Resumo
Objetivo Analisar os fatores associados à ocorrência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) entre docentes de pós-graduação stricto sensu, com ênfase nos fatores psicossociais do trabalho.
Métodos Estudo transversal com amostra não probabilística de docentes de duas Universidades Federais na Bahia. Os TMC foram avaliados pelo Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). As variáveis de exposição incluíram aspectos psicossociais, mensurados pelo Job Content Questionnaire (JCQ), dados sociodemográficos, tempo de trabalho e hábitos de vida. Os efeitos diretos e indiretos foram avaliados por Modelagem de Equações Estruturais, com coeficientes de regressão padronizados.
Resultados Participaram 149 docentes, com predomínio de mulheres (62,4%), raça/cor branca (43,2%) e idade de 40-59 anos (79,1%). A maioria possuía mais de seis anos de docência (88,6%), estava exposta a condições desfavoráveis de demanda, controle e apoio social no trabalho (57,5%) e participava de atividades de lazer (70,2%). A prevalência de TMC foi 40,3%. Houve associação (p < 0,05) direta entre TMC e estressores ocupacionais (β = 0,229), menor idade (β = -0,200) e ausência de lazer (β = -0,255). Nos efeitos indiretos, os estressores mediaram a relação entre tempo de trabalho e TMC (p = 0,038).
Conclusão Observou-se elevada frequência de TMC e complexidade dos fatores que afetam a saúde mental.
Palavras-chave
Transtornos Mentais; Fatores Psicossociais; Professores de Ensino Superior; Saúde do Trabalhador; Estudos Transversais
Abstract
Objective To analyze the factors associated with Common Mental Disorders (CMD) among graduate professors, with an emphasis on psychosocial factors at work.
Methods This is a cross-sectional study with a non-probabilistic sample of faculty members from two Federal Universities in Bahia. CMDs were assessed using the Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Exposure variables included psychosocial aspects, measured by the Job Content Questionnaire (JCQ), sociodemographic data, length of service, and lifestyle habits. Direct and indirect effects were assessed using Structural Equation Modeling (SEM), with standardized regression coefficients.
Results 149 faculty members participated, with a predominance of women (62.4%), white race/ethnicity (43.2%), and those aged 40-59 years (79.1%). Most had more than six years of teaching experience (88.6%), were exposed to unfavorable conditions regarding workload, control, and social support at work (57.5%), and participated in leisure activities (70.2%). The prevalence of CMD was 40.3%. There was a direct association (p < 0.05) between CMD and occupational stressors (β = 0.229), younger age (β = -0.200), and lack of leisure activities (β = -0.255). Regarding indirect effects, stressors mediated the relationship between working hours and CMD (p = 0.038).
Conclusion A high frequency of common mental disorders and a complexity of factors affecting mental health were observed.
Keywords
Mental Disorders; Psychology; Faculty; Occupational Health; Cross-Sectional Studies
Introdução
O trabalho docente do ensino superior público é complexo e multifacetado, compreendendo atividades de ensino, gestão, extensão e pesquisa1,2. A atuação nos Programas de Pós-Graduação (PPG) strictu sensu representa acréscimo considerável à carga e ao estresse no trabalho do docente, principalmente pelas demandas advindas do papel de pesquisador, como a condução de estudos científicos, a orientação de mestrandos e doutorandos e a captação de recursos em um ambiente competitivo e com reduzidos investimentos na ciência1,2.
Entretanto, essas demandas não afetam os docentes de forma homogênea. As disparidades raciais e de gênero se refletem na distribuição desigual da carga de trabalho na docência universitária3. Nos PPG, as posições estáveis e de maior prestígio acadêmico são, em sua maioria, ocupadas por pessoas brancas, principalmente homens4. Pessoas negras, em especial mulheres, têm menor representação nesses espaços e, quando os ocupam, sofrem com cargas de trabalho desiguais e injustas, além de pouco reconhecimento na carreira científica3,4.
A complexidade do trabalho na pós-graduação stricto sensu é ainda ampliada pela sujeição à lógica neoliberal, expressa na adoção do modelo gerencialista nas universidades públicas5. Essa dinâmica se materializa tanto no direcionamento da produção científica para atender às demandas de mercado, priorizando áreas e produtos com retorno econômico imediato6, quanto na avaliação do trabalho docente pelos órgãos de fomento das pesquisas, que submete os docentes à cultura do produtivismo acadêmico1. Dessa forma, impõem-se aos docentes metas elevadas, ritmos intensificados e competitividade acadêmica5,7.
