O objetivo desta carta foi empreender uma breve visão geral da literatura de publicações recentes sobre cesariana (CS)1 e ligadura de trompas uterinas, em que a CS está combinada com a esterilização tubária, analisando este tópico dos pontos de vista clínico e demográfico. A esterilização tubária é um método confiável de controle de natalidade. A ligadura de trompas junto com a cesariana tem a vantagem de evitar incisões e anestesia adicionais.2 Uma performance sistemática da ligadura de trompas junto com a cesariana pode ser um eficiente método de controle de natalidade, que também neutraliza o desequilíbrio de gênero em algumas regiões. Por exemplo, na China, a razão sexo masculino/sexo feminino ao nascer é elevada, enquanto foi relatado que a razão aumenta consideravelmente com a idade e o número de partos, sendo bastante alta em não-primíparas.3 O desequilíbrio de gênero ao nascimento também foi relatado na Índia e outros países; mais detalhes e referências estão em.4.5
A maioria das mulheres estão satisfeitas com sua decisão de serem esterilizadas.6 Pacientes são muito mais propensas a declinar a ligadura de trompas durante uma CS não planejada (40%) do que se arrepender de ter aceito uma (2,5%).7 A esterilização feminina tem sido associada com um risco reduzido de carcinoma seroso de ovário e carcinoma endometrioide8 e provavelmente tem um impacto positivo sobre a sexualidade.9 A vantagem da CS eletiva é o relativamente baixo risco de lesão fetal, bem como a associação negativa com mortalidade neonatal e morbidade. Alguns relatos de aumento na mortalidade e morbidade maternas são provavelmente enviesados, uma vez que confundem a CS com condições relacionadas à morte materna que não dependem do modo de parto.10"11 Consequentemente, a CS pode ser um marcador de morbidades preexistentes ou idade mais avançada antes de ser um fator de risco por ela mesma.12 Ademais, em relação a certas complicações maternas e.g lesão do assoalho pélvico e incontinência urinária, a CS eletiva foi relatada como sendo fator de proteção se comparada ao parto vaginal e a CS de emergência.13>14 Reconhecidamente, a CS é mais onerosa e associada com riscos aumentados quando em condições de instalações médicas limitadas. A hemorragia associadaà CS é um problema que ainda requer atenção; CS é um fator de risco subjacente em sepse puérpera, tromboembolismo e eclampsia.15 No entanto, procedimentos cirúrgicos geralmente tendem a melhorar. Em países mais desenvolvidos, a CS é largamente creditada como uma intervenção segura devido a técnicas cirúrgicas aprimoradas, anestesia melhorada, profilaxia de infecção e trombose.16 Por fim, requisições garantidas para CS eletiva foram relatadas em associação com taxas diminuídas de depressão pós-parto.17
Parece haver alguma forma de conservadorismo e preconceito em favor do parto vaginal também na literatura profissional. Por exemplo, foi dito que "o uso excessivo de CS afeta adversamente a saúde da mãe e da criança"18 com referências.19.20 No entanto, não existem relatos iguais ou similares nos artigos.19,20 Analogamente, foi declarado que "morbidade e mortalidade [associadas com CS] é mais frequente do que [aquelas associadas com] parto vaginal"21 com referências, entre outras, nas fontes.22.23 Estes artigos são sobre parto vaginal depois da CS,22,23 o que é um tópico diferente. Uma referência indireta em favor da atitude enviesada em relação à CS é a frequentemente mencionada associação da CS com desfechos em longo prazo da criança como asma, diabetes mellitus tipo 1 e doenças gastrointestinais, embora a evidência seja pobre.16 Os mecanismos propostos através dos quais CS pode impactar o sistema imune são obscuros e largamente hipotéticos e.g colonização da microbiota intestinal reduzida.16 Se é desta forma, a falta de exposição a certos micro-organismos relacionada à CS pode ser compensada com probióticos.24
Conclusão
A ligadura cesariana de trompas deve ser largamente considerada para mulheres que não planejam gravidez futura. Definitivamente, o último parto não é necessariamente o último de todos, uma vez que circunstâncias podem mudar depois do parto, incluindo condições socioeconômicas ou a morte de uma criança. A idade, atitude do parceiro etc.deve ser levada em consideração em decisões sobre as recomendações. Porém, a CS por requisição materna deve estar disponível também na ausência de contraindicações para a tentativa de parto vaginal. Isso também diz respeito à Rússia, onde a CS não é normalmente executada por requisição materna.25 Certos especialistas relataram ter executado CS por requisição materna e que no país inteiro a CS é feita mais frequentemente quando o procedimento é pago pelos pacientes.26 Outros insistem que a CS deve ser feita apenas de acordo com indicações. Na opinião do autor,a triplicação do índice global de partos feitos com CS durante o período de 1980-2016 (de 6 a 18,6%)1 é um desenvolvimento positivo. Um uso mais frequente da ligadura tubária seria especialmente favorável para regiões superpopulosas com uma desproporção de gênero.
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