo desse estudo rastrear os países que traduziram e circularam os trabalhos de Kumlien. Outros lugares, possivelmente, podem ter tido contato com seus escritos. . No Brasil, há vestígios da obra circulando nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Amazonas e Pará.

Para além disso, o formato de manual, simples e prático, facilitou o acesso ao conteúdo da ginástica e seu uso, por professores e pessoas leigas, interessadas na preservação da saúde. O manual, ainda, encontrou uma ambiência propícia para sua adoção, considerando o momento no qual o debate educacional brasileiro era pautado pelo higienismo e pelo discurso científico. Médicos, professores e intelectuais buscavam uma forma, racional e prática, de educar os corpos. A ginástica sueca era considerada um método em voga, justamente, pela sua cientificidade.

Perseguir a trajetória de Kumlien, autor da obra, e a circulação da mesma nos faz ver que a ginástica que chega ao Brasil, na letra de manuais, é uma prática influenciada por sujeitos mediadores, mas também por línguas e contextos específicos.

A investigação desenvolvida, num conjunto de outras pesquisas que têm se debruçado sobre a circulação de saberes sobre o corpo, desde a Europa, ajuda a compreender os modos como se deu a entrada da ginástica sueca no Brasil. Esses caminhos não foram homogêneos, mas processos com contornos singulares e fortemente influenciados pelos territórios/espaços onde circulou.

Assim, de maneira geral, a circulação de saberes e conhecimentos de um lugar para o outro, notadamente da Europa para o Brasil, percorreu caminhos únicos, mediados por sujeitos, discursos, livros e manuais, jornais, instituições, entre outros. Especificamente, a circulação de saberes, proporcionada por manuais, ganhou contornos singulares, sobretudo considerando as características desse livro: seu caráter de simplicidade e praticidade. Esses elementos possibilitaram a apropriação de diferentes ideias visando a uma funcionalidade, a uma aplicação, a um uso.

A circulação de manuais também encontrou, em diferentes lugares, contextos singulares, lugares culturais e políticos únicos que ajudaram (ou não) a permeabilidade das ideias ali contidas.

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  • Westerblad, C. A. (1909). Ling, the founder of swedish gymnastics: his life, his work, and his importance Stockholm, SWE: Kungl. Boktryckeriet.

  • 1
    Este estudo recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).
  • 2
    Jornais brasileiros: Jornal do Brasil (1905), Jornal do Commercio (1913), Estado do Pará (1916Para gosar saúde. (1916, 14 de novembro). Jornal do Estado do Pará. n. 2040.), O malho (1921Ha o livro. (1921, 12 de fevereiro). O Malho. ), Tico-Tico (1921Para a pratica. (1921, 22 de junho. Tico-Tico. ), Correio Paulistano (1923), Diário de Pernambuco (1933). Jornais franceses: L’Aventure (1927); L'Humanité (1913, 1919, 1920); L'Intransigeant (1901, 1906, 1915, 1916); La presse (1901, 1914, 1915); La Vieau Grand Air (1899, 1900, 1904); La CourrierFrançais (1906); Le Figaro (1899, 1901Ha o livro. (1921, 12 de fevereiro). O Malho. ,1904, 1910, 1912, 1915) Le Temps (1901, 1906, 1907, 1915)
  • 3
    Localizamos livros e manuais de autoria de Kumlien em diversas línguas: La gimnasia sueca (1909); Tratato pratico de gymnastica sueca (1908Kumlien, L. C. (1908). Tratado pratico de gymnastica sueca. Lisboa, PT: Typographia Lusitana Editora.); Cours complet d’education physique à l’usage de La jeunesse des Ecoles (1909); La gimnasia sueca: manual de gimnasia racional al alcance de todos y para todas la edades (1909/1919); Gimnasia sueca al alcance de todos (1957); La gimnasia para todos; La ginnastica per tutti: traduzione e note di un pubblico insegnante. Estão disponíveis para consulta no Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (CEMEF/UFMG), na Biblioteca do Museu Nacional do Desporto (Lisboa), na Biblioteca Nacional da Suécia, na Biblioteca Nacional da França, na Biblioteca Nacional Central de Firenze (Itália).