Diante dessa realidade, os docentes da pós-graduação estão propensos a vivenciar fatores psicossociais estressores relacionados ao trabalho7. Fatores psicossociais no trabalho são interações entre ambiente de trabalho, conteúdo das tarefas, condições organizacionais e características dos trabalhadores, que podem influenciar saúde, desempenho e satisfação profissional8. Um dos modelos mais usados na avaliação dos aspectos psicossociais no trabalho é o Modelo Demanda-Controle (MDC), segundo o qual o estresse ocupacional decorre das interações entre alta demanda psicológica e baixo controle sobre as atividades laborais9,10. Como estratégia para ampliar a mensuração dos estressores ocupacionais, foi proposta uma terceira dimensão: o apoio social no trabalho (AST), que pode moderar ou intensificar os impactos das demandas e do controle laboral11.
Os estressores ocupacionais têm sido apontados como fatores que contribuem para a ocorrência dos Transtornos Mentais Comuns (TMC) em diversos grupos de trabalhadores10,12. Os TMC correspondem a um conjunto de sinais e sintomas não psicóticos, como insônia, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e esquecimento que afetam o funcionamento mental das pessoas, com consequências diversas em várias dimensões da vida e do trabalho15. Essa condição apresenta prevalência elevada entre docentes universitários, conforme observado no estudo de Campos, Véras e Araújo16 que identificou prevalência de TMC de 29,9% dos investigados.
Apesar da importância do professor-pesquisador da pós-graduação stricto sensu para o desenvolvimento da ciência e da sociedade, ainda são incipientes as produções científicas sobre fatores psicossociais e saúde mental dessa categoria17. Evidências recentes, como a revisão de literatura conduzida por Glatz, Yaegashi e Caetano18, que identificou apenas dez estudos nacionais publicados entre 2019 e 2023, ratificam essa lacuna investigativa e o caráter negligenciado da temática. Sobretudo, a carência de pesquisas epidemiológicas quantitativas reitera a importância de estudos analíticos que utilizem modelagem estrutural para mensurar as interações entre fatores psicossociais e TMC em docentes da pós-graduação.
Assim, o objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados à ocorrência de TMC entre docentes de pós-graduação strictu sensu com ênfase nos fatores psicossociais do trabalho.
Métodos
Desenho do estudo e contexto
Este estudo é um recorte analítico de um inquérito mais amplo intitulado “Trabalho Docente e Saúde em Tempos de Pandemia (COVID-19) – Fase 2”. Trata-se de um estudo transversal, com docentes vinculados à pós-graduação stricto sensu de duas universidades públicas localizadas no interior do estado da Bahia: a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Em 2023, a UEFS contava com um total de 947 docentes em seu quadro geral, não restritos à pós-graduação, e mantinha 18 PPG stricto sensu, dos quais quatro eram na modalidade de mestrado profissional e os demais, acadêmicos. Já a UFRB possuía 873 docentes em seu corpo docente total e 14 PPG, sendo seis mestrados profissionais e oito programas acadêmicos (mestrado e doutorado). Não foi possível identificar o número total de docentes vinculados à pós-graduação nas instituições investigadas, o que inviabilizou a estimativa da proporção de respondentes.
Tamanho do estudo
Participaram do inquérito 454 docentes universitários voluntários. Destes, foram selecionados os 149 docentes que estavam vinculados a PPG stricto sensu, portanto, não foi realizado cálculo do tamanho amostral.
Ainda que esse tamanho possa limitar o poder estatístico para detectar associações de menor magnitude, a adequação do modelo foi sustentada pelos índices de ajuste obtidos, que atenderam aos critérios estabelecidos para modelagem por equações estruturais com amostras pequenas (< 200)19.
Participantes
Foram incluídos os docentes universitários vinculados aos PPG stricto sensu que estavam exercendo suas atividades durante o período de coleta de dados e que tinham interesse e disponibilidade para participar do estudo. Foram excluídos aqueles que não estavam realizando trabalho docente devido a afastamento para aperfeiçoamento profissional, doença, férias, licença-prêmio ou maternidade.
Fonte de dados
Os dados foram coletados de agosto a novembro de 2023, por meio de um formulário on-line, disponibilizado na plataforma REDCap. Trata-se de uma pesquisa fechada, cujo convite foi enviado aos e-mails institucionais dos docentes de ambas as universidades. Para aumentar a adesão dos participantes, foram adotadas estratégias como a divulgação do estudo em reuniões de colegiado e em canais oficiais dos sindicatos, bem como o envio de lembretes periódicos.
