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Terapia cognitivo-comportamental em grupo no transtorno obsessivo-compulsivo: um ensaio clínico

CARTA AOS EDITORES

Terapia cognitivo-comportamental em grupo no transtorno obsessivo-compulsivo: um ensaio clínico

Priscila de J Chacon; Márcia M Motta; Cristina Belloto

Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (PROTOC), Departamento de Psiquiatria Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Sr. Editor,

A leitura do artigo em questão chama a atenção pela proposta de um trabalho de grande demanda em nosso país. A terapia em grupo é de grande valia por democratizar um tipo de tratamento ainda muito custoso para a população de um país como o Brasil.

Muitos artigos têm sido publicados relatando a melhora produzida pela realização de sessões de Exposição com Prevenção de Respostas (EPR) em pacientes diagnosticados com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).1 Um número maior de artigos relata experimentos de EPR individual.Temos também, a disposição, referências de artigos que relatam estudos com sessões de EPR em grupo para pacientes com TOC.2

O trabalho de Cordioli e equipe sugere que a utilização de técnicas cognitivas pode contribuir na melhora dos sintomas de pacientes com TOC. Considerando que neste estudo foram utilizadas EPR e técnicas cognitivas concomitantemente, não é possível afirmar que uma ou outra variável foi responsável pela melhora encontrada. Estudos comparativos entre grupo com utilização de EPR e grupo com utilização de técnicas cognitivas poderiam indicar quais variáveis controlaram a alteração dos comportamentos característicos do indivíduo com TOC.

Um dado que chama a atenção do leitor, é a boa taxa de adesão (93,76%) à terapia em grupo neste estudo. Apenas 6,25% dos pacientes deixaram o estudo. Quais seriam as variáveis que poderiam explicar esta taxa de adesão? Seria a possibilidade de os pacientes estabelecerem novos vínculos? Sabe-se que o grupo funciona como condição facilitadora para o desenvolvimento de novos vínculos. Sabemos que pacientes com TOC possuem um marcado déficit de habilidades sociais que prediz uma baixa resposta ao tratamento.3

Talvez, as mesmas variáveis que controlaram a taxa de adesão favoreçam aqueles pacientes diagnosticados com TOC refratário, que não respondem a EPR individual e ao tratamento farmacológico habitual. Será que esta forma de terapia não poderia ser uma abordagem recomendada mais freqüentemente no tratamento de pacientes com TOC? Neste sentido, faz-se necessário o investimento em estudos como o de Cordioli e equipe.

Referências

1. Abramowitz JS. Effectiveness of psychological and pharmacological treatments for obsessive-compulsive disorder: a quantitative review. J Consult Clin Psychol 1997;65:44-52.

2. Van Noppen MSW, Pato MT, Marsland R, Rasmussen SA. A time-limited behavioral group for treatment of obsessive-compulsive disorder. J Psychother Pract Res 7:272-280, October 1998.

3. Steketee G, Eisen J, Dyck I, Warshaw M, Rasmussen S. Predictors of course in obsessive-compulsive disorder. Psychiatry Res 1999;89:229-38.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Jul 2003
  • Data do Fascículo
    Mar 2003
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