  • 4
    Diversos estudos já se debruçaram sobre esse tema, buscando compreender os métodos ginásticos. Entre eles, podemos citar: Moreno (2001Moreno, A. (2001). Corpo e ginástica num Rio de Janeiro: mosaico de imagens e textos(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas., 2003Moreno, A. (2016). O conhecido e hábil Pedro Manoel Borges: autor e professor de gymnastica (1876-1920). In 11Congresso Luso-brasileiro de História da Educação. Porto., 2015Moreno, A. (2015). A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 128-135.); Quitzau (2011Quitzau, E. A. (2011). Educação do corpo e vida associativa: as sociedades ginásticas alemãs em São Paulo (fins do século XIX, primeiras décadas do século XX)(Dissertação de Mestrado em Educação Física). Universidade Estadual de Campinas, Campinas., 2014Quitzau, E. A. (2014). “A ginástica alemã”: aspectos da obra de Friedrich Ludwig Jahn.Revista Brasileira de Ciências do Esporte,36 (2), S501-S514., 2015Quitzau, E. A. (2015). Da ‘Ginástica para a juventude’ a ‘A ginástica alemã’: observações acerca dos primeiros manuais alemães de ginástica.Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 111-118.); Soares (1994Soares, C. L. (1994). Educação física: raízes europeias e Brasil. Campinas, SP: Autores Associados., 1998Soares, C. L. (1998).Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX.(3a ed.) Campinas, SP: Autores Associados ., 2000Soares, C. L. (2000). Os sistemas ginásticos e a formação da educação física brasileira. In 7 Congresso Brasileiro de História da Educação Física, Esporte, Lazer e Dança. Gramado, RS., 2009Soares, C. L. (2009). Da arte e da ciência de movimentar-se: primeiros momentos da Ginástica no Brasil. In: M. Del Priore & V. A. Melo (Org.),História do esporte no Brasil: do Império aos dias atuais (p. 133-178). São Paulo, SP: Editora da Unesp.); Jubé (2017Jubé, C. N. (2017).Educação, educação física e natureza na obra de Georges Hébert e sua recepção no Brasil (1915-1945)(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.); Carvalho e Correia (2015Carvalho, L. M., & Correia, A. C. (2015). A recepção da ginástica sueca em Portugal nas primeiras décadas do século XX: conformidades e dissensões culturais e políticas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 2(37), 136-143.); Góis Júnior (2013Góis Júnior, E. (2013). Ginástica, higiene e eugenia no projeto de nação brasileira: Rio de Janeiro, século XIX e início do século XX.Movimento, 1(19), 139-159., 2015Góis Júnior, E. (2015).Georges Demeny e Fernando de Azevedo: uma ginástica científica e sem excessos (Brasil, França, 1900-1930).Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37 (2), 144-150.); Puchta (2015Puchta, D. R. (2015). A escolarização dos exercícios físicos e os manuais de ginástica no processo de constituição da Educação Física como disciplina escolar (1882-1926) (Tese de Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.); Melo e Peres (2014Melo, V. A., & Peres, F. F. (2014). A gymnastica no tempo do Império.Rio de Janeiro, RJ: 7 Letras., 2016Melo, V. A., & Peres, F. F. (2016). Relações entre ginástica e saúde no Rio de Janeiro do século XIX: reflexões a partir do caso do ColégioAbílio, 1872-1888. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, 23(4), 1133-1151.); Goellner (1992Goellner, S. V. (1992).O método francês e a educação física: da caserna à escola(Dissertação de Mestrado em Educação Física). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.); Andrieu (1988Andrieu, G. (1988). L’homme et la force. França: Editions Actio., 1999Andrieu, G. (1999). 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Una conciencia y um corazón rectos en un cuerpo sano: educación Del cuerpo, gimnástica y educación física em la escuela primaria uruguaya de la reforma. In P. Scharagrodsky (Org.), La invencióndel “homo gymnasticus”: fragmentos históricos sobre La educación de los cuerpos em movimiento em Occidente (p. 477- 496).Buenos Aires, AR: Prometeo.); Sarremejane (2006Sarremejane, P. (2006). L’héritage de La méthode suédoise d’éducation physique en France: lês conflits de méthode ausein de l’Ecole normale de gymnastique et d’escrime de Joinville audébutdu XX ème siècle.Paedagogica Historica,42(6), 817-837.); Scharagrodsky (2011Scharagrodsky, P. (2011). La constitución de laeducación física escolar enla Argentina. Tensiones, conflictos y disputas conla matriz militar enlasprimeras décadas delsiglo XX. In: P. Scharagrodsky (Org.), La invencióndel “homo gymnasticus”: fragmentos históricos sobre la educación de los cuerpos em movimiento en Occidente (p. 441-475).Buenos Aires, AR: Prometeo.).