O acesso ao questionário foi precedido pela leitura e aceite eletrônico do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Em seguida, os participantes responderam ao instrumento autoaplicável, composto por 145 questões distribuídas em 10 páginas, com tempo médio de resposta de 20 minutos. O questionário foi organizado em cinco blocos: I – Características sociodemográficas; II – Características do trabalho docente; III – Atividade doméstica; IV – Características da situação de saúde; e V – Hábitos de vida. As respostas não eram obrigatórias, sendo possível revisar o questionário antes do envio final; sem possibilidade de salvamento ou retomada após o encerramento da sessão. Realizou-se verificação manual de consistência dos registros para identificação de respostas potencialmente duplicadas.
Variáveis e mensuração
A variável desfecho foram os TMC, mensurados por meio do Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20), e a variável de exposição principal foram os fatores psicossociais do trabalho avaliados pelo Job Content Questionnaire (JCQ).
O Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) é um instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para rastreamento e suspeição de transtornos não psicóticos, composto por 20 questões de autorrelato com respostas dicotômicas simples (não, sim) e de fácil compreensão, que apresenta boa consistência interna em diferentes grupos ocupacionais20,21. O SRQ-20 avalia um conjunto de sintomas que permitem identificar os transtornos mentais mais comuns em populações. Estudos que avaliaram o seu desempenho, classificaram quatro grupos de sintomas: humor depressivo-ansioso (quatro itens), sintomas somáticos (seis itens), decréscimo de energia vital (seis itens) e pensamentos depressivos (quatro itens)22.
Os TMC foram analisados de duas formas: i) na análise descritiva, foi estimada a prevalência de TMC considerando os pontos de corte para definição de presença/ausência com ≥ 7 para mulheres e ≥ 5 para homens20; ii) na Modelagem de Equações Estruturais (MEE), os TMC foram analisados como variável contínua, a partir dos escores totais obtidos em cada um dos quatro grupos de sintomas do SRQ-20, os quais representaram a variável latente.
Ao tratar os TMC como variável latente, usando os escores dos quatro grupos sintomáticos, ainda que o SRQ-20 não avalie a intensidade dos sintomas, o escore obtido em cada domínio representa a variação da quantidade de sintomas apresentados pelo indivíduo, o que evidencia distintos graus de sofrimento psíquico ao longo de um continuum. Essa abordagem encontra respaldo teórico e metodológico na literatura23, que reconhece a utilidade dos modelos fatoriais e de classes latentes para entender melhor como os sintomas se relacionam entre si e com o sofrimento mental global, e oferece uma forma inovadora de representar os TMC ao permitir a visualização de diferentes gradientes de sofrimento psíquico, superando a lógica estritamente dicotômica dos pontos de corte tradicionais.
O JCQ é um instrumento utilizado para medir fatores psicossociais no trabalho, com versão validada no Brasil para docentes universitários24. Constituído por 49 itens, classificados em escala do tipo Likert de 1 (discordo fortemente) a 4 (concordo fortemente). O JCQ é baseado no MDC de Karasek9, no qual as demandas psicológicas se referem às exigências psíquicas e emocionais relacionadas ao trabalho; e o controle ao grau de autonomia e de tomada de decisões do trabalhador. Foi adicionado ao modelo o apoio social, que se refere ao suporte que o trabalhador recebe de colegas, supervisores ou da organização e pode atuar como moderador/potencializador do impacto negativo de situações de trabalho estressantes11.
Os indicadores de demanda e controle foram dicotomizados em baixos/altos com base no 2º tercil. Suas combinações formam quatro categorias: baixa exigência (baixa demanda/alto controle), trabalho passivo (baixa demanda/baixo controle), trabalho ativo (alta demanda/alto controle) e alta exigência (alta demanda/baixo controle). Para análise combinada, o MDC foi dicotomizado em: não exposto (baixa exigência: alto controle e baixa demanda) e exposto (os demais grupos que incluíam situação de alta demanda ou baixo controle). O escore de AST também foi categorizado em níveis baixos (exposição) e alto (categoria de referência) com base no 2º tercil. A combinação entre MDC e AST resultou no MDC completo (MDC/AST), variável que representa os estressores psicossociais no trabalho (presença de alta demanda, baixo controle ou baixo apoio social). O gradiente de exposição do MDC/AST foi: 0- Não exposto em ambos; 1- Exposto em AST e não exposto em MDC; 2- Não exposto em AST e exposto em MDC; 3- Exposto em AST e exposto em MDC25.
O gênero foi aferido a partir de uma pergunta com as seguintes opções de resposta: mulher cis, homem cis, mulher trans, homem trans, pessoa não binária e prefiro não informar. Contudo, no recorte de docentes dos PPG stricto sensu, obtiveram-se respostas apenas das categorias homem cis e mulher cis. A perspectiva de gênero é adotada, considerando que se trata de uma construção sociocultural que impacta as relações sociais, a inserção e posição no mercado de trabalho e os padrões de adoecimento26.
A raça foi avaliada por meio da cor da pele autorreferida, seguindo os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com categorias de resposta branca, preta, amarela, parda ou indígena. Para fins analíticos, os docentes foram agrupados em “brancas/amarelas” e “pretas/pardas/indígenas”. Essa categorização considera a proximidade de condições socioeconômicas e histórico de desigualdades estruturais desses grupos, sobretudo no acesso a espaços como a pós-graduação stricto sensu, no qual pessoas negras (pretas/pardas) e indígenas são sub-representadas4.
Na intersecção entre gênero e raça, foram construídos quatro grupos analíticos: homens brancos/amarelos (grupo de referência), homens negros/indígenas, mulheres brancas/amarelas e mulheres negras/indígenas (grupo exposto a dupla vulnerabilidade social). Essa estrutura permite avaliar os efeitos do gradiente de menor para maior vulnerabilização no entrelaçamento de raça e gênero na saúde mental27.
A variável idade foi investigada em anos completos de vida e, para as análises, foi categorizada em: 20 a 39 anos, 40 a 59 anos e 60 anos ou mais. O tempo de trabalho na profissão foi avaliado pela quantidade de anos completos trabalhados como docente do ensino superior. Para as análises, o tempo de trabalho foi dicotomizado em: menor ou igual a cinco anos e seis anos ou mais com o objetivo de distinguir diferentes momentos da trajetória profissional docente. Essa categorização busca diferenciar a fase inicial da carreira, momento de instabilidade e construção da identidade profissional, da fase de maior consolidação, caracterizada pelo acúmulo de funções, maior responsabilidade e desgaste ao longo do tempo17. Admite-se, entretanto, que essa estratégia resultou em distribuição assimétrica entre os grupos, podendo limitar a detecção de diferenças entre indivíduos com maior tempo de atuação.
A prática de lazer foi mensurada pela pergunta “Atualmente, você tem praticado alguma atividade de lazer, para distrair ou relaxar?”, tendo como opções de resposta: não e sim.
Métodos estatísticos
Este estudo adotou um modelo teórico conceitual elaborado com base em possíveis fatores associados aos TMC entre docentes universitários da pós-graduação stricto sensu. Nesse modelo, distinguem-se as associações entre variáveis tratadas como diretamente observadas intersecção de gênero e raça, idade, tempo de trabalho, prática de atividades de lazer e MDC/AST e a variável latente TMC (Figura 1).
Estrutura conceitual de determinantes de TMC em docentes da pós-graduação stricto sensu, Bahia, Brasil
Com base no modelo, foram definidas as seguintes hipóteses:
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H1: Quanto maior a vulnerabilidade na intersecção de gênero e raça, maiores os sintomas de TMC.
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H2: Quanto maior a idade, maiores os sintomas de TMC.
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H3: Quanto maior o tempo de trabalho, maiores os sintomas de TMC.
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H4: Quanto maior a exposição ao MDC/AST, maiores os sintomas de TMC.
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H5: Quanto maior a vulnerabilidade na intersecção de gênero e raça, maior a exposição ao MDC/AST e maiores os sintomas de TMC.
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H6: Na ausência de atividades de lazer, maiores os sintomas de TMC.
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H7: Quanto maior a vulnerabilidade na intersecção de gênero e raça, menor a prática de atividades de lazer e maiores os sintomas de TMC.
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H8: Quanto maior a idade, menor a prática de atividades de lazer e maiores os sintomas de TMC.
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H9: Quanto maior o tempo de trabalho, maior a exposição ao MDC/AST e maiores os sintomas de TMC.
O software Statistical Package for Social Sciences (SPSS®, versão 24.0) foi utilizado para apoiar a análise descritiva para caracterização da amostra. Para as variáveis qualitativas (categóricas), utilizaram-se frequências absolutas (n) e relativas (%), enquanto para as variáveis contínuas foram empregadas medidas de tendência central e dispersão.