  • 5
    Pier Henrik Ling nasceu na Suécia em Södra Ljunga, Småland. Ele se muda para a Dinamarca com o objetivo de estudar letras e retorna para a Suécia com o desejo de se tornar professor de esgrima. Em1813 assume a direção do instituto no qual ele fará os investimentos na sistematização da ginástica que, posteriormente, denominaremos de ginástica sueca. Mais informações sobre a vida de Ling: Moreno (2015Moreno, A. (2003). O Rio de Janeiro e o corpo do homem fluminense: o “não-lugar” da ginástica sueca. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 25(1), 55-68.), Westerblad (1909Westerblad, C. A. (1909). Ling, the founder of swedish gymnastics: his life, his work, and his importance. Stockholm, SWE: Kungl. Boktryckeriet.), Pereira Pereira, C. F. M. (s.n.). Tratado de educação física - problema pedagógico e historic (Vol. 1). Lisboa, PT: Bertrand.(s.n.), Leonard (1923Leonard, F. E. (1923). A guide to the history of physical education. Philadelphia, PA: Lea & Febiger.), Georgii (1854Georgii, A. (1854). A biographical sketch of the swedish poet and gymnasiarch, Peter Henry Ling. London, UK: Thomas Harrild.) e Holmströn (1949Holmström, A. (1949). La moderna gimnasia sueca - desde Ling hasta la Lingiada. Estocolmo, SWE: Editorial Sohlman.).
  • 6
    Tradução de Stockholm Central Institute of Gymnastics (GCI). Durante um tempo, o instituto tinha o nome de Royal Gymnastics Central Institute. Ao longo do texto, referimo-nos ao instituto usando a sigla GCI, como é mundialmente conhecido.
  • 7
    O Instituto Central de Ginástica de Estocolmo foi criado em meio a um movimento de debate da pedagogia, da educação física e da saúde corporal. Em 1813, Ling assume a direção desse instituto. Mesmo depois de sua morte, o GCI continua em funcionamento e permanece até os dias de hoje. Mais informações sobre o Instituto em Moreno (2015Moreno, A. (2001). Corpo e ginástica num Rio de Janeiro: mosaico de imagens e textos(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.).
  • 8
    Ver sobre a presença da ginástica sueca no mundo ver: Holmström (1934Holmström, A. (Ed.). (1934). Riksföreningens for Gymnastikens Främjande Årsbok. Recuperado de: http://runeberg.org/rfgymnfr/1934/
    http://runeberg.org/rfgymnfr/1934/...
    ).
  • 9
    Moreno (2001Moreno, A. (2001). Corpo e ginástica num Rio de Janeiro: mosaico de imagens e textos(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas., 2003Moreno, A. (2003). O Rio de Janeiro e o corpo do homem fluminense: o “não-lugar” da ginástica sueca. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 25(1), 55-68., 2015Moreno, A. (2015). A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 128-135., 2016Moreno, A. (2016). O conhecido e hábil Pedro Manoel Borges: autor e professor de gymnastica (1876-1920). In 11Congresso Luso-brasileiro de História da Educação. Porto.), Romão, Moreno, Cabral e Fernandes (2014Romão, A. L. F., Moreno, A., Cabral, P. L. C., & Fernandes, G. A. (2014). Saberes e circulação de compêndios de ginástica Sueca no Brasil entre fins do século XlX e início do XX. In 10 Congresso Luso Brasileiro de História da Educação. Curitiba. ), Avelar, Fernandes e Moreno (2017Avelar, A. C., Fernandes, G., & Moreno, A. (2017). Olhares sobre um impresso: o leitor visado no Compendio de gymnastica escolar - methodo sueco-belga-brasileiro de Arthur Higgins. In Anais do 11 Colóquio Internacional Sobre Letramento e Cultura Escrita. Belo Horizonte, MG.), Baia, Bonifacio e Moreno (2017Baia, A. C., Bonifacio, I. M. A., & Moreno, A. (2017). O tratado pratico de gymnastica de L. C. Kumlien: circulação, transformação e vestígios do método sueco de ginástica na educação dos corpos no Brasil (1895-1955). In: 9 CBHE História da Educação: Global, Nacional e Regional(p. 3757-3770). João Pessoa, PB.).
  • 10
    Temos indícios do brasileiro Ambrósio Torres no Instituto de Ginástica em Estocolmo no seu Manual teórico e prático de educação física. Fazendo o caminho contrário, encontramos o sueco Fritjof, formado no GCI, atuando em terras brasileiras no início do século XX (Actos officiaes, 1920Actos officiaes. (1920, 19 de fevereiro). Jornal Correio Paulistano.). Entre intelectuais, Rui Barbosa (1947Barbosa, R. (1947), Reforma do ensino primário e várias instituições complementares da instrução pública: obras completas (Vol. X, tomo I ao IV). Rio de Janeiro, RJ: Ministério da Educação e Saúde.) e Fernando de Azevedo (1920Azevedo, F. (1920). Da educação physica: o que ella é - a que tem sido - o que deveria ser. São Paulo, SP: Weiszflog Editores.) defendiam o método sueco e sua prática no Brasil. Manuais foram escritos e circularam no Brasil, como o Manual theorico pratico de gymnastica escolar (1888), de Pedro Manoel Borges, o Compendio de gymnastica escolar - methodo sueco-belga brasileiro (1896), de Arthur Higgins e o Compendio pratico de gymnastica - para uso das escolas normaes e primarias (1897), de Antonio Martiniano Ferreira (Moreno, 2015Moreno, A. (2015). A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2), 128-135.). O método sueco aparece ainda em diversas práticas, como no escotismo, na educação física na escola e na intervenção médica (Escotismo, 1931Escotismo: escola de instructores de escotismo e de educação physica. (1931, 03 de janeiro). O Estado de São Paulo.; Gymnástica..., 1921Gymnástica médico-sueca e massagens. (1921, 14 de fevereiro). O Estado de São Paulo. ; “Pelo Vigor da Raça”, 1927 “Pelo Vigor da Raça”. (1927, 09 de abril). O Correio Paulistano.).
  • 11
    Medico gymnasta refere-se ao grau de Gymnastik-direktor, mestre de gymnastica ou sjukgymnast. Trata-se de uma formação, que, além de professor de ginástica, poderia atuar com a ginástica médica, aquela que se direcionava para cura de doenças e deformidades por meio da ginástica. Esse curso era o mais completo, durando três anos, somente disponível para homens. Com dois anos de curso, formava-se como professor de ginástica, disponível para homens e mulheres. Com um ano, formava-se para atuar como instrutores de ginástica no exército, apenas para homens. O curso completo, de médico-ginástica, incluía a teoria completa da gymnastica, anatomia (com dissecação), fisiologia, higiene, cinesiologia, patologia e vários ramos menores com instrução prática em todos os ramos da gymnastica(Posse, 1891Posse, N. F. (1891). How gymnastics are taught in Sweden: the chief cha-racteristics of the swedish system of gymnastics: two papers.Boston, MA: T. R. Marvin & Son.).