Posteriormente, o banco de dados foi exportado para formato compatível com o software Mplus, versão 8.4, no qual foram processadas as análises de Modelagem com Equações Estruturais (Structural Equation Modeling – SEM). Para avaliar o modelo de mensuração da SEM, constituído pela variável latente TMC, conduziu-se Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Confirmatória (AFC) com a finalidade de testar se a estrutura fatorial do construto latente estava de acordo com o preconizado pela validação da escala SRQ-2020. Os itens foram considerados como potencialmente carregados no fator se apresentassem carga fatorial padronizada (λ) maior ou igual a 0,3 e a variância residual (δ) menor ou igual a 0,73528.
Para analisar o modelo estrutural, composto pela variável latente (TMC) e variáveis diretamente observadas (intersecção de gênero e raça, idade, tempo de trabalho, prática de atividades de lazer e MDC/AST), foram computados os coeficientes de regressão padronizados (β), com nível de significância estatística de 5%. A magnitude dos efeitos diretos, indiretos e totais foi classificada como: pequeno (em torno de 0,10), moderado (próximo a 0,30) e grande (> 0,50)29. Foi adotado nesta análise o estimador Weighted Least Squares Means and Variance Adjusted (WLSMV) e, para reespecificar o modelo, foram considerados os Índices de Modificação maiores ou iguais a 10 e as Mudanças Esperadas de Parâmetros maiores ou iguais a 0,2530.
O ajuste dos modelos foi avaliado por meio do Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) menor que 0,0630, com limite inferior do intervalo de confiança de 90% inferior a 0,05, por se tratar de amostra pequena (n < 200)19; o Comparative Fit Index (CFI) e o Tucker-Lewis Index (TLI) maiores ou iguais a 0,9529.
Viés
Foram adotadas medidas para minimizar potenciais fontes de viés. O viés de seleção foi reduzido por meio da utilização de listas institucionais atualizadas de docentes das universidades participantes, bem como ampla divulgação da pesquisa por canais institucionais, visando alcançar o maior número possível de elegíveis.
Para minimizar o viés de informação, foram utilizados instrumentos validados, como o SRQ-20, com período de recordação definido, buscando padronizar a coleta dos dados autorreferidos. Adicionalmente, não se descarta a possibilidade de viés do trabalhador sadio, uma vez que o estudo incluiu apenas docentes em atividade; essa limitação foi considerada na interpretação dos resultados.
Considerações éticas
A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CEP/UFRB), com o número do parecer de aprovação: 6.137.234 (CAAE: 69857923.6.1001.0056), emitido em 22 de junho de 2023. Todos os participantes acessaram o TCLE e manifestaram concordância em participar do estudo.
Resultados
Participaram do estudo 149 docentes universitários de PPG stricto sensu. Dentre as características sociodemográficas, houve predomínio de mulheres (62,4%), raça/cor branca (43,2%), intersecção de mulheres pardas/indígenas/pretas (31,8%), idade entre 40 e 59 anos (79,1%), com mediana de 51 anos (amplitude interquartis: 46-56; mínimo: 31 e máximo: 69), e viver com companheiro(a) (65,3%) (Tabela 1).
Quanto às características ocupacionais, a maioria possuía seis anos ou mais de trabalho (88,6%), com mediana de 15 anos (amplitude interquartis: 11–25; mínimo: < 1 e máximo: 42); observou-se que 76,8% dos docentes apresentavam alta demanda psicológica, 31,9% tinham baixo controle sobre o próprio trabalho e 68,1% tinham baixo apoio social. Verificou-se que 21,9% dos participantes estavam expostos a trabalho de alta exigência, considerado altamente estressante. Além disso, 57,5% estavam expostos a estressores ocupacionais – alta demanda, baixo controle ou baixo apoio social (denominado no modelo como MDC/AST). Em relação a hábitos de vida, 29,8% dos docentes não praticavam atividades de lazer. A prevalência global de TMC foi de 40,3%. Identificou-se média do escore do SRQ-20 de 5,62 (desvio-padrão: 4,72), com maior pontuação média para sintomas de decréscimo de energia vital (média: 1,90; desvio-padrão: 1,93) (Tabela 1).
Os indicadores da variável latente TMC foram os quatro grupos de sintomas que integram o SRQ-20, representados pelos escores totais dessas dimensões. A AFE desses indicadores evidenciou solução unidimensional, por meio de apenas um autovalor maior que 1. Os indicadores de ajuste do modelo foram considerados adequados, com cargas fatoriais fortes (λ > 0,6) e significantes para todos os itens, os quais apresentaram baixa variância residual (δ < 0,61). O item com maior carga fatorial foi “Decréscimo de energia vital” (λ = 0,886) e com menor carga fatorial foi “Pensamentos depressivos” (λ = 0,625). A AFC confirmou essa estrutura, com índices de ajustes satisfatórios (Tabela 2).
O modelo estrutural final apresenta como variáveis explanatórias: intersecção de gênero e raça, idade, tempo de trabalho, prática de atividades de lazer e modelo completo MDC/AST; a variável resposta foram os TMC (Figura 2). Todos os indicadores de ajuste do modelo estrutural foram satisfatórios: X2/gl = 1,04; RMSEA = 0,016, com IC90% = 0,000-0,075; CFI = 0,994; TLI = 0,990.
Modelo de equações estruturais com efeitos diretos e indiretos específicos de determinantes dos TMC entre docentes de PPG stricto sensu. Bahia, Brasil, 2023 (n = 149)
Das novas hipóteses testadas, três foram confirmadas (H4, H6 e H9), uma parcialmente confirmada (H1) e cinco não confirmadas (H2, H3, H5, H6 e H7). Apresentaram efeito direto moderado e estatisticamente significativo para TMC: idade (β = -0,200; p-valor = 0,040), prática de atividades de lazer (β = -0,255; p-valor = 0,020) e estressores ocupacionais (MDC/AST) (β = 0,229; p-valor = 0,031) (confirmando H4 e H6) (Figura 2). A H2 não foi confirmada na direção esperada: o efeito da idade sobre os sintomas de TMC ocorreu em sentido inverso ao hipotetizado, com menor idade associada a maiores sintomas de TMC.
A avaliação dos caminhos indiretos específicos com significância estatística evidenciou que docentes com maior tempo de trabalho apresentaram maior nível de estresse no MDC/AST e, consequentemente, maior o aumento dos sintomas TMC, com efeito moderado do tempo de trabalho no estresse (β = 0,269; p-valor = 0,038) confirmando H9 (Figura 2). As hipóteses H3, H5, H7 e H8 não foram confirmadas, não se identificando efeitos diretos ou indiretos estatisticamente significativos nos caminhos testados.
Os maiores efeitos totais das variáveis explanatórias sobre TMC foram advindos da não prática de atividades de lazer (β = -0,297; p-valor = 0,005), menor idade (β = -0,230; p-valor = 0,020) maior vulnerabilização na intersecção de gênero e raça (β = 0,229; p-valor = 0,007) e MDC/AST (β = 0,229; p-valor = 0,031) com efeitos de tamanho moderado e estatisticamente significativos. A H1 foi parcialmente confirmada, já que apesar de não ter sido identificado efeito direto significativo da intersecção de gênero e raça sobre os sintomas de TMC, o efeito total foi significativo. Não houve caminhos indiretos específicos com efeito total com significância estatística (Tabela 3).
Discussão
Os resultados revelaram alta prevalência de sintomas de TMC entre docentes da pós-graduação stricto sensu, com efeitos diretos dos estressores ocupacionais (MDC/AST), menor idade e não praticar atividades de lazer. Os estressores ocupacionais atuaram como mediadores da relação entre o tempo de trabalho e TMC, identificando-se que, quanto maior o tempo de trabalho, maior o nível de exposição aos estressores e maiores os níveis de sintomas de TMC. A intersecção de gênero e raça, apesar de não ter apresentado efeito direto estatisticamente significativo sobre TMC, revelou efeito total significativo.
No que tange à elevada prevalência de TMC entre os docentes da pós-graduação stricto sensu deste estudo (40,3%), esta se mostrou superior à encontrada em outras pesquisas com docentes universitários em geral. Dois estudos realizados na região Nordeste do Brasil identificaram prevalências menores e similares entre si, 29,9%16 entre docentes de uma universidade pública no interior da Bahia e 29%31 entre professores universitários no interior do Ceará.
Neste estudo, identificou-se que os fatores psicossociais estressores contribuíram para o aumento dos sintomas de TMC. Esse achado corrobora a literatura existente, que reconhece amplamente os efeitos dos fatores psicossociais do trabalho na ocorrência de transtornos mentais em diferentes grupos ocupacionais12. Na metarrevisão de Harvey et al.13, constatou-se que trabalhadores submetidos a alta tensão no trabalho – caracterizada por altas demandas, baixo controle e baixo apoio social – apresentam piores quadros de saúde mental.
Embora documentadas em diferentes ocupações, como professores da educação básica32 e trabalhadores da saúde14, pesquisas que exploram tais questões entre professores da PPG são limitadas. Estudos realizados há mais de uma década com docentes de outros níveis de ensino já indicavam possível associação entre os aspectos psicossociais estressores e os distúrbios psíquicos. Professores do ensino infantil e fundamental com trabalho de alta exigência apresentaram prevalência de transtornos mentais 1,5 vez maior em comparação àqueles de baixa exigência32.