  • 12
    Robert Charles Henri Le Roux, conhecido pelo pseudônimo Hugues Le Roux, era escritor e jornalista. Nativo da Normandia, mudou-se para Paris com o objetivo de se tornar escritor. Tornou-se jornalista e escritor especialista em literatura de viagens e livros sobre as colônias francesas. Apoiava a ideia de que a França tinha uma missão civilizadora nas partes subdesenvolvidas do mundo. Eleito como senador no ano de 1920, suas experiências como embaixador itinerante do pensamento francês lhe possibilitaram a participação no Comitê de Relações Exteriores e a presidência do grupo de turismo do Senado (Le Roux Hugues, 2018Le Roux Hugues. (2018). Recuperado de: https://www.senat.fr/senateur-3eme-republique/le_roux_hugues1668r3.html
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    ; Togo: la mission Hugues Le Roux (2018Togo: la mission Hugues Le Roux. (2018). Recuperado de:https://www.wdl.org/fr/item/2540/#contributors=France.+Ministry+of+Foreign+Affairs
    https://www.wdl.org/fr/item/2540/#contri...
    ).
  • 13
    Georges Demeny (1850-1917) nasceu em Dowai, França. Muda-se para Paris onde fundou o Círculo de Ginástica Racional. Junto com E. J. Marey fundou a estação fisiológica do Parque dos Príncipes. Organizou o curso de educação física da Escola Normal e Militar de Joinville Le Pont e foi nomeado professor de fisiologia (Soares, 1998). Em sua trajetória apresentou momentos de intenso apoio ao método sueco e outros de críticas, no qual passa a defender um método francês.
  • 14
    Georges Hébert (1875-1957) estudou na Escola de Ginástica e Esgrima da Marinha de Lorient e propôs um método de ginástica para a França. Também em Lorient atuou como instrutor e teve seu método oficializado pela Marinha (Jubé, 2017Jubé, C. N. (2017).Educação, educação física e natureza na obra de Georges Hébert e sua recepção no Brasil (1915-1945)(Tese de Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.).
  • 15
    Emile Coste foi comandante da Escola Normal e Militar de Joinville Le Pont e defensor da ginástica sueca. Participou em 1904 de uma comissão interministerial para a elaboração de um manual de ensino de educação física, mesma comissão em que Georges Demeny também atuou (Sarremejane, 2006Sarremejane, P. (2006). L’héritage de La méthode suédoise d’éducation physique en France: lês conflits de méthode ausein de l’Ecole normale de gymnastique et d’escrime de Joinville audébutdu XX ème siècle.Paedagogica Historica,42(6), 817-837.).
  • 16
    Philippe Tissié (1845-1909) era médico e aprofundou seus estudos na ginástica sueca, tornando-se um de seus defensores em território francês. Com isso, criou uma enorme polêmica com Georges Demeny (Soares, 1998Soares, C. L. (1998).Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX.(3a ed.) Campinas, SP: Autores Associados .).
  • 17
    Fernand Lagrange (1845-1909) era médico e fisiologista. Renomado cientista que dedicou seus estudos a questões relacionadas à higiene e terapêutica e sua relação com o movimento (Soares, 1998Soares, C. L. (1998).Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX.(3a ed.) Campinas, SP: Autores Associados .).
  • 18
    Etiene Jules Marey (1830-1904), médico e fisiologista, realizou diversos estudos, em território francês, sobre o movimento humano (Soares, 1998Soares, C. L. (1998).Imagens da educação no corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX.(3a ed.) Campinas, SP: Autores Associados .).
  • 19
    Nesse momento os Estados da Suécia e da Noruega eram unidos e a Suécia liderava, nesse momento, os poderes soberanos dos dois países. A dissolução dessa união aconteceu em 1905.
  • 20
    “[...] une enquete surlagymnastique de Ling, et surlesadmirablesrésultats que cetteméthode a produitsau doble point de vue de larégénérationphysique et de laculturemorale de larace”.
  • 21
    “[...] toutenotreéducation de gymnastique pédagogiquedevaitêtrereformée”.
  • 22
    “Il faut que votremissionaitumrésultat pratique; racontezbienhaut que vousavez vu une racescientifiquementrecréée et embellie par une méthodequi ne donnepas de déception”.
  • 23
    Ver nota 12.
  • 24
    O primeiro registro encontrado em jornais franceses é um pouco tardio em relação ao ano em que Kumlien se muda para Paris. Isso pode ter acontecido em função do limite de informações nos acervos consultados eda não identificação, ainda, de outros movimentos realizados por ele.