No âmbito da pós-graduação stricto sensu, o trabalho docente é caracterizado pela coexistência de múltiplas atribuições (ensino, pesquisa, orientação, gestão acadêmica e captação de recursos) cuja acumulação pode intensificar a exposição a estressores psicossociais e favorecer o sofrimento psíquico5,17. A pressão pela produtividade e publicação científica se associa ao aumento do estresse ocupacional7. Esse cenário de elevadas exigências e recursos limitados18,33 é consistente com os achados do presente estudo, que identificou associação entre fatores psicossociais estressores e sintomas de TMC entre docentes da PPG.
Outro aspecto relevante é que os estressores ocupacionais atuaram como mediadores entre o tempo de trabalho e os TMC, ou seja, quanto maior o tempo de docência, maior a exposição aos estressores e maior o nível de sintomas. Estudo na China34 mostrou resultado semelhante, indicando que anos de experiência docente aumentam o estresse ocupacional entre professores universitários. Esse efeito pode ser entendido pelo acúmulo de funções, pela pressão por produtividade científica e pelas expectativas ampliadas que acompanham a senioridade17,35.
Por outro lado, docentes mais jovens também apresentaram maior nível de sintomas, achado aparentemente contraditório, mas que pode ser explicado pelo fato de idade e tempo de docência avaliarem etapas distintas da trajetória profissional35. Enquanto o tempo de docência reflete a exposição acumulada a estressores específicos da PPG, a idade mais jovem captura um momento de vida marcado por instabilidade de vínculo, pressão para consolidar carreira e dupla jornada17.
A literatura sobre idade e saúde mental em docentes universitários é controversa. Revisão sistemática sobre burnout identificou docentes abaixo de 40 anos como grupo de maior vulnerabilidade em 33 de 60 estudos analisados, associando esse risco à instabilidade de vínculo e estratégias limitadas de enfrentamento35. Contudo, os mesmos estudos indicam que docentes seniores também apresentam risco elevado, atribuído ao acúmulo crônico de estresse e demandas institucionais crescentes35. Esses resultados sugerem que tanto o ingresso quanto a consolidação da carreira docente na pós-graduação constituem momentos críticos, ainda que por mecanismos distintos, reforçando a necessidade de estratégias diferenciadas de cuidado com a saúde mental ao longo de toda a trajetória acadêmica17,35.
A ausência de atividades de lazer contribuiu para o aumento dos sintomas dos TMC na categoria estudada. O lazer, entendido como atividade voluntária, não laboral, realizada no tempo livre, com finalidade de promover prazer e bem-estar; associa-se à promoção da saúde mental ao favorecer emoções positivas que fortalecem a resiliência e ampliam a capacidade de enfrentamento do estresse36.
Estudo com profissionais médicos evidencia esta relação: a participação em atividades de lazer, sobretudo aquelas com conteúdo cultural e social, foi associada à menor prevalência de TMC, revelando que o envolvimento em atividades culturais apresenta relação moderada e positiva com a saúde mental37.
Vieira et al.38 identificaram que docentes da pós-graduação stricto sensu têm dificuldade em se desligar das atividades laborais durante o tempo livre, que poderia ser destinado ao lazer. O período noturno, teoricamente reservado para descanso, é frequentemente utilizado para leituras acadêmicas, envio de documentos institucionais, respostas a e-mails e preparação de atividades para o dia seguinte38. Essa rotina intensa faz com que a carga de trabalho ocupe o tempo livre, levando à negligência de atividades recreativas. Nesse contexto, a hiperconexão piora o quadro ao facilitar a invasão do trabalho em qualquer horário, dificultando a separação entre trabalho e lazer/descanso, o que prejudica a saúde psíquica.
Em relação à intersecção de gênero e raça e os sintomas de TMC, não foi observada associação direta estatisticamente significativa. Entretanto, verificou-se efeito total estatisticamente significativo, sugerindo que essa relação pode ocorrer por mecanismos mediados ainda a serem investigados. A ausência de efeito direto pode também refletir a predominância de mulheres negras, pardas e indígenas na amostra, o que pode ter reduzido a variabilidade entre grupos e o poder estatístico para detectar diferenças. Assim, os resultados não devem ser interpretados como ausência de desigualdade, mas como limitação do estudo para capturá-la.
A escassez de estudos sobre intersecção de gênero e raça entre docentes da pós-graduação dificulta a comparação com evidências empíricas desse contexto. Em outros cenários ocupacionais, observa-se maior frequência de transtornos mentais em mulheres negras, seguidas por mulheres não negras, sendo homens não negros os menos afetados39. Embora tais achados não possam ser diretamente extrapolados para a população investigada, ajudam a contextualizar a complexidade das desigualdades estruturais no ambiente acadêmico e sublinham a necessidade de investigações futuras com amostras mais amplas e mais diversas.
Este estudo apresenta limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O delineamento transversal impede o estabelecimento de relações de temporalidade entre as exposições e o desfecho. Ou seja, não permite descartar causalidade reversa; é plausível, por exemplo, que docentes com maiores sintomas de TMC reduzam a prática de lazer ao longo do tempo, e não apenas o contrário. A inclusão somente de docentes em atividade pode implicar viés do trabalhador sadio, com possível subestimação da ocorrência de TMC.
A amostragem por conveniência, restrita a duas universidades públicas do interior da Bahia, limita a generalização dos achados. Além disso, o viés de autosseleção dos participantes pode ter influenciado as estimativas, uma vez que docentes mais sensibilizados com a temática tendem a participar em maior proporção. Não foi realizado cálculo prévio do tamanho amostral e, por se tratar de recorte analítico de estudo mais amplo, não foi possível estimar a taxa de resposta, o que dificulta a avaliação da representatividade da amostra.
A amostra estudada, embora reduzida para MEE com múltiplos caminhos, apresentou índices de ajuste adequados. Porém, o poder estatístico pode ter sido insuficiente para detectar associações de menor magnitude, aumentando a possibilidade de erro tipo II. Assim, os efeitos não significativos, particularmente os diretos e indiretos relacionados à interseccionalidade gênero e raça, devem ser interpretados com cautela.
A dicotomização da variável tempo de trabalho resultou em distribuição assimétrica entre as categorias, com concentração da amostra no grupo de maior tempo de atuação, podendo limitar a detecção de diferenças dentro desse grupo. De forma semelhante, a mensuração da prática de lazer por questão dicotômica única, sem instrumento validado, pode comprometer sua validade, sendo recomendado o uso de instrumentos psicométricos em estudos futuros.
Por fim, a escassez de estudos com docentes da pós-graduação stricto sensu limita a comparação direta dos achados. Recomenda-se a realização de estudos com amostras maiores, delineamentos longitudinais e estratégias de amostragem probabilística, a fim de ampliar a robustez das evidências sobre os fatores associados ao adoecimento mental nesta população.
A partir dos dados deste estudo, nota-se a complexidade dos fatores que se inter-relacionam com a saúde mental dos docentes da pós-graduação stricto sensu, não havendo soluções simples para transformar essa realidade. É necessário propor mudanças estruturais nos paradigmas de avaliação da pesquisa e implementar políticas públicas que responsabilizem as instituições de ensino superior em promover ambiente de trabalho menos estressante, oferecendo espaços e tempo para descanso e lazer, e estruturando redes de apoio e escuta acolhedora. Também é importante incentivar a organização coletiva desses trabalhadores.
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Informações sobre trabalho acadêmico:
Artigo baseado na dissertação de mestrado intitulada “Fatores psicossociais do trabalho e a saúde mental dos docentes da pós-graduação: modelagem de equações estruturais”, defendida pela autora Débora Ramos de Araújo Souza no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana, em 27 de fevereiro de 2025.
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Disponibilidade dos dados:
Os dados não estão disponíveis publicamente, visando preservar o anonimato dos participantes. Podem ser disponibilizados mediante justificativa e solicitação ao autor correspondente.
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Declaração sobre uso de Inteligência Artificial:
Os autores declaram que não foram usadas ferramentas de IA.
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Apresentação do estudo em evento científico:
Os autores informam que o estudo não foi apresentado em evento científico.
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Financiamento:
Os autores declaram que o estudo não foi subvencionado.
Editado por
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Editora responsável:
Leila Posenato Garcia Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho - FUNDACENTRO
Os dados não estão disponíveis publicamente, visando preservar o anonimato dos participantes. Podem ser disponibilizados mediante justificativa e solicitação ao autor correspondente.



MDC/AST: Modelo completo Demanda-Controle e Apoio Social no Trabalho; TMC: Transtornos Mentais Comuns.
MDC/AST: Modelo completo Demanda-Controle/Apoio Social no Trabalho; HDA: Humor depressivo-ansioso; SS: Sintomas somáticos; DEV: Decréscimo de energia vital; PD: Pensamentos depressivos.*Significância estatística de 5%