  • 25
    Na reportagem intitulada ‘La gymnastique suédoise au ‘FIGARO’’, de Paul Manoury, no jornal Armes et Sports, n. 271, de 28 de abril de 1904, p. 409, encontramos que Kumlien formou sua equipe de ginástica com amadores suecos que passavam por Paris, sendo eles os tenentes Carlsberg, Block e Iluilléld, além de Jennische, Flygare, Ulrick, Holingyist, Chritenson, Pelselle Tengdin. A escolha, por parte de Kumlien, de ginastas suecos para compor sua equipe pode guardar relação com a tradição da ginástica sueca no seu país de origem. O conhecimento da execução dos movimentos, aliado à convicção do resultado conquistado com a prática da ginástica, podeter sido elemento que pode ter influenciado Kumlien nessa decisão.
  • 26
    “L' événement du concours de 1899 aura été la présence au milieu des gymnastes français d'um groupe de Scandinaves conduits par M. L. G. Kumlien, élève du professeur Ling. C'est ne innovation qui ne doit point passerina perçue. Eneffet, le concours des Tuilerie savait toujours été strictement nationalil n'a aucun rapport avec une tenue de Jeux Olympiques c'est beaucoup plutôt une espèce de revue, d'examen public qui permet à qui de droit de se renseigner sur la façon dont la gymnastique scolaire est pratiquée en France. On a voulu cette fois mettre sous lésyeux du public uneméthoded'enseignementsensiblementdiférente des nôtres”.
  • 27
    “C’était là une exception des plus flatteuses, contraire au règlement même de la Société, la première reconnaissance officielle de l’existence d’une méthode de gymnastique différent des nôtres”.
  • 28
    “Poureclairer de quelque théorie les démonstrations pratiques”.
  • 29
    Paul-Marie Michaux nasceu em 1854 e faleceu em 1923. Ingressou na Faculdade de Medicina da França em 1872, tornando-se cirurgião e inserindo-se em diversos hospitais do país. Foi engajado na disseminação da ginástica e do esporte, criando a ‘Federation Gymnastique et Sportive des Patronages de France’ e organizando ações de ginástica e de esporte em diversas instituições na França. Era um incentivador da ginástica sueca, a qual notadamente ganhava maior apreço, sem contrapor seu apoio ao esporte (Jung, 2000Jung, F. (2000). Le Dr Paul Michaux, 1854-1923. In Mémoires de l'Académie Nationale de Metz (p. 87-105). Metz, FR: AcadémieNationale de Metz.).
  • 30
    Raoul Fabens foi redator do Journal des Débats e secretário do Comitê National Olympique et Sportif Français. Teve importante atuação nos Jogos Olímpicos de 1896 e 1906 (Les membres du premier Comité Olympique Français, 2018Les membres du premier Comité Olympique Français. (2018). Recuperado de: http://cnosf.franceolympique.com/cnosf/actus/5918-les-membres-du-premier-comit-olympique-franais-.html
    http://cnosf.franceolympique.com/cnosf/a...
    ).
  • 31
    É possível que Ludvig Kumlien tenha ido para outros países, mas ainda não temos fontes que nos permitam fazer tal afirmação.
  • 32
    O Jornal do Brasil foi fundado em 1891 no Rio de Janeiro, e, a partir de 1900, seus exemplares passam a ser expedidos para todo o país, tendo uma tiragem de 50.000 exemplares diários. O jornal funciona até os dias de hoje.
  • 33
    Jorge de Moraes nasceu em Manaus (AM), foi deputado federal pelo Estado do Amazonas (1905-1908), senador pelo mesmo Estado (1909-1911) e novamente deputado federal (1927-1930). Cursou a Faculdade de Medicina da Bahia. Foi professor da Escola Normal de Manaus, do Ginásio Amazonense e da Universidade do Amazonas.
  • 34
    O discurso de Jorge de Moraes pode ser encontrado em Marinho (1952Marinho, I. P. (1952).História da educação física e dos desportos: Brasil Colônia - Brasil Império - Brasil República (documentário e bibliografia)(Vol. 2). Rio de Janeiro, RJ: Ministério da Educação.).
  • 35
    No final do século XIX havia uma estrutura de formação no GCI (ver nota 11). Segundo essa estrutura, a formação em um ano era destinada à formação de instrutores de ginástica no Exército. Não podemos afirmar, contudo, que, no período em que Jorge dos Santos esteve no GCI, esse modelo prevalecia.
  • 36
    Em texto do seguidor do trabalho de Ling no Instituto Central de Estocolmo, Augustus Georgii (1854Georgii, A. (1854). A biographical sketch of the swedish poet and gymnasiarch, Peter Henry Ling. London, UK: Thomas Harrild.), e do membro do instituto, Charles Ehrenhoff, encontramos que a formação de civis e militares era única, por meio de um mesmo programa. Havia três programas que se referiam a três níveis de formação, no entanto, em cada um dos níveis poderia ingressar civis e militares, sem distinção entre elas. Ressaltamos que, em outro momento do instituto, possa ter havido diferenciação entre as formações civis e militares, semelhante à afirmação de Jorge dos Santos.
  • 37
    Para o presente estudo, utilizamos a segunda edição do manual. Não temos informações a respeito da primeira edição ou da existência de edições posteriores à segunda.
  • 38
    Era comum manuais apresentarem uma primeira parte reduzida, com informações sobre o método, e uma segunda parte mais volumosa, organizativa da prática, como o Manual theorico pratico de gymnastica escolar, de Pedro Manoel Borges (1888).
  • 39
    Esses temas eram também preocupações constantes no Brasil, que podem ser percebidas nos estudos de Góis Júnior (2003Góis Júnior, E. (2003). Higienismo e positivismo no Brasil: unidos e separados nas campanhas sanitárias (1900 - 1930).Dialogia , 2, 21-32., 2013Góis Júnior, E. (2013). Ginástica, higiene e eugenia no projeto de nação brasileira: Rio de Janeiro, século XIX e início do século XX.Movimento, 1(19), 139-159., 2014aGóis Júnior, E. (2014a). Gymnastics, hygiene and eugenics in Brazil at the turn of the twentieth century.The International Journal of the History of Sport, 31(10), 1219-1231., 2014bGóis Júnior, E. (2014b). Alberto Torres e os higienistas: intervenção do Estado na educação do corpo (1910-1930).Saúde e Sociedade, 23 (4), 1445-1457.); Gondra (2000Gondra, J. G. (2000). Artes de civilizar: medicina, higiene e educação escolar na corte imperial(Tese de Doutorado em Educação). Universidade de São Paulo, São Paulo., 2003Gondra, J. G. (2003). Homo hygienicus: educação, higiene e a reinvenção do homem.Cadernos Cedes, 23(59), 25-38.); Marques (1994Marques, V. R. B. (1994). A medicalização da raça: médicos, educadores e discurso eugênico. Campinas, SP: Unicamp.), Sevcenko (2018Sevcenko, N. (2018). A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo, SP: Editora Unesp.), dentre outros.
  • 40
    Realizamos uma busca na Hemeroteca Digital com o termo ‘Kumlien’ no período de 1900 a 1999. Encontramos resultados entre os anos de 1905 e 1933. Em sua maioria, são anúncios da chegado do Tratado às livrarias.
  • 41
    Fundado em 1904 no Amazonas, durante o auge da exportação da borracha no Estado, é um importante jornal do Estado em circulação até os dias de hoje (Oferecidos..., 1913Oferecidos pela. (1913, 17 de novembro). Jornal do Commercio. ).
  • 42
    As informações encontradas na Hemeroteca Digital (Biblioteca Nacional) sobre Sebastião Cosme Pedroso nos permitem afirmar se tratar de um servidor público que atuou como tabelião e partidor em cartório da comarca de Dois Córregos, SP. Teve ainda uma carreira militar com cargos de coronel e major-ajudante do comando superior da Guarda Nacional de Piracicaba, SP. Encontramos também Sebastião Pedroso Filho, atuando no cargo de professor, contudo não temos indícios de se tratar de filho de Sebastião Cosme Pedroso.
  • 43
    Não foi objetivo desse estudo rastrear os países que traduziram e circularam os trabalhos de Kumlien. Outros lugares, possivelmente, podem ter tido contato com seus escritos.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Nov 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    31 Jan 2019
  • Aceito
    25 Jun 2019